segunda-feira, 30 de março de 2009

domingo, 29 de março de 2009

Histórias do Billi J. - antes que a luz apague

O sinal estava fechado. O Billi J. não tinha pressa mesmo, até porque, com aquele engarrafamento, trânsito que não fluía de maneira alguma e ele demoraria um bocado para chegar em casa.

Então ele decidiu distrair-se um pouco e olhou para o lado. Quando viu aquela guria. Mulher. Donzela. Princesa. Não, uma rainha.

Não pela beleza em si, não pelo carro(um baita Honda Civic amarelo) e muito menos por saber que todas as mulheres que possuem um Honda Civic ou são ricas ou são mulheres de homens ricos.

O olhar dela. Que coisa... não linda, não fantástica, não maravilhosa. Mas algo naquele olhar o prendia. Os olhos dela não eram azuis, verdes ou cores chamativas. Eram de um castanho bem comum. Talvez igual a cor dos olhos dele mesmo.

Mas ele ficou olhando para ela que, para espanto dele, também olhava para ele. Vidros baixos, pois o calor era imenso. Isso facilitou essa troca de olhares.

Ele olhava para ela. Ela olhava para ele. Ele olhava para ela. Ela olhava para ele. Ele olhava para ela. Ela olhava para ele. Ele olhava para ela. Ela olhava para ele. Ele olhava para ela. Ela olhava para ele. Ele olhava para ela. Ela olhava para ele. Ele olhava para ela. Ela olhava para ele. Ele olhava para ela. Ela olhava para ele. Ele olhava para ela. Ela olhava para ele. Ele olhava para ela. Ela olhava para ele. Ele olhava para ela.

Ele então percebeu que não tinha mais aquele olhar de criança. Aquela ternura, aquela simplicidade, aquela inocência que uma criança tem no olhar. E viu o seu olhar no olhar daquela guria, menina, mulher, fosse o que fosse. Daquele ser humano do sexo feminino. Olhar que o prendia.

Quando o Billi J. decidiu que aquela intensa e estranha troca de olhares deveria passar de uma simples, intensa e estranha troca de olhares, ouviram, os dois, buzinas. O engarrafamento havia aumentado. Os nervos daqueles que estavam atrás dos dois pareciam ter estourado. Era uma barulheira de buzina, xingamentos e afins que os dois, o Billi J. e a guria, menina ou mulher tiveram que acelerar, pois o sinal já estava no verde. Cada um foi para um lado e nunca mais se viram.

Bom, pelo menos até aqui nunca mais.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A talvez melancolia do meio termo

Num intuito de fazer valer um investimento que condiz com a minha vontade de mostrar ao mundo o que talvez(2) seja, volto ao talvez(3) único lugar em que consigo ser eu mesmo por completa e clara, por conseguir mostrar tudo, talvez(4) quase tudo o que penso, embora não seja eu mesmo sempre, ou seja, não seja tudo o que eu sou em palavras.

Nesse longo período, mais dois anos, consegui expressar muita coisa que em qualquer outro lugar seria chamado de idiota, estúpido ou simplesmente de uma criança muito babaca que fica inventando histórias relacionadas a uma fruta ou a um menino idiota com cara de cdf.

Mas no fundo, isso não vem ao caso.

Encontro-me ausente, o blog está carente do meu antigo, atualmente escondido, eu, que fosse o que fosse conseguia sempre colocar alguma coisa que não fosse uma simples frase ou, como a maioria hipócrita, e medíocre, faz, uma simples foto ou texto copiado de alguém famoso(ou de alguém desconhecido, cujo reconhecimento cai em alguém famoso como Luís Fernando Veríssimo ou o Zé do boteco).

Sim, essa é mais uma das minhas, felizmente, impagáveis, e talvez(5) ineptamente ilegíveis bobagens, mas diferente das outras, onde conseguia ser um maluco idiota com pensamentos ou ideias(naquele tempo ainda colocava acento nessa palavra) por haver um motivo para tal transcrição daquilo em palavras, corretas ou não, hoje, como em 92,74% dos meus últimos dias das minhas últimas semanas, não possuo razão, física, mental, espiritual ou meramente ideal.

O talvez(6) irritante uso contínuo de vírgulas que trazem explicações, sejam elas apostos ou vocativos das já escritas frases, mostra o quão tolo e inepto é esse, que não deve ser chamado de texto embora a possibilidade exista, emaranhado de palavras, pontuações e afins.

A explicação disso é que estou no marco zero do meu cérebro. Da minha pessoa. Do meu ser. Do meu eu próprio(a redundância se fez sim necessária).

Um gráfico, seja ele por linhas ou colunas, ou qualquer linha cronológica poderia demonstrar bem isso, essa imensa bobagem. Mas prefiro transcrever, mesmo que inutilmente, em palavras o que deveria, ou melhor, poderia ser desenhado no paint ou em qualquer outro programa semelhante.

A decepção, a tristeza, a felicidade ou mesmo a alegria em níveis extremos, que aqui poderiam ser colocados como pontas opostas de um gráfico imaginário que você leitor(???) pode fazer agora para acompanhar essa tentativa de raciocínio, acabam sempre motivando a escrita. Poesias, principalmente do romantismo, prosas, histórias, fatos, ideias, ideais, ou qualquer outra coisa que surja na mente de um humano qualquer, ou de um maluco como eu, necessitam de um peso a mais em um dos lados.

No meu caso, estou no meio desse gráfico. Dessa linha. O marco 0. O 0°, entre o negativo e o positivo em questão de temperatura. A tora ou ferro que fica no meio de uma gangorra. A colher no meio da briga entre marido e mulher. O muro que separava socialistas de capitalistas(ou talvez(7) a Mônica do Cebolinha). Ou mesmo o ponto de equilíbrio(unicamente teórico, utópico ou imaginário) entre razão e emoção, ou impulsividade e passividade, ou qualquer outra coisa onde o meio termo(insisto, teórico, utópico ou imaginário) é o melhor, embora ninguém consiga alcançá-lo sem perder alguma coisa que faça real e significativa diferença na sua vida.

Precisaria pender essa linha imaginária que talvez(8) alguém tenha raciocinado para a alegria ou para a tristeza. Para a realização ou para a decepção. Muito embora não veja uma grande diferença entre ficar aqui, na utopicidade do marco zero de um cérebro cansado de tudo o que vê, e voltar a ver as coisas boas, mas também as porcarias, que conseguia ver com muita imaginação, muitos pensamentos e dois olhos cansados de ver um mundo que lhe torna diferente.

Forcei tanto a minha visão para ver um mundo diferente que hoje, e por mais alguns dias, talvez(9) será preciso fechar os olhos e não ver nada, nem o mundo diferente nem o mundo em que vivo.

terça-feira, 24 de março de 2009

Frase(parágrafo) do dia:

Dizem por aí que a felicidade é contagiante. 
Que só de estar ao lado de pessoas que irradiam essa felicidade você acaba ficando feliz também. 
Acho bobagem isso. 
Por mais que fique feliz por aqueles que me cercam estarem felizes, isso até deveria ser, mas não é não é algo que me faça colocar um sorriso na cara e realmente seja feliz pelo muito que tenho. 
A teoria de valorizar o que se tem não funciona direito na prática.
Pois valorizo muito o que tenho mas, não consigo me sentir alegre, para não dizer feliz.
Passei a acreditar que a felicidade não existe, ela é o caminho que percorremos atrás de um objetivo.
Mas... 
Parece que sempre falta algo. 
Ou quase sempre. 
E o meu algo falta faz tempo. 
E o meu tempo, felizmente, não faz falta.

domingo, 22 de março de 2009

É a madrugada

Poderia dizer para ela que ela é a minha vida.

Mas não digo porque a minha vida é a minha vida e ponto final.



Poderia dizer que o brilho dos olhos dela é tão intenso quanto o brilho das estrelas.

Mas não digo porque, se fosse mesmo, uma possível vida na fora da Terra já teria entrado em contato conosco para desligarmos essa lanterna.



Poderia dizer que o as palavras dela são tão confortantes quanto uma almofada.

Mas não digo porque as palavras dela não podem ser usadas como travesseiro quando tenho que dormir no chão.



Por fim, poderia dizer que os lábios dela são de mel.

Mas não digo porque, felizmente, ela não é uma colmeia.

sábado, 21 de março de 2009

Histórias de bergamota(8)

(sim, eu voltei)

"Comer ou não comer, eis a questão" disse uma vez um sábio comedor de bergamota. Porque ele só era considerado sábio por aqueles que gostavam de ouvir suas palavras (sábias) sobre bergamota. A questão é que ele não era nenhum velho careca que vivia isolado em uma casa de madeira nas montanhas. Ele era um cara que tinha seus 30 e poucos anos, usava bermuda e chinelo de dedo do Paraguai.

Ninguém entendia como o cara mesmo sendo um qualquer, um zé ninguém, um bocózão, poderia entender tanto de bergamota. Ele tinha dois pés de bergamota em casa, é verdade, mas conhecia todos os detalhes, todas as qualidades e defeitos de toda e qualquer espécie(não me venham com termos corretos da biologia) de bergamota.

Um dia, um jovem resolveu testar o sábio, que não se fazia de sábio mas, todos sabiam que ele era um sábio no quesito bergamota. O jovem, loiro, usando óculos e pelo menos dois potes de gel no cabelo, indagou o sábio:

-Se o senhor é tão sábio assim, tenho algumas bergamotas em minha sacola e farei-lhe um suco. Terás de me dizer de qual tipo de bergamota é o suco.

O sábio fez uma cara de "que idiota esse piá de bosta"(literalmente) e disse:

- Então jogue fora essas laranjas que você tem na sua mochila e compre bergamotas para fazer o tal suco.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Recado

É necessário parar para concentrar, pensar e quem sabe mudar evoluindo.

Muita complexidade para dizer que não postarei por alguns poucos dias.

Mas aqui está o link para os marcadores das histórias do blog, no caso de alguém querer perder tempo para ler.

Histórias do Bandiolo

Histórias de uma vida não vivida

Histórias do Billi J.

domingo, 15 de março de 2009

Histórias do Bandiolo - ele e ela, ela e ela

Ela sempre achou que poderia contar com ele. Sempre achou que ele estaria sempre ao seu lado. sempre achou que poderia iludí-lo com suposições e que ele sempre esperaria a sua vez, que no caso nunca existiu, chegar. Ela achava que ele só amava-a, por isso, não tinha amor próprio.

Ela achou que ele sempre ajudaria-a, sempre conversaria com ela quando ela precisasse(porque ela em si não queria conversar com ele nunca), sempre resolveria seus problemas, sempre correria atrás do que ela precisava, sempre inventaria mentiras para aliviar sua barra.

Ela achou que ele sempre seria o idiota que sempre a elogiava, que sempre fazia um carinho nos seus momentos de depressão e solidão, que sempre lhe contaria uma piada engraçada para fazê-la rir. Ela achou que ele sempre seria aquele bobão. Aquele idiota que estaria sempre ali, vivendo para ela.

Mas um dia ele cansou. Cansou de sua vida. Cansou de seu amor.

Parou com tudo o que fazia e sequer voltou a olhar para a cara de tacho vazio e sujo dela.

Ele começou a viver. Sua vida. Para si.

Ela percebeu que o amava mesmo, mas sabia que ele jamais olharia para ela novamente. Ele a amava e ela pisava nele, usava como um objeto.

Ela então decidiu que era hora de mudar. Foi até seu guarda-roupas e trocou a sua blusinha rosa por uma azul. E decidiu que nunca mais usaria rosa. Tornava-se muito prepotente com aquela blusinha que ele tanto gostava...

Ah... ele...


*eu sei, essas coisas estão extremamente irritantes

sexta-feira, 13 de março de 2009

Reflexões de um maluco(4)

De tanto pensar e não pensar. De tanto procurar e não achar. De tanto tentar e não conseguir. De tanto buscar algo que sequer sabia o que era. De tanto querer o que não tinha. De tanto sonhar com o que nunca terei. De tanto dizer sem saber porquê. De tanto ouvir sem poder entender. De tanto gritar sem ouvir a própria voz. E de tanto ficar no quase, ou seja, sem nada no fim das contas, talvez tenha saído do marasmo, da mesmice, do tédio e do incognificado. Mesmo que por alguns instantes.

Foram tantas vezes que busquei no céu o brilho de uma estrela, esquecendo de olhar para o lado. Foram tantas as vezes em que busquei inspiração no passado, esquecendo do presente. Tantas vezes quis respostas, do passado, do presente e do futuro. Tantas vezes esperei que essas respostas aparecessem no meu caminho. Tantas vezes busquei, em vão, essas mesmas respostas.

Respostas que eu julgava serem indispensáveis. Fundamentais para o resto, ou pelo menos para o momento atual, da minha vida. Respostas que eu tanto queria saber quais eram que acabava, e acabei mesmo, esquecendo quais eram as perguntas.

Hoje, não busco sequer a resposta que me mostre quais eram essas perguntas. Não por elas não serem importantes. Não por elas já não fazerem parte da minha vida. Decidi não buscar mais essas perguntas, e suas respostas, porque preciso parar de pensar um pouco. Preciso aliviar uma mente sedenta por mudança.

Mudanças que vieram muito rápido e, por hoje, há muito tempo. Mudanças muito significativas e que transformaram o alguém, no caso, óbvio, eu. Mudanças que aconteceram por, como eu coloco, necessidade de sobrevivência. Mudanças que trouxeram coisas ruins entretanto, os pontos positivos são muito mais visíveis e importantes.

Deus não atendeu meus pedidos, não me deu respostas e sequer sinais. E hoje, tenho que agradecê-Lo por isso. Não precisava do que queria. Não eram importantes as perguntas e os sinais também não se fizeram realmente necessários. Até para com Ele mudei. Já não pergunto-Lhe mais "por que?'' ou "como". Apenas agradeço.

Já não quero mais. Já não penso mais. Já não não vejo necessidade em pensar. Nisso e naquilo. Nas perguntas e nas respostas. Nos fins, nos começos e talvez até nos meios.

Chega.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Bobagem... triste, triste bobagem

Eu não sei o que se passa na minha cabeça. Já não me sinto mais decepcionado. Ou pelo menos não como me sentia há alguns dias. Já não me sinto mais confuso, em dúvida, ou com qualquer pergunta na cabeça.

Aliás, meus malditos e preguiçosos neurônios tiraram férias. Vida boa é para quem pode, ou para quem quer atrapalhar o seu contexto. Eles ficaram com a segunda opção. Sem neurônios funcionando direito, não consigo escrever. Se não consigo escrever nem com vontade, que acho que ainda possuo, não consigo escrever nada. E isso quer dizer ficar sem atualizar o blog. Coisa que faço com gosto há mais de 2 anos(uhul!).

Pessoas morrem por vários motivos, fome, guerras, balas perdidas ou simples escorregões em escadas molhadas, e eu me preocupando com a falta de textos no blog. Talvez seja egoísmo mas não acredito que consiga ajudar alguém, se nem mesmo consigo ajudar-me.

Sinto-me incapaz neste, e em todos os momentos que procuro uma razão para escrever. Seria melhor até dar um tempo aqui, tirar umas férias. Mas faria o que eu então, se nem me preocupar com o blog eu faria?

Talvez o fim esteja próximo. Lutar contra algo que está, ou não, escrito ou predito em algum lugar(ou coisa) é lutar por algo mesmo que não haja mais motivos para lutar por esse algo. É a tal da luta insana... coisa de maluco...

Hum...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Talvez não esteja escrito nas estrelas

Duvido que quem milagrosamente lerá este texto nunca tenha se perguntado sobre o futuro. Sobre a vida no futuro. Deus escreve certo por linhas tortas, está escrito nas estrelas, o futuro a Deus pertence, suas escolhas hoje mudam o seu mundo amanhã, está tudo predestinado para cada um. Enfim, isso tudo em uma frase é complicado.

O futuro é algo concreto que virá e isso ninguém discute mas. Ele já está pronto? Alguém em outra dimensão, se é que essa bobagem existir, conseguirá ver tudo o que acontecerá amanhã estando no hoje deles?

Muitos se perguntam se não existe mesmo algo já pronto e só nos resta, como meros humanos, viver o que já nos foi predestinado. Muitos se perguntam o porquê de minhas atitudes hoje não influenciarem realmente no meu futuro ou as influenciar demais.

Essa entra para a série das maiores bobagens que a mente humana consegue pensar. Ou melhor, tenta pensar.

Como, sabiamente, disse meu professor de Física do ano passado, a mente humana, e o ser humano em si, são tão insignificantes no contexto universal que coisas como essa(e como a origem de tudo ou a explicação do surgimento do homem). O que deveria nos fazer pensar em coisas mais importantes, times de futebol de botão, e claro, bergamotas.

O que o futuro nos reserva, ou melhor, o que será o futuro, seja ele predestinado ou construído a cada dia, não faz muita diferença. Porque, no fim das contas, o ser humano acaba tendo, em um defeito, uma qualidade. O imediatismo nos faz pensar no hoje de noite, no amanhã e no depois de amanhã. Isso elimina um pouco essa busca, que talvez torne-se desenfreada um dia.

Eu poderia terminar o texto dizendo que o importante é viver o hoje. Mas não. Não quero tentar passar lição de moral alguma para pessoas que já sabem e já leram milhares(ou somente centenas) de vezes coisas desse tipo.

Mas eu prefiro terminar dizendo que, felizmente, as pessoas acabam pensando no futuro distante, ou melhor, não-próximo, apenas no final de cada ano, quando fazem suas tolas, e futuras não cumpridas, promessas de ano novo.

E era isso.

domingo, 8 de março de 2009

Quer entrar para a história? É só morrer...

Não estou pedindo para algum de vocês que supostamente está lendo este suposto blog. Também não estou querendo ser radical mas, paremos para pensar um pouco.

Talvez um dos grandes exemplos seja Getúlio Vargas, que escreveu em sua "carta de despedida" que saía do poder para entrar na história. Hoje, em todo lugar há uma rua, um bairro ou alguma praça com o nome Getúlio Vargas.

Hitler não deixa de ser alguém que se matou para entrar na história. A maioria o odeia mas ainda há aqueles que acham que ele foi gênio(como talvez tenha sido mesmo) embora muito burro em suas teorias racistas.

Trazendo para um contexto mais próximo, alguém acha que Cazuza seria o mito musical que é hoje se ele não tivesse morrido, basicamente porque contraiu AIDS? Alguém já pensou que, apesar de letras e personalidade fortes, eles provavelmente sucumbiriam a um mercado que exige novidade e acaba destruindo as mesmices, como aconteceu com IRA!, Titãs e outros. A morte e aquela ideia de que devemos valorizar os mortos elevaram e muito Cazuza como músico e ser humano, embora tenha tido atitudes que alguém com a sua fama jamais deveria ter tido. Errar é humano mas, quando se é exemplo para uma sociedade fraca que busca em qualquer um exemplos para sua vida, deve-se cuidar com o que se faz e se fala.

Renato Russo é outro exemplo. Ele teria tantos seguidores, tantos fãs, seria tão aclamado se ainda estivesse vivo? Talvez sim, mas a sua morte e consequente criação do mito, da geração de "órfãos do Legião Urbana" aumentou, elevou muito seu trabalho.

Outro que morreu por causa da AIDS, e assim sendo, não deveria ser citado como pessoa mas apenas como músico, foi Freddy Mercury, vocalista do Queen. Esse provavelmente teria feito mais sucesso, mas um sucesso de turnês perdidas em uma década, como Rolling Stones e até o Metallica fazem hoje em dia.

Eu sei que ficou perdido o texto mas, o que no fim, eu tenho que dizer é que, musicalmente, esses exemplos foram muito bons, talvez até geniais mas, não devem ser tomados como pessoas exemplo, como seres humanos exemplo, porque seus erros acabam encobrindo seus talentos.

Entraram para a história, infelizmente mais por terem morrido como "coitadinhos" do que pela sua música, que veio no embalo da pena sentida pelos fãs e por jovens carentes de exemplos que acabam seguindo seus "ídolos" da maneira errada.

Que porcaria.

sábado, 7 de março de 2009

Frase do dia:

Quanto mais eu penso, mais eu penso.
Quanto menos eu penso,
mais eu penso por que estou pensando menos.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Histórias de uma vida não vivida(7)


*Como pode ser explicado algo que não possui explicação? O inexplicável parece instigar os humanos a buscarem suas explicações o que acaba sendo ridículo, pois o inexplicável é mesmo inexplicável. Sem delongas banalizantes, sem palavras desmoralizantes e sequer sem qualquer resposta num labirinto grande, fechado(e sem rima) e ao mesmo tempo fácil de se escapar, o inexplicável é tudo aquilo que te faz pensar, te faz sentir, te faz ver, perceber e te faz usar a maioria dos outros verbos tipicamente humanos e que, no fim das contas, te faz perceber que não faz sentido algum, e ainda assim, te faz sorrir e concluir que a maior ausência de respostas está na vida em si.

Ele sentou em um dos poucos lugares que ainda estava vagos na área de espera da rodoviária. Seu ônibus sairia dentro de meia hora e ele teria que esperar ali, cercado de gente mas, ironicamente, sozinho. Provavelmente não abriria um sorriso, não diria uma palavra e sequer olharia para alguém. A menos que a moça fosse daquelas que merecem ser olhadas.
Sua cabeça começou então a pensar.

Coisas fluíam, ideias voltavam ou surgiam, lembranças apareciam e sumiam como se fossem bolhas de sabão sopradas por uma criança. Percebeu como sua percepção do mundo e de si mesmo mudaram. Antigamente se percebesse ter pensado em bolhas de sabão auto-flagelaria-se, sentir-se-ia idiota, tolo, e acima de tudo, julgaria-se adulto demais para pensar em tamanha bobagem.

Bobagem, via naquele instante, era ter agido daquela maneira. Rude, extremamente exigente consigo mesmo. Teria crescido da mesma maneira, sem as malditas cobranças, sem os malditos xingamentos a sua própria mente, ao seu próprio ser. Cobrou-se demais até que se viu só, pois ninguém aguentou-o cobrando-se tantas e insistentes vezes. Como alguém que possui um tique nervoso*, ele não queria ouvir o que os outros tinham a dizer sobre a sua auto-cobrança, sobre o seu problema. Não queria ouvir porque não achava ter um problema e, mesmo que tivesse, não seriam eles os seus salvadores. Sim, ele era um maldito problemático. Era.

Decidiu mudar de vida. Se afastou de todos que conhecia, do trabalho e comprou uma passagem para o interior. Para a cidade onde seus pais moravam. Precisava deles. Precisava daqueles que eram certamente os únicos que o ajudariam nesse recomeço.

Sua cabeça estava longe. Tão longe que quase perdeu o ônibus. Faltavam 5 minutos para a viagem. Quando ia entrar no ônibus viu um menino soprando bolhas de sabão em um brinquedo vendido em qualquer esquina por qualquer muambeiro. Ficou olhando admirado aquela cena, justamente aquela cena que viera a sua mente momentos antes.

Sorriu mais uma vez, feliz por ter visto tamanha simplicidade e sinceridade no sorriso daquele garoto que, pelas roupas, era pobre, muito mais pobre do que ele poderia imaginar. Decidiu então ir até o guri. Ofereceu comprar o brinquedo, para ajudá-lo. O menino disse que não queria vender pois queria brincar muito mais com o brinquedo. O homem insistiu. O menino disse que era rico e não precisava de dinheiro. O homem então guardou a carteira no bolso, deu um tapão na raiz do ouvido do guri e saiu correndo, entrou no ônibus que já estava em movimento e ficou brincando com aquele troço que produzia bolhas de sabão após um leve sopro.

Quanto ao guri, ficou sentado olhando aquela cena. Afinal de contas, o homem parecia ser mesmo muito pobre. Porque gente rica não rouba brinquedo de criança. O guri então ficou ali, esperando que alguém se compadecesse dele.

O homem acabou jogando o brinquedo no lixo na primeira parada do ônibus, pois "não aguentava mais soprar aquela porcaria"...


*O tique nervoso é um movimento motor involuntário, rápido, não ritmado, pois ocorre em intervalos de tempo variados, sem seguir um padrão, podendo também se apresentar como uma vocalização súbita.(fonte: RedePsi)


Comentário do autor:
não me perguntem por que toda história que escrevo, ultimamente(e quase sempre) tem um final idiota...

terça-feira, 3 de março de 2009

A loucura e a insanidade?


De todas as loucuras, de todas as bobagens que já escrevi, talvez as que mais tenha gostado de... escrever(sem redundar) tenham sido as insanas. Mais uma vez recorrendo ao dicionário, insano não é nada mais do que louco, demente, e claro, tolo. No sentido literal.

Tudo o que é idiota, tolo ou mesmo insano(se levarmos em conta as diferenças semânticas e gramaticais dessas palavras) e que já foi escrito aqui acabou tornando-se engraçado. Porque no fim das contas a minha mente é, querendo ou não, insana. Tosca. Maluca. Louca. Até mesmo tudo isso junto, o que, em si, não é uma grande abrangência, dadas as semelhanças entre os diversos adjetivos usados.

Até acho que já escrevi, só não lembro se aqui ou no Tosco, que ando em uma fase em que tudo me parece deprimente. O nascer e o por do Sol, as aranhas comendo os pernilongos que tanto me incomodam, a nova Superinteressante que acabou de chegar e, como o único exemplo que já havia escrito, toda e qualquer música, fosse a banda que fosse.

Tudo, incluindo a minha própria vida e claro, eu mesmo, me parecia deprimente. Desanimador. Decepcionante. Errado e inconstante. E que merda me parecia. Não havia nada que ninguém pudesse ter feito para melhorar, para tirar o incognificado que mais uma vez havia surgido.

Quem lê pode até pensar que já não estou mais nesse estranho, e talvez até curioso, estado de existência mas, não é bem assim. A diferença é que hoje consegui ouvir duas músicas que não me pareceram deprimentes. Que não me mantiveram com aquela cara de "que saco" ou pioraram a situação.

Não que isso seja uma grande coisa, mas enfim...

E o que o insano no começo do texto tem a ver com isso?

Se for analisado, este texto será descrito como insano, louco ou simplesmente como mais uma bobagem que este que lhes escreve transmite a vós, raríssimos leitores deste estranho blog.

Mas, por fim, escrever esse tipo de bobagem, essas insanidades, que assim o são por não fazerem sentido algum, por não terem significado algum para qualquer que seja a mente, por não representar direito um estado, espiritual, mental ou até mesmo físico.

Eu gosto do insano. Minha mente é insana.

Saber disso me anima.

domingo, 1 de março de 2009

Histórias do Billi J. - eu preciso de terapia... tragam o meu psiquiatra

-Doutor...

-Diga Billi.

-Preciso de ajuda.

-Qual o problema guri?

-O problema é que eu não sei mais quem sou eu, embora tenha muitas teorias, ideias, convicções e fatos que me digam isso. Mas nada disso é o suficiente para mim.

-Bom...

-E o que eu posso fazer para me redescobrir?

-Assim Billi...

-Doutor, não consigo mais transformar o mundo em meu mundo.

-Sim Billi...

-Eu não consigo mais ignorar meus problemas.

-Billi, você deve...

-Eu sempre amei a Renata mas agora não sei mais o que sinto por ela porque faz tempo que não vejo ela...

-Isso é...

-O que eu faço doutor?

-Primeiro...

-Estou me sentindo muito mal...

-Cale-se e me deixe falar.

-Tá, desculpa.

-Bom, você, pelo que percebi, está ansioso, deprimido e extremamente impulsivo.

-Nunca fui assim.

-Mais uma interrupção e eu te jogo janela abaixo. E olha que estamos no 18° andar...

-...

-Certo?

-Posso falar?

-Agora sim.

-Certo, não interrompo mais.

-Então, já desabafou com alguém sobre isso? Desabafar é bom, faz a pessoa que está deprimida sentir-se melhor...

-Bom...

-Sim ou não?

-Sim.
 
-Bom, muito bom.

-...

-E o que tu achas que pode te ajudar a melhorar, um novo amor, uma nova paixão, uma viagem, um amigo louco?

-Se eu soubesse, não estaria aqui.

-Muito bom, vejo que o seu senso crítico está funcionando direito.

(nesse momento o Billi J. percebe que o seu terapeuta é um mala e...)

-É...

-Olha a janela...

-...

-Acredito que você deva expandir suas ideias para acabar com essa depressividade toda, esse desespero todo, essa melosidade toda.

-Ã...

-Cale-se.(o psiquiatra não deixou o Billi J. sequer completar seu ãhn). Você sofre de um distúrbio compulsivo buscador de respostas. É uma teoria que eu criei há alguns dias. Ao meu ver, pessoas que sofrem isso, dentre as quais você, buscam respostas que estão em si mesmos, mas não querem ver pois, por estarem deprimidos, julgam-se infeiores aos seus problemas, isso os faz sentir-se acanhados e trazem a impulsividade compulsiva na busca por respostas e aquela ansiedade extrema e desnecessária.

-...

-Pode falar agora.

-O que?

-O que acha da minha teoria e se acha que ela se encaixa no teu caso. Imagino que dirá que não, mas não custa perguntar.

-Acho que é uma viagem sua doutor.

-Viagem? Paris, Roma?

-Não, mais perto.

-Bogotá? Santiago?

-Quase lá.

-Pindamonhangaba? Pelotas?

-Por um triz.

-Só pode que é Porto Alegre.

-Um pouco mais específico.

-Avenida Ipiranga?

-Mais pra esquerda.

-Consultório do doutor Johansson?

-Isso aí doutor, acertou.

-Tá, mas o que isso tem a ver?

-Não sei, o senhor que começou a citar lugares.

-Ãhn?

(Billi J. havia envolvido o psiquiatra com sua loucura)

-É, o senhor que começou com uma teoria idiota que não se adéqua a mim.

-Não? Como sabe?

-Eu me conheço muito melhor do que o senhor. Sei que não sofro de distúrbio compulsivo e impulsivo algum. Sei que o meu problema é mental. Estou beirando a insanidade, mas vejo que meu amigo é muito mais apto a me ajudar do que o senhor, embora ele não tenha um diploma de psiquiatra na parede.

-Diploma? Aonde que não vejo?

-Puta merda, o senhor não tem diploma nenhum. Como pude parar aqui? O senhor é um picareta, matão, idiota, me enganou se fazendo passar por psiquiatra.

-Ei...

-Agora o senho é que cale a boca. Eu vou dizer o que o senhor é...

-Ei...

-O senhor é um enganador, vou lhe denunciar para a polícia...

-Mas espere.

-O que?

-Esqueceu-se?

-Do que?

-Eu não sou psiquiatra, o senhor começou a falar comigo porque quis.

-Mas não negou ser doutor quando lhe chamei de doutor...

-Não.

-Então?
 
-Então o que?

-Por que ainda estou falando com você e não lhe joguei da janela do 18° andar, que é onde estamos, por me enganar e desabafar-lhe meus problemas?

-Porque você não pode me jogar do 18° andar.

-Eu sou mais forte do que pensas.

-Não digo por isso.

-Então por que?

-Se me jogar, você cai também. E morreremos juntos.

-Você não tem força para me levar junto.

-Nem preciso.

-Então?

-Então o que?

-Como não precisa de força para me levar junto?

-Esqueceu?

-Do que?

-Que você é eu?!

-É?

-Sim, sou seu eu-lírico.

-Droga.

-O que?

-Meu eu lírico é um idiota.

-Pois é. Dizem que todas as coisas se parecem com seus donos.

-Me chamou de idiota?

-Talvez sim.

-Vou te jogar pela janela.

-Estamos deitados embaixo de uma árvore, não há janelas por perto.

-Desgraçado, vai ver quando estivermos no 18 andar de um prédio...