domingo, 20 de fevereiro de 2011

Pedaços de um pensamento(5)


O que é lido talvez não interesse, talvez não seja nada além de frase. Agora, frases escritas não significam nada. Pequenos deslizes demonstram que há longo caminho a ser percorrido e uma ideia precisa ser corrigida. Detalhes são pequenos. Frases escritas são pequenas. Momentos foram, nesse caso, pequenos. O que mais importa é ter um, dois, vários motivos para sorrir e esquecer de uma frase, de uma lembrança, do que aconteceu ontem e foi motivo de algo próximo à raiva. Queria desenvolver tudo que veio à mente, antes e durante esses pequenos momentos que, juntos, acabaram sendo pouco mais de uma hora. Momentos assim são estranhos porque acabam sendo raros. Lamentar isso é trazer à tona a utopia de que as coisas nunca mudam ou nunca devem mudar. É mais uma bobagem. Porque sou grato a cada um. Pela espera, a paciência, a alegria, todos os detalhes que fazem de cada pequeno momento e de sua hora e meia futuramente resultante em lembrança carregada de risos e sorrisos em conversas nostálgicas sobre um passado que foi muito mais do que parece ser no presente. Presente Divino é poder ter momentos assim, com vocês.

Mesmo que fique uma dúvida

Pedaços de um pensamento(4)


A espera pelas lágrimas do céu foi em vão. Passos lentos e rápidos, alternadamente, alongaram-na mas, não havia como aguentar mais. Agora que o céu, sombrio e sonolento, começa a chorar, meus passos não são lentos, tampouco rápidos. Meus passos não são mais passos. O que poderia ser culpa não passa de constatação do que é óbvio: quando precisei, quis e esperei, não choveu, agora, que estou prestes a dormir, começou a chover. Tão simples e ao mesmo tempo tão bobo. Se não explicasse, poucos talvez fossem entender, principalmente por estarem buscando muito mais do que podem encontrar. Estranho, essa frase poderia definir muita coisa. Conturbado, muito ou pouco, é aquilo que não segue um padrão, uma lógica, aquilo que muitas vezes não é coerente, com nada. Como passos dados à espera da chuva é estranho tentar ver além do horizonte, da montanha ou mesmo da própria vontade. Algumas vezes você consegue. Pessoas passam a te chamar de diferenciado, o que muitas vezes apenas quer dizer que você não passa de um retardado sortudo. Nada além de bobagem. Como caminhar e correr esperando por chuva. Como buscar mais do que se pode encontrar. Como tentar ver a verdade que difere do que você realmente quer, e com um pouco de inocência e muita incoerência, espera ver. Há certos padrões que indicam coerência. Novelas e filmes acabam com um final feliz, com raras exceções. Não importando se é para o vilão, a mocinha ou o cachorro. Também levando em conta que a morte, em um mundo como o que vivemos, não deixa de ser um final feliz. Coerente é ter, quase sem exceções, finais felizes em histórias que não existem. Iludem as pessoas para que pensem que terão sim, na maioria absoluta de suas histórias, finais felizes. Ninguém consegue definir direito o que é um final, até porque, deveria ser fácil compreender que o final de uma coisa indica o começo de outra. É a lógica da compensação. Regra que, no fundo, não é tão lógica. Nada de mais, de menos. Queria que o céu chorasse enquanto estive na rua, pensando em histórias e seus finais. É bobo tentar entender porque uma história tem um ponto final mas não tem um ponto inicial. Como também é bobo tentar encontrar o ponto final dessa história. Ou novela.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pedaços de um pensamento(3)


Um grande erro cometeu quem teve a ideia estúpida de inventar um vidro que somente refletisse as imagens: o espelho. Sinceramente, admirar-se frente a ele é uma atitude que, para a grande maioria, apenas serve para inflar o ego. As pessoas não sabem lidar com egos inflados. As pessoas não sabem mesmo. Dias vão, voltam e em alguma dessas passagens param e as pessoas não querem então, em específica passagem, ver a sua imagem refletida. Por vergonha, tristeza ou lamentação. Por remorso ou qualquer outro motivo externo. As pessoas não sabem lidar também com egos vazios. Entre beirar a arrogância e necessitar encarecidamente de alguém para colocar algumas moléculas de oxigênio humano no seu ego está a posição onde essa coisa chamada 'eu' deveria estar. Quantos conseguem? Não importa. Sei que hoje eu não quero me olhar no espelho, mas também não quero que alguém venha me ajudar a encher esse ego. Cada vez mais longe da arrogância, no meio desse marasmo de bondade que penso em tachar de patético, estou com a certeza de que deveria aconselhar todas as pessoas a nunca esperarem por outras. Não que terminaria o conselho com um 'vá à luta', muito menos com um 'não fique esperando, tome uma atitude, coragem(cão covarde)'. Nada disso. Nunca espere de alguém porque você sempre vai errar, sempre vai querer nunca mais esperar e, por ser, como diria meu avô, burro e bobo, voltará a cometer esse erro. Esperar. É sina, é hábito, é erro e é burrice. Não espere de alguém alguma coisa. Uma palavra que seja. Ou menos, uma simples menção de que há uma vida do outro lado, na outra pessoa, que pelo menos faça de conta que você é mais do que parece ser. Não seja arrogante, não seja egoísta, não viva sozinho. Conviva com as pessoas mas não espere alguma coisa delas. Viva. E, por favor, tenha discernimento para não ficar achando que eu quero levar mais pessoas para o estilo de vida pseudo-antissocial que levo.

No mais, espere apenas pelo que Deus lhe reserva. Esse sim não decepciona, não infla e nem deixa murchar aquela parte que eu insisto em chamar de ego.

*escrito no impulso

*esqueci de mencionar antes,
em 12 de Fevereiro este blog não comemorou 4 anos.
4 anos!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Histórias do Billi J. - Logo eu!


Gotas d'água vindas do céu indicavam chuva iminente. Felizmente estava perto de casa. Distraído, pensando na vida ou em qualquer outra coisa mais importante, gelou quando um carro parou ao seu lado. A violência das cidades faria dele mais uma vítima. A janela do carro se abriu e então ouviu uma voz:

- Entra Billi, vai começar a chover, te dou uma carona.

Não fazia sentido algum sujeito lhe oferecer uma carona. Quando virou seu olhar para o carro, a janela e o motorista, se deu conta de que não era um assalto, tampouco uma simples carona. Sem entender o motivo daquela generosa oferta, respondeu:

- Obrigado mas estou perto de casa, moro na próxima rua.

Viu que a feição do rosto do homem quase careca mudou, parecia brabo, incomodado com a recusa. Ele insistiu.

- Não tem problema, vou passar na frente da sua casa mesmo.

Billi J. não acreditou mas continuou tranquilo, parado, conversando com o homem, declinando a proposta de carona e, óbvio, molhando-se, uma vez que a intensidade da chuva aumentava.

- Não precisa se incomodar, eu caminho rápido e um banho de chuva não é ruim em um dia como hoje.

Sim, pessoas que insistiam em fazer dele mero objeto de uso, desconsiderando sua vontade, seus sentimentos, sua paciência e a qualidade de suas ideias. Pessoas assim atordoaram-lhe o dia inteiro, dando ao possível banho de chuva a oportunidade de ajudar a descarregar todas essas coisas ruins.

- Estou falando sério, entre nesse carro que preciso conversar com você.

Tons de suspense, possível de drama ou comédia, surgiram naquela conversa. Billi J. decidiu lembrar-se da boa educação cega dos tempos de criança e aceitar a carona do sujeito. Embora... ah, sim, ao entrar no carro e reparar bem no homem lembrou quem era ele. Mário, como o do vídeo game. Mário era um bom sujeito, nunca ouviu algum escândalo, briga familiar ou crime ligado ao seu nome. Era o pai de sua amiga...

- Acho que você se lembra de mim Billi, sou o pai da Raquel.

Exatamente.

- Billi, sendo bem franco, quero saber quais são suas intenções com minha filha.

Pronto, se não havia nada contra o homem era só até aquele momento. Era amigo da filha dele e nunca passara disso mas...

- Pode ser sincero comigo, não vou bater em você, mandar bater em você, quebrar suas pernas, depredar sua casa, machucar seus familiares ou acabar com o seu futuro profissional...

(como se aquele homem pudesse ter tanta influência assim)

-... mas quero que me diga o que você quer, realmente, com a minha filha.

Pensando bem, não era só a parte do futuro profissional que mostrava o quanto aquele homem pensava ser poderoso. Enfim, não havia nada a fazer senão...

- Nada. Absolutamente nada. Sua filha e eu somos apenas amigos.

Mário suspirou. Billi J. temeu que aquilo pudesse ser um indício de que a história do 'não vou bater em você', mesmo que sem motivos, pudesse vir a ser verdade.

- Eu estou falando sério, senhor. Nunca me aproximei da sua filha com segundas intenções, nunca beijei-a, nunca saímos sozinhos e muito menos guardo algum sentimento além de amizade por ela.

- Você está dificultando as coisas.

Teimoso feito uma porta, uma mula ou burro quando empaca perto do trigo.

- Eu não sei por que estou sendo interrogado.

- Porque a minha filha sai todas as noites para se encontrar com alguém. Fala com esse alguém por horas e horas e horas no meu telefone. Quando desliga, vai para o computador e fica lá por horas e horas e horas. Eu sei que é você o novo casinho dela. Você é um bom rapaz, não tem ficha na polícia...

(além de teimoso e arrogante era paranoico aquele homem)

-... trabalha e não usa drogas. Seria bom tê-lo na família, só quero que você seja sincero comigo e dica que sim.

Billi J. pensou em rir. Era melhor evitar a possibilidade de aquele homem acelerar o carro e jogá-lo contra um poste para matá-lo. Quem sabe só ele seria salvo pelo airbag.

- Eu já lhe disse que somos apenas amigos e admiro a sua preocupação. Se fosse eu o sujeito que o senhor procura, diria-lhe. Eu não saio todas as noites, pouco uso telefone e internet.

A chuva aumentou. Muito. Parecia tempestade e agora eles estavam muito mais longe da casa do Billi J. do que quando ele entrou no carro.

- O que você estava fazendo ontem à noite.

Ah sim, ontem à noite. Poderia dizer que tinha limpado todas as tampinhas de garrafa de sua coleção mas poderia parecer mentira. Levaria-o então para sua casa, mostraria a coleção e provaria que estava falando a verdade mas, e se ele pegasse duas tampinhas e furasse seus olhos?

- Dormindo.

- Antes de dormir.

- Escovando os dentes.

- Antes de escovar os dentes.

- Número dois no vaso sanitário.

- Antes disso.

- Bebendo um copo de leite.

- Antes.

- Não sei, abrindo a porta de casa.

- Que horas eram quando chegou em casa?

Ah, inferno! Aquele homem não pararia enquanto Billi J. não assumisse uma relação da qual não fazia parte ou não indicasse quem poderia ser o tal sujeito, embora não soubesse quem poderia ser o (in)feliz a namorar a pessoa com o tom de voz mais inconstante.

- Pouco antes das 8 e meia da noite.

- Você foi dormir perto das 9 e meia, suponho.

- Provavelmente.

O carro virou à esquerda. Atravessou a quadra. Chegando na esquina, avistaram dois jovens se beijando, sob forte chuva. Billi J. logo identificou Raquel mas ficou calado, não queria ser dedo duro. Mário não a viu. Iriam virar à direita quando alguma coisa bateu na janela. Mário baixou o vidro e ficou perplexo.

- Pai, o que você está fazendo com o Billi J. no carro?

Então ele percebeu que ela estava acompanhada com...

- O que você está fazendo na rua com um temporal desses?

- Estou aqui com o meu...

Raquel deu-se conta que havia, como dizem por aí, dado com a língua nos dentes. Seu pai descobriria seu namoro com Joel, o filho do Agenor, ex-sócio seu, e não permitiria que aquilo continuasse.

- Billi, saia desse carro!

O ouvido de Billi J. ardeu com aquele berro. Estava aliviado com a resolução da situação, não precisando provar que não era nada além de amigo de Raquel, mas sair do carro com aquele temporal, longe de casa. Qual o problema com o Joel? Era um bom rapaz. Não era drogado, o alcoolismo do pai fez com que ele tivesse repulsa a bebidas alcoólicas, trabalhava todos os dias das seis da manhã até as seis da tarde. Qual o problema com ele?

- Saia logo desse carro, preciso ter uma conversa muito séria com a minha filha.

Ah sim, sair do carro. Estava perto de casa quando começou a chover. No pior da situação, teria que sair do carro, molhar-se, quem sabe pegar uma gripe que se transformaria em uma pneumonia, podendo levar-lhe à morte pois estava, agora, longe de casa. E tudo por que? Porque um velho careca, berrão, teimoso, arrogante e paranoico não queria permitir que a filha namorasse o filho do ex-sócio que quase levou sua empresa à falência. Só por isso ele tinha que sair do carro e...

Saiu do carro. Ouviu um meloso pedido de desculpas de Raquel. Nada mais do seu pai. Cumprimentou Joel e seguiu seu caminho.

Ah, aquela história chuva que descarrega raiva e outras sensações ou pensamentos ruins era balela. Pelo menos não quando se esta há duas quadras de casa e é levado para o outro lado da cidade, ficando há umas duzentas quadras de casa, número exagerado pelo inconformismo com aquela situação.

Só não entendeu uma coisa: por que o pai de Raquel achou que ele, logo ele, Billi J., fosse o namoradinho de sua filha?

Depois não entendem o porquê de alguém ter mania de perseguição.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Pedaços de um pensamento(2)


A água é passageira, independentemente do lugar onde está. Como chuva, rio ou oceano, ela se move, cai, sobe, evapora, condensa e eteceteras mais. Por isso dizem que uma onde segue a outra e lá lá lá lá LÁ! Sim, ondas no mar refletem tão bem a passagem do tempo quanto um relógio, digital ou analógico. Tanto faz para o oceano a onda que sobe e desce, surgindo e desaparecendo em instantes próximos. O mar continua ali assim como a história continua a ser vivida, sem restrição temporal. O tempo não acaba e a história... bom, a história menos ainda, porque enquanto houver tempo, haverão palavras, sons ou mesmo um silêncio terrível para pensamentos inquietos e vidas nem sempre vividas. Pessoas passam como ondas, rapidamente ou não. Elas podem ter sido grandes ou pequenas, deixando lembranças inesquecíveis ou nada, absolutamente nada em sua passagem nem sempre percebida. Há escolha pessoal sobre qual onda se surfa ou não, mas o surgimento, duração e intensidade das ondas não é escolhido por pensamento ou vontade humana. Assim como as pessoas, você até escolhe com quem quer conversar, quem quer ter ao seu lado mas nunca consegue escolher a duração ou a intensidade dos momentos vividos com essa pessoa. A insistência um dia cansa, desgasta, leva à exaustão ou coisa pior. Não adianta jogar água em um diamante, você não vai viver o suficiente para conseguir furá-lo com um simples jato de... água! Insistir à teimosia em querer ter alguém por perto pode ser perda de tempo, pode ser crescimento pessoal, doação, caridade ou burrice. Exceto amor sincero, difícil aceitar uma teimosia que prive o pessoal em busca de algo em uma terceira pessoa. Doação é para o bem, teimosia nem sempre reflete isso. Depende do contexto. Depende da pessoa. Depende do tempo.


Aliás, tempo? Onda? Pessoa?