terça-feira, 31 de agosto de 2010

O vazio de viver e só(12)


Hoje não é dia para pensar a fundo nisso. Não sou capaz de superar tanta coisa, física, mental e espiritual e escrever um texto contando tudo o que aconteceu hoje. Não foi um dia sensacional, extraordinário. Longe disso. Foi um dia de muitos acontecimentos. Muitas coisas diferentes que talvez nem aconteceram de fato, mas é com se tivessem ocorrido, sim. Queria colocar uma frase, mas seria muito pouco e talvez fosse mal interpretada. Sem indireta ou cruzado de direita, coloco um tanto quanto bobo uma frase que talvez seja do mesmo nível. Ou alguém pode gostar e me achar... inteligente? Nem tanto. Após ler uma ou duas frases fiquei pensando um pouco mais. A frase que escreveria aqui seria algo como isso:

Um sonho pode ser, ou não, eterno. Mas não existe nada que faça um sonho não realizado desaparecer por completo. Voltar a sonhar um sonho antigo, enfraquecido e escondido pelo tempo e pela razão é algo possível. 

Talvez não hoje, mas não descarto qualquer sonho que deixei guardado por motivo variável que não vem ao caso. Mais de uma frase foi, não há como reduzir muito sem tirar alguma parte contextualmente importante. Não há muito mais o que dizer, até porque já escrevi muitas negações existenciais em poucas linhas. Linhas tortas, um tanto quanto insensatas. Um tanto quanto cansadas.

Um tanto quanto verdadeiras.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O vazio de viver e só(11)


Me peguei pensando longinquamente. Parado, pensando no nada. Uma, duas, doze vezes hoje. Nenhuma novidade. Tanto por terem sido poucas vezes. Varia muito de dia para dia. Muitas, poucas, muitas, muitas, poucas, poucas e, quando parece estar diminuindo, pensamentos distantes a quase todo momento. Não atordoa, não irrita, sequer cansa. Bom, nem um então posso colocar aqui, uma vez que não concluo nada. Da mesma forma é com os pensamentos. O pensamento. Distante e afastado da realidade. Triste sim, muito triste. Falta de sorriso, de alegria, de espontaneidade. Chato, muito chato isso. Porque não acaba nunca. Porque demorará um tanto quanto muito para acabar. Se é que irá acabar mesmo. Nem penso se quero que acabe ou não, porque... bom, os meus motivos são apenas motivos, sequer razões são porque, racionalmente, eu já teria mandado tudo para o quinto dos infernos. Bem próximo do maldito nada. Só que para tal eu precisaria parar de pensar, de sonhar, de imaginar. É a mesma coisa que dizer para um alcoólatra largar o álcool, um ladrão parar de roubar ou uma mulher não comer chocolate quando está na TPM. Por mais cômico que possa parecer, é a realidade. Seria apenas mais um racional se conseguisse parar de sonhar, e aqui os ditos pensamentos revelam-se sonhos, sim. Tão irreais quanto a razão, essa sim racional, para minhas orelhas quase borbulharem de tão quentes, enquanto escrevo. Até terminaria dizendo que não faz sentido, que não é para fazer sentido ou frase semelhante. Entretanto já escrevi e disse isso. Não é por ser sonhador, por ser utópico, per ou insistente, teimoso que seja. Não é por não ser racional em um todo.

Eu não consigo não sonhar porque sou sincero e por meus sonhos também serem sinceros.

Só por isso.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Histórias de uma vida não vivida (24)

*Olhando para trás vejo muito mais momentos de tristeza do que de alegria. Mais reflexões do que ações. Mais erros do que acertos. Mais sonhos idealizados do que concretizados. Mais lamentações do que motivos para orgulho. Mais lágrimas do que sorrisos. Mais palavras do que imagens. Muito mais recordações de momentos ruins do que de bons. Lembranças vagas de um olhar que, provável e infelizmente, nunca mais verei. Nunca, não, nada, ninguém. Negações que generalizam tanta coisa que merece sim, ser generalizada. A dor, as tristezas, o arrependimento e quem sabe o aprendizado que cansam, até mesmo nas recordações. A intensidade da felicidade vivida em momentos, lugares e com pessoas diferentes que não apaga nada. Pelo bom e pelo ruim, eu continuo aqui.

Acordou e levantou da cama. Não, não era isso. Sentou. Fechou os olhos e concentrou-se na sua mente, ignorando os ruídos dos carros, o sol que nascia, a vizinha que caminhava de salto alto às 6 e meia da manhã. Seu pensamento volta e meia tomava uma direção que fazia-o arrepiar-se. Ele, sentado na cama ainda quente, pensando, lembrando. Acordado. Um sonho que parecia vir de um sono profundo. Um desejo inconsciente que vinha à mente racional de números, letras e de um tempo real. Sonhando acordado. Sonho esse que era rotineiro. Por isso a ideia de pensamento. Pensamento, ideia. Fazia mais sentido relacioná-los do que fazê-lo com um sonho.

Sonho, pensamento, ideia, que diferença fazia para ele naquele momento? Na linha sobre a qual caminhava, olhava para os lados sem saber qual escolher. Permanecer em cima da linha impedia a continuação da caminhada, daquilo que estava sendo ali, naquele instante finito e infinito. Nem bem acordara e já estava de frente com uma escolha peculiar. Termo novo naquele momento, estupidez. Inútil ainda por cima, com parte considerável das estupidezes(?) que... enfim, atrapalham pensamentos, raciocínios, textos e frases oralizadas.

Sem saber para onde ir, o que fazer. Desconhecia também o que pensar, ou melhor, o que continuar pensando. Entretanto, fosse um sonho, não deveria interferir. Sem distinguir, rir, com rima ou pela falta de qualidade da mesma. Rima? Era hora para pensar em rima? Sonoro não de negação, completa e imparcial do que não sabia distinguir. Desnecessário seria ponderar sobre a ou b, direita ou esquerda, pensamento ou sonho. Pudera, ele não sabia sequer se ainda estava acordado. Estado de alerta. Pensamento ou sonho tanto fazia, ele queria mais era entender o que aquela sensação de arrepio, aquele frio no corpo que não era febre, falta dela ou ansiedade, queria dizer.

Abriu os olhos. A parede precisava de um pano limpo para clarear um pouco. Chega, não era hora de pensar na parede. Que ela caísse sobre ele se assim conseguisse entender. Entendimento de um passado e de um presente tão irreais e confusos quanto a briga pelo domínio, entre sonho e pensamento. Quem sabe mais uma rima. Então veio agradecimento. Cansou daquilo também. Aquelas pessoas que queriam compensar suas faltas com agradecimentos por gestos tão rotineiros quanto sinceros. Disponibilidade, vontade e doação que não precisavam de palavras. Um abraço, um aperto de mão, tapinha nas costas ou... um olhar. Não queria muito mas cansou do pouco.

E tudo isso em pensamento. Ou seria sonho?

Se fosse estudioso diria que a adrenalina começava a ser produzida pelo... pela... não era estudioso. Que bebesse a adrenalina misturada com água se fosse o caso. Aquela intensidade que não existia começava a surgir, contradizendo-se em um corpo parado cujos olhos miravam o pouco branco da parede. Sentia-se vivo à partir do pensamento, da lembrança, da... que droga, raiva. Ele ali, ainda parado, pensando ou sonhando. Passado ou presente. Olhos azuis ou verdes. Mãos que tocam ou fazem sonhar. Pensamento em sonho. Sonho em pensamento. Nada disso importava. Estava vivo, mesmo que parado, ali, sentado na cama que agora não estava mais quente. Era demais para um dia inteiro. Horas haviam passado. Muitas horas foram.

Talvez viessem a ser mais horas quando voltasse a acordar. De um sonho ou pensamento, não tinha certeza do que viria.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Reflexões de um maluco(11)


Se o nada existisse ele estaria permanentemente ao lado do ninguém. Porém, ninguém é alguém que também não existe, logo o nada, se existisse, estaria sozinho, no meio do nada. Não, ele não estaria no meio de si mesmo. Impossível que algo esteja no meio de si. Impossível?

As teorias loucas e nem um pouco fanáticas mostram que é possível sim que algo esteja no meio de si mesmo, sem falarmos entretanto de alguma teoria da física quântica, a famosa loucura mais idiota e inútil da qual se tem notícia.

Se alguém estiver insatisfeito com o simples saber de que existe sim algo que é, sendo, no meio de si, lembro que os vikings tinham um lema de vida semelhante a este: 'O homem deve ser sábio, mas não muito, para que não saiba o que acontecerá consigo no dia de amanhã'. E isso é sério, não estou inventando. Pelo menos não colocando na conta dos vikings, eles se revirariam do túmulo e voltariam para me matar.

Está claro que não deve haver bom senso, razão objetiva ou raciocínio lógico qualquer para, somente, saber o que existe no meio de si. Também não vão pensar que é charada ou aquelas pegadinhas maliciosas das quais a sociedade banal está saturada. Eu só digo sem dizer objetivamente porque, repito, razão objetiva não se encaixa aqui.

Talvez a ansiedade, o amor, a decepção, a tristeza, um lamento triste e um desacreditado sorriso de felicidade, quando juntos, produzam algo que existe dentro de si. Literal e subjetivamente. Entretanto, vejam bem, talvez. É possibilidade que não é regra, não é tendência ou mesmo um indício do que eu escondi aqui. Talvez não se toque, mas quando alguém se tocar, talvez, perceberá o que pode sim, existir dentro de si.

Pode ser que seja mais um atestado de insanidade comprovado, um conjunto de parágrafos desconexos e sem fundamentação racional. Pode ser não, é. São. Estão sendo. Cada vez mais estúpidas palavras de alguém cada vez mais... distante. Da realidade, do sonho, do pensamento, de tantas outras coisas, pessoas, pessoa. Tão longe.

Talvez até longe do viver. Ou pelo menos de parte dele.

domingo, 22 de agosto de 2010

Histórias do Bandiolo - Eu não estava lá


Caminhou pouco, algumas quadras de sua casa até um lugar popular da cidade. Foi até lá sem qualquer motivo, apenas por caminhar. Um cigarro e uma bebida com os amigos? Que amigos? Eram todos desconhecidos e, mesmo que fossem conhecidos, fingiria não os ver para não ser mais um. Mais um a fazer besteira, perder tempo e não acrescentar nada para si, além de histórias pornográficas, críticas banais, fumaça nos pulmões e álcool no fígado. Nunca quis isso. Foi para ir, para passar, para movimentar as pernas.

Até aí tudo bem, apenas mais um ser que caminha, passa por algum lugar sem razão alguma. Apenas mais um. Para os outros, tanto fez. Para ele, não.

Em cada grupo de amigos ele imaginou. Em cada lanchonete, restaurante, bar ou mesa onde pessoas estavam entorno, ele imaginou, literalmente sonhou acordado. Acreditou, sem fé ou confiança, que poderia de um desses grupos de pessoas sair quem ele sabia que não encontraria, com a desculpa pela rima. Ainda assim, olhava atentamente no rosto de cada um, volta e meia vendo-a lá. Sem distração, sem aprofundamento, caía em si e ria, vendo-se um tolo que imagina situações com os olhos abertos, contradizendo toda e qualquer palavra julgadora vinda de quaisquer dois ou três que olhavam e, talvez percebendo sua falta de sintonia com aquilo tudo, riam.

Em cada passo, um novo pensamento, uma nova imagem, uma nova ilusão. Sabia que nada veria, que ninguém surgiria do nada, que ninguém sentiria nada ali, naqueles breves momentos passageiros. Mesmo em um futuro próximo não lembraria daquele dia, daquele momento, daquela situação boba, sem profundidade, sem verdade. Ou quase sem verdade.

Porque ele não era um deles. Ele era alguém que estava ali apenas fisicamente. Alienado, lunático, desligado ou... ou.

Não importa, já passou.