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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Uma luta, um sonho(4)


Que venham as pedras sobre a minha cabeça e as críticas com provas reais de que estou, sim, errado. Não importa. Não me importo. Sei que não é errado. Sei bem porque escolho a intensidade de altos e baixos  ao invés de uma linha reta, egoísta e igual a tantas outras retas que insistem em chamar de viver, sendo então viveres insossos e, embora pareçam ter uma forma perfeita e sem sustos, não possuem o detalhe do imprevisível, do repentino, do acaso, perdendo então a intensidade Eu não posso e nem consigo não me importar, fingir racionalmente que não faz diferença, desprezando aquilo que existe sim, e que é motivo de alegria, mesmo que o meu eu não tenha muitos motivos para alegrar-se com essa existência à distância invisível de um motivo qualquer, de uma razão qualquer, de um sentimento qualquer.



*é sério, não há razão em alguém que
deveria já, há tempos, ter deixado de lado
essa loucura de espontaneidade e sinceridade.
Não há razão. Melhor que seja assim, sem razão.
Até porque nem a vida é um presente previsível,
que dirá tudo aquilo que ela traz, dia após dia.
**A trilha sonora cai como uma luva.

domingo, 18 de outubro de 2009

É um erro? Então eu vou errar.

Remo contra a maré. Não, eu não tenho um barco. Não estou em um rio digitando um texto sem me mexer muito para que o barco não vire. E o texto só começa assim porque remar contra a maré é a mais simples frase que define hoje. Ontem. Alguns dias. Muitos dias.

É uma atitude. Uma decisão. Um propósito, com uma intenção. É uma vontade, um desejo, um sonho. E tudo vai contra. E você é chamado de louco, de burro, de idiota. E você é criticado e cansa de ouvir tantos poréns, tantas queixas, tantas dúvidas de pessoas que querem o teu bem, achando que sabem qual é esse bem. E talvez estejam certos. Mas você não acredita, porque algo te faz voltar ao barco e continuar remando. Sem direção, sem sentido. Remando. Como se fosse a única coisa que você soubesse fazer na vida. Como se remar contra a maré fosse algo que o seu instinto de leva a fazer.

Remar contra a maré. Uma gota d'água no deserto. A luz no fim do túnel. O centavo achado no chão. É um nada, mas um nada tão grande que se torna algo tão grande que você não se importa se ele é um nada tão nada. Porque pra você esse nada, que é tão nada, representa muito.

Lembrei de Some might say, do Oasis. Tem um trecho que diz algo como 'alguns vão dizer que não acreditam no paraíso... vai lá e diga isso para o cara que mora no inferno'. Algo que não adianta, algo que não vai ter eficácia nenhuma, algo que não vai fazer diferença nenhuma. Mas que é um paraíso para quem acredita que aquilo faz diferença sim. Que aquilo adianta. Que vale a pena lutar.

Sempre julguei-me um teimoso por natureza. Um inconformado. Um teimoso inconformado. Nunca desisti. Achei que era por isso. Me descobri, mais uma vez. Sou mais do que um inconformado. Mais do que um teimoso inconformado.

Sou um ser humano. Um ser humano teimoso e inconformado. Movido pelo que há de mais sincero em sentimento. Que rema contra a maré usando as palavras mais sinceras que possam sair de uma boca, ou serem digitadas por dedos cansados e exaustos. Que tem com uma única gota d'água a sede saciada. Que tem em um sonho o paraíso. Uma esperança. Aquilo que move, ou deveria mover, o mundo. Um desejo. Um sonho. E um sonho sincero.

Indo contra muitos. Remando contra a maré. O que talvez só traga destruição ao meu barco. E daí. Quando morrer não vou levar o barco comigo. No paraíso deve haver rios, lagos, oceanos. Mas lá eu não vou me afogar, porque vou conseguir caminhar sobre as águas ao lado do meu Mestre.

Talvez eu também não leve a concretização desse sonho. Dessa sinceridade. Dessa espontaneidade. Dessa... coisa, que me faz o maior e o menor dos homens. Talvez. Mas certamente, no fim da minha vida, vou levar comigo a sensação de que tudo foi tentado. De que todas as possibilidades foram esgotadas. De que eu não tive medo do fim. Não tive MEDO de tentar, de lutar, de querer, de remar contra a maré, de fazer o mais difícil, o mais complicado, o mais impossível. De passar por cima do que já me fez mal. De esquecer mágoas e lágrimas. De deixar de lado o cansaço, a tristeza, todos os sentimentos ruins. Não, não tenho e não terei medo.

Um ser humano teimoso e inconformado, mas fascinado pelo improvável, pelo impossível e pelo intocável. O que vier, virá. E, preparado ou não, enfrentarei de cabeça erguida. E assim continuarei.

Me critiquem, me chamem de burro. Eu mereço. Mas não tenho culpa. Eu sou estranho, diferente. Sou aquilo que eu quero ser. Sofrer está tão próximo de sorrir. O fim está tão distante do começo mas tão próximo do recomeço.

Sejam elas boas ou ruins, para mim ou para vocês. Sejam elas limpas ou sujas, claras ou escuras. Sejam elas as melhores ou as piores, as justas ou as injustas. Sejam elas as certas ou as erradas. Sejam elas o que forem, elas são sinceras. Sinceras, espontâneas, improváveis ou impossíveis.

Mas são as páginas da minha vida. Os lemes do meu barco.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Uma luta, um sonho(3)

David Bowie - Starman

Não sei se minha vida, minha cabeça, enfim, meu estado atual de viver, pensar e agir me permitem escrever algo como eu gostaria de escrever e, aliás, gostava de escrever quando conseguia há algum tempo atrás.

Não vou reclamar de nada.

Apenas quero dizer que venha quem vier com propostas sedutoras, tentadoras ou mesmo críticas destruídoras e terrivelmente reais e úteis, eu não vou desistir. Não é questão apenas de valorizar tudo o que já passou sem afetar uma escolha, um rumo dado a uma vida, que mesmo não tendo sido muito(muito) bem aproveitada nos últimos tempos tem sido, invariavelmente aproveitada.

Tenho pensado demais nisso, e seguindo o ritmo relativo do post abaixo(uma das coisas mais legais que já escrevi no meu perfil do orkut), sem chegar à conclusão alguma. Já passei por coisa pior e gosto de nesses momentos lembrar de que nenhum sentimento pessoal pode ser pior dos que já senti, dos que já me fizeram sentir.

Não sei de nada. Não sei o que fazer. O que pensar. O que quero. O que não quero mais. Não sei sobre o meu passado o que faz diferença e o que realmente ficou no passado.

Mas não vou desistir.

Tantos são os que me perguntam, indiretamente, se vale à pena. Isso ou aquilo. Lá ou acolá. Aqui e ali. Se vale à pena fazer o que faço. Se vale à pena continuar desse jeito, seguindo ideias e convicções que, embora consideradas atrasadas pela grande maioria, acabam sendo a única coisa certa que acredito ter em mim. Ideias e convicções que me prejudicam muitas vezes, me impedem moralmente de tomar certas atitudes e fazer coisas que qualquer pessoa normal faz.

O mundo é uma coisa normal. Patética. Monótona. Só que ultimamente não tenho mais visto isso. Mesmo sendo esse o grande motivo para fazer parte dos diferentes e não vendo isso mais com a mesma clareza de outrora, não vou desistir.

Não vou aceitar ter estado errado por tanto tempo porque sei o quanto aprendi, cresci, aproveitei, enfim, sei o quanto vivi sendo assim. Eu cansei, mas não vou desistir. A teimosia de outros acaba sendo sempre maior, mas não ao ponto de me convencer.

Sociedade hipócrita, com pessoas hipócritas. Raros são os que se salvam.

E é engraçado isso. Eu leio em todos os lugares, de todas as pessoas, que elas odeiam falsidade hipocrisia, que só tem amigos verdadeiros, que vivem, no sentido literal, que fazem tudo por uma justa causa.

Caramba, então, onde estão os hipócritas?

Não importa. Só sei que, por mais que continuem mostrando "o bom e o melhor", não vão me convencer. Embora a minha certeza já não esteja mais tão certa assim, ainda resta uma parte consciente em meio a um cérebro e um coração cheio de dúvidas insconscientes.

Ah.

"...Vejam! Para eles não há tormentos, 
e seu corpo é sadio e robusto.
A fadiga dos mortais não os atinge,
eles não são molestados como os outros.
Daí a soberba, que eles usam como colar,
e a violência que os envolve como veste.
O pecado lhes brota da gordura,
e seu coração trasnborda em maus projetos.


(...)


De fato, foi inútil conservar puro o meu coração
e lavar na inocência as minhas mãos!
(...)
Até que fui penetrando no mistério de Deus,
e então compreendi o destino deles.


De fato, tu os colocas em ladeiras,
tu os fazes cair em ruínas.
Vejam: num instante são reduzidos ao terror,
(...)
Se o meu coração se azedava
e eu espicaçava meus rins,
é porque eu era um imbecil e nada entendia...
- Salmos 73(72)

domingo, 7 de setembro de 2008

Uma luta, um sonho(2)

Seria mais fácil... existir ao invés de viver, marcando presença aqui na Terra apenas por seu nome constar em certidões de nascimento e óbito. E só esse fato deve ser comemorado, porque são muitos os que nem isso tiveram, em anos e anos de existência da sociedade como vemos hoje.

Seria mais fácil... aderir aos costumes das outras pessoas, dos outros habitantes do planeta onde vivemos. Até porque, são eles que dominam e comandam o mundo como ele é hoje, então, porque querer ser diferente? Bobagem né...

Seria mais fácil... viver apenas sonhando, porque afinal, podemos moldar nossos sonhos e neles inexistiriam guerras, violência e tudo aquilo que não queremos que aconteça conosco. Enfim, sair da realidade é uma boa alternativa para quem não quer ver o que não gosta, então, viver apenas a sonhar acabaria com as decepções com o mundo.

Seria mais fácil ... ser apenas mais um a banalizar sentimentos e desprezar as coisas importantes da vida. De fato, todos os que tentam agir de maneira diferente acabam sofrendo uma pressão monstruosa para aderirem ao "sistema".

Seria mais fácil ... pensar apenas em mim, porque no fim das contas, sou eu quem vive a minha vida né?! Então, esquecer de pensar nos outros e só fazê-lo quando há uma necessidade pelo outro, é uma coisa bastante aceitável...

Seria mais fácil... simplesmente se entregar à primeira derrota, à primeira crítica, ao primeiro obstáculo. Também, quem não desiste é teimoso e além do mais, se conformar e desistir evita que novas batalhas sejam perdidas, que novas críticas sejam recebidas e que novos obstáculos surjam. É muito mais fácil deitar dentro do buraco e achar uma posição confortável para dormir.

Seria mais fácil... viver de aparências, em um mundo lindo, apenas com pessoas lindas e ricas, que têm tudo o que querem. Afinal, o que importa mesmo é parecer algo bom, e não ser algo bom. E tem outra... o mundo real é muito feio, muito sujo, muito... real...

Seria mais fácil... fazer como todo mundo faz... o caminho mais curto... produto que vende mais...

Uma luta... um desafio... uma idéia... uma convicção... enfim... apenas um sonho...

domingo, 9 de dezembro de 2007

Uma luta, um sonho

Não adianta querer mudar o mundo se tu não consegues nem mudar a própria vida. Conclui isso após ver pessoas que tentam mudar o mundo mas caem em suas próprias pregações, contradizem-se como se existisse duas verdades para elas. Não adianta querer mudar o mundo se você não sabe amarrar os tênis ou cozinhar um ovo.

Não adianta querer ser diferente, querer ser legal, querer ser inteligente, se tu não te sentes bem assim. Um dia tu percebes que apenas tentou ser o que os outros queriam que fosses e não o que tu gostarias de ser.

Não adianta dizer que tu lutas contra alguma coisa, se na primeira dificuldade tu te escondes, deixando que outras pessoas paguem pelas tuas irresponsabilidades. Não adianta de nada tentar mudar o mundo sem responsabilidade. Não adianta tentar mudar o mundo, porque o mundo, ou melhor, as pessoas desse mundo, estão satisfeitas com ele, mesmo que tudo esteja errado e que esse mundo seja uma merda.

Não adianta tentar mudar o mundo sozinho. Não adianta tentar mudar as outras pessoas. Não adianta tentar mudar uma situação onde tu não tens recursos para conseguir superar e alterar mesmo essa situação.

Percebi tudo isso quando tentei mudar alguma coisa. Não sei, mas depois que percebi que primeiro teria eu que ter convicções e ideais para depois tentar mudar o mundo, me senti melhor. Agora sigo o que digo. Sinceridade, coragem, vontade, simplicidade, humildade.

A luta por um mundo melhor deve começar por nós mesmos. Não adianta querer que os grandes empresários parem poluir o ambiente se você joga tudo quanto é plástico no chão. Se todas as pessoas pensassem que elas não podem mudar o mundo sozinhas, mas que unidas podem conseguir algo, o mundo seria diferente.

Eu desisti de tentar mudar o mundo e mudei o meu mundo. Pouca coisa sobrou de quem eu era. Muita pouca coisa. Família, amigo(um único), vontade de mudar, persistência. Acho que só. Com a oportunidade que recebi pude perceber o que realmente vale a pena.

A vida é feita de decepções, por exemplo, quando tu tentas mudar o mundo e alguém lhe impede de sequer dar um passo. É como eu sempre escrevi, “a cada dia um recomeço”. Não dá pra desistir agora. Já comecei uma jornada. Não sei quantos me acompanharão e até que ponto me acompanharão, mas tenho a certeza de que alguém vai ficar.

Não estou sendo arrogante em achar que posso mudar o mundo. Repito, todos podem mudar o mundo, mas não sozinhos. A diferença é que eu quero mudar o mundo. Já mudei o meu, já mudei o mundo de outra pessoa, porque não tentaria eu mudar um mundo maior, mais abrangente?

Sem desistir… lutar mesmo que não haja mais motivos para lutar…

Abraço!


*texto escrito em meu outro blog, resultado de uma noite onde não dormi muito bem, talvez por isso esteja eu tão cansado