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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A espera, o tempo

O mais difícil é lembrar e pensar sem trazer para o presente.

Porque, trazendo para o presente, faz-se menção de possibilidade. E isso envolve futuro.

E o futuro... é distante.

Seja lá qual for esse futuro.

Não tenho receio de dizer que estou cansado do tempo. Da espera que traz mais ansiedade do que qualquer outra já trouxe, independentemente do que isso significa. O receio de que isso acabe, sem ao menos ter um início definitivo, aumenta - e muito - a sensação de injustiça. Deixando de lado - por causa da questão da maturidade - o que é alheio e, portanto, não interessa mais.

Eu tenho, sim, palavras guardadas. Belas e novas palavras. Simples porém sinceras palavras. Espontâneas palavras.

Só não posso usá-las.

O melhor verbo não é o poder, é o dever. A possibilidade existe sempre entretanto, não resta dúvidas, ela deve ser ignorada à medida em que não há mais escolha - se é que algum dia houve -, restando apenas uma opção.

Dentro de uma escolha anterior, claro.

Há preocupações diversas. Próximas e distantes disso. Quem sou eu para classificá-las? Apesar de serem minhas - nem todas com exclusividade - discordo quando dizem ser necessário definir prioridades.

Tudo o que importa é prioridade. E sempre será.

Porque, de não-prioridades, o mundo, a vida e, claro, o tempo, estão cheios.

E não há lista que comporte todas essas coisas que, desnecessárias, nem merecem citação.

Indiferente a elas estou.

Assim como tento ser indiferente - para não ir direto para um saco sem fundo - a essa coisa relativa ao tempo.

Essa coisa chamada... espera.

domingo, 9 de setembro de 2012

Isso tudo

Houve um tempo em que quis não ter palavra alguma para dizer, para pensar e escrever. Quis, mesmo, chegar a uma completa falta do que escrever se, em contrapartida, pudesse ter ao menos um pouco daquilo que sonhava.

Sem contar a transitoriedade temporal da básica existência - e todas as outras frases que perdem o sentido apenas por si - é conveniente e, também, fácil de avaliar que tudo que não é tudo torna-se nada por não ser nada, justamente por que do excesso vem à falta.

É um delírio, só pode ser um delírio.

Jamais pensei que pudesse ter qualquer preocupação com o que meus olhos vem somente em reflexo. Eu duvidava da possibilidade disso um dia acontecer embora, admito, tivesse medo de que, quem sabe por algum acaso do que uns chamam de destino, pudesse fazer parte de um grupo que preocupa-se com aquilo que os outros podem ver.

Os outros, em si, não fazem parte da minha preocupação e isso ameniza a minha decepção para comigo, uma vez que nada do que, veja bem, tento fazer é por causa deles. Quanto menos importar-me-ia se qualquer avaliação negativa fizessem.

Quão antigo é usar esse -me-ia. Estou velho sim entretanto, devo admitir, sentindo-me mais jovem do que em muitos dos meus dias. Contando o tudo que, nesse caso, é parcial por ser parte, e não todo.

Que diferença faz. Nada disso passa de um emaranhado de nada. Incrível como posso superar-me ao ponto de, em momento algum, conseguir transformar isso tudo em alguma coisa passiva de leitura.

Isso tudo como um todo, sem fragmentação.

Sem palavras.

No meio de um tudo, muito importante, isso tudo fez uma falta como se fosse o próprio todo.

Eu não sei, mesmo, o que dizer.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ainda sem entender porém, de volta.


Sinto algo que não se pode explicar. Por frio na barriga diriam ser ansiedade, apreensão ou mesmo angústia. Tudo tem estado tão sem fluxo que nada disso se encaixa no que hoje eu sinto. Até porque, conheço ansiedade, apreensão e angústia para dizer se o que sinto é uma dessas opções ou não. Que estranho voltar a escrever, tanto tempo não fazia que já nem sei mais como prosseguir.

Acho que esse mês longe das palavras não trouxe nada de muito produtivo. Evitei palavras piores... para mim. Poderia ter permanecido em um lugar sombrio, longe do calor, do sentir por si e não pelo ato de descrever. Exato, esse teria sido o problema. Talvez essa sensação não seja nada demais. Porém, já a senti antes e, mais uma vez, não consigo distingui-la. Sequer defini-la.

Pequenos parágrafos que dizem pouco. Queria ter chutado algumas pessoas para o lado, hoje. Talvez gritado algo como 'com licença, eu sei que você não me vê há muito tempo mas... quem se importa? Nunca fomos amigos!'. Poderia mesmo ter feito isso, vontade não faltou. Uma raiva que já não tenho e que hoje, ah, Deus sabe como fez falta aquela raiva que se mostrava viva em forma de ironia e sarcasmo.

Não gosto de tratar mal qualquer pessoa mas hoje senti que mais uma pessoa viesse e todo o meu esforço por crescimento pessoal com o tratamento das minhas limitações teria sido jogado no lixo.

Arrepender-se agora não adianta porém... eu deveria ter feito isso. Talvez seja engraçado, talvez seja ridículo. Talvez seja melhor não pensar mais nisso. 

Tudo porque queria ouvir algumas palavras. Quem sabe fazer uma pergunta. E dizer apenas uma frase. Só queria dizer uma frase. Talvez nada disso estivesse sendo escrito se tivesse dito apenas uma frase, ou duas, se tivesse demonstrado o que parece continuar trancado. Simples, que talvez viesse ser motivo de riso mas... seria uma frase. Sincera frase. Com sinceras palavras. 

Com o sempre mais sincero sentimento.

Continuarei aqui, tentando entender o que está acontecendo agora. Longe da pré-depressão, dos fundos sombrios, escuros e sem calor. Longe de um mundinho ao qual, no fundo, nunca pertenci.

*não reli, não corrigi, erros gramaticais devem ser muitos.

domingo, 27 de março de 2011

Hoje atemporal


Cada segundo pensado jamais será perdido mesmo que venha a ser um nada o que hoje é sonho. Inconcebível ideia aos olhos alheios. Com exceção de um par, nenhum deles me é importante. Uma pequena fração de sonho, ou seja, de nada, é seguida e substituída por outra igualmente insignificante perante o todo imenso que no presente não passa de um livro imenso escondido nas últimas prateleiras da biblioteca. Ora, que função tem ele, mesmo grande e significativo, se está afastada e ninguém usufrui de sua existência? Mesmo que junte pó e fique lá por anos, algum dia alguém o encontrará e terá para si esse todo, um tudo muito particular, tão único e simples que descrição é singular e jamais plural.

Algum dia, alguém, quem sabe. O problema é que não é muito útil a um estudante de medicina ler livros para matemáticos, pois os livros foram escritos para matemáticos e não para futuros médicos. Nada impede que o leia, mas não foi escrito para si, não acrescentará muito em sua presença senão um ar de "tenho um conhecimento variado" porém inútil em minhas ações, em minhas razões.

Dessa analogia tem-se então que o livro, daquela analogia a um sonho procedido de um tudo unicamente pessoal, não é e certamente nunca será útil a outra pessoa se não àquela a quem foi criado, escrito, trazido à existência.

E escrever um novo livro não é viável então... ponto final.

"...one thing is always true..."

quinta-feira, 3 de março de 2011

Histórias do Billi J. - Eis que hoje quem escreve sou eu

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Caro amigo!

Li seu último email e creio que, depois de tanto ser ajudado por seus conselhos e paciência, possa ajudá-lo relembrando algumas coisas passadas comigo. Entendo perfeitamente que você tenha a certeza de que tempo e espaço transcorridos não são nada além de tempo e espaço transcorridos. As pessoas que costumam acreditar que o tempo apaga ou faz esquecer uma pessoa ou um sentimento geralmente são pessoas facilmente iludidas por promessas de terceiros que não se cumprem. Passei pela mesma situação de tentar deixar aquele sentimento que fez de mim o mais espontâneo dos seres somente no passado, e fracassei. Bem ou mal hoje, tempos depois, fica óbvio que foi melhor assim. O grande problema é conseguir descobrir pequenos detalhes que garantam que o futuro não é um terror de dúvidas. Na verdade, estaria mentindo se dissesse que hoje consigo encontrar razões no passado que expliquem a minha completa falta de confiança no que poderia vir, ou voltar a ser, o que, de certa forma, me impediu de dar um rumo diferente à minha vida social, mais especificamente, de amor puro e simples.

Provavelmente o grande problema, e tenho certeza de que entenderá o que lhe digo, é ter de carregar um peso que não possui um nome claro e objetivo. Os pensamentos são carregados de lembranças, com arrependimentos e alegrias misturados como em um purê de batatas. Não há diferença entre um e outro em alguns dias. A felicidade vem e vai com a mesma frequencia que aqueles pensamentos que fazem com que nada no futuro possa vir a ser tão bom quanto o que foi. Digo-lhe então: é mentira. O futuro, começando pelo minuto seguinte a esse e seguindo anos e anos, dia pós dia, minuto pós minuto, transformando-se em presente e logo em passado, bem, o futuro será muito mais do que os seus dias ruins lhe indicam. Não há mundo contra ninguém e sei que você sabe disso, mas não custa relembrar isso para dizer que você não precisa ficar preocupado com uma possível distância, não apenas física. O que acontece nesse caso é o ressentimento por um desgaste natural quando se luta por aquilo que se quer.

Li dias atrás sobre a falta de ideologia dos jovens como nós. Um velho idiota que escreveu duas ou três linhas sensatas em um jornal de quinta categoria. Não precisamos de Marx e Maquiavel para termos uma ideologia e construírmos uma vida seguindo alguns padrões. Nossas mentes são capazes de criar por si mesmas, e com alguma ajuda Divina, uma ideologia que nos permite fazer o que é certo. Buscar aproximação daquela que, com a simples lembrança de um olhar, traz ansiedade e algum medo de decepção alheia é uma forma de fazer o que é certo. Quando um sentimento existe e nada é feito por ele, um erro é cometido mas o arrependimento por esse erro virá apenas com o crescimento o que, convenhamos, hoje em dia é difícil de ver em uma juventude que sequer sabe diferenciar o certo e o verdadeiro do errado e de todas as mentiras que o mundo coloca em belas formas, induções e aromas.

Não há fracasso que o seja por completo. Nem que aquela velha história de 'nunca mais farei' é de todo bobagem. Resquício de conformidade com o que não muda mais: o passado. Hoje você não pode fazer mais nada além do que já fez, pelo que entendi. É impossível mudar o pensamento alheio quando este é significativo. Motivos desaparecem, convicções são alteradas para uma melhor vivência e o único fator que acelera tudo isso é a constatação de que tudo que é verdadeiro é duradouro e, portanto, será assim até que por desistência, o que acho difícil no seu caso, ou vontade de buscar outro caminho seja um determinante. Também não há coisa no mundo que lhe faça deixar de sentir o que sente e de acreditar, com um resto de esperança bem guardado entre a lembrança de um olhar e o sonho de felicidade que encaminhe para um final, onde quer que esteja e quem quer que possa vir a ser a guardiã dessa plenitude que você, eu e todos os que entendem a felicidade como a junção de todas as realizações, sonhos e pessoas por quem prezamos.

Mesmo na inocência de nossas infâncias fazemos com que nossos corações batam em ritmos semelhantes ao de outras pessoas. Nossos pais, amigos, pessoas que admiramos por quem são e, nessa fase da nossa vida, alguém por quem esses corações podem até parar, são verdade, partes de felicidade. Portanto, são eternos no presente. Aquele que é, aquele que acabou de ser e aquele que logo será. Não há como impedi-los de fazerem parte disso. Algum dia poderá tentar impedir que voltem a ser presente por meio de lembranças mas, não será tarefa fácil. Tudo que nos aconteceu de ruim, vindo de outras pessoas, são partes do presente que já passou e portanto, não são mais parte do presente que é e acabará sendo. Por mais que as lembranças sejam ruins e ainda hoje lhe tragam sentimentos e sensações duras de viver com um sorriso no rosto eu lhe garanto, amigo, que um dia conseguiremos fazer com que a fortaleza que vem de Cima seja muito mais viva em nossas mentes do que a ideia que introduziram em nossos pensamentos, quando éramos novos e indefesos de ataques alheios, de que nada éramos além do que o pouco que eles diziam.

Quando conseguir livrar-se desse peso passado que ainda dificulta seus passos presentes você verá, assim como eu vi, que tudo o que tens para carregar hoje um dia será tão nada quanto o que já foi algo ruim e não é mais. Como entender isso naquela história do amor? É simples. Arrependimentos, lamentações e consequente desgaste, consigo e com a outra pessoa, passarão a ser apenas folhas secas que vão ao chão e tornam-se adubo para uma árvore que pode crescer, e muito. Esse sentimento que tempos atrás, como você disse, fora sufocado pela pura e simples vontade, afobada, da mudança, será luz para o caminho. Ou, na pior das hipóteses, para um novo caminho. Nesse caso, acredito, há mais coragem em acalmar, esperar e orar para que haja uma condução Sábia na história do que tentar fazer por conta própria a condução desse caminho ou a abertura de um novo.

Não seja bobo como muitos são, não dê tempo ao tempo. Como escrevi lá em cima, o tempo não é fator, é apenas tempo. Sei que não vai pressionar para que nada aconteça pois, se agisse dessa maneira, não seria você. Está certo em agir dessa maneira, a liberdade para sentir, pensar e, quem sabe, mudar é fundamental para vivência prazerosa. Tendo em vista que nada  do que você possa vir a fazer terá alguma consequência senão um desgaste, seja paciente e continue entendendo que ela carrega sentimentos tanto quanto você. Alguns diriam ser responsabilidade pois, como você me disse, você se preocupa com a felicidade dela muitas vezes mais do que se preocupa com a sua própria felicidade e satisfação. Pense que pode ser mútuo esse cuidado, esse zelo, esse 'te tornas responsável por aquilo que cativas'. Não que você deva ficar feliz com isso mas, convenhamos, seria mentira se disséssemos que não gostamos quando alguém se preocupa conosco.

Digo por experiência própria em momento não menos próprio. A Renata acabou de me ligar, vou buscar ela no curso. Ah, não contei que ela decidiu fazer curso de pintura. Você nem imagina como está a casa dela agora que toda parede pintada com uma única cor ela tenta transformar em arte. Bom, devo ter esquecido uma ou vinte e sete coisas que poderia e deveria lhe dizer. Também peço desculpas pela falta de objetividade. No mais, tenho que ir agora.

Ah, não pense duas vezes quando for escolher entre o que é racionalmente sensato e o que você sente. Eu fui chamado de idiota quase todos os dias dos anos em que esperei por aquela que sempre, com lembranças ou palavras, escritas como essas, fazia do meu dia uma verdadeira bênção Divina. O importante não é como vamos terminar essa nossa história e sim com que verdades, ou ideologias, iremos conduzi-la até chegar a esse fim. O amor é um sentimento estranho, quando ele não flui, parece que quase tudo perde o sentido. Há um pouco de verdade nisso entretanto, não é o fim do mundo, da vida. Ou da história. Novas páginas começam a ser escritas, geralmente, quando há liberdade para sentimentos, e nesse caso ideologias. Mais ou menos isso.

Abraço.
Bilionárico Johansson
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domingo, 30 de janeiro de 2011

Escolha da verdade


Dúvidas pertinentes e discussões intermináveis impedem a conclusão do que é a verdade, em qualquer situação, posição. Argumentos de todos os lados tentam convencer a verdade de que eles são seus donos, quaisquer seja o lado. Perdida entre tantos puxões, palavras cada vez mais belas e com argumentos a cada dia mais convincentes, a verdade continua procurando seu lugar no mundo, nas palavras, nos sentimentos. Consciência do que é certo não deixa de ser apenas uma ideia do que pode ser o lado correto onde a verdade está. Infelizmente, esqueceram de perguntar a ela onde ela quer estar. Por vontade própria, qualquer que seja o ponto inicial dessa, a verdade deveria posicionar-se antes de qualquer dúvida. Porém, além de não ser consultada antes da guerra que passam a ser as discussões, ela não consegue dizer um não contundente para nenhum dos lados. Até mesmo o lado absurdo fica tão longe, ou perto, da verdade quanto os outros lados, como o coerente, o racional, o emocional e cada um dos pessoais que os envolvem. Inúmeros direitos de resposta, contra-argumentos, sustentados por hifens ou não, tornam cada vez menos imaginável uma solução para o impasse: onde a verdade estaria se não houvessem tantos argumentos em lados contrários? Nem racionais, emotivos, filosóficos ou pacificadores, tampouco radicais ou egocêntricos. Nem um deles consegue provar, indiscutivelmente, que o seu lado está com a verdade clara, imutável, definitiva. Que cada um escolha um lado e lute por ele porém que seja ao menos coerente com o que pensa ser verdade. No fim do texto, do projeto de pensamento e desse nada que acabou se estendendo, toda essa confusão sobre lugar, existência e definitividade da verdade, qualquer que seja o contexto, tem apenas um culpado: o livre-arbítrio. 

Não que eu esteja me importando com o fato de escolher uma verdade que me traga saudade. De qualquer maneira, é provável que o lado onde está essa saudade tenha uma grande parte, senão toda, da verdade. Qualquer verdade que possa vir a ser.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Incertos segundos


Cada segundo alongado torna o estado presente, e passado, maior. Período cada vez mais longo, sem expectativa de término. Duração indefinida que impede qualquer certeza sobre algo que não seja passado. Com uma convicção real, diversas dúvidas inescrupulosas, a falta de discernimento sobre o que realmente acontecerá e a impossibilidade de descobrir o que fazer. Imaginar o presente como tempo e contexto certo faz muito sentido, não só por estar vivendo-o mas também por todas as coisas que cercam esse viver presente. Passado quase distante, ainda digno de remorso e arrependimento, cuja lembrança acaba tornando sensata a impressão de que não teria sido o que hoje pode ser. Imaginar erros longe do presente em direção ao passado, cujas marcas na lembrança são feitas pela angústia de nada poder fazer é fácil, e condiz com o que hoje é motivo de reflexão.  Impossível retirar explicação inútil e justificativa estúpida do meio disso, ou seja, é desnecessário querer ir contra toda essa verdade que jamais deveria ter sido coisa qualquer, menos ainda uma falsa verdade. Entretanto, sentir a falta de, imaginar-se, e ter a convicção de que, remetem a complementos diferentes dos que complementavam essas frases pessoais no passado. A dura e sofrível admissão do que vinha a estar, o que outrora remetia ao próprio ego, buscando uma salvação alheia para então salvar a própria alma, hoje remete à salvação de qualquer alma, qualquer coração ou, em menor escala, qualquer mente, para então conseguir, com muita misericórdia Divina, salvar a alma, e consequentemente o ego. Não que a salvação do ego esteja sendo importante nos últimos, sei lá, 15 meses. E não, também, que alguém em especial não seja o verdadeiro motivo de todo esse pensar, dessa análise um tanto improdutiva porém instigante.

De tudo a mais ou menos, não consigo imaginar a minha vida sem o motivo dessas, e de tantas outras palavras que escondem algo que é muito maior do que qualquer outro algo que outrora tenha me motivado. O meu presente, sendo estado de vida ou recebimento por qualquer razão(quem sabe uma boa vontade do Criador) seria sim, aquela que há muito tempo deixou de ser também uma razão, concentrando-se apenas em uma emoção. Sendo, (ah não!) então, A emoção.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Pés molhados e olhos fechados


Chuviscos que formam uma névoa fazem sumir o calor do corpo, encharcam as roupas recém colocadas e fazem do tempo passado olhando-se no espelho um tempo mais do que inútil. Vem do alto, não deixando de ser nuvens, atrapalham a visão, dificultam o entendimento de onde se está. Como qualquer dúvida, como qualquer medo, como qualquer angústia ou receio. Ficam até atordoados aqueles que não sabem para onde estão indo. Mal sabem que, mesmo julgando saber, nem sempre estão verdadeiramente cientes de onde seus passos os farão chegar. A água cai em gotículas que nunca vêm sozinhas. Isso é visto pelos olhos humanos, os mesmos que sempre acrescentam à sua dificuldade outras que, mesmo que como gotas caiam longe, parecem estar intimamente ligadas às que caem em seu cabelo, já molhado. O medo do que não se vê é pior do que o medo do que se vê. A agonia de não conseguir progredir como se quer, pela névoa e pelo vento, é semelhante à agonia de quem busca e não encontra, de quem abre os olhos e não vê o que era quisto ou de quem os abre e vê tudo aquilo que julga não precisar. Insistência em querer abrir os olhos quando o melhor é mantê-los fechados. Costume de quem não acredita, de quem não confia, de quem não sabe esperar.

Costume de quem sempre reclama das gotas de chuva, da névoa e do vento.

*a trilha sonora encaixa 
melhor no momento do que nas palavras

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Do silêncio veio, para o silêncio vai


Dúvidas que, de tão grandes, fazem cessar os risos, calar as palavras e emudecer qualquer boca passível de fala. Dúvidas que afogam em qualquer oceano, mar ou mesmo riacho de lágrimas. Tristes, desnecessárias e um tanto incompreensíveis lágrimas. Como dizem, escolher o mais fácil faz sentido. Como se nada existisse, como um pássaro que apenas passa sem deixar nada além de um pequeno surto de ar em movimento.

Vento.

Seu sentido contraria o sentido da lógica, do próprio sentido. Direção e sentido exaustivos. Longínquos demais para se pensar, quanto mais entender, compreender. Ver.

Visão que impede negação de existência, presença, acontecimento obscuro mas não menos presente, existente. Chuva que molha. Enxurrada que apenas mais barro forma. Sem cobrir nada. O que se pensa ser não é. O que se pensa querer ser, também não é. Será para algum? Será para nenhum? Dúvidas sucessivas, que tonteiam, impedindo qualquer passo, qualquer lado que pudesse vir a ser.

Confusão incoerente. Sabe-se para onde quer ir, tenta-se saber para onde deve-se ir, não compreende algo além do que se sabe e do que talvez se saiba.

Calafrios, com outro frio, ruim, contínuo, duvidoso e suspeito. Críticas reflexivas que bombardeiam ainda mais todos os caminhos em torno. Independente do ponto central.

Menos de muito e muito de menos, de nada, de tudo.

Que insanidade intensa essa!

*sem comentários aqui

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O todo e a parte. As cores de uma, de várias lembranças.


A vontade é ir atrás, seja falando ou escrevendo, mesmo que não saísse de onde estou sentado agora. Não ficar parado, esperando o tempo passar para então, quem sabe, fazer o que pode ser feito hoje. Queria agir como agiria há alguns meses, impulsivamente, sem pensar em possíveis consequências negativas. Inconsequente nunca fui, impulsivo sim. E faz-me falta, hoje, essa falta de pensar, de refletir, de ponderar. Faz falta pois a ânsia por ouvir ou por ler está tirando qualquer réstia de concentração que poderia ter essa confusa, mas decidida e espontânea mente. Atenção, espontânea mente, duas palavras. Detalhe bobo ao qual não me apegaria se, sendo o que pudesse ser, tivesse em mente algum advérbio de intensidade motivado por um sopro de contagiante e alegre forma de vi... viver. Seja qual for a ordem das cores, o que elas pintam me faz falta. Poder olhar no fundo dessa pintura, a qual os mais exaltados poetas, e eu algum dia fui um deles, chamariam de oceano,  seria como detalhar um ponto branco em uma parede preta, sem uso da criatividade, apenas por ver, branco no preto, ou azul-esverdeado qualquer. Recomeço a frase para, quem sabe, ser entendido. Poder olhar para aquela pintura que, centímetros ao lado coexiste, seria o maior motivo de agradecimento por, no mínimo, poder abrir os olhos e ver. Os poetas nada sabem. Tampouco eu, ansioso e temerário por um não muito mais completo do que esse. Uma totalidade negativa a qual não quero chegar. Motivo maior de estar, covardemente, parado, esperando pelo contínuo e impiedoso tempo. Tempo. Tempo. Como pode tão pouco tempo ter passado, tão pouco tempo ter visto e ainda assim sentir tanta falta daquele quadro detalhadamente criado. E daquele pequeno pedaço azul-esverdeado, verde-azulado, ou qualquer outro nome que defina outra incrível criação de Deus.

domingo, 20 de junho de 2010

Uma enchente de loucura tomou conta de mim(mais uma vez)


Vivi horas dentro de minutos. Sim, pasmem, uma grande enchente de loucura* tomou conta de mim sem que eu percebesse. Não houve noção de tempo, de espaço, de direção ou sentido. Não haviam vetores estúpidos e inúteis. Havia apenas o que era preciso. O meu dia, um sábado nublado, quase chuvoso, tedioso e com cara de gripe. O meu sábado, triste, deprimente. O meu sábado, sem noção de qualquer coisa. O meu sábado, fantástico. Eu sei, não foi nada de mais. Sete quebrado antes que se somassem mais sete. O que também não importa, eu já nem sei mais contar. Lembrando do que não foi, paranoiando bobagens simples, coisas de criança. Fantasiando e identificando um eu que não era eu, que não estava em mim, que não fazia parte da minha vida. Preciso transpor a frase pós última vírgula para o presente, sem a negação. Porque faz sim, parte da minha vida, parte de mim. Incrivelmente, um grande enchente de loucura, insana, sincera e espontânea, tomou conta do ser humano impulsivo, verdadeiro e sentimental que existe em mim. Foi como se a vida fosse irreal, como se o céu caísse sobre a minha cabeça e eu não tirasse-o mais de lá, daqui. Insisto, foi tudo isso sem ser nada. Insignificância real que destoa dos acordes da bela e deleitosa canção que algo não canta, mas sim faz vibrar. Vibrações irreais que partem de uma realidade tão alternativa quanto supervalorizada. E é mais incrível porque no que seria o fim, um nunca surgiu do meio do nada. Quando pensei ter atravessado a ponte percebo que caí no desfiladeiro enorme e bati a cabeça no chão. Eu estava próximo do céu e voltei ao chão bruscamente. Quer saber, o céu caiu mesmo sobre a minha cabeça, ou estou morto, pois nem o nunca conseguiu tirar de mim esse... isso... enfim, o que sinto agora.

Ótimo, se alguém conhecer um psiquiatra, um padre ou um vivente disso que seja inteligente e que entenda plenamente o que sinto agora, me avise. Mas se não for padre, psiquiatra ou alguém que já passou por isso, não precisa nem chamar. Obrigado.


*O título e a frase surgiram aqui, sendo fundamentais hoje.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Histórias do Bandiolo - Eu nem queria mesmo


Encontrava-a todas as terças-feiras na porta do prédio. Porta, portão, seja lá qual for o nome pelo qual aquela chapa grande de metal receba das pessoas. E ela estava sempre lá, escorada ao lado da porta, no muro que dividia o terreno. Ela, ruiva, cabelos curtos e reluzentes. Sardenta, mas com muito estilo, muito charme e muita simpatia. Nas sardas. E só não são sardinhas porque ele odiava comer sardinha, a propósito, odiava qualquer coisa que lembrasse peixe. Seu irmão ter morrido por causa de uma espinha de peixe trancada na garganta bastava.

Seu irmão não importava para ele. Pelo menos não nas terças-feiras, embora ele nem cogitasse falar sardinhas. Onde eu, ou ele, estava? Ah sim. Ela. A ruiva. A ruivinha. De alguém, de ninguém. Quem sabe um dia ou por um dia dele.

Ela e aquele sorriso amarelado. Não que precisasse de um clareamento, mas sei lá. Era estranho alguém com tanto charme não ter um sorriso branco esplêndido. Era pedir demais de alguém que nem conhecia que tivesse um sorriso como a... aquela lá que fez o filme... como era mesmo o nome do filme?... não importa. Aquela atriz, morena... bom. Era melhor deixar que as ruivas tivessem o direito de terem sorrisos discretamente amarelos. É. Ruivas não devem gostar de comparações com morenas, ainda mais quando... chega, a baba começou a pingar.

Terças-feiras que a cada quarta-feira vivida começavam a ser ansiadas. Mas aquela ansiedade brutal, aquele desejo pelo dia, pelo sorriso discreto, pelas sardi... sardas, pelo cabelo ruivo e... ai. Uma dor no coração só por lembrar daquele oi desinteressado e ainda assim doce. Oi ou bom dia? Tanto fosse um quanto outro e seria a mesma ansiedade.

O que tanto queria aquela ruiva naquele prédio, nas terças-feiras pela manhã ele não sabia. Porque sempre perguntava se ela queria entrar e a negativa era feita do mesmo jeito: com desdém. Um desdém seco, com movimentação lateral daquela cabeça, o que induzia aqueles cabelos ruivos a igualmente moverem-se. Aqueles cabelos, como reluziam. Se fossem amarelos(não loiros) seriam confundidos com ouro. Ah é, o desdém. Apesar de ser o que era, com uma negação física e um olhar ao longe, era elegante. Porque ela era elegante. Aquelas sardas eram elegantes.

Nunca conhecera uma ruiva. Essa talvez fosse a sua única oportunidade nos próximos anos, ou quem sabe a única na sua vida inteira de conhecer uma ruiva. Porque ver e exaltar suas qualidades físicas e psicológicas(desdenhar com elegância é qualidade psicológica, tá?!) não bastava. Só que ele, o cara que encontrava a ruiva nas terças-feiras, não sabia o que dizer para ela.

Aquilo tinha que parar. A angústia que começava na quarta-feira e terminava só na outra terça-feira, semana após semana, tinha que acabar. Precisava mudar essa situação. Estava perdendo a cabeça por aquela ruiva elegante, charmosa e... olha só, novamente perdia a linha de raciocínio por pensar nela. Cabeça ao vento por alguém que dava certamente mais importância ao lixo que o vento carregava do que ao idiota que a cumprimentava todas as terças feiras.

Essa situação iria mudar. Cumprimentou-a mais uma vez e seguiu seu rumo, dessa vez sem perguntar se ela gostaria de entrar. Ela, indiferente, olhou para ele enquanto ele passava. Falaria alguma coisa, ele tinha certeza. Sim, falaria. E ele responderia e então ela responderia e assim sucessivamente, sim! Ele era um gênio.

De fato, ela abriu a boca e falou em sua direção:

-Ei...

Suas pernas tremeram. Seu mundo sumiu. Ela, a ruiva, falaria mais do que um oi e um não implícito para ele. Sim, ela, com aquelas sardas simpáticas e aquele cabelo reluzente, sim, ela, que há tanto tempo ele...

- ...você esqueceu o portão aberto.

Do céu ao inferno antes mesmo de um ponto final. Com as pernas pesando toneladas e o coração no zero absoluto, ele voltou, sem olhar para ela, fechou a porta e seguiu seu caminho. Não sabia o que dizer. O que fazer e o que pensar quanto ao que acabara de viver.

Logo ela, seu sonho consumo. Logo uma ruiva tão elegante, com sardas tão simpáticas...

Voltou a comer sardinha. Só de raiva. E a cada sardinha comida lembrava da ruiva. E só de raiva, comia outra, e outra, e outra e ainda mais outra. Comia latas e latas de sardinha por semana. Pura, com pão ou arroz.

Comia cada uma delas para se vingar da ruiva, daquela ruiva. Apesar da raiva, não podia negar que suas sardas eram tão simpáticas que mereciam mesmo serem chamadas de sardinhas.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Como se fosse a primeira vez


Como se fosse a primeira vez. Ou da mesma maneira de uma vez ou duas, anteriores à primeira. Aquela sem conhecimento, sem saber quem ou o que é, o que faz, quais músicas gosta ou  quando perdeu os dentes de leite. Foi assim, simples, desse jeito único. Porque da primeira vez eu não lembro. Nem da vez antes da primeira. Eu só lembro depois, bem depois. Como se antes não existisse, pois diferença alguma fazia.

Ontem. Um dia que não pareceu ser o dia que acabou por ser, na beira do fim, próximo do seguinte. A noite de um dia que pode ser generalizada como o dia em um todo, sem uma noite em si. Não havia nada escuro, escondido, em fuga por motivo qualquer. Nada que voltasse tempos de dor, de sofrimento, embora esse tenha sido sentido no fim, sem razão aparente. Havia luz, muita luz.

Foi, pareceu, sem nada acontecer. De repente um grande lago se formou, a muito custo pela insistência da terra em pegar para si essa água. Vantagem nisso foi apenas não haver afogamento algum, nem sonho deixado de lado por alguma perda. Mas talvez fosse melhor jogar tudo para baixo das águas calmas e, contra a natureza, salgadas daquele lago irregular.

Nada mudou ou irá mudar. A perda é irreparável, erros em diferentes instâncias que não podem ser corrigidos, apenas colocados no papel para um dia virarem pó, como tantos outros casos já julgados, justa ou injustamente, por juízes honrados ou corruptos. Pó esse que ficará à espera de um vento, de preferência monstruoso, que espalhe por todos os cantos, de modo não haver chance alguma de lembrar o que estava escrito na terceira ou última linhas.

Um fim. Deprimente fim. Mas isso não impediu que ontem eu voltasse no tempo e lembrasse da primeira vez.

Ou como se fosse a primeira vez.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Voltar ao lugar de onde nunca saiu. Caiu.


Quem consegue explicar um fogo que surge sem faísca, sem combustível e até sem oxigênio? 

Quem consegue explicar um vulcão em erupção cuja lava nada destrói?

Um atacante que gol algum marca?

E uma raiva que nada finaliza?

Torrar, tostar, fritar, queimar, jogar ao chão, destruir a matéria por si, só, e muito só.

A vontade é de pegar qualquer coisa e jogar na frente, ou para dentro, tanto faz. 

Destruir de uma vez. Entretanto, destruir o que, tudo está...estava remendado.

A vontade é dormir e acordar alguns meses, ou ao menos semanas depois.

Hibernar, como ursos polares. Polares? Bi, quem sabe. Polares, não sexuais, mentes poluídas.

Idiotas são os ursos se, vejam bem, SE acham que sua comida vai ficar pronta por conta, que os caçadores não estão mais atrás de si e que o aquecimento global faz parte de uma teoria da conspiração que irá destruir a raça humana em 2012. 

Acho que confundi as teorias conspiratórias.

Como idiotas são todos esses alienados estúpidos, viventes de mundos de puro sonho imaginário e desnecessário.

Tão desnecessário quanto a rima a cima. E essa agora, vinda por hora. Ridículo.

Como são ridículos aqueles... aqueles lá, alienados, alucinados, chapados ou não, doentes não, apenas alienados alucinados.

Preferem viver felizes em mundos pessoais, onde a felicidade reina.

Idiotas.

Isso não é viver. É imaginar. A vida, aquela que acontece, a realidade, os dias, horas e tudo mais, aquela vida, coisa de gente triste e sofredora, vai passando.

Não. Não. E não. Quer mais um? Então não.

Sem essa de aproveite a vida, cada momento como se blá blá blá. E mais blá blá para cá, para lá, aqui e acolá. 

Porque do lado de cá, aqui, ali ou lá, alguma coisa aconteceu para que algo como começo do texto trouxesse abaixo algo que eu já havia guardado.

Malditos fabricantes de guarda-roupas. Malditos marceneiros. Malditos infelizes que não sabem fazer um cadeado decente.

Só não é maldita a natureza. E apenas nela não irá respingar essa coisa que alguns chamam de ira, outros de fúria, outros mais idiotas chamarão de ciúme, a minoria talvez chame de transtorno mental ou coisa semelhante, mas eu chamo apenas de raiva.

Desses alienados, de mim, dos marceneiros, de vulcões que existem apenas em sonho e daquele maldito copo d'água que está quase sempre meio vazio. Por falta de água, ou de alguma coisa menos importante para a vida, porém mais importante para mim.

Espero um dia conseguir segurar nesse copo durante o acaso que impede o sempre da metade vazia.

Vazio, de certa forma oco. Comido por traças e cupins se fosse de madeira. Copo idiota.

Ei, guarda-roupas são feitos de madeira.

Abracadabra pé de cabrito, soco de Muhammad Ali... Culpa dos cupins!

Não importa. Porque hoje eu quero xingar os marceneiros.

Porque esses também são alienados.





*ninguém sabe o que tem acontecido comigo.
Prefiro que seja assim.
Só não venham com conselhos,
o texto não foi escrito para isso.  
Uma série de perdas sem equilíbrio com ganhos quase nulos. 
Mas eu já sei que aqueles que algum dia 
disseram que faria sentido 
não passam de bobos. 
Ou como está no texto, alienados.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Histórias do Bandiolo - Liberte-se de si, vivendo livre consigo


Livre de algemas, mas não de correntes. Tudo imaginação, exagero, não! Tudo verdade. Inconveniente e dolorida. Verdade que os males do mundo trazem à tona e o jogam na lona, para debaixo do tapete, tão inconveniente, tão deprimente, tão verdade. Preso à sua maldita rotina, que nada de maldita haveria de ter se soubesse ser, viver, fazer acontecer. Só que sozinho não conseguiria, então pegou as correntes e prendeu-se à pessoas, não muito boas, achando que sua vida seria uma grande vida, sua existência seria muito mais do que um mundinho só seu. E deu no que deu. Uma pessoa livre, acorrentada imaginariamente pela verdade, repito, inconveniente e dormente. Pois só isso queria, só isso conseguia, apenas nisso convergia, sua triste, por tola opção, vida. Que vida? Que seria dele se não quisesse ser amigo, fazer de tudo pelos amigos. Amizade de uma mão, com um só coração, sendo o outro um invejoso meio-irmão. De meio em meio chegaria a um inteiro. Que nada, eram todos forasteiros em sua vida, interesseiros no seu fazer, na sua vontade, no seu próprio viver. E ele perdeu o seu, pois o entregou a outros que apenas usaram e, quando cansaram, largaram, foram procurar outro bobo.

Só queria um pouquinho de atenção, um pedaço de algum coração, para si, para preencher o seu vazio, outrora cheio de sentimentos, hoje oco com teias nos cantos. Só queria um sorriso, um recado, uma lembrança. A prova de que alguém percebia a sua existência, a sua sincera doação, seu espontâneo coração, sua singela e pura oração.

Viu-se só, quando percebeu que já não estava mais acorrentado. Sentiu. Frio, medo solidão. E tudo aquilo que pudesse vir de bom seria vão. Um abraço. Apenas uma abraço. Ou um sorriso. Ou uma palavra. Um mísero gesto.

O tudo que não existe é nada. O nada que não existe jamais será tudo. Compreendeu então que sua vida deveria ser prioridade. E que jamais deveria querer estar ao lado de alguém que não lhe queria ao lado.

Sentido uma imensa tristeza, às lágrimas, decidiu que ali seria um marco em sua vida.

Aquele seria o dia em que passaria a ter amor-próprio.

*irritante por rimas espontâneas, mas sincero. 
Mais uma vez a realidade se faz presente, 
o que não quer dizer que seja um texto auto-bibliográfico. 
O que também não quer dizer que, 
de certa forma,
não seja.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Histórias do Bandiolo - Eu vou?


Via em tudo uma ocasião, mas sem a continuação do ladrão. Em tudo uma chance, um futuro possível, provável. Tudo imaginável. Imaginava sem imaginação. Pensava, quem sabe até no pensar. Exagerava em hipercasualidades, sem hipersensibilidade, com hipérboles de duas folhas, cada uma apontando para um extremo de um sentido qualquer. Um sentido sem sentir, sem querer. Apenas por fazer, por imaginar, por almejar sem sequer acreditar.

E assim, enlouqueceu. Indo ao chão, ainda que sem fim.

domingo, 28 de março de 2010

Histórias de uma vida não vivida(18)


"Qual a pessoa mais famosa que você conheceu?" - era a pergunta daquele momento. E nós, em seis, pensamos muito até definirmos nossas respostas. Alguém gritou 'Jão Marreco', que foi colocado no último lugar pelo simples fato de os outros cinco perguntarem 'quem?'.  Depois veio um 'o jogador de vôlei...' e nem disse o nome, já foi colocado como penúltimo, afinal de contas, quem assistia vôlei dentre eles?

Outro nome citado foi o do 'Reginaldo Rossi'. É, foi famoso quando alguns deles nem tinham pêlos nas pernas. Aí veio uma das meninas presentes e gritou bem forte 'eu conheci o Di'. Quase levou uma surra. Só faltavam dois. Eu deixei o meu por último, por saber que era mais famoso que todos esses já citados e seria mais famoso do que o que a outra menina falaria. Ela disse "o Ricky Martin' e então todos duvidaram que eu conhecera alguém mais famoso.

Então comecei a lhes contar a história.

"Certo dia, estava eu a caminhar por verdes campos de trigo quando fui parado por um homem montado em um cavalo, enrolado em papel alumínio e com uma lança bem afiada em suas mãos, lança que estava apontada para minha cabeça. Então ele amarrou minhas mãos e me levou para um castelo. Mas um castelo bem louco, daqueles da idade média, antigos pra burro. Encurtando a história, nesse castelo morava um rei,..."

Interrompido fui com um 'rei?', ao que continuei...

"...rei mesmo, com cetro, coroa e manto. E trono, rainha, empregados, bruxo, mago, servos, masmorra e tudo mais. Ele foi com a minha cara. No começo não entendia bem, mas fui aos poucos compreendendo que a língua que ele falava era um inglês bem primitivo, o que no caso não foi empecilho para alguém que já estava na Inglaterra..."

- E desde quando você foi para a Inglaterra?
"... - não importa - o fato é que era um rei bem louco. A rainha era feinha, quase uma bruxa. E com aquelas roupas ridículas do século 18, piorava a situação. E era saidinha, tanto que me convidou para tomar um banho com ela durante um dos passeios matinais do rei..."

- E você foi?

- Peraí, quanto tempo você ficou nesse castelo?

"... mas eu não fui, já que vi que o corpo dela era murcho. Ela devia ter uns 40 anos mas já estava acabada, uma mulher tipo Suzana Vieira sabe. Enfim. Conversei bastante com o rei, ele me mostrou todo seu reinado e virei seu confidente..."

- Vai dizer logo onde está o famoso em questão?

"...tanto que ele me contou que estava traindo a rainha. Me apresentou àquela loira espetacular, 1,80, 22 anos de pura vida, de pura sensualidade. Uma loucura. E como a rainha não podia ter filhos, ele me disse que pretendia separar-se, só estava esperando o aval do Papa, que chegaria no outro dia, para separar-se da velha e casar-se com a loira espetacular com quem já mantinha um certo caso. A questão é que ele me pediu o que eu achava dessa separação, já que a Igreja Católica é contra o divórcio..."

- E você disse o que?

"...  e eu fiquei sem saber o que falar. Soltei um 'a gente tem que ser o que é', ou algo do tipo, para disfarçar minha falta de opinião, afinal de contas, ele tinha um calabouço e uma guilhotina bem afiada. Ele olhou-me admirado e agradeceu. No outro dia, pediu e recebeu um não como resposta do Papa. Então virou-se para mim e  disse 'vou criar uma igreja onde eu possa me casar quantas vezes quiser!'..."

- Você tá traduzindo os diálogos para nós né? Sim, porque se ele falava inglês...

"... e eu mantive-me calado. Ele perguntou-me ' Você aceita ser o papa na minha igreja?'. Pensei, pensei, e ele insistiu 'sim ou não?'. Eu continuei quieto, com cara de filósofo e ele berrou 'sim ou não?', ao passo que retruquei com um 'posso ter uma esposa linda como a sua também'. Ele pensou, então insisti 'sim ou não?'. Ele respondeu 'não. Sim ou não?', então eu respondi que não. 'Tudo bem então, na minha igreja não haverá papa.'. Olhou para o Papa católico, contou sua intenção e pronto, mandou a mulher velha embora com o Papa. Dizem que ela virou freira, mas não sei. E casou-se com a loira."

- Tá, onde entra o cara famoso nessa história?

Então eu respondi:

-O rei em questão era o Henrique VIII.

- Mas você não conheceu ele. Se é por isso a pessoa mais famosa que eu conheci foi o Napoleão.

- Hitler.

- Elvis Presley.

- Ayrton Senna.

- Mas eu conheci ele. Viram como eu contei a história com detalhes. É sério, eu conheci pessoalmente Henrique VIII.

- Não fala bobagem. Conhecer alguém em sonho não vale.

- Quem disse que eu sonhei isso?

- Só pode ter sido sonho.

- Não foi sonho.

Todos teimaram comigo. Idiotas. Se soubessem que eu ganhei a coroa do próprio Henrique VIII não falariam isso. Se soubessem que depois do casamento dele, fugi com aquela loira espetacular e tive noites incríveis com ela, não falariam isso. Tenho cicatrizes no corpo inteiro das lançadas que levei dos soldados dele quando me acharam. Levaram a loira de volta, mas não tiraram o que vivi com ela. Eu dei para ela o que ele jamais dará: um iPod Nano.

Eu fiz parte da história sim, e quem aqui vai conseguir provar que não? Quem?

quarta-feira, 17 de março de 2010

Igualdade no que é de verdade



Enquanto alguns precisam de abraços, afagos ou belas palavras, eu precisei de um soco. Vários socos no peito, na direção do coração.

Precisei disso para voltar a sentir o coração batendo, para lembrar de uma promessa feita, de um objetivo a ser cumprido.

Lembrar que mesmo quando não há força ou vontade, ainda há algo maior comigo. Algo que palavras descrevem superficialmente, apenas.

Arrepios que trouxeram lembranças, que afastaram medos, que afogaram mágoas e afloraram sentimentos bons.

Pensamentos à princípio direcionados, mas verdadeiramente espontâneos. E a sensação do golpe foi verdadeira. E muito real.

Uma vivência bem diferente. Mas pura, e sincera. 

Vivência do amor verdadeiro, de Deus, que me trouxe, mais uma vez, forças para viver.

Em meio à fraqueza onde injustiças e indiferença me levaram, levantei, caminhei e voltei a pulsar. No ritmo apropriado, sem afobação.

Seja lá o que palavras lidas queiram dizer, o importante continua aqui.

O importante é a única verdade sincera, pura.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Na festa mais popular, eu sou antissocial


Época de carnaval, o período mais improdutivo e inútil do ano social brasileiro. Hora de vadiar, de beber, de fumar, de gritar, fazer escândalo, aproveitar oportunidades e gastar os órgãos sexuais de tanto usá-los e depois gabar-se para amigos e amigas, enfim, aproveitar os prazeres, todos fúteis. São dias de diversão, de fazer o que na maior parte do resto do ano não se pode fazer. Pelo menos não em lugares onde a maioria está fazendo o mesmo.

E o carnaval acaba sendo uma grande orgia, hetero ou homossexual. Tem gosto para tudo, opções para tudo. Prazeres de todos os tipos, para diferentes ausências de personalidade própria. O popular é o que importa. O todos é fundamental aqui. Todos vão fazer isso? Então eu vou, e quem está comigo também. Não há mais como colocar a palavra 'valores' e citar esses valores em um texto que fala de toda essa podridão que as pessoas chamam de carnaval.

Não tem mais graça criticar. Eu já expus a merda que essa festa popular é. E toda a falta de qualquer coisa boa que nela existe. Alguns dirão alegria mas, alegria momentânea, em sua maioria por futilidades patéticas, vale mesmo?

Sabe, quem quiser fazer parte dessa grande orgia, que faça. Para o inferno. Só sei que dentre as minhas convicções está participar do carnaval apenas quando ele não for mais essa merda toda, essa grande orgia na qual milhões participam em milhões de lugares.

Acho que nunca mais participarei. Sim, há dois anos participei, não me arrependo, mas percebo que isso não fez diferença alguma na minha vida. Maus exemplos eu posso ter, ver e até fazer parte em qualquer lugar, em qualquer dia. Não preciso participar do carnaval para tê-los.

Lembrando que existem pessoas que seguem caminhos certos, que dão bons exemplos, que tem personalidades e caráter próprios, enfim, que fazem isso pela sincera diversão, felicidade, e não pela futilidade, promiscuidade, enfim, os motivos da maioria. Exceções existem sim, e por isso são citadas aqui.

Cada vez mais distante do popular, do que a grande maioria gosta. Na lista das exceções. Um pouco mais antissocial.

Ainda mais agora, que os dias estão passando sem raios de sol, sem nuvens brancas, sem vontade e sem perspectiva de melhora, de sentimento pleno.

Triste, mas jamais desesperado ao ponto de mudar as minhas escolhas, os meus conceitos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Frase do dia(vinda do twitter) e uma instigação(?) subjetiva



A vida é como um jogo de pingue pongue. 
E você pode ser a bola 
ou a raquete.


*O legal de escrever uma frase é dar uma ideia maior para ela, uma dimensão maior que a coloque num patamar superior ao de uma simples frase. Quando pensei nisso, não pensei no sentido subjetivamente óbvio, do você controla ou é controlado, bate ou apanha, não, até porque ação e reação seriam respostas físicas bem cabíveis(e chatas). Vem a ideia do livre arbítrio novamente, mas não quis dizer isso também. Cada um vai entender de um jeito, pensar de um jeito, achar uma ou outra coisa, ou não achar, pensar, entender nada. É só uma frase que você, assim como eu fiz, poderá transformá-la em alguns pensamentos mais, ou menos, profundos, com ou sem algum sentido e alguma produtividade. Talvez essa escolha não seja sua, mas do seu sub-consciente. Não importa, só por você ler, acho que cumpri meu dever de ajudar a tirar pessoas do caminho do big brother e das novelas. Sim, eu sei que isso não é uma grande cultura mas, de uma forma ou de outra, é leitura. E pelo menos ajuda a manter a mente saudável. Ou leva a, como aconteceu comigo, insanidade mental, o não conseguir distinguir alguma coisa mas ainda assim(e isso é opcional) achar que sabe-se muito sobre pouco e tudo sobre o nada.