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domingo, 11 de janeiro de 2015

Pedaços de um pensamento (91)

Como assim 'ainda não estou pronto para escrever'?

A vida continua sendo passageira, Santa Maria continua quente (às vezes parece que estou sendo cozinhado, ou cozido, em banho-maria), a faculdade ainda não foi deixada para trás, ainda não consigo ouvir uma música e dizer 'nossa, que troço legal', os cabelos continuam a cair, as músicas continuam a tocar aqui dentro e eu continuo a não escrever.

Todos os rascunhos, rabiscos, diálogos e ideias de textos que tenho aqui ao lado do computador, ou mesmo no OneNote me dariam a chance de escrever, ao menos, três livros. Os textos iniciados, possivelmente geniais - mesmo que para um retardado mental -, escritos e não publicados (a maioria por não ter sido finalizado) também renderiam um livro. De pelo menos oitenta páginas.

Ou, no mínimo, uma crônica melhor do que as do bagulho que é o Carpinejar.

Das 11 ou 23 coisas que me propus fazer neste final de semana está escrever. Como veem, cá estou. Realizei outras duas, três ou cinco e as outras 6 ou 20 - viva a margem de erro do Ibope - não foram realizadas sabe, apenas, Deus por qual razão ou quais as justificativas para tal procrastinação, desânimo, incompetência ou todas as anteriores.

Tudo que tenho feito visa tirar de foco o que me leva à angústia e ao medo. Tremei, terra, parece que nunca senti isso antes - mentira! - ou, pelo menos, não com tanta dúvida. Escolher entre o certo e o errado, mesmo sem saber qual é qual, é moleza. Escolher entre sim e não, idem. Agora escolha entre duas coisas infinitamente diferentes mas ao mesmo tempo muito parecidas. As decisões, não as consequências das mesmas. Escolha entre uma bergamota comum e uma pocan. Escolha entre um suco de limão comum e um de limão taiti.

Parece igual mas não é. É infinitamente diferente mas tão igual da mesma forma. Droga.

As coisas continuam as mesmas, com os mesmos gostos - e eu sem sentir gosto algum.

O remédio continua e as músicas continuam. Um deveria bloquear o outro mas o outro continua mesmo com o um. Ei, doutor, quero meu prometido silêncio!

Por fim, e não menos desimportante, é bom que existe mais uma prateleira, presa por parafusos maiores que o meu dedo mínimo. Não sei quando vou começar meu plano de comprar dez livros por semana então, em todo o caso, já estou preparado.

Obrigado por ter chegado até o fim. Mesmo que a ausência, também, continue a ditar as regras por aqui.

De ambos os lados.

domingo, 17 de novembro de 2013

Pedaços de um pensamento (76)

Sinto que parte disso está chegando ao fim também por acreditar, ao menos hoje, que essa fase está acabando, que esse capítulo está se encerrando. Que essa história está quase no fim. talvez não seja mas, hoje, é isso o que desejo.

Primeiramente porque estou cansado de ver os mesmos erros sendo cometidos sempre.

Depois porque não posso continuar elevando meus problemas relacionados com a raiva e alimentando mágoas por qualquer indiferença para comigo ou com o que deveria ser feito.

Não quero escrever muito. Não consigo. Estou tomado por decepção e um bocado de tristeza. A falta de humildade é gritante. Ela berra. No mundo e onde não deveria existir.

Onde foram parar a caridade e a união?

O discurso tem sido bonito, admito. Porém é vago porque, cada vez mais, torna-se heresia por conta dos atos seguintes.

Está chegando ao fim. Não estou feliz por isso mas, também, não estou feliz como as coisas estão.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Cartas do Billi J. - A tristeza do ser

"Sabe, Vini, às vezes sinto-me um projeto que não deu certo.

          Hoje pela manhã li uma frase e foi isso que motivou-me a escrever - fora todo o resto que ambienta e dá sentido ao que escrevi.


          “A cada dia que passa fica mais difícil ser o protagonista da minha própria vida. Acho que estou perdendo o jeito. Já não sei mais interpretar o papel “sou forte”.”

         Sinto ser um fracasso. Olho para as pessoas e vejo sorrisos, vontade, interesse, aprendizado e capacidade de fazer escolhas. Olho para o espelho e nada disso consigo ver em mim. Parece que falta algo que ainda não foi inventado, algo... como uma engrenagem que fizesse toda uma máquina funcionar. Uma roda dentada, miserável, que pudesse fazer com que todo o equipamento funcionasse à pleno vapor. Ou, mo meu contexto, um componente que fizesse a reação química entre outros componentes transformar-se em um produto final que modificasse parte da história.

        Sinto que sou um avião que nunca decolou por estar sempre com algum defeito. Uma ideia que não foi colocada em prática porque... pode ajudar-me a completar essa frase? Não sei o que dizer, a tristeza que toma conta de mim, ou algo vestido de tristeza, não é novidade. É cíclico. Vai e volta. Volta. E sempre volta. tentei de tudo para fazê-la desaparecer de vez. Falhei. Tentei dar-me conta, e reconhecer, tudo o que há de bom em minha vida para sufocá-la até deixar de existir. Falhei novamente. Fiz novas escolhas, libertei-me do meu passado - inclusive das melhores partes dele - para, recomeçando de um quase zero, conseguir viver uma nova história, longe e livre desse algo que volta e meia insiste em derrubar-me. Não adiantou, falhei outra vez.

          Não sinto dor. Talvez até não sinta tristeza alguma. É possível, aliás, que não sinta coisa alguma. Talvez seja apenas momentâneo mas, se o for, é um momentâneo repetitivo. Dizem que quando muitas frases são iniciadas por um 'não' é porque há algo errado, porque algo não está bem no emissor. Acredito mesmo na felicidade, Vini. E acredito que ela seja sincera, espontânea e modificadora de todas as coisas - para melhor. Acredito em uma felicidade que faz sorrir mesmo nos piores dias, que conforta nas derrotas e decepções. Portanto, é fácil ver que acredito no amor, terreno e Divino, que Criou e abastece, que dá a cada dia novas oportunidades de sorrir, de viver a felicidade e que, não tenho dúvidas, tira da solidão, escura e fria, vazia. Acredito no Calor que envolve e faz viver. A teoria não é o problema, portanto. Ou, por envolver tantas coisas, talvez seja ela, em si, o problema.

          Infelizmente - e essa é mais uma forma de começar uma frase com um negativo - não há nada que você possa fazer por mim. De antemão, obrigado por prestar atenção em cada pedaço desse desabafo opaco, sem vida. Fez-me bem escrever. às vezes penso que estou doente por não conseguir sentir vida. Ou por não sentir coisa alguma.

          Só posso, hoje, entregar à Deus aquilo que, envolvido em mim, tira a vontade de sorrir, o desejo de viver felicidade. Mesmo que eu tenha todos, ou quase, os motivos para sorrir. Eu quero, de todo o coração, se feliz.

          Mas hoje, Vini, não consigo.

Saudação.
B. Johansson"

domingo, 2 de dezembro de 2012

São só palavras estúpidas.

Tanto faz se algum dos envolvidos na história chegar - por algum acaso do inacreditável e inconstante "ser", criado por homens, chamado destino - a ler isso aqui. Estou tão preocupado com isso quanto uma criança está preocupada com a saúde financeira dos pais nos dias que antecedem o seu aniversário.

O engraçado acaba sendo que as noites mal dormidas pouco poder tem de influenciar quaisquer palavras. Não é por estar bêbado, drogado ou com MUITO sono que estou aqui, escrevendo. Não preciso de nada disso e daquilo para ser sincero. E também não faz diferença citar nomes. Afinal de contas, ninguém está mesmo preocupado em ter feito parte disso ou não. A curiosidade, aqui, fica como brinde pela perda de tempo que... deixa pra lá.

Lembro-me de, anos atrás, ter ouvido quatro pessoas dizerem a seguinte frase, dois pontos, espaço, abre aspas

Ah, eu não tenho dúvidas de que quero fazer faculdade de medicina (ponto, espaço, etc)

Naquele tempo a revolta era grande e a raiva maior ainda. É provável que qualquer ambição futura fosse levar minha mente a pensar "malditos fracassados, vão apodrecer...". O final da frase é um tanto quanto preconceituoso, então deixa pra lá, haverá sempre um politicamente correto moralista e hipócrita para tecer alguma crítica, ponto.

O que acontece é que essas quatro pessoas, além de medíocres e miseráveis rascunhos ilegíveis, eram pseudo estudantes, sem hífen por vontade própria. Sabe aquele tipo de gente que passa anos com você no mesmo lugar e, quando você percebe que nunca mais verá, pensa algo como "hum, e?".

Indiferença, era isso que existia - por motivos diversos - e não existe mais por falta de necessidade e crescimento pessoal, propriamente dito. Tanto faz, ainda, porém agora sem indiferença.

Duvido que alguém tenha levado esse projeto em frente. Eram fracassados e serão sempre fracassados - exceto por uma mudança drástica de... TUDO. Veja bem, não estou, sobre hipótese alguma, querendo dizer que sou um vencedor e tal. Pode ser até que venham a receber salários maiores e obtenham, com alguma surpresa ABSURDA desse troço chamado 'vida', um grande sucesso profissional mas... nunca, quer saber, deixa pra lá.

Eles queriam o que não tinham capacidade de ter. Tenho certeza de que você conhece pessoas iguais, que não sabem fazer multiplicação de dois dígitos mentalmente mas querem acertar 85% de uma prova de vestibular em alguma grande universidade bem conceituada.

É obra do acaso que algum consiga. Geralmente não conseguem, voltam para o conforto de seus lares, casas luxuosas sustentadas por pais trabalhadores que não tem consciência dos pequenos, na verdade gigantes, pesos inúteis para a sociedade que carregam.

Há rancor em todas essas palavras. Há raiva. Mas não há mais mágoa. E a história do crescimento pessoal, do perdão e da caridade existe sim, de fato. O que não impede, de modo algum, que tenha uma recaída e use de uma sinceridade escrota para dizer que, onde quer que estejam, não são nada do que um dia sonharam ser.

Por falta de capacidade, de vontade, não sei.

O que não faltou - e por isso agradeço - foi justiça.

Essa não falha.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Pedaços de um pensamento (37)


Se contasse por cima, a história seria igual a uma já escrita. As semelhanças são muitas, principalmente de onde partem as palavras. A diferença está nos motivos. Enquanto a pseudo-nulidade mental pode ser uma causa - embora seja doloroso admitir isso - de um dos lados, do outro, ou seja, na outra história, a arrogância e uma busca por alimentação do ego podem ser as causas de tal situação. Desconhecida e não bem explicada mas, não importa agora o que, quem, como ou quando. Apenas faz-se necessário entender que optar, por qualquer razão que seja, por alguém virando-se de costas para tantos outros alguéns, não é muito fácil de se compreender. Pelo sim ou pelo não, no fundo o motivo disso não passa de uma grande sede por admiração, por ser centro da atenção, por ser personagem principal quando, mantendo a escolha anterior, esse papel não fazia-se necessário, por haver alguma unidade, mesmo em meio às diferenças. Colocar-se como correto quando não há ninguém errado acaba sendo um erro crasso e banal, uma vez que não leva a nada significativo ao longo prazo. A pura e simples amamentação maternal do vício - considerando todos os vícios como negativos - de querer estar posicionado um degrau acima dos demais acaba sendo ridícula e, a longo prazo, explicação para grandes decepções. Claro, quando admitidas. Viver aparentando um sucesso que não se tem, um dinheiro que não se tem e uma felicidade que, de verdade, não se tem, não é difícil. Vejam por aí, inclusive próximos a nós, muitos que não podem olhar nos olhos e afirmar que, sim, há sucesso, felicidade e dinheiro - sendo esse último o mais fácil de disfarçar, inclusive em discursos. Enquanto se esquece do todo e pensa-se somente no individual, pelo motivo que for, não se chegará a lugar algum senão a um quarto vazio, escuro e silencioso. Falar consigo não é solução. Nem mesmo acender a luz traz alguma sensação que a escuridão não seja capaz de fazer sentir.

Difícil.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Histórias de bergamota (18)

"Somente hoje fiquei sabendo que alguns animais perdem parte de sua pele para que então nasça uma pele nova, ou alguma coisa próxima disso. Achei incrível! A natureza, acreditando vocês no Dedo que a criou ou não, é fantástica, são detalhes demais para pouca compreensão do porquê tudo isso poder, embora o homem faça o possível para impedir, conviver em harmonia e coletivamente. 

O esquecimento do individual, na natureza, deveria servir de exemplo para homens como vocês, que só pensam no próprio umbigo. E nem venham me dizer que vocês se importam com o umbigo dos outros porque é mentira, eu sei que é mentira! Nem com o umbigo de algumas laranjas, vistas por mim várias vezes na vida, desviam seus olhos e seu senso de preocupação para fora do eixo de rotação dos pensamentos individuais. Garanto que se vocês, humanos, assim como alguns animais, trocassem de pele, não andariam desfilando por aí cortando tudo e todos, vegetação e sonhos. 

Tenho a certeza que teriam mais respeito pelo conjunto, num todo, se precisassem que alguém os aceitasse durante a dita 'fase de transição' de uma pele para outra. Seriam a mesma pessoa, com uma pele semelhante, mas nunca a mesma. Por que não mudar os pensamentos, ser a mesma pessoa, mas de um jeito diferente. Ser, eu disse: ser, e não estar, fazer ou comer.

Ah sim, sei que vocês, admitindo ou não, não conseguem viver sozinhos mas... por que continuam então pensando, e agindo, como se fossem autossuficientes e não precisassem uns dos outros, para qualquer coisa que seja? Um 'derrr' para vocês, bobões, que parecem ser tão superiores mas que, deparados com algumas verdades, fogem das mesmas com argumentos falhos como 'não vou discutir sobre isso' ou 'não quero brigar com você' ou ainda o tão popular 'eu penso de maneira diferente'. Há coisas que deveriam ser senso comum.

O que? Não quer ler o que eu estou escrevendo? Claro, acho que o seu umbigo saiu do lugar, sim, vai lá ver e depois volta aqui para terminar de ler.

(...)

Voltou, que bom. Só quero dizer mais uma coisa: Vivam como parte da natureza, pegando de nós, seres irracionais, coisas boas como simplicidade, mudança sem perder a essência e reconhecimento das próprias limitações. O que, você acha que não pensamos, alguma vez em nossas curtas vidas, em ser uma coisa que não somos?

Confesso, sempre quis ser uma jaca. Cara, elas são enormes, monstruosas mesmo. Nunca chegarei àquele tamanho, por isso aceito-me como pequena, e ínfima, parte do todo da vida de uma árvore. Não, nem pense em cortá-la pois eu ou alguma semelhante a mim irá te dar uma dor de barriga daquelas.

Não nos provoque.

Ass. Uma bergamota"

Pedaços de um pensamento (33)


Disse alguém, certa feita um tanto primitiva, que os melhores frutos humanos são as palavras que surgem em momentos inexplicáveis, por sentimentos ou sensações. À princípio discordava veementemente - sim, com duas mentes na mesma palavra - por achar um tanto hipócrita o ato de listar, em ordem indireta, tudo aquilo produzido pelo ser humano. Há tantos ínfimos detalhes que, inexplicáveis por si só, não ganham tanto destaque quanto gestos impulsivos, espontâneos e, sem dúvida, cheios de sentimento, gestos que, em parte considerável, não passam de carregadores de intenções obscuras e, com isso, não possuindo nada de espontâneo. Talvez seja contraditório afirmar e desdizer na mesma frase porém, não tenho dúvidas que, essa é a maneira certa de colocar o desejo subconsciente como uma desculpa, aceitável mas não justificável, de tantas porcarias que, por seus tons dramáticos ou superficialmente sentimentais, ganham uma aparência de louváveis, admiráveis e passivos de seguimento, de cópia.

Tudo porque poucos são aqueles que se preocupam com a sua maneira própria de viver e, então, tornam-se escravos de gestos alheios, aguçam suas atenções para todos os pequenos detalhes em outros gestos - esses geralmente sinceros e espontâneos de verdade - ao seu redor, em vidas que jamais serão as suas. A preocupação com o que se mostra, seja para amigos, família, namorada(o) ou qualquer par de olhos 'sociais' é tão grande que é difícil que alguém responda sobre si, sobre quem se é, sem associar nessa descrição, nessa demonstração da sua unicidade, uma frase alheia, um trecho de música ou algo que veio de alguém que não si mesmo. Se a pessoa precisa, como tantas outras, colocar uma tatuagem para gritar ao mundo que é uma pessoa livre, convicta e diferente, bem, ela não prova nada. A necessidade em buscar muletas, no aspecto físico, mental, emocional ou espiritual, para sustentar uma imagem própria é a prova de que o eu único e especial é um projeto fracassado, mal executado e que perdeu completamente a essência, não necessariamente de viver, mas de ser.

Quando alguém me diz que todos sofremos influência e que isso conta muito na formação do caráter, bom, eu concordo com várias ressalvas. Transcrever todas seria perda de tempo, meu e seu, então colocarei aqui apenas uma. Se, na minha família, todas as pessoas gostam de comer melancia assistindo futebol, e eu presenciar e viver isso desde criança, provavelmente terei esse costume também, tornarei parte de mim. Aí alguém que está lendo continua argumentando: viu só, é uma ressalva falha essa sua.

Calma, leia até o fim.

Posso sim, por mim mesmo, apreciar o ato de comer uma melancia ( melhor dizendo, um pedaço dela) assistindo futebol porém, chegará um momento em que poderei me perguntar: "estou fazendo isso porque gosto, porque faz parte de mim ou tão somente porque faço isso desde criança?". Essa é a falha. A resposta, para a maioria dos casos, é não. A rebeldia adolescente está um tanto associada a isso, pois é, quase sempre, uma busca por fugir daquilo que sempre se teve como exemplo em casa. O erro não está em não gostar disso e preferir comer uma manga assistindo uma partida de xadrez. O erro é considerar que aquilo não é válido em nenhuma hipótese e, então, formar a própria personalidade baseado em uma negação de parte da sua história, e da história daqueles que desde que nasci estão comigo.

Essa radicalidade cega encontrada na maioria dos jovens, é uma das causas para tanta intolerância para com gostos alheios. Poucos percebem, e aceitam, que o problema não é que eu goste de manga e você de melancia, mas sim que você tente impor isso no meu eu. Só que, ao contrário do que esse bando de rebeldes sem causa pensa, não há forçação de barra para que você goste de melancia. Às vezes as pessoas só querem que você coma melancia vendo futebol para terem a sua companhia. Isso não é compreendido pela maioria que, influenciada por tantos outros idiotas sem personalidade, acham que o mundo conspira contra si e que todos aqueles que o cercam tem em si o centro de suas vidas, por supostamente tentarem mudá-lo a todo custo.

O nome disso? Egocentrismo.

Uma pergunta que deve surgir agora é essa: o que palavras, momentos inexplicáveis, sentimentos e sensações tem a ver com isso? Fácil de responder.

Considerando-se centro do mundo e, ao mesmo tempo, buscando em outros egocêntricos, ideias para a formação de si, fica muito óbvio concluir que a falta de sentido verdadeiro, de felicidade plena e de demonstrações espontâneas e, portanto, sinceras de amor, de carinho e, consequentemente, do seu próprio eu. Perdem-se unidades para formar blocos. Com a diferença que cada pedaço do bloco nem sempre consegue aceitar o pedaço que está ao seu lado. Todos se unem por fazerem parte do mesmo grupo, com as mesmas carências e, sem se dar conta, exigem, ironicamente, ser tratados como indivíduos de personalidade própria e de autenticidade indiscutível.

*Nem preciso transcorrer sobre tantas coisas que circulam, repetidas à exaustão, para embasar o que acabei de escrever.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ecos da sinceridade - Com a antiguidade


Tudo aquilo que não é, no presente, e ainda assim é real, faz parte do passado. Imediato e despretensioso ou já concreto e assumido, não importa, aquilo que é página já lida, quando voltada para releitura e possível entendimento, mais atrapalha, tirando o ritmo natural da leitura. Não que esteja tentando, de alguma maneira, dizer que é, foi e pronto, só isso. Enquanto caminhei com uma verdade visível a quaisquer olhos humanos, o fiz sinceramente, acreditando ser aquilo tão somente por ser, não somente, aquilo tudo.

Enquanto o que vem de fora, de pontos próximos dos mesmos olhos que tanto viram - aquela que chamarei de minha - a minha verdade, cada vez mais carrega o pretensioso status de 'eu estava certo o tempo inteiro, só você não quis ver', o que vem do mesmo lugar de onde saía a minha verdade agora junta-se a tal pretensão, só que de uma outra forma: imaginação.

Não imaginação condicionada à possibilidade ou estritamente pela falta da mesma. Imaginação, nesse caso, desenvolve o que aparenta para um ponto de vista realista - não julgando quantidade de verdade presente no mesmo - que induz pensamentos, infelizmente, tristes.

Poderia ser um 'nada disso estaria acontecendo se', que também traria alguma decepção, porém menos intensa e infundada. Entretanto - e aí vem a antiguidade da coisa - o que é demonstrado leva do simples e trivial para o, nada menos do que terrível, "você nunca conseguiria". É irônico constar que não é a derrubada de uma quase inexistente autoestima o que é tão terrível naquela negação atemporal.

O que coloca em um patamar tão negativo a frase é a maneira como está sendo - insisto que implicitamente - exposta. Deixando de lado a parte paranoica que, garanto, não influencia essa visão, e focando apenas na intenção, possível, por trás de tais demonstrações, bom, não há como ter certeza de coisa alguma. A aparência é essa, a sensação é de haver essa intenção, boba, de querer demonstrar que o ontem não pode ser comparado com o ontem - mesmo que nunca tenha sido dito que o ontem tenha sido um padrão e obrigatoriamente devesse ser comparado com tudo o que fosse surgindo - e que é incrível também, e o que vem agora acentua ainda mais as impressões negativas, por ser tudo aquilo que, no fundo, sempre se quis.

Que a impressão de mentira no que pareceu um dia ser via de mão dupla, desapareça. Pelo bem do que foi, de um jeito jamais comparável, único. Mesmo que apenas um par de olhos admita essa verdade. E mesmo que tudo seja, hoje, tão somente uma antiguidade.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Ecos da sinceridade - Com a tristeza


Inconstante.

Difícil encontrar palavra que defina melhor os últimos dias. Dias de euforia, dias de decepção, dias de redenção, dias de lamentação, dias de sabe-se-lá mais o que e, enfim, dias de confusão. Tristeza, como o título evidencia. Jamais achei que seria eterna a alegria exponencial que havia derrubado inseguranças sobre um futuro, aparentemente, não muito promissor. Os pés no chão - chamados também de realismo - amorteceram um tanto uma queda provocada por...

... lembranças.

Recomeçar e deixar que Façam-se novas todas as coisas não evita - infelizmente - que fragmentos do passado derrubem a já quase caída euforia de momentos únicos. O problema está nessa unicidade clara de ambos os momentos, os poucos que geram euforia no presente e os lembrados que, sem dúvida, geraram euforia no passado. A distância do Sublime, por tantos pequenos motivos, ajuda nesse desentendimento com a própria mente.

Eu disse para ela, minha mente, que era passado, que o importante era a vivência do amor e da felicidade, que sonhos deveriam ser novos, sim, novas todas as coisas em toda a Terra. Por isso não me sinto culpado. Entendo, enquanto escrevo, que a minha falta de concentração, de atenção em palavras, sons e imagens, se estendeu até mesmo para meus pensamentos, minhas ordens para o meu consciente - e, ironicamente ou não, para o inconsciente também. Bem tentei e o fiz com vontade, pelas coisas novas e - sem ironias - pelas velhas, passadas, sim, pelas lembranças também.

A verdade que fica é aquela que a mente insiste em querer mudar. Não se muda uma verdade, ainda mais quando é espontânea e sincera, de uma hora para outra ou, nesse caso, de um pensamento para o outro. Berrei, e agora tento sufocar alguns outros berros, para que meus pensamentos fossem novos também, abrindo então possibilidades para novos pensamentos, para novas verdades.

Verdades. As que tenho não suprem a necessidade da mesma verdade que hoje, por ser tão somente lembrança, machuca. A tristeza é, evidentemente, amenizada pela certeza de que - bem ou mal - é melhor que sejam essas as verdades, uma vez que há felicidade nisso tudo.

Procuro a parte da felicidade que parece escondida por, nesse caso, meus pensamentos não poderem abafar uma tristeza apenas pela vontade, pela doação, pelas lembranças.

Estou, sem motivo aparente, feliz porém, essa história de sinceridade me impede de deixar passar que... estou parte triste, também.

*Verdade Absoluta, 
afasta de mim essa tristeza, 
preciso de Você.

sábado, 17 de setembro de 2011

A porta


Eu já não aguentava mais ver aquela porta abrindo e fechando como se não houvesse um amanhã. Havia um amanhã para mim sim, embora aquela porta insistente lutasse incansavelmente para me fazer acreditar que não. Quanto mais pessoas entravam, mais pessoas saíam e essa troca estúpida de rostos não refletia em acréscimo, decréscimo, nada. Tudo permanecia a mesma coisa e aquela porta continuava a abrir-se e fechar-se transformando em impaciência toda a minha despreocupação temporal. Antes que me chamem de egoísta digo que entendo que aquilo precisa acontecer porque todos tem o mesmo direito mas... por que parecia que aquela porta estava rindo de mim?

Depois de algum tempo, comecei achar aquilo tudo muito irônico. Logo eu, paciente até com a falta de qualquer coisa de todas as outras pessoas, estava impaciente por parecer estar no mesmo lugar há horas, embora o movimento fosse retomado toda vez que aquela maldita porta se fechava. O problema maior foi quando uma menina e uma senhora atravessaram aquela porta, aberta, e entraram rindo.

Não sinto inveja da alegria alheia mas, não, era demais. Aquelas pessoas não deveriam ter motivos para sorrir. Não tinha motivos para sorrir e ninguém que já tivesse passado por aquela tábua de metal em movimento há horas também não tinha. Ninguém então, em sã consciência, deveria sorrir justamente, e aí entendi qual era a ironia, ao atravessar a porta que levava ao começo do fim da paciência, da tolerância e até mesmo da compreensão de que, assim como toda agonia, aquela que estava sendo causada por uma opaca porta de metal também teria um fim.

A impaciência acaba, a angústia, geralmente, também, a intolerância é um estado passageiro que desaparece com o tempo. Tempo que não parecia existir quando me via preso, amassado e em frangalhos, sufocado e ridicularizado por uma lata, velha. O egoísmo tem fim quando entendo que o sorriso das outras pessoas era o único sopro de vida em plenitude que poderia me acalmar naquele momento. Não adianta pensar nisso agora, mas é elogiável(mas não muito) o raciocínio.

Quanto ao fim disso... bom, quem se importa com o fim?

*Aliás, há muito tempo não sei o que é fim. 
A falta de um final aqui prova que não estou mentindo.

sábado, 10 de setembro de 2011

Reflexões de um maluco (18)


Não quero que as situações sejam mais simples ou mais fáceis. Quero apenas que as situações sejam.

É bem fácil entender como acontece. Definir como montanha russa é precarizar, e até omitir, as consequências. Ao contrário da montanha russa - sobe, desce e, a menos que um idiota não tenha consertado uma parte estragada em potencial, nada acontece com a estrutura, nada acontece com os passageiros, exceto o medo, a adrenalina e a tola sensação de 'bah, é uma coisa indescritível', que não passa de bobagem - o efeito não estudado, sem nome ou definição, de um dia a dia com hifens obscuros pode trazer consigo efeitos catastróficos em algum ponto específico - ou na parte pelo todo, como gostam os poetas. 

Fácil é entristecer quem está alegre, derrubar quem está de pé e fazer cair quem nunca caiu. A semelhança dessas falsas diferenças com o efeito do dia a dia, seja ele 'culpa' do que chamam de 'a vida', 'o mundo', 'o tempo', 'a sociedade' ou - aquele que é mais patético - 'o universo', bem, essa semelhança é, como posso dizer sem parecer um anormal..., uma quase igualdade.

Aí você lê uma, duas ou três vezes e não entende o que está acontecendo, sobre o que estou escrevendo ou mesmo o que se sente quando se anda em uma montanha russa. Tudo bem, não precisa de nada disso agora.
Talvez agora sim.

A exaustão que uma rotina preenchida quase que por completo é um catalisador - ou seja, um agente que acelera algum efeito - para essa sensação de 'sobe e desce' do dia a dia. Esse 'bum' - como gostam de mencionar os psicólogos - psicológico(!) pelo qual passam 'os jovens' também acelera esses efeitos de alegria e tristeza quase misturadas, felicidade e decepção, lamentação e êxtase.

Mas o problema não é a 'fase', nem é 'coisa da idade' ou alguma coisa semelhante. O tal 'universo' que conspira contra todos aqueles que pensam na vida como um todo, e não apenas ao redor do próprio umbigo, bem esse 'universo' - para os que acreditam nele como causador da realidade - joga para baixo tudo o que está em cima, começa a subir e tem potencial para ser estrela, e não apenas faísca de bombril.

Se alguém tem um intelecto tão perturbado quanto o meu pode perguntar(mentalmente e nos comentários): Por que esse sujeito não é mais óbvio? Por que ele não tem capacidade?

Aí eu olho para você e respondo(mentalmente e quem sabe em um futuro "texto"): Capacidade de ser objetivo eu tenho, só não vejo moral em escrever duas frases quando posso escrever trinta e duas vezes treze.

É claro que eu poderia dizer que, seja 'a vida', 'o mundo' ou 'o universo' tem a incrível capacidade de trazer qualquer sensação ou sentimento ruim, como raiva, tristeza, decepção, mágoa ou afins, após - e não apenas após - momentos de espontâneos sorrisos e olhos fechados por lembranças boas. Se consegue(sempre) entristecer quem está feliz, por que não fazer o contrário e alegrar quem está deprimido?

Bife sem batata frita, um cônjuge amar pelos dois, segredo de duas pessoas guardado apenas por uma, e por aí vai. Falta uma metade, falta um pedaço, falta a outra parte, o complemento, o que junto faz ter sentido. Se derruba, como a lei da gravidade, que levante, como... um pai que joga o filho para cima dos ombros e o segura lá até que este tenha se cansado.

Cadê a outra metade do dia a dia? Será que isso acontece porque não coloco mais hifens? Ou é porque penso nessa 'existência'(?) que ela 'existe'(??) mesmo? Por que não existe uma 'gravidade' do 'universo' que empurre o que está no fundo, para cima, e faça com o que está caído levante?

Chega, antes que a criança canse dos ombros do pai e o texto perca todo o sentido.

*Eu não estou de mal com a vida, mau humorado ou quase no nível de 'espicaçar os rins'. Não estou sequer reclamando da 'vida', do 'mundo' ou do patético 'universo'. Apenas precisei escrever para demonstrar que tenho a leve impressão que os meus esporádicos, e isolados, momentos de felicidade estão sendo perseguidos, caçados, ameaçados e, sempre, arrebentados por alguma coisa, à qual a maioria dá o nome de 'a vida', 'o mundo' ou ainda 'o universo'.
Talvez seja só impressão. A sensação de esquecimento alheio e algo mais seja apenas uma semente para mais uma grande dose(quase inesgotável) de crescimento(improdutivo).

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pedaços de um pensamento (25)


Hoje acordei com vontade de dizer que me cansei do silêncio e que um grito não à toa seria fundamental para dar sentido a um dia que ainda não tinha começado de fato. Pensei bem, fiquei calado e por um longo tempo permaneci assim.

As gotas escorriam pelo vidro embaçado, os raios solares lá fora pouco conseguiam fazer com que franzisse minhas sobrancelhas. Escrever sobrancelhas é estranho, isso está certo?

Não pensei em palavras, não pensei em imagens, não imaginei estar escrevendo quando voltasse. Horas e horas depois aqui estou, quase saindo novamente para a parte final de uma rotina habitual que não traz alegria e nem sentimento de que tudo vale à pena, de que isso faz crescer, que é aprendizado para a vida e todas aquelas bobagens motivacionais de quem te conhece e acha que sabe como é viver de um jeito em que nunca viveram.

E não viverão em suas fases mais propícias a oscilações. Quaisquer oscilações.

Que não seja entendido aqui que ninguém sabe o que está acontecendo, que ninguém pode ajudar ou qualquer outro blá blá do qual usufruí algum dia para reclamar e esbravejar, sem finalidade inteligente, de um momento que parece demorar mais do que deveria.

Quando as gotículas da madrugada começam a escorrer no vidro pela manhã pode-se ter a sensação de que não haverá mais obstáculo para os olhos. Eles continuam em sua rotina de dor e não permitem que qualquer visão seja aproveitada. No fim, aquele embaçamento todo do vidro é uma desculpa para desviar o foco das palavras que não disse, do grito que meus pulmões não berraram e da mensagem que ficou na intenção.

Tão somente intenção.

Nada aconteceu porque nada fiz porém nada aconteceria mesmo que fizesse algo. Escrever, dizer, enviar ou apenas imaginar, nada disso fará com que tudo que é escrito possa ser tornado depoimento pessoal, palavras de quem não apenas sente, não apenas pensa, não apenas imagina. Mas sim, vive.

Seria contra alguma lamentação uma possível revolta, quem sabe uma luta, entretanto, não há razão para lamentos.

Aliás, não há razão.

Depois de deixar de lado sonhos, quem sabe sentimentos, deixar de lado razões é abdicar de quase tudo por... pelo que mesmo? 

Ah sim, pelas respostas de todas as perguntas que há meses atormentam.

Infelizmente ninguém sabe onde estão as respostas.

*Quanto às gotas no vidro, bom, elas desapareceram.

domingo, 28 de agosto de 2011

Reflexões de um maluco (17)


Mantendo o ritmo egoísta de escrever que dá a impressão de que o centro do meu mundo é o meu umbigo, continuo naquela toada de analisar fatos do meu cotidiano de uma maneira, talvez, bem racional. O que não faz diferença alguma, antes de mais anda.

Se fosse atender aos meus instintos mais profundos, escreveria um texto todo em letras maiúsculas, direcionado a uma pessoa específica que, como quase todas as pessoas do mundo, não irá lê-lo. Não é só por isso que não escrevo com agressividade e impulsividade sensacionalista. Tampouco quero provar que a pessoa estava errada ou que não passa de, mais uma, que não possui nada além de vermes inúteis na cabeça.

Expondo sarcasticamente algumas opções, o ocorrido que me leva a escrever teve acontecimento ontem pela manhã. Cedo. Com sono por aquela, e tantas outras manhãs seguidas de períodos curtos de descanso, não avaliei bem as consequências da sinceridade que estou tentando colocar ao limite máximo da possibilidade dentro do meu dia a dia( que, segundo o corretor do google, não possui mais hifens entre si).

Não há arrependimento pelo resultado final em si, embora esse não seja satisfatório, o que mais incomodou nessa relação sinceridade x escolhas foram as palavras ditas por aquela pessoa. Geralmente, psicólogos sabem do que estão falando, avaliam em vias gerais determinados comportamentos e conseguem explicar, com um tanto de verdade, as razões para tudo aquilo.

Porém, não foi o que aconteceu ontem, comigo.

Aquela psicóloga malemal ouviu sobre mim, sobre a minha vida, o que penso, o que sinto e o que me leva a separar o joio do trigo dia pós dia. Uma frase sobre o meu passado e pronto, já fui considerado incapaz de lidar com algumas situações. Dizer que reprimo minha raiva e controlo meus impulsos foi transformado em um 'você tem um comportamento EXTREMAMENTE agressivo'. Esse extremamente foi bem frisado por ela, me levando a pensar, já sozinho minutos depois, se eu possuo mesmo um gênio extremamente agressivo.

Não interessou dizer, sinceramente, que nunca bati em ninguém, que nunca discuti em público por motivos importantes, que não uso drogas e que tento corrigir meus defeitos a cada dia. Tudo isso é verdade mas foi ignorado por uma pessoa que viu em mim um assassino em potencial, um psicopata reprimido por uma sociedade... peraí, se a tivesse mesmo influência no meu comportamento, seria para aumentar os meus níveis de stress, raiva, agressividade e intolerância aos diferentes, e não o contrário.

Tem mais. "Você é muito rígido para com as próprias atitudes e isso potencializa o seu gênio agressivo e impulsivo". Como alguém pode dar um diagnóstico desses ouvindo frases como 'para descansar, gosto de ler, de ver futebol e de escrever, ah, até tenho um blog'? Como alguém pode me dizer o que eu sou capaz de fazer se sequer sabe por quais valores prezo?

Sinceramente, fiquei irritado com isso, mas só depois que saí daquela conversa. Na hora tentei entender o que ela dizia e, agora, vejo que ela não disse nada com nada e fez uma avaliação precária e incorreta, baseada em riscos verticais do mesmo tamanho e pequenos adjetivos em frases curtas. Poderia ter mentido e dito coisas que encheriam aqueles ouvidos de ânimo. Talvez o diagnóstico fosse menos superficial.

Bom, paciência. Nem vou comentar o "você é incrivelmente emotivo e não sabe lidar com isso pois é muito inseguro e leviano em situações que exijam de você firmeza sentimental" logo após ter dito que eu me cobrava na faculdade muito mais do que os meus pais me cobram.
Essa é a grande prova de que a famosa frase dita por algum filósofo desocupado que diz que "Você é o que os outros vêem" não passa de algumas palavras que juntas dizem tanto nada quanto a frase "Ãhn, pode ser que sim, pode ser que não".

Ponto.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Reflexões de um maluco(15)


Prometo, para qualquer um ler, a mim que essa será a última vez que passo meus dias dessa maneira. Não que amanhã tudo será diferente, minha vida será sorrisos e pulos de felicidade. Não tenho pressa para sentir-me melhor do que hoje, para entender-me melhor do que hoje e para concluir, ao contrário de hoje, que tudo isso é desnecessário e uma completa idiotice. Assumo-me como ser extremamente limitado, preso às próprias vontades e cercado por alguma coisa mais potencialmente perigosa que arame farpado. Tudo isso no plano mental, naquela grande baboseira chamada 'consciência' ou, indo mais além com alguma ironia, 'inteligencia racional'. Porque toda razão é burra, é radical e cega. Toda razão leva aquilo que tantos, inclusive eu, dizem ser necessário, a tal da 'autorreflexão'. Quanta bobagem planejada e idealizada por mentes inertes e insossas. É uma vergonha para mim perceber que tudo isso não passa de uma tentativa, invariavelmente fracassada, de encontrar respostas para perguntas não feitas e caminhos em lugares inóspitos. A certeza de que é uma fase pode até confortar mas não ameniza qualquer decepção com a própria ideia, talvez até coerente, de seguir uma razão, uma ideia, um plano 'inteligente' de dar passos para frente, subir escadas e alcançar um nível acima do qual se está. 

Aquela bobagem toda de crescer, amadurecer, evoluir como ser racional e, sejamos idiotas ao acreditar que a consequência disso é crescer também como ser emocional. Porque afinal de contas, sempre induz-se que uma sabedoria vem do conhecimento, que vem da inteligência que, desde criança nos ensinam, vem do ler, escrever, ouvir, aprender, estudar. E isso vem da razão. Contudo, estou mais do que enojado com essa fase 'vamos entender tudo o que se passa para que isso não se repita'. Se houver repetência, algum problema? A vida é de quem, minha ou daqueles que vão, como todos os falsos profetas, dizer 'eu avisei'. Esqueçam disso tudo, o que se faz baseado no que se pensa tem um começo extasiante, um meio vazio e um final... bom, não há um final para tudo que começa por um pensamento. Ideais e convicções só tem valores quando partem de sonhos, com um mundo melhor, com uma sociedade mais justa, com uma convivência mais amena e relacionamentos mais amorosos. E nada disso vem da razão, nada disso vem do pensar. A consciência de acertar com isso é a única que tem algum valor concreto.

Atirem as palavras e critiquem, tanto faz, eu não aguento mais aprender, pensar, entender, raciocinar e tornar razão tudo o que está acontecendo, nada do que está acontecendo ou se está acontecendo alguma coisa. Chega dessa estupidez de 'eu penso que vai ser bom' ou 'é real a possibilidade de você ser alguém melhor com isso'. Não que alguém tenha dito isso, mas certamente em algum lugar um conselho parte desse preceito e daquele que, arrogantemente, diz ao 'bom amigo' que 'eu sei o que estou dizendo a você, confie em mim, eu já passei por isso'. Sabedoria falsa, vivência exclusiva e intransponível. Tudo isso cansa, tudo isso me cansa.

Tanto quanto me cansa correr por muitos e sequer receber um passe em condições de marcar um gol. Eu jogo pela equipe, corro pela equipe, marco pela equipe e na hora de fazer gols pela equipe, não recebo assistências, ninguém é solidário para comigo. Por que razão, estúpida ou aceitável, eu continuo aceitando quando alguém me diz que 'é preciso jogar pela equipe' ou 'é preciso marcar pela equipe' ou ainda o pior 'é preciso ser uma equipe'. Que equipe é essa onde ajudo e sou induzido a pensar, e aqui entra mais algumas gotas de nojo, que eu é que sou individualista e nada faço pela tal equipe.

Isso não existe, essa razão é egocêntrica e não sou eu o centro dela. Ainda bem que, além de perceber, começo a assimilar isso para minhas atitudes. As reclamações que vem de fora, com muitas cobranças e pouca boa ação como exemplo, estão destruindo parte da minha tolerância. Exaustivo é continuar assim, para todos os lados sendo equipe e, sozinho em minha mente, perceber que não há equipe também por mim.

Espero estar quase no fim de mais essa etapa inepta. Não sei por quanto tempo isso ainda vai durar porém, escrevi na primeira frase, prometo a mim que será a última vez que qualquer razão vinda do senso comum do aprendizado irá prejudicar-me tanto. 

Última vez em que tantas insignificantes coisas fazem um estrago desproporcional no meu viver.

sábado, 16 de abril de 2011

E alguém se importa com o que eu escrevo?


Tire a espada de um cavaleiro medieval e o que teremos? Um idiota com uma proteção de metal, inofensivo e impossibilitado de fazer seu trabalho, combatendo outros cavaleiros de outros reinos ou, sei lá, alguma coisa do gênero há mais de 650 anos. Ele não deixa de ser um humano, não deixa de pensar, de falar, de caminhar, só não pode fazer todo o trabalho que faz. Pegar uma pedra e, à la Davi, atirar na cabeça dos outros não é prático e, em uma guerra, seria patético. Estranho como querem que as pessoas, trazendo-as para os dias de hoje, esperam fazer alguma coisa sem que tenham consigo o essencial para que tal coisa possa ser feita. É muito mais preparação e treinamento do que instrumento, coisas que se pegam na mão. Um grande feito não surge primeiramente por uma espada, uma caneta ou um tijolo. Grandes construções começam com pequenos projetos nas estruturas. 

Há compreensão nisso?

Jogar-se de cabeça em algum projeto sem estar preparado, ciente da responsabilidade e da finalidade, sendo isso o essencial básico nesse caso, é querer arriscar o que se tem por algo que dificilmente se conseguirá alcançar. Não que falte vontade, não que sonhos sejam impossíveis mas, será que é tão difícil buscar uma maneira mais próxima da realidade para fazer isso sem, por consequência, jogar fora muito do que se fez e no fim não ter tudo o que se esperava?

Se não havia compreensão antes, muito menos agora.
A pessoa não escolhe o que vai aprender mas pode tentar escolher quem vai ensinar. Não escolhe o que vai acontecer mas pode escolher quem vai fazer parte disso. Também é impotente para escolher o momento porém pode, e como pode, atentar aos detalhes e ver que o problema não era tão grande, o obstáculo não era tão difícil e o sonho não era tão impossível.

*como um grande jogador se firma no hall de um clube, 
luto por um lugar no hall dos escritores de tigela alguma.
Quero, não devo. Quero, não posso. Quero, não consigo. Pois é.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pedaços de um pensamento(3)


Um grande erro cometeu quem teve a ideia estúpida de inventar um vidro que somente refletisse as imagens: o espelho. Sinceramente, admirar-se frente a ele é uma atitude que, para a grande maioria, apenas serve para inflar o ego. As pessoas não sabem lidar com egos inflados. As pessoas não sabem mesmo. Dias vão, voltam e em alguma dessas passagens param e as pessoas não querem então, em específica passagem, ver a sua imagem refletida. Por vergonha, tristeza ou lamentação. Por remorso ou qualquer outro motivo externo. As pessoas não sabem lidar também com egos vazios. Entre beirar a arrogância e necessitar encarecidamente de alguém para colocar algumas moléculas de oxigênio humano no seu ego está a posição onde essa coisa chamada 'eu' deveria estar. Quantos conseguem? Não importa. Sei que hoje eu não quero me olhar no espelho, mas também não quero que alguém venha me ajudar a encher esse ego. Cada vez mais longe da arrogância, no meio desse marasmo de bondade que penso em tachar de patético, estou com a certeza de que deveria aconselhar todas as pessoas a nunca esperarem por outras. Não que terminaria o conselho com um 'vá à luta', muito menos com um 'não fique esperando, tome uma atitude, coragem(cão covarde)'. Nada disso. Nunca espere de alguém porque você sempre vai errar, sempre vai querer nunca mais esperar e, por ser, como diria meu avô, burro e bobo, voltará a cometer esse erro. Esperar. É sina, é hábito, é erro e é burrice. Não espere de alguém alguma coisa. Uma palavra que seja. Ou menos, uma simples menção de que há uma vida do outro lado, na outra pessoa, que pelo menos faça de conta que você é mais do que parece ser. Não seja arrogante, não seja egoísta, não viva sozinho. Conviva com as pessoas mas não espere alguma coisa delas. Viva. E, por favor, tenha discernimento para não ficar achando que eu quero levar mais pessoas para o estilo de vida pseudo-antissocial que levo.

No mais, espere apenas pelo que Deus lhe reserva. Esse sim não decepciona, não infla e nem deixa murchar aquela parte que eu insisto em chamar de ego.

*escrito no impulso

*esqueci de mencionar antes,
em 12 de Fevereiro este blog não comemorou 4 anos.
4 anos!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Próprio


Tanto faz pedir, mostrar, explicar. Não vai adiantar, esta é uma via de mão única, não há dupla convergência de palavras, de significado. O disfarce de possível elevação futura pela comparação com pessoa já em posição elevada é enganoso, é falso, ilude principalmente quem vê nele uma explicação que não justifica qualquer aproximação de dois elementos para dizer o que falta em um, apenas em um. Uma vida de comparações que não elevam, não ajudam a crescer, não trazem desenvolvimento algum. A lamentação de não ser como queriam que se fosse derruba, enfraquece, subjuga aos exemplos alheios, à vida alheia. Passa-se a pensar que não se precisa ser nada próprio, apenas uma cópia em cores de alguém que, na maioria das vezes, não passa de um exemplo raso, superficial. Se cada mente é um mundo, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, por que então comparar quem sou e o que faço, colocando isso como inferior perante o que outra pessoa é e faz? Uma faca para destro não é muito eficaz quando usada por um canhoto, então uma característica de uma pessoa não precisa ser característica minha. Nem todos conseguem ter atitude, nem todos conseguem ter coragem, nem todos conseguem ter um conhecimento próprio significativo. Acabem com essa história de lembrar do que o outro amigo diz em certa hora, do que aquela pessoa faz em determinado momento, parem de dizer que precisa agir da mesma maneira que outra pessoa agiu, em outra situação, em outro contexto, em outra vida. Uma vida que não é a minha.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Reflexões de um maluco (13)


Uma soma de singnificados que dizem tanto quanto nada. Ficar calado seria uma boa opção porém inviável. Não é a boca que fala, é a mente. Cale sua mente se for capaz. Mande seu coração parar de bater então, pode ser? Essas vozes não calam, você pode apenas ignorá-las, fingir que são um nada. Possibilidade inescrupulosa, talvez conveniente, mas insensata. Não que ouvir algumas batidas e outros pensamentos seja muito sensato, é claro. Como claro é o entendimento da explicação de tantas outras coisas. Cordas prendem mãos, pés e o resto do corpo. Cordas permitem um andar limitado, pois alguém as puxa, faz delas instrumento para impedir passos ou qualquer outra coisa. Não há como pensar quando estou sendo sufocado por cordas que colocaram em minha vida através da minha conturbada e um tanto insana mente. Separadas ao menos uma vez.

Do implícito ao mais que explícito. A exigência de provas somadas à cobrança um pouco excessiva trazem a obrigação. De mostrar, demonstrar, provar. Fazer valer o que se espera, o que se quer. De fora para dentro, das cordas, das limitações, das imposições para o ser, para o agir, para o eu. Meu eu. Preso e na obrigação de provar capacidade, valor, atitudes, sentimentos. Criam-se expectativas por razões diversas e nada faz delas menos presentes do que cordas que puxam meu pescoço, meus braços, minhas pernas e até minhas próprias palavras.

Cheguei à conclusão, com muita água na cabeça e nenhuma na boca que consigo viver e fazer valer qualquer verbo sob pressão. Transformar em realidade as expectativas não é tão ruim ou difícil. O grande problema, eis então a razão de um desgaste absurdo, é precisar, necessariamente, obrigatoriamente, fazer tudo isso. Provar tudo isso. Demonstrar tudo isso. Aquilo. Sei lá mais o que. Querem que faça valer à pena investimentos no estudo, na vida. Que demonstre sentimentos, amadurecimento, verdade e coerência. Que prove com atitudes que palavras não são em vão, que oportunidades não são dadas para a pessoa errada, que qualquer sonho possa ser merecido, quando surgir. Ter de fazer, sob pena de perda, de afastamento, de julgamento precipitado, dentre tantas outras punições, desgasta e torna exaustiva qualquer relação.

Aprendi tempos atrás a ser exigente. Antes de mais nada comigo mesmo. Assumo metade da culpa por não aguentar mais provações. Tenho exigido mais de mim do que quase todos no mundo que a mim estão relacionados. Faz-se necessário aprender, corrigir, melhorar, evoluir, fazer mais, aproveitar mais, ocupar mais espaço em um tempo propriamente meu, enfim, muito mais. Exijo de mim sem a flexibilidade que exijo implicitamente de qualquer outra pessoa. Até porque, não acho justo exigir algo de alguém que não seja eu.

Nesse ponto, tenho estado no limite. Entre a terra e o ar, entre fogo e água, entre direita e esquerda. Sem pender, sem fazer parte do meio termo, sem nada. No limite entre ambos para tentar tirar o máximo de ambos. No limite da minha razão e de qualquer sentimento que possa ter. Exigido, cobrado, pressionado, posto à prova. Não sei quanto mais aguento. O pior que pode acontecer é decidir ser indiferente a tudo isso, escolhendo a eventualidade e a casualidade como regras de vida. Possibilidade quase inexistente. Porém, cansa, desgasta tentar ser o melhor que se pode ser, sempre. Ou ainda superar limites sempre. Tentar melhorar sempre. Tentar corrigir erros próprios e de terceiros, sempre. Provar que se é de verdade, com palavras verdadeiras, com sentimentos sinceros, com intenções significativas, sempre, sempre, sempre.

Não, não há especificidade, não há reclamação, crítica ou ofensa. À pessoa, situação, palavra ou momento. Eu só precisava escrever que, resumindo em uma frase, não acho justo ter que provar ao mundo quem sou, o que penso, faço e sinto. Sempre.

sábado, 1 de janeiro de 2011

O de hoje é o de sempre


Seja por costume, porque todos fazem isso ou por qualquer outro motivo, as pessoas comemoram a troca de ano como se fosse algo realmente importante. Não vejo graça em fogos de artifício e afins que quase estouram nossos tímpanos. Não vejo graça em ficar olhando para pequenos riscos coloridos de pólvora queimada, imagine ficar olhando 20 minutos para isso então. Ficar no meio de milhares, quem sabe milhões, de desconhecidos, grande parte com a superstição boba da roupa branca e das roupas de baixo vermelhas, que coisa legal é essa que não vejo? Seja qual for o porquê, não interessa, eu não me interesso por isso, não acredito nas superstições, nas galinhas que ciscam para trás(????) e nos porcos que fuçam no chiqueiro imundo para frente(?). Que perda de tempo para arrumar, pensar no que pode ou não. E daí se as meias que eu usava às 00:00 de 2011 eram pretas, o tênis era preto, a camisa era verde com cinza e a bermuda era marrom. E daí? A minha vida será terrível ou o que? O verde, o preto, a taça quebrada, comer massa com maionese e beber vinho espumante chocho, qual o significado disso? Meu ano será terrível segundo os astrólogos, numerólogos, corólogos e estupidólogos? Se sim, uma resposta: obrigado, que meu ano seja exatamente assim como vocês dizem.

O único ponto em comum é o desejo de que todos aqueles por quem guardo um sentimento, muito ou nem tão intenso, mas sempre sincero, tenham em suas vidas as coisas boas que merecem e as coisas ruins pelas quais precisam passar. Que tenham saúde, coragem, discernimento e fé.

Porém, desejo-lhes todos os dias, com a mesma intensidade que desejei em mensagens ou em oração nessa troca de ano.

É só mais um dia. Ou melhor, dois.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Da mentira, o desdém


Eles falam que não querem, que não precisam, que tudo isso é bobagem. Falam que é passado, que não importa mais. Falam com desdém inigualável, tentando demonstrar repulsa somente pela lembrança. Falam e mentem, pois sua natureza é mentir, aprenderam que, quando não se tem uma coisa, deve-se desdenhá-la, fingir não querer, fazer de conta que é bobagem, que não se precisa de tal coisa. São criados para mentir, para fingir, pela e para a inverdade. São criados para serem falsos. Por isso são culpados apenas dois terços por serem o que são. Poderiam sim, mudar, escolher não mentir, não fingir, demonstrar a verdade mas não, acomodaram-se e passaram a fazer parte de um mundo comum, rotineiro, mentiroso. Passaram a defender esse mundo. Eles mentem, continuam fingindo que não, mas sabemos que é mentira. Porque eles querem. Eles desejam. Ambicionam. Sonham como crianças inocentes, fantasiam ilusões irreais. Tão irreais quanto suas verdades mentirosas. Coitados, quem abre os olhos por poucos milímetros e alguns segundos vê claramente que são apenas mentirosos.

Incomoda um tanto considerável seu desdém. Irrita, perturba, chateia. E irrita novamente. Porque a mentira quando entra em um lugar não habituado a ela faz isso, irrita, perturba, faz sujeira, deixa sujeira. As verdades sobressaem quando seus emissores não são covardes. Profetas da verdade, de verdade, não mentem, pois a verdade está com eles e eles a fortalecem, fazendo-a imperar sobre uma mentira casual e mísera que possa surgir. 

A verdade impera quando não há um cômodo transmissor de si.

Antes de pensar no que você está sentindo, pense se você está sentindo alguma coisa. Muitas vezes a superficialidade de uma suposição leva ao irreal, à fantasia boba, à mentira. Porque um sonho mentiroso é medíocre.

Tão medíocre quanto aqueles que desdenham o que querem, mas não podem ter.