quarta-feira, 10 de março de 2010
Apenas história? Que história?
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Histórias do Bandiolo - Não se pode ter tudo, ou ser tudo
- Ei, Senhor do universo, por que eu não posso brilhar tanto quanto o Sol, e assim iluminar tudo e todos a todo momento, transformando todas as horas do dia em momentos de luz, claridade?
E Deus, na sua indiscutível e infinita sabedoria, respondeu à Lua:
- Eu quis que fosse assim, que os dias tivessem manhãs e tardes regidas pelo Sol, e as noites e madrugadas regidas por você. Simples.
- Mas Deus, não me conformo.
- Veja bem. Se os dias fossem todos claros, os homens não teriam um momento propício para dormir, e acabariam com suas vidas mais cedo, pela falta de descanso.
- Não quero saber dos homens. - respondeu a já inconformada Lua.
- Está bem. Eu sabia que as minhas respostas não seriam suficientes. Mas está nos homens a principal razão de você não transformar as noites em dia.
- Eu já disse que...
- Me deixe terminar, acalme-se. Se você iluminasse tanto quanto o Sol, os homens acreditariam ser possível sim, alcançar a totalidade de produtividade, e esqueceriam-se de suas vidas. Também sem noites, os homens sofreriam muito mais até aprender que após cada noite, cada madrugada, cada escuridão, sempre há um Sol que nasce para iluminar seus caminhos. Desconhecendo a escuridão, eles ficariam cada vez mais cegos, achando que tudo pode ser luz, claridade, calor, quando você sabe que não é verdade. Por isso você existe Lua, e por isso rege a noite, a escuridão.
- Mas Deus, eu não poderia iluminar um pouco mais? Eu bem que poderia...
- Contente-se com o seu brilho, a sua luz, eles são fundamentais para a existência física e emocional dos homens. E deixe de ser boba, Lua, você recebe muito mais elogios do que o Sol. Porque você 'está linda', 'o seu luar é lindo', 'essa Lua está fantástica', 'esse luar é muito romântico, enfim, você sabe do que estou falando.
- Mas o Sol nasce e se põe, e ganha elogios também.
- Entretanto, o verdadeiro calor humano só é sentido à noite, quando não há mais calor do Sol para atrapalhar essa percepção. Abraços ternos, cheios de amor, são muito mais sentidos quando há a percepção do calor da outra pessoa. E ainda por cima, você, mesmo que menos do que o Sol, guia muitas pessoas durante a noite, iluminando seus caminhos para que cheguem aos seus destinos mais tranquilamente. Você faz os homens pensar, pois é durante a madrugada que eles podem ter uma paz que de dia não conseguem, e é você que os ilumina, mesmo que sem grande intensidade, nesses momentos.
- Deus!
- Diga...
- Por que os homens pensam que sou feita de queijo?
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Histórias do Bandiolo - E o que te importa?
Quando uma das senhoras presentes desmaiou, indo ao chão como se esse fosse um macio cobertor, todos ficaram apavorados, principalmente seu marido, um senhor muito estranho, o que agora não vem ao caso. Logo tentaram levantá-la, abanaram, sopraram e tentaram reanimá-la, reacordá-la ou qualquer coisa que pudesse dar-lhes a certeza de que estava viva.
Mas nada.
Até que alguém teve a brilhante ideia de jogar um pouquinho de água em seu rosto, o que deveria trazer alguma consequência positiva. Foi então a outra senhora presente até a cozinha da casa, que era do casal cuja mulher havia desmaiado, mas logo foi seguida pelo dono da casa, o estranho homem já citado, que disse:
-Deixa que eu pego a água, se não você acaba enchendo o copo e isso não é preciso, porque a água é cara, temos que economizar.
Sem entender direito, mas preocupada com sua vizinha, amiga, ou o que quer que seja, deixou que o homem pingasse algumas gotas em um copo e atirasse no rosto da mulher.
Ela abriu os olhos. Alívio geral. Mas quando disse 'me levem para o hospital porque estou mal', todos voltaram a ficar preocupados. Então carregaram-na até o carro dos visitantes, já que ele estava supostamente mais próximo da rua, ou seja, demoraria menos tempo para sair dali. Os visitantes sabiam que ele era mão de vaca e não queria gastar gasolina, mas nada disseram, pois eram generosos e achavam aquilo engraçado.
Antes de saírem, o dono da casa voltou até ela e pegou uma grande quantidade de folhas, que pareciam ser documentos, jogando-na dentro da bolsa da sua mulher, que iria no banco da frente. Sem saber o que eram aqueles papeis, o visitante ligou o carro e partiram.
Era uma subida longa, mas mesmo assim a mulher que havia passado mal estava com a cabeça inclinada para frente, como se estivesse vomitando. Então sua amiga, do banco de trás, tentava, em vão, manter o pescoço, a cabeça da mulher reta, para que não piorasse.
Seguiram o caminho até que, curiosamente no fim da subida, a mulher ergueu a cabeça, encheu o peito e disse:
-Achei o cartão do plano de saúde.
Seu marido quase soltou foguetes de tanta alegria. Seus amigos ficaram olhando, sem entender muito, até que o marido da doente disse:
-Vocês acham que eu ia gastar dinheiro com uma bobagenzinha dessas? Ela tem essa porcaria de cartão de plano de saúde, então que use já que está passando mal, eu não vou gastar um centavo com um desmaio dessa mulher que tá só carne e osso.
Parecia que ele havia enchido a sua mulher de glórias* mas não, ele era assim, o tempo inteiro. Depois daquilo, nenhuma outra palavra foi dita, nem depois que saíram do hospital.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Histórias de uma vida não vivida(14)
Saiu de casa apenas com uma mochila nas costas. Mochila? Aquilo mais parecia um pedaço de pano enrolado e com as extremidades presas por algumas coisinhas que pareciam grampos. Saiu de casa sem levar roupa ou comida na mochila. Tinha apenas um livro, um cartaz de publicidade e umas poucas moedas. Era com aquilo que viveria, na melhor das hipóteses, as próximas semanas.
Em busca de um sonho. Sonho que seu pai lhe ensinou a sonhar. Um sonho que veio de seu avô e chegou até si. Inicialmente apenas um sonho, mas ele viveria e faria tudo para realizá-lo, por si, por seu pai e também por seu falecido avô. Lutaria, faria guerras, moveria montanhas e cavaria buracos intermináveis se fosse preciso. Não mediria esforços.
Chegando na cidade grande após dias e mais dias de viagem, nada viu. Não havia uma pessoa na rua. Estaria no lugar errado? Viu as placas, mas não sabia ler. Não sabia o que eram muitas daquelas coisas. Só sabia que queria lutar, que precisava lutar, que seu sonho era lutar e conquistar o mundo com lutas. Lutas justas. Lutas onde provaria seu talento, seu valor, sua força, sua coragem, seu sonho.
Sem saber para onde ir, quase morto por dias sem comer, parado na entrada de uma cidade vazia. Não sabia para onde ir, como ir, o que fazer. Sentiu um cheiro de comida e, com um instinto olfativo que mais parecia de um cachorro, foi até o cheiro. Mas não pode comer, suas moedas não foram aceitas, embora fossem do ouro mais puro extraído no pé da montanha onde vivia. O que faria? Não sabia para onde ir.
Tentou falar com o homem, mas não conseguia. Sua voz o abandonara, parecia não ter mais garganta, tamanha fome e sede. Sem poder dizer nada, saiu do local e olhou para os céus. A chuva era iminente. Chuva? Tempestade. Dito e feito. Malemal chegou ao final da quadra e, mais uma vez sem saber para onde ir, começou a chover. Temporal forte, chuva de granizo, raios ensurdecedores. Os boeiros começaram a entupir, o nível da água na rua começou a subir, e ele, mesmo guerreiro, estava com fome, fraco, sem saber para onde ir.
Perdido. Desiludido. Aquilo então era a cidade grande, onde ele poderia lutar e realizar seus sonhos. Aquilo. Enchentes também aconteciam perto de onde morava, então por que não poderia conquistar o mundo ficando em sua casa, com seus pais, bem alimentado e sem todo aquela terra cinza que fazia quase sangrar seus pés descalços. A aparência era diferente mas as coisas eram iguais.
A enchente tornou-se uma catástrofe natural de dimensões gigantescas e prejuízos incontáveis. E ele lá, afogando-se no meio de um lugar que nenhuma esperança de vitória lhe dava. Seu sonho ficava cada vez mais distante, mas ele não desistiu. Subiu na estátua do presidente do país que estava na praça, também inundada e ficou sentado lá. Esperando que o nível da água baixasse e que então ele pudesse procurar alguém que pudesse lhe ajudar com seu sonho.
Não tinha mais forças. E a situação piorou quando um helicóptero da televisão mais assistida do país o filmou. O povo considerou aquilo um atentado contra o governo, o início de uma revolta. Ele não falava a língua da maioria, saíra do interior falando apenas um dialeto local. Vinha de longe, não sabia nem que onde vivia era um país. O que era um presidente então? Ele sequer entendia essas palavras.
Então a enchente já não importava mais. O que importava para o povo, para o governo, para o mundo era que algum rebelde estava sentado na cabeça da estátua do presidente. Fazer protesto durante uma enchente era algo inconcebível para todos, mas acharam que era isso o que ele fazia lá. Aproximaram-se e tentaram conversar, mas ele nada dizia. Não tinha forças, não tinha mais esperanças.
Então, quando ele colocou a mão na sua 'mochila' de panos completamente encharcados, atiraram e mataram-no. Ele puxaria uma arma daquela sacola de pano, pensaram. Que nada. Queria mostrar a eles o livro, o cartaz, por que estava ali. Sua voz, que já não era ouvida desde que ali chegara, calou-se de vez. Seu sonho de conquistar o mundo lutando, de maneira justa e sem ferir ninguém a ponto de matar, acabara ali. Uma arma foi colocada propositalmente em sua sacola para justificar o tiro. Mataram-no sem razão alguma.
Para onde quer que tenha ido, levou consigo seu sonho. Queria ser um lutador, daqueles que quebram madeiras com as mãos sem dificuldade alguma. Queria apenas conhecer o mundo lutando, justa e honestamente. Não teve tempo de pensar que seu sonho acabara ali, que sua vida acabara ali. Não teve tempo. De lutar, de sonhar.
O mundo conspirou contra si. As pessoas não o conheciam mas já o odiavam. Sem apoio, sem ser entendido, sem ser reconhecido. Mas é provável que, se algum dia alguém encontrar com ele no céu e perguntar 'você teria ficado em casa, bem alimentado, trabalhando com seus pais e vivendo longe do mundo se soubesse que morreria daquela maneira?', ele responda 'jamais, pois assim teria abdicado de viver, mesmo que por pouco tempo e da pior maneira possível, um sonho que não era apenas meu'.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Histórias do Billi J. - é sempre bom conhecer velhinhas que trabalham catando lixo
Por tanto tempo o Billi J. correu atrás do que queria sem sequer saber como. Amou, apaixonou-se, quis, sentiu vontade e tantos outros sentimentos que não me vem à cabeça. Mas o Billi J. sempre foi um injustiçado pela sociedade.
Porque ele era, e é, diferente.
O Billi J. sempre fez as coisas do jeito certo, sem magoar, machucar ou mesmo tentar prejudicar alguém o mínimo que fosse. Jamais ignorou a vontade e a vida alheia em busca dos seus objetivos. Quando achava que não conseguiria ou que algo errado aconteceria, desistia. Abdicava da sua vontade para evitar que algo ruim acontecesse.
Perdera o medo de tentar mas ainda era receoso quando o assunto lhe pudesse atingir negativamente. Por várias vezes voltou para casa com um sentimento estranho, uma mágoa consigo mesmo. Aquele remorso, tanto dito hoje em dia.
O Billi J. queria que as coisas fossem diferentes. Queria ser um pouco que fosse diferente. Mas não conseguia. Porque tinha medo de ser apenas mais um.
Não merece ser chamado de idiota, pois tenho a certeza de que existem vários Billi's espalhados pelo mundo. Várias pessoas corretas, que mesmo sendo minoria, ainda lutam para que o certo seja o certo.
Mas o Billi J. aprendeu um dia, com uma sábia velhinha, enquanto ambos catavam lixo(ela para sobreviver e ele para ajudá-la e para ajudar na limpeza da cidade), que o seu erro não era achar que fazer o certo era o certo. Seu erro, aprendeu ele com aquela pobre velhinha, era julgar-se pequeno em um mundo de grandes.
Ora, aprendeu ele, o mundo não é feito por gente grande. É feito por gente pequena, que faz coisas pequenas com grandes repercussões. Infelizmente, negativas em sua maioria. Mas que pequenas atitudes positivas poderiam, e aqui fica bem expecificado que poderiam e não que iriam, trazer grandes boas repercussões.
O Billi J. perguntou perguntou-se como poderia tal velhinha dar-lhe um conselho tão bom. Não achando resposta, voltou para casa pensando no que faria. E, durante o caminho, fez tudo o que pensou que poderia fazer. Xingou um cara que havia jogado lixo no chão, elogiou a linda ruiva que por ele passou, cantou alto "I'm a loser - Beatles" no meio de uma reunião ao ar livre do GDL(grupo dos depressivos locais) e ainda por cima fez a piada do sorvete de abóbora com o vendedor da rua onde ele morava.
Sem saber ao certo como, sentia-se melhor. Não só por ter feito o que fez, que acaba não sendo grande coisa. Não só porque ele fez o que queria fazer no momento. Sentia-se mais capaz, mais habilitado. A fazer as coisas e a viver.
Descobriu então, em um blog, que aquilo que agora ele tinha era autoconfiança*.
*só se deve usar hífen em palavras cujo prefixo seja auto, contra e extra e as mesmas forem seguidas por palavras iniciadas por H, R ou S.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Histórias do Bandiolo - Lembrem-se sempre das pequenas coisas...(continuação)
...Com o tempo, outras pessoas foram aderindo a esse “vamos pensar povo burro e não vamos aceitar as manias daquela mimada arrogante” e a turma se dividiu em dois. A rua, por influência da outra, cujas façanhas de bloqueio do estrelismo daquela que o possuía, também se dividiu em dois grupos. Logo, a cidade estava dividida em dois grupos. Poucos sabiam o porquê dessa divisão e como uma guria só conseguiu dividir uma cidade em dois blocos. Era uma guerra fria dentro de uma cidade e por motivos patéticos. Porque só a estrelinha dessa história(que não ganha nome porque eu cansei de colocar nomes nas minhas histórias) não gostou de ter sua opinião contrariada por outra guria, inferior a ela(na cabeça da personagem principal do texto)(guria cujo nome também não foi revelado porque histórias sem nomes tornam-se mais enroladas, toscas e, também por isso, tenham mais relação comigo).
E aquilo avnaçou. Ficou parecendo a divisão de Springfield num episódio dos Simpsons, ou até a Guerra Fria mesmo, só que em menores proporções. O que era birra, passou a ser mais do que birra(óbvio), mas era uma coisa estranha. Porque aqueles que não agüentavam aquela metidinha arrogante e pretensiosa, não deixavam de cumprimentar aqueles que estavam do lado dela. Mas esses não cumprimentavam aqueles só por aquela bobagem mesmo.
O tempo foi passando e a bocó da personagem principal da história teve um problema de saúde. Precisava de uma doação(não importa o quê, importa sim é quem). E adivinhem quem era a única pessoa que poderia doar para ela o que ela precisava? (eu preciso escrever uma bobagem previsível uma vez na vida...) A guria que ela julgava inferior.
Só que ela não aceitou a doação. Preferiu morrer ao invés de receber a doação(de alguma coisa não definida) daquela que tanto criticava. Mas no seu testamento(!!!), deixou escrito um punhado de bobagens, coisas como “continuem com a minha luta contra aquela atrevida que sempre me contrariou porque tinha inveja de mim”, mas no final, explicou o real motivo de toda a raiva que tinha daquela guria inferior. Na última linha do testamento, estava escrito, em letras maiúsculas(como será retratado aqui): “EU SEMPRE ODIEI AQUELA PESSOINHA INFELIZ PORQUE ELA USVA UM BRINCO DE ESTRELA QUE EU PROCUREI EM TODOS OS LUGARES DO MUNDO E NÃO ACHEI, ODEIO ELA E NO OUTRO MUNDO TAMBÉM ODIAREI ELA. MAS EU VOLTAREI, NEM QUE SEJA PARA ROUBAR AQUELE BRINCO”.
Morais da história:
1-Toda mentira tem um fundo de verdade;
2-Toda história desse blog se baseia em alguma coisa, verdadeira ou mentirosa;
3-Nem toda história precisa ter uma moral, mas essa tem;
4-Para acabar de vez com essa bobagem, a moral é algo como “pequenas coisas podem fazer grandes estragos”.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Histórias do Bandiolo - Lembrem-se sempre das pequenas coisas...
Contrariando a regra que muitos têm na cabeça, ela era inteligente. Estudava muito, tirava boas notas, fazia trabalhos e afins, mesmo que nada valessem. Estava sempre lendo, livros, revistas, jornais, o que contivesse letras ela lia. Até coisas em outras línguas ela lia. Porque afinal, pessoas inteligentes, geralmente, sabem falar, e ler, em outras línguas.
Simpática, alegre, enfim, tinha muitas outras qualidades. Mas julgava-se boa demais em tudo. Achava-se a mais inteligente, a mais bonita, a mais incomparável(!!!!) de todas as que residiam naquela cidade. Julgava-se a pessoa mais na moda do mundo inteiro, mesmo vivendo longe de NY e de Paris. Essa guria era pequena, média e grande, em sentidos diferentes, que no caso, não vêm ao caso.
Esse "estrelismo" dessa guria era irritante. O fato é que ninguém falava isso para ela pois achavam ser os únicos a pensar isso e temiam ficar isolados do mundo ao dizerem algo para ela. Ela julgava-se, mas não era, perfeita. Principalmente por se achar "o centro do mundo". Acredito que, na maioria dos casos, somos o centro do nosso mundo, mas ela julgava-se o centro do mundo de todos.
Por esse "estrelismo", acreditava ter o poder de mudar tudo o que não estivesse de acordo com as suas vontades, no momento em que julgasse necessário. Toda vez que um professor marcava a data de uma prova, ela ia lá e, mesmo sem precisar, adiava a data da prova, pois queria mais tempo para estudar. Os professores aceitavam, pois ela era inteligente e estudava bastante, mas não sabiam que ela só estudava um dia antes de todas as provas. O tempo a mais era para não ter preocupações além de cuidar de sua grande beleza, para poder comprar roupas e acessórios da moda.
Em casa, ela mandava nos pais, no irmão e no cachorro(!). Mandava até nos vizinhos, exigindo que esses arrumassem a faixada de suas casas para que a rua se tornasse digna de ser habitada por ela. E como se sentia "estrelinha" essa pessoa. Arrogância pura e simples, com origens muito comuns.
Sempre fora mimada, tratada como rainha, digo, como princesa, porque rainhas são, geralmente, velhas. Nunca nada lhe fora negado. Ela pedia, ou melhor, exigia, e tinha em mãos dentro de pouco tempo. Tempo que variava conforme a dificuldade em conseguir o exigido por ela.
Só que um dia ela conheceu uma outra guria. Uma nova colega, que se mudara para a sua escola há pouco tempo. Guria que não era tão bonita, nem tão inteligente e muito menos tão popular quanto ela. Na opinião dela, claro. Logo de cara julgou-a inferior e logo tratou de colocar todos os colegas, vizinhos e amigos contra "a outra". Por nada. Apenas por birra, porque, de alguma maneira, "a outra"... bem, ela não sabia explicar o sentimento que vinha a sua cabeça quando via “a outra”.
Sentia-se ameaçada, porque aquela guria, aquela idiota, tinha a audácia de discordar dela. Quase sempre. Quando ela, a estrelinha, personagem principal desse texto, tentava adiar uma prova ou persuadir um professor a fazer alguma coisa que não precisava ser feita só para que ela fosse favorecida, a outra, a idiota, a feiosta, tonga, mal-vestida, a abusada, votava contra. Ia contra ela. Como podia alguém se julgar capaz de contrariá-la?...
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Histórias do Bandiolo(conhecidas em outro blog por Histórias do ViNícULa)
O guri voltou para casa e decidiu que nunca mais ia comer bolacha.
Moral da história: haja o que houver, nunca acredite em duendes...
Fim.
domingo, 21 de setembro de 2008
Histórias do Billi J. - Cala a boca animal!(final)
Dito e feito. O Billi J. comprou o pacote de bolacha(de chocolate com recheio de baunilha) e voltou para casa. Estranhou, pois em todo o caminho de volta, não sentiu um bilionésimo de ar em movimento, nem no momento em que correu sentiu o vento bater no seu rosto. Estranhou, mas enfim, melhor assim, pois não haveria falta de calor novamente.
Passaram-se as horas e, mesmo com a janela aberta, o Billi J. não sentiu mais o ar em movimento. Desde que havia reclamado do mesmo, não sentiu mais vento. Via as árvores balançando, sinal de vento, mas não sentia-o. Aquela bolacha deve ter um efeito alucinógeno. Mandou até um email para a empresa que fabricava as bolachas dizendo que as mesmas que havia comido deixaram-no alucinado. Foi dormir.
No outro dia, por um incrível e inacreditável momento de reversão completa do tempo, mesmo no inverno, o dia amanheceu quente. E bota quente nisso. Parecia que o Billi J. estava em pleno sertão nordestino, tamanho calor e clima seco. Vento? Billi J. continuava sem saber mais o que era aquilo. Mas enfim. Tinha que sair. Tinha aula, se bem que estava atrasado.
E que calor. Mais de quarenta graus aquele maldito termômetro da praça marcava. E nada de vento. O Billi J. sentia falta do vento. Quantas vezes em dias quentes fora agraciado com o prazer de ser refrescado por um vento, que mesmo não gelado, já aliviava aquele "bafo" que o calor, em meio à cidade toda concretada, gerava.
Misteriosamente, viu-se, novamente, só. Estranho, eram quase 10 da manhã e ele caminhava sozinho pelo campus da universidade. Nem 10 horas da manhã e quarenta graus de temperatura. O inferno era ali. Então pediu, mentalmente, que o vento aparecesse. Mas ouviu, mentalmente, um não. Não conseguia entender como poderia ser deixado na mão em um dia tão quente como aquele. Porém, lembrou-se que no dia anterior havia reclamado do vento.
E como foi burro o Billi J.. Sentiu-se o último dos animais na Terra. Havia reclamado de algo tão essencial. Havia reclamado daquele que nunca o fizera mal. O vento congelava sim, mas não matava ninguém. Ele só fazia a parte dele. E o Billi J. sentiu-se mais idiota ainda quando percebeu que só ele é que não sentia o vento. As árvores e todas as outras pessoas que, de longe, o Billi J. agora via, estavam tranqüilas, pois ventava bastante.
Ajoelhou-se e pediu perdão. Ao vento, pela reclamação, por ter sido injusto. Que animal esse Billi J. mesmo. Tem coisas que só acontecem com o Billi J. e isso ninguém pode discutir. O vento respondeu, na mente do Billi J. que o havia perdoado, mas que era a primeira e única vez que o faria. Então, um vento forte soprou sobre o Billi J. que já não sentia mais o calor de segundos atrás.
Depois desse momento de completa reversão do tempo, outro momento, também de completa reversão do tempo, veio e as coisas começaram a esfriar... mas essa é uma oooooutra história...
*a moral está implícita
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Histórias do Billi J. - Cala a boca animal! (parte 1 - dessa vez talvez tenha alguma moralzinha no final... eu disse TALVEZ)
Apesar de não ser tão grande a ausência de calor, o Billi J. sentia a falta dele. Estava com frio sim. Mas não porque o dia estava frio. Mas porque havia vento. E era um vento intenso, gelado. O nariz de Billi J. escorria pois, com aquele vento, sua gripe se expandiu de vez. Suas orelhas estavam mais brancas que um finlandês albino(!!!).
Não conseguia sequer abrir a boca para reclamar do dia, do vento, daquele frio... congelante. Vendo-se caminhando, quase congelado, em meio à uma rua deserta(o termo deserto é usado em referência à falta de pessoas e de qualquer outra forma de vida, mesmo porque, no deserto, à noite, também é frio pra caramba) pensou bem e chegou à conclusão de que valia a pena sim, caminhar naquele frio para comprar um pacote de bolacha de chocolate com recheio de baunilha.
Então, para conseguir continuar, decidiu reclamar, mas mentalmente. Entrou em contato, mentalmente, com o vento. Disse-lhe que parasse de existir, pois não o agüentava mais. Estava irritado com aquele incessante vento gelado. Era alérgico à lã e odiava usar "roupas" na cabeça. Por isso reclamava. Sem contar na sua gripe.
Segundos após a reclamação, sentiu que o vento cessara. O vento parou mesmo. Do nada. Não havia mais resquício de ar em movimento. Aí então o Billi J. agradeceu à Deus por ter lhe dado a benção que foi o ar parar de se movimentar. Sem vento, sem frio, mas ainda com o nariz fungando, o Billi J. seguiu seu caminho até o mercado, onde compraria o pacote de bolacha de chocolate com recheio de baunilha.
(continua, é óbvio)
sábado, 26 de julho de 2008
Histórias do Bandiolo - Não faça isso seu porco
Tinha um porco, que vivia de maneira estranha no chiqueiro. Ele comia pouco, não se sujava, estava sempre limpinho, pois da pouca água que recebia para beber, ele destinava um pouco para se limpar. Os outros porcos o xingavam, chamavam-no de idiota, pois porco era bixo sujo, tinha que comer bastante e feder mesmo. Só que esse porco, não dava ouvidos, e tentou ser diferente dos outros.
Ele via os pássaros voando e decidiu que um dia iria voar. Não sabia como, mas decidiu que antes de morrer, e de provavelmente servir de alimento para o gordão do dono da fazenda, voaria, nem que fosse por alguns poucos instantes. Só que todos os porcos riram dele, e o chamaram de idiota, mais uma vez, por querer ser, ainda mais, diferente.
Só que esse porco quis tanto, que um dia, um cientista apareceu com uma invenção, que prometia revolucionar o mundo. Eram asas para porcos. Então, o ditado citado no começo passaria a ser mentira. Colocaram as asas do porco à noite, e na manhã seguinte testariam-nas, naquele porquinho, que por ser o mais limpo, havia ganhado a oportunidade de voar.
Então giraram uma manivela, as asas começaram a bater e o porco começou a voar. Os pássaros não sabiam o que fazer, se riam de um porco voador ou se tentavam derrubar um concorrente no céu. O porco, viu um rio de águas limpíssimas, tão limpas que nem ele imaginava que existiam, e decidiu tomar um banho, para ficar mais limpo ainda.
Como não sabia pilotar aquelas asas, começou a se debater e começou a descer, rapidamente até o rio. Quando caiu, a máquina, de algum jeito, estragou e explodiu, matando o porquinho. Chegando ao céu(o que prova que aquele ditado "Deus te conserve na terra porque no céu não tem chiqueiro" é mais uma besteira), o porquinho foi perguntar para a primeira pessoa que viu caminhando nas nuvens, porque uma coisa daquelas, movida a energia mecânica e não elétrica, explodiu em contato com a água.
Essa pessoa lhe respondeu(em inglês, mas aqui será traduzido): "Porco filho da mãe, eu fiz aquela porcaria explodir para que ninguém ficasse falando que o ditado que eu criei não servia mais".
Moral da história: sempre tem um idiota pra atrapalhar um sonho
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Histórias do Billi J. - uma rua não muito familiar (final)
Na última casa da rua morava uma jovem, linda por sinal, mas que ouvia sertanejo o dia inteiro. Diziam que ela era filha do dono de uma grande empresa multinacional com uma alemoa que fora deserdada pelos pais e morta em um incêndio em uma loja de extintores, mas nada disso passava de boato, imaginação, porque ninguém sabia ao certo o que acontecera. Só que essa guria estudava também. Algumas vezes ia conversando com o Billi J. dentro do ônibus. O nome dela era Marina. Morena ela. Até lembrava um pouco a Renata. Mas enfim. O Billi J. nunca tinha a visto sorrir, exceto no dia do casamento da velhinha com o rapaz estiloso, quando a banda tocou "Coração sertanejo", sua música favorita. Bom, no lado da casa dessa guria, morava um jornalista, muito inteligente. Discutia sobre qualquer coisa, sempre tendo razão. Sim, ele achava que tinha razão sempre, que a sua opinião era a certa. Queria trabalhar no New York Times um dia, mas nunca fez menção de aprender inglês. Dizia-se bom demais pra isso.
O Billi J., em pouco tempo, conheceu todos os vizinhos. Estavam sempre na rua no final das tardes, conversando. Eram uma quase família. Tirando o Pedrão, que pouco falava e pouco aparecia, mesmo sendo sempre convidado, os outros tratavam-se como vizinhos. Claro, que toda semana tinha uma briga para ver quem iria limpar a sujeira dos deliciosos, mas farelentos, bolos que a velhinha fazia, mas nada que impedisse que eles comessem o resto do bolo no outro dia.
Voltando à velhinha, ao contrário do que todos pensavam, o rapaz estiloso não era um golpista. Descobriu o Billi J., que ele era um grande Engenheiro Químico, dono do maior laboratório de pesquisa do país. Ninguém acreditou no Billi J., até que ele provou mesmo. Então todos foram perguntar para o rapaz estiloso, por que ele havia se casado com uma velhinha, que mesmo sendo simpática, não passava de uma velhinha. Ele respondeu que tinha uma doença degenerativa e que sentia-se obrigado a fazer feliz aquela velhinha que tanto ajudara a sua mãe. Casou-se com ela para que a mesma ficasse com todo o seu dinheiro quando morresse. Não queria que os acionistas do laboratório usassem um só centavo do que ele havia batalhado para conseguir, sem nunca sequer roubar um centavo de alguém.
Passaram-se algumas semanas e ele morreu. O rapaz estiloso. Fora enterrado na frente da casa da velhinha, o que deixou os outros vizinhos apavorados, menos o Billi J., que nunca teve qualquer problema com esse tipo de coisa. Afinal, os mortos estão mortos. O Billi J. sentia-se mal apenas por pensar, influenciado pelos outros vizinhos, que o rapaz poderia dar o golpe do baú. Então ficou triste. Até porque, descobriu tudo o que o rapaz estiloso fez, todas as pesquisas, e o tinha agora, como um exemplo de caráter. O Billi J. seguiu a sua vida, estudando cada dia mais, mas nunca se esqueceu da lição que aprendeu com aquele rapaz estiloso...
Seu irmão, começou a conversar mais seguidamente com a Marina, a colega de conversa do Billi J. na ida para a faculdade. Ela nunca tivera qualquer intenção com ele, mas sem querer, ele se apaixonou por aquele olhar triste que ela emitia ao mundo. Só que, se alguma coisa aconteceu, eu já não sei dizer, porque talvez, isso seja assunto, para uma próxima história do Billi J. ... .
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Histórias do Bandiolo - Sobre uvas e cachos
Mas tinha uma uva, que não era um cacho, mas sim, apenas uma uva, uma bolinha de um cacho, que se sentia muito apertada. Também, tinha pelo menos umas 7 uvas que praticamente a espremiam. Ela ia ficando a cada dia mais murcha, porque até o cabinho(se alguém souber o nome certo daquilo, comente, que lhe chamarei de inteligente)* não conseguia lhe fornecer todo o alimento que precisava, até pelas outras uvas o espremerem e também por puxarem para si a seiva elaborada(que seria o alimento? - não sou bom com biologia)*, deixando para essa uva, pouca coisa.
Essa uva, esse grão de uva, ia perdendo a cada dia a forma de um grão de uva. Já não era mais redondo, mas enfim, ainda estava viva, ou vivo. Só que aquilo não bastava. Ela queria ser maior do que era, maior do que todos os outros grãos de uva do cacho(ch ou x?)*, e quem sabe, de toda a videira, ou melhor, de todo o mundo. Queria ser a maior. Custasse o que custasse, queria ser lembrada nos livros de biologia de todo o mundo como o maior grão de uva da história.
Então tanto esforço fez, que conseguiu, de algum jeito, conseguiu crescer de maneira espantosa. As outras uvas, ou os outros grãos, como queiram, não sabiam como, aquela uva tinha crescido tanto, mas nem por isso ficaram com inveja. Aquela uva se sentia o máximo, porque era a maior, a que continha mais conteúdo dentro de si, a que mais renderia vinho, da videira, e da história do planeta.
Queria que o vinho que fosse feito consigo, tivesse na embalagem "feito com o maior grão de uva da história". Seria uma edição única. Até porque, era única. E como se sentia orgulhosa por ser única. Era diferente de todas, maior que todas, melhor que todas, mais pesada e bonita que todas.
Só que tudo isso estava prejudicando o cacho. Ela era pesada demais para o cacho. E julgava-se já pronta para ser transformada em vinho. Só que não contava com o filho da mãe do filho do agricultor, que quando a viu, simplesmente gritou "essa é a maior uva que eu já vi" e depois a comeu.
A uva não fora transformada em vinho, e tampouco virou lenda, porque o guri, após mastigá-la, afogou-se com tamanha quantidade de conteúdo* que havia dentro da uva. Sim, a uva não foi transformada em vinho e ainda conseguiu afogar o guri. Toda a ambição da uva não tinha rendido nada e ainda prejudicara alguém inocente.
A moral da história não é "não tenha os olhos maior do que a barriga" ou "contente-se com aquilo que você tem".
Essa história não tem moral. Ela é apenas uma história, diferente. Mais uma história que será esquecida um dia depois após ser lida.
O que não é tão ruim assim...
*tudo isso prova a falta de conhecimento desse escritor de blog
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Histórias do Billi J. - o importante é tentar... ou não
Então o professor continuava a explicação, só que vários alunos estavam fazendo trabalho de uma outra matéria. Billi J. pensava consigo "idiotas, porque não fizeram em casa o trabalho, como eu?", mas nada dizia, sequer ria da incompetência e irresponsabilidade de seus colegas em fazer o trabalho em casa. Então vendo um de seus alunos pegando um dicionário, o professor foi até a sua classe, parou na frente dele, e do nada, tirou o dicionário de suas mãos.
Todos temeram pelas suas vidas, guardando rapidamente os seus trabalhos incompletos. Só depois disso passaram a temer o que iria acontecer com o... Felipe? É, acho que era Felipe o nome dele. Como era um professor antigo, no mínimo mandaria para fora da sala o aluno. Mas, talvez para contrariar todos, o professor simplesmente disse:
- É trabalho de que?
- In... in... inglês professor.
- E não tem tempo de fazer em casa?
- É que eu esqueci de fazer professor.
- Felipe, tu não era assim...
Então o Billi J. percebeu que era a hora de se consagrar. Anos sendo zuado e naquele momento poderia dar uma de esperto e acabar de vez com a reputação, se é que havia uma reputação, de um de seus colegas.
-São as más companhias professor. -nota-se aqui a falta de costume de Billi J. em falar frases engraçadas para realmente destruir com alguém-.
Mas ao contrário do que Billi J. previu, não foi ele, mas sim o professor que acabou com toda a situação.
-Não Billi, os guri tudo aqui são piá bom, ele é que não vale nada mesmo.
E depois disso, Billi J. passou a admirar ainda mais o seu mestre, que tanto sabia da matéria, e naquele momento provou que, apesar da idade, dos cabelos brancos e dos termos antiquados, também sabia das coisas da vida. Era importante para Billi J. ter um exemplo de homem assim na sua frente. Isso poderia ajudá-lo nesse último ano de colégio. Porque o seu pai, bom, aquele ou elogiava ou xingava, não tinha meio termo. Ou estava irritado ou calmo demais. Ou sabia ou não sabia. E tudo com um baita ponto final na história, assim como este.
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Alguém perguntou um dia se essa história é verídica. Bom, não vou responder isso, mas levando em conta que toda mentira tem um pouco de verdade e que toda invenção parte de algo da realidade(que baita frase pra colocar no cabeçalho do blog, ou do Tosco), ou não, algumas coisas podem ter acontecido sim. Mas não acreditem naquilo que não podem provar. E sim, a história de hoje foi baseada em um fato que aconteceu, também hoje.
Tão tá!
domingo, 1 de junho de 2008
Histórias do Bandiolo - A vida da formiga, digo, do formigo
Essa, digo, esse formiga trabalhava feito louco, muito mais do que todos os amigos que viviam junto com ele, na república do pé de macieira. Só que enquanto ele trabalhava, seus amigos se divertiam, conhecendo e andando de patas dadas(se isso é possível), com formigas. Femininas, claro. E essa, digo, esse formiga se sentia mal, pois nunca conhecera uma formiga que o aceitasse como ele era. Todos e todas as outras formigas tinham medo dele.
Só que um dia ele traçou suas patas com as patas de outra formiga, feminina, que era tão grande e forte quanto ele. Mesmo sendo uma formiga feminina, ela competia com ele para ver quem era mais forte. Ele, amou-a desde o instante em que ela o derrubou após uma queda de braço em um quiosque na avenida das tulipas, que ficava perto de onde eles moravam. Ela, por sua vez, não o amou, mas sentia a necessidade de estar perto dele, pois ele era o único que a ajudaria a ficar mais forte para então dominar jardim para então ter um exército capaz de dominar o mundo. Então, ela fingiu amá-lo.
O formigão agradava a formigona, e ela fingia aceitar os agrados, mas sempre pedia para ele ajudar ela a ficar mais forte. Ele, cego pelo amor, ajudava-a, sem saber do seu plano maléfico. Ela ficava mais forte. Ele, nem tanto, mas sem dormir, conseguia fazer tudo o que precisava para pagar o aluguel no final do mês e ainda assim ter tempo de sobra para estar ao lado de sua amada formigona.
O tempo foi passando, eles casaram-se, e ela planejou para o dia seguinte dominar o mundo. Ninguém, nem o formigão, imaginava algo desse tipo. Foi então que um piá de bosta, xeba*** típico, pulou a cerca do jardim e acabou pisando em cima da formigona. Era o fim, ela estava morta. Era tão grande e tão articulada que o piá parou, olhou para o chão e viu uma formiga do tamanho de uma maçã. Seguiu o seu rumo até o pé de bergamota, onde roubaria as bergamotas do ajeitado jardim do seu vizinho que estava viajando.
O coração do formigão ficou tão esmagado quanto o corpo de sua amada. As outras formigas sentiram pena dele, mas ficaram felizes porque seus namorados não teriam mais um exemplo de formiga para exigir que elas se tornassem iguais. Os formigas machos, digo, masculinos, ficaram felizes porque não havia mais uma formiga sequer que pudesse ameaçá-los. Só o formigão estava triste.
Perdera a sua amada. Então, foi até a parte das hortaliças e se matou. Enforcou-se com uma folha de cebola. Daí surgiu a expressão "se enforcar em um pé de cebola". Coitado do formigão. Agora estava morto também. Eles nem puderam deixar um descendente sequer, porque na minha história não houve tempo para um relacionamento sério e afetivo de fato.
Enfim, qual a moral da história?
a) Não deixe para amanhã o que tu podes fazer hoje;
b) Não tente dominar o mundo, sempre tem alguém maior do que tu que vai te impedir de fazer isso;
c) Deus escreve certo por linhas tortas;
d) A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena;
e) O que os olhos não vêem, o coração não sente;
f) Faça cercas altas para os xebas não te roubarem;
g) Não coma bergamota;
h) Não há moral da história.
Comentem e deixem suas opiniões(eu não sei porque eu faço isso, se sei que no máximo duas pessoas vão comentar)
***termo frederiquense para designar garotos de rua mal instruídos e/ou mal intencionados
terça-feira, 8 de abril de 2008
Histórias do Billi J. - são coisas do amor(final)
Billi J. não merecia aquilo, mas foi então conversar com alguém que entenderia o seu problema. Só que seu pai não entendia aquilo, disse para seu filho crescer e parar de pensar em uma guria. “Para que pensar em gurias nessa idade piá, vai jogar bola e brigar com os maricas dos teus colegas ao invés de ficar correndo atrás de uma guria. Tu vais ter muito problema no dia que casar.” Billi J. decidiu ouvir seu pai. Ligou para o Borongo(apelido originado por um chute mal sucedido em um porongo), seu vizinho e o convidou para irem jogar bola no campinho da rua. Borongo estudava em outra escola, e no período contrário ao de Billi J., por isso se encontraram.
Estavam jogando até que em determinado momento, num acirrado gol-a-gol, Borongo mostrou ao mundo de Billi J.(que era o único a ver) o que era um chute. Forte, sem qualquer intervenção, se uma mosca passasse naquele momento, seria explodida como um coco verde assando dentro de um microondas). Seria o gol perfeito. Iria entrar no ângulo, mas por incrível que pareça e para provar que o gol só é marcado quando a bola entra, Billi J. fez o que nunca havia feito em sua vida, se atirou sem medo de se machucar, acho que motivado pela raiva sentida pela fatídica cena vista na escola, e defendeu de maneira espetacular. Billi J. não acreditava no que fizera. Muito menos Borongo. Só que Billi J. comemorou sem perceber o tombo que iria levar. Billi J. caiu no chão. A queda foi feia. Ele abriu o seu joelho tamanha a esfolada. E ainda por cima bateu sua cabeça na recém colocada trave de taquara verde. Que dor. Quase que a taquara do travessão cai na cabeça dele. Billi J. estava sentindo muita dor.
Só que abrir o joelho e bater a cabeça na trave de taquara foi a melhor coisa que poderia ter acontecido com Billi J.. Louco sou eu em pensar isso. Até o Billi J. se achou louco por pensar naquilo. Porque tamanha dor seria benéfica para ele? Billi J., sozinho agora, pois Borongo havia ido para sua casa chamar seu pai, percebia que havia dores piores que aquela sentida na escola durante a educação física. Billi J. Nem sentia mais a cabeça, mesmo que o calo tenha sido maior do que uma goiaba. Nem sentia mais o joelho aberto, mesmo que doesse mais do que comer chocolate depois de tomar suco de limão. Billi J. estava bem, pois descobrira que tudo aquilo que ele considerou dor, não passava de ilusão.(ou seria desilusão?)
Billi J. então riu, porque nunca se imaginara tão idiota. A lembrança de Renata veio novamente à cabeça de Billi J., mas o porquê disso ele nunca entendeu. E como ela era linda. E como os cabelos dela acompanhavam a direção do vento. E como os seus finos e delicados braços acompanhavam as suas leves passadas. Renata caminhava como se não houvesse chão. E como aquilo fez Billi J. sorrir. Ele esqueceu-se do mundo e ficou admirando-a mentalmente, até que seu pai chegou e o levou para o hospital.
Billi J. já não pensava mais na sua decepção, no motivo da sua decepção e nem na sua espetacular defesa. Billi J. agora sim, só se preocupava com seu joelho aberto e que sangrava mais do que emo cortando pulso com bolacha maria(essa parte do emo nada tem relação com o comentário do Mestre dos Magos supondo que a história do Billi J. havia se tornado emo). Sua cabeça também doía. Finalmente Billi J. sentiu o que era a dor física e percebeu que essa é muito pior que a dor emocional. Pelo menos ele achou isso. E não deixa de ter razão. Billi J. aprendeu caindo, no duplo sentido da palavra. Só que Billi J. não esperava que pudesse haver uma dor maior. Mas havia. E ele a sentiu no momento em que fora colocado mercúrio no aberto e sangrento joelho.
Não há moral nessa história. É apenas uma das muitas histórias vividas pelo diferente Billi J.
ps. Nunca soube se o guri que causara tamanho revés nos sentimentos do Billi J. era irmão da Renata, se é que alguém se perguntou ou concluiu isso lendo a segunda parte.
domingo, 6 de abril de 2008
Histórias do Billi J. - são coisas do amor(parte 2)
Mas os dias foram passando, e esse amor platô... digo, esse amor verdadeiro(???) do Billi J. pela guria só aumentava. Billi J. falava muito nela. Porque ela é a mais isso, a mais aquilo, porque quando ela olha para o lado direito a sua orelha sempre mexe, como quem diz “pode falar”. Enfim, o Billi J. transformava em palavras todos os gestos daquela guria. E como ela era bonita, sempre me disse o Billi J. Mas os dias continuaram passando, o amor continuou crescendo, porém o Billi J. não trocava palavra com a guria. Esqueci-me de dizer, o nome da guria, era Renata (assim como a música do Los Hermanos).
A Renata tinha se tornado para o Billi J. o que as formigas são para um tamanduá(não entendeu? pergunta para o Billi J.). Ela passava e o Billi J. parava o que estava fazendo, independente do que ele estivesse fazendo. Só que como o Billi J. era inocente, ou melhor, diferente dos outros, nunca percebeu que a Renata passava na frente dele porque queria se aproximar. Renata era tão tímida quanto Billi J., mesmo que não aparentasse isso, pois estava sempre conversando com alguém, fosse esse alguém um colega ou o seu irmão, que estudava também na escola. Mas Renata achava Billi J. diferente, mas não sabia o porquê de Billi J. chamar a sua atenção.
Pobre Billi J.. Nunca soube dessa intenção de aproximação de Renata. Mas algo mudara em Billi J.. Ele viu durante uma aula de educação física um guri, duas séries à frente da dele(nunca ficou específico em que série do ensino fundamental o Billi J. estudava), estava falando e se divertindo com a Renata. Com a sua Renata! E o pior de tudo é que ele era tímido demais e educado demais para poder fazer algo. Sentiu-se um idiota naquele momento. Sentiu-se incapacitado. Era óbvio que a Renata nunca seria sua namorada, porque ele era tímido, covarde, enfim, Billi J. era Billi J.. De nada adiantava ele saber falar inglês, ao contrário de todos os seus colegas(será que a Renata sabia falar inglês?). De nada adiantava ele ter feito um curso de auto-defesa, por pressão de seu tio, que dera um curso desses.
De nada adiantava ele ser muito dedicado e ler o jornal inteiro todos os dias, quando a maioria lê somente os quadrinhos e olha as figuras. De nada adiantava. E naquele momento Billi J. foi ao que ele descobriria depois ser um inferno astral, uma crise de existência. Coitado do Billi J.. O mundo era tão injusto com ele. Billi J., na opinião das suas antigas colegas(nunca soube a opinião da sua amada), era um bichinho da maçã. Não dou a minha opinião porque desmereço a beleza. Mas enfim, Billi sofreu muito, só em ver a sua amada ao lado de um carinha mais velho, conversando e rindo muito.
Billi J. sofreu. Sofreu mais do que uma formiga carregando uma folha de bananeira sozinha. Billi J. decidiu que não amava mais a Renata. Decidiu fugir da aula de educação física naquele momento. Saiu correndo, foi para a sala de aula e pegou a sua mochila e num instintivo “vou embora” saiu correndo portão afora. Ele não queria mais ver aquilo. Seu amor, ou melhor, seu antigo grande amor, nos braços de outro. Ele não queria entender. Apenas queria esquecer. Chegando em casa, chutou a mochila para o lado, tirou o tênis sem desamarrar, subiu as escadas de meia, quase caindo de boca e quebrando os dentes da frente e pulou em sua cama. Chorou. Chorou como um bebê que acaba de levar uma palmada na bunda de um médico.
continua...
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Histórias do Billi J. - são coisas do amor (parte 1)
Essa é do tempo que o Billi J. ainda era conhecido por Bilionarico(nome originário de um tio analfabeto que ouviu bilionário no rádio e achou que aquilo fosse nome, mas sem acento).
Diz o Billi J. que isso aconteceu alguns anos antes do fato ocorrido na 8ª série, que foi o começo dessa saga. Mas então, ele, Billi, desde que o conheço é tímido, mas quando está entre pessoas que o entendem e o incentivam a falar, fala como se fosse uma criança descrevendo um jogo novo. É engraçado quando isso acontece, mas o Billi é assim mesmo. Acho que por vezes sou assim também, mas enfim, essa é história do Billi e não minha.
Voltando ao fato importante, o Billi J. sempre foi aquele guri diferente. Pelas histórias dele, pelo começo da história dele no blog ficou evidente isso. Mas ele era diferente dos outros porque acreditava no amor. Quantos guris acreditam no amor? Quantos não têm vergonha em falar? Só conheço, mais uma vez, o Billi J.. O Billi J. sempre foi o guri que esperava por um grande amor. Mas isso desde pequeno. E no momento em que ele viu aquela guria, cabelos escuros, mais do que pretos, com olhos cor-de-mel, como ele mesmo definia e com um sorriso mais bonito do que uma macieira carregada de maçãs(para lembrar, o Billi J. gosta muito de maçãs), pensou que ali havia encontrado o seu amor.
Era ela. Billi J. achou, mesmo sem conhecer, que aquela seria a sua namorada, o seu grande amor. Billi J. nunca escondeu isso, mas também nunca demonstrou, bom, pelo menos, quase nunca. Porque o Billi J. tremia e se arrepiava só pela tal guria passar por ele para apontar o lápis na lixeira de plástico da sala. Sim, a guria conhecia uma colega do Billi J. então se sentou ao lado dela, no fundo da sala. Billi J., que sempre foi um grande estudioso sem óculos, sentava na primeira classe, a da extrema direita, para ter uma visão melhor do quadro e porque era mais fácil de sentar longe dele, então o empurraram para esse local.
Continua...
quarta-feira, 2 de abril de 2008
A vida do Billi J. - parte 2
Só que um dia, seus colegas, inclusive as gurias, cansaram de ver Billi J. comer todo dia uma fruta e fazer um suco de laranja em um copo de café. No dia em que ele levaria banana, que geralmente era na terça-feira, decidiram que iriam acabar com essa mania. Ou o induziriam a trocar de escola. Seus colegas não o agüentavam mais. Só que Billi J. tinha problema de visão, talvez psicológico, e mesmo não tendo amigos nos seus colegas, nunca tinha reparado o quanto não gostavam dele. Billi J. nunca levara em conta o fato de ser o único a não ser convidado para as festas da turma como um sinal de que não gostavam dele. Billi J. sempre achou que um dia iriam mudar suas opiniões quanto à ele. Mas Billi J. estava enganado.
Chegou então a fatídica terça feira. Quando chegou o intervalo, chamaram Billi J. para longe da possível visão dos professores e, em um gesto rápido, tiraram a maçã e a laranja das mãos de Billi J. e pisaram em cima delas. Fizeram então Billi J. comer aquilo. Billi J. se sentiu ofendido. Magoado. Traído. Percebeu o quanto o seu problema de visão era uma desculpa que ele dava para aqueles que o ouviam, como eu. Desculpa que escondia o que ele sabia mas nunca quis ver. Nunca quis aceitar que ninguém gostava dele, só porque ele era, diferente.
Mas Billi J., não saiu da escola. Decidiu que como aquele era o seu último ano naquela escola, ficaria até o final. Pensou até em parar de levar e comer as suas frutas, mas mudou de idéia. Decidiu que não mudaria só porque foram ridículos com ele. Decidiu que se o fizessem comer novamente uma fruta esmagada no chão, que nesse caso era um baita gramado, ele comeria novamente. Billi J. decidiu ignorar o seu problema de visão. Billi J. decidiu não mudar, mesmo que qualquer um no seu lugar, mudasse. Billi J. agiu não como um guri, mas como um homem. Billi foi um gaúcho naquele momento. Um gaúcho macho.
Que viessem enfrentá-lo. Que viessem bater nele. Que viessem aqueles grandalhões com falsos músculos de academia. Billi J. não era forte. Billi J. não era inteligente, mesmo que gostasse de estudar. Billi J. não queria se vingar. Billi J. não era o que imaginavam. Billi J. não era um idiota. Billi J. não era o que seus colegas queriam que ele fosse. Porém, Billi J. percebeu que tinham inveja dele. Tinham inveja porque só ele tinha um grande pomar em sua casa no interior, por isso chamavam-no de colono. Billi J. percebeu que tinham inveja da sua educação, por isso fizeram-no comer frutas esmagadas contra a terra e contra a grama. Billi J. percebeu que tinham inveja da sua visão do mundo, por isso tentaram derrubá-lo.
Mas Billi J. percebeu, que acima de tudo, ele era um ser único. Quem mais agüentaria o que Billi J. agüentou (dadas às proporções de 8ª série)? Quem mais continuaria andando de cabeça erguida, sabendo que não deve nada a ninguém, mesmo tendo sido reprimido? Quem mais não se vingaria após uma humilhação dessas? Acho que só Billi J. Só ele conseguiria fazer aquilo.
Porque Billi J., esse sim, era um guri legal. Grande Billi.
*Billi não quer dizer necessariamente que tenha sido inspirado
*Continua, ou não, em futuros textos ou capítulos ou partes de uma possível nova saga
terça-feira, 1 de abril de 2008
A vida do Billi J. - parte 1
Mas Billi J.(apenas J porque Johansson é muito longo para ser repetido com exaustão) enfrentava alguns problemas por causa de suas frutas. Seus colegas guris, que eram altos e tinham músculos de academia, mesmo estando na 8ª série do ensino fundamental, sempre o sacaneavam e dificilmente Billi J. conseguia terminar de comer a sua fruta. Ele? Ele não era nem alto nem baixo, nem magro nem gordo, nem feio nem bonito. Era apenas um guri. Não usava óculos, embora precisasse. Sempre reclamava por seus pais nunca terem levado-o ao oculista.
Billi J. achava interessante usar óculos, ainda mais porque ele precisava. Sim, Billi J. tinha algum problema, que anos depois, seria descoberto como câncer de pupila, algo que hoje, ao meu ver, é inimaginável. Mas naquela época isso só atrapalhava ao ver pessoas. Billi J. as enxergava e sempre via alguém bonito. Billi J. gostava de gente bonita. Billi J. não tinha preconceito. Mas tinham preconceito contra Billi J. Simplesmente por ele não ter preconceito. Gente ruim né?!
Seus colegas achavam que ele era gay. Porque ele nunca chamara alguém de feio. Nunca fizera uma daquelas piadinhas machistas e nem tinha passado a mão na bunda de uma guria na frente dos outros. Sim, todos os colegas de Billi J. já tinham feito isso. Só que Billi J. era respeitoso, sabia o que podia ou não fazer. Billi J. cuidava muito das coisas por educação. Billi J. gostava de ser educado. Pena que ninguém reconhecia isso nele. Só que Billi J. nunca mudou seu jeito educado para poder mostrar para seus colegas guris que era um guri mesmo.
Billi J., na visão de suas colegas, gurias, óbvio, era estranho. O típico CDF. Só que Billi J. estudava porque gostava. Acho que CDF's estudam porque gostam também, mas Billi J. não era CDF. Ele só era diferente. Quem que tu, que estás lendo esse texto agora, conhece que leva todo dia uma fruta para a aula na 8ª série? Eu não conheço ninguém. Só o Billi J. mesmo. Só ele não tinha vergonha em levar o que gostava de comer. Só ele não tinha vergonha em não comprar um pastel gorduroso de queijo e presunto e ao invés de tomar uma coca cola, Billi J. pegava um copo de plástico da sala dos professores(ele pedia aos professores com muita educação um copo de café, de café!) e espremia uma laranja comum. Billi J. gostava de suco de laranja.
(continua...)