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terça-feira, 25 de maio de 2010

Histórias do Bandiolo - Eu nem queria mesmo


Encontrava-a todas as terças-feiras na porta do prédio. Porta, portão, seja lá qual for o nome pelo qual aquela chapa grande de metal receba das pessoas. E ela estava sempre lá, escorada ao lado da porta, no muro que dividia o terreno. Ela, ruiva, cabelos curtos e reluzentes. Sardenta, mas com muito estilo, muito charme e muita simpatia. Nas sardas. E só não são sardinhas porque ele odiava comer sardinha, a propósito, odiava qualquer coisa que lembrasse peixe. Seu irmão ter morrido por causa de uma espinha de peixe trancada na garganta bastava.

Seu irmão não importava para ele. Pelo menos não nas terças-feiras, embora ele nem cogitasse falar sardinhas. Onde eu, ou ele, estava? Ah sim. Ela. A ruiva. A ruivinha. De alguém, de ninguém. Quem sabe um dia ou por um dia dele.

Ela e aquele sorriso amarelado. Não que precisasse de um clareamento, mas sei lá. Era estranho alguém com tanto charme não ter um sorriso branco esplêndido. Era pedir demais de alguém que nem conhecia que tivesse um sorriso como a... aquela lá que fez o filme... como era mesmo o nome do filme?... não importa. Aquela atriz, morena... bom. Era melhor deixar que as ruivas tivessem o direito de terem sorrisos discretamente amarelos. É. Ruivas não devem gostar de comparações com morenas, ainda mais quando... chega, a baba começou a pingar.

Terças-feiras que a cada quarta-feira vivida começavam a ser ansiadas. Mas aquela ansiedade brutal, aquele desejo pelo dia, pelo sorriso discreto, pelas sardi... sardas, pelo cabelo ruivo e... ai. Uma dor no coração só por lembrar daquele oi desinteressado e ainda assim doce. Oi ou bom dia? Tanto fosse um quanto outro e seria a mesma ansiedade.

O que tanto queria aquela ruiva naquele prédio, nas terças-feiras pela manhã ele não sabia. Porque sempre perguntava se ela queria entrar e a negativa era feita do mesmo jeito: com desdém. Um desdém seco, com movimentação lateral daquela cabeça, o que induzia aqueles cabelos ruivos a igualmente moverem-se. Aqueles cabelos, como reluziam. Se fossem amarelos(não loiros) seriam confundidos com ouro. Ah é, o desdém. Apesar de ser o que era, com uma negação física e um olhar ao longe, era elegante. Porque ela era elegante. Aquelas sardas eram elegantes.

Nunca conhecera uma ruiva. Essa talvez fosse a sua única oportunidade nos próximos anos, ou quem sabe a única na sua vida inteira de conhecer uma ruiva. Porque ver e exaltar suas qualidades físicas e psicológicas(desdenhar com elegância é qualidade psicológica, tá?!) não bastava. Só que ele, o cara que encontrava a ruiva nas terças-feiras, não sabia o que dizer para ela.

Aquilo tinha que parar. A angústia que começava na quarta-feira e terminava só na outra terça-feira, semana após semana, tinha que acabar. Precisava mudar essa situação. Estava perdendo a cabeça por aquela ruiva elegante, charmosa e... olha só, novamente perdia a linha de raciocínio por pensar nela. Cabeça ao vento por alguém que dava certamente mais importância ao lixo que o vento carregava do que ao idiota que a cumprimentava todas as terças feiras.

Essa situação iria mudar. Cumprimentou-a mais uma vez e seguiu seu rumo, dessa vez sem perguntar se ela gostaria de entrar. Ela, indiferente, olhou para ele enquanto ele passava. Falaria alguma coisa, ele tinha certeza. Sim, falaria. E ele responderia e então ela responderia e assim sucessivamente, sim! Ele era um gênio.

De fato, ela abriu a boca e falou em sua direção:

-Ei...

Suas pernas tremeram. Seu mundo sumiu. Ela, a ruiva, falaria mais do que um oi e um não implícito para ele. Sim, ela, com aquelas sardas simpáticas e aquele cabelo reluzente, sim, ela, que há tanto tempo ele...

- ...você esqueceu o portão aberto.

Do céu ao inferno antes mesmo de um ponto final. Com as pernas pesando toneladas e o coração no zero absoluto, ele voltou, sem olhar para ela, fechou a porta e seguiu seu caminho. Não sabia o que dizer. O que fazer e o que pensar quanto ao que acabara de viver.

Logo ela, seu sonho consumo. Logo uma ruiva tão elegante, com sardas tão simpáticas...

Voltou a comer sardinha. Só de raiva. E a cada sardinha comida lembrava da ruiva. E só de raiva, comia outra, e outra, e outra e ainda mais outra. Comia latas e latas de sardinha por semana. Pura, com pão ou arroz.

Comia cada uma delas para se vingar da ruiva, daquela ruiva. Apesar da raiva, não podia negar que suas sardas eram tão simpáticas que mereciam mesmo serem chamadas de sardinhas.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Histórias de uma vida não vivida (20)

A vida é também feita de escolhas. Momentos e opções que se entrelaçam sem pedir licença, sem a menor razão. Trazem consigo um futuro escolhido e um futuro renegado. Já pensou que ao acordar você renegou um futuro presente que jamais será futuro? E no meio dessas escolhas, você decide pelo melhor pessoal, pela ambição, pelo desejo, pela facilidade, pela conveniência ou por influência. Você decide pela razão, pelo coração. Você decide. Você decide?

Deixou-o de lado como se ele fosse um mero objeto. Mero não, menos. Descartável talvez. Deixou-o esperando, uma palavra, um abraço, o mínimo gesto de carinho. Saiu e foi viver a sua vida, pois suas escolhas eram feitas pensando no melhor para si, na sua vida. Eram sim, as suas escolhas. Passou a ignorá-lo, fingir que nem existia. Ele, em contrapartida, tentou decidir se o pior do que ela fazia consigo era o desprezo ou a indiferença. Procurou uma resposta, aqui, ali, com pessoas desprezadas e desprezadoras, alvos de indiferença e com os próprios indiferentes.

Jamais achou resposta.

Pouco importava qual dos dois era pior. Eles estavam tirando de si uma parte de sua alegria, de sua consciência, de sua razão e da pureza de seus sentimentos. Coração que perdia a cor e acinzentado ficava. E tudo por ela. Custava acreditar que alguém a quem dedicou tanto tempo, tanta atenção e a quem entregou tanto amor, oh sim, sincero e puro amor, pudesse virar-lhe as costas e ignorá-lo, como se nada houvesse feito ou mesmo sido para si. Ela, não era a culpada. Ele a conhecia. Tão singela, simpática, um amor de pessoa, uma flor de menina. Flor, uma rosa amarela ou uma tulipa qualquer, ambas poderiam representá-la. E por conhecê-la, custou a acreditar que, sem que palavras fossem ditas, ela passasse a entregar-lhe sentimentos por gestos patéticos, frios e espinhosos.

Ele sempre soube também que, embora ótima pessoa, era vulnerável a ataques externos. Quantas foram as vezes em que ele fez ecoar em seu redor sinceras e consoladoras palavras para que seus olhos se abrissem e seu coração fosse visto como verdadeiro dono de sua vida. Tantas vezes, para nada. Descuidou-se, teve de afastar-se dela. E foi aí que aquelas pessoas conseguiram vencer. Sobre mim, mas principalmente, sobre aquela menina. Via nela agora uma menina pobre, sem forças, dependente da ajuda daqueles que têm, ou fingem ter.

Ela, por sua vez, via nele uma podridão, ausência de moral, um agora inimigo. Não queria mais vê-lo, não queria mais falar com ele. Mas estava aliviada que seus amigos lhe haviam aberto os olhos. Eles sim mereciam sua confiança, suas palavras e sua bondade. Eles eram seus amigos. Ele, idiota, que fosse para o inferno e de lá nunca mais saíssem.

Eles, os amigos dela, riram quando souberam que conseguiram mudar a opinião que ela tinha sobre ele. Riram, até suas barrigas doerem, até suas mãos cansarem de bater na parede, até seus olhos lacrimejarem, até que ela ouvisse as risadas e o deboche.
De onde vira a patética cena, saiu calada. Que fossem eles para o inferno. Arrependida, sabia que jamais conseguiria reconquistar a confiança daquele seu amigo que tantas vezes quis abrir seus olhos. E como ele, não emprestava, não vendia nem jogava mas dava seu tempo a ela. Sentia-se amada, por um amigo, um primo, quem sabe um irmão. E jogara aquilo fora, por uma bobagem. Dos outros, da sua cabeça. Fraca e vulnerável que agora estava sem um dos defensores, uma das barreiras que impediriam que ela voltasse a errar dessa maneira.

Mas ainda permanecia em dúvida. Embora tivesse visto o que aqueles que outrora julgaram-se seus amigos disseram e ironizaram, sentia-se culpada mas em dúvida. Tinham plantado nela a semente da desconfiança, da arrogância, da maldade. E ela não sabia como tirar essas sementes dali.

Não pediu perdão a ele. A sua dúvida era grande demais para que pudesse confiar em alguém.

Tanto que nem em seu coração confiava mais.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Sem frase alguma por uma vírgula. Ou nem isso


Cada vez mais as pessoas me mostram grandes contradições. Querem algo mas não fazem esforço para consegui-lo. Sonham com algo mas não tiram a mão do queixo nem quando ela fica dormente. Não dão risada com medo de serem chamados de bobos alegres.

E assim para-se no tempo. Contradiz-se a vontade pela falta dela. Estranho. Engraçado. À beira de coisa pior. Pois criticam tudo e todos mas, quando recebem uma vírgula de comentário, que não precisa ser algo além de um simples comentário, largam tudo, vontades, pretensões, intensões, mudam caminhos, rotas e sentem-se incapazes de realizar muita coisa, se não tudo, a maioria do que queriam.

Uma coisa é depender de algo para prosseguir. A outra é fazer-se dependente de algo para prosseguir. E fazer-se dependente é fazer-se fraco, mostrar-se inepto ante um simples fio branco no meio de um cabelo black-power bem preto. É um nada que vira o mundo inteiro, com poder de decisão superior à própria pessoa. Se algo externo tem maior poder de decisão que o próprio vivente, não há sentido em continuar, certo? É mais fácil começar a andar sobre quatro patas, comer ossos e... pensando bem, um cachorro tem um nível bom de decisão. Ele decide o que quer fazer, quando pode fazê-lo.

E há algum momento em que eu não posso decidir sobre a minha própria vida? Eu não sou escravo, não tenho dono algum, não há contrato que me obrigue a fazer o que eu não quero fazer.(sem piadas sobre trabalho, por favor).

É tão simples. É só continuar. Mas alguém disse que você leu mal e você não lê mais. Alguém fez alguma coisa errada no grupo então você não participa mais dele porque há um mau exemplo. Alguém erra e o mundo é o culpado, vai atrás de um mundo onde as pessoas não erram. 

Gosto de utopias, acho a impossibilidade delas um tanto quanto fascinante, mas essas utopias, de achar que você nunca vai receber uma crítica, uma sugestão, um comentário que vai contra o que você pensa ou mesmo alguém fazer algo que você julga ser errado, essas e tantas outras utopias são patéticas. Porque não existe possibilidade nesse caso, isso é busca por perfeição, em situações ou pessoas. Busca inútil por perfeição inexistente.

Deixam de lado caminhos corretos para seguir outros, muito diferentes, apenas porque alguém disse algo. Porque alguém deu um mau exemplo. Os elogios e os bons exemplos logo são esquecidos, são preteridos pelo ruim, que talvez nem tenha sido tão ruim. Ou nem precisam de alguém. Julgam-se incapazes, distantes demais de sonhos, vontades e desejos. E pela distância, pela dificuldade, ao invés de motivação, deixam-se levar pelo medo, o receio, a preguiça e provam assim, atando suas mãos para a sua própria vida, que não queriam aquilo de verdade. Da boca para fora, assim como políticos mentirosos.

Chega de olhar a escuridão. Quem sabe você abre os olhos e vai ver que uma luz fantástica brilha e ilumina teu caminho. Chega de lamúria e de lamento. O caminho é teu, ninguém tem o poder de mudar ele. As influências você escolhe, mas para onde você vai é escolha própria, a não ser que você seja um grande... vai qualquer termo... um grande banana. É irritante quando alguém pode mas hesita seguir em frente pelos mais diversos, e bobos, motivos.

Você não escreve o texto porque disseram que você usa muitas vírgulas. Você não canta porque alguém disse que outra pessoa canta melhor. Você não sai de casa porque disseram que você se vestiu mal no sábado. Você olha para o espelho e acha que seus dentes não estão tão brancos quanto os das suas amigas, então decide ficar em casa comendo pipoca e alisando os pêlos do gato. Você acha que todos estão errados e ainda assim deixa de lado o que você acha que é certo, ou diz achar certo, de verdade. E ainda julgam-se corretas, colocando mágoas e decepções passadas, dores, lágrimas e sofrimentos de tempos atrás como boas razões. E sofrem ainda mais, maltratando seus corações, seus bons sentimentos.

É engraçado, é estranho, mas é triste e decepcionante ver tantas pessoas com potencial de liderar, continuando bonitas e corretas histórias, deixando isso de lado por acharem que é difícil, por deixarem-se ir ao chão pelos tantos motivos ruins que existem. Pessoas que poderiam construir histórias grandiosas, mas que não conseguem sequer escrever a sua própria história, pois vivem com medo. Do mundo, das pessoas, da dificuldade.

Medo do que dizem, do que fazem, do que podem dizer e fazer. Medo de perdoar, de amar, de sonhar. Medo de lutar por esses amores e sonhos. Medo de fazer o diferente, o certo.

Essas pessoas têm medo de viver. Medo de si mesmas.

E isso é muito, muito triste.


*sem comentários do tipo 'a gente tem que fazer o que quer fazer' ou 'não dá pra dar bola para que os outros falam, cada um tem que viver a sua vida' ou 'as pessoas são diferentes' ou 'a gente tem que ir atrás dos nossos sonhos' ou algo motivacional do tipo 'tem que pensar positivo e achar que vai dar certo'. Sério, não quero comentários que qualquer pessoa poderia fazer, a intenção do texto não é trazer à tona essa rotina besta de frases feitas que para mim são tão patéticas quanto coisas citadas no texto

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Histórias do Bandiolo - Não se pode ter tudo, ou ser tudo


Um dia a Lua, em uma típica crise de existência, resolve fazer algumas perguntas para Deus.

- Ei, Senhor do universo, por que eu não posso brilhar tanto quanto o Sol, e assim iluminar tudo e todos a todo momento, transformando todas as horas do dia em momentos de luz, claridade?

E Deus, na sua indiscutível e infinita sabedoria, respondeu à Lua:

- Eu quis que fosse assim, que os dias tivessem manhãs e tardes regidas pelo Sol, e as noites e madrugadas regidas por você. Simples.

- Mas Deus, não me conformo.

- Veja bem. Se os dias fossem todos claros, os homens não teriam um momento propício para dormir, e acabariam com suas vidas mais cedo, pela falta de descanso.

- Não quero saber dos homens. - respondeu a já inconformada Lua.

- Está bem. Eu sabia que as minhas respostas não seriam suficientes. Mas está nos homens a principal razão de você não transformar as noites em dia.

- Eu já disse que...

- Me deixe terminar, acalme-se. Se você iluminasse tanto quanto o Sol, os homens acreditariam ser possível sim, alcançar a totalidade de produtividade, e esqueceriam-se de suas vidas. Também sem noites, os homens sofreriam muito mais até aprender que após cada noite, cada madrugada, cada escuridão, sempre há um Sol que nasce para iluminar seus caminhos. Desconhecendo a escuridão, eles ficariam cada vez mais cegos, achando que tudo pode ser luz, claridade, calor, quando você sabe que não é verdade. Por isso você existe Lua, e por isso rege a noite, a escuridão.

- Mas Deus, eu não poderia iluminar um pouco mais? Eu bem que poderia...

- Contente-se com o seu brilho, a sua luz, eles são fundamentais para a existência física e emocional dos homens. E deixe de ser boba, Lua, você recebe muito mais elogios do que o Sol. Porque você 'está linda', 'o seu luar é lindo', 'essa Lua está fantástica', 'esse luar é muito romântico, enfim, você sabe do que estou falando.

- Mas o Sol nasce e se põe, e ganha elogios também.

- Entretanto, o verdadeiro calor humano só é sentido à noite, quando não há mais calor do Sol para atrapalhar essa percepção. Abraços ternos, cheios de amor, são muito mais sentidos quando há a percepção do calor da outra pessoa. E ainda por cima, você, mesmo que menos do que o Sol, guia muitas pessoas durante a noite, iluminando seus caminhos para que cheguem aos seus destinos mais tranquilamente. Você faz os homens pensar, pois é durante a madrugada que eles podem ter uma paz que de dia não conseguem, e é você que os ilumina, mesmo que sem grande intensidade, nesses momentos.

- Deus!

- Diga...

- Por que os homens pensam que sou feita de queijo?

*eu sei que alguém certamente vai rir. 
Não tem problema, mas não é para ser engraçado

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O que me faz escrever?



Deixando de lado as maiores coisas a induzirem reflexões, que são o amor e a vida em si, hoje, uma semana depois da última coisa que escrevi aqui, tentei pensar no que já foi escrito, por mim(óbvio) e o que havia por trás além da vontade de escrever, da espontaneidade e da sinceridade, presentes em todos os textos.

Eu já escrevi desabafos. E como. Quem leu mais do que 5 textos aqui leu pelo menos um desabafo, certamente. Cheios de mágoa, tristeza, decepção, raiva, ou alguma coisa semelhante para a qual ainda não inventaram adjetivo ou advérbio correspondente. Desabafos, deprimentes ou engraçados, fundamentados para todos ou apenas para mim. Não importa, foram necessários.

Já escrevi coisas que acabariam sendo indiretas. Acabariam porque, no fim, as pessoas que 'deveriam' ler não leram, e não lêem, e não lerão. Coisas passadas que motivaram histórias ou aquele complexo emaranhado de frases soltas que quem lê tenta, mas não consegue entender.

Entendimento. Escrevi textos com um certo ar de arrogância, querendo que ninguém entendesse. Por mais que os comentários sejam poucos, há sempre uma busca de um seleto grupo de pessoas que enche-me de orgulho com frequentes visitas, que tentam entender. E não é culpa deles a não concretização desse entendimento. Alguns poucos foram intencionalmente complicados durante a escrita para que a generalização, errada, fosse tida como certa. Entenderam? Não, acho que não.

Já escrevi por estar feliz. O reencontro do Billi J. com a Renata foi num desses dias. Mesmo sem motivos para estar feliz, mesmo ainda incompleto, reflexivo, triste e coisas a mais, feliz por sentir algo grande, sincero, espontâneo e, sim, puro, em mim. Sentimento, ou até sentimentos, definidor de escolhas, sejam certas ou erradas.

Escrevi para agradecer. A Deus, aos amigos, à família. À vida em si, por me proporcionar tanta coisa, aprendizados, momentos de pura e simples existência e alguns de vivência intensa. Não há muito o que dizer aqui.

Escrevi. Escrevo. Escreverei. É ridículo usar o mesmo verbo em três tempos, mas nunca importei-me em ser, ou parecer, ridículo. Escrevo porque gosto, porque preciso, porque quero, porque é uma forma de aliviar alguma coisa ou mesmo de buscar respostas longínquas em palavras que, no fim, estão dentro de... mim. Não queria que rimasse.

Bom, os comentários estão aí, se alguém quiser dizer o que o faz escrever... bom. Já entenderam, pelo menos isso.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Eu já nem sei mais o que é isso


Pouco importa se a nuvem foi um dia algodão, ou se houve alguma nuvem.

Pouco importa se o ar parece vital ou é de fato indispensável.

Pouco importa pedra, flor, espinho e todo o resto do jardim.

Pouco importa se acham que a minha vida é uma grande coisa.

Pouco importa quantos exemplos de coisas boas ou certas eu posso dar.

Pouco importam todos aqueles que clamam por socorro, mas que acabam fechando seus ouvidos.

Sinceramente, pouco tem me importado o mundo.

Porque os meus sorrisos são incompletos.

Porque os dias não me agradam.

Porque as coisas não me trazem lembranças.

Porque as palavras já não aliviam mais.

Porque eu não posso ser o que os meus amigos merecem.

Porque eu erro sem saber.

Porque deixo de buscar na minha família.

Porque não consigo abrir meu coração todo para Deus.



E porque, qualquer que seja o advérbio cabível aqui, os raios do sol não chegam até mim.


É complicado dizer. É duro pensar. É angustiante sentir.
Espero um dia merecer essas pessoas que, mesmo sem saber, ainda lutam por mim.
Até quando ?

domingo, 18 de outubro de 2009

É um erro? Então eu vou errar.

Remo contra a maré. Não, eu não tenho um barco. Não estou em um rio digitando um texto sem me mexer muito para que o barco não vire. E o texto só começa assim porque remar contra a maré é a mais simples frase que define hoje. Ontem. Alguns dias. Muitos dias.

É uma atitude. Uma decisão. Um propósito, com uma intenção. É uma vontade, um desejo, um sonho. E tudo vai contra. E você é chamado de louco, de burro, de idiota. E você é criticado e cansa de ouvir tantos poréns, tantas queixas, tantas dúvidas de pessoas que querem o teu bem, achando que sabem qual é esse bem. E talvez estejam certos. Mas você não acredita, porque algo te faz voltar ao barco e continuar remando. Sem direção, sem sentido. Remando. Como se fosse a única coisa que você soubesse fazer na vida. Como se remar contra a maré fosse algo que o seu instinto de leva a fazer.

Remar contra a maré. Uma gota d'água no deserto. A luz no fim do túnel. O centavo achado no chão. É um nada, mas um nada tão grande que se torna algo tão grande que você não se importa se ele é um nada tão nada. Porque pra você esse nada, que é tão nada, representa muito.

Lembrei de Some might say, do Oasis. Tem um trecho que diz algo como 'alguns vão dizer que não acreditam no paraíso... vai lá e diga isso para o cara que mora no inferno'. Algo que não adianta, algo que não vai ter eficácia nenhuma, algo que não vai fazer diferença nenhuma. Mas que é um paraíso para quem acredita que aquilo faz diferença sim. Que aquilo adianta. Que vale a pena lutar.

Sempre julguei-me um teimoso por natureza. Um inconformado. Um teimoso inconformado. Nunca desisti. Achei que era por isso. Me descobri, mais uma vez. Sou mais do que um inconformado. Mais do que um teimoso inconformado.

Sou um ser humano. Um ser humano teimoso e inconformado. Movido pelo que há de mais sincero em sentimento. Que rema contra a maré usando as palavras mais sinceras que possam sair de uma boca, ou serem digitadas por dedos cansados e exaustos. Que tem com uma única gota d'água a sede saciada. Que tem em um sonho o paraíso. Uma esperança. Aquilo que move, ou deveria mover, o mundo. Um desejo. Um sonho. E um sonho sincero.

Indo contra muitos. Remando contra a maré. O que talvez só traga destruição ao meu barco. E daí. Quando morrer não vou levar o barco comigo. No paraíso deve haver rios, lagos, oceanos. Mas lá eu não vou me afogar, porque vou conseguir caminhar sobre as águas ao lado do meu Mestre.

Talvez eu também não leve a concretização desse sonho. Dessa sinceridade. Dessa espontaneidade. Dessa... coisa, que me faz o maior e o menor dos homens. Talvez. Mas certamente, no fim da minha vida, vou levar comigo a sensação de que tudo foi tentado. De que todas as possibilidades foram esgotadas. De que eu não tive medo do fim. Não tive MEDO de tentar, de lutar, de querer, de remar contra a maré, de fazer o mais difícil, o mais complicado, o mais impossível. De passar por cima do que já me fez mal. De esquecer mágoas e lágrimas. De deixar de lado o cansaço, a tristeza, todos os sentimentos ruins. Não, não tenho e não terei medo.

Um ser humano teimoso e inconformado, mas fascinado pelo improvável, pelo impossível e pelo intocável. O que vier, virá. E, preparado ou não, enfrentarei de cabeça erguida. E assim continuarei.

Me critiquem, me chamem de burro. Eu mereço. Mas não tenho culpa. Eu sou estranho, diferente. Sou aquilo que eu quero ser. Sofrer está tão próximo de sorrir. O fim está tão distante do começo mas tão próximo do recomeço.

Sejam elas boas ou ruins, para mim ou para vocês. Sejam elas limpas ou sujas, claras ou escuras. Sejam elas as melhores ou as piores, as justas ou as injustas. Sejam elas as certas ou as erradas. Sejam elas o que forem, elas são sinceras. Sinceras, espontâneas, improváveis ou impossíveis.

Mas são as páginas da minha vida. Os lemes do meu barco.

domingo, 10 de maio de 2009

Frase do dia(ou Frases do twitter que vieram parar no blog)

Como pode o sol brilhar no meio da madrugada?
Como ele consegue iluminar
o caminho de alguém
que ainda não sabe
nada sobre si?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

E vale o esforço?

Por tanto tempo acreditei que nenhum esforço como esse valia a pena. Então nada fazia desse tipo. Olhava, pensava, mas nunca procurava fazer algo assim, dessa espécie. E até achava engraçado quando via tantos e tantos fazerem algo e a chuva, o vento ou qualquer xebinha desgraçado ia lá estragar o trabalho oriundo de tanto esforço.

Quando entrei para o time dos que trabalham doando-se a uma causa maior, passei a pensar se esse trabalho, que eu agora faria, todo esse esforço, todo o tempo gasto nisso valia mesmo à pena. E logo de cara, até para mostrar para mim, dizia que sim, sem pensar em tudo o que era feito, por mim e por outros. Me enganava dizendo que tudo isso era bom, que a recompensa viria.

Pois pessoas boas(não é questão de modéstia, mas sim, auto-análise(com ou sem hífen?), o que prova que a exceção das minhas autocríticas(com ou sem hífen?(2) é um elogio) sentem-se felizes por fazer algo por alguém, por outrém, e indo mais... adiante(além), pessoas boas sabem, ou acham saber, que há uma recompensa para quem faz o bem. Imediatistas tornam-se os primeiros a deixar de lado tais ações, pois percebem que essa tal recompensa, que talvez não devesse vir mesmo(se é que virá) não chega logo.

E por algum tempo, deixei de responder, para os outros e para mim essa pergunta. Não me perguntava mais se valia a pena e não respondia quando indagado. Resolvi pensar realmente nisso. Perder horas, que somadas ultrapassam dias e dias de doação, de esforço, de trabalho social, moral ou espiritual. Perder tempo para diversão, para o blog, para conversar com amigos que moram longe e para ver o futebol. Cansar, dormir tarde, acordar cedo, comer mal, andar cansado. É. É dura a estrada, a jornada, o caminho é cheio de obstáculos e vazio de barraquinhas de cachorro-quente(com ou sem hífen?(3)).

A teoria utópica da busca por uma felicidade plena, do "amarás ao teu próximo como a ti mesmo" e de tantas outras que não querem dizer nada mais do que "faça algo por alguém que alguém fará algo por ti", essa teoria é bela, é muito legal mesmo. Mas sabemos que na prática isso não acontece. É bem diferente ver tanta gente injustiçada, tanto esforço vão por culpa de terceiros, por inveja ou qualquer outro sentimento tipicamente normal.

Mas há alguns dias, em meio às ideias pessimistas, percebi que a minha nova teoria de que a felicidade não existe, é verdadeira.

E o que isso tem a ver?

Muita coisa. No caminho do esforço, da doação, do trabalho voluntário, um motivo maior fez com que eu nunca estivesse sozinho. Isso quer dizer que o meu esforço, por alguém ou por ninguém(talvez alguém entenda, mas não foi trocadilho proposital ou tosco), me fez ter, hoje, na minha vida pessoas que eu jamais teria conhecido se não tivesse aceitado esse propósito.

Não importa-me más línguas, atos normais, pífios e patéticos de terceiros. Não importa-me mais um passado cheio de ódio e mágoas. Não importo-me mais com tudo o que gostava e deixei de fazer para executar ações das quais não possuía conhecimento e sequer tinha vontade plena de fazer.

Se alguém me perguntar se hoje vale à pena, mesmo com pessoas hipócritas, mesmo com o mundo e a sociedade corrompidos pelo egoísmo e pela esperança imediatista do ter, do poder(e claro, do prazer), eu digo que sim.

Vale à pena.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Meros coadjuvantes?

Posso e até devo ser um péssimo exemplo para falar do assunto mas, com muitas conversas paralelas para conseguir escrever algo aqui, consegui ter uma noção e percebi que não sou exceção não. Aliás, concluo que meu caso é quase regra.

O texto de hoje gira em torno de escola, terceiro ano do ensino médio(ou até último semestre de faculdade) e o que isso implica, ou não, na vida de quem passa por isso.

Achei exagero mas concluo que o amigo que me disse um dia que "festa de despedida do terceiro ano é uma merda, os caras dizem que vão se ligar, se encontrar mas depois que a festa acaba eles vão se esquecer um do outro". É. A coisa está por aí mesmo.

Eu não tive formatura de terceiro ano e sequer fiz amizade mesmo durante os meus três anos do ensino médio. Muito embora o terceiro e último tenha sido divertido, proveitoso e até interessante demais pela viagem à Porto Alegre, não fiz amigos mesmo. Guardo boas lembranças desse último ano, de meus colegas mas, amizade é outra história.

Mantenho pouco contato com eles. Hoje mesmo mandei recado para duas ex-colegas para saber se vão cursar alguma faculdade, ou qual. Coisa de colega isso.

O fato é que muitos já me disseram que não mantém contato algum com seus ex-colegas e que sim, fizeram juras e promessas de troca de recados, ligações, jantas e encontros. Não me sinto melhor por não ser o único. No caso, não faz diferença alguma. Porque muitos acabam prometendo e não cumprindo.

Juras de amor que se misturam com areia e voam pelos céus levadas por ventos fortes e certeiros. Promessas de mudança que acabam sendo esquecidas tão rápido quanto foram feitas. E por aí vai.

Mas daí é outra história. Outro caso. E não vem mesmo ao assunto desse texto. Que não vão ser escritas aqui. Pelo menos não hoje.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Nem as capas importam mais

Antigamente dizia-se aquele famoso "não julgues o livro pela capa". E sabe, que as pessoas não julgam mais os livros pelas capas. Porque olhar a capa exige um grande esforço, muito maior do que as pessoas, querem fazer para julgar os outros. Porque afinal, eu não preciso nem ver a cara da pessoa pra dizer o que ela é.

E tudo por quê?

Simplesmente pelo fato de que posso ouvir alguém comentando e tomar aquela opinião, que não passa de uma opinião(tem aquela do "a beleza está nos olhos de quem enxerga" que se encaixa aqui), como uma verdade, e espalhar para todo mundo.

É muito fácil simplesmente dizer que alguém não presta, que é isso ou aquilo, só porque uma terceira pessoa falou. Talvez essa terceira pessoa tenha essa intenção apenas. E você acaba sendo o boca de sapo que repete aquela coisa. Difamação? Deve ser mesmo.

O fato é que antigamente as pessoas ainda olhavam para as roupas das outras, para o cabelo, se parecia ter dinheiro ou não(isso era visto no carro, casa, enfim...), para depois julgar. Hoje nem isso.

Que foda.

Se bem que há momentos em que pode-se fazer isso, mas poucos. Quando você descobre uma baita sujeira da pessoa. Por terceiros, que seja. Mas você comprova que aquilo é verdade. Comprova por si. Aí vale xingar alguém. Ofender alguém.

Agora, se você não se deu nem ao trabalho de verificar o fundamento da ofensa, então é melhor ir chupar uma laranja.

Porque sabe né...

Bom, eu ia completar a frase de cima com mais um "ditado popular", então decidi não completar, pois já foram usados muitos aqui.

Tudo isso era para ser apenas uma frase, mas como já postei duas frases seguidas, resolvi escrever algo mais.

Tenho certeza que alguém quer a minha cabeça por enrolar e não chegar a lugar nenhum com esse texto. Mas acostume-se, isso é coisa rotineira no blog...


Tão tá!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Pergunta:

Vendo umas coisas, que no caso, não interessam(nem mesmo a mim), tive uma idéia de pergunta. Porque hoje eu não tenho muito o que escrever. Percebi, como em tantos outros dias, que ainda existem coisas que preciso aprender, ou entender, ou corrigir, ou fazer. Então não tenho muito o que escrever.

A pergunta é:
Comparando-te a um produto perecível, qual seria a tua validade? Ou, até melhor, qual tu querias que fosse a tua validade?

Leve-se em conta desejos, realizações, sonhos e coisas já concretas. Leve-se em conta prioridade de valores e sentimentos. Não deve ser levada em conta a data de fabricação(??!!!).

Eu sei que é pouco isso, mas enfim...

domingo, 14 de setembro de 2008

Eu preciso de respostas? (parte 2)

(continuando)
A natureza humana é muito complexa. A racionalidade pode explicar teorias que indicam possíveis caminhos. A emoção pode explicar o que sentimos, assim, com o coração no lugar, teremos condições de buscar o caminho sem sensações e tristezas inexplicáveis. Só que nada disso nos leva à uma resposta concreta.

Já critiquei a busca por repostas para o "de onde viemos?'' e "para onde vamos?", e não são essas respostas que tento achar aqui, agora, escrevendo de maneira simples e complicada. A resposta concreta que o ser humano deve buscar varia muito, mas afinal de contas, para que respostas? Só para termos mais perguntas depois. Para não ficarmos parados no tempo, no espaço, no cosmo. Quem lê pensa que são bons argumentos. E podem até ser. Mas no final das contas, só são argumentos para aqueles que buscam, pelo menos buscavam, nesse texto, alguma resposta.

Não tenho respostas que possam explicar alguma coisa. Nem ao menos consegui tirar a lama de cima das respostas que me foram jogadas no chão, como poderia então responder a alguma questão? Talvez o que está sujo de lama não sejam as minhas respostas. Talvez sejam apenas mais perguntas.

Por isso, viro as costas e vou-me embora... não pra Pasárgada, mas sim, para comer uma bergamota.

Ah!... se as pessoas buscassem nas bergamotas as respostas para seus problemas... o mundo não teria tanta gente correndo atrás do que não quer ver, do que não quer ser, do que não quer saber... mas finge, para os outros e para si, pensar querer...

E porque fingem querer ver, ser e saber?

Essa é mais uma pergunta que eu não quero responder.


E vocês?

Pergunta:

Alguém tem uma teoria, mesmo que estúpida, que seja capaz de explicar o porquê da existência dessa frase "(...) quanto mais aptos formos a tornar consciente o que é inconsciente e o que é mito, maior parcela de vida integraremos." no meu perfil do orkut?

sábado, 13 de setembro de 2008

Eu preciso de respostas?(parte 1)

É ouvindo música que minha mente gera idéias. É ouvindo música que consigo aliviar palavras entaladas na garganta. É ouvindo música que tenho a oportunidade de refletir e cantar algo que condiga com o que estou pensando. É ouvindo música que meu eu-lírico consegue tirar as conclusões mais absurdas sobre mim. E foi ouvindo música que pensei no assunto desse texto.

Durante algum tempo, há algum tempo atrás, tentei buscar respostas da maneira mais estúpida o possível: usando unicamente a racionalidade. Porque pensando e sabendo no que pensar, pode-se tirar muitas conclusões, a grande maioria correta, e as que não são, levam à outras corretas. O racionalismo tende a nos levar à uma correção de erros, porque, acima de tudo, a racionalidade sempre buscou a elevação do homem sobre tudo e sobre todo os outros, ou seja, quem fosse mais racional, seria mais, melhor e enfim, seria perfeito.

Só que chega um momento em que a racionalidade tenta e não consegue explicar certas coisas. São sensações de tristeza, decepção, por sentimentos não correspondidos ou não compreendidos. A racionalidade não sabe, e nunca soube, explicar essas sensações, esses sentimentos de uma maneira que nos levasse a compreensão dos mesmos. Porque todos sabemos que na hora em que realmente seria útil saber e entender a teoria das coisas, e como as mesmas funcionam, a racionalidade torna-se tão inútil quanto aquela porcaria daquele acelerador de partículas citado, e amplamente criticado, no post abaixo.

No momento em que, além de sensações originadas por sentimentos, outros fenômenos não conseguem ser explicados, a racionalidade baixa ainda mais o seu nível, tornando-se obsoleta e ultrapassada. Ineptidão(de inepto) completa, o que nos leva a crer e ter a certeza de que Maquiavel e seus descendentes só quiseram colocar seus nomes na história mesmo, pois nada de produtivo fizeram. Tentaram revolucionar mas o que vemos hoje é o homem lutando para descobrir de onde veio, pra onde vai e esquecendo que pode morrer em um assalto na próxima esquina.

(por ter ficado grande para um texto só, dividi em duas partes...)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Tosco por ser lógico ou ilógico

São tantas e tão comuns as perguntas que nos intrigam quanto são tantas e tão comuns as acerolas em um pé, de acerola, durante a época de acerola. E são todas tão parecidas que só notamos diferença ao pegar na mão e analisar detalhadamente, mas a essência é a mesma. Assim como a essência do ser humano, e de suas perguntas intrigantes que regem ou pelo menos existem para tentar reger a vida daqueles que não sabem pensar por si só, é a mesma.

Aquela pergunta "de onde viemos?" já deve ter sido analisada por cada ser humano que algum dia se preocupou com aquela coisa existente chamada passado. Quem tentou imaginar de onde o homem surgiu conseguiu, de alguma forma, ficar mais perdido e menos satisfeito consigo mesmo, com a vida e com o mundo de uma maneira geral. Junto com essa vem aquela outra famosa, a "para onde vamos?", que também traz o efeito citado acima, mas que só é analisada por aqueles que se preocupam com o futuro, e não só com o seu, mas com o da humanidade, do planeta, do universo e da existência. Porque ninguém pensa em "para onde vamos" por si próprio, mas sim pela humanidade de 20 ou 30 gerações futuras. Ou mais.

Outro questionamento famoso, e muito pensado, é o "por que o céu é azul?", que caracteriza e aponta, além de curiosidade, uma superficialidade e talvez um fanatismo característicos daqueles que não se contentam com viver, portanto, querem entender tudo, assim, acabam esquecendo de viver e passam a existir. Mas como esse texto não é moral e sim tosco, indagar-se por que o céu é azul, é uma forma de escapar da rotina do "será que comer isso me fará mal?" e passar a pensar no que eu aparento ser e não nas conseqüências do que realmente importa. Pessoas fanáticas gostariam que o céu fosse vermelho, amarelo, preto, branco ou qualquer cor que representasse o seu time. A explicação física existe, mas alguém realmente acredita numa coisa dessas? Ou melhor, alguém se lembra da última explicação sobre isso?

Para finalizar, pelo menos por enquanto, esse texto tosco(eu deixei bem claro que seria tosco), a pergunta que mais tem gerado polêmica desde os tempos de nossos antepassados que viviam(ou não) em cavernas. É melhor correr ou caminhar na chuva? Depois que o homem criou essa pergunta, duzentas e cinqüenta e sete.821 milhões de respostas já foram ditas, mas nenhuma satisfez uma pessoa sequer. Nem o criador da teoria, que seria a resposta desse enigma, que só não é maior do que aquele do "o que cai em pé e corre deitado". A resposta é chuva, mas alguém já parou para pensar que a chuva não corre? Então, mais um enigma a ser feito.

Sobre o correr ou caminhar, é normal que haja uma busca incansável por aquilo que não conseguimos, e arrisco dizer que, talvez jamais conseguiremos desvendar, mas essa busca não pode ultrapassar os limites da ignorância. Que é importante saber alguns podem até discordar, mas discussões e guerras já explodiram por causa dessa simples e inofensiva pergunta.

Depois de tanto querer pensar em alguma coisa para escrever aqui, saiu uma coisa dessas. Pelo menos saiu.

Mas não consigo esquecer de imaginar num céu vermelho, preto ou amarelo com bolinhas verde-limão...

sábado, 2 de agosto de 2008

Caminhando pelas ruas de algum lugar atrás de alguém

Chega a ser um fato comum procurar e não achar onde alguém mora. Comum porque nem todo mundo pode saber onde mora todo mundo. E isso é óbvio. Mas geralmente quando precisamos de uma pessoa, do nada, não sabemos mesmo onde ela mora. Nem com o nome da rua é fácil ajudar, até porque, muitas ruas não têm placas que indicam seus nomes.

E como eu não quero deixar essa rua aqui muito longa, escrevo a idéia que um amigo comentou ontem. Que seria legal que todo mundo tivesse na frente da casa o nome de quem mora na casa, como se fosse um daqueles cartazes de aprovado em tal faculdade. Seria interessante mesmo que cada um tivesse o seu nome na frente da casa, e evitaria situações onde não achamos as pessoas.

Porque nunca procuramos alguém, apenas por procurar. Geralmente há um motivo, importante ou interessante para um dos lados quando há uma procura pela casa. Porque falar pelo telefone é mais fácil, mas não é a mesma coisa que falar pessoalmente, principalmente quando há um objeto, como um saco de bala ou uma caneta, a se entregue.

Pensando bem, eu gostaria que alguém viesse me entregar um saco de bala. Mas quem faria isso? Hahaha, é divertido apenas pensar. Mas voltando às casas, se é que eu achei-as, quando a pessoa mora em apartamento é pior ainda. Porque saber o prédio é o de menos, agora, e o número do apartamento? Eis a pior das piores questões. Poderia ter uma lista ao lado do interfone com o nome da família que mora lá. Facilitaria, até para carteiros, que ficam em dúvida se o número escrito é um 5 ou um 6, um 1 ou um 2.

Enfim, é mais um problema a ser solucionado pela sociedade... mas não me esqueço do pacote de bala...


Tão tá!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Por isso ninguém gosta de matemática

A matemática é uma ciência exata, mas isso todos aqueles que passaram pela 3ª série do ensino fundamental sabem. Mas essa ciência exata explica a existência do ser humano, do planeta, de tudo o que acontece, enfim, a matemática explica porque 1+1=3, ops, 2. O fato é que tudo se explica por números. Só que ninguém conseguiu ainda achar a explicação para tudo.

Não que a matemática explique aquela viagem de cientista chamada big ban, não que a matemática explique como nasceram Adão e Eva. Não que a matemática explique porque uma mãe deixa joga o seu bebê em uma lagoa ou um pai joga sua filha pela janela. Não que a matemática explique porque o Diogo sempre acha alguma coisa para dizer que meus textos possuem poréns que eu não explico mais por simples falta de vontade. Não que a matemática explique porque hoje choveu mesmo que os raios de sol estivessem batendo simultaneamente na minha cabeça.

A matemática não explica isso. Porque? Porque nenhum idiota pensou em procurar as respostas nela. E não quero falar em conta de quantidade/tempo ou freqüência. Não também para a possibilidade desse maluco que escreve dizer como a matemática pode explicar o mundo. Mas eu sei que pode, assim como ela pode explicar tudo o que acontece com "apenas" números. Então porque eu escrevo que a matemática explica tudo se não sei como fazê-lo.

Aí está o caso. Eu não sei como chegar ao produto final que sei que existe. Mas pensando bem, sabendo que alguém come uma bergamota, depois outra e mais outra, e no final disso ele comeu 291 bergamotas, saberemos porque ele está feliz. Alguém que come uma bergamota fica feliz, mas quem come 291 bergamotas fica muuuuuito feliz e irradia a sua felicidade, dando as 321 bergamotas que sobraram para outra pessoa, que, gostando de dividir, come apenas 120 e dá as outras 201 bergamotas para outro, e assim vai. Quem comeu mais bergamotas é mais feliz, mas aquele que comeu menos e dividiu, é mais feliz ainda. Ou tem remorso do que fez.

Realmente não sei mais o que dizer. Não gosto muito de matemática, mesmo tendo certa facilidade mas, acredito que o dia em que as pessoas descobrirem um método de visualizar o mundo pela matemática, resolverão os problemas com maior facilidade. Mas não será muito bom, porque senão, os tímidos não sofreriam como sofrem para conversar com uma guria com segundas intenções, eles apenas fariam um cálculo e colocariam as suas mãos em determinado ângulo que atrairia a guria em questão e esta perceberia assim que ele é um cara legal. Não teria graça ou nenhuma graça, ser tímido.

E os feios em geral, os não inteligentes, os meio cegos, os cabeludos, narigudos, até plaiboizinhos e fúteis teriam seus problemas resolvidos com a matemática. Não teria graça. A matemática pode, mas felizmente ninguém se atentou ao fato de que ela pode sim, resolver todos os problemas e explicar tudo o que acontece.

A matemática não conseguiria explicar a existência de Deus. Aliás, ela nem precisa fazer isso, porque aqueles que param para pensar compreendem que não foi uma explosão que gerou tudo o que existe hoje, em sua magnífica complexidade quase indecifrável.

Entendo agora, ao final desse texto, porque são raros aqueles que gostam, não os que têm facilidade, de matemática. Alguém descobriu que ela pode resolver e explicar tudo(ou quase tudo), como fiz agora, e foi passando para todos os que conhecia que a matemática era ruim e que não era para gostarem de matemática. Isso se espalhou mas ninguém sabe o porquê a matemática é tão ruim assim. Ainda bem que alguém no passado pensou que isso poderia facilitar e monotizar a vida dos posteriores, como eu e você.

Tive que escrever isso pois espero que depois desse texto, o mundo pare de odiar a matemática e vejam que a cura do câncer pode estar nela. Só não vale tentar entender porque uma pessoa mata outra com um tiro porque isso seria complexo demais e a cabeça da pessoa que descobriu explodiria, também possivelmente com um tiro que surgiria de algum lugar.

Esse texto parece algum tipo de teoria de conspiração? Então, depois disso, quem materemos?

sábado, 5 de abril de 2008

E o que nós podemos fazer?

Quem lê pela primeira vez esse blog, achará até interessante ler um texto cujo título é uma pergunta. Mas quem lê há algum tempo, ou já leu alguma vez na vida o blog, já está acostumado com perguntas ou coisas semelhantes no título ou repetições de perguntas durante um mesmo texto. Enfim, não escrevo para os velhos nem para os novos, mas acho que esse texto não ficará tão bom quanto quero, até por uma longa interrupção.

O fato é que quase tudo está errado. Mães abandonam seus filhos dentro de sacolas em lagoas, pais atiram suas filhas pela janela do prédio, pessoas se matam por uma régua ou por um copo de cachaça, jovens se drogam e bebem até estarem em condições de matar mais alguém em um acidente de carro. As pessoas não sabem mais como piorar a situação.

E eu realmente não entendo o que pode ser feito para melhorar. Aqui entra a pergunta. O que nós podemos fazer? Cobrar dos governantes por medidas mais radicais de segurança e leis que punam aqueles que matam, roubam e estupram? Não. Eu acho que o futuro, o futuro melhor, não passa pela mão da política. Nada os governantes, políticos, que chupam o dinheiro do povo(ainda não digo nosso dinheiro pois não declaro imposto de renda) para as suas contas bancárias em paraísos fiscais.

Não venham me dizer que existem políticos bons, porque político bom é aquele que esconde tudo o que faz de errado. E se há político bom, ele ainda não nasceu. É uma rede de sujeira, desvio e roubos inimaginável. Nem eu consigo imaginar o tamanho dessa sujeira. Por mais que eu tente, não consigo mesmo. Mas deve haver alguma exceção, pelo menos um entre os mais de 500 deputados não deve desviar dinheiro.

Cabe ao povo escolher melhor os seus representantes. Balela. Bobagem. Perda de tempo. Ninguém espera muita coisa. Estamos todos parados. Vem eleição, passa eleição e nada muda. Tudo a mesma merda. Tudo a mesma porcaria. E o que nós podemos fazer?

Eu deveria ter uma proposta aqui, mas realmente não sei o que fazer. Estou como tantos outros, querendo uma mudança sem saber por onde começar. Mas enfim, está bom assim né, os nordestinos ganham tudo e os gaúchos que sofrem com a seca ficam sem apoio do governo. É, está tudo bem. Para que revolta, sempre foi assim. É o tal tira dos trabalhadores para dar para os pobres. E porquê? Para ganhar eleição.

Todos esses projetos como bolsa escola e bolsa eleição são feitos apenas para ganhar votos. Porque aqueles inúteis não pensam e nem se importam com o fato de que, são eles que poderiam melhorar a vida dessas pessoas. Estradas melhores, escolas, saneamento básico, empregos. Falta tudo isso. E ainda acham que esse país tem condição de sediar uma copa do mundo?

Eles mentem tão bem, que enganaram até os caras da fifa para trazer a copa para cá. Enganar o povo já não era suficiente. O que nós podemos fazer?

Alguém sabe?



(comentem sobre a mudança no layout também)

sábado, 22 de março de 2008

Será que existe o fim?

Se não é bom é porque não chegou ao fim. Muitos já devem ter lido ou ouvido uma frase dessas, ou semelhante. Mas fico pensando se existe mesmo um fim para as coisas. O final feliz de um filme pode muito bem ser ignorado em uma seqüência do mesmo. É tão relativo o fim que muitos, quando chegam a esse fim, ignoram o resto e tentam achar outro fim.

Essa busca interminável por um fim é que faz com que muitos não percebam que essa história de fim é muito relativa. Tudo pode ter um fim assim como nada tem um fim. Depende do ponto de vista. E pode parecer mais um texto confuso(não que não seja), mas tem um sentido, é só analisar.

Quando dizemos que algo chegou ao fim, é porque nada mais vai acontecer naquele sentido. Por exemplo, quando alguém morre, dizemos que a vida dessa pessoa chegou ao fim. Sim, dizemos. Mas alguém sabe o que acontece depois? Não. Ninguém sabe. É tudo um mistério. A fé da pessoa faz ela acreditar no que acontecerá. Vamos para o céu ou não? Pagaremos os nossos pecados? Ou será que apenas se extingue tudo, que não há mais nada referente a nós depois que morremos?

É. Aí está. O fim é relativo. Mas há outros casos. Quem nunca ouviu alguém dizendo "acabou tudo entre nós". Quem nunca ouviu? E quantos desses já não viram as mesmas pessoas de mãos dadas novamente. Então. O fim é relativo. Ele é parcial. Ele existe ou inexiste. Na verdade, nem o próprio fim sabe se ele é só uma palavra ou um fato concreto.

Difícil imaginar que algo não tenha fim, mas é só para pensar algo. O mundo existe como é há uns 10 mil anos, mais do que isso é imaginação de cientistas tapados que ganham para iludir pessoas com mentes vulneráveis. E nesses 10 mil anos, o apocalipse já foi anunciado. Nostradamus, que nem sei quem foi, fez umas previsões pessimistas. Jesus Cristo, filho de DEUS, morreu pregado em uma cruz, condenado por ajudar as pessoas e encarar de frente o que surgia, apenas com palavras, e sábias palavras. Mas ele morreu? Não. Continua vivo no coração daqueles que acreditam. E continua vivo também para os idiotas dos cientistas, que tentam provar que Ele não foi quem foi. Cegos. Ele não morreu. Mesmo que o Seu "fim" tenha ocorrido há quase 2 mil anos.

Sei lá. Muita coisa já foi dita e escrita. Atualmente, se fala no fim da vida na Terra. Mas quem daqui saberá? Ninguém. Estaremos todos mortos, talvez em virtude de todas essas agressões ao nosso meio. Mas ninguém aqui estará sentado na frente de uma cadeira para escrever em um blog: "O MUNDO ACABA EM 2 DIAS".

Ninguém sabe. Ninguém conseguirá saber. Muito menos esse idiota narigudo que lhes escreve agora. O fim, seja de um filme, de um relacionamento, seja de uma vida ou de milhões de vidas, é relativo. Ninguém consegue explicar se existe mesmo um fim.

E também, para que saber sobre o fim? Eu quero mesmo é saber se o ladrão vai devolver o meu dinheiro e se eu vou ganhar uma recompensa por ter tirado um gatinho do alto de uma árvore...

Tão tá!