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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Para os ignorantes escondidos

Chega!

Não aguento mais esses sensacionalismo barato que explode em êxtase e alimenta-se de opiniões vazias e ignorantes de tão 'inocentes' que parecem ser. Estou exausto de ler e ouvir pessoas que dão suas opiniões apenas 'cada um pode dar sua opinião sobre o que quiser' sem levar em conta que é preciso ao menos ter noção do assunto. Utopias são transformadas em objetivos possíveis de imediato.

Tudo, então, é possível para esse povo que pensa ser mais do que... aqueles que pensam ser mais que os outros. E lá se vão comentários, frases e críticas a pessoas que sequer manifestam-se a respeito de determinados assuntos para evitar longas, intermináveis e inúteis discussões. Quem está certo deixa de opinar por estar de saco cheio de tanta bobagem dita em tão poco tempo.

Essa mania que as pessoas passaram a ter que lhes dá o direito, que acabou sendo pervertido para obrigação, de ter tudo o que querem - quem mesmo deu esse direito? - acaba levando a uma falta de bom senso jamais vista na história da humanidade. Todos acham que podem, devem e são obrigados a ter tudo o que querem, ver tudo o que imaginam ser o certo - e a certeza não sai dessa imaginação (in)fértil - e também passam a crer que todos devem pensar da mesma maneira, agir da mesma maneira, gostar das mesmas coisas e ter as mesmas indignações.

Chega de ignorância escondida atrás de uma "lei" do politicamente correto. Morte a esse politicamente correto que eleva as minorias aos céus, desprezando a maioria, o senso crítico, a opinião individual - o que é contraditório se pensarmos que a menor fração de minoria está no indivíduo - e eleva somente grupinhos que não sabem respeitar, não sabem dialogar, não sabem argumentar.

Porque não passam de ignorantes.

Ignorantes que não tem argumentos. Que acham que tudo o que querem deve lhes ser dado no mesmo instante e não medem qualquer consequência para seus atos. Sentem-se oprimidos -  por quem? - e julgam-se sempre, sem exceção, injustiçados pelo mundo, pela sociedade e pelas maiorias opressoras.

Maiorias opressoras é uma crítica bastante hipócrita.

Em contrapartida, essa gente não respeita o que os outros pensam, sejam indivíduos ou - como insistem em acusar com uma metralhadora em mãos - membros da dita 'maioria'. Porque o que os outros, que estão fora desses grupinhos de gente hipócrita e ignorante, pensam, o que eles falam ou no que acreditam... tudo isso é lixo, não deve ser respeitado e nem levado em conta. Xingam, menosprezam, desrespeitam e agem como se os ditos 'outros' estivessem errados.

O problema é que 'os outros' sequer cogitaram algum dia tecer qualquer tipo de crítica ofensiva. Sequer criticam. Comentários seus são transformados em críticas por aqueles grupinhos infantis porque lhes convém ter um 'motivo' para ""defender-se"".

Defender-se do que?

Sim, há exceções mas a maioria não passa de vândalos irracionais que não sabem o que é respeito, o que é possível dentro da realidade e, muito menos, que as outras pessoas podem, sim, discordar das suas 'ideologias'. Eles que oprimem, agridem verbal e fisicamente com o pretexto de estar 'apenas se defendendo'. De quem, caramba, quem é que faz os ataques, que ofende, que despreza e desrespeita?

Encaixe nas minorias os grupos que bem entender porque... você sabe de quem estou falando.

Inclusive se você faz parte deles.

Cansei de vocês. Cansei dessa bobagem de politicamente correto.

Eu não vou mais deixar de defender aquilo em que acredito para evitar discussão. Cansei da arrogância e do egocentrismo de vocês.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Histórias de uma vida não vivida (44)

*Desperte da escuridão, pedaço reprimido pela sensatez. Saia de mim, agonia amaldiçoada por tudo que é correto. Os pequenos detalhes que transcrevem essas palavras são insignificantes perante o que existe, de verdade. É como se estivesse disfarçando tudo aquilo que incomoda, escondendo tudo o que irrita e transformando tudo o que atua com a adrenalina em poeira miseravelmente passageira. O que surge logo desaparece, levado por um vento estranho, lento vento, inexplicável com palavras. Até mesmo as lágrimas ele leva. E, com tudo mais que passa do inevitável para o desnecessário, desaparece, sem deixar resquícios de sua existência, ou da existência daquilo que um dia pareceu ser porém não passou de mera sensação.

Há dias em que a violência toma conta de mim. Sério, não consigo ter paciência sempre com tudo e todos, ainda mais quando surgem idiotas, óbvios ou irônicos, que conseguem fazer com que a minha vida passe do aceitável para o insuportável. Eis que, hoje, decidi me rebelar contra isso de uma maneira bem simples, usando de um artifício estúpido. Desci ao nível dos ridículos, caí ao nível dos idiotas e, digo mais, o abismo é tamanho que não há nível positivo que condiga com o que quero fazer.

Fiquei louco. E serei violento.

O mais irônico disso é que, mesmo quando decidi que acabaria dando um esporro, verbal ou físico, em tudo que acabasse com o meu estado de espírito equilibrado, acabei condicionado a alguns detalhes:

1 - A polícia. Sair batendo em todo mundo até vai, mas na frente da polícia, não. O arrependimento por semanas, meses ou anos na cadeia, por bater em civis, ou policiais civis, seria grande demais. O politicamente correto age mesmo quando tento deixá-lo de lado. Fico pensando na resposta que daria se me perguntassem o porquê de estar batendo pra valer em todos esses infelizes. Talvez fosse algo como 'alguém te chamou aqui?' ou 'você sabe com quem está falando?' ou, talvez a melhor, 'se você não sair daqui vai ser o próximo'. Pensando bem, é melhor evitar o confronto, não quero ser alvo daquelas máquinas imobilizadoras com choque elétrico, o cara fica todo retardado depois de levar uma  daquelas;

2 - Os sensacionalistas defensores dos animais. Dar um chute naquele cachorro imundo que estava prestes a mijar nos meus pés seria bom para o meu propósito de violência para libertação de raiva porém tenho consciência de que sempre tem um idiota parado na rua sem fazer nada que pega o celular e filma tudo. Meu rosto apareceria na internet e seria alvo de fanáticos defensores dos animais até mesmo enquanto estivesse no banheiro. A vontade de mandar essas bichinhas hipócritas, que não querem violência contra cachorros mas não pensam duas vezes antes de pisar em baratas e atirar pedras em pássaros, para a p...onte que partiu é tão grande que eu mesmo queria ser capaz de arremessar um deles para lá. E ainda colocar no youtube depois;

3 - Dona Matilde Ferrari: minha sogra. Aquela jararaca dos infernos me puxaria para o mundinho quente e amaldiçoado dela se descontasse minha irritação, de maneira violenta, na filha dela. Amor, é brincadeira tá, em você eu não desconto nem uma pena :)(mas a sua mãe é sim uma cobra perigosa, só você não vê);

4 - Ronald Twinquer, meu professor de jiu-jitsu. Se aquele monstro disfarçado de professor de lutinha descobre que saí usando golpes que ele ensina até para aqueles pirralhos de 7 anos, não sobraria muita coisa de mim. Talvez alguns ossos da mão ou do pé. Talvez. Pacifista hipócrita, dá a entender que é a favor da paz, que as técnicas de luta não podem ser usadas na rua e tal mas só ele não sabe que todo mundo nesse inferno de cidade sabe que ele já agrediu 20 pessoas em um bar. Naquele dia, o tele-entulho recolheu 612 quilos de vidro quebrado. Mesmo assim, não posso competir com ele;

5 - João Panás Gonzáles, o mendigo. As minhas ações estão condicionadas a não reações dele sobre mim por um simples motivo: ele sabe usar um canivete como ninguém. A vontade é de, à noite, ir lá e roubar aquele canivete, quebrando-o em mil pedaços mas... alguém já fez isso e o infeliz conseguiu consertar. Para piorar, já vi ele furando dois plaiboizinhos que tentaram queimá-lo vivo. Também entra nessa lista porque não aguento mais a sua mania de me pedir, todos os dias, 'um trocado pra mim comprá leite pras criança'. Eu juro que se ele falasse a verdade e dissesse que queria dinheiro para comprar cachaça, eu dava dinheiro para ele (mas só uma vez);

6 - A lista continua com a Doutora Janice Quadros, a vaca gorda. Tenho feito algumas comparações visuais e, se alguém tiver uma trena suficientemente grande para medir a barriga dela, olha, o valor dessa medição passaria o da circunferência da Terra. Sério, e ela ainda teve coragem de, dia desses, me dizer com um sorriso no rosto: "Você precisa fazer academia, está começando a ficar com barriga de cerveja". EU NÃO BEBO CERVEJA! Inferno. Ela é psiquiatra, não nutricionista ou personal trainer. E ainda por cima me diz, toda maldita semana, que ' é fraco o homem que cede a seus impulsos '. Eu queria mesmo ser muito fraco para dar umas livradas bem dadas naquelas bochechas  inchadas;

Minha raiva contra essas pessoas idiotas só aumenta na medida em que o meu contato com eles se mantém ativo. Estender a uma atendente uma nota de 100 reais e ainda ouvir um 'vai pagar à vista?' me faz desistir de ser uma pessoa sociável. Queria poder comprar tudo pela internet mas... ah, os atendentes de telemarketing, preparados pelo próprio encardido, não fazem outra coisa senão ligar para o meu CELULAR às 7 da manhã do sábado para perguntar se não quero colocar no débito automático as minhas contas que... estão no débito automático. E depois, para completar, a pessoa da tele-entrega ainda me pergunta 'quer que entreguemos na sua casa o seu almoço?'.

É impossível. I-M-P-O-S-S-Í-V-E-L.

Chega dessa baboseira, preciso traçar um caminho para levar a minha fúria ao extremo. Talvez um bastão de... porcaria, no brasil ninguém joga baseball. Ou um taco de... é, 'não temos tacos de hóquei', já me disse um atendente afeminado. Se bem que... não, o João fedido não me emprestaria o canivete e... sem as técnicas de luta, não me sobram muitas opções.

Sacanagem, preciso me conter por mais alguns dias até achar uma solução. Mais alguns dias... ah, inferno.

sábado, 10 de setembro de 2011

Reflexões de um maluco (18)


Não quero que as situações sejam mais simples ou mais fáceis. Quero apenas que as situações sejam.

É bem fácil entender como acontece. Definir como montanha russa é precarizar, e até omitir, as consequências. Ao contrário da montanha russa - sobe, desce e, a menos que um idiota não tenha consertado uma parte estragada em potencial, nada acontece com a estrutura, nada acontece com os passageiros, exceto o medo, a adrenalina e a tola sensação de 'bah, é uma coisa indescritível', que não passa de bobagem - o efeito não estudado, sem nome ou definição, de um dia a dia com hifens obscuros pode trazer consigo efeitos catastróficos em algum ponto específico - ou na parte pelo todo, como gostam os poetas. 

Fácil é entristecer quem está alegre, derrubar quem está de pé e fazer cair quem nunca caiu. A semelhança dessas falsas diferenças com o efeito do dia a dia, seja ele 'culpa' do que chamam de 'a vida', 'o mundo', 'o tempo', 'a sociedade' ou - aquele que é mais patético - 'o universo', bem, essa semelhança é, como posso dizer sem parecer um anormal..., uma quase igualdade.

Aí você lê uma, duas ou três vezes e não entende o que está acontecendo, sobre o que estou escrevendo ou mesmo o que se sente quando se anda em uma montanha russa. Tudo bem, não precisa de nada disso agora.
Talvez agora sim.

A exaustão que uma rotina preenchida quase que por completo é um catalisador - ou seja, um agente que acelera algum efeito - para essa sensação de 'sobe e desce' do dia a dia. Esse 'bum' - como gostam de mencionar os psicólogos - psicológico(!) pelo qual passam 'os jovens' também acelera esses efeitos de alegria e tristeza quase misturadas, felicidade e decepção, lamentação e êxtase.

Mas o problema não é a 'fase', nem é 'coisa da idade' ou alguma coisa semelhante. O tal 'universo' que conspira contra todos aqueles que pensam na vida como um todo, e não apenas ao redor do próprio umbigo, bem esse 'universo' - para os que acreditam nele como causador da realidade - joga para baixo tudo o que está em cima, começa a subir e tem potencial para ser estrela, e não apenas faísca de bombril.

Se alguém tem um intelecto tão perturbado quanto o meu pode perguntar(mentalmente e nos comentários): Por que esse sujeito não é mais óbvio? Por que ele não tem capacidade?

Aí eu olho para você e respondo(mentalmente e quem sabe em um futuro "texto"): Capacidade de ser objetivo eu tenho, só não vejo moral em escrever duas frases quando posso escrever trinta e duas vezes treze.

É claro que eu poderia dizer que, seja 'a vida', 'o mundo' ou 'o universo' tem a incrível capacidade de trazer qualquer sensação ou sentimento ruim, como raiva, tristeza, decepção, mágoa ou afins, após - e não apenas após - momentos de espontâneos sorrisos e olhos fechados por lembranças boas. Se consegue(sempre) entristecer quem está feliz, por que não fazer o contrário e alegrar quem está deprimido?

Bife sem batata frita, um cônjuge amar pelos dois, segredo de duas pessoas guardado apenas por uma, e por aí vai. Falta uma metade, falta um pedaço, falta a outra parte, o complemento, o que junto faz ter sentido. Se derruba, como a lei da gravidade, que levante, como... um pai que joga o filho para cima dos ombros e o segura lá até que este tenha se cansado.

Cadê a outra metade do dia a dia? Será que isso acontece porque não coloco mais hifens? Ou é porque penso nessa 'existência'(?) que ela 'existe'(??) mesmo? Por que não existe uma 'gravidade' do 'universo' que empurre o que está no fundo, para cima, e faça com o que está caído levante?

Chega, antes que a criança canse dos ombros do pai e o texto perca todo o sentido.

*Eu não estou de mal com a vida, mau humorado ou quase no nível de 'espicaçar os rins'. Não estou sequer reclamando da 'vida', do 'mundo' ou do patético 'universo'. Apenas precisei escrever para demonstrar que tenho a leve impressão que os meus esporádicos, e isolados, momentos de felicidade estão sendo perseguidos, caçados, ameaçados e, sempre, arrebentados por alguma coisa, à qual a maioria dá o nome de 'a vida', 'o mundo' ou ainda 'o universo'.
Talvez seja só impressão. A sensação de esquecimento alheio e algo mais seja apenas uma semente para mais uma grande dose(quase inesgotável) de crescimento(improdutivo).

domingo, 26 de dezembro de 2010

Histórias do Bandiolo - Um sapo não chega às estrelas


Passos dados são passos dados. Voltar atrás é físico, espacial, jamais temporal. Enquanto caminhava lembrava de todo o tempo que perdia por estar pura e simplesmente caminhando ali, naquele lugar. Ruas fétidas, sujas, sapos e rãs caminhavam por elas e por pouco não eram esmagados pela raiva dos passos que meus pés pisavam.

Eu não queria ter estado lá. Meus passos raivosos, meus pés inquietos, minha boca silenciosa e meu olhar, que ia muito além das placas sujas, das pessoas mesquinhas e das lojas com decorações de um gordo com um saco nas costas, provavam isso. Era raiva, era nervosismo por estar onde estava, sem fazer diferença o tempo, o dia ou o dado momento presente.

Malditos foram meus passos, maldita foi essa história que não quis escrever. Meus passos pisaram, isso é história, chega. Lembrarei pela última vez agora que olhei para o céu e dei nome a duas estrelas. Imaginei se algum dia um astronauta ou qualquer coisa criada pela humanidade chegaria lá. Duas, nenhuma, todas, tanto faz. Estrelas distantes, como eu daquele lugar sujo, daqueles sapos que eram tão estúpidos que nem barulho faziam. As folhas secas quebravam em silêncio, a música não tocava, apenas ruídos foram ouvidos por mim, ao longe. Ouvidos que não ouviam e olhos que não viam nada que pudesse fazer essa raiva cessar.

Longe, sempre longe. Longe, demais, de tudo, em um parafraseamento de Frejat e seu Barão Vermelho, semelhante ao da Corrida maluca. Idiota, longe da ideia de um texto que não deveria existir, assim como a história escrita pelos meus passos curtos, pesados, cheios de raiva. Raiva por não querer estar, por não conseguir distinguir qual estrela, qual pensamento, qual era o motivo, para qual seriam cada um dos motivos. Indefinido, com raiva.

Da distância.

Como sempre, estava longe, dessa vez ainda mais, de onde queria estar.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mais uma queda, mais uma lamentação


O mundo pode até me levar a fazer o que não quero, pelo impulso iniciado em olhos famintos, que assim o são por culpa de uma mente mal instruída quando o início de sua consolidação. Malditos sejam todos que influenciam negativamente cedo e impõe erros difíceis, nunca impossíveis, de serem corrigidos. Hoje me sinto um perdedor, um grande e verdadeiro perdedor. Sofro muito, lamento, estou triste por ser formador de um erro, que explica sim, mas não justifica esse erro. Também, maldito erro. Desculpa, não consegui, fracassei. Felizmente apenas eu sou prejudicado nessa infelicidade toda. Infeliz, sim, sou quando esqueço, impaciento, forço uma angústia inexplicável, atordoante. Que pensamentos estúpidos. Trariam dor menor se o entorno não levasse à tristeza ainda maior.

Tantas vezes caí, tantas vezes mais me levantarei. Jamais sozinho. Tu sabes, Me conheces, Me levantas. És a única fortaleza inquebrável no meio desse deserto onde me perco. Sei que Estás comigo. Eu não sei como me sentiria se o Teu amor não curasse essa minha dor. Cura lenta, não importa. Minhas lágrimas Secas quando Julgas necessário.

Obrigado.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O vazio de viver e só(8)


Preciso sentir raiva sem razão para consegui cuspir um pouco acima do chão, irritando alguma coisa aclamada, não rimada e, certamente, impensada. Rimas que retratam toda essa raiva de sentir raiva por algo que nada é além de pensamento, imaginação, com ou sem rima. Palavras que seguem, chegando ao perseguem, sem ter uma intuição, uma intenção ou qualquer outro ão, ou não, que termine uma rima que não existe, uma raiva que não existe, um texto que não existe. Em analogias passadas, fracassos. Resta ainda a insistência em pouca definição clara do que é ou não é. Do que foi ou não. Das histórias de uma vida, ou várias, não vivida. Pensamentos e então raiva. Lembranças e então raiva. Leitura e então raiva. Raiva. E mais raiva. Até que não haja mais força para motivá-la, olhos para inspirarem-na e dedos para transcreverem aquela que, complexamente, não existe, embora pareça ser muito maior daquela que um dia já foi sentida. Aquela que consigo trouxe um grande lugar escuro no qual era difícil ver. Uma mágoa escura, uma mancha limpada quase por completo. Um esquecimento que ainda insiste em levantar-se contra a vontade dominante, dona de si. Raiva que não existe nada se compara com raiva existente, ou melhor, que algum dia existiu. Complexo é sim sentir uma raiva que não é raiva. Tão complexo quanto seria sentir, quem sabe até viver, um amor que não é amor. Ou derramar uma lágrima seca. No fim, do nada surgiram mais analogias fracassadas. Só.

Sem comentários.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Histórias do Bandiolo - Plano imperfeito. Felizmente imperfeito.


A menina escolheu o outro. Mais jovem, mais simpático, mais engraçado e com uma aparência melhor, mais atrativa. A menina o escolheu por isso, ou por nada disso. Sem sentimento, apenas aparência, o que ela negava. Esse não era o problema. Ela achava que ele, o outro, o mais jovem, era príncipe, era rei, era tudo que pudesse representar o máximo no meio dos mínimos. O outro que não o mais jovem era passado, aliás, nunca fora passado.

Ele, o outro, o mais velho, decidiu vingar-se. Não passou pela sua cabeça agressão física ou retaliação verbal ou de qualquer outra espécie. Não mesmo, isso era para os fracos. Sequer reclamou. Mas jurou, para si mesmo e para um mendigo que ouviu seus lamentos que iria vingar-se, que iria dar o troco naquele idiota que tanto fez para conseguir tirar o que era seu. Aquela que era sua. Idiota, só pela aparência. E ela, boba, ingênua, iludida com promessas, que assim como as políticas, jamais serão cumpridas.

Pensou, refletiu, perguntou ao bêbado quando encontrou-o novamente na praça tomando cachaça mas nada o ajudava. Era o mau sentimento, era a maldade na ação, na intenção, só podia ser isso. Castigo por querer vingança. Ainda assim não desistiu. Ônibus, carro e bicicleta, de todos os jeitos andou, buscando inspiração. Até pensou em atropelá-lo, mas não seria o suficiente.

Um dia, voltando para casa aos chutes em pedrinhas, encontrou a sua vingança. Ou melhor, quem o ajudaria a vingar-se. Pior do que essa vingança seria arrumar um jeito de fazer crescer chifres morais em sua cabeça ou tirar sua pose de galã atlético na frente de seus amigos, igualmente filhinhos de papai que não sabem diferenciar um ovo de galinha de um ovo de pata.

Não precisava chegar a tanto. Não seria uma vingança tão grande mas, como dizem por aí, pegar a irmã dele seria uma grande obra. Uma grande vingança. E uma grande sacanagem com a irmã em questão mas ele, cego, não importava-se com isso. Sedento por vingança, alucinado pelo sabor da gozação para com o tal sujeito. Ele não pensava em outra coisa, era o mínimo que poderia fazer.

Conquistá-la não foi difícil. Apesar de um olhar sério, tinha uma mentalidade infantil e um sorriso de criança. Era tão velha quanto ele mas não devia nada às menininhas, como era sua antiga paixão. Ele conquistou-a rapidamente, pois nem por um segundo aliviava sua carga cheia de raiva e más intensões para cima daquele quase doce de leite. Ela nem desconfiava. Ele cada vez mais se envolvia com a vingança.

Conseguiu. Conquistou-a, tomou-a por sua, sendo o estado civil qualquer um que não fosse solteiro. E jogou na cara do infeliz. Sim, um infeliz! Que foi ao chão de raiva quando viu que o ex de sua menininha estava tendo um caso, ou algo mais, com sua irmã! SUA IRMÃ. Desgraçado. Logo percebeu que era intencional, que ele não queria nada com sua irmã e alertou-a sobre isso. Ela, cega de amores por aquele poeta digno da fase romântica da literatura brasileira, não deu ouvidos ao seu irmão pirralho, idiota e que queria atrapalhar sua felicidade. Já ele, o homem vingativo, foi ao chão. Sua vingança foi alcançada e por isso cantava alto aos céus por sua vitória. Porém, passou a sentir irmã de seu, agora antigo, desafeto, que fora enganada

Sentia pena dela, daquela mulher com mentalidade infantil, sorriso encantador, simpatia sem igual, INFERNO! Fora enganado pelo cupido idiota, que lançou uma flecha de cima do seu ombro que acertou o coração dela. Cupido burro, guardasse para alguém mais... não conseguia completar a frase. Vingança que resultou em paixão e quem sabe até algo mais. Não pensava mais em ninguém, nem na sua antiga... paixão?, nem no seu antigo desafeto e agora cunhado, nem em nada. Seria impossível se não estivesse acontecendo.

Pensou em contar. Desistiu. Não poderia mais viver sem ela. Mas era sincero, precisava contar. Nunca seria perdoado, então recuava em sua intenção. Questão de caráter, muito mais do que de verdade ou lealdade. Más intenções que resultaram no sentimento dos sentimentos. Incrível seria se não fosse visto, concluído, sentido. Seria qualquer coisa que não acontece se não tivesse acontecido.

Raios o partissem, mentia para seu amor quando dizia que a amava? Não, não mentia. Agora. Antes mentia, mentira, e muito. O começo, o fim. Algo justifica? O presente justifica o passado? Não era para ser assim, então não havia justificativa. Injustificável, isso era. Entretanto, não poderia ser perdoado pelo arrependimento... arrependimento? Concluíra seu plano original. Seria um canalha completo se não a amasse tanto agora...

Não sabia mais o que fazer. Foi falar com um grande homem. O bêbado. Entre um gole e outro, eles brindaram à vida, às mulheres e ao Esporte Clube Rio Grande. Brindaram às maravilhas de Deus, dentre elas as morenas voluptuosas e as loiras de olhos azuis. Brindaram com goles no bico da garrafa, de plástico, daquela cachaça vagabunda. E o bêbado disse-lhe o que deveria fazer, e ele, o ex-vingativo e agora apaixonado, fez.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Voltar ao lugar de onde nunca saiu. Caiu.


Quem consegue explicar um fogo que surge sem faísca, sem combustível e até sem oxigênio? 

Quem consegue explicar um vulcão em erupção cuja lava nada destrói?

Um atacante que gol algum marca?

E uma raiva que nada finaliza?

Torrar, tostar, fritar, queimar, jogar ao chão, destruir a matéria por si, só, e muito só.

A vontade é de pegar qualquer coisa e jogar na frente, ou para dentro, tanto faz. 

Destruir de uma vez. Entretanto, destruir o que, tudo está...estava remendado.

A vontade é dormir e acordar alguns meses, ou ao menos semanas depois.

Hibernar, como ursos polares. Polares? Bi, quem sabe. Polares, não sexuais, mentes poluídas.

Idiotas são os ursos se, vejam bem, SE acham que sua comida vai ficar pronta por conta, que os caçadores não estão mais atrás de si e que o aquecimento global faz parte de uma teoria da conspiração que irá destruir a raça humana em 2012. 

Acho que confundi as teorias conspiratórias.

Como idiotas são todos esses alienados estúpidos, viventes de mundos de puro sonho imaginário e desnecessário.

Tão desnecessário quanto a rima a cima. E essa agora, vinda por hora. Ridículo.

Como são ridículos aqueles... aqueles lá, alienados, alucinados, chapados ou não, doentes não, apenas alienados alucinados.

Preferem viver felizes em mundos pessoais, onde a felicidade reina.

Idiotas.

Isso não é viver. É imaginar. A vida, aquela que acontece, a realidade, os dias, horas e tudo mais, aquela vida, coisa de gente triste e sofredora, vai passando.

Não. Não. E não. Quer mais um? Então não.

Sem essa de aproveite a vida, cada momento como se blá blá blá. E mais blá blá para cá, para lá, aqui e acolá. 

Porque do lado de cá, aqui, ali ou lá, alguma coisa aconteceu para que algo como começo do texto trouxesse abaixo algo que eu já havia guardado.

Malditos fabricantes de guarda-roupas. Malditos marceneiros. Malditos infelizes que não sabem fazer um cadeado decente.

Só não é maldita a natureza. E apenas nela não irá respingar essa coisa que alguns chamam de ira, outros de fúria, outros mais idiotas chamarão de ciúme, a minoria talvez chame de transtorno mental ou coisa semelhante, mas eu chamo apenas de raiva.

Desses alienados, de mim, dos marceneiros, de vulcões que existem apenas em sonho e daquele maldito copo d'água que está quase sempre meio vazio. Por falta de água, ou de alguma coisa menos importante para a vida, porém mais importante para mim.

Espero um dia conseguir segurar nesse copo durante o acaso que impede o sempre da metade vazia.

Vazio, de certa forma oco. Comido por traças e cupins se fosse de madeira. Copo idiota.

Ei, guarda-roupas são feitos de madeira.

Abracadabra pé de cabrito, soco de Muhammad Ali... Culpa dos cupins!

Não importa. Porque hoje eu quero xingar os marceneiros.

Porque esses também são alienados.





*ninguém sabe o que tem acontecido comigo.
Prefiro que seja assim.
Só não venham com conselhos,
o texto não foi escrito para isso.  
Uma série de perdas sem equilíbrio com ganhos quase nulos. 
Mas eu já sei que aqueles que algum dia 
disseram que faria sentido 
não passam de bobos. 
Ou como está no texto, alienados.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Histórias de uma vida não vivida (20)

A vida é também feita de escolhas. Momentos e opções que se entrelaçam sem pedir licença, sem a menor razão. Trazem consigo um futuro escolhido e um futuro renegado. Já pensou que ao acordar você renegou um futuro presente que jamais será futuro? E no meio dessas escolhas, você decide pelo melhor pessoal, pela ambição, pelo desejo, pela facilidade, pela conveniência ou por influência. Você decide pela razão, pelo coração. Você decide. Você decide?

Deixou-o de lado como se ele fosse um mero objeto. Mero não, menos. Descartável talvez. Deixou-o esperando, uma palavra, um abraço, o mínimo gesto de carinho. Saiu e foi viver a sua vida, pois suas escolhas eram feitas pensando no melhor para si, na sua vida. Eram sim, as suas escolhas. Passou a ignorá-lo, fingir que nem existia. Ele, em contrapartida, tentou decidir se o pior do que ela fazia consigo era o desprezo ou a indiferença. Procurou uma resposta, aqui, ali, com pessoas desprezadas e desprezadoras, alvos de indiferença e com os próprios indiferentes.

Jamais achou resposta.

Pouco importava qual dos dois era pior. Eles estavam tirando de si uma parte de sua alegria, de sua consciência, de sua razão e da pureza de seus sentimentos. Coração que perdia a cor e acinzentado ficava. E tudo por ela. Custava acreditar que alguém a quem dedicou tanto tempo, tanta atenção e a quem entregou tanto amor, oh sim, sincero e puro amor, pudesse virar-lhe as costas e ignorá-lo, como se nada houvesse feito ou mesmo sido para si. Ela, não era a culpada. Ele a conhecia. Tão singela, simpática, um amor de pessoa, uma flor de menina. Flor, uma rosa amarela ou uma tulipa qualquer, ambas poderiam representá-la. E por conhecê-la, custou a acreditar que, sem que palavras fossem ditas, ela passasse a entregar-lhe sentimentos por gestos patéticos, frios e espinhosos.

Ele sempre soube também que, embora ótima pessoa, era vulnerável a ataques externos. Quantas foram as vezes em que ele fez ecoar em seu redor sinceras e consoladoras palavras para que seus olhos se abrissem e seu coração fosse visto como verdadeiro dono de sua vida. Tantas vezes, para nada. Descuidou-se, teve de afastar-se dela. E foi aí que aquelas pessoas conseguiram vencer. Sobre mim, mas principalmente, sobre aquela menina. Via nela agora uma menina pobre, sem forças, dependente da ajuda daqueles que têm, ou fingem ter.

Ela, por sua vez, via nele uma podridão, ausência de moral, um agora inimigo. Não queria mais vê-lo, não queria mais falar com ele. Mas estava aliviada que seus amigos lhe haviam aberto os olhos. Eles sim mereciam sua confiança, suas palavras e sua bondade. Eles eram seus amigos. Ele, idiota, que fosse para o inferno e de lá nunca mais saíssem.

Eles, os amigos dela, riram quando souberam que conseguiram mudar a opinião que ela tinha sobre ele. Riram, até suas barrigas doerem, até suas mãos cansarem de bater na parede, até seus olhos lacrimejarem, até que ela ouvisse as risadas e o deboche.
De onde vira a patética cena, saiu calada. Que fossem eles para o inferno. Arrependida, sabia que jamais conseguiria reconquistar a confiança daquele seu amigo que tantas vezes quis abrir seus olhos. E como ele, não emprestava, não vendia nem jogava mas dava seu tempo a ela. Sentia-se amada, por um amigo, um primo, quem sabe um irmão. E jogara aquilo fora, por uma bobagem. Dos outros, da sua cabeça. Fraca e vulnerável que agora estava sem um dos defensores, uma das barreiras que impediriam que ela voltasse a errar dessa maneira.

Mas ainda permanecia em dúvida. Embora tivesse visto o que aqueles que outrora julgaram-se seus amigos disseram e ironizaram, sentia-se culpada mas em dúvida. Tinham plantado nela a semente da desconfiança, da arrogância, da maldade. E ela não sabia como tirar essas sementes dali.

Não pediu perdão a ele. A sua dúvida era grande demais para que pudesse confiar em alguém.

Tanto que nem em seu coração confiava mais.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Nem seis, nem meia dúzia. Uma paulada e ponto final.


Quando a situação não está boa, o time não consegue ganhar e perde jogos que poderia ganhar, quando os craques do time racham o grupo ao meio por julgarem-se um melhor que o outro, o que a diretoria faz? Demite o técnico, em uma tentativa desesperada de evitar o rebaixamento do time. Dar aquela mexida no grupo, aquela sacudida. Geralmente com um técnico que seja duro, rígido, que trate todos da mesma maneira, que dê sopapos nos arrogantes e xingue para valar quem ousar julgar-se mais importante.

Em uma empresa, quando os lucros diminuem, o que acontece? Reformulação. De membros da diretoria, de funcionários de um setor que não tem trabalhado direito, enfim, a chacoalhada, a mudança também serve nesse caso. Busca por renovação, por recomeço, por melhora. Ao invés de tentar mudar com o que tem-se à disposição, tenta-se mudar trocando peças, pessoas, enfim, alguma coisa mais fácil do que ajeitar e adaptar o que há.

Assim como computador. Quando está dando problemas, vários problemas, poucos pensam em ir a fundo e consertar. Muitas vezes porque não vale à pena, o custo benefício não vale, porque não tenha consertou ou algo do tipo. E é assim. Você compra um novo e deixa o velho, que tanto te incomodava e irritava de lado. Às vezes nem consegue vendê-lo, o que deixa você com mais raiva dele.

O que não dá é ficar de braços cruzados vendo o time ser rebaixado, a empresa à falência e a sua paciência e seu tempo desaparecerem assim como os arquivos do computador. Não dá para esperar que o técnico em computação se ofereça para consertá-lo, para ajeitá-lo ou mesmo para oferecer um novo. Como não dá para achar que trocando de técnico o time irá ganhar todos os jogos ou trocando os funcionários a empresa irá crescer monstruosamente.

Dependendo do caso não vale à pena mudar com o que se tem. Mas achar que só mudar as peças vai mudar a situação toda também é deixar para que o vento guie sozinho o rumo do barco. E você sabe que o vento não te obedece e não vai para onde você quer(pelo menos não sempre).

Muito mais importante do que peças, é mudança de atitude. E para isso, é bom deixar o computador de lado, uma vez que a tecnologia traz infelizes exemplos para a realidade. Troque o técnico mas também dê uma bofetada e corte o salário daqueles craques que só estão atrapalhando. Troque os funcionários mas lhe dê melhores condições de trabalho.

Troque o barco mas compre um com motor, se você não quer mudar as velas de lugar a cada instante.

Vá à luta, mude de atitude para só então pensar em mudar as peças.

Aí, se nada der certo, feche os olhos e reze, até que alguma ideia revolucionária ilumine o teu caminho. 

Brincadeira.

Se preciso, de socos na cara. Dos jogadores, dos funcionarios, do computador. Ou quem sabe dê um soco no meio da sua cara. Coloque vergonha no meio dela, uns cartazes na parede com escritos do tipo 'deixa de ser idiota e vai fazer o que você sabe que precisa fazer'.

E sem choro, sem reclamar da vida, do mundo, de Deus. Sem pensar no que poderia ter sido e não será. 

Se você não vai mais ganhar chocolate, por que não aprender a gostar de amendoim?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Histórias do Bandiolo - Muito mais do que parece, muito menos do que é

Como se nada tivesse, saiu voando para lugar algum. Suas asas batiam o ar sem o menor respeito, com força. Tinha raiva de tudo que o cercava. Tinha raiva daquele vento inútil que ele cortava sem piedade. Tinha raiva de suas asas, pequenas demais para suas ambições de vôos maiores. Tinha raiva. Muita raiva.

Era pequeno, mas suas ambições, sonhos, o que fossem de verdade, eram grandes. Enormes. Voar alto, chegar onde nenhum outro semelhante seu chegou. Mas não podia fazer isso. Não podia fazer isso pois sua natureza não lhe permitia.

Então, cheio de raiva, remorso, tristeza e tudo aquilo que junto forma a decepção, voava pelas imundas ruas daquela cidade patética. Era grande demais para ser percorrida em um só dia, mas pequena demais para quem queria voar alto, ser ainda mais diferente.

Vivia sozinho, longe dos seus semelhantes e também dos diferentes de si. Não gostava da companhia, eram todos patéticos, com ambições pequenas, simplesmente patéticas. Contentavam-se com restos de pipoca e sementes que as pessoas deixavam no chão. Contentavam-se em ficar vivos quando recebiam rajadas de pedras dos xebas(moleques de rua). Tudo era bom, tudo estava bom. Ridículo. Todos eram patéticos e isso era motivo para sua solidão.

Não aceitava aquele mundo chato, aquela cidade imunda, aqueles pássaros idiotas como parte de sua vida. Queria inovar, mudar, lutar por algo diferente. Atacava os que lhe atiravam pedras, defecava nas cabeças das pessoas que tentavam lhe atrair com pipoca e sementes duras e sem gosto. Tinha raiva das pessoas daquele mundo imundo. Para ele, ninguém prestava.

Comia frutas em pés apenas porque precisava comer. Bebia água das calhas, onde nenhum outro pássaro bebia, para permanecer só. Idiota era ele, mas julgava-se um soberano entre os pássaros, uma entidade maior. Estúpido arrogante. Um simples pássaro, e arrogante.

Viveu essa vida de solidão, com raiva de tudo, de todos, com raiva da sua própria vida, de si próprio.

O que queria, não conseguiu. O que tinha, não quis. O que conseguiu... bom, ele não conseguiu nada.

E quando morreu, seu corpo apodreceu no meio do asfalto, pois todos acabaram tendo raiva de suas atitudes arrogantes, sem qualquer resquício de bondade.

Foi apenas mais um idiota. E para piorar, um pássaro idiota.



*Pouco importa se o que é da minha natureza é pouco demais para o que quero. 
Pouco importa se ser quem sou não ajuda na minha diária luta por coisas relacionadas à sinceridade. 
Pouco importa se essa agonia de hoje que por várias vezes prejudicou a minha respiração permaneça amanhã. 
Pouco importa qualquer coisa, pouco importa tudo, pouco importa nada. 
É apenas mais um grito de quem precisa de alguma coisa, mas não pode fazer nada por não saber o que vai conseguir lhe tirar disso. 
Seja lá o que isso for.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Na festa mais popular, eu sou antissocial


Época de carnaval, o período mais improdutivo e inútil do ano social brasileiro. Hora de vadiar, de beber, de fumar, de gritar, fazer escândalo, aproveitar oportunidades e gastar os órgãos sexuais de tanto usá-los e depois gabar-se para amigos e amigas, enfim, aproveitar os prazeres, todos fúteis. São dias de diversão, de fazer o que na maior parte do resto do ano não se pode fazer. Pelo menos não em lugares onde a maioria está fazendo o mesmo.

E o carnaval acaba sendo uma grande orgia, hetero ou homossexual. Tem gosto para tudo, opções para tudo. Prazeres de todos os tipos, para diferentes ausências de personalidade própria. O popular é o que importa. O todos é fundamental aqui. Todos vão fazer isso? Então eu vou, e quem está comigo também. Não há mais como colocar a palavra 'valores' e citar esses valores em um texto que fala de toda essa podridão que as pessoas chamam de carnaval.

Não tem mais graça criticar. Eu já expus a merda que essa festa popular é. E toda a falta de qualquer coisa boa que nela existe. Alguns dirão alegria mas, alegria momentânea, em sua maioria por futilidades patéticas, vale mesmo?

Sabe, quem quiser fazer parte dessa grande orgia, que faça. Para o inferno. Só sei que dentre as minhas convicções está participar do carnaval apenas quando ele não for mais essa merda toda, essa grande orgia na qual milhões participam em milhões de lugares.

Acho que nunca mais participarei. Sim, há dois anos participei, não me arrependo, mas percebo que isso não fez diferença alguma na minha vida. Maus exemplos eu posso ter, ver e até fazer parte em qualquer lugar, em qualquer dia. Não preciso participar do carnaval para tê-los.

Lembrando que existem pessoas que seguem caminhos certos, que dão bons exemplos, que tem personalidades e caráter próprios, enfim, que fazem isso pela sincera diversão, felicidade, e não pela futilidade, promiscuidade, enfim, os motivos da maioria. Exceções existem sim, e por isso são citadas aqui.

Cada vez mais distante do popular, do que a grande maioria gosta. Na lista das exceções. Um pouco mais antissocial.

Ainda mais agora, que os dias estão passando sem raios de sol, sem nuvens brancas, sem vontade e sem perspectiva de melhora, de sentimento pleno.

Triste, mas jamais desesperado ao ponto de mudar as minhas escolhas, os meus conceitos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Dia. Dia?


Há uma semana, ou oito dias, não sei ao certo, parece que a falta é mais importante do que a presença.

Fraqueza que aumenta. Como se fosse algo que me deixasse embaixo permanentemente. Embora eu consiga escapar desse buraco eventualmente.

Mãos atadas, mente fechada, boca, olhos e ouvidos intactos, sem qualquer vestígio de movimento, de intenção e sem força para agir, para mudar.

Tanto estranho mais por ser algo até previsível, que um dia ou outro aconteceria. Nada que eu quisesse, mas tinha a noção de possibilidade de acontecimento.

E não há beleza nas palavras. Não há alívio, não há mágoa, não há dor, muito menos alegria. Não há nada em palavra alguma.

Há apenas agonia aqui, coisa que mundo algum, que pessoa alguma e que tentativa qualquer poderia explicar. Sem entendimento.

(...)

Escrever apenas que a agonia é grande, que a ausência, a tristeza e tantas outras coisas semelhantes só aumentam, em número e tamanho.

'...um girassol sem sol...', sem um único raio de sol. E assim será por algum tempo.


(não haverá comentários nessa postagem)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sinceramente...


As pessoas podem resolver os problemas de todos, menos os seus. Elas acham isso. Eu, há muito tempo, achava isso. Mas não só não posso resolver os problemas dos outros, como continuo sem poder resolver alguns dos meus. Alguns.

Seria arrogância essa história de julgar-se conhecedor de tudo, vivenciador de tudo o que os outros estão passando para assim ter conhecimento e experiência para dar conselhos? Talvez, cada um coloca o adjetivo que bem entende.

Entender. Verbo banalizado demais. Todos entendem tudo, sabem de tudo o que os outros estão passando, como estão se sentindo. Mentirosos hipócritas e arrogantes. Eu pelo menos fujo disso, já que assumo não saber nada nem mesmo da minha vida. E tento ajudar os outros, mas não mais dizendo que os meus problemas são piores ou que já passei por tudo o que as outras pessoas estão passando.

Cada um ganha um buraco. E o óbvio é jogar-se nele. Eu fiquei sentado à beira do meu, olhando para baixo e vivendo como se lá estivesse. Talvez estivesse mesmo, não importa, mas pelo menos não achei que era a pior vida do mundo a minha. Sim, em algum momento achei, mas logo parei de pensar que fosse mesmo. Embora para mim fosse, para os outros não era, então, como era apenas o meu mundo, o meu buraco, a minha imaginação, os meus problemas, a minha vida, eu sabia o que estava acontecendo, ou não, e tentava entender.

O engraçado é que as pessoas achavam, e demonstram ainda achar, que me entendem completamente, que já viveram tudo isso, do mesmo jeito que vivi. Que eu cavei meu próprio buraco e que sairía de lá quando quisesse, já que estava lá por escolha própria.

As pessoas acham demais. As pessoas acham demais da vida das outras pessoas. As pessoas acham que sabem demais de tudo, e contam para as outras pessoas como se esse inexistente tudo fosse a verdade única. O caso único. A única solução, visão, saída e entendimento.

Sério, as pessoas são muito irritantes, muito arrogantes e pouco pensantes. Era preciso colocar uma rima estúpida para facilitar a leitura. Para facilitar o entendimento, já que o que as pessoas buscam é entendimento dos outros, da vida dos outros, das palavras e dos buracos dos outros. Jamais dos seus.


*Esse que aqui escreve, tomado por uma raiva franca e fraca, desabafou.
*Não levem em conta nada disso na hora de um desnecessário julgamento.
*Há sim, textos melhores a serem comentados, os marcadores estão ao lado

*Espaço próprio, para vida, conhecimento, experiências e buracos próprios.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Algo de um passado não tão distante



"Longa viagem, longa reflexão, longas e distantes ideias e nenhuma conclusão. Ou seja, nenhuma novidade. Um entendimento incompleto. Um sentido esquecido. Algo incontrolável, imutável, instável e sem qualquer perspectiva de melhora ou mudança. Medo do provável, do imaginável, daquilo que jamais deveria existir. Longe, de mim, da verdade, da sinceridade, da espontaneidade. Distante dos meus olhos, das minhas mãos. Distante de mim, do meu coração. Um sonho, um sentimento, uma verdade, distantes de tudo. Eu, distante de um tudo tão relativo quanto escolhas superficiais, com futuros patéticos. E eu aqui. Perdido, longe."


*escrito no dia 26/12/09, no meu celular. 
Dias complicados, sem muita fundamentação mental. 
Dias chatos, monótonos e cansativos pela falta do que fazer. 
Acabei publicando no Lar dos Escrivólatras antes. 
Nada mais a dizer.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uma grande quantidade de nada

(O amanhã colorido - Cidadão Quem - trilha sonora do texto e da(com boa vontade) reflexão de hoje. Ótima música e ótima letra)

*Para sonhar é preciso apenas viver. Mesmo que o sonho não se possa viver. E mesmo que o viver não passe de um sonho.

Muita coisa já escrevi, já apaguei, já lembrei e já pensei.

Tanta coisa que não sei de mais nada. Como nunca soube de tudo. E nunca saberei.

Nunca precedido de verbos no futuro é algo perigoso e, no mínimo, impreciso. Seja qual for a pessoa. O verbo. O nunca.

Porque o nunca nem sempre é nunca. Assim como o sempre também não o é por completo.

Exceções, malditas e benditas exceções.

Tempo que não será assunto hoje. Não intencionalmente.

Porque acho que todos já sabem que eu tenho uma raiva imensa do tempo. E pena daqueles que nele, ou seja, no tempo confiam.

E não é só por esperar e não viver. É por achar que o tempo vai fazer aquilo que a própria pessoa precisa fazer.

Comodismo? Não. Sinceramente, é falta de vergonha na cara. Falta de coragem, de sinceridade, de vontade.

Eu disse, o tempo não deveria estar aqui.

Porque ele não é o culpado pela volta de alguns problemas que eu tinha, e agora voltei a ter.

Olhar para o chão enquanto falo com alguém ou alguém fala comigo. Falta de educação? Não. Problemas relacionados à timidez.

Tique nervoso no pescoço cada vez mais intenso, cujas dores musculares(óbvio, no pescoço) são cada vez maiores. Engraçado? Não. Irritante e inexplicável.

Um aumento progressivo na ansiedade, sem motivo algum, e na preocupação, que não é com a necessidade de notas ótimas em provas tiradas do inferno.

Voltaram. Ou começaram. Piores do que eram, do que outra haviam sido.

Frases. Voltas, mudanças.

Continuo na mesma. No nada. Num deserto de tudo e nada. Só não consigo achar o tudo.

No meio de um oceano. De desilusão? Talvez. Talvez seja um oceano de desmotivação. Tudo tão parado, a água, o sol, o vento.

Sem rumo, sem destino, sem saber onde estou. Perdido.

Em mim.

O que era ruim piora.

E o que alguém pensa que mudou continua a mesma coisa. E, sabe-se lá o mente que deveria colocar aqui, acaba aumentando.

Talvez esse aumento, sem percepção, sem valorização, sem retribuição seja o pior.

Talvez.

Porque se eu não sei nada, ou quase nada, não posso, ou não é provável, saber.

Lamentação. Mais do que tristeza.

Desmotivação, mais do que pareça.

Frases. Recurso muito utilizado no passado e só re-utilizado agora porque o texto escrito antes havia ficado terrível.

Enfim.

Deve haver um propósito nisso tudo. Escolheria sempre o mesmo caminho, quantas fossem as vezes repetidas.

Sempre o mesmo caminho porque algo maior existe sim.

E só um cego, ou alguém que se faz de cego, não vê, e não... entende(ou qualquer coisa do tipo "cai na real") o que é isso.

Depois não entende por que tanta coisa ruim vinda de mim.

Não esperem nada de mim. Nem um texto bom consigo escrever. Nem um pensamento bom consigo.. pensar. Nem um sonho bom consigo imaginar, que dirá realizar.

Se bastasse a inconformidade, a vontade e a sinceridade, eu não estaria aqui. Se bastasse qualquer razão, qualquer motivo, qualquer prova, eu não estaria aqui.

Por mim, e também não por mim.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Malditas terceirizações

Em um mundo globalizado, terceirização é o canal. Ninguém mais faz nada, só terceiriza. Manda pra outro. Assim como atendentes de telemarketing. Ao invés de resolver o problema logo e ajudar a salvar o planeta, não, eles mandam para o cara do lado, que faz o mesmo, e os bobos que precisam ter um problema resolvido ficam na mão.

Em tudo é assim. Terceirização. Eu não faço, pago para alguém fazer porque, afinal de contas, eu ganharei o suficiente para fazer com que alguém trabalhe por mim.

Mas não é essa a questão. Agora não. Para mim não. Cada um faz o que quiser com seu dinheiro, seu trabalho, sua vontade. Até porque, a terceirização que eu vou criticar, com um desabafo, não tem muito a ver com essa.

Essa é do tipo desvio. Trocar o foco por necessidade. Raiva. Raiva terceirizada. Ter raiva de alguém por esse alguém ter terceirizado um serviço. Acabado com o contrato de alguém que sequer é da sua família. Ou, mesmo que fosse. Alguém que mete-se naquilo que não é da sua conta apenas para terceirizar o que os invejosos tanto desejam.

Alguém que dá opiniões do tipo 'não vale', 'sai' ou 'esquece' por ter feito assim e alcançado a infelicidade. É a história do 'infeliz até vai, mas não sozinho'. Coisas do tipo 'não dá', 'é melhor' ou generalizações por traumas(estúpidos) passados.

Terceirizei minha raiva. Para uma pessoa terceirizada. Para opiniões terceirizadas. Raiva.

Assim como tantos já sentiram raiva de opiniões de pessoas estúpidas que nada tinham a acrescentar e que, por algum motivo pessoal, seja inveja ou simples solidão no buraco que elas próprias cavaram, estragaram histórias, que poderiam ser muito mais do que histórias, mas que não passaram de frases.

Sons, ruídos, olhares, mentiras sem nada de verdade. Raiva. Terceirizar isso ameniza os palavrões. Ameniza a própria raiva. Ameniza as consequências dela. Mas não ameniza a culpa dos malditos terceirizadores de trabalhos patéticos que julgam-se sábios e amigos. Claro, os melhores amigos são aqueles que ajudam a levantar. Não os que propiciam a queda.

Não. Não ficou muito claro. Eu sei. Mas preciso voltar ao ritmo antes de escrever como gostaria.

sábado, 3 de outubro de 2009

Um presente às avessas. Uma lição.

Prestes a completar 18 anos, só existe um presente que ainda não ganhei. E é provável que demore muito a ganhar ainda. Não, não é a formatura, não é um notebook, não é um suprimento vitalício de bergamota ou Fruki. Nada disso. E também ninguém aqui vai saber além de mim. E do meu eu-lírico.

Ontem eu ganhei uma coisa que há tempos precisava. Uma lição de vida. Deus colocou no meu caminho alguém que precisava de atenção, porque sabia que eu, de alguma maneira, daria atenção àquela pessoa. Um mendigo bêbado, como ele mesmo descreveu-se. Que trazia consigo uma garrafa de cachaça, o motivo para ter largado mulher e filhos. Alguém que há anos dorme nas ruas e que até já foi quase morto por (malditos) plaiboizinhos que usam correntes de ouro e que colocaram fogo nele. A marca no seu braço direito mostrou-me que aquilo não era apenas história.

Aquele homem contou-me sua triste, deprimente, errada e violenta história. Alguém esquecido pelas pessoas que compram votos, por aqueles que acreditam que partido X ou Y vai resolver o problema. Esquecido por quem deveria ajudar. A todos, e não apenas aqueles que colocam um número na camisa e saem por aí fazendo campanha.

Esquecido por pessoas que dele ouvem, assim como eu ouvi, um "boa noite, e que Deus lhe abençõe". Eu prestei atenção nele, ele interrompeu o seu, e o meu caminho para conversar. Jamais havia visto-o. Dificilmente voltarei a vê-lo. Mas aqueles minutos foram um verdadeiro presente de Deus para mim.

E antes que eu pudesse dizer que não tinha dinheiro para comprar a pomada que a sua queimadura exigia, ele disse que para mim não pediria nada, pois aqueles minutos de conversa, aquela atenção humilde lhe era suficiente.

Conheci e conversei com alguém que passa pelo pior que uma pessoa pode passar. E mais até, porque fome, frio, um vício ou mesmo o fato de ser ignorado por todos, mesmo lhes desejando o melhor é o pior. Ou deve ser o pior. Agora ser quase queimado ultrapassa isso.

Tive pena daquele homem. Sério, eu disse para a Jah que, mesmo que ele fosse comprar cachaça depois, se eu tivesse dinheiro naquele momento, daria para ele comprar o remédio que precisava. Não me importaria se soubesse que ele não fora comprar o remédio, porque alguém naquela situação precisa de alguma coisa que a faça esquecer da própria situação por alguns instantes.

Como tenho a certeza de que ele esqueceu tudo de mal que tinha no momento que ganhou um olhar atento e ouvidos abertos direcionados a si.

Me sinto mais humano depois disso. Mais próximo da triste e deprimente realidade social. Curiosamente, me sinto mais próximo de Deus também. Mais maduro e pronto para entender o ser humano ainda mais.

Tenho que repetir.

Me sinto mais humano.

Obrigado, Deus. Esse foi o meu presente de aniversário antecipado.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Não olhe para mim

Não lembro quem escreveu, como escreveu ou por que escreveu. Mas alguém escreveu. O quê? Que os tímidos, sejam eles ou elas, possuem mania de perseguição. Caramba. Não é de hoje que sei que tenho esse distúrbio, mas a coisa está piorando.

Ta certo que sim, tem uma câmera na entrada do prédio, umas quinhentas dentro do supermercado, uma em cada canto que entro. Até na loja de revistas e livros existem, pelo menos, umas 3 câmeras. Mas eu não devia achar que no meu próprio apartamento existam câmeras. Que alguém do lado de fora, o que é difícil demais que aconteça já que não há um prédio vizinho de fato, fique a vigiar este indivíduo que escreve olhando para os lados, com medo de que alguém roube alguma frase “genial”(e sejam bem reparadas as aspas).

Tímido tem mania de perseguição porque não gosta muito de coisas novas. De pessoas novas. Logo, tímidos não podem passar muito tempo em cidades grandes. E olha que aqui não é tão grande assim mas, não é, definitivamente, uma cidade pequena. E gente nova, coisa nova, rua nova(no sentido de não ter sido ‘desbravada’antes é o que não falta.

Não é nem falta de segurança. É timidez. E com ela a mania de perseguição. De achar que todos aqueles idiotas que passam por você estão olhando e rindo de você. Tá bom, desconta o fato de num dia eu ser motivo de chacota por estar com a cara cheia de batom, mas enfim. As pessoas passam e olham como se eu fosse um... um verdadeiro motivo de chacota.

Que droga. Mania de perseguição é algo extremamente engraçado pra quem não tem e pra quem é acusado da tal perseguição que, na maioria das vezes, não existe. E quando existe, a dimensão é bem menor do que a imaginada por tímidos, como eu, e como alguém que certamente lerá isso. Porque não é possível que todas as pessoas que lerem isso vão ser pessoas não tímidas, ou descoladas, ou extrovertida, como é a maioria das pessoas que conseguem esconder a timidez ou impedir, de fato, que ela seja timidez.

Mas é complicado. Achar que sempre se está sendo seguido, observado. Que as pessoas sempre riem de você. Que aqueles que conversam com você acham que suas diferenças físicas são defeitos. Que tudo o que você é não passa de motivo para piadas de pessoas que não perdoam a timidez alheia, embora algum dia já tenham passado por isso.

Era mais fácil ser antissocial de uma vez. Mas eu não consigo deixar de fazer uma piadinha do tipo ‘não precisa de sacola, isso aqui cabe no bolso’ com a atendente do mercado. Droga, isso prova que eu não sou um antissocial.

Então que eu possa um dia, mesmo que muito distante, controlar essa mania de perseguição.

Porque acabar com a timidez. Bom, eu já desisti disso.

domingo, 16 de agosto de 2009

Mais um na madrugada

O que eu estou fazendo aqui? 
Penso e não acho resposta. 
O fim da estrada que nunca passou de um sonho. Distante e inalcançavel. 
Obstruída por coisas que não vejo, e que, dizem por aí, são as piores coisas possíveis. 
Não posso ver. 
Não me deixam. 
Estou preso dentro de mim. 
Melancólico e deprimente término de um ciclo que, no fim, nunca deixou de ser um zero. 
Até onde consigo ver, enxergo rosas e lixo, muito lixo. 
Lado a lado. Misturados por jardineiros inconsequentes. 
Ninguém sabe de onde vem o perfume ou de onde vem o mau cheiro. 
Sou incapaz de distinguir isso. 
Sou incapaz de ver isso. 
Sou incapaz de separar o lixo das rosas. 
Sou incapaz. 
De tudo e de nada. 
Estou parado. Olhando ao meu redor. 
Tentando escolher por onde começar. 
Mas não consigo sair do lugar. Meus pés estão presos. 
Minhas mãos atadas. 
Meus olhos são vendados periodicamente. 
Minhas orelhas estão trancadas com fones que tocam a mais depressiva das músicas. 
A minha cabeça já não consegue mais pensar. 
Meu coração parou de bater.

Fim. Do que não começou, e do que não vai acabar.

*isso é ridículo, eu sei