Mostrando postagens com marcador retratos de uma sociedade patética. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador retratos de uma sociedade patética. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Retratos de uma sociedade patética (13)

Tenho pensado bastante e acho que já não consigo mais ver e ouvir tudo isso calado. É bem provável que nos próximos meses, os últimos, eu vá falar, de fato, o que penso sobre essa gente. A veia inconformada da minha personalidade tem sido moldada com cuidado para, quando chegar a hora, estar pronta o suficiente para ser clara, objetiva e correta na exposição pós julgamento. Esse, por sinal, tem sido feito ao longo dos últimos quatro anos e, bom, não é pouca coisa.

O problema, pensam alguns, é que sou invejoso. Invejo as notas melhores, a popularidade que não tenho, as tiradas 'cool' nas aulas, o jeito de sair como 'o tocha' das provas após ter sacaneado e vencido pela ilegalidade, pela falta de caráter, pelo que não é justo, não é correto. Pela corrupção que tanto se critica hoje em dia.

As pessoas são corruptíveis quando não cedem à Verdade e à Justiça, ambas presentes incríveis Daquele que tudo criou, e deixam que o mundo, o mal e tudo aquilo que é oposto ao Bem e às Leis Morais, vença em suas vidas. Os maus exemplos são seguidos e admirados pelas atitudes 'corajosas' que os pequenos imprevistos exigem. Coragem gera aquilo que é bom. O que leva à prática do mal é qualquer outra coisa, pode ser perversão ou falta de vergonha na cara. Tanto faz.

Vejo que, hoje, poucos se preocupam em aprender, em crescer, em buscar algo que não seja por interesse financeiro ou que influencie em seu status social. Dentro e fora da universidade. As pessoas com quem convivo, salvo raras e poucas exceções, não tem caráter. Infelizmente isso reflete um tanto a sociedade em que vivemos. As caóticas entidades de casa, que não podem ser chamadas de família para não denegrir a imagem das verdadeiras famílias - o que acaba sendo mais uma injustiça quando acontece - não cumprem seus papeis de educar porque, no fundo, pouca gente busca o que é correto.

Vivemos em uma sociedade corrupta, a universidade, local de preparação para o futuro de profissionais e CIDADÃOS sociais, não forma caráter, não ensina o que é certo, não forma, de fato, cidadãos. Se a família não o faz, a universidade não o faz então, é evidente, que nada é feito. E os corruptos estão aí, sentados ao seu e ao meu lado nas aulas. Aqueles que, num futuro não distante, reclamarão - e reclamam quando desligam o smartphone e param de conversar durante as aulas - que os políticos não prestam.

Os imundos falando dos porcos. Vergonha.

Não tenho inveja das notas melhores, não tenho a mínima vontade de estar cercado por pessoas 'descoladas' e populares, de ser conhecidos por alunos de todos os semestres do meu curso. Não tenho o intuito de ser mais do que ninguém, de tirar a vaga de alguém no puro puxa-saquismo, como já vi muitas vezes acontecer. Não quero essa vida, não quero boas notas que não representem meu estudo, meu esforço e minha vontade de ser um bom profissional.

Até parece um discurso politicamente correto. Vou acabar com essa aparência.

Detesto e acho ridículos todos vocês que não estudam e, nos grupos do Facebook, ao invés de discutir o conteúdo e tirar dúvidas, ficam falando que 'a cola está incompleta', 'na prova do semestre passado caiu essa questão, e isso está na cola' ou 'por que ninguém resolve essa questão e passa para todo mundo colocar na HP e poder ver durante a prova?'. Fora as colas passadas durante as provas via What's App, email, mensagem, etc. É ridículo. Vocês são idiotas (acabou de vez a politicagem aqui). Talvez sejam profissionais competentes, talvez mudem de atitude e passem a lutar, a buscar, a querer algo que seja bom de um jeito correto. Talvez. Mas isso não muda a falta de moral para abrir a boca e reclamar de alguém. Não tira de vocês o rótulo de hipócritas quando dizem 'estudar muito, ralar pra caramba'. É hipocrisia pura.

É injusto tudo isso. É injusto comparar notas de quem cola com as de quem não cola. Injusto. Não estamos falando de crianças no ensino médio. São adultos - com mentalidade de 12 anos, é verdade - que em pouco tempo estarão trabalhando e colocando sua formação acadêmica a serviço de outras pessoas, de uma sociedade carente de justiça e de bons exemplos. Vocês não dão sequer um bom exemplo. É injusto. É ridículo.

Mediocridade.

Retrato bem tirado de uma sociedade bem patética.

A minha geração não é o futuro do país porque, se for, não é o céu que vai cair na sua cabeça e sim a casa, o prédio, a ponte, enfim, tudo aquilo que passe pelas mãos de um engenheiro.

Que, se for medíocre como durante a graduação, será um criminoso em potencial. Crime por incompetência.

Que Deus cuide daqueles que ainda zelam pelo que é correto, pelo que é honesto, pelo que é justo. Creio na justiça Divina.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Retratos de uma sociedade patética (12) - A manchete que desrespeita



Difícil encontrar alguma pessoa que, possuindo o mínimo de amor no coração, não ficou chocada ou sensibilizada com a tragédia que vitimou centenas de jovens em uma boate de Santa Maria. Salvo pessoas inescrupulosas que na internet demonstraram sua completa falta de humanidade, o que se viu foram comentários cobrando justiça ou buscando levar apoio aos familiares das vítimas. As notícias que chegaram até nós, pessoas simples, através dos mais diferentes tipos de mídia foram, em parte, uma agressão tão grande ao luto de amigos e familiares envolvidos na tragédia quanto as palavras inescrupulosas anteriormente citadas. Ainda no domingo ouvi um jornalista perguntar ao comandante dos bombeiros se ‘poderiam ser filmados os corpos das vítimas’. Durante os dias seguintes, fotos e vídeos mostrando as lágrimas e todo sofrimento pelo qual passavam os que aqui continuam inundaram os sites e redes sociais, deixando claro que não há necessidade de zelo e respeito para com os sofrimento alheio, e que o importante é, apenas, ter uma matéria chamativa.

Até onde vender jornais e conseguir acessos nos sites é necessário? Usar de sensacionalismo cretino, desrespeitando o luto, a dor e a sede de silêncio dos amigos e familiares é, no mínimo, uma atitude digna de imbecis gananciosos e arrogantes. Seja oriundo de repórteres e fotógrafos ou de ‘ordens vindas de cima’, os dias que passaram nos mostraram que não há mais piedade e caridade entre humanos. Durante uma missa, uma senhora passou mal e, enquanto recebia atendimento, deitada e imobilizada, um fotógrafo insistentemente direcionava o flash a ela. Ele precisava mesmo fazer isso? Não consigo conceber que seja necessário invadir a privacidade e as feridas abertas durante a tragédia para mostrar o que aconteceu. É desumano o que foi feito, de várias formas.

Além do mais, o desrespeito dos jornalistas para com os momentos de oração, dentro ou fora das igrejas cristãs também deve ser mencionado. Celulares tocando, cadeiras sendo arrastadas para obter um melhor ângulo e, mais uma vez, fotos e mais fotos que perturbavam as pessoas que estavam sofrendo e buscando ali, na igreja, o seu refúgio, a sua tranquilidade.

De que vale fazer um juramento de ética profissional se, no momento em que uma tragédia dessas ocorre, prefere-se criar manchetes e obter imagens chocantes ao invés de apenas fazer o necessário: registrar os fatos. É válido, mesmo, ignorar a dor alheia para conseguir uma matéria com maior capacidade de atrair os olhares do grande público? E se esses jornalistas e fotógrafos estivessem a sofrer, gostariam que os corpos dilacerados de seus entes queridos fossem tratados como sacos de lixo, e os seus próprios sentimentos como fonte de renda de alguém?

Falta respeito, piedade e, acima de tudo, falta amor.

Que Deus abençoe a todos os que sofrem por conta desse absurdo que emudeceu a cidade de Santa Maria e que todas essas pessoas que usaram e estão usando dessa tragédia para o bem próprio aprendam, da maneira que for, o que é amar, o que é o Amor.

Vinícius Manfio, 21 anos, estudante de Engenharia Civil e vice coordenador do Grupo de Oração Jovem São Pedro.

Santa Maria, 04 de Fevereiro de 2013

sábado, 1 de dezembro de 2012

Retratos de uma sociedade patética (11)

Em primeiro lugar, que não apareça algum falso moralista por aqui porque não há motivos para moralismo. A ironia é uma forma de expressar algum tipo de indignação e não de preconceito. Logo, se quer encontrar algo para incomodar-se, vá até um gramado e coce as costas com um pedaço de urtiga. Dito isso, segue.

Depois de muito ouvir, ler e, claro, vomitar sobre a tal da 'não orientação' infantil, resolvi manifestar minha opinião do meu jeito. Sincero e irônico, uma vez que não devo satisfações a nenhum ser meramente mundano. Não sou, de forma alguma, um preconceituoso de qualquer tipo, racista, homofóbico ou social. Minto, sou um preconceituoso contra a modinha estúpida do politicamente correto, que é uma afronta ao respeito e ao bom senso. De qualquer forma, os elementos desse grupo são desprezíveis por todas as infantilidades egocêntricas e sensacionalistas. Quem já foi alvo de seus tiros infundados certamente detesta, como eu, esse tipo. Entretanto, não é um grupo consolidado, que faz passeatas, tem cotas em universidades, etc. Logo, é um grupo desprezível nesse caso. E você que está lendo, provavelmente, não faz parte dele. Você é mais inteligente do que isso.

Voltando ao assunto da não orientação, fui além da minha capacidade imaginativa e pensei anos a frente. Com meus filhos em idades diferentes.

Atestam alguns, membros desse grupo sensacionalista autoritário que parece - e exclusivamente parece - defensor dos direitos de alguma coisa, e diz que 'é preciso deixar a criança livre para ser o que quiser.

Esquecendo detalhes que, aqui, não fazem qualquer diferença, vou chegar para meus filhos e dizer algo como:

"Vocês não precisam ser menino ou menina." - Poderia ter, claro, um "Não precisam ser descendentes de descendentes de italianos(como eu) e, se quiserem, não precisam ser nem meus filhos ou pensar, ou comer ou, sei lá, abrir os olhos", mas isso é o de menos.

A linha de raciocínio que a tal liberdade desse povinho prega é por aí, embora pareça - e mais uma vez apenas pareça - estar concentrada apenas na orientação sexual.

Essa gente não pensou - e se pensou não admite que o fez - na possibilidade dos seus filhos ouvirem isso. E, se pensaram, não se deram conta que não há liberdade alguma em dizer 'NÃO precisa ser tá tá tá'. Indução maior do que essa só se encontra naquele terrorismo psicológico do 'então coloca a mão na água fervendo para ver o que acontece'. Se a criança não sabe que algo fervendo queima, independentemente da forma que possa ter aprendido, ela enfia a mão ali por curiosidade e porque - isso aquele povinho não quer admitir ou não é capaz de concluir - foi induzida, diretamente, a isso. Criança alguma conhece ironia, sarcasmo ou hipérbole.

Você diz que é o Homem Aranha e ela vai vigiar-lhe o dia inteiro para vê-lo em ação.

Por que, então, coloca a negação antes da sua natureza não seria uma indução? A psicologia não quer admitir, mas é um atentado indireto dizer 'NÃO precisa ser isso'. Nesse caso, é a mesma coisa que dizer 'não SEJA isso'. E você sabe bem que crianças entendem o mundo literalmente - e por isso são criaturas adoráveis e irritantes simultaneamente.

Grite para uma porta 'seja uma janela' e nada acontecerá. Diga para uma criança 'você não deve comer com as mãos sujas' e ela nada fará enquanto não passar muito mal e lhe explicarem que foi por aquilo que isso aconteceu. Embora ela vá repetir o processo algumas vezes até assimilar bem, mas isso não vem ao caso.

"Filho, você não precisa ser menino como todos os meninos que parecem com você são(mais uma contradição). Você pode ser o que quiser, eu lhe dou liberdade para isso".

Pense bem, você acha mesmo que a criança não é capaz de dizer: "Então quero ser um peixinho colorido!"

Será que não?

O que essa gente fará quando ouvir essa frase de um filho? Irá jogar ele no aquário e alimentar ele com pedacinhos de pão?

Ah, façam-me um favor e acertem suas cabeças em uma porta, porém com força. Quem sabe assim as ideias voltem para o lugar. 

Ou tenhamos uma cabeça oca a menos no mundo.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Retratos de uma sociedade patética(10)

*o título desse conjunto de textos era condizente
com a fase vivida quando comecei a escrevê-los.
Hoje, não há tanto sentido em colocar o patético.
Até porque, isso não é um retrato em si de um
grupo de pessoas e sim um desabafo por sentir-me
colocado no meio de um grupo qualquer, sempre
e sempre.

Por mais que faça sentido e seja, também por escolha, a opção pela coerência é difícil e oferece riscos enormes. O primeiro envolve a manutenção da coerência pois é preciso sempre levá-la em conta em cada escolha habitual. Sem paranoia ou radicalidade, apenas tentando manter uma linha de pensamento, de certeza. Propor-se coerência sem ser coerente nas escolhas diárias é estar sem guarda-chuva, embaixo de chuva, e reclamar por estar se molhando.

Não tem sentido.

O segundo ponto, igualmente importante, envolve aquilo que não se deve fazer para manter-se coerente com o que se quer, pensa, enfim. Isso destoa da primeira questão, a das escolhas, porque vem antes, é específica e independe de possibilidades. Ter consciência do que não se deve fazer, falar ou mesmo pensar é importante para evitar erros tidos como naturais mas que, por não condizerem com a proposta inicial própria, o que acarreta em sentimento de culpa, decepção e o inevitável: ser tachado de hipócrita por outras pessoas. Embora, no final das contas, essa última seja a menos importante de todas as consequências.

Ainda sobre isso, e sem mais alongamentos desnecessários, ter de evitar alongar pensamentos para impedir que maus costumes voltem à tona, que palavras vazias saiam por impulso, mesmo que sem qualquer intenção. Errar com as mesmas palavras, com a mesma intenção egoísta é renegar tudo que passou, tudo o que foi aprendido, tudo o que demorou muito tempo para ser assimilado. Ter uma recaída, por assim dizer, agora é fingir que nada aconteceu e, depois, passar pelas mesmas situações ruins de outros tempos - que, por terem sido feitas outra vez, serão piores.

O contraponto, que pesa muito, é perceber que, assim como das outras vezes, é preciso provar por mim algo que nunca fez parte de mim. O que se tem por geral e acaba sendo jogado como parte de mim irrita e cansa. Por que, sem fazer parte de um grupo de pessoas com atitudes específicas, sou julgado da mesma forma? Não faço parte dele, não tenho as mesmas atitudes que aquelas pessoas. E não é julgamento de uma ou outra pessoa. É de todas elas. Desde que me conheço como alguém mental e socialmente ativo, tenho de tentar provar algo que, por justiça, seria desnecessário.

É como se tentasse dizer que não fiz algo mesmo que não estivesse presente no lugar onde a ação ocorreu. Nem coloco o termo injusto aqui porque talvez seja exagero, embora não deixe de ser uma. Além disso, apesar de ser coerente com o projeto de sinceridade na maioria absoluta dos momentos, tenho de conviver com suposições quanto à veracidade das minhas palavras.

Eu sou um tanto radical com isso, faz parte da minha personalidade, construída ao longo dos anos, ser bem rígido comigo mesmo nessa vivência coerente daquilo em que acredito. A sinceridade como ponto chave - e que está presente inclusive no nome do que tento viver a cada dia - sendo encarada com coerência tranquila e até mesmo espontânea, não será desvirtuada tão facilmente. Não estou, e nem pretendo estar, acima do bem e do mal porém, não tenho medo algum de concluir que, por tantos e tantos motivos, não transformaria a minha sinceridade em algo banal somente por achar conveniente para com outra pessoa.

Cansa ter de, tantas vezes, fazer mais do que o suficiente para ser entendido, para ser respeitado e para ter aquilo que é próprio meu aceito como verdadeiro. Enquanto tantos ganham chances sem fazer esforço algum, tento encontrar brechas em alguns espaços minúsculos para conseguir provar o que não deveria sê-lo feito. 

De certa forma é sim, uma reclamação. Não por birra ou para querer mostrar que sou isso ou aquilo. Apenas estou cansado de precisar compensar erros alheios somente por ser julgado pelo todo, e não especificamente por mim. Tantos o fazem e outros tantos ainda o farão. Provavelmente a maioria. Poucos, de fato, conseguem compreender a grandiosidade da singularidade de caráter.

E talvez ninguém consiga entender o quanto isso é importante para mim. Com sinceridade, coerência e verdade.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Retratos de uma sociedade patética (9)


Depois de muito tempo volto a escrever uma crítica. Hoje sobre algo que me incomoda há muito tempo mas que nas últimas semanas me atingiu de uma maneira violenta e me traz uma raiva impulsiva que há algum tempo não despertava.

Em meio a um imenso rio de fracassos contínuos, que vão seguindo seu rumo dentro da minha história sem me dar qualquer opção de mudar o curso ou ao menos reduzir o seu volume, fico parado, sentado olhando tudo a minha volta. De tantas pessoas que vejo, fazendo parte ou não das redondezas desse rio, ou mesmo da minha vida, algumas das que mais irritam possuem algo que talvez não tenha um nome certo, mas que é uma certeza dentre tantas mentiras tidas como verdade, uma desculpa para tentar justificar um erro antigo.

Você conhece sim alguém que algum dia já disse 'eu canso de tudo muito facilmente'. Cansam da escola, das roupas, do esporte praticado, dos colegas, amigos, do companheiro, das suas vidas. Reclamam quase que diariamente da rotina, da repetição, do rever, das conversas semelhantes, dos mesmo olhares e mesmas maneiras de resposta, da mesma forma de atenção designada, do mesmo coitado que traz consigo um mesmo, porém sempre sincero, sorriso no rosto.

O mundo é o culpado. As pessoas em volta são culpadas. A rotina é culpada. E tudo é desculpa para assumir a responsabilidade, a única e verdadeiramente intransferível culpa por serem a inconstância que acabam sendo. Dizem não saber valorizar, aproveitar ao todo, dando assim outra desculpa para seu fracasso. Sim, porque não venham me dizer que pessoas que cansam rapidamente de outra pessoa, seja amigo ou namorado(a), não são um fracasso. Fracasso ainda pode ser pouco. Uma pessoa que não sabe lidar com a rotina e não consegue transformar cada encontro com alguém que o considera especial em algo diferente a cada dia merece sim o rótulo de fracasso. Não para com o mundo ou mesmo para com as pessoas. É um fracasso para si.

É fácil fugir da responsabilidade própria e deixar-se levar pelo desânimo que a repetição pode trazer. Pode porque não é com todos que esse desânimo surge. Pessoas mentalmente preparadas para criar a cada dia algo novo, ver cada dia como um dia, como é de fato, diferente, tendem a não desanimar com relação a pessoas. Agora, aqueles que julgam-se cansados dos amigos, da família, enfim, das pessoas e da rotina em si, esses buscam em qualquer coisa um bode expiatório para suas lamentações, para seu fracasso, para seus erros.

Falta de valorização para com aqueles que fazem por si alguma coisa. Sim, também. Admitir isso é um grande passo rumo à mudança de atitude, de comportamento, ao crescimento. Ah é, entendo. Crescimento, mudança de atitude, de comportamento, valorização das pessoas, não desanimar com a rotina e todo o resto é bobagem, história de quem não sabe aproveitar a vida, as pessoas, o momento. Coisa de gente careta que só vive na teoria.

Prefiro ser assim do que dar a desculpa de que 'não sei valorizar as coisas pois enjôo muito fácil delas' ou 'estou cansada da rotina, do meu dia-a-dia' ou o simplista 'estou cansado de tudo'. Pelo menos eu não fico sentado esperando que alguém surja na minha vida e mude tudo nela. Na minha vida. Não espero por alguém que não vai chegar. Iludido por uma inexistente possibilidade de mudança radical em um piscar de olhos, ou em uma noite de sono. Sonhando com o também inexistente ser perfeito ou situação ideal que venha, ou venham, a encaixar-se nos tantos espaços vazios que possuo.

Espaços vazios que não são preenchidos pela teimosia em achar que nada serve, que nada presta, que ninguém é bom o suficiente, que o mundo é uma porcaria, que já passou o tempo e o momento de tudo, que nada é o bastante para me agradar, que o tempo é curto para tudo em minha vida e tantas outras desculpas infundadas para não assumir que está em si a falta do que dá sentido a tudo.

Ainda assim eu continuo sendo o idiota da história. O revoltado, o burro. O certinho que sempre se dá mal no fim da história. E o que no fim não aproveita a vida e segue tradições bestas e inúteis, o que nunca muda e sempre...

Sim, eu.

sábado, 1 de maio de 2010

Retratos de uma sociedade patética(8)


Hoje será sobre a permanência em perspectivas fadadas ao fracasso. Perspectivas falidas de um sucesso inexistente, no passado, no presente e no futuro. Perspectivas bobas, motivadas por aparências tão passageiras quanto uma nota de cem reais na mão de um pobre. Suposições e desejos de hoje que jamais serão hoje.

E tudo isso pela objetividade que transforma um sistema interno de entendimento de mundo em um sistema mais falido do que o comunismo ou, como queiram, tão fracassado quanto. Objetividade que reduz tempo e pode até ajudar em algum momento, mas não resolve perspectiva alguma, muito menos quando se está por baixo achando que poderia estar por cima, tudo por uma condicional tolamente... objetiva.

Disso e daquilo vêm o que eu quero tanto dizer, mesmo que ninguém entenda vírgula alguma. Porque ao invés de jogar-se de uma ver em um poço, com ou sem água, fica-se sentado na beira, esperando que alguém empurre para baixo aquilo que já deveria estar lá, tendo em vista que quanto antes se chega ao fundo, quanto antes se cai, antes pode-se voltar, levantar, enfim, sair do tal do poço.

A perspectiva de estar na beira do poço e achar que está tudo bem é tão tola quanto um ateu que abre os olhos e ainda nega uma Existência inegável. Você está na beira do poço e acha bom, mas não percebe que, estando na beira dele, está pior do que se já estivesse no fundo do mesmo, pois do fundo não se cai, mas da beira sim. Comentar sobre a espera pelo empurrão para uma mudança é cair em um lugar comum de palavras já ditas, repetidas e cansativas em outros dias.

Se joguem de uma vez e acabem com essas perspectivas ilusórias. Vocês na beira do poço fingem que não estão, mesmo estando. Enganam-se e julgam-se inteligentes ainda. Pensem com menos objetividade e quem sabe vocês entendam que, na real, já estão lá no fundo, chorando no meio da própria água.

Quem sabe assim vocês, eles ou aquela menina lá, passem a dar valor ao que ouvem daqueles que desistiram do objetivo há tempos. Abram os olhos para a mente, e não para a beira do poço, achando que ela é o vosso trono.

Cansa vê-los assim, iludidos em suas próprias luzes que não brilham, nem aqui e muito menos em algum outro lugar do universo, nessa ou em outra dimensão.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Retratos de uma sociedade patética (7)


Engraçado como hoje em dia a maioria busca mostrar-se diferente. Mostrar, aparentar, fazer de conta, ser visto como diferente, mesmo sabendo que não passa de uma cópia de tantas outras pessoas, de tantos outros erros, de tantas popularidades e superficialidades pré-existentes. O importante é parecer ser, não ser de fato. Porque aí você pode dizer 'prefiro ser diferente do que ser igual a todo mundo', mesmo não sendo nada, muitas vezes nem alguém.

Não vem ao caso isso, essa do ser diferente. Mas tem relação.

Buscam mostrar-se diferentes, para provarem ser únicos, enfim. Só que cometem um grande erro: generalizam. Porque em tais situações isso, tais pessoas aquilo, pessoas importantes aparecem em momentos importantes, as dificuldades são superadas e devemos aprender. Generalizações que, sendo assim, deixam de ter valor, passam a ser meras frases sem verdade, sem sinceridade, mesmo que com muita aparência.

Generaliza-se para não cometer injustiças, esquecendo de alguém, de alguma coisa. Mas esquecem-se eles que, generalizando, cometem uma injustiça maior. Transformam coisas de pouco ou nenhum valor em valores importantes, em pessoas fundamentais, em lições aprendidas, em problemas resolvidos. Generalizam por ser mais fácil, por ser aparentemente mais bonito aos olhos alheios, já que você deixa como incógnita o número de situações, pessoas, seja lá o que for, mencionadas.

E de palavras falsas surgem as atitudes falsas. Você passa a ajudar alguém com quem não gostaria de manter contato para não precisar fazer mais aquilo, afinal de contas, devemos ajudar as pessoas que precisam de ajuda, ou seja, com qualquer idiota que eu tenha ajudado, terei cumprido essa meta.

Depois disso, a hipocrisia aumenta. Porque não se cumpre mais meta alguma. Apenas fala-se sobre isso, aquilo, aquele. E a hipocrisia volta às palavras maior do que havia delas saído. Pega-se uma parte pelo todo com mais frequência e iguala-se tudo, o bom e o ruim, o útil e o fútil, o prazeroso e o cansativo, o importante e o desnecessário.

Até que algum dia alguém pergunte, com suposta grande cara de pau 'me dá um exemplo específico disso'. E o alguém haverá de rir, quando perceber que não há nada além de frases, não há nada além do falso pano da verdade.

É medo, receio, preguiça ou hipocrisia mesmo a causa dessa generalização toda. Eu não gosto de ser colocado como apenas mais um, tido como apenas mais um, qualquer que seja o lugar, a situação. Porque eu sei que posso fazer a diferença. Do mesmo modo, não igualo ninguém, para bem ou mal. Porque pessoas, e situações, são únicos, quando importantes.

Entretanto, já que insistem em banalizar as utopias em formas de palavras, mentindo para si mesmos, para todos os outros e igualando o bem e o mal, a verdade e a mentira, é preciso dizer que devemos perdoar as ofensas, ajudar os pobres, falar sempre a verdade, tratar todas as pessoas bem, sorrir sem motivo, aproveitar a vida, dizer àqueles que se ama o quão são importantes...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Retratos de uma sociedade patética(6)


Todos odeiam falsiadade, hipocrisia, mentiras, arrogância, egocentrismo, egoísmo, dentre tantos outros defeitos. Todos odeiam tudo isso. Todos odeiam defeitos. Mas então onde estão os defeitos? Positivamente, todos são felizes porque têm apenas verdadeiros amigos. Porque são do jeito que são e são felizes assim. Felizes porque possuem admiradores e pessoas que os seguem.

Dizer que todos possuem todos os defeitos seria uma grande mentira. Assim como dizer que todos os que odeiam gente falsa são falsos. É mentira. Não existe matemática, lógica ou mesmo racionalidade que aceite ou prove isso. Assim mesmo como nada prova que alguém é seu amigo verdadeiro. A prova acontece pelo contrário, ou seja, aqueles que não são seus amigos provam que não são, mas os que são o são até provarem o contrário. Complexo não?

Então, onde estão os falsos? Onde estão os mentirosos? Onde estão os hipócritas? Aqueles que não possuem verdadeiros amigos, que não possuem pessoas que o admiram e tal. Onde estão essas pessoas? Se todo mundo é ou não é. Se diz assim ou não assim. Possuidor desses e não daqueles. Bom, todos são tudo e isso é a maior mentira.

Tendo em vista isso, pensando muito após uma reunião, tentei raciocinar e colocar em palavras o pensamento de muitos. "O certinho sempre se ...(vai lá, dá mal)".

Quem nunca ouviu, falou ou sequer pensou nisso?

Deixando de lado, por enquanto, a minha opinião, essa é uma daquelas afirmações cabíveis de muita discussão, pouca conclusão e certa incomodação(tá, parei).

A questão é que se há o certinho, o que faz o certo, o que não usa drogas, é educado, amigo, trabalhador, dedicado e outros bons adjetivos(com defeitos pequenos), há também aquele drogado, seja por crack, maconha ou álcool, que só faz merda, que briga que nem mulher por sapato novo, que fala palavrão o tempo inteiro, que é cercado de gente interesseira, seja no seu dinheiro, fama, reputação ou beleza(aí já entraria outra discussão, então deixa pra lá essa parte), enfim o erradinho.

Vemos por aí muita fama, sucesso em todas as áreas, dinheiro, festas, mulheres e muita música ruim, nas mãos, sobre a posse, real ou meramente ilusória, de gente que não sabe o que é o certo ou ignora isso para ter tudo o que tem, ao mesmo tempo ou separadamente.

E geralmente quem trabalha, se dedica, mas não é recompensado(e nem precisa ser financeiramente) da maneira devida, acaba pensando isso, porque injustiça é o sobrenome dessa nossa sociedade hipócrita e patética. Pensando e dizendo. E não há resposta ao ouvir isso. Dizer que Deus recompensará esse jeito correto de fazer as coisas, ganhar dinheiro, ter amigos e ser humano em si, é certo, mas não basta para alguém que pouco pensa na vida aqui apenas como uma fase.

É terrível saber de tanta gente de sucesso, com dinheiro e tudo o que mais de bom, ou "bom" pode haver, que só o conseguiu por meios ilícitos, derrubando e destruindo tantas pessoas, tantos sonhos, tantas vontades e tantos trabalhos, verdadeiramente merecedores de um reconhecimento, mesmo que verbal. É terrível aceitar que o errado passou a ser o certo. Porque se a maioria está certa, o certo é fazer o errado agora.

Não consigo aceitar isso. Cada um cite uma lista com problemas. Cada um tem as suas preferências para criticar, as hipocrisias para destruir e os sonhos para seguir. Cada um sabe o que quer. Mas eu não consigo aceitar a maioria como certo. Não consigo aceitar que o certo hoje é errado. Não consigo.

Perdi o meu sonho mas não perdi o meu espírito ainda. Tenho defeitos e erro, mas não me contradigo. O que digo ser errado não repito. Não aceito jamais como certo. E faço diferente para provar que é possível.

E aquele cansaço por remar contra a correnteza vem. Junto com o desgaste mental. A sensação de estar com as mãos amarradas. Sem reação.

Talvez a frase "o certinho sempre (se dá mal)" esteja certa. Para a maioria. E se é a maioria que vale então...

Entretanto, se eu quero que o meu mundo seja diferente do mundo da maioria, eu tenho que acreditar que fazer o certo é o certo, o melhor e a única maneira de viver. Se eu não acreditar nisso, se quem se julga "certinho" não fizer isso, estará entrando numa gigantesca contradição...

Sem sonho, mas com espírito e certeza de que o certo é o certo sim, e não o errado, como tantas vozes insistem em gritar e tantos corpos insistem em fazer.

Chega.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Retratos de uma sociedade patética(5)

Dos grandes pré conceitos(e não me digam pra colocar uma porcaria de uma hífen lá) que atazanam e incomodam as minorias, o pré conceito por generalização é o mais estúpido, ridículo, tosco e aceitável. Exatamente. É o mais aceitável sim. Vamos aos fatos.

Enquanto todos riem, eu permaneço sério. Enquanto todos choram, eu permaneço indiferente. Enquanto todos estão conversando num grande grupo, eu estou só com meus pensamentos. Enquanto todos pedem o que precisam(ou não), eu agradeço pelo que tenho. Enquanto todos se alegram com todos, eu me entristeço comigo. Enquanto todos cantam em pé, eu fico sentado e de boca fechada. Enquanto todos aproveitam os prazeres da vida, eu faço apenas o que ME é certo. Enquanto todos buscam coisas novas todos os dias, eu me contento com velhos sonhos de coisas(ou pessoas) que talvez já não saiba mais porque sonhei com elas.

E não venham pensando nas diferenças que existem entre as pessoas porque eu já não acredito nisso. A sociedade oferece e a grande maioria adere ao generalismo por conveniência ou simples afunilamento por falta de uma cabeça própria para decidir o que é certo e o que, não (necessariamente) invariavelmente, é errado.

Não me venham também com frases como "deixe de ser radical, generalista, extremista, machista, gremista" dentre outras coisas. Eu não quero nem saber o que se passa na cabeça de quem, espantosamente, lerá esse emaranhado de frases.

A sociedade é preconceituosa por generalização sim e ninguém vai tirar essa ideia da minha cabeça.

Exemplificando isso, lembro-me da morte do tio de um meio-irmão de um conhecido meu. Mais da metade das pessoas que estavam na Igreja estavam chorando. Aliás, quase todas as pessoas na Igreja choravam. Mas muitos, como eu, sequer conheciam o indivíduo, o falecido. E dentre todos os que estavam sentados na mesma fileira de cadeiras onde eu estava, só eu não chorava. E daí? E daí que depois da missa falei com alguns desses indivíduos e eles não conheciam mesmo o falecido. Então para que choro? Por respeito? Para mostrar dedicação, sensibilidade ou mesmo solidariedade?

Não me venham com bobagens e chamem-me de insensível se assim for-lhes conveniente, mas eu não consigo chorar em situações como essa, por solidariedade, sensibilidade ou algo do tipo. Podem desabar milhares de pessoas chorando na minha frente que isso não vai mudar o meu sentimento. Se eu não tenho motivos, óbvio que não vou chorar.

E fazendo isso, sou duramente criticado por pessoas que aderem a esse efeito bola de neve. É. Um começa e os que estão por perto aderem por achar muito mais conveniente se mover como parte de uma bola de neve desgovernada do que ficar parado sendo parte de um imenso tapete de neve que cobre um terreno.

Por simplesmente agir segundo o meu EU, sou tido como insensível, sem graça, quer se fazer de diferente, se acha mais importante por isso não faz o mesmo que nós, acha que sabe mais, enfim, várias outras palavras e frases que não vêm, infelizmente, à memória.

Pré conceito e preconceito por generalização. Que coisa ridícula.

Mas como disse, aceitável. Afinal de contas, cada um faça o que quiser. Ou melhor, cada um faça o que o outro estiver fazendo, afinal de contas, o outro também está fazendo o que um outro ainda fez ou faz. E assim vai. Até que cheguemos ao começo a essa (quase) interminável bola de neve social...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Retratos de uma sociedade patética(4)

Qual é a coisa mais complexa que tu podes imaginar? Qual é o momento mais distante ao qual a tua mente pode chegar? Qual é o princípio do que existe e do que não existe para a tua mente?

Essas são perguntas tão toscas quando discutíveis. A subdivisão de um ser humano ou de qualquer coisa que possua matéria até chegarmos aos átomos, quarks e afins, é uma coisa muito complexa. O princípio de tudo, o tal do big bang, ou mesmo a construção das pirâmides egípcias são dois momentos longíquos que nossa mente pode imaginar. O mesmo big bang, a evolução ou simplesmente a vontade de Deus podem ser a resposta para a terceira pergunta.

A questão toda é que, por mais que haja discussão, e muita discussão, por mais que sejam criadas teorias ufológias, meteorológicas, geológicas ou mesmo religiosas, por mais que um lado esteja achando que está certo e o outro fazendo o mesmo para a sua opinião, não temos uma resposta para isso.

Não creio que precisemos dessas respostas. No fim do dia tu vais ao mercado comprar um cacho de banana e meia dúzia de bergamtoas e não faz diferença se houve uma explosão ou se um ser invisível em si criou tudo. Não faz diferença se os et's fizeram as pirâmides ou se milhões de escravos é que puxaram aquelas malditas e imensas pedras até o alto das mesmas.

Não consigo pensar em algo além de Sol, estrelas e talvez até outros planetas. É o visível e imaginável. É o que está ao alcance de uma mente que, embora goste de simplicidade, não quer mesmo saber de muita coisa complexa.

Criam dimensões, planetas, teorias para teletransportar e conseguir estudar coisas que, como isso, não fazem muito sentido. Ninguém prova que Deus criou tudo mas ninguém consegue provar mesmo que tudo o que conhecemos hoje surgiu uma grande explosão. Indícios? Se indícios fossem fatos, não seriam indícios, mas sim, fatos. Óbvio? É. Por que então querer pensar muito além desse óbvio, que, para reles humanos com mentes pequenas e que, sem ofender, jamais entenderão tudo o que querem entender desde que começaram a pensar?

Não há motivos por uma busca desenfreada, atômica, quarkica e teórica, pura e simplesmente TEÓRICA por respostas que talvez nem existam. É importante saber de onde viemos, como tudo surgiu, dirão alguns. Importante para que? O preço da batata palha vai baixar? O kinder ovo vai voltar a ser vendido a 1 real? A fome vai acabar? Os países pobres evoluirão? As pessoas vão deixar a mediocridade, o egoísmo e o materialismo de lado?

A resposta para tudo isso é um não.

Precisamos buscar alguma respostas que nos faça chegar a esse mesmo não?

Mais uma vez, não.

Precisamos de respostas que nos façam chegar a uma mudança. Respostas à perguntas pertinentes e fundamentais para, não o conhecimento mas, a vida, a evolução de uma espécie que está apenas regredindo moral e espiritualmente. Se Deus não existe, como ainda conseguimos viver em um mundo sem virtudes, valores ou qualquer outro bom sentimento predominando? Como podemos ignorar tudo o que nos cerca apenas por pensar em nosso próprio cabelo?

O fim não está próximo porque estamos condenados a pagar um preço muito alto por tudo o que nós, seres humanos de quase todas as épocas, fizemos contra tudo aquilo que ganhamos sem ter de pagar nada. Água, árvores, céu azul, Sol, Lua, terra, areia, enfim, natureza viva e inanimada. Ar puro.

A humanidade não terá aquilo que merece. Porque antes de receber de volta o que ela merece, o mundo chegará ao seu fim.

E não haverá resposta no passado milenar(ou milionar?) que nos faça entender por que sofreremos tanto. Um passado recente ou semirrecente de descaso e ambição dará aos que tanto querem respostas, as mesmas que todos nós, pessoas "comuns" já sabemos.

Esse não foi um texto radical, revolucionário, religioso ou anti-cientistas. Foi apenas um desabafo(consciente) de alguém que teme pela existência(ou não) futura em um lugar que tinha(e ainda tem) tudo para ser uma maravilha, um verdadeiro paraíso.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Retratos de uma sociedade patética - e engraçada - (3)

Essa não é a pergunta que não quer calar mas é o título desse post. O fato é que hoje eu decidi escrever uma coisa bem tosca dessas para tentar chegar a alguma conclusão.

Não, o grupo citado no título não teve importância alguma no cenário mundial. Como aquele outro... o N'sync(valeu google por me lembrar desse nome) e tantos outros, o grupo citado no título não mudou em nada a história, seja da música ou do mundo. Não direi que é lixo musical porque estaria rebaixando ao nível do funk, embora não veja grande coisa nisso.

A questão toda não está em lembrar ou não. Talvez você nunca tenha ouvido esse nome, nunca tenha lido aquele outro e sequer sabia que isso existia. Nem eu lembrava até ler a lista dos primeiros lugares das paradas dos EUA. Me deparei e lembrei que minha irmã e minha prima eram fãs desses caras.

Como as Spice Girls também foram. Como Britney Spearce foi. Como RBD foi. Como Harry Potter foi. Como Beckham e Luxemburgo no Real Madri foram. Como High School Musical, Crepúsculo e Cristiano Ronaldo são. É toda aquela onda. É toda a atenção em cima deles. Topo das vendas, das paradas de sucesso ou nomes certos nas seleções de melhor do mundo(mesmo que só tivessem fama e não jogassem nada.

Não posso me esquecer de dizer. Como todos os caras que participam do Big Brother acabam sendo. Como todos os novos atores que surgem em novelas e fazem o papel superando expectativas são. Como todos os que passaram por alguma dificuldade e vencem tem seus ovos babados. Como tudo o que é momentâneo é.

Quem consegue e sabe guardar dinheiro consegue viver o resto de suas vidas no, talvez, anonimato sem se preocupar em trabalhar duro, como 95% da população tem que fazer, para viver. Quem não consegue acaba tentando voltar a ser o que nunca foi. Famoso. Sim, porque a verdadeira fama não é ganhar um apelido de fruta, conseguir alcançar o topo das paradas ou ganhar o prêmio de melhor do mundo. Tudo isso é passageiro. Se manter no topo é ser famoso. E são poucos os que conseguem se manter no topo.

Por que? Olha, pessoas que não tem nada e acabam ganhando muito de uma vez só, geralmente, não conseguem se manter lá em cima. Ficam tão vislumbrados que esquecem de onde saíram e quem estava com eles naqueles duros momentos. Ingratidão? Também. Ignorância? Não só. Egoísmo? Também. Mas, talvez acima de tudo está a ambição. Quem ganha um real não para por aí. Quer ganhar mais um, mesmo que arrisque perder o que já tem.

E acabam perdendo mesmo.

Todos somos passageiros no mundo. Na fama, poucos são. E esses poucos são a maioria daqueles endeusados e elevados a postos de reis por reles pessoas que buscam neles sair um pouco da triste e dura rotina da vida. Buscam neles, na minha opinião de maneira errada, a luz no fim de um túnel que nem sempre é tão longo.

É muita babação de ovo. Toda aquela onda. Toda aquela vendagem. Toda aquela exaltação de algo que nem é tão bom assim. Depois a maioria acaba se rendendo e rindo de si mesmo, se julgando idiota por ter achado que o Backstreet Boys fosse a melhor banda do mundo e Harry Potter o melhor livro.

No final, se contentam com qualquer bandinha de quinta que toque uma música animada, com o perna de pau que faz um gol lá de vez em quando, com "O Alienista" como livro favorito e com as mulheres que estão por perto ao invés da fruteira da Playboy.


*Hoje o Blog do Maluco completa dois anos de muita bobagem, muita sinceridade, muitas críticas, desabafos e claro, muita história sem noção e talvez até sem sentido algum. Mas é divertido fazer isso aqui. Queria que o Blog fosse mais do que é, mas enquanto eu me sentir bem e gostar de fazer ele, é a conta. Isso é o que me faz continuar... Parabéns ao blog!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Retratos de uma sociedade patética(2)

As pessoas fazem o que fazem e acham que ninguém vai descobrir. Que ninguém vai criticar. Que ninguém vai cobrar explicações e mudanças. As pessoas fazem coisas e as outras pessoas acabam aceitando isso pois, algum dia, também as fazem. Sabem aquela história de "pregar moral de cueca"? Então, é mais ou menos por aí. E nem quero falar de políticos corruptos. De policiais que favorecem o tráfico. De professores coniventes e satisfeitos com o nível de ensino no Brasil. De pais e mães que se deixam dominar por filhos que precisam de limites.

Quero reclamar daqueles que se calam. Tornam-se omissos. Hipócritas por fingirem que tudo está bem. A educação é uma merda? Então por quê aceitar que os mesmos políticos votem sempre as mesmas leis que apenas dão comida e dinheiro para pessoas vagabundas e alunos sem vontade? Por que aceitar isso? Por que sempre votar nas mesmas pessoas? Um erro não justifica o outro mesmo porém um erro leva a outro sim.

Encontramos pessoas omissas e hipócritas em todos os lados. Até na sua própria casa você pode estar convivendo com alguém conivente com algum tipo de sujeira moral, algum tipo de lixo que você tanto odeia e quer se ver afastado. Você não sabe de nada, não é mesmo? E se soubesse, faria o que? Nada. Aceitaria, afinal, é um familiar seu. Ou é um amigo seu.

Laços de amor, amizade ou laços forçados por cobranças de dívidas ou aqueles ridículos favores de "amigos". Tanto faz. Cada pessoa tem os seus motivos para esquecer o que é certo e fechar os olhos, tampar os ouvidos e colocar uma rolha na boca pra que nenhuma palavra mais seja dita. E não esqueça nunca de amarrar as mãos ao pé da cama, é mais seguro, não é?

Sociedade hipócrita. Sempre os mesmos idiotas. Sempre os mesmos erros. Sempre as mesmas desculpas. Sempre as mesmas porcarias feitas, ou não feitas. Sempre a mesma reclamação de gente que fecha a boca, os olhos e tapa os ouvidos para tentar viver melhor. Mas será que fingir que o mundo é uma maravilha não estaremos apenas escondendo de nós mesmos o inferno onde vivemos?

Não há como mudar os sistema, a sociedade, o mundo. Provavelmente você não vai conseguir mudar a sua própria vida depois de ler esse texto(embora eu não creia que alguém tenha vontade de fazer isso após ler o que escrevo agora). Até porque, não há como se isolar desse maldito mundo. Dessas malditas pessoas que podem até visitar os doentes, mas com o propósito de esconder da sociedade, e do seu nariz, que não passam de traficantes de droga ou chefes de gangues que praticam assaltos à mão armada.

Filme, ficção? Nem um pouco. Achar que a máfia é coisa do passado é a mesma coisa que dizer que jogador de futebol não é formador de opinião. Por mais que sejam idiotas, por mais que sejam analfabetos funcionais, eles bebem e fumam, falam bobagens e provam que você pode ser rico, famoso e querido por todas as pessoas(diga-se aqui vagabundas chamadas de maria-chuteira, que só querem engravidar para ganhar dinheiro) mesmo sendo um simples idiota. Nem todos são assim? Não são mesmo. Porque são as exceções que ainda mantêm o mundo. Sim, a coisa pode ser pior.

Quanto mais as bocas se calam, os olhos se fecham e as mãos se atam, quanto mais ignoramos o nosso vizinho em troca de um pacote de bala e quanto mais pensamos que a vida é uma maravilha, mais estaremos sendo merecedores de um lugar sagrado na puta que pariu do inferno. Que talvez não seja aquele inferno que fica embaixo da terra, onde o diabo tem um tridente e espeta os malfeitores. Não. Nem precisa ser isso. Acho que o grande inferno pelo qual as pessoas passam é o inferno moral. Você saber que é apenas mais um na sociedade é horrível.Já passei por isso e sei como é.

É só um grito. Um inútil grito. Que o vento levará e transformará em pó com o tempo. É só um grito. Por mais sincero que seja, por mais necessário que seja ouvido, é só um grito. Ninguém ouvirá esse grito. Porque os ouvidos foram tapados. Ou seja, não adianta gritar. Mas podem ter tapado os ouvidos, cercado e tornado inaudível aquele grito. Nada o fará calar. Nunca.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Retratos de uma sociedade patética

A vantagem de ser sincero é que tu nunca és convidado para certos tipos de celebração. Por mais que tu tenhas sido amigo, sido companheiro, entrosado e enturmado alguém, esse alguém só o convidará para uma festa particular ou qualquer outra porcaria que ele esteja organizando, se tu fores hipócrita e disser que ele é o cara na frente de muitas outras pessoas. Elevando o ego dele(o famoso "baba ovo" ou "puxa saco"), tu conseguirás muitas coisas em troca.

Mas eu não consigo fazer isso. Não faço nada esperando retribuição mas o que eu espero, por agir sinceramente, é que as pessoas sejam sinceras comigo. Só que a grande graça de uma história sem qualquer intenção de ser engraçada é que parece que há um receio, um medo, uma grande objeção em ser sincero com alguém que é sincero.

Em um mundo hipócrita, em uma sociedade hipócrita como é a nossa, a indignação com as atitudes já citadas se torna apenas mais um grão de areia em um deserto. Em um deserto de sinceridade. Deserto em função de uma variável quase invisível, quase inatingível, quase inútil.

De repente, quando se conhece alguém maluco, louco ou simplesmente diferente, a inveja e a vontade de sobressair-se exibicionalmente(se não existe, acabei de criar mais uma palavra) em outros planos leva normais, reles e medíocres normais a se auto-proclamarem malucos, loucos ou simplesmente diferentes. E todos os normais passam a julgar-se malucos, loucous ou diferentes.

Toda essa baboseira toda, toda essa hipocrisia, toda essa... não sei se é correto usar inveja pois não consigo entender como alguém pode ter inveja de pessoas como eu, seja pela loucura, pela diferença ou simplesmente pela sinceridade. Não vejo em mim coisas a serem invejadas, até porque, acredito que toda forma de inveja é uma busca por algo que se quer tirar de outra pessoa. Mas se não é inveja, é a simples vitória do ego dessa gente, desse povo, dessa maioria hipócrita e medíocre da nossa sociedade, sobre o seu natural e histórico(?) sentimento humanista. Porque é algo natural querer ajudar alguém. Mas houve uma mudança no meio do caminho. Mudança que transformou uma atitude singela em pura e simples hipocrisia.

Chega. Cansei disso tudo. Paro por aqui mesmo.

Mesmo que não tenha terminado o que comecei.

Talvez porque não queira terminar por aqui. Porque isso não passa de um desabafo. Um louco e cansativo desabafo...