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domingo, 11 de janeiro de 2015

Pedaços de um pensamento (91)

Como assim 'ainda não estou pronto para escrever'?

A vida continua sendo passageira, Santa Maria continua quente (às vezes parece que estou sendo cozinhado, ou cozido, em banho-maria), a faculdade ainda não foi deixada para trás, ainda não consigo ouvir uma música e dizer 'nossa, que troço legal', os cabelos continuam a cair, as músicas continuam a tocar aqui dentro e eu continuo a não escrever.

Todos os rascunhos, rabiscos, diálogos e ideias de textos que tenho aqui ao lado do computador, ou mesmo no OneNote me dariam a chance de escrever, ao menos, três livros. Os textos iniciados, possivelmente geniais - mesmo que para um retardado mental -, escritos e não publicados (a maioria por não ter sido finalizado) também renderiam um livro. De pelo menos oitenta páginas.

Ou, no mínimo, uma crônica melhor do que as do bagulho que é o Carpinejar.

Das 11 ou 23 coisas que me propus fazer neste final de semana está escrever. Como veem, cá estou. Realizei outras duas, três ou cinco e as outras 6 ou 20 - viva a margem de erro do Ibope - não foram realizadas sabe, apenas, Deus por qual razão ou quais as justificativas para tal procrastinação, desânimo, incompetência ou todas as anteriores.

Tudo que tenho feito visa tirar de foco o que me leva à angústia e ao medo. Tremei, terra, parece que nunca senti isso antes - mentira! - ou, pelo menos, não com tanta dúvida. Escolher entre o certo e o errado, mesmo sem saber qual é qual, é moleza. Escolher entre sim e não, idem. Agora escolha entre duas coisas infinitamente diferentes mas ao mesmo tempo muito parecidas. As decisões, não as consequências das mesmas. Escolha entre uma bergamota comum e uma pocan. Escolha entre um suco de limão comum e um de limão taiti.

Parece igual mas não é. É infinitamente diferente mas tão igual da mesma forma. Droga.

As coisas continuam as mesmas, com os mesmos gostos - e eu sem sentir gosto algum.

O remédio continua e as músicas continuam. Um deveria bloquear o outro mas o outro continua mesmo com o um. Ei, doutor, quero meu prometido silêncio!

Por fim, e não menos desimportante, é bom que existe mais uma prateleira, presa por parafusos maiores que o meu dedo mínimo. Não sei quando vou começar meu plano de comprar dez livros por semana então, em todo o caso, já estou preparado.

Obrigado por ter chegado até o fim. Mesmo que a ausência, também, continue a ditar as regras por aqui.

De ambos os lados.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A espera, o tempo

O mais difícil é lembrar e pensar sem trazer para o presente.

Porque, trazendo para o presente, faz-se menção de possibilidade. E isso envolve futuro.

E o futuro... é distante.

Seja lá qual for esse futuro.

Não tenho receio de dizer que estou cansado do tempo. Da espera que traz mais ansiedade do que qualquer outra já trouxe, independentemente do que isso significa. O receio de que isso acabe, sem ao menos ter um início definitivo, aumenta - e muito - a sensação de injustiça. Deixando de lado - por causa da questão da maturidade - o que é alheio e, portanto, não interessa mais.

Eu tenho, sim, palavras guardadas. Belas e novas palavras. Simples porém sinceras palavras. Espontâneas palavras.

Só não posso usá-las.

O melhor verbo não é o poder, é o dever. A possibilidade existe sempre entretanto, não resta dúvidas, ela deve ser ignorada à medida em que não há mais escolha - se é que algum dia houve -, restando apenas uma opção.

Dentro de uma escolha anterior, claro.

Há preocupações diversas. Próximas e distantes disso. Quem sou eu para classificá-las? Apesar de serem minhas - nem todas com exclusividade - discordo quando dizem ser necessário definir prioridades.

Tudo o que importa é prioridade. E sempre será.

Porque, de não-prioridades, o mundo, a vida e, claro, o tempo, estão cheios.

E não há lista que comporte todas essas coisas que, desnecessárias, nem merecem citação.

Indiferente a elas estou.

Assim como tento ser indiferente - para não ir direto para um saco sem fundo - a essa coisa relativa ao tempo.

Essa coisa chamada... espera.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Olhando em volta, esperando o tempo passar

Na verdade, é justo. Difícil de entender mas, sim, justo. Muito justo.

Quando aquilo que se busca está distante, pelo motivo - que poderia ser no plural - específico, deve-se aceitar que, querendo ou não, o tempo não se submete à vontade. Ele, o tempo, não é aliado, direto, nessa busca. Não ajuda, não acalma, não tranquiliza. Ao contrário, ele irrita, torna sensível o que outrora parecia rígido e intransponível.

O tempo é previsível num todo, como parte imparável da história porém, não há dúvidas,de que pontualmente - e isso 11 em 10 vezes se refere ao presente - ele esconde-se e mistura-se entre sonhos, desejos, lamentações, arrependimentos e utopias. Imprevisível é pouco perto do que está escondido em uma história a ser escrita. Assim como uma continuação inesperada, a manutenção de uma ideia inicial ou mesmo um final repentino, o transcorrer do tempo sem qualquer definição joga para o posterior momento a concretude, dia após dia.

Compreender que há, debaixo do céu há momento para tudo¹ e nada do que se faça, aqui, pode antecipar esse momento. O que resta é aprender a esperar e, nesse período, dar passos significativos para, quando o tempo certo fizer-se presente, estar pronto para viver o que então estará diante dos olhos, das mãos, enfim, de si.

É muito pouco dizer isso. Até mais, não é coisa alguma escrever tudo aquilo entretanto, e também não tenho dúvidas disto, é o que resta ou, como disse algum personagem do Dustin Hoffman no cinema: 'Não parece ser o melhor, mas é o que temos para o momento'.

Momento de espera, sob o Céu.

¹Ecl 3,1

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Incertos segundos


Cada segundo alongado torna o estado presente, e passado, maior. Período cada vez mais longo, sem expectativa de término. Duração indefinida que impede qualquer certeza sobre algo que não seja passado. Com uma convicção real, diversas dúvidas inescrupulosas, a falta de discernimento sobre o que realmente acontecerá e a impossibilidade de descobrir o que fazer. Imaginar o presente como tempo e contexto certo faz muito sentido, não só por estar vivendo-o mas também por todas as coisas que cercam esse viver presente. Passado quase distante, ainda digno de remorso e arrependimento, cuja lembrança acaba tornando sensata a impressão de que não teria sido o que hoje pode ser. Imaginar erros longe do presente em direção ao passado, cujas marcas na lembrança são feitas pela angústia de nada poder fazer é fácil, e condiz com o que hoje é motivo de reflexão.  Impossível retirar explicação inútil e justificativa estúpida do meio disso, ou seja, é desnecessário querer ir contra toda essa verdade que jamais deveria ter sido coisa qualquer, menos ainda uma falsa verdade. Entretanto, sentir a falta de, imaginar-se, e ter a convicção de que, remetem a complementos diferentes dos que complementavam essas frases pessoais no passado. A dura e sofrível admissão do que vinha a estar, o que outrora remetia ao próprio ego, buscando uma salvação alheia para então salvar a própria alma, hoje remete à salvação de qualquer alma, qualquer coração ou, em menor escala, qualquer mente, para então conseguir, com muita misericórdia Divina, salvar a alma, e consequentemente o ego. Não que a salvação do ego esteja sendo importante nos últimos, sei lá, 15 meses. E não, também, que alguém em especial não seja o verdadeiro motivo de todo esse pensar, dessa análise um tanto improdutiva porém instigante.

De tudo a mais ou menos, não consigo imaginar a minha vida sem o motivo dessas, e de tantas outras palavras que escondem algo que é muito maior do que qualquer outro algo que outrora tenha me motivado. O meu presente, sendo estado de vida ou recebimento por qualquer razão(quem sabe uma boa vontade do Criador) seria sim, aquela que há muito tempo deixou de ser também uma razão, concentrando-se apenas em uma emoção. Sendo, (ah não!) então, A emoção.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A tortura do tempo


Uma tortura causada por um tempo que parece não passar. Nada definido, nada parece sequer inclinado. No exato meio, no ponto central, em cima do muro, no fundo do poço. Em comum a falta de tendência, nenhuma indicação de onde ir, para onde andar, também porque, no fundo desse poço, subir não é uma escolha possível. Fosse jogada uma corda eu subiria mas, quem a jogará? O tempo trará, com o vento do Espírito que vem dos céus, alguém, uma alma viva que faça viver. Enquanto isso a espera. No poço, no muro, no meio. Fechar os olhos e dormir é plausível porém há de se ter consciência de que o tempo pode passar muito além do que deve e a estadia no centro, no meio do nada e do tudo, vira eternidade. Eterno é o que o tempo não afeta, não muda. O eterno pode durar segundos ou um tempo que foge das mãos humanas, dos relógios de pulso e das previsões do jornal. O eterno é aquilo que volta toda vez que a luz brilha, que o calor é recebido pelo corpo cansado, que a palavra é ouvida pelo ouvido da solidão. Ouvida, lida, apenas sentida por uma intuição que, caramba, pode não passar de simples vontade criada, expectativa gerada, fala inacabada... Tempo, no poço, em cima do muro, no ponto central, tanto faz, é cruel, ainda mais com a dúvida, com o receio, agrava o passado e muda um futuro que só existirá quando o arrependimento bater.

*um passo foi dado mas não sinto alívio algum. 
Continuo no centro, pensando e esperando. 
Sentindo cada raio de sol, 
cada partícula de ar em movimento, 
vento. 
Lembrando de cada brilho que o piscar de olhos emana.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Estou onde não sei o que dizer


Tantos passaram e esse é que gerou o vazio mais lamentado. Entristece saber que passou o tempo que previ e continuo pensando longinquamente, distante demais dos olhos. E de algo mais. Lamúria, lamento, sei lá mais o que. Vento frio que entra e nada derruba, nada leva ao chão, nada traz ou leva. Ele apenas passa por mim, frio, seco, puramente passageiro. Em um corte desatento, a prova de que não está aqui o que aos quatro cantos desse lugar vazio grito estar. Um grande mentiroso, um completo idiota. Merecedor dessa vaga não preenchida, por quem quer que seja, pelo que quer que seja. As ameaças não surtem efeito, a sala continua vazia, com aquele vento irônico e frio que passa por mim e leva o meu calor, leva as minhas palavras, leva a minha vontade, leva o meu...

Não é o fim. Sempre digo, muitas vezes incoerente com a realidade que, passa o tempo, o vento e todo lamento, acaba sendo igual às minhas palavras, presente no todo que o sempre mente possuir, e real. Tanto quanto a razão de ser de frases escritas, jogadas para fora com raiva. De si, do muito possível e do nada concreto, do sempre mentiroso e nunca tão abrangente quanto parece e de pensamentos, planejados ou... sonhados.

Devo estar ficando maluco, louco, pirado, doido, insano. Há tempos não sentia tanto por isso.  E ainda penso estar acostumado. O problema é que, ao que isso e aquilo indicam, eu estou errado. O termo não é maluco. Nem doido. É...

É, por enquanto ele apenas é.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Histórias de uma vida não vivida(21)


*Como indescritível é aquilo que faz a língua enrolar, a garganta gaguejar e as frases subjetivar sem objetivo, hoje, algum ontem e por aí vai, estão sendo dias de não confuso, de sim incluso em alguma cláusula quase invisível e de descrição boba, infantil. Sem nada definido, sem imaginação, muito menos conclusão. Porque não há nada, provavelmente nunca haverá nada em um lugar que não existe, um sonho que ninguém sonhou, uma palavra que ninguém quer dizer, uma vontade que ninguém quer expressar. Felizmente isso não tira esse não mentiroso que tanta alegria tem me trazido.

Queria dizer muito mais do que te disse. Falando nisso, eu disse alguma coisa? Não lembro. Ah, sim, pedi desculpas por algo que não fiz, só para não deixá-la sozinha como culpada em uma situação da qual nem você e muito menos eu temos culpa. Quem aponta o dedo e com ele empurra críticas sobre alguma coisa não sabe de nada. Você não fez nada. Você é assim, diferente. Bem diferente. E isso lhe torna ainda mais especial.

Pouco importa se você me chama de coisas que as pessoas consideram ofensivas. Até eu considero, mas não vindas de você. Porque você me xinga, me chama de idiota, de grosso e até de monstro, mas sem maldade alguma. Você sente raiva de mim. Não, você diz sentir raiva de mim. Eu olho nos seus olhos e vejo que não há maldade, não há raiva, não há remorso ou qualquer outro sentimento ruim. Da boca para fora e até isso é exagero. Você diz porque... ainda não consigo entender ao certo a razão.

Deixei em aberto, após pouco falar, uma possível explicação. De alguma coisa que nem lembro mais o que poderia ter sido se eu tivesse dito. Curiosidade é razão para ansiedade e busca por um novo dia, no meio de um grande plural, por motivos, por vezes, invisíveis. Apenas uma vez no meio de tantas e tantas possibilidades, de tantos novos dias. No quase fim de um meio bem definido de sete em sete.

Perdi as palavras que poderia transcrever além das que escrevi dizendo sem conseguir dizer muita coisa. Sério, você me faz esquecer muita coisa. Disso você não sabe, talvez nunca saberá. Não importa. Se a grande escada para a felicidade passa pelo caminho que se escolhe e por tudo o que ele possui, você está no meu caminho. E não quero pensar em quanto tempo continuará, uma vez que não vivo o amanhã. Entretanto, admito que penso no próximo pós-sete. Penso muito. Até ensaiaria algo para explicar algumas coisas mas não, que seja como tem sido, espontâneo, impulsivo, momentâneo.

Momentaneamente prazeroso. Seja lá o que for, como for, por quanto tempo for ou puder ser. Sem sonho algum. Porque você me faz pensar na realidade. Um antes, no amanhã. Um depois, no ontem e no amanhã pós-seis. Tão confuso quanto específico. Queria poder entender você melhor, o que pensa, o que acontece na sua vida. Apenas queria, pois não tenho mais do que alguns poucos minutos para conversar com você. Ainda por cima você insiste em implicar comigo, por alguma coisa ou por nada. Critica-me paranoiando uma feiúra que não possui quando deveria ter visto o quanto esse olhar suave e digno de elogios acaba sendo observado por esses olhos humanos que possuo.

Por você, por mim, por alguma coisa a mais ou a  menos. Sim, posso dizer que você me confunde, também.

sábado, 8 de maio de 2010

Histórias do Billi J. - Eu queria que você soubesse


(escrito pelo Billi J. há alguns anos, em uma folha de caderno qualquer. É impróvável que essas palavras não tenham sido escritas para a Renata, embora não faça muito sentido ter sido escrito para ela, mas isso é uma outra questão)

Eu quero cobrar, exigir de você o mínimo de resposta que condiga com todas as palavras que te digo. Quero cobrar, exigir o mínimo de atenção a mais. Um pouco tempo a mais. Palavras que não precisam ser de apoio, motivação ou declaração. Não. Apenas um pouco de atenção. Eu quero, mas não consigo cobrar, exigir o que suponho merecer, pois deixo há algum tempo qualquer coisa que possa fazer para falar com você. Tudo porque eu amo você. E amo demais para estragar esse pouco tempo de atenção que recebo. Pequenos momentos, ótimos pequenos momentos.  Sinto-me como se estivesse muito mais vivo do que estou. Como se vivesse muito mais do que tenho vivido. Como se todo esse fardo pesado que carrego fosse tão leve quanto deve de fato ser. Como se eu fosse forte para fazer desse fardo pesado um fardo leve.

Queria só um pouquinho mais. Mas não posso exigir. Porque o querer é apenas meu. E talvez você não queira. Talvez. Provavelmente. Não importa. O que eu sinto é grande demais para deixar que esse mero detalhe atrapalhe. Porque você me faz bem. As suas palavras me fazem bem. E com elas você abre um espaço cada vez maior em um coração ainda murcho, fraco, que pulsa com ajuda de vários aparelhos, ainda.

Porém eu sei que, também por você, ele voltará ao normal.
De qualquer forma, mesmo que você não leia, obrigado. Eu amo você, muito.

Billi J. - 23/07/01

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Só de passagem, por uma passagem


Alguém já parou para pensar, hoje e não algum dia, em coisas feitas antigamente que hoje são grandes bobagens, por serem erros, ou que são razões para momentos de orgulho próprio, por acertos?

Sem banalidades, coisas de criança. Bobagens mesmo, atitudes que pareciam ser indispensáveis e que hoje são motivos de riso, de lamentação, de algum sentimento diferenciado, com ou sem nostalgia.
Coisas com as quais você se importava. Pessoas com as quais você importava-se, sem motivo aparente(embora com motivos que você achava serem suficientes). Atitudes tomadas em determinados momentos e que hoje são vomitadas só com a lembrança.

Ficar triste porque alguém riu de você ou rir junto quando estão querendo te humilhar. Chorar pela equipe ter ficado em segundo lugar na gincana da escola ou de emoção, pela sua paixãozinha da escola ter lhe dado bom dia. Exaltar-se com um oi ou rebaixar-se pela falta do mesmo. Subir pelas paredes de ansiedade e cair na valeta de decepção.

Situações que remetam esse tipo de coisa. Acertos que hoje são erros. Risos que hoje não são mais entendidos, lágrimas que hoje não seriam derramadas. Pensar em si, alguns anos ou mesmo meses atrás e imaginar qual seria a reação se aquilo acontecesse hoje e não naquele tempo, naquele dia, em um passado controlável apenas pelo tempo, insano e incansável.

Acho que essa é a prova de que estou ficando velho. Mais mental do que fisicamente. Mais por pensamentos e até atitudes do que por números no documento. Mais por situações vividas do que por qualquer outra coisa.

Porque velho é assim, gosta de relembrar, imaginar e pensar sempre no passado, querendo fazer relações do ontem com o hoje. Entender e concluir. Rir e chorar com passados estranhos, próximos ou longínquos. Tentar imaginar se o Pelé jogaria hoje o que jogou na época, se os Beatles fariam o mesmo sucesso hoje e se 'E o vento levou' levaria tantas pessoas ao cinema.

E pensei nisso, nessas palavras, ao lembrar de um momento, com o rádio na mochila, em que sem razão alguma, em uma conversa particular mas sem muito sentido existencial, falei algo que, tão diretamente, nunca mais senti vontade de falar.

E o pior de tudo é que eu deveria ter ficado quieto mesmo, porque sei que só falei porque era impulsivo demais.

Era. Talvez ainda seja, mas bem menos do que... era.

Estou ficando velho. Mesmo sendo novo.

Só que isso não vem ao caso.

*Eu não gostei disso. 
Não gostei desse texto. 
Faltou... um pouco.... muito mais de inspiração. 
Mas queria escrever.

**E hoje não é o texto em si, 
mas sim o conteúdo que deve ser levado em conta
na hora de colocar um comentário.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Depois de meses, entendimento


 Eu precisei ficar longe de tudo e de todos, sentir um vazio gigantesco e talvez perder a melhor chance de ser feliz para poder entender quanta diferença Deus faz na minha vida. Eu precisei deixar de acreditar em muitas coisas para perceber o quanto acreditar nelas era importante para mim. As coisas demoraram mas aconteceram, mesmo que em partes. Teriam sido diferentes se eu tivesse pensado um pouco mais, refletido um pouco mais, sentido mais, muito mais. Talvez seja tarde, talvez não exista um fio de ligação, mas não importa.

Eu não preciso de possibilidade alguma para sonhar.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Histórias de uma vida não vivida(12)

*Difícil falar sobre o passado, porque são boas e más lembranças misturadas. Difícil falar do presente, dos bons e maus momentos. Difícil falar do futuro, porque ninguém sabe nada sobre ele. O que dizer sobre um passado que é provável que não tenha existido mas que parece ter sido vivido com a mesma intensidade com que teria sido vivido se tivesse sido vivido mesmo? Quando a intensidade dessa vivência não vivida(ou mesmo vivida de um jeito diferente) é grande demais, a diferença entre o irreal e o real, entre o sonho e o fato concreto diminui. Chega-se à insanidade. E depois de chegar aqui, é muito difícil sair.

Quando me dei conta, já estava no meio de tudo isso. Um lugar arruinado, acabado, completamente destruído. Quando percebi, estava no centro desse lugar. Lugar assombroso, pavoroso, mais tenebroso do que qualquer filme de terror que já fizeram. Mais destruído do que qualquer lugar destruído pela guerra. Um quase nada completo. Uma paisagem terrível, triste, sofrida. Tudo foi por terra.

Não sabia o que fazer. Para onde ir. Tudo tão igual. Destruído. Prédios que caíram, casas que foram derrubadas, pontes e túneis igualmente foram ao chão. O rio secou, as árvores foram queimadas, nada restou. Só um monte de terra, e de restos que não consigo distinguir ao certo do que são ou o que algum dia foram. Está tudo em ruínas. Queimado, destruído, derrubado. Eu não sei o que aconteceu aqui e nem quem poderia fazer, ou ter a capacidade de fazer isso.

O vento é frio e leva consigo apenas a poeira do resto. Do resto de vida que agora é sinal de morte. Do que um dia fora o lugar mais propício para qualquer coisa, mas que hoje não passa de um nada. Destruído. Arruinado. Ao chão. Triste, deprimente, tenebroso.

Não vejo ninguém. E como alguém sobreviveria a isso? Também não vejo restos mortais de alguém. Nem um pedaço de roupa, de calçado, um fio de cabelo. Nada. Não há uma forma de vida aqui. Nem bactérias ou vírus. Nada. Uma bomba atômica poderia ter feito isso, mas essa possibilidade é descartada. Ninguém gastaria dinheiro destruindo algo que poucas pessoas vêem, vivem, conhecem. Não há razão alguma.

Quem destruiu isso aqui? Como destruíram? Olho para os lados e nenhuma ideia consegue ter a mínima porcentagem para começar a fazer algum sentido. Nada. Nem um indício. Tudo veio ao chão e ninguém sabe, ninguém viu. E eu, que chego agora, não tenho condições de saber, de entender, de descobrir. Nada. Destruído, isolado, arruinado. Tudo veio ao chão.

Ninguém por perto, como poderei reconstruir tudo isso sozinho? Se sou incapaz de entender ou ao menos descobri o que ou quem fez isso, como poderei ser capaz de recomeçar essa história aqui? Olho para os lados, para a frente, para trás. Ando em círculos e não saio do lugar. Vazio. Minha mente e meu coração estão vazios. Meus olhos não vêem mais nada. Olho para o nada e nada vejo. Nem um barulho, nem um ruido. Nada.

Preto. Com riscos cinzas. Marcas profundas que foram feitas com algum objeto gigantesco que não consigo decifrar. Eu tinha esquecido o que era o nada. Hoje lembro. E vivo no nada. Em um nada. Para um nada.

Tudo está destruído. E acho que o culpado sou eu, por ter deixado de lado tudo isso que hoje está destruído. A culpa só pode ser minha, porque somente eu estou aqui agora. Com nada nas mãos, na mente, no coração. No nada. Por nada.

É, a culpa só pode ser minha. Deixei esse lugar e agora ele está destruído. A culpa é minha, porque abandonei a minha vida aqui. E agora tudo está destruído.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Reflexões de um maluco(7) - Lágrimas sem chuva em um mundo sem viver


Dizem que a vida é feita de escolhas. Que cada escolha traz uma consequência, ou uma série de consequências únicas, que nenhuma outra escolha traria. As pessoas dizem muitas coisas. Tantas coisas que elas não param para pensar nelas. Nas coisas e em si próprias. Elas falam. E falam. Podem até ter sentido, mas ele estará apenas na frase, e não na pessoa que diz, na intenção da pessoa que diz ou mesmo na razão da pessoa dizer.

Dizem, falam, comentam. Bobagem. O mundo precisa é de pessoas mudas. De pessoas cegas. De pessoas surdas. O mundo precisa de dias no escuro, noites de sol. As pessoas merecem chuvas que não molham, raios de Sol que não aquecem, árvores que não fazem sombra e abraços que não acalmam. Precisam parar de falar, de ver, de ouvir. E até de sentir. Precisam parar com tudo o que possa lhes ser razão aparente para reclamação, para palavras intencionais mas sem sentidos, para vidas sem fundamento.

Vidas que não seriam vidas se não existissem padrões. Tendências. Passado a ser seguido e reescrito, parâmetros e metas a serem cumpridas. Vidas e mais vidas desperdiçadas pelo simples pensamento de continuidade. De manutenção, de conservadorismo. Vidas e mais vidas não vividas por uma insistência teimosa no que não faz sentido nem em raciocínios insanos. Tempo mal usado, desperdiçado de fato, com memórias e planos egoístas que atrapalham "apenas" algumas poucas vidas que precisariam muito menos do que a mera ausência desse egoísmo e desse orgulho traria e daria.

As pessoas reclamam da vida. Reclamam do time que perdeu, do calor, da chuva, do vento que estraga o cabelo, do céu que não está azul o suficiente ou mesmo do lindo azul(qualquer que seja o tom) do céu. Acham que a vida deveria ser perfeita. Com momentos perfeitos todos os dias, ou ainda, todas as horas. Com histórias e livros impecáveis. Apenas com bons momentos. Reclamam que não aprendem, que não tem oportunidades. Reclamam e xingam os momentos de tristeza, a dor, as lágrimas.

As pessoas esquecem os sonhos, esquecem a sinceridade em gestos, palavras e sentimentos. Esquecem dos sorrisos, dos olhares, dos abraços e dos beijos. Esquecem daquilo que lhes fez bem. Esquecem. Como um devedor esquece de pagar. Porém lembram cada detalhe do dia triste, cada nuvem no céu nublado, cada grão de areia na grama, cada vírgula colocada no lugar errado. Esquecem e lembram. Ou pensam fazer isso. Lembram de reclamar da vida, mas esquecem que a vida não é perfeita, que ela não pode ser perfeita. Que ela não precisa ser perfeita. Que os sonhos não precisam ser realizados de maneira perfeita. Esquecem que a sinceridade naquilo que recebem e doam é mais importante do que qualquer frase perfeita escrita no livro de suas vidas.

Por isso acho que o mundo precisa de cegos, para que o céu, o sol e todas as maravilhas da natureza sejam mais valorizadas. Precisa de mais surdos, para que a palavra sincera, a declaração de amor, o desabafo amigo e todas os gritos da alma sejam mais valorizados. Precisa de mais mudos, para que a conversa seja valorizada, para que as oportunidades não sejam desperdiçadas e para que a música, a poesia e quaisquer frases não sejam mais banalizadas.

As pessoas dizem muitas coisas. Dizem que valorizam algo só quando perdem-no. Dizem que valorizam uma pessoa só quando estão longe dela, ou a perdem para sempre. Dizem que só há verdadeira valorização num sentimento, ou mesmo num gesto que o prove, quando não o tem mais a qualquer momento. As pessoas dizem muitas coisas. Ridículas.

As pessoas dizem sem saber. Ouvem sem querer. Vêem por obrigação. Pensam sem razão. E vivem, ou fingem que vivem, sem sentimento, sem coração.


*como a maioria dos meus últimos textos, esse vem de um lugar escuro 
e escondido, que ainda não consegui dizer se está na cabeça ou no coração. 
A solidão, a tristeza, a decepção 
e a simples lembrança de tudo aquilo que me faz bem 
se misturam nessas palavras.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Um fracasso, em tempo

Frações de segundo duram uma eternidade. Breves momentos que parecem durar muito mais do que os relógios dizem que duram. A Física, a Química ou mesmo os professores arrogantes que acham que sabem tudo conseguem explicar isso. A minutos ou horas em segundos. Rios transbordam em apenas um pensamento. Senhor do mundo. De tudo. Da sua vida. Você. Eu. Qualquer um.

Não há problema nisso. Em ter o seu tempo parado, congelado ou mesmo reduzido.Não há problema algum. O tempo é seu, a vida é sua, as horas, minutos e segundos também. Quem manda é você. Quem escolhe é você. Quem quer seguir o relógio, a natureza ou mesmo a Física ignora isso, finge não ser possível viver horas em apenas alguns segundos. Quem quer viver ignora tudo isso.

Lamentável como há uma insistência em seguir caminhos, padrões impostos. Parece que tudo tem que ser como está sendo. Não é questão de conservadorismo. É questão de comodismo. E em algum ponto, vagabundagem. Conservar é manter o necessário, o lado bom, o que dá certo, o que faz bem. Comodismo é a conservação de tudo, bom e ruim. É lembrar sempre do prato quebrado e não do churrasco que você comeu nele antes de alguém bater com o cotovelo e derrubá-lo. Por que não inovar com os erros, seguindo um caminho diferente do que todos seguem, ou seja, fazendo diferente do que os outros fazem? Por que não tentar mudar?

A vida é diversão, estudo, trabalho, dinheiro, profissão, sucesso, sexo e, quem sabe, herdeiros. A vida não é só isso. A vida nunca tem um só. Apenas. Um 'é isso' no final da frase. A vida não é só lembranças. Porque o que é ruim deve ser esquecido. As dores devem ser lembradas apenas até entendermos o que aconteceu.

Esperar pelo tempo, seja ele uma fração ou uma eternidade é esperar pelo ônibus embaixo da árvore e não na parada. Ele passa e você acaba nem vendo. Você perde ele. E, correr atrás é difícil, então o que fazer? Dar um tiro no motorista é enfiar um punhal no coração, acabar com tudo de uma vez.

Minutos e horas em segundos, ou mesmo frações desses. Por que não frações de segundo em horas também? Quem sabe dá tempo de alcançar o ônibus, sem ter que correr. Depende de mim, ou de quem quer que seja o dono do tempo. Porque a vida é minha, e o meu tempo, eu já disse, é meu.


Fracassei hoje, 
aqui, mas tentei, 
se é que isso vale alguma coisa.
(e o título veio depois dessa frase)

domingo, 18 de outubro de 2009

É um erro? Então eu vou errar.

Remo contra a maré. Não, eu não tenho um barco. Não estou em um rio digitando um texto sem me mexer muito para que o barco não vire. E o texto só começa assim porque remar contra a maré é a mais simples frase que define hoje. Ontem. Alguns dias. Muitos dias.

É uma atitude. Uma decisão. Um propósito, com uma intenção. É uma vontade, um desejo, um sonho. E tudo vai contra. E você é chamado de louco, de burro, de idiota. E você é criticado e cansa de ouvir tantos poréns, tantas queixas, tantas dúvidas de pessoas que querem o teu bem, achando que sabem qual é esse bem. E talvez estejam certos. Mas você não acredita, porque algo te faz voltar ao barco e continuar remando. Sem direção, sem sentido. Remando. Como se fosse a única coisa que você soubesse fazer na vida. Como se remar contra a maré fosse algo que o seu instinto de leva a fazer.

Remar contra a maré. Uma gota d'água no deserto. A luz no fim do túnel. O centavo achado no chão. É um nada, mas um nada tão grande que se torna algo tão grande que você não se importa se ele é um nada tão nada. Porque pra você esse nada, que é tão nada, representa muito.

Lembrei de Some might say, do Oasis. Tem um trecho que diz algo como 'alguns vão dizer que não acreditam no paraíso... vai lá e diga isso para o cara que mora no inferno'. Algo que não adianta, algo que não vai ter eficácia nenhuma, algo que não vai fazer diferença nenhuma. Mas que é um paraíso para quem acredita que aquilo faz diferença sim. Que aquilo adianta. Que vale a pena lutar.

Sempre julguei-me um teimoso por natureza. Um inconformado. Um teimoso inconformado. Nunca desisti. Achei que era por isso. Me descobri, mais uma vez. Sou mais do que um inconformado. Mais do que um teimoso inconformado.

Sou um ser humano. Um ser humano teimoso e inconformado. Movido pelo que há de mais sincero em sentimento. Que rema contra a maré usando as palavras mais sinceras que possam sair de uma boca, ou serem digitadas por dedos cansados e exaustos. Que tem com uma única gota d'água a sede saciada. Que tem em um sonho o paraíso. Uma esperança. Aquilo que move, ou deveria mover, o mundo. Um desejo. Um sonho. E um sonho sincero.

Indo contra muitos. Remando contra a maré. O que talvez só traga destruição ao meu barco. E daí. Quando morrer não vou levar o barco comigo. No paraíso deve haver rios, lagos, oceanos. Mas lá eu não vou me afogar, porque vou conseguir caminhar sobre as águas ao lado do meu Mestre.

Talvez eu também não leve a concretização desse sonho. Dessa sinceridade. Dessa espontaneidade. Dessa... coisa, que me faz o maior e o menor dos homens. Talvez. Mas certamente, no fim da minha vida, vou levar comigo a sensação de que tudo foi tentado. De que todas as possibilidades foram esgotadas. De que eu não tive medo do fim. Não tive MEDO de tentar, de lutar, de querer, de remar contra a maré, de fazer o mais difícil, o mais complicado, o mais impossível. De passar por cima do que já me fez mal. De esquecer mágoas e lágrimas. De deixar de lado o cansaço, a tristeza, todos os sentimentos ruins. Não, não tenho e não terei medo.

Um ser humano teimoso e inconformado, mas fascinado pelo improvável, pelo impossível e pelo intocável. O que vier, virá. E, preparado ou não, enfrentarei de cabeça erguida. E assim continuarei.

Me critiquem, me chamem de burro. Eu mereço. Mas não tenho culpa. Eu sou estranho, diferente. Sou aquilo que eu quero ser. Sofrer está tão próximo de sorrir. O fim está tão distante do começo mas tão próximo do recomeço.

Sejam elas boas ou ruins, para mim ou para vocês. Sejam elas limpas ou sujas, claras ou escuras. Sejam elas as melhores ou as piores, as justas ou as injustas. Sejam elas as certas ou as erradas. Sejam elas o que forem, elas são sinceras. Sinceras, espontâneas, improváveis ou impossíveis.

Mas são as páginas da minha vida. Os lemes do meu barco.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

E de novo o tempo tá no meio...

Me sinto bem por não ter sido o único a sofrer uma mudança gradual e positiva. Não sei, gosto das exceções, mas não gosto de ser único em alguma delas. Sou único, o que não quer dizer muita coisa, mas no ser não há exceções, exceto todos os estúpidos iguais que assolam nosso planeta e fazem com que pessoas como eu, talvez você, o Miguel e outros tantos loucos, insanos, diferentes e, claro, únicos, tenhamos menos facilidade para... viver.

Me sinto bem por mudanças simples, progressivas, verdadeiras ou quase evoluções, crescimentos, amadurecimentos, sei lá, coisas nesse gênero, desse tipo e dessa raça, acontecerem com pessoas que merecem. Não que eu merecesse, mas hoje eu vejo que, com simplicidade e humildade, eu mereci uma chance. Como a maioria ganha, mas poucos acabam merecendo e são menos os que acabam aproveitando.

Quem merece e aproveita completa um ciclo, da sua, da minha, das nossas vidas. Um roteiro talvez já programado onde a única coisa que muda é o que fazemos nos dias, em momentos exatos antes, durante e depois da mudança, da evolução e do crescimento, já ditos progressivos.

É como se eu colocasse um ponto numa reta. E logo adiante um outro ponto. Px, Py, raio que o parta. Enfim, coisas do gênero. Essa reta, faz de conta, é a nossa vida. E nesses pontos alguma coisa acontece e faz com que vários dos pontos já passados tornem-se besteira, porque você quer mesmo é pensar, e fazer, novos pontos.

Essa é a moral.

Esquecer o que não importa do passado, lembrar que importa e construir um presente, para que quando ele for passado, as coisas façam mais sentido do que fazem hoje.

Meu tempo está acabando, por hoje, era isso.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O meu tempo não tem asas

(In a world without love - The Beatles)

Pouco importa onde eu tenha escrito, para quem ou por quê. Pouco importa também se esse por que esteja errado. Pouco importa que a frase não faça sentido. Pouco importa se ela fizer sentido para alguém. Pouco importa o fato de tudo isso não fazer diferença alguma.

O tempo voa. Dizem alguns. Alguns muitos. Alguns que talvez sejam a maioria. Mas a maioria está certa né?! Pra mim não, mas enfim.

O meu tempo não voa.

E é óbvio que não voa por que não tem asas. Não vamos entrar na questão dos voos mentais e sonhadores daqueles que não se contentam em acreditar e pensar no concreto e buscam uma maneira de fugir do mundo, de achar o que está escondido, de procurar o que não se tem, ou mesmo não se precisa, ou de ainda tentar fazer no sonho, na mente, ou em algum lugar meramente imaginário o que não pode fazer com dois braços e duas pernas.

O meu tempo não voa e pronto. A culpa não é minha. A culpa não é de Deus. E a culpa não é de ninguém. Ou pelo menos eu não quero culpar ninguém. Porque ninguém é culpado pelo meu tempo não ter asas. Pode até haver uma razão para o meu tempo ser pobre e ter de andar a pé. Pode até ser culpa daquele que faz o meu tempo acabar sendo o meu tempo e não um nada no meio de um universo de tudo.

O meu tempo não voa. Não quer voar. Eu não quero voar. Aliás, não posso voar. Querer e poder são dois verbos bem diferentes. E por não poder voar, não quero que meu tempo voe. Ele que ande à pé, descalço, e com bolhas na sola do pé. Tem que aprender sofrendo. Assim como eu aprendi.

Não quero que o meu tempo voe para que eu sempre tenha ele sob controle. Para que ele não fuja de mim. Das minhas mãos e olhos. Para que nunca fuja da minha vida, dos meus sonhos e da minha vontade.

Não, não cortei as asas do meu tempo. Mas nada fiz quando percebi que ele tinha perdido elas. Perdido. Melhor do que dizer outra coisa. Melhor do que acusar alguém que é a razão, mas não tem culpa. Odeio injustiça.

Injusto sou eu com o meu tempo. Ele não voa mas ainda faz parte de mim. Ele está bem próximo de mim e talvez seja por isso que eu reclame tanto dele.

O meu tempo não tem asas. Ele é anormal. Assim como eu. Anormal, diferente, estranho. Uma rosa no deserto. Uma bergamota num restaurante de comida japonesa. Um raio de sol no fundo do poço.

O meu tempo é assim como ela.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O 18 e o 20 de julho no meu livro

Escrevi a última página de um dos livros da minha vida. O livro que conta o começo do meu viver. Não da minha vida, do meu viver. Posso escrever uma continuação desse livro algum dia, mas nem o tempo, nem eu, nem ninguém, tem ou quer mesmo ter certeza disso. As pessoas fazem tantos planos e eu quero ser diferente, não quero mais fazer planos.

Não, não é aquela bobagem de 'viver um dia de cada vez'. Porque se fazemos algo hoje é para poder fazer algo amanhã. E sim, você estuda para amanhã ser alguma coisa, come para amanhã estar vivo, joga futebol para ter saúde, toma remédio para viver mais, enfim, tudo pensando no amanhã. Até porque, o hoje não existe.

Sábado foi o dia do capítulo final. Queria que hoje fosse sábado, teria mais um motivo para argumentar com meus amigos a presença deles lá. Onde? Não importa. Queria que eles, que não estavam comigo, estivessem lá, embora as fotos tenham me lembrado muita coisa.

Hoje eu também queria ter meus amigos por perto. Mas não dá. Natural, afinal, cada um tem sua vida, sua própria história, seu próprio livro com seus próprios capítulos para escrever. A vida é como um livro, definitivamente. E nós podemos, no máximo, ter alguma citação no livro dos outros, pois, o certo mesmo, é cada um escrever o seu. Individualista? Não, necessidade mesmo.

Hoje é dia do amigo. Parabenizo os meus. Agradeço-lhes pelas várias citações nos meus livros. Os livros da minha vida. Sem eles, eu teria terminado, mas seriam tão poucas páginas, que nem de rascunho poderia chamá-lo.

Obrigado.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O tempo, a vida e uma pergunta. E aí?

(a música é um complemento bem subjetivo do texto. Além de ser uma baita música, claro.)
Nenhum de Nós - Sobre o tempo

Sabe aqueles momentos da vida, de todos aqueles que muito mais do que possuir vida buscam viver(embora haja contradições pessoais nisso), em que há uma pausa, uma autorreflexão(?) breve e uma simples pergunta para si mesmo. Algo simples, como um "E aí?".

São duas 'palavras', três letras, um ponto de interrogação. Um significado muito maior implícito nisso tudo. Uma pergunta que pode destruir a mente de alguém despreparado para respondê-la ou pode, no mínimo, causar mais algum, talvez muito, transtorno de reflexão para e por consigo.

Responder o "e aí?" originário de uma reflexão psicológica sobre algo, provavelmente sobre a vida, o tempo e tudo aquilo que liga e que está entre os dois, é uma das piores reflexões pelas quais um ser humano pode passar. Se a vida, o tempo, ou ambos, não te ajudarem nesse pensamento todo (que, convenhamos, serve apenas para que o tempo mostre que é o tempo e para que percebamos que a vida é a vida, literalmente), não há o que fazer a não ser sentir-se decepcionado com a merda pela qual estamos passando aqui na Terra.

Se um dos dois, ou mesmo os dois, ajudar mesmo, a coisa não vai ficar tão ruim. Por que? Sempre há uma porcaria de um triste soneto mental ecoando pelas cabeças pensantes de todos aqueles que sabem que a vida não deve ser apenas a vida, mesmo que ela, a vida, e ele, o tempo, façam com que a vida seja apenas a vida e o tempo um agravante da dificuldade da mesma se transformar em verbo. No viver, claro.

Alguém já olhou(subjetivamente falando) e perguntou para si mesmo "E aí?". Não sei. Mas aconselho quem não o fez, ou quem já fez e conseguiu passar por isso sem muita dificuldade, a não fazer. Porque facilidade com essa pergunta é única. Se existir. E achar que a vida e o tempo são mais do que, invariavelmente, são, é a mesma coisa que achar que a vida vai te trazer alguma cosia se você for correto, que o tempo vai te trazer aquela pessoa pela qual tu dedicas sentimento mas não recebe nada em troca e que buscar alguma coisa vai ajudar nisso se um dos dois, a vida ou o tempo, não colaborarem.

Complexo?

Não. Simplesmente simples. Com o perdão da redundância.

Maldita vida, maldito tempo, maldito seja eu, que nunca consegui nada, esperando da vida ou do tempo, ou mesmo buscando. Não.

Maldito seja aquela porcaria de pergunta que fiz a mim mesm: E aí?

(Faltou um: "Maldito livre-arbítrio", para que eu pudesse rir)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Palavras relativas de um coração não relativo

O tudo é relativo.
O nada também é relativo.
O sempre e o nunca também são relativos.
A minha tristeza é relativa.
A minha felicidade é relativa.
A minha vida é relativa.
Os meus problemas não deixam de ser relativos.
As minhas ideias não deixam de ser relativas.
E acho que só coisas como o egoísmo e a dor são coisas não-relativas.
Porque o egoísmo é o egoísmo e a dor, qualquer que seja ela, dói, machuca.
A minha vida, a minha família, os meus amigos, a minha fé, o meu amor, a minha sinceridade, as minhas ideias e convicções.
Tudo está relativo para mim.
Como eu disse lá no começo, o tudo é relativo, mas nesse caso, o relativo deixa de ser relativo para se tornar mais um adorno em uma mente fria e cansada de tanta relatividade em tudo, menos no egoísmo de outros e na dor do meu coração.

Cansei.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Eu não vejo o futuro

Lavar a louça pode trazer conseqüências muito maiores do que poder usar pratos, talheres e copos novamente sem medo de que eles estejam com substâncias podres. Lavar a louça pode levar pessoas como eu a conclusões, oriundas de pensamentos muito loucos, bem toscas.

O fato é que fiquei pensando no dia em que estava conversando com um professor e uma colega, digo, ex-colega. Eles tentavam de todas as formas me convencer de que previsões do tempo são feitas a partir de medições de fenômenos físicos em determinados lugares que ajudam a prever, basicamente, se vai chover ou não.

Eu não gosto de previsões do tempo. Não acredito em previsões do tempo. Até porque, para mim, tanto faz se vai chover ou não. Antes de sair de casa olho para o céu, sinto se está abafado ou não e então decido se levo um guarda-chuva(com ou sem hífen na nova regra, eu vou usar).

Pessoas que acreditam, confiam e seguem previsões do tempo têm medo. Xinguem, chamem de idiota, mas eu acho que essas pessoas(que transformadas em porcentagem, passam de 90) têm medo do futuro. Têm medo de tomar um (bom) banho de chuva, de sentir frio por estarem de manga curta, de sentir calor por estarem de manga comprida em uma tarde de 38 °C, têm medo de simplesmente errarem a cor da roupa de acordo com o dia.

A imprevisibilidade* do futuro (e do clima) acaba aumentando a cautela de pessoas que, muito mais pelos outros do que por si mesmas, mudam até o que vão fazer conforme o que diz a previsão do tempo, seja ela no rádio, televisão ou jornal impresso. E a cautela é a inimiga da espontaneidade.

Acho que um propósito inteligente seria acabar com previsões do tempo. Sério. Deixa isso para países que sofrem muito com furacões e tal. Aliás, só isso deveria ter tentativa de previsão. O resto, deixa acontecer, como algo natural que é. Ou vamos ouvir as pessoas mais antigas, como o meu avô. Ele acerta muito mais apenas olhando para o céu e sentindo o clima do que todos os aparelhos que medem isso e aquilo.

E tudo isso veio de alguns minutos lavando pratos e copos...


*existindo ou não, essa palavra é fácil de ser interpretada