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quinta-feira, 8 de março de 2012

Intencionar e o agir

Quando alguém decide, ou diz decidir, mudar a própria vida, a primeira coisa a fazer é tomar uma decisão e seguir, à partir dela, com convicção. Pelo menos é isso que se espera quando de uma pessoa que faz todo um drama para, em algum momento, estufar o peito e dizer 'preciso tomar uma decisão e mudar a minha vida' - desconsiderando as maneiras alternativas de dizer isso. O que acontece, na maioria das vezes, é uma falta de consideração com aquilo que se diz - e que, consequentemente, imagina-se que a pessoa tomou como propósito, objetivo.

Na prática, quase sempre isso não passa das palavras para as atitudes. A mudança, em si, é um objetivo falho, geralmente porque a pessoa não está preparada para mudar. Não que você precise fazer terapia, rever seus conceitos e libertar-se de todo o seu passado. O problema que impede mesmo a maioria das mudanças, que enfraquece as decisões proclamadas aos amigos confidentes é que, quase sempre, a pessoa não está disposta a abrir mão de coisas que lhe fazem mal e, principalmente, ela não sabe onde quer chegar.

Disse alguém, algum dia, em um momento de incomparável estupidez, que 'para quem não sabe onde vai, qualquer lugar está bom'. Minha aula às 7 e meia de amanhã me impede de tecer longos comentários sobre, apenas comento - levando em conta a minha pequenez - que essa frase demonstra falta de vontade, de desejo por mudança e uma comodidade sem igual. Deixar-se levar somente pelo vento, fisicamente falando, não faz você sair do lugar. Subjetivamente falando, aquele que deixa-se levar pelo vento nunca chega a lugar algum porque, assim como o vento físico, esse vento que chamei de subjetivo também não acaba. Ele sopra para outro lugar, em outro momento, mas é contínuo, não acaba. Ele passa, e pronto.

As pessoas contentam-se em ser passageiros em suas escolhas. Não definem, não são coerentes, não ratificam suas palavras de decisão com entrega e atitudes. Não querem esperar pelo melhor pois preferem ir para qualquer lugar agora.

Impacientes. Não é ironia nenhuma concluir que todas essas pessoas que não tem convicção em suas escolhas, ou que sequer escolhem, nunca saem do lugar, porque mesmo deixando-se levar pelas escolhas alheias, pelo tal vento subjetivo, nunca conseguirão dar um passo para fora de si. E um dia nem mesmo os outros conseguirão carregar o peso de todo esse comodismo - e porque não, descaso - para com a própria vida.

Escolher errado acontece. Principalmente quando você se deixa levar pelo agora, e não pelo que o aprendizado e o crescimento, com o tempo, lhe farão escolher.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ecos da sinceridade - Bem próximo do motivacional


Chega de dizer que não dá, que não tem como, que você é desse jeito e pronto. Chega de reclamar que Deus não te ajuda e que o mundo conspira contra. Chega, na mesma proporção, de gritar aos quatro ventos que quer mudança, prometendo que o fará imediata ou proximamente. Cansa ouvir tantas promessas, semelhantes, de pessoas diferentes.

Porque quase tudo fica só na promessa.

Antes de mais nada, se quiser mudar, escolha uma verdade, seja ela Verdadeira ou não, e acredite nela até o fim. Isso se chama convicção. Começar uma mudança tendo ao menos uma convicção absoluta é o primeiro passo para sair desse marasmo de vida, dessa rotina de pensamentos, atitudes e consequentes finais iguais.

Depois da convicção, porém, vem o primeiro problema: a coerência. De que adianta escolher uma verdade e viver como se não acreditasse nela, abrindo exceções sempre que conveniente? Nada. Não adianta querer ser alguém diferente e continuar agindo igual ou, em um exemplo bem mais pobre, vestir roupa de roqueiro e ouvir um sertanejo para dançar com aquela ruiva estonteante que você viu na festa... aliás, o que você estava fazendo em uma festa sertaneja sendo que quer ser roqueiro?

Coerência.

Depois da coerência vem... bom, geralmente aqui a mudança já é significativa, porque poucas pessoas conseguem ser bastante coerentes com suas convicções. Também não adianta ser coerente com convicções e não ser coerente com seus ideais. Sonhos, no caso. Aceite, faça sacrifícios para conseguir o que você quer, levando em conta que os sonhos, aqui, são bons sonhos, sonhados com verdade, impulsionados por amor.

São três, quatro coisas. É só isso e você já mudará de frio para calor, de mundo para céu, de utopia para realidade. Ninguém disse que vai ser fácil, mas garanto - mesmo que a minha opinião valha menos que um tostão velho - que vale à pena muda, radicalmente, para melhor, para a verdade.

Ou, no meu caso, para uma sinceridade inteligente.

domingo, 6 de junho de 2010

Antes alguma coisa à você no chão


Escolha razões, motivos, lembranças e fatos. Faça isso enquanto bebe café com leite e bolachas de água e sal. Selecione o que eu já disse e comece a dar pesos diferentes para cada uma em cada ramo desse pensamento. Você define critérios, o que importa mais ou não importa, o que importa menos ou importa de verdade. Pensa, lembra, pede ajuda a alguém. E no fim, constata e...

Comete injustiça. Você fez um julgamento e jamais lembrará de tudo. O que há de injusto nisso? Você está bebendo café, então acorda de uma vez. Pensa bem, quais lembranças vêm primeiro à mente? Não são as lágrimas que contam mais? A raiva, o rancor e toda aquela porcaria que você insiste em guardar no seu seleto espaço de lembranças. Vai dizer que não lembrou das coisas ruins antes de lembrar das boas? Vai dizer que o mais pesado não foi colocado primeiro na balança? Vai lá, admite que eu estou certo ou se mostre um ou uma anormal.

Esperarei pelos anormais. Mas só porque aprendi a ser um.

Não por pesar primeiro as coisas boas, menos pesadas e depois as coisas ruins. Não. Anormal por deixar de lado julgamento de pessoas, ambientes com ou sem pessoas, e locais, com e sem pessoas. Anormal mesmo, daquelas coisas bizarras que você só vê em programas sensacionalistas de emissoras de televisão que são patrocinadas por sites de venda e novos produtos inúteis mas que vendem muito quando são lançados apenas por serem novidades inúteis.

Não é? Não, eu já disse, você está bebendo café, por que ainda não acordou? Eu não estava mais falando sobre os produtos de emissoras (ronc) que... ah sim, acordar para a vida. Vida? Vida não, café. Viu só o que você fez, boba. Você me faz perder o raciocínio. E tudo porque? Porque eu não tenho más lembranças de você. Nem de você nem de ninguém. E nada de 20 e poucos anos aqui, porque nenhum de nós os possui. Chega de carregar pesos em costas doloridas por cadeiras duras que escolas e universidades disponibilizam. Por si só é ruim, imagine quando você pensa e suas costas doem no pensamento. Imagine não, pense e sinta essa dor. Progressiva, silenciosa e que quando torna-se insustentável, você cai e chora arrependida por não ter pedido ajuda, por não ter sido ajudado(a) ou mesmo por não ter aceitado ajuda.

Deixa de lado essa rotina de achar que tudo pode-se em si, sendo que a origem da força é deixada de lado. Você não pode esquecer dessa força. Você não precisa carregar o peso dessas mágoas. Afinal, as mulheres não gostam que a balança indique muito peso, não é? E você também não precisa julgar ninguém, contar e medir pesos leves e pesados para então decidir que atitude tomar. Que tal fechar os olhos, já que o café não adiantou mesmo, e deixar que aquela força que você tanto deixa de lado te guie.

Essa força pode ser o amor. A amizade. A confiança. O reconhecimento pelo que já se recebeu. Pode ser Deus. No fim, é tudo farinha do mesmo saco. Ou café do mesmo bule.

sábado, 1 de maio de 2010

Retratos de uma sociedade patética(8)


Hoje será sobre a permanência em perspectivas fadadas ao fracasso. Perspectivas falidas de um sucesso inexistente, no passado, no presente e no futuro. Perspectivas bobas, motivadas por aparências tão passageiras quanto uma nota de cem reais na mão de um pobre. Suposições e desejos de hoje que jamais serão hoje.

E tudo isso pela objetividade que transforma um sistema interno de entendimento de mundo em um sistema mais falido do que o comunismo ou, como queiram, tão fracassado quanto. Objetividade que reduz tempo e pode até ajudar em algum momento, mas não resolve perspectiva alguma, muito menos quando se está por baixo achando que poderia estar por cima, tudo por uma condicional tolamente... objetiva.

Disso e daquilo vêm o que eu quero tanto dizer, mesmo que ninguém entenda vírgula alguma. Porque ao invés de jogar-se de uma ver em um poço, com ou sem água, fica-se sentado na beira, esperando que alguém empurre para baixo aquilo que já deveria estar lá, tendo em vista que quanto antes se chega ao fundo, quanto antes se cai, antes pode-se voltar, levantar, enfim, sair do tal do poço.

A perspectiva de estar na beira do poço e achar que está tudo bem é tão tola quanto um ateu que abre os olhos e ainda nega uma Existência inegável. Você está na beira do poço e acha bom, mas não percebe que, estando na beira dele, está pior do que se já estivesse no fundo do mesmo, pois do fundo não se cai, mas da beira sim. Comentar sobre a espera pelo empurrão para uma mudança é cair em um lugar comum de palavras já ditas, repetidas e cansativas em outros dias.

Se joguem de uma vez e acabem com essas perspectivas ilusórias. Vocês na beira do poço fingem que não estão, mesmo estando. Enganam-se e julgam-se inteligentes ainda. Pensem com menos objetividade e quem sabe vocês entendam que, na real, já estão lá no fundo, chorando no meio da própria água.

Quem sabe assim vocês, eles ou aquela menina lá, passem a dar valor ao que ouvem daqueles que desistiram do objetivo há tempos. Abram os olhos para a mente, e não para a beira do poço, achando que ela é o vosso trono.

Cansa vê-los assim, iludidos em suas próprias luzes que não brilham, nem aqui e muito menos em algum outro lugar do universo, nessa ou em outra dimensão.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Nem seis, nem meia dúzia. Uma paulada e ponto final.


Quando a situação não está boa, o time não consegue ganhar e perde jogos que poderia ganhar, quando os craques do time racham o grupo ao meio por julgarem-se um melhor que o outro, o que a diretoria faz? Demite o técnico, em uma tentativa desesperada de evitar o rebaixamento do time. Dar aquela mexida no grupo, aquela sacudida. Geralmente com um técnico que seja duro, rígido, que trate todos da mesma maneira, que dê sopapos nos arrogantes e xingue para valar quem ousar julgar-se mais importante.

Em uma empresa, quando os lucros diminuem, o que acontece? Reformulação. De membros da diretoria, de funcionários de um setor que não tem trabalhado direito, enfim, a chacoalhada, a mudança também serve nesse caso. Busca por renovação, por recomeço, por melhora. Ao invés de tentar mudar com o que tem-se à disposição, tenta-se mudar trocando peças, pessoas, enfim, alguma coisa mais fácil do que ajeitar e adaptar o que há.

Assim como computador. Quando está dando problemas, vários problemas, poucos pensam em ir a fundo e consertar. Muitas vezes porque não vale à pena, o custo benefício não vale, porque não tenha consertou ou algo do tipo. E é assim. Você compra um novo e deixa o velho, que tanto te incomodava e irritava de lado. Às vezes nem consegue vendê-lo, o que deixa você com mais raiva dele.

O que não dá é ficar de braços cruzados vendo o time ser rebaixado, a empresa à falência e a sua paciência e seu tempo desaparecerem assim como os arquivos do computador. Não dá para esperar que o técnico em computação se ofereça para consertá-lo, para ajeitá-lo ou mesmo para oferecer um novo. Como não dá para achar que trocando de técnico o time irá ganhar todos os jogos ou trocando os funcionários a empresa irá crescer monstruosamente.

Dependendo do caso não vale à pena mudar com o que se tem. Mas achar que só mudar as peças vai mudar a situação toda também é deixar para que o vento guie sozinho o rumo do barco. E você sabe que o vento não te obedece e não vai para onde você quer(pelo menos não sempre).

Muito mais importante do que peças, é mudança de atitude. E para isso, é bom deixar o computador de lado, uma vez que a tecnologia traz infelizes exemplos para a realidade. Troque o técnico mas também dê uma bofetada e corte o salário daqueles craques que só estão atrapalhando. Troque os funcionários mas lhe dê melhores condições de trabalho.

Troque o barco mas compre um com motor, se você não quer mudar as velas de lugar a cada instante.

Vá à luta, mude de atitude para só então pensar em mudar as peças.

Aí, se nada der certo, feche os olhos e reze, até que alguma ideia revolucionária ilumine o teu caminho. 

Brincadeira.

Se preciso, de socos na cara. Dos jogadores, dos funcionarios, do computador. Ou quem sabe dê um soco no meio da sua cara. Coloque vergonha no meio dela, uns cartazes na parede com escritos do tipo 'deixa de ser idiota e vai fazer o que você sabe que precisa fazer'.

E sem choro, sem reclamar da vida, do mundo, de Deus. Sem pensar no que poderia ter sido e não será. 

Se você não vai mais ganhar chocolate, por que não aprender a gostar de amendoim?

domingo, 4 de abril de 2010

Quem gritará primeiro?


Os fracos não possuem força alguma, por isso são chamados de fracos. Não há como fazer alguma coisa, sequer gritar. Suas vidas ficam apenas nos seus imaginários, de maneira que ninguém há de saber como acontecem essas vidas. Esqueçam, os fracos não irão gritar.

Os hipócritas não possuem personalidade, caráter, verdade. Não fazem nada por si, movem-se para que os outros não façam por eles, ou para que ninguém faça nada por nada, nem ao menos por si mesmos. Os hipócritas são miseráveis, adaptam-se às suas ambições. Mas eles, por conveniência ou simples arrogância, também não irão gritar.

Os fortes não possuem discernimento para entender que não são apenas eles que precisam de suas forças. Os fortes podem confundir superação com vanglória, vontade com comodidade, personalidade correta com alter ego. E muitas vezes guardam para si essa força, achando que apenas seus exemplos de resistência a situações adversas serve. Os fortes não vão gritar.

Os arrogantes e egocêntricos não possuem olhos, ouvidos e tato externos. E se os possuem, não usam, vivendo assim em uma bolha forrada por espelhos. Eles, arrogantes e egocêntricos, não fazem nada por ninguém, pois seus mundos são muito mais importantes. Cada um por si e Deus por cada um deles. Contradizem-se por também não fazer nada por si, deixando que suas frases sejam apenas da boca para fora. Eles também não irão gritar.

Aqueles que possuem fé, católicos, protestantes ou judeus, não devem possuir a devida raiva para um grito forte e estridente, uma vez que os ensinamentos de amor a Deus e ao próximo eliminam a raiva, um sentimento que pode ser sincero, mas não é puro. Orando para que Deus os ajude, esquecem-se de abrir os olhos e sentir essa força que tanto pedem, deixando de fazer, de buscar, de lutar. Aqueles que possuem fé também não irão gritar.

Os conservadores não gostam de mudanças. Logo, aceitam a situação e tudo que ela possui de maneira calma e racional. Abafam os esforços dos radicais ou mesmo daqueles que querem pequenas mudanças, apenas para manter seus status de conservadores no poder, na situação favorável ao comando, político, social, religioso ou simplesmente vivencial. Os conservadores, e tampouco os radicais - cheios de pressa e desorganizados, mesmo que com boas intenções - também não irão gritar.

Os racionais não possuem muitos sentimentos. E quando os possuem, são cheios de dúvidas, deixados em segundo plano, sempre atrás da razão, da 'sempre correta' razão. Os racionais pensam e concluem que não existem muitas possibilidades, sendo que essa minoria improvável está cheia de contras, enfraquecendo-se por si. Então concluo que os racionais também não irão gritar.

Os injustiçados não possuem mais vontade para reagir. Ouvem gritos, acusações, palavras cheias de raiva, mágoa e ódio. Muitas vezes não tentam ou não conseguem se defender. Mas quando tentam, é em vão, pois há muito sentimento ruim indo contra si, ou há ao menos a cegueira e a surdez de pessoas que normalmente não agiriam de má fé, prejudicando o entendimento. Os injustiçados perdem suas forças, por isso, também não irão gritar.

Os idiotas não sabem nem ao menos o que está acontecendo. 'Quem é gay?' ou 'O que aconteceu com o Faustão?' perguntariam eles. Alienados, burros, idiotas. Pessoas que acham que a vida é um pão e circo interminável, com prazeres a toda hora e em todo lugar. Pessoas que não prezam por nada, a não ser por um churrasco na lage, o pagode e a novela das 8 - que começa às 9, piorando ainda mais a situação. Nem precisava ter dito mais nada, pois todos sabem que os idiotas também não irão gritar.

Os inteligentes não querem errar. Não querem pensar no impossível, nem ao menos no improvável. Os inteligentes conhecem a situação, sabem que as mudanças nunca terão boas consequências, e não querem fazer parte de mais esse fracasso. Eles são inteligentes, com ar de superior e uma boa quantidade de racionalidade, sem mantém afastados do que é provável que não dê certo. Confundem o aprender com a moral para ensinar. Esquecem de aprender, perdendo essa possível moral. Então, os inteligentes não irão gritar.

Quem sabe 90% da população se encaixe aqui. Não pelos adjetivos em si, pois todos eles resumem-se em apenas um: cômodas. Pessoas cômodas, desleixadas, preguiçosas.

Esqueçam o geral. A sociedade, o mundo. Se as pessoas fossem um pouco mais inconformadas nas suas próprias vidas, dificilmente teríamos generalizações tão grandes.

E essa eterna necessidade de que alguém grite para que outra pessoa, quem sabe, acorde. De que alguém fale para que outra pessoa escute(para quem sabe assimilar). De que alguém machuque para que outra pessoa sinta dor. Ou mesmo de que alguém viva, para que outra pessoa queira viver também.

Tente gritar enquanto estiver só. 

Você poderá acordar a si mesmo.


*coloque a tag #escutebeatlesesejafeliz no twitter, 
e ajude o @tosco_tosco

segunda-feira, 22 de março de 2010

Sem frase alguma por uma vírgula. Ou nem isso


Cada vez mais as pessoas me mostram grandes contradições. Querem algo mas não fazem esforço para consegui-lo. Sonham com algo mas não tiram a mão do queixo nem quando ela fica dormente. Não dão risada com medo de serem chamados de bobos alegres.

E assim para-se no tempo. Contradiz-se a vontade pela falta dela. Estranho. Engraçado. À beira de coisa pior. Pois criticam tudo e todos mas, quando recebem uma vírgula de comentário, que não precisa ser algo além de um simples comentário, largam tudo, vontades, pretensões, intensões, mudam caminhos, rotas e sentem-se incapazes de realizar muita coisa, se não tudo, a maioria do que queriam.

Uma coisa é depender de algo para prosseguir. A outra é fazer-se dependente de algo para prosseguir. E fazer-se dependente é fazer-se fraco, mostrar-se inepto ante um simples fio branco no meio de um cabelo black-power bem preto. É um nada que vira o mundo inteiro, com poder de decisão superior à própria pessoa. Se algo externo tem maior poder de decisão que o próprio vivente, não há sentido em continuar, certo? É mais fácil começar a andar sobre quatro patas, comer ossos e... pensando bem, um cachorro tem um nível bom de decisão. Ele decide o que quer fazer, quando pode fazê-lo.

E há algum momento em que eu não posso decidir sobre a minha própria vida? Eu não sou escravo, não tenho dono algum, não há contrato que me obrigue a fazer o que eu não quero fazer.(sem piadas sobre trabalho, por favor).

É tão simples. É só continuar. Mas alguém disse que você leu mal e você não lê mais. Alguém fez alguma coisa errada no grupo então você não participa mais dele porque há um mau exemplo. Alguém erra e o mundo é o culpado, vai atrás de um mundo onde as pessoas não erram. 

Gosto de utopias, acho a impossibilidade delas um tanto quanto fascinante, mas essas utopias, de achar que você nunca vai receber uma crítica, uma sugestão, um comentário que vai contra o que você pensa ou mesmo alguém fazer algo que você julga ser errado, essas e tantas outras utopias são patéticas. Porque não existe possibilidade nesse caso, isso é busca por perfeição, em situações ou pessoas. Busca inútil por perfeição inexistente.

Deixam de lado caminhos corretos para seguir outros, muito diferentes, apenas porque alguém disse algo. Porque alguém deu um mau exemplo. Os elogios e os bons exemplos logo são esquecidos, são preteridos pelo ruim, que talvez nem tenha sido tão ruim. Ou nem precisam de alguém. Julgam-se incapazes, distantes demais de sonhos, vontades e desejos. E pela distância, pela dificuldade, ao invés de motivação, deixam-se levar pelo medo, o receio, a preguiça e provam assim, atando suas mãos para a sua própria vida, que não queriam aquilo de verdade. Da boca para fora, assim como políticos mentirosos.

Chega de olhar a escuridão. Quem sabe você abre os olhos e vai ver que uma luz fantástica brilha e ilumina teu caminho. Chega de lamúria e de lamento. O caminho é teu, ninguém tem o poder de mudar ele. As influências você escolhe, mas para onde você vai é escolha própria, a não ser que você seja um grande... vai qualquer termo... um grande banana. É irritante quando alguém pode mas hesita seguir em frente pelos mais diversos, e bobos, motivos.

Você não escreve o texto porque disseram que você usa muitas vírgulas. Você não canta porque alguém disse que outra pessoa canta melhor. Você não sai de casa porque disseram que você se vestiu mal no sábado. Você olha para o espelho e acha que seus dentes não estão tão brancos quanto os das suas amigas, então decide ficar em casa comendo pipoca e alisando os pêlos do gato. Você acha que todos estão errados e ainda assim deixa de lado o que você acha que é certo, ou diz achar certo, de verdade. E ainda julgam-se corretas, colocando mágoas e decepções passadas, dores, lágrimas e sofrimentos de tempos atrás como boas razões. E sofrem ainda mais, maltratando seus corações, seus bons sentimentos.

É engraçado, é estranho, mas é triste e decepcionante ver tantas pessoas com potencial de liderar, continuando bonitas e corretas histórias, deixando isso de lado por acharem que é difícil, por deixarem-se ir ao chão pelos tantos motivos ruins que existem. Pessoas que poderiam construir histórias grandiosas, mas que não conseguem sequer escrever a sua própria história, pois vivem com medo. Do mundo, das pessoas, da dificuldade.

Medo do que dizem, do que fazem, do que podem dizer e fazer. Medo de perdoar, de amar, de sonhar. Medo de lutar por esses amores e sonhos. Medo de fazer o diferente, o certo.

Essas pessoas têm medo de viver. Medo de si mesmas.

E isso é muito, muito triste.


*sem comentários do tipo 'a gente tem que fazer o que quer fazer' ou 'não dá pra dar bola para que os outros falam, cada um tem que viver a sua vida' ou 'as pessoas são diferentes' ou 'a gente tem que ir atrás dos nossos sonhos' ou algo motivacional do tipo 'tem que pensar positivo e achar que vai dar certo'. Sério, não quero comentários que qualquer pessoa poderia fazer, a intenção do texto não é trazer à tona essa rotina besta de frases feitas que para mim são tão patéticas quanto coisas citadas no texto

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Na festa mais popular, eu sou antissocial


Época de carnaval, o período mais improdutivo e inútil do ano social brasileiro. Hora de vadiar, de beber, de fumar, de gritar, fazer escândalo, aproveitar oportunidades e gastar os órgãos sexuais de tanto usá-los e depois gabar-se para amigos e amigas, enfim, aproveitar os prazeres, todos fúteis. São dias de diversão, de fazer o que na maior parte do resto do ano não se pode fazer. Pelo menos não em lugares onde a maioria está fazendo o mesmo.

E o carnaval acaba sendo uma grande orgia, hetero ou homossexual. Tem gosto para tudo, opções para tudo. Prazeres de todos os tipos, para diferentes ausências de personalidade própria. O popular é o que importa. O todos é fundamental aqui. Todos vão fazer isso? Então eu vou, e quem está comigo também. Não há mais como colocar a palavra 'valores' e citar esses valores em um texto que fala de toda essa podridão que as pessoas chamam de carnaval.

Não tem mais graça criticar. Eu já expus a merda que essa festa popular é. E toda a falta de qualquer coisa boa que nela existe. Alguns dirão alegria mas, alegria momentânea, em sua maioria por futilidades patéticas, vale mesmo?

Sabe, quem quiser fazer parte dessa grande orgia, que faça. Para o inferno. Só sei que dentre as minhas convicções está participar do carnaval apenas quando ele não for mais essa merda toda, essa grande orgia na qual milhões participam em milhões de lugares.

Acho que nunca mais participarei. Sim, há dois anos participei, não me arrependo, mas percebo que isso não fez diferença alguma na minha vida. Maus exemplos eu posso ter, ver e até fazer parte em qualquer lugar, em qualquer dia. Não preciso participar do carnaval para tê-los.

Lembrando que existem pessoas que seguem caminhos certos, que dão bons exemplos, que tem personalidades e caráter próprios, enfim, que fazem isso pela sincera diversão, felicidade, e não pela futilidade, promiscuidade, enfim, os motivos da maioria. Exceções existem sim, e por isso são citadas aqui.

Cada vez mais distante do popular, do que a grande maioria gosta. Na lista das exceções. Um pouco mais antissocial.

Ainda mais agora, que os dias estão passando sem raios de sol, sem nuvens brancas, sem vontade e sem perspectiva de melhora, de sentimento pleno.

Triste, mas jamais desesperado ao ponto de mudar as minhas escolhas, os meus conceitos.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Histórias do Billi J. – Joguei o jogo de jogar


Embarcou no ônibus rumo à Porto Alegre. Apresentaria uma proposta aos donos da empresa onde trabalhava. Coisa boa, bem trabalhada, fundamentada e qualificada. Afinal, Billi J. era inteligente, dedicado e voluntarioso, ou seja, qualquer boa idéia que surgia era logo transformada em algo a ser feito.

Sentou no ônibus e de cara deparou-se com uma daquelas escandalosas, porém normais, situações de quem viaja de ônibus: uma mulher histérica porque alguém sentara na ‘sua cadeira’. Como em todos os casos, a falta de bom senso das pessoas que dizem que a marcação deveria ser cumprida, largando uma indireta irritante a quem, talvez por descuido(ou porque alguém sentou na cadeira que seria ‘a sua’), estava sentado no ‘seu’ lugar. No fim, as pessoas que estão sentadas no lugar ‘errado’ levantam-se, geralmente perplexos pela falta de bom senso.

E dessa vez não foi diferente.

O Billi J. agradeceu aos céus pela cadeira, ou poltrona que seja, com o número que estava na sua passagem estar livre. Sentou-se e logo depois sentou ao seu lado uma loira. E que loira. O Billi J. reparou bem nela enquanto a mesma colocava sua mala no... (como chama aquilo?) lugar para as malas que fica acima da cabeça de quem senta na poltrona da janela. Mas nada demais, ela era bonita mas não era incomparável à sua exuberante Renata.

Pois então. Saiu o ônibus e o Billi J., seguindo o conselho do seu antigo psiquiatra, resolveu conversar com aquela loira, apenas para conversar. Perguntou de onde ela era, o que fazia na cidade já que nunca havia visto-a por lá, enfim, coisas simples que não são intromissões nem desrespeito. E não é que ele foi mal entendido pela loira. Ela respondeu algo como:

-Estava passando o final de semana com o MEU MARIDO. Porque o MEU MARIDO tem parentes aqui e achei bom visitar eles. O MEU MARIDO é bombeiro e voltou para Porto Alegre ontem, e eu estou voltando hoje para lá, onde moramos e somos felizes.

Os substantivos escritas todas em maiúsculo não são mera coincidência. Idem para os pronomes possessivos. Ela explicitou que tinha um marido três vezes em três frases. Era como se o Billi J. tivesse dito algo como ‘quando chegarmos você quer sair comigo?’ ou ‘gatinha, rola?’(em uma linguagem bem chula que plaiboizinhos usam). Mas ele sequer havia pensado naquela possibilidade.

Então voltou-se para a janela e ficou pensando. Logo veio a idéia de que se ele fosse um daqueles personagens de filme hollywoodiano, aqueles caras que recebem uma resposta dessa e, com a intenção entendida pela mulher, falam algo do tipo:

- Pelo visto você é casada, e fiel ao seu marido, mas não se preocupe, não estou interessado nele. Nem em você.

Ou:

-Três pronomes possessivos em três frases, muito bem, você é paranóica e tem medo que eu te agarre.

Ou ainda:
- Insistindo no 'meu marido', você está insegura e tem medo de não conseguir negar que sentiu-se atraída por mim.

Ou então qualquer outra frase de efeito dita em filme que faria uma análise das palavras ditas por ela, como se o cara fosse inteligente, ou querendo fingir-se um. Ele, com ou sem a intenção pensada por ela, sairia como se fosse o poderoso, o senhor de tudo. Ridículo sim, por isso o Billi J. resolveu responder:


- Que legal, meu sonho de criança era ser bombeiro. Eu até havia começado a preparação mas a MINHA NAMORADA não quis. A MINHA NAMORADA achou perigoso e temia que ficasse ferido. Mas ainda ajudo os bombeiros quando posso, menos em caso de incêndio, já que a MINHA NAMORADA não quer que eu carregue qualquer mulher que seja no colo, mesmo que seja para salvá-la.


E mesmo que não fosse verdade, ainda completou:


- O bom é que vou encontrar a MINHA NAMORADA quando chegar ao meu apartamento em Porto Alegre. Ela vai ficar feliz em ver-me.


Envergonhada, a loira trocou de banco na parada seguinte, alegando que sentar nos bancos da frente estava lhe fazendo mal. Foi até o último banco e ficou lá, calada, como quem diz ‘que grande merda que eu fiz’.


Billi J. sentiu-se satisfeito pelo que dissera. Mesmo que inventara toda a história do sonho de criança, da casa em Porto Alegre, enfim.


E nunca mais a viu. Lá, aqui ou acolá.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

É só mais um desabafo alternativo


Toda lista feita, por maior que seja a quantidade de boas intenções contida nela, é errada. Porque toda lista limita demais o que é listado. As 10 músicas, os 10 lugares, as 10 pessoas, os 10 fatos do ano, os 10 dias mais importantes da história, os 10 gols mais bonitos e os 10 melhores times, dentre tantas outras. Muita limitação para pouca coisa. Porque listar é tentar resumir em vão. Sempre algo que mereceria estar lá fica de fora.

As minhas 10 músicas agora são 12, quase 13 e deveriam ser 50, no mínimo. Como posso deixar fora tanta música boa, tanta banda boa, tanto bom e velho rock'n roll fora da minha lista? Transpondo isso para cá, não farei como fiz ano passado ao listar os 10 melhores textos meus, na minha opinião. Também porque uma coisa é eu ter gostado e outra é eles terem sido bons.

E estamos no fim de um ano. Listas não faltam. As melhores e piores coisas, as melhores e piores pessoas, os melhores e piores livros, músicas, bandas, momentos, viagens, enfim, qualquer coisa que tenha mais de uma... coisa, diferente.

Sinceramente acho uma grande bobagem todas as listas de fim de ano. Assim como as listas de começo de ano. Não é a primeira vez que critico isso, mas é porque acho uma grande bobagem mesmo. Vou fazer isso, emagrecer aquilo, comer tal coisa, ir para tal lugar. Que saco. Tão saco quanto aquelas bobagens de cor, roupa, lugar e até comida no momento do início do ano novo. Tudo balela, bobagem para quem quer acreditar na sorte, no azar e nas estrelas, constelações e qualquer outra coisa que possa fazer por você o que você deveria mas não tem a mínima capacidade de fazer.

Sou um grande oposicionista de deixar que a 'sorte', coisa que para mim não existe, leve as pessoas a fazerem as mais patéticas e bobas coisas para que o ano que virá seja melhor. Que saco, mais uma vez. É só um dia, com dois números diferentes na datação. Só isso. Por que não se comemora o primeiro dia de cada vez então já que o importante é a mudança?

É bem provável que o problema esteja comigo. Em não acreditar no que todo mundo acredita, só porque para mim não faz sentido algum. Mas tudo bem. Sou burro, idiota, bobo, chato, teimoso por tantos outros motivos, ser chamado de tudo isso só por não gostar de listas(as quais só faço para mostrar meu gosto musical no orkut) e não acreditar em sorte e azar, não vai me afetar negativamente.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Histórias do Bandiolo - Um, dois, dez?

O pessoal foi chegando. Se amontoando. Entupindo, literalmente, sala, cozinha, quartos, banheiros e todo o redor da casa. O pessoal foi chegando. E chegando como se fossem donos. Da casa, dos quartos, da pasta de dente, de mim. Como se aquilo fosse a vida deles. Como se aquilo fosse algo deles. Mas não era. Nada era.

Parecia até festa de jovem bêbado de filme de jovens americanos. O cara popular empresta a casa para a festa, todos bebem, divertem-se, há o tradicional sexo no banheiro, nos quartos, em cima do sofá, do tapete persa que a mãe dele recém comprara, atrás do matagal, do lado da macieira. É aquela putaria toda. Aquela sujeira toda. Aquele vômito todo. Aquela diversão... diversão?

Hei, essa casa é minha. Eu não sou popular. Não conheço vocês. O que vocês estão fazendo aqui? Saiam já. E não finjam que não me ouviram. Saiam daqui. Estou... porra, seu idiota, derrubou cerveja na minha camisa, na minha calça... que droga, até a cueca ficou molhada de cerveja. Mas que porcaria vocês estão fazendo? Ei, em cima desse sofá... não...

Estúpidos, quem convidou vocês? Isso aqui, insisto, não é filme americano. Não estamos nos Estados Unidos, muito menos no cinema. O quê? Quebraram a televisão com uma latada de cerveja? Ãhrrrrrrrr. Que droga. De onde vocês saíram? Não, por favor, nãaaaaaaaaaaaaaoooooo joga... Por que você tinha que jogar esse vidro de whisky pela janela? Podia ter aberto a janela pelo menos...

Que bagunça. A polícia chegou. O QUÊ? A polícia chegou? Caramba. Quero ver o que vai acontecer com o dono da casa... Ei, eu sou o dono da casa. Não, não seu policial, eu não sou responsável por isso. Tá, a casa é minha mas... o quê? Bebida alcoólica para menores de 18? Que hipocrisia. O que eu disse? Nada não, mas eu não comprei essa cerveja. Não. Nem o whisky, nem a vodka, nem o absi... absinto? O que é isso? Ah... Não, eu também não sou... plantador de maconha? Traficante? Ãh? Acharam uma plantação de maconha lá no fundo do quintal? Como? Heroína e ecstasy tudo no meu nome? Armaram para mim, eu não sou trafi... quem denunciou disse que eu sou, também, dono de um prostíbulo? Mas seu... ah não... eles tavam fazendo isso em cima do piano francês do século XII da minha avó... Não... Mas eu não... Como? Sério, repete. Ãh??? Aquela vaga... aquela mulher disse que eu contatei ela para animar os ... convidados? Mas eu não convidei ninguém.

Tudo no meu nome? Quem é que... Peraí. Repete o nome. Ah ta, não sou eu. Desculpa. Não sou mais o dono dessa casa, me mudei daqui há dias... Esse que vocês procuram é aquele ali.

Obrigado seu policial, quase que um erro foi cometido. Não, não precisa agradecer. Não não, eu não quero pegar uma vagabunda, pode ir lá terminar o servi... tá. Não hoje, mas obrigado pelo convite, mesmo. Não não, muito menos em cima do piano da minha... digo, da vó dele. Se é que é da avó dele.Talvez seja pirateado. Não mesmo, vou embora, boa noite.

Sério, ainda não entendi como eu vim parar aqui. Ah ta, esqueci. Me mudei dessa casa há dois dias. Hahaha. E pensar que o cara já teve tempo de plantar maconha e montar um... Bom, preciso me despedir melhor da casa, e daquele piano, mesmo que não seja o da minha avó. Já volto.

*qualquer semelhança com a realidade,
ou com a ficção é sim,
mera coincidência.

sábado, 3 de outubro de 2009

Um presente às avessas. Uma lição.

Prestes a completar 18 anos, só existe um presente que ainda não ganhei. E é provável que demore muito a ganhar ainda. Não, não é a formatura, não é um notebook, não é um suprimento vitalício de bergamota ou Fruki. Nada disso. E também ninguém aqui vai saber além de mim. E do meu eu-lírico.

Ontem eu ganhei uma coisa que há tempos precisava. Uma lição de vida. Deus colocou no meu caminho alguém que precisava de atenção, porque sabia que eu, de alguma maneira, daria atenção àquela pessoa. Um mendigo bêbado, como ele mesmo descreveu-se. Que trazia consigo uma garrafa de cachaça, o motivo para ter largado mulher e filhos. Alguém que há anos dorme nas ruas e que até já foi quase morto por (malditos) plaiboizinhos que usam correntes de ouro e que colocaram fogo nele. A marca no seu braço direito mostrou-me que aquilo não era apenas história.

Aquele homem contou-me sua triste, deprimente, errada e violenta história. Alguém esquecido pelas pessoas que compram votos, por aqueles que acreditam que partido X ou Y vai resolver o problema. Esquecido por quem deveria ajudar. A todos, e não apenas aqueles que colocam um número na camisa e saem por aí fazendo campanha.

Esquecido por pessoas que dele ouvem, assim como eu ouvi, um "boa noite, e que Deus lhe abençõe". Eu prestei atenção nele, ele interrompeu o seu, e o meu caminho para conversar. Jamais havia visto-o. Dificilmente voltarei a vê-lo. Mas aqueles minutos foram um verdadeiro presente de Deus para mim.

E antes que eu pudesse dizer que não tinha dinheiro para comprar a pomada que a sua queimadura exigia, ele disse que para mim não pediria nada, pois aqueles minutos de conversa, aquela atenção humilde lhe era suficiente.

Conheci e conversei com alguém que passa pelo pior que uma pessoa pode passar. E mais até, porque fome, frio, um vício ou mesmo o fato de ser ignorado por todos, mesmo lhes desejando o melhor é o pior. Ou deve ser o pior. Agora ser quase queimado ultrapassa isso.

Tive pena daquele homem. Sério, eu disse para a Jah que, mesmo que ele fosse comprar cachaça depois, se eu tivesse dinheiro naquele momento, daria para ele comprar o remédio que precisava. Não me importaria se soubesse que ele não fora comprar o remédio, porque alguém naquela situação precisa de alguma coisa que a faça esquecer da própria situação por alguns instantes.

Como tenho a certeza de que ele esqueceu tudo de mal que tinha no momento que ganhou um olhar atento e ouvidos abertos direcionados a si.

Me sinto mais humano depois disso. Mais próximo da triste e deprimente realidade social. Curiosamente, me sinto mais próximo de Deus também. Mais maduro e pronto para entender o ser humano ainda mais.

Tenho que repetir.

Me sinto mais humano.

Obrigado, Deus. Esse foi o meu presente de aniversário antecipado.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A vida é como o futebol e as bonecas de cristal são como os mercenários? Quem sabe...

Europe - The final countdown

O sangue ferveu. A cabeça esquentou. Os punhos se fecharam. As sombrancelhas transformaram uma cara feia em uma cara de um assassino. Ou quem sabe de um justiceiro. Ou ainda de alguém que apenas está com raiva. Com muita raiva. E quando a raiva toma conta de um ser, os olhos não enxergam direito, os ouvidos não ouvem e a boca não fala coisas sensatas.

Não que justiça precisasse ser feita, mas as coisas precisavam ser emparelhadas. Não dá para seguir sempre os conselhos do mestre e "quando te acertarem uma face, não revida, oferece a outra". Não dá. O sangue quente, a raiva, aquela adrenalina que toma conta do corpo não deixa. Que Deus me perdoe, mas eu precisava revidar.

E acertei. Algumas vezes. Mas não chegava. Não era o suficiente. Faltava muito. Faltava alguém ali que começasse o que parecia ser inevitável. Jogar futebol contra bonequinhas de cristal que trazem escondidas consigo varas de condão mais duras que liga metálica e que as usam sem razão alguma, não é fácil. Você não pode chegar perto delas mas elas podem chegar perto de você.

Assim é a vida. Assim são os hipócritas e os mercenários. Você não pode ofendê-los, mas eles podem. Você não pode oferecer dinheiro a eles porque eles tem que oferecer-se para receber. Você não pode tirar uma máscara que outras virão, ou seja, o esforço é, com a raiva de um infeliz trocadilho, vão.

Dizem que quem com ferro fere, com ferro será ferido. Quem cospe pra cima ganha um punhado de saliva na cara. Os humilhados serão exaltados. E por aí vai. Ditados e frases não faltam. Mas não consegui entender por que sobrou para mim a sina de apanhar e, mesmo tentando, não conseguir revidar à altura.

Não vou prometer retaliação. Não vou prometer quebrar um ou dois na próxima vez. Só vou prometer, mesmo que eu não prometa nada, ganhar. E ganhar lutando, pela bola, pelo gol. Porque a vida é como o futebol.

Bom, pensando bem, não é bem assim também.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Mas que droga, literalmente

A cidade onde moro, Frederico Westphalen está certamente entre as cidades que mais consomem crack, por habitante, no Rio Grande do Sul, ficando à frente de grandes cidades, onde o problema deveria ser maior.

É ridículo isso. Como foi ridículo quando Vicente Dutra, cidade vizinha e o típico cu do fim do mundo, com seus 3 ou 4 mil habitantes figurou com a cidade mais violenta, quando em um ano umas 10 ou 12 pessoas foram assassinadas. Claro, essas médias são bem estranhas, mas o fato não deixa de ser fato por serem "apenas" 10 os assassinados como são apenas uns 350 que devem ser consumidores visíveis de crack por aqui.

Ridículo também é o tratamento que o crack ganha. Talvez seja a pior das drogas, porque vicie mais rápido e porque não dá prazer algum segundo pessoas do ramo das drogas, mas não é nem mais nem menos do que nenhuma outra droga como a cocaína e o álcool.

Ridículo também é ouvir que a sociedade moralista tem culpa nisso. Que o usuário não é culpado mas sim inocente. Ridículo. Usa drogas quem quer. Quem quer se ferrar, quem quer ser idiota, quem quer ser igual, entrar na moda. Afinal, o uso de drogas sempre foi incentivado na sociedade. Mulheres gostosas ou mesmo o cara que fumava em verdes campos. A maconha sempre é tratada em filmes como algo que só te deixa meio alto. A cocaína te deixa doidão. E por aí vai.

Ridículo ouvir que o ambiente provoca isso. Eu e tantos outros que perto de mim convivem, vivemos nessa cidade. Convivemos com ofertas de drogas, talvez não tão diretamente quanto outros, mas mesmo assim, entretanto não usamos nada. "A camada pobre da sociedade, os marginalizados". Bobagem. Tudo bobagem. Quem mais usa é playboizinho de merda que quer se interar com os já drogados. Quem trafica mais não é bandido de cadeia. Quem trafica mais é quem tem dinheiro pra financiar isso. Gente rica que depois sempre quer moralizar com palavras e com iniciativas que, se dependerem de si, jamais sairão da teoria.

Estúpidos são aqueles que jogam a culpa na Igreja ou nas escolas. Em Deus ou mesmo no analfabeto, incompetente, ladrão e mau caráter do presidente da república de nada chamada Brasil.

E o que fazer?

Dizer que ter consciência é a solução não adianta. Porque nem todos a tem. Nem todos a terão algum dia. Grades, cercas, carros blindados? Um dia a realidade aparece e acaba sendo refúgio de gente que por tanto tempo vive isolada e literalmente à margem da sociedade, de uma maneira rica e luxuosa.

Estou certo de que campanhas nada mudarão. Panfletos, palestras e frases feitas no rádio não vão mudar nada. Só se compra porque há a disposição? Não. Só há alguma coisa a disposição se há gente estúpida para comprar ou gente corrupta e sem caráter para financiar o tráfico e a venda.

Parem com campanhas e palavras moralistas. Dizer "não use drogas", "não use crack" não vai adiantar. Enquanto a gurizada sonhar com o copo de cerveja do pai, com o cigarro do tio ou com aquela poeira que o amigo do irmão do colega cheira, nada vai mudar. Acabar com o tráfico é impossível? Não sei. Mas acho que não.

Mas pra acabar com o tráfico é preciso prender, não só os traficantes mas sim quem realmente lucra com isso. E para isso é preciso acabar com a corrupção de policiais. E para isso é preciso acabar com a corrupção a nível superior, ou seja, nos governos. E para acabar com isso?

Acabar com a corrupção no nosso dia-a-dia seria uma boa. Mas demoraria muito para mudar.

Enquanto não surge uma outra alternativa, me apego a essa como solução para o problema dessas drogas.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Uma luta, um sonho(3)

David Bowie - Starman

Não sei se minha vida, minha cabeça, enfim, meu estado atual de viver, pensar e agir me permitem escrever algo como eu gostaria de escrever e, aliás, gostava de escrever quando conseguia há algum tempo atrás.

Não vou reclamar de nada.

Apenas quero dizer que venha quem vier com propostas sedutoras, tentadoras ou mesmo críticas destruídoras e terrivelmente reais e úteis, eu não vou desistir. Não é questão apenas de valorizar tudo o que já passou sem afetar uma escolha, um rumo dado a uma vida, que mesmo não tendo sido muito(muito) bem aproveitada nos últimos tempos tem sido, invariavelmente aproveitada.

Tenho pensado demais nisso, e seguindo o ritmo relativo do post abaixo(uma das coisas mais legais que já escrevi no meu perfil do orkut), sem chegar à conclusão alguma. Já passei por coisa pior e gosto de nesses momentos lembrar de que nenhum sentimento pessoal pode ser pior dos que já senti, dos que já me fizeram sentir.

Não sei de nada. Não sei o que fazer. O que pensar. O que quero. O que não quero mais. Não sei sobre o meu passado o que faz diferença e o que realmente ficou no passado.

Mas não vou desistir.

Tantos são os que me perguntam, indiretamente, se vale à pena. Isso ou aquilo. Lá ou acolá. Aqui e ali. Se vale à pena fazer o que faço. Se vale à pena continuar desse jeito, seguindo ideias e convicções que, embora consideradas atrasadas pela grande maioria, acabam sendo a única coisa certa que acredito ter em mim. Ideias e convicções que me prejudicam muitas vezes, me impedem moralmente de tomar certas atitudes e fazer coisas que qualquer pessoa normal faz.

O mundo é uma coisa normal. Patética. Monótona. Só que ultimamente não tenho mais visto isso. Mesmo sendo esse o grande motivo para fazer parte dos diferentes e não vendo isso mais com a mesma clareza de outrora, não vou desistir.

Não vou aceitar ter estado errado por tanto tempo porque sei o quanto aprendi, cresci, aproveitei, enfim, sei o quanto vivi sendo assim. Eu cansei, mas não vou desistir. A teimosia de outros acaba sendo sempre maior, mas não ao ponto de me convencer.

Sociedade hipócrita, com pessoas hipócritas. Raros são os que se salvam.

E é engraçado isso. Eu leio em todos os lugares, de todas as pessoas, que elas odeiam falsidade hipocrisia, que só tem amigos verdadeiros, que vivem, no sentido literal, que fazem tudo por uma justa causa.

Caramba, então, onde estão os hipócritas?

Não importa. Só sei que, por mais que continuem mostrando "o bom e o melhor", não vão me convencer. Embora a minha certeza já não esteja mais tão certa assim, ainda resta uma parte consciente em meio a um cérebro e um coração cheio de dúvidas insconscientes.

Ah.

"...Vejam! Para eles não há tormentos, 
e seu corpo é sadio e robusto.
A fadiga dos mortais não os atinge,
eles não são molestados como os outros.
Daí a soberba, que eles usam como colar,
e a violência que os envolve como veste.
O pecado lhes brota da gordura,
e seu coração trasnborda em maus projetos.


(...)


De fato, foi inútil conservar puro o meu coração
e lavar na inocência as minhas mãos!
(...)
Até que fui penetrando no mistério de Deus,
e então compreendi o destino deles.


De fato, tu os colocas em ladeiras,
tu os fazes cair em ruínas.
Vejam: num instante são reduzidos ao terror,
(...)
Se o meu coração se azedava
e eu espicaçava meus rins,
é porque eu era um imbecil e nada entendia...
- Salmos 73(72)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Retratos de uma sociedade patética(5)

Dos grandes pré conceitos(e não me digam pra colocar uma porcaria de uma hífen lá) que atazanam e incomodam as minorias, o pré conceito por generalização é o mais estúpido, ridículo, tosco e aceitável. Exatamente. É o mais aceitável sim. Vamos aos fatos.

Enquanto todos riem, eu permaneço sério. Enquanto todos choram, eu permaneço indiferente. Enquanto todos estão conversando num grande grupo, eu estou só com meus pensamentos. Enquanto todos pedem o que precisam(ou não), eu agradeço pelo que tenho. Enquanto todos se alegram com todos, eu me entristeço comigo. Enquanto todos cantam em pé, eu fico sentado e de boca fechada. Enquanto todos aproveitam os prazeres da vida, eu faço apenas o que ME é certo. Enquanto todos buscam coisas novas todos os dias, eu me contento com velhos sonhos de coisas(ou pessoas) que talvez já não saiba mais porque sonhei com elas.

E não venham pensando nas diferenças que existem entre as pessoas porque eu já não acredito nisso. A sociedade oferece e a grande maioria adere ao generalismo por conveniência ou simples afunilamento por falta de uma cabeça própria para decidir o que é certo e o que, não (necessariamente) invariavelmente, é errado.

Não me venham também com frases como "deixe de ser radical, generalista, extremista, machista, gremista" dentre outras coisas. Eu não quero nem saber o que se passa na cabeça de quem, espantosamente, lerá esse emaranhado de frases.

A sociedade é preconceituosa por generalização sim e ninguém vai tirar essa ideia da minha cabeça.

Exemplificando isso, lembro-me da morte do tio de um meio-irmão de um conhecido meu. Mais da metade das pessoas que estavam na Igreja estavam chorando. Aliás, quase todas as pessoas na Igreja choravam. Mas muitos, como eu, sequer conheciam o indivíduo, o falecido. E dentre todos os que estavam sentados na mesma fileira de cadeiras onde eu estava, só eu não chorava. E daí? E daí que depois da missa falei com alguns desses indivíduos e eles não conheciam mesmo o falecido. Então para que choro? Por respeito? Para mostrar dedicação, sensibilidade ou mesmo solidariedade?

Não me venham com bobagens e chamem-me de insensível se assim for-lhes conveniente, mas eu não consigo chorar em situações como essa, por solidariedade, sensibilidade ou algo do tipo. Podem desabar milhares de pessoas chorando na minha frente que isso não vai mudar o meu sentimento. Se eu não tenho motivos, óbvio que não vou chorar.

E fazendo isso, sou duramente criticado por pessoas que aderem a esse efeito bola de neve. É. Um começa e os que estão por perto aderem por achar muito mais conveniente se mover como parte de uma bola de neve desgovernada do que ficar parado sendo parte de um imenso tapete de neve que cobre um terreno.

Por simplesmente agir segundo o meu EU, sou tido como insensível, sem graça, quer se fazer de diferente, se acha mais importante por isso não faz o mesmo que nós, acha que sabe mais, enfim, várias outras palavras e frases que não vêm, infelizmente, à memória.

Pré conceito e preconceito por generalização. Que coisa ridícula.

Mas como disse, aceitável. Afinal de contas, cada um faça o que quiser. Ou melhor, cada um faça o que o outro estiver fazendo, afinal de contas, o outro também está fazendo o que um outro ainda fez ou faz. E assim vai. Até que cheguemos ao começo a essa (quase) interminável bola de neve social...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

5 coisas que você não deve fazer se quiser ser chamado de inteligente

1 - Não fale "nóis tamo", "nóis semo", "agente fomos" e semelhantes. Até para não machucar o ouvido alheio, não pense duas vezes em evitar essas populares expressões tão aclamadas e usadas. Termos distorcidos como "mortandela" também devem ser evitados. Furreca, caralho, pô bixo são outras expressões não aconselháveis. Também não use camisas com frases do tipo "É nóis na fita mano".

2 - Não assista novelas ou programas de auditório que debatem relacionamentos ou dão dinheiro para as pessoas de alguma maneira. Mas se assistir, negue aos olhos dos outros, diga que prefere ler um livro ou andar de bicileta e nunca diga que "aquela malvada deve ser presa mesmo". Nunca mesmo. Você pode até ser hipócrita ao negar o que faz, mas pelo menos, não será chamado de ignorante que assiste novela, mas sim de inteligente por não assistir programas como aqueles.

3 - Nunca decore frases de gênios, sejam da literatura ou da Física, mesmo que isso sempre impressione. Não fale de Bäch, Bethoven, Shakespeare, Darwin, Einstein e Kepler, já que, se você está tentando ser chamado de inteligente é porque não possui muito conhecimento, você só tenha ouvido esses nomes no ensino médio e tenha a impressão de que eles são nomes de jogadores de algum time da segunda divisão da França ou da Alemanha. Geralmente é bem perceptível quando alguém decora uma frase, e ainda anuncia o autor depois, para impressionar e ser chamado de inteligente. Não decore frases também porque você pode esquecer e ao invés de dizer "se quiser ser idiota, serei idiota com acorde próprio"*, você vai acabar dizendo "se eu quero ser idiota, serei idiota com corda própria". Nem preciso comentar mais.

4 - Não suba em mesas para chamar um amigo, não pule da janela do segundo andar para dizer oi para aquela amiga que passa na rua, não grite nem faça escândalos. Pessoas inteligentes não fazem esse tipo de loucura/bobagem. Ser chamado de idiota é o contrário de ser chamado de inteligente. Também evite discutir com alguém teimoso, mesmo que você esteja certo. Evite muito mais bater nessa pessoa por ela não calar a boca mesmo que a discussão tenha acabado. Evite qualquer coisa que vá contra os preceitos da sociedade e sempre diga, para quem lhe perguntar, que é preciso dar tempo aos governantes para que eles erradiquem a fome e a pobreza no país. Por mais que seja burrice dizer isso, lembre-se de que pessoas inteligentes são pessoas sensatas.

5 - Não fale sobre o que você não sabe, por mais que ache que sabe. Na dúvida, prefira o silêncio à asneira. A concordância à ignorância. A seriedade ao riso. Não fale sobre a crise de 1929 se você sequer sabe achar os EUA no mapa mundi. Não queira chamar Napoleão de burro por tentar invadir a Rússia no inverno se você nem sabe quem foi Napoleão ou o que foi a Revolução francesa. Não fale na busca incansável por utopias se você nunca ouviu falar em socialismo.

O fato é que esse é mais um daqueles textos para serem lidos e esquecidos. É mais uma forma de rir. Todas as palavras escritas, todas as idéias postadas não expressam necessariamente a opinião do autor. Jamais farei apologia à hipocrisia, como está escrito em um dos itens. Como disse, é mais uma forma de rir.

*J.S. Bäch

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Histórias de uma vida não vivida(4)

*Do esgoto mental que afeta meus pensamentos, minhas idéias e prejudica minha vida, surgem palavras que juntas formam histórias, vividas e ignoradas, ou não vividas e lembradas. Ninguém sabe, ninguém viu. Ou alguém sabe, viu, presenciou, viveu, sorriu ou sofreu, contou e falou a verdade ou mentiu. Não há provas de que seja verdade. Entretanto, ninguém poderá provar que é mentira...

Olhou para os lados, não viu ninguém por perto. Era agora. Era a sua hora. Não entraria para a história por causa disso, como o Getúlio e alguns outros entraram. Não. Nem para a sua história entraria. Porque ele não tinha história. E se tinha, queria mais era esquecer.

Sentiu-se o último dos homens. O pior dos idiotas. O mais coitado dos bobos. O mais horrível dos feios. O mais desprezado dos renegados. O último. O pior. O ruim em pessoa. Seu nome não entraria para o dicionário como sinônimo de ruindade, pois nem para isso servia. Na sua visão, é claro.

Então abandonou esse mundo. Abandonou tudo o que tinha. Tudo o que teve. Tudo o que poderia ter. Abandonou esse mundo fisicamente. Se matou. Não se sabe como. Nem ele sabia como iria se matar. Mas o fez. E o fez com tristeza.

Não era depressivo, não tinha problemas mentais. Era alegre até demais e mais inteligente que qualquer outro com quem conversava. Passara em primeiro lugar em um dos vestibulares mais concorridos de medicina. De medicina ainda. Mas havia desistido de tudo.

Não por um amor não correspondido, mas por mais um amor não correspondido. Nunca fora aceito pelo seu jeito diferente, porém muito admirado, de ser. Mas nada do que pudesse ter ouvido teria adiantado.

Deixou um bilhete colado na sua barriga, onde saberia que leriam. Dizia:

"Deixo estas últimas palavras à todos que amo e que me amam. Não tive depressão nem virei emo. Apenas desisti. Da vida. Por achar que não conseguiria mais ter forças para lutar pelo que eu queria e contra o que eu não queria. Desisti muito mais do mundo do que da minha própria vida, vida, que não consegui aproveitar. Peço perdão pelo sofrimento que terão, mas eu desisti de tentar viver em um mundo onde pessoas como eu são poucas, e acabam se entregando facilmente aos erros da maioria. Não agüentei mais ver as minhas verdades sendo superadas por mentiras, a minha sinceridade ser superada pela hipocrisia alheia, o meu amor ser superado pelo simples ego de outrém. Sou covarde por desistir agora, depois de tanto lutar. Mas não agüentei mais. Vocês não me perdoarão, infelizmente. Nem Deus me perdoará. Mas eu precisava. Alguém teria que fazer essa idiotice um dia. Que o mundo vá para o inferno junto comigo..."

Ao ver isso, sua mãe entendeu porque seu filho não comia bergamota há dois meses...


*a ordem dessas histórias é uma coisa tosca, uma engraçada e uma com apelo emocional. Ou não.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

25 de Dezembro, Natal

Esses dias, minha mãe perguntou o que eu gostaria de ganhar de presente de Natal. Eu disse que nada. Então ela perguntou o que eu precisava. Eu disse que nada mais uma vez. Ela então, como toda mãe, insistiu, argumentando que eu já não havia ganho presente em outra oportunidades(como no meu aniversário), portanto, deveria ganhar um presente de Natal. Me perguntou o que eu queria ganhar.

Então, até por ser minha mãe, disse a ela que não precisava de nada, que não gostaria de ganhar presente e que o que eu queria ela não poderia me dar. E aliás, nem correndo o mundo inteiro conseguiria o que hoje eu mais quero. Mais uma vez tenho que ficar no meio do caminho. "No meio do deserto de tudo e de nada"*

A questão toda não sou eu. E nem o que eu estou vivendo. Nem os motivos disso. A questão toda que eu escrevo hoje, mesmo sem estar em casa, é que, eu não gosto disso. Dessa necessidade de presente. Desse consumismo, esse capitalismo, essa babação de ovo em cima de um velho gordo que só se tornou importante em virtude de uma campanha publicitária.

Não gosto de ver a origem do Natal esquecida. De ver que as pessoas só vão na missa**, quando vão, para pedir por um bom Natal, pedir por felicidade, pedir por isso e por aquilo, pedir isso e aquilo, enfim. Não gosto de toda essa festa fútil, de todo esse apego material, de todos esses presentes.

Como a páscoa e seu maldito coelho branco, o Natal e seu papai noel tiveram seus sentidos completamente mudados, banalizados e quase extinguidos por uma sociedade fútil e hipócrita. Mais uma vez tenho que dizer que existem sim exceções, que não virão ao caso agora.

Um professor foi demitido por dizer a uma criança que o papai noel não existe. Que sacanagem. Ele disse a verdade. Por que ser demitido? Por acabar, corretamente, com uma ilusão besta que acaba fazendo a pessoa se arrepender no futuro de ter sido tola em acreditar que alguém que dá presentes para todo mundo no Natal existe mesmo.

O nascimento de Jesus é simplesmente ignorado. Ninguém mais sabe que ele nasceu nesta data. Que Ele é a origem do Natal. Festa familiar, festa de amor, de paz. Infelizmente isso é passado. E o mais engraçado é que só lembram das crianças, pobres ou não, só lembram das pessoas que passam dificuldades, em datas como essa.

Hoje eu queria poder dizer mesmo que desejo a todos um Feliz Natal. Mas não posso fazer isso. Estaria sendo mais um que, por um ou dois dias, se esquece do que acontece no resto do ano para viver(ou aparentar viver) um dia de paz completa. Estaria sendo mentiroso se dissesse que desejo à todos um Feliz Natal.

Espero um dia mudar. Poder fazê-lo, sinceramente, à todos. Espero mesmo.

Rezo para que aqueles que merecem, recebam Dele tudo o que precisam. De um jeito ou de outro, a recompensa para aqueles que lutam por um mundo mais justo, um mundo melhor, chegará. Provavelmente não hoje. Talvez não amanhã. Mas um dia. O importante é não ficar sentado esperando que o Natal do ano que vem chegue.

À todos que merecem, desejo paz, saúde e amor. E nada mais.

*está entre aspas pois copiei de outro texto meu, que pode ser visto clicando na própria frase.
**respeito todas as religiões, mas cito o exemplo do qual tenho conhecimento e vivo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

E a sociedade gosta do que é implícito...

Procurei em vários blogs um texto sobre isso e só achei em um. O fato é que talvez seja uma coisa tão curta que vou escrever aqui, que nem poderá ser considerada opinião sobre o fato.

O fato daquele jornalista ter atirado, e infelizmente não acertado, os sapatos no Bush.

Eu fico pensando se no Brasil alguém fizesse isso.

Ah, porque seria um desrespeito com uma autoridade, porque seria uma falta de profissionalismo do repórter, porque seria um péssimo exemplo para a sociedade, porque mancharia a imagem do Brasil perante os outros países do mundo.

Ridículo é pensar que isso é uma coisa ruim.

Atirar sapatos, ou qualquer outra coisa, é a prova de que alguma coisa precisa ser mudada. É a maior prova de indignação que alguém pode dar a uma população sedenta por mudanças, mas covarde na hora de buscá-las.

Todos baixam a cabeça para o maldito sistema. Ninguém sabe o que é, ninguém sabe direito sequer se ele existe mesmo. Mas todos sabem que o sistema acaba com aqueles que tentam mudá-lo. Covardia. Medo.

O povo teve um ato, mesmo que apenas simbólico, interessante quando vaiou o Lula no Pan-Americano do Rio, no ano passado. Seria um começo se a imprensa nacional não reprimisse tal atitude e, incansavelmente, rebaixasse aqueles que tomaram tal atitude contra a tão importante pessoa do presidente da república(dos babacas) a meros idiotas mal-educados.

Seria então a imprensa o sistema?

O fato é que, principalmente durante a ditadura no Brasil, quem falava mal do governo era caçado, torturado, linchado, humilhado, enfim, muitos foram mortos depois do já citado. O fato é que, quando falam mal do governo, ele reage de alguma forma(acreditem ou não, o aumento nos impostos deve ser uma forma de fazer calar uma raiva, que pode até aumentar, mas não traz conseqüência alguma para o governo) e as coisas continuam do mesmo jeito, só que mais silenciosas, mais indiretas.

Seria então o governo o sistema?

O fato é que eu não quero chegar a uma resposta sobre quem é o sistema. Fique tudo implícito. Aliás, continue tudo implícito.

Todos sabemos o que é o sistema, quem é o sistema, o que o sistema faz.

Ou pelo menos achamos que sabemos.

Mas que seria bem legal acertar uma sapatada(ou um tiro*) no pior presidente da história do país(pelo menos o mais analfabeto ele é) não seria algo tão ruim. Mas daí o sistema...


*sem apologias(oficiais e declaradas) à violência