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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Ecos da sinceridade - O sentimento


Estou exausto, suado e mentalmente desgastado mas não posso esperar para escrever.

Enquanto caminhava, com o corpo quente por causa do futebol e sendo lentamente resfriado pela chuva - e olha que, nessa parte do dia, meu guarda chuvas estava bem seguro na mão direita - muito veio ao pensamento e, entre indas e vindas do mesmo, uma certeza, muitas maneiras de dizer e... a sensação de que só escrevendo conseguiria transcrever tudo o que, de alguma forma, aperta desde às 7 horas da manhã meu agora ofegante peito.

Toda poética de gritos, gemidos e palavras vindas de uma banalização boba e superficial de sentimento é desprezível quando há, de fato, sentimento. E não há palavra bem encaixada em frase rimada e, geralmente, em uma ode que possa superar a boa - e, no meu caso, velha - sinceridade.

Por mais que esteja brincando, mesmo, quando elevo quem sou a um patamar indiscutível - lembrando que essas palavras são sempre seguidas por uma verdade que torna todo o resto uma ironia e, portanto, uma grande piada - não há como deixar de perceber que há confiança onde antes havia autoflagelo, abastecido por uma torrente de pensamentos miseráveis e masoquistas. Além da confiança, há também uma tranquilidade que existe não só pelo compromisso em si mas, da mesma forma, e principalmente, por acreditar inteiramente que não existe pessoa que possa causar essa mesma... esse mesmo tudo.

Porque tranquilidade, confiança e as ainda não citadas alegria, espontaneidade, vontade de sonhar e de acreditar, e a preocupação gigante, e diferente de todas as outras, para com alguém - o que, para alguém que sempre sentiu felicidade por poder ajudar ou, de alguma forma, cuidar, é algo maravilhoso - são parte de um tudo que é, sem exagero, uma mudança notável e perceptível em alguém que parecia - e os textos escritos tempos atrás são prova clara e manifesta disso - não ter mais capacidade, força e vontade, de crescer e voltar a viver com intensidade.

Isso é um fato. Faltava vontade, desejo, sede de mudança, de crescimento, de viver, de achar intensidade nos detalhes, nos gostos e, evidentemente, nos sorrisos, abraços e palavras. É bom deixar claro que Alguém tentou, com teimosia inacreditável, durante esses quase dois anos de profunda inércia, de todas as formas fazer com que voltasse a ter um coração de carne - deixando de lado a pedra inútil e sedimentar em que havia transformado-se. Em Sua infinita bondade, persistiu e, por fim, achou um jeito de dar vida ao que agonizava. De dar alegria, vontade, desejo e verdade ao que parecia ser um poço sem fim de indiferença. Essa crescia e diminuía porém continuava, de certa forma, sendo uma constante dominadora que impedia toda e qualquer mudança - para melhor.

Então Ele colocou você, definitivamente. Não é por gratidão, uma vez que o sentimento que originou essa renovação em mim surgiu, foi crescendo e existe por você. A gratidão está embutida, apenas, em coisas maiores. Quando cansado, exausto, irritado ou mesmo orgulhoso - com isso os piores dias vem - encontro em palavras, imagem, e agora também lembranças, força para não desistir. Hesitei tantas vezes por não querer estragar tudo, sufocando com minha insegurança e amassando com minha ansiedade. Retirei-me diversas vezes por perceber que não conseguiria superar as limitações naquele momento.

Seu sorriso, sua voz, seu toque, as lembranças que você deixou em mim. E que continua deixando. Me preocupo com você mais do que comigo mesmo. Tanto que o sono tornou-se detalhe. Minhas palavras, mesmo que ainda escassas, são suas porque meu sentimento é seu. Passei a acreditar, humanamente também, em algo muito mais profundo do que simplesmente a burocracia de papeis exercidos em sonhos rasos e vagos. Tento, de todas as formas, controlar minha insegurança que ainda insiste em dizer que sou um fracasso e estou estragando o que existe.

Não espero, de forma alguma, uma resposta. Não tenho pressa em ouvir o que já sinto vontade de dizer todos os dias. Tampouco me falta maturidade para acreditar que uma empolgação já é a melhor coisa do mundo. Porque, estranhamente, não estou empolgado porque... não estou ansiando nada.

O que desejei é presente. Você é um presente melhor do que poderia imaginar. Não há porque me empolgar com uma possibilidade pois ela é real. É a minha realidade. Você faz parte do meu presente e estou seguro para dizer que fará parte de todo meu futuro. Por tantos lugares passei e tantos sentimentos brotaram, morreram, existiram, foram alimentados ou envenenados. Nada parecido com isso. Por mais que pareça ser pouco tempo, por mais que pareça ser precipitado, não há exagero ou ansiedade motivando minhas palavras.

Quando canto, desafinadamente, que você salvou minha vida, não existe banalização alguma. Tampouco quando declaro o que sinto. Não existe explicação sensata para isso. Para o tempo, o espaço, os motivos que levaram, o que originou. Nada disso é racional, nada disso é sensato porque o Criador, em sua infinita inteligência, nos fez seres de emoção, dotados de um senso moral que, no fundo, não passa daquilo que vem Dele e que, com razão, nos difere de todos os outros seres: humanidade. Sentimentos são a prova de que seres humanos são diferenciados de todo o resto por sua humanidade, pelo amor em suas mais diversas formas.

Você é simpática, inteligente, engraçada, espontânea, linda e, acima disso, única. E a única coisa que penso poder oferecer, além de tudo o que meu papel me faz dever e querer oferecer, é uma verdade, espontânea, real, presente.

Há anos acredito que o que há de melhor em mim é a sinceridade então, com toda sinceridade que existe em meu coração, e em minha mente, eu te amo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Ecos da sinceridade - Em meio a um deserto


Felizmente - relativamente falando porque acredito ser essa uma situação pontual - nada do que poderia fazer-me perder a noção de linearidade está conseguindo-o. Refuto a tese de fins que justificam meios porém, paralelo a isso, existem momentos que sobrepõem outros momentos e razões mais relevantes que outras o que, nesse caso, acaba sendo bom para evitar uma nova destruição em massa.

Sem precisar sair do sofá.

Teria sentido, dias atrás, lamentar muito por ter estado tão perto e ainda assim, pontualmente, não ter razões para sorrir. O significado global é superficial demais porém, seria hipócrita se negasse, incomoda. Pouco ou muito, dependendo de uma série de fatores. No meu caso, não incomodou embora devesse fazê-lo muito mais do que nas pontualidades de anos anteriores. Retirar-me da lista daqueles que lamentam para, sem muita explicação, deixar de fazer parte de toda e qualquer lista acabou sendo oportuno.

Bastante oportuno.

Admito, também, que mesmo que esteja sendo bom ter um deserto para não viver uma decepção - grande ou pequena, dependendo do ponto de vista - gostaria de estar vivendo outro momento, outra fase, outra situação que não essa. Passar por uma certa indiferença a tudo - na verdade, a quase tudo - novamente não anima. Foi, passou e, de outra maneira, voltou. Talvez seja sinal de que nem tudo foi entendido e superado.

Ou talvez seja sinal de que ainda sou incapaz de lidar com determinada situação.

Foram tantas semelhantes, próximas mesmo, que acabei dando-me a cômoda ideia de que estava capacitado a tudo que tivesse relação com. Aquilo, isso, sei lá, provavelmente não citei nada anteriormente. Acomodei-me esperando qualquer bomba cair e o fato de não precisar enfrentá-las por estar perdido em um deserto seco e, à noite, frio, talvez seja, de fato, um indício de que ainda há o que melhorar.

Entretanto, perceber que ao redor falta (talvez) muito mais e, ainda assim, não há preocupação com dar um significado pleno àquilo, desanima, sim, seria hipócrita também ao afirmar indiferença, por isso não o faço mas, também não tenho razão para mentir, essa forma infantil de orgulho desaparece quando penso que esse é o caminho a ser percorrido.

Queira ou não.

Longe disso, não haveria muito significado, sei bem.

Caminho, sozinho, um pouco perdido, um tanto desanimado e muito distante de lugar algum. Para a minha tranquilidade, não falta Luz. Nunca falta Luz.

Preciso voltar. Às palavras, aos pensamentos, aos sorrisos, aos sentimentos...

... e aos sonhos.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Ecos da sinceridade - Para com a sensação que traz paranoia

Tento entender que essa sensação de que algo está prestes a escapar das minhas mãos é apenas uma atitude egoísta e possessiva. Se fosse o caso, em outros tempos... mentira, é a primeira vez que a indecisão incomoda dessa maneira. Parece que todos tendem a estar certos quanto a isso e, sem receio de perturbar-me, dizem-me sempre que deveria pensar bem antes de... antes do que mesmo?

Ah sim, deixar tudo como está.

Foi uma atitude relativamente difícil de engolir porém, contrariando a lógica, fiquei feliz com o seu surgimento. Não é porque não gosto que não deva receber palavras distanciadoras por motivos... bem, eram bons motivos. Ainda devem ser pois, passado algum tempo, continua correndo a distância. Difícil concluir alguma coisa porém, como eu dizia...

Estou fazendo o possível para que a possibilidade de estar jogando a melhor das oportunidades fora - por motivos não mais justificados, ao menos por enquanto - não exerça sobre mim o papel que parece querer exercer: o da paranoia desesperadora. Estranho, talvez engraçado porém, para quem leu Shakespeare e viu uma vez ou outra novelas mexicanas, as coisas não parecem tão impossíveis de chegarem ao ponto em que tudo parece - e acredita-se de fato que está sim a - conspirara para aquela... coisa lá, aquele pensamento que diz que depois disso, nada mais será tão bom quanto.

Entendendo que, diante de coisas que parecem não querer parar de surgir e, portanto, jamais encerrar aprendizados - sejam de utilidade imediata ou futura -, tem-se que, acertando ou errando, estarei errando. Por mais que não faça sentido - e a tendência em algum momento será achar que nada disso fez sentido em momento algum - é a verdade porque mesmo acertando, hipoteticamente, e, portanto, revendo uma escolha que terá sido mal feita, o erro estará na falta de acertos anteriores, na quebra de convicções humanas e, para piorar tudo, no desrespeito à Vontade que, do início ao fim, é a única que dá sentido a toda e qualquer escolha.

Quem sabe um dia consiga ver isso como uma série de acertos, ainda que irônicos. E, com isso, possa sorrir bobamente em conjunto, tendo saído de uma escolha que terá mostrado-se acertada ou, como essa sensação inquietante atual insiste em demonstrar, voltando atrás na escolha para ir adiante também com um sorriso idiota no rosto.

O problema da paranoia e dessa sensação inquietante é que o tempo, e a vida, não fazem sentido. Não são circulares nas escolhas e...

Detestam quem não sabe escolher.

Se perceber e reconhecer um grande erro, não sei o quanto me consolará saber que o foi por convicção própria, distante de tudo que é alheio, de tudo que está em volta. 

Distante até mesmo de sensações bobas como essa, que transforma algumas gotas de chuva em... dúvida.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ecos da sinceridade - Para com aqueles que (não) dão valor

Tantas vezes foi falado, escrito e, antes disso, pensado. Tantas vezes foi motivo de tristeza, decepção e até mesmo raiva. Todas as vezes vistas de dentro, do ponto final da relação porém, tudo isso só faz sentido quando...

...pela primeira vez você está do outro lado.

Achar que é a primeira vez não é julgar-se superior, é apenas constatar uma verdade própria. Tanto disse e até mesmo esbravejei contra o mundo que, por uma necessária ironia da vida, do tempo e, óbvio, da ação de Deus na minha personalidade, precisei terminar esse... capítulo de aprendizado da maneira mais... estranha possível.

Estar do outro lado, daquele lado onde tanto joguei pedras, dói. Ah, se dói. Parece que todas as pedras jogadas estão me acertando agora. Não estava errado ao reclamar, por constatações bem racionais entretanto - não tenho dúvidas - também não estava certo em fazê-lo.

E tudo porque, hoje, pisei na bolinha de gude e derrubei os pratos novos da mamãe ou, numa versão chula dos fatos, corri o risco de, ao não assumir, reconhecer e aceitar esse erro como uma verdade e torná-lo, de fato, o último, tornar a sinceridade em mim uma coisa banal.

Não é fácil admitir mas é essencial. Errei e, como em todos os meus outros erros, não estou mal por mim e sim por quem, infelizmente, acabei acertando com meus erros.

Muito do que eu precisei, tive e, por razões que não justificam - e talvez sequer expliquem - não dei-lhe. O valor, a importância, o reconhecimento de algo que em momento algum existiu para destruir ou estragar algo em mim.

Você vai entender, sim, eu sei que vai e, bom, o resto eu já disse.

sábado, 28 de abril de 2012

Ecos da sinceridade - Com o que quis esconder

Quero viver tudo o que a Sua criatividade irá me oferecer.

Pode rir, mesmo, de verdade, dê gargalhadas como uma criança ao ver seu pai se molhando ao jogar água na grama. Você sabe que não vai me irritar, que não vou me decepcionar com isso. Você pode, deve, precisa rir. De mim, dessa minha fantasia infantil de achar que...

... que você não... sabia!

Pode rir, mesmo.

Por mais que, no fundo, saibamos os dois que eu tinha consciência de que não adiantava esconder, é engraçado que tenha, de maneira superficial e boba, acreditado na possibilidade de conseguir esconder algo. De Você. Dos Seus olhos. Da Sua sabedoria. Que estranho, até eu comecei a rir disso. Está vendo, rir por isso é o mínimo.

Você poderia muito bem xingar, dar um esporro daqueles em mim. É, com críticas ofensivas. Poderia derrubar-me para provar-me que, por tudo isso, estava errado. Eu sabia, Você sabia. E daí? Nada disso impediu-me de querer esconder, de querer viver como se nada acontecesse, como se nada fizesse, como se os meus outros pecados, os meus outros erros e todas as minhas outras limitações fossem as únicas, os únicos, como se todo o resto fosse tudo.

Mas havia isso. Há isso.

Eu ri, agora, por imaginar o quão infantil e inocente fui achando que poderia esconder isso, viver fazendo de conta como se nada tivesse acontecido e, então, algum dia em um ano distante desse, lá no futuro, revelaria como se fosse novidade, como prova de superação, de vitória. De uma vitória que, mesmo que conseguisse conquistar às escuras, não seria minha.

Porque nada é, propriamente, meu.

Você também sabe disso e, por mais que tenha tentado fugir dessa verdade - que é a única - não consegui mais. Inocente e relevando coisas levianas, falhas bobas e rotineiras, deixando de lado tudo que saber que está Me vendo traz, fui carregando e disfarçando, tentando colocar no bolso o que todo mundo viu, fazendo um furto da minha história e colocando o que fora roubado... dentro de mim!

Pode rir, sério, eu mereço.

Você vê o que eu não consigo ver dentro de mim. Você sabe o que nem analisando tudo a todo momento, com um desejo inacabável de auto conhecimento, conseguirei saber. É assim com todo mundo, por que não seria comigo? Você vê, e ri. Da minha incapacidade, do meu receio...

Da minha vergonha.

Como o filho tem vergonha de mostrar à mãe que quebrou um vaso caro, que sujou um tapete novo, que cortou uma camisa bonita, tinha vergonha de mostrar-Lhe isso. Essa coisa toda que incomoda-me como nada mais o faz. Vergonha de ser deixado de lado, de ser excluído diante de todos. 

E medo de perder o que ganhei. De perder tudo o que ganhei.

Sei que não Faria isso. Sei que sequer seria punido se tivesse contado tudo, deixado claro desde o primeiro dia. Dito que com isso não posso lidar sozinho. Você não faria nada que me fizesse sentir pior. Não me tiraria nada. Não me xingaria. Não me mostraria que sou menos que um grão de areia no deserto, mesmo sabendo que sei que essa é uma pequena verdade. Sou insignificante e, Você sabe, não considero demérito nenhum nesse caso.

Por isso sei que, assim como eu, Está rindo. Sorrindo por me ver reconhecer, por me ver deixar de lado o meu orgulho, a minha vergonha e o meu medo. Disso tudo.

Porque, cada vez mais, confio em Você e, com isso, a cada dia que passa, consigo viver um pouco mais a minha escolha na sinceridade, sendo coerente com as minhas convicções.

Nossas convicções, certo?

Sinceramente, obrigado.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Ecos da sinceridade - O ímpeto e a justiça

Sinto-me muito mal por tê-la chateado.

Duvido que consiga fechar um número redondo. Com essa foram quantas, cem, duzentas, talvez trezentas... mil bobagens ditas para alguém? Entre mentiras, comuns antes do período de sinceridade, bobagens sem nexo, piadas sem graça e futilidades irreais, devo estar bem próximo disso. Para piorar, o problema não é nem esse.

Tantas vezes fui mal interpretado. Outras, em número próximo, me expressei da pior maneira possível. Ainda existem aquelas em que pequenas coisas tomam grandes proporções. Não sei em qual dessas opções, ou de alguma outra não citada, está a de hoje. O ponto comum entre elas: eu.

Sempre fiquei com peso na consciência e, por algo que demonstra o mínimo de humildade, nunca foi por minha causa ou pelo que estava ligado a mim. O problema, então, não é que alguém tenha vontade de nunca mais, sequer, lembrar de mim. A questão está no que causei nesse alguém. Todas as vezes passadas trouxeram noites em claro - algumas exageradas, claro - e dias seguintes horríveis, cheios de auto decepção e outros sentimentos próximos disso que geram mau humor, desânimo e intolerância para com tudo que é meu.

Hoje não será diferente. Apenas será pior. Muito pior. Porque nunca, em tão pouco tempo, consegui perder tanto ânimo e trazer à tona tantos grandes e infelizes pensamentos sobre mim e, o que é pior do pior do pior, a imaginação daquilo que possível, e provavelmente, deixei como marca. Se fosse o caso, moveria o infinito para simplesmente deixar de ser assim. Parar de fazer piadinhas, falar bobagens inconsequentes e tudo mais.

Alguém deve estar rindo, com alguma satisfação, lendo isso. E não tiro a sua razão.

Difícil querer, e esperar, que alguém conviva numa boa comigo por muito tempo. Tenho momentos de infelicidade bestial que surpreendem-me - sempre tempos depois - do quanto alguém que tanto aprendeu e, de fato, sabe sobre tantas coisas, é capaz de provocar por não saber controlar um ímpeto animal de transformar tudo o que se diz em motivo para coisa alguma.

Tomara que eu tenha o pior dos dias possíveis, amanhã. Tomara mesmo, que consiga ser agredido de todas as maneiras possíveis e que caia ao chão, secamente, sem qualquer piedade. Não é masoquismo nem algo do tipo, é apenas a minha sede de justiça que, mesmo que esteja contra mim, deve existir.

Tenho certeza de que Deus, de alguma forma, aliviará para mim porém, não gostaria que fosse assim. Dos dias, o pior, é justo, certo? Sim, certo.

Que o céu caia sobre a minha cabeça e que, pela graça do bom Deus, eu aprenda, definitivamente, a controlar meu ímpeto idiota e, assim, possa evitar que outras pessoas fiquem, de alguma forma, mal com isso e, por fim, eu possa dormir em paz na certeza de que nenhum mal fiz.

Sinceridade também é reconhecer erros. Talvez principalmente.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ecos da sinceridade - Logo e longe


As poucas dúvidas que ainda tinha, e que escondia por medo de me perder por completo em convicções não-convictas, passaram a ser também somente passado. O medo de que cada escolha levasse a lugar nenhum, deixando nada além de tempo perdido como consequência era, embora pequeno, existente. Escolhi passar por cima, por muito tempo, de receios provocados por não serem essas as escolhas que a maioria, ou seja, quase todos que conheço, optariam. Porque, além de ter paciência por uma longa espera, não havia muita possibilidade de boas consequências a curto prazo - falta de consequências a curto prazo que tornou-se uma realidade.

Tudo aquilo que não se tem como certo acaba sendo um problema a mais que, ao contrário da grande maioria, não possui solução por, de fato, não se tratar de um problema real. A imaginação do que está por vir nos faz engrandecer monstruosamente fatos, palavras e situações que não acontecem e que virão a acontecer só por um acaso excepcionalmente pontual, sem qualquer lógica ou, em miúdos, só acontecerão se tiverem mesmo de acontecer.

Não entro no mérito, agora, de uma possível coragem existente em decisões nem sempre possuidoras de notável convicção. Achar que é o certo a fazer é bem diferente de fazer o que é certo fazer e não há dúvidas de que o fator que distingue por si só essas duas situações é o mesmo que diferencia aquilo que é de curto prazo e, portanto, pontual daquilo que é contínuo - sem levar em conta possíveis integrais ou derivadas feitas sob o mesmo.

Deixar palavras no ar, ao entender acordado à capacidade de cada um, também não quer dizer que tudo esteja uma bagunça, não há nada a ser dito de fato ou, a melhor e mais engraçada possibilidade, que estou querendo elevar-me por escolhas bem feitas. Tornar subjetivo sem imagens claras - com exceção de derivadas e integrais matemáticas - quer apenas dizer que ninguém precisa, de fato, saber do que se trata, quais foram as escolhas ou mesmo porque coloquei em jogo possíveis, e de fato existentes, convicções sem muita convicção.

Por fim, não foi fácil pensar na possibilidade sem relacioná-la à alguma imagem, como não é fácil ver uma imagem de perto, hoje, e não pensar na continuidade da mesma, diante dos olhos, por um longo prazo. Ainda que por muito tempo tenha duvidado que isso aconteceria, embora tenha feito o que estava ao alcance para que isso fosse possível.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Ecos da sinceridade - Para com as responsabilidades passadas


Há hoje, em mim, a convicção de que tanto tempo buscando entender e compreender tudo o que foi algum dia e que, por ventura, está sendo, é válido também por trazer certezas que contrariam antigas ideias. Dos pontos que fortalecem a certeza da busca por conhecimento pessoal, o que chama a atenção hoje é o fato de carregar menos peso conscientemente, deixando de levar atado a escolhas passadas uma certa responsabilidade por tantos fracassos - independentemente do tamanho ou da ressonância provocada pelos mesmos.

Assumir a responsabilidade por erros que não foram seus pode ser, sim, uma nobre atitude porém, quando feita por si só, ou seja, apenas por achar que é o correto a fazer - sem contar na possibilidade da escolha por força do hábito - traz consequências que demoram muito tempo para serem desconsideradas. Levar consigo responsabilidades por decepções e desilusões é, antes de qualquer outra coisa, um tormento inútil. Não que deva ser evitado sempre - e, portanto, colocado sob responsabilidade de qualquer um - mas sim que deva ser deixado de lado quando não houver mais a necessidade de guardar para si algo que não é - e talvez nunca tenha sido - de alguém, muito menos de si.

A nobreza do tomar as dores de alguém, tornar-se responsável por erros para amenizar a dor de alguém acaba sendo inútil quando tem-se isso como empecilho para coisa qualquer por um tempo além do aceitável. Depois desse curto período, a insistência leva a arrependimentos que sequer tem sentido em sua existência. Chegando-se ao ponto em que nada do que foi dito ou feito tem importância mais porque cada caminho foi seguido de maneira diferente e, que bom, está sendo vivido sem ligação qualquer com o que antes era pesado, difícil. Em outras palavras, com o que era culpa.

Ter consciência hoje de que poucas foram as vezes em que pensei no que a minha mania de assumir erros alheios poderia trazer-me tira de mim a culpa sobre todo e qualquer arrependimento que possa ter carregado, justa ou injustamente, por motivo nobre ou hábito protecionista. Não se pensa no que vai acontecer nessas situações. Paralelo a isso, não há mágoa para com alguém que fugiu daquilo que era seu ou foi omisso consciente de que eu receberia algo que não deveria sequer passar perto da minha vida.

Responsabilidade alguma está sendo jogada das minhas mãos para as de alguém. Porque não há mais responsabilidade por aquilo que ficou no passado. Mais uma vez sinto-me livre de algo que há tempos oscilava entre idas e vindas, e no que acarretava psicologicamente.

Mais um fim.

sábado, 31 de março de 2012

Ecos da sinceridade - Compreensão, limite e aceitação


Qualquer momento que faça relembrar do que acontecia, com alguma frequência, tempos atrás acaba sendo uma pequena decepção. Não por ter acreditado que dias não bons estavam banidos para sempre e sim porque, em meio à descoberta de uma nova maneira de sorrir, julgava ser cedo demais para querer entender a fundo coisa qualquer.

O detalhe que acentua essa questão está na mesma rotina de vazio mental tantas vezes causadora de dias como hoje. Toda e qualquer explicação afim consegue apenas levar a crer que há muito mais por trás de tudo isso e nunca, de fato, houve qualquer entendimento básico, não sobre que está sendo, mas sim sobre o que é.

Trazer agora alguma expressão que derrube ainda mais o que parecia não existir - embora hoje não pareça existir em quantidade abundante - seria como beber um líquido venenoso sabendo que é venenoso. Sabotar-se dessa maneira, derrubando a si com pensamentos ocos, é uma boa maneira de acelerar a degradação da própria existência - o que não impede de, com alguma dificuldade, manter relações (pseudo) sociais com um sorriso no rosto.

Enquanto os segundos passam e não consigo cantar mais sozinho em esquinas de ruas de lugar qualquer, tento simplesmente conviver de uma maneira racional com o que não sei definir e, tampouco, explicar. Assumir a incapacidade de explicações é, também, reconhecer-se como impositor das próprias limitações, evitando novos passos pelo medo de gastar a sola do tênis - mesmo que esse já esteja velho.

Por que tento encontrar motivos e respostas quando posso aprender a conviver com tudo aquilo que está entrincheirado nos limites da minha ação? Se nem mesmo tenho certeza quanto à minha possibilidade de atuação em uma 'guerra' contra meu ego e minha concentração, como, e novamente por que, deveria compreender o que há, de fato, em torno - ou mesmo por trás - dos meus pensamentos?

domingo, 18 de março de 2012

Ecos da sinceridade - A sinceridade como causa

Sinceridade.

A cada semana que passa, vejo uma evolução na minha vivência da mesma. Ignorando os lugares-comuns onde as pessoas, por comodismo ou crítica, a colocam, pode-se encontrá-la nos mais diversos momentos do dia. O grande retardador da aceitação da mesma é aquele que lhe afasta da sua verdade como a absoluta e da sua vontade como a mais importante. Concluir, portanto, que a sinceridade afasta do orgulho não é a mesma coisa que passar repelente para se manter longe dos mosquitos. Não há como viver uma vida com relevância em ações quando não se está preparado para aceitar que há igualdade naquilo que, por natureza, julga-se ter por superior.

Não corro, procuro, busco e tento fazer o máximo porque, de alguma maneira, quero satisfazer uma vontade ou mesmo um desejo. Esqueça a imaginação utópica que rondava cada pedaço de pensamento vago, ela não surge mais. A falta de vontade para com tantas outras coisas e a espontaneidade de todos os movimentos feitos por, e para, determinada finalidade deixam bem claro a insignificância daquilo que é próprio da minha natureza, o meu orgulho. A alegria, a felicidade e a inspiração, aqui, não são a causa dos pensamentos e daquela sensação de necessidade. Elas são a consequência do afastamento do orgulho e, subsequentemente, da sinceridade em um nível cada vez mais profundo.

Em todos os âmbitos da minha vida.

Ao contrário do que as minhas limitações, históricas e restritamente pessoais, levavam minha mente a tomar como necessidade, a espontaneidade em cada gesto, da busca ao encontro, do abrir mão do que é cômodo para mim em busca de algo ainda melhor - apesar de todos os poréns racionais que existem, de fato, entretanto sem importância relevante -, bem, essa espontaneidade dá um ânimo em todo e qualquer momento que insiste em fugir do controle. Nem mesmo os meus pontos fracos estão sendo capazes de me derrubar. Não é uma vitória, pois reconheço minha humanidade e consequente dificuldade de manter um mesmo nível sempre, mas é um reconhecimento de que tudo o que está desenvolvendo-se em mim, da sinceridade ao crescimento, passa por aquilo que é significativo.

Parece ser inevitável que essa sensação torne-se sentimento. Estou tranquilo por saber que essa transição está sendo feita através da sinceridade. E do Amor.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Ecos da sinceridade - Com a preocupação

Tempos atrás levaria o dia de ontem, e muitos subsequentes, com arrependimento pesado e desgastante. Ficaria me lastimando por saber que, de fato, o erro não deveria ter sido cometido. Tenho estado tão inerte a certas coisas que, mesmo um erro grande não tem afetado ou prejudicado o que já não é bom - e que, aliás, é péssimo. Minha mente anda tão ocupada, há tanto tempo, com um parcela significativa de nada que, nem mesmo o arrependimento é capaz de mudar a sua rotina. O que nem eu e muito menos a minha mente - consciente e, principalmente, inconsciente - esperávamos é que, de uma hora para outra, um pequeno detalhe ganhasse tanta importância.

Você se preocupa com quem conhece, com quem faz parte da sua vida, com as pessoas por quem você carrega algum sentimento ou por algum motivo semelhante, nunca distante da sua própria existência. Preocupar-se está ligado, quase sempre, ao importar-se e isso diminui as chances do que está acontecendo - que por sinal, ao certo, eu não sei - passar a me preocupar porém, contra a lógica da minha própria mente inquieta, eu me preocupo, com inquietação nas mãos e vontade quase cega de ajudar.

Sem sentido porque, para importar-se é preciso, antes de mais nada, conhecer um pouco alguém. Nessa vivência de sinceridade, me perguntei muito se o que passava pela minha mente era preocupação ou havia algo mais. Não obtive resposta em palavras entretanto, com uma sinceridade singela, senti que não há motivo, explicação ou razão. Estou preocupado porque alguém não está bem. Até parece algumas vezes que não está nada bem. E tenho certeza de que não está nada bem. O sentimento de impotência, de não ser capaz de ajudar, é o que mais incomoda.

Sempre incomodou. De um jeito diferente, hoje, por não ter razão, motivo, nada. Talvez tenha incomodado, por estar preocupado, somente pelo fato de ter aprendido, enfim, o que é amar outra pessoa sem ter nesse momento por ela, especificamente, qualquer sentimento. Com qualquer outra pessoa seria assim.

É disso que falo quando coloco em pauta o crescimento pessoal. É da água desse aprendizado que quero beber. Obrigado, Senhor. E permita-me, segundo a Vossa Vontade, ajudar.

*o sono tira um pouco da percepção de conexão entre as frases. 
E do sentido literal que as mesmas podem ter.

terça-feira, 6 de março de 2012

Ecos da sinceridade - Pressão e desespero


Parecia que o desespero teria um bom motivo para surgir e tomar conta. A impressão que fica é que, agora, mesmo com o suposto motivo para alívio, o desespero pode sim assumir uma posição importante. Bom, pode porque a possibilidade existe sempre mas, tenho certeza de que isso não irá acontecer. Motivos surgem, eventualmente e, muitas vezes, muito próximos uns dos outros, para que a perda da paciência, da tranquilidade e da segurança seja inevitável. Porém, o que acontece depois que a primeira impressão passa é que... nada saiu do lugar. Acho que, se preciso, conseguiria desarmar uma bomba - desde que recebesse instruções de como fazê-lo - sem tremer. Não quero dizer que não sinto medo ou que não tenho receio de algumas coisas. Temo pelos meus erros sim, mas isso não me afeta diretamente e nem indiretamente. Aprendi a lidar com a pressão reduzindo o valor das críticas que me são feitas. Quando a razão define o que é crítica importante, significativa e com bons motivos de existência, consinto e tento trabalhar em cima disso. O que é crítica por vício, pelo hábito ou por motivos pessoais, geralmente egoístas ou invejosos, deixo de lado como se nada tivesse entrado em meu ouvido além de ruídos. Não que essas últimas críticas sejam constantes hoje - um dia foram uma constante quase diária - entretanto, não querendo ir muito além, lidar com críticas e, como dito antes, com a pressão por bons resultados, por acertos ou objetivos concretizados não é problema para mim. Estou inerte a quase tudo isso, sendo uma vantagem para evitar momentos de desespero infantil, e uma desvantagem quando preciso apanhar um pouco para reagir de maneira diferente.

Ainda assim, prefiro evitar o desespero.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ecos da sinceridade - Para com as escolhas dos amigos

Sinto-me incomodado, de verdade, por ter de admitir que algo que defendi, e no qual insisti por tanto tempo, cada vez escorre mais para o esgoto. Antes que inocente-me, assumo minha parcela de culpa. Quando tentei tratar algumas pessoas com excessiva paciência - e nisso inclui-se as diversas culpas de outros assumidas como minhas, as relevadas para com os erros alheios e a tolerância com as escolhas idiotas, também alheias - acreditei estar fazendo o certo por entender que algumas pessoas, bem ou mal, valiam à pena. Achei que superar essas... incoerências de pessoas cuja companhia quero muito por perto, seria também uma maneira de crescer como pessoa, superando limitações e ajudando no convívio futuro com pessoas difíceis de lidar. O erro, então, é acreditar que o ser humano, independentemente de qual, é capaz de aprender com paciência, tolerância e insistência, sem radicalidades, críticas ou reclamações. O ser humano, de maneira quase geral, insiste em querer aprender quando come pedras no chão e, bom, isso nem sempre ajuda. Alguns insistem em não querer aprender, e continuar a viver sem qualquer perspectiva de evolução, apanhando do mundo diariamente apenas por não sair do comodismo e virar páginas passadas. Errei, mesmo, por ter tolerado tanto desrespeito para com a amizade em si e por ter acreditado que alguns erros não se repetiriam, quando ficava bem claro que iriam repetir-se, cedo ou tarde. Não sei se conseguirei ver algumas pessoas da mesma maneira, se terei força para resgatar laços que parecem fazer parte tão somente do passado. Já escrevi, dia desses, que amizade não é via de mão única, é preciso que ambas as partes façam um esforço, mesmo que apenas de vez em quando, para que isso se mantenha. Essa história de que velhos amigos ficam anos sem se falar e, quando se reencontram, conversam como se nunca tivessem se separado só funciona porque não há o problema da rotina, não há a amizade colocada como opção ao lado de outras... "mais atraentes".

Sinto falta dos meus amigos. E parece que esse sentimento de ausência só tende a aumentar. Infelizmente.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ecos da sinceridade - Publicar, gostar e respeitar


Na mesma medida em que busca seu espaço, o ser humano tem a tendência de querer limitar o espaço dos outros. Espaço, nesse caso, não condiz muito com o significado físico da palavra mas sim com a interação dele com o meio, em si. É proporcional essa busca por demonstrar quem se é e aquela vontade de fazer com que o outro seja o mais parecido consigo e, portanto, limitado dentro de um ponto de vista que não o dele.

A prova disso está na enxurrada descomunal de atualizações e postagens em redes sociais. É tão bom mostrar aos outros coisas engraçadas, gostos e fotos, músicas e links que levam a páginas que mostram um pouco de como sou e do que gosto mas... é tão ruim ver que tantas e tantas pessoas não gostam das mesmas coisas, preferindo fotos, tipos de humor em forma de atualizações que destoam daquelas que publico. Por que eles não podem gostar da mesma coisa que eu gosto? Essa é a pergunta que muitos se fazem e, em um surto de sabedoria inacreditavelmente egocêntrico, ainda complementam com um 'eles seriam melhores se gostassem das mesmas coisas que eu e, portanto, deixassem de postar toda essa porcaria que tanto me irrita'.

Nunca ouviu alguém comentar algo próximo disso? Tenho certeza, absoluta, que sim, mesmo que apenas uma vez. Existem os que não deixam isso transparecer, existem os que criticam as pessoas publicamente, existem os que não se importam com isso e aqueles que optam por não ver tais atualizações - com bloqueios, cancelamento de assinaturas, unfollows e afins.

Quem pensa que o seu gosto é melhor do que o do outro - sinceridade, todos pensamos dessa maneira algum dia - deveria se perguntar, ao invés 'por que ele não gosta das mesmas coisas que eu?', alguma coisa como 'por que eu não posso gostar do que ele gosta?'. Isso vai contra a sua personalidade? Duvido, novos gostos, novas experiências e novas ideias são bem-vindas sempre, desde que haja consciência de que elas não podem fazer mal algum para você. Experimentar faz parte da vida - e dizer na frase anterior que não deve haver malefício algum nesses gostos, experiências e ideias, deixa bem claro que drogas e situações que vão contra o que é melhor para você não precisam ser vividas para saber que são ruins - e, então, não faz mal se algum dia você ouvir, por conta própria, a música que o seu amigo ou conhecido ouve e que, por algum motivo, você julga detestar. Gostar de rock e não de pagode quer dizer que rock é melhor do que pagode para mim, mas não é, necessariamente, melhor em absoluto, um conceito com o qual todos deveriam concordar.

Não quer fazer aquilo, não quer alimentar a si mesmo com novidades? Tudo bem, a maioria convive com preconceitos bobos e arrogantes, não há nada de muito grave nisso, a não ser a perda de boas oportunidades em pró da manutenção - desnecessária - do meu alter ego. Essa situação passa a ser problema quando você é intolerante com gostos, palavras, atitudes e, nesse século XXI, atualizações alheias. Discriminar, irônica, sarcástica ou diretamente, vai contra a ideia de liberdade de expressão que todos, direta ou indiretamente, defendemos. Se eu posso, por que alguém específico não pode?

Odeio o que ele publica? Bloqueie, cancele as atualizações e pare de achar que o que você gosta é melhor do que o que aquele sujeito gosta. Aceitar as diferenças é, além de um gesto de maturidade, uma necessidade para manter o equilíbrio racional em uma sociedade intolerante.

Discorde, sim, toda forma de expressão que vai contra os seus ideais e as suas convicções porém, respeite, de qualquer forma, o que a outra pessoa está publicando. Ter opinião e mostrá-la ao mundo não é errado - muito pelo contrário, é o que fortalece as nossas crenças. Errado seria, sem dúvida, dizer que uma pessoa é idiota, estúpida e coisas piores apenas por acreditar em Deus, gostar de Madonna ou achar que 'A turma do Didi "é o melhor seriado de comédia já feito.

Você discorda, não acredita ou prefere outra coisa? Tudo bem mas... aprenda a respeitar.

Canso de ser tachado de tantas palavras por ser católico e ter fé em Deus. Canso de ser tachado de radical quando digo que é preciso abrir mão de várias coisas para viver de maneira coerente com aquilo em que acredito. Quase perco a paciência quando me dizem que Big Brother não é um programa patético. Porém, há muito tempo, deixei de inferiorizar pessoas que discordam de mim. Discordo, sim. Argumento, também. Só não tenho direito algum de querer obrigar as pessoas a serem como eu sou, a pensarem da mesma maneira que penso.

Entender tudo isso me fez aceitar, numa boa, ser chamado de velho e antiquado quando digo que gosto de Beatles, Who e Creedence. Algum dia atiraria uma pedra na pessoa que me dissesse que Luan Santana é melhor do Foo Fighters. Hoje, dou risada e aceito numa boa ser um ancião em meio a uma geração de jovens 'livres'. Até porque, meus amigos gostam de muitas coisas que não gosto e, por aceitá-los e respeitá-los, como amigos e indivíduos, vejo que essas amizades só cresceram quando abdiquei de colocar meus gostos como superiores ou corretos. O são para mim mas, como já escrevi, essa superioridade não é absoluta, não é senso comum, não é toda a paisagem. É apenas o pedaço que eu vejo da imagem.

Por fim, não há sinceridade na verdade quando ela é vivida por obrigação. Escolher a verdade, o amor e a sinceridade, de maneira coerente, foi opção minha. Se as pessoas escolhem outros valores, desvalores ou me acham um completo idiota por isso, tudo bem, cada um é livre para pensar e, se for um pensamento próprio - livre de influências obrigatórias, como tantas que aparecem por aí - haverá até mesmo vontade de conversar sobre essas diferenças.

Desde que não me digam... rhá, brincadeira.

*só, por favor, não coloquem brincadeiras
relacionadas a gostos nessa história de seriedade.
Até porque, assim como faço brincadeiras com
os gostos alheios, ironizo e tiro sarro dos meus próprios gostos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ecos da sinceridade - O querer, o imaginar e a realidade


É estranho como qualquer indício que traz para perto da realidade o que parecia ser impossível - ou até mais do que isso - pode derrubar, de maneira tão certeira, a alegria espontânea. O simples contato - independentemente de qual o nível ou como ele acontece - que traz consigo aquele surto de sorrisos bobos, vontade incessante de falar e aquela inexplicável sensação de... sei lá o que, é a prova de que - vindo a ser, de fato, ou não - momentaneamente aquilo que se imagina e que, portanto, não é real possa vir a sê-lo um dia. Aos gritos - dentro da própria mente - há algo que diz palavras bem próximas de 'nem vem, você sabe que tudo isso não passa de imaginação' porém, como em toda e qualquer mente insana - como a minha tem se mostrado desde que me reconheço como humano - essas palavras não representam nada além de 'plano de fundo', ou seja, nada significativo o suficiente para ser levado em conta em algum pensamento, pouco ou muito, racional.

A razão, por si só, é falha porque, no final das contas, tudo aquilo que você sente, quando é verdadeiro, tem muito mais significado do que qualquer absolutez raciocinada.

Distante do egoísmo há tempos, sinto-me um tanto melhor por desconsiderar a minha vontade e o meu bem estar como primários em absoluto dentro das vidas conjuntas à minha. O que senti quando... percebi que a ilusão com gosto de realidade era apenas ilusão, não pode ser classificado como egoísmo. Por simplesmente não achar aquilo, a situação em realidade, a melhor coisa do mundo no final das contas, estaria sendo um tanto demagogo se propusesse ser isso prova de egoísmo. Em momento algum quis um fim e pensei que aquela seria uma porta que viria a favorecer-me, cedo ou tarde.

A prova de que não há egoísmo está no fato que eu não pensei em onde, e principalmente como, estaria após aquilo. Afinal, a falsa possibilidade da imaginação vir a ser realidade não passou disso: possibilidade. Não conseguir mais colocar um sorriso no rosto depois desse ponto em específico apenas demonstra que, de um jeito único, aquilo seria importante e, também, que não era uma imaginação por si só, havia e, com ou sem razão, há alguma coisa indescritível por trás disso.

Não consigo fazer um discurso direto e discreto para isso. Algumas palavras que viraram muitas linhas. E no final ninguém entende que, apesar da tranquilidade por não ter feito nada errado, não estou de todo... não sei, talvez satisfeito, com o que continuou a ser. É um direito meu, ninguém pode tirá-lo e, o que me diferencia de outras pessoas agora é que, antes da minha imaginação, respeito a realidade alheia. Nada do que faça será no sentido de forçar a realidade a ser parecida com a imaginação. Se o fizesse, não seria justo, não seria verdadeiro e, principalmente, não seria coerente com a verdade que tento viver.

Embora a vontade continue a gritar para que o fizesse porque... não sei como explicar esse... sentimento? 

Que permaneça no silêncio.

*The Cure sempre soa bem nos ouvidos

domingo, 29 de janeiro de 2012

Ecos da sinceridade - O sim e a coerência

O sim, além de uma palavra de três letras, é o marco de uma decisão. Aceita-se, sempre, alguma coisa, ao dizer sim e, hoje disse sim para outro sim, dito tempos atrás. A confirmação do sim é diária e precisa ser feita em momentos não regulares, e nada semelhantes. O contexto tenta levar à dispersão, à fuga da confirmação do propósito feito - de um sim antigo, geralmente dado no impulso da novidade - e isso acontece sempre que a opção feita inicie uma mudança positiva na sua vida. É óbvio, porém não muito visível, que a opção pela verdade, o sim significativo, leva a uma série de barreiras, tentações e provações que, quando superadas por persistência, convicção e fé, levam a um estágio jamais alcançado para aqueles que optam pelo não. A conformidade com aquilo que se tem é uma forma de não dizer nada, nem sim nem não, mas optar pelo não. Fugi disso quando escolhi, inteiramente, ser coerente com aquilo a que me propus. Deixar de lado grande parte de baboseira, de desculpas cômodas e covardes foi difícil, como sempre é para aqueles que possuem hábitos negativos porém, e essa é a grande vitória, fugir do lugar comum, dentro da rotina, dentro do contexto de quase sempre. Ir contra o que normalmente faria, esquecendo que ali haveria um grande erro provou-me, hoje, que há capacidade em mim para passos ainda maiores em direção ao crescimento. Quanto mais as próprias limitações são superadas, maior é a coerência - no meu caso - para com aquilo em que acredita-se e, portanto, melhor e mais significativo é o crescimento.

E o resto que fique para trás.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Ecos da sinceridade - Definitivo

Provavelmente a maioria não vai entender o que vou dizer, nem o porquê, nem o que, nem nada de nada. A questão toda envolve minha vida e, de uma maneira muito específica, eu, como ser único e insubstituível - não entrarei nos lugares onde posso ser insubstituível. Depois de muito tempo disfarçando alguns pedaços da minha personalidade, senti que não havia mais como embasar toda aquela, com ironia ou não, baboseira. Nem eu aguentava mais ficar com aquela ladainha infantil de complexo de inferioridade, insensibilidade absoluta, patinho feio, timidez disfarçada e tantas outras que coloquei como desculpa para um comportamento muitas vezes repulsivo e incabível nesse projeto de vida, meu, com a sinceridade.

Foram vários anos até que, em um determinado lugar, em uma determinada noite, após a leitura de algumas frases em um livro e de um tempo - incontável - conversando com uma pessoa específica, bem, depois de tantos determinantes só resta dizer que cansei disso, de tentar esconder - por motivos explicados porém não justificados - parte da minha personalidade, parte de mim. Faz sentido, agora, a ausência de uma grande satisfação com essa tentativa de vivência de sinceridade em todos os âmbitos, de maneira clara, simples e, dependendo do ponto de vista, radical. Queria viver sinceramente tudo, mas esquecia que eu mesmo fazia parte desse tudo. É uma grande bobagem, vendo agora. Demorei muito tempo para admitir que, antes de mudar minhas ações, precisava parar de querer mudar quem, em essência, sou.

Estou livre, de fato, para ser quem, mesmo que somente no fundo, sempre fui.

Ah, obrigado, Deus, por ser mais teimoso do que eu, Lewis, pelas frases do livro e, bom, você, determinada pessoa, por me fazer repensar parte da minha vida sem ter a intenção de fazê-lo.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Ecos da sinceridade - Para com uma escolha


Duvido que use mais do que quatro parágrafos para escrever, hoje. Porque é tão simples o que está acontecendo em pequenas partes dos últimos dias que não há muitas maneiras de enrolar, não há sentido lógico em divagar demais sobre algo tão pequeno. No final das contas, a explicação está mais no passado do que no presente, embora a vida seja no presente e nesse também exista muito do que já foi, mas de outras maneiras ou com outras pessoas.

Parecer estar arrependido, nesses pequenos pedaços de dia, durante vários e vários dias, por uma escolha racional e - só o futuro dirá porém não há nada racional que possa mudar o caminho para o qual está se encaminhando - altruísta, sem contar toda a honestidade da mesma, é a prova básica, primária e irrefutável de que há um grande espaço a ser preenchido, de que há uma vontade enorme de abandonar o resto de solidão que ainda existe. Todos os pensamentos que conspiram contra a tranquilidade, a confiança e que levam para um lado não menos que arrogante e pretensioso, são fruto de passos dados no caminho certo. Só está sujeito a errar quem tenta acertar. Quem erra de propósito não faz parte desse grupo por buscar isso desde o princípio e, com uma obviedade infantil, não estar correndo o risco - em tese - de não concretizar o objetivo.

É básico que pense na possibilidade de atitude diferente, tempos atrás, e no que isso teria acarretado. Uma imagem, algumas palavras e toda uma vida nova surgem. Entretanto não há verdade nisso. Viver condicionado a uma possibilidade do passado é não viver, é privar-se da liberdade da escolha real, no presente. Só penso na possibilidade de estar arrependido por não ter preenchido o lugar que uma escolha diferente poderia ter feito. As outras consequências possíveis, à partir daquela escolha - e que foram definitivas para a decisão coerentemente tomada - e que são, de alguma forma, negativas, não preenchem lugar algum quando há uma necessidade a ser preenchida. A razão, então, vem e diz que estou certo e, hoje, veio explicar que sim, esse arrependimento não é motivado por uma verdade, e sim por uma necessidade afetiva, emocional.

Não concordo com aqueles que buscam suprir todas as suas necessidades afetivas, carências ou prazeres, e que justificam seus erros por essa busca incessante e - não tenho receio algum de dizer - fútil. Privar-se daquilo que parece ser essencial mas que não o é, em busca de uma verdade, é agir com serenidade e consciência, evitando que erros para com outras pessoas sejam cometidos. Ir além desse ponto hoje é, como dizem por aí, gastar uma bala de canhão para matar uma formiga.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ecos da sinceridade - Com o desabafo


Enquanto ouço um desabafo espontâneo e um tanto contraditório - na medida em que não fica claro o sentimento atual para com tudo o que passou - viajo bem longe, em pensamento, para uma vida que nunca existiu, de verdade. Cada palavra parecia alterar de uma forma bem conhecida parte de uma vida que nunca foi minha, de uma história que nunca escrevi e que, exceto reviravolta absurda e imprevisível na existência humana, nunca poderá ser contada como verdadeira.

Deixando de lado, ao menos por um parágrafo, o que passou pela minha cabeça, fui percebendo uma grande mudança na origem desse desabafo, daquelas palavras convictas, seguras, que retrataram tão bem fatos vistos pelos mais diversos olhos. A lembrança de tempos distantes, de ausência, de certo abandono é compensada cada vez que o erro é reconhecido, e volta a existir toda vez que a contradição no discurso faz com que o arrependimento pareça, no mínimo, irônico - tendo em vista todos os fatores negativos que foram fatos, e não imaginação.

"... ou pelo amor ou pela dor..." disse bem e, chegando aos dias atuais, a dor parece ser a consequência de alguns erros de escolha. A impaciência para com a demorada superação do momento de, ainda, alimentação de tristeza é compreensível porém inaceitável quando há claras lembranças de tempos passados em que erros, semelhantes, foram cometidos por medo da solidão.

Chegando à solidão voltei aos meus pensamentos. Tantas vezes ouço, e leio, vagando por aí coisas como 'não dê valor a quem não dá valor a você' e, sinceramente, acho uma bobagem sem tamanho. A solidão torna essa pequena demonstração de orgulho uma grande bobagem, porque a solidão age não só em pensamento, como no emocional e, em alguns casos, no físico. A desmotivação oriunda de uma ausência de convivência social - porém, principalmente, íntima, como amizades e relacionamentos afetivos - supera qualquer 'ele nunca vem falar comigo'. Claro, na maioria dos casos.

Tudo isso, solidão, desabafo e orgulho, em meus pensamentos, somados com a imaginação de toda uma história boba e impossível, trouxeram uma sensação de que falta muito para que haja constância e, por consequência lógica, superação do complexo que persegue meus dias há anos. Não há como simplesmente virar as costas e deixar tudo para trás porque há coisas enraizadas na razão.

Ao ver, e ouvir, alguém remoendo lembranças - ainda com alguma amargura, embora confiante no presente - traz, analogamente, tranquilidade por ser, em qualquer situação, aceitável uma demora - mesmo que excessiva - no começo de uma nova série de histórias escritas com vida, na vida. Enquanto o meu repouso é leve, a minha paz inexiste e a sede não me faz buscar água, continuo pensando - cada vez menos, é verdade - em tudo e tanto que existe e que está longe do meu controle, na minha mente.

Talvez só falte uma nova razão. Talvez.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ecos da sinceridade - Com a antiguidade


Tudo aquilo que não é, no presente, e ainda assim é real, faz parte do passado. Imediato e despretensioso ou já concreto e assumido, não importa, aquilo que é página já lida, quando voltada para releitura e possível entendimento, mais atrapalha, tirando o ritmo natural da leitura. Não que esteja tentando, de alguma maneira, dizer que é, foi e pronto, só isso. Enquanto caminhei com uma verdade visível a quaisquer olhos humanos, o fiz sinceramente, acreditando ser aquilo tão somente por ser, não somente, aquilo tudo.

Enquanto o que vem de fora, de pontos próximos dos mesmos olhos que tanto viram - aquela que chamarei de minha - a minha verdade, cada vez mais carrega o pretensioso status de 'eu estava certo o tempo inteiro, só você não quis ver', o que vem do mesmo lugar de onde saía a minha verdade agora junta-se a tal pretensão, só que de uma outra forma: imaginação.

Não imaginação condicionada à possibilidade ou estritamente pela falta da mesma. Imaginação, nesse caso, desenvolve o que aparenta para um ponto de vista realista - não julgando quantidade de verdade presente no mesmo - que induz pensamentos, infelizmente, tristes.

Poderia ser um 'nada disso estaria acontecendo se', que também traria alguma decepção, porém menos intensa e infundada. Entretanto - e aí vem a antiguidade da coisa - o que é demonstrado leva do simples e trivial para o, nada menos do que terrível, "você nunca conseguiria". É irônico constar que não é a derrubada de uma quase inexistente autoestima o que é tão terrível naquela negação atemporal.

O que coloca em um patamar tão negativo a frase é a maneira como está sendo - insisto que implicitamente - exposta. Deixando de lado a parte paranoica que, garanto, não influencia essa visão, e focando apenas na intenção, possível, por trás de tais demonstrações, bom, não há como ter certeza de coisa alguma. A aparência é essa, a sensação é de haver essa intenção, boba, de querer demonstrar que o ontem não pode ser comparado com o ontem - mesmo que nunca tenha sido dito que o ontem tenha sido um padrão e obrigatoriamente devesse ser comparado com tudo o que fosse surgindo - e que é incrível também, e o que vem agora acentua ainda mais as impressões negativas, por ser tudo aquilo que, no fundo, sempre se quis.

Que a impressão de mentira no que pareceu um dia ser via de mão dupla, desapareça. Pelo bem do que foi, de um jeito jamais comparável, único. Mesmo que apenas um par de olhos admita essa verdade. E mesmo que tudo seja, hoje, tão somente uma antiguidade.