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domingo, 10 de agosto de 2014

Confusão

Como uma tsunami que, sem causar vítimas, destroça e vira do avesso tudo pelo qual passa, tem sido o tempo e suas surpresas, quase todas invisíveis e interiores, dentro de mim. Não sei o que dizer, agora, quanto a isso. Está tudo revirado. Destroçado. Bagunçado. E com um monte de lama entupindo motores e objetos ocos, completa ou parcialmente.

É preciso entender alguma coisa antes de tentar jogar algumas palavras para fora.

Estou confuso e angustiado, apenas isso.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O vazio de viver e só (24)

Em teoria, o que recebo é muito pouco. São eventuais, quase raras, as palavras trocadas. Poucos também são os momentos, praticamente pontuais em uma linha cronológica. Sequer recebo palavras específicas que poderiam mostrar-me alguma reciprocidade mas... mesmo que a teoria - sempre arrogante, assumindo-se (falsa) dona da verdade - diga que é pouco, quase nada, não consigo considerar pouco, quase nada, cada pequena frase, muitas vezes monossilábica. Mais uma vez teoricamente, a sensação - que vai e vem como ioiô - de abandono, aguçada por tudo o que tem me derrubado sem piedade, bem, essa sensação acaba sendo sim uma explicação para que pequenas palavras tenham grande efeito.

A teoria é mentirosa - como nesse caso - porque não é sensível às pequenas variáveis que interferem, e muito, em um resultado, gerando conclusões e, sem dúvida, preceitos nada concretos. Definir quantidade é sempre perigoso - quase sempre um erro de contagem e percepção - e então, mais uma vez, a teoria erra por não saber aceitar que uma mesma quantidade tem significados diferentes.

Infelizmente acho que não é o suficiente mas, não consigo mais esperar pelo que vem de vidas alheias - ou de uma vida alheia, como agora. Tanto faz se, no final das contas, qualquer possibilidade seja, como é costume na minha história, apenas um surto de esperança, e nada mais. Menos diferença ainda pode fazer o fato de não saber o que acontece, o que pode estar acontecendo, aquela dúvida sempre permanece.

Por tantas vezes achei que não aguentaria mais, inclusive agora, por diversos motivos. E onde estou? No chão, caído, entregue à tudo que me derruba?

Não.

A Graça Divina me possibilita sempre recomeçar. E crescer, aprendendo que, nesse caso, qualquer minúscula palavra é sim, motivo para um sorriso espontâneo.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Não para de tocar


O dia amanhece, os raios do Sol impedem que meu sono prossiga. A madrugada é passado, como o descanso, como a tranquilidade do tempo que passa sem que meus olhos vejam e minha mente perceba. Meu corpo é um mero detalhe na imensidão de vida que há no mundo. E tudo o que, partindo dos raios do Sol, passa a ser visto é benção, é maravilha. 

A música então começa a tocar.

Em cada passo, pequena decisiva escolha, o tempo que caminha volta e meia corre, volta e meia parece parar para tomar um chá com as senhoras inglesas. Os raios de Sol são cada vez mais presentes, as cores das flores e o sabores dos frutos ganham vida, intensidade, variedade muitas vezes indescritível. O passar desse ou daquele momento torna-se detalhe na imensidão do detalhe invisível de uma luz que vem de longe, que vai para todos os lugares de maneira tão complexa que seria deixar o tempo passar em vão tentar encontrar uma explicação definitiva. Enquanto passa, ela continua compenetrada no ambiente, voando suavemente às cegas de olhos que nem bem conseguem ver o que o Sol produz, quanto mais o que de um instrumento pode sair.

O tempo andou e a música continua a tocar.

Em cada movimento uma imensidão de movimentos mais. Pouco se percebe além do todo, mas é de pequenos todos que se forma um grande todo, como um passo. Bobagem? Os músculos, nervos e até ossos de meu corpo dizem o contrário enquanto caminho, ou mesmo escrevo. A empolgação pela beleza visual do ambiente chamado natureza, iluminado pelo imponente Sol, vai terminando. São tantas manchas escuras, paredes erguidas em segundos, buracos cavados em décimos ou milésimos, seja lá qual miséria temporal dita rapidez exista na maldade do mundo incrustada até mesmo no mais belo dos corações, e tudo isso para impedir que o Sol ilumine tudo que é dádiva, tudo que afasta do terrível e aproxima do paraíso. A tristeza, o cansaço, a decepção e a mágoa surgem ou voltam porém... 

A música não para de tocar.

O céu escurece, as nuvens escuras tomam conta do céu azul claro. As horas passaram, o dia também, é quase noite. A água que desce de um céu agora obscurecedor dos raios do Sol pode lavar toda essa sujeira jogada por cima de um corpo que fisicamente continua limpo. A mente não encontra razões, o coração nem sente mais. A chuva cai, derruba tudo isso, aduba a terra para que a vida nasça no novo dia, novamente com o Sol brilhando, iluminando, aquecendo. Claro ou escuro, esperando pelo que não se vê, não se ouve, não se tem e não se pode ter, tanto faz.

A música não para de tocar.

O tempo que não é contado, as horas que se repetem em números, jamais em existência, tudo isso traz o bom e o ruim. O Sol que ilumina e faz nascer mas que também pode cegar. Há muitas batidas arrítmicas inexplicáveis. Experiência de quem já voou alto e instantes depois veio ao chão. Da demonstração em um sorriso para o semblante fechado e as palavras cessadas. O tempo passa, leva muitas vezes, traz algumas outras. Não é questão de vontade, talvez não seja nem de merecimento. É muito mais de escolha, de cada pequena escolha. Sempre pelo Sol que dá a vida e não pelo que impede de vê-la. Pela chuva que alivia e não pelas gotas d'águas que trazem palavras insensatas e injustas. Pela espera que ameniza a dor e não pela que traz a lágrima.

E no final do dia, o silêncio deixa de existir quando percebe-se o pequeno detalhe:

A música não para de tocar.



*a melhor versão da música é essa: The Cure - High (acoustic).

domingo, 9 de janeiro de 2011

Histórias de uma vida não vivida(31)


*Pensa-se viver o inferno quando não se está no céu. O meio termo desses dois imaginários possivelmente reais raramente vêm à mente de quem faz um raciocínio barato que alguns, mais arrogantes, dizem ser filosofia. Há dois passos do paraíso ou do inferno, vivemos esperando que o céu caia sobre a nossa cabeça, uma vez que insistimos em pensar que estamos no fundo do poço ou, quem sabe, a dois passos do inferno. Querem saber o que eu acho sobre céu e inferno? Sinceramente, não poder abrir os olhos e ver todas as criações do Amor seria quase como estar no inferno. O céu seria poder, além de ver, fazer de tudo que está ao alcance dos olhos uma maravilha na bênção que é essa história, a vida. Entre tudo isso, estou aqui. Sim, o meio termo entre céu e inferno é o mundo em que vivo. Quem sabe um dia...

Tentaria descrever o que está acontecendo porém, desculpem-me os curiosos, não sou filósofo. Tampouco poeta. Ainda estou tentando não ser apenas um idiota. Dito isso, os três tipos de descritores de tudo sem dizer nada, ou dizendo tudo errado, ao contrário ou fazendo de conta que dizem algo bonito, não se encaixam em mim, nessas fracas e, sim, impensadas palavras. Porque vejo que alguma parte de capítulo qualquer desse livro, que chamo de vida, foi descolorido quando comecei a parar para pensar. Que páginas ingratas aquelas que eram escritas no impulso da falta de pensar, deixando-se levar somente pelas batidas alucinadas de um coração ainda mais alucinado por intensidade. Onde estaria a ingratidão se não além de mim? A dois passos do inferno ficaram essas páginas, alguma coisa terrena as fez desbotar, descolorir, o que quer que tenha acontecido.

Escrevê-las, sem tinta ou ideia do que, foi tão automático quanto ficar parado, esperando o tempo passar, o relógio perder as pilhas e ligar para o dono do bar dizendo 'o cidê, cancela a gelada porque o relógio parou'. Um grande nada disfarçado de muita coisa que, pasmem, não diz nada, não serve para nada, não é nada. E nunca foi.

Queria ter alguma certeza em mente. Pensar faz bem, alimentar pensamentos não. Um maluco enlouquecendo não faz sentido. Ah sim, esqueci, o maluco muitas vezes parece ter ficado para trás, também no nome do blog. Hoje me sinto patético por ser, tantas e tantas vezes, tão racional quanto uma maçã no topo da árvore. Ela caiu na cabeça do Newton, que virou gênio reconhecido para sempre por isso. Ela não cai na minha cabeça, logo continuo de pé, pensando no que fazer sem ter a ajuda daquela maçã para identificar o blá blá blá mental. É patético, quero o meu irracional novamente.

Admitir que errei o julgamento do que mostrado a mim foi é uma boa opção. Está certo, fui enganado pela minha mente, melhor assim? Eu não vou gritar porque não quero acordar ninguém, está tarde, mas ouçam meus gritos por palavras minúsculas. Não sei quanto tempo consigo esperar. Por ver, por ouvir, por sentir. Sem razão alguma, por deixar sentir.

Eu sinto falta, mais do que da falta de razão, da possibilidade de visão, da capacidade de receber ondas sonoras suaves, do calor que um corpo figurativamente hipotérmico, existindo essa palavra ou não, tantas vezes fez derreter, trazendo novamente o sorriso de uma face que tanto pensou em nunca mais sorrir.

Espalhem-se, nas ondas do rádio ou nas letras tortas do jornal velho. Eu ordeno que vocês, palavras de razão, espalhem-se pelo mundo e só quando extremamente necessário, voltem até mim. Não quero que vocês me atrapalhem agora que decidi que, tantas palavras, erros e acertos depois, voltei a... tentar.

Tanto faz o que um par de olhos possa entender o que seja esse tentar. Talvez seja necessário perguntar antes coisa qualquer. Entretanto não vou tentar entender isso agora. Por que?

Estaria somente pensando.

*mesmo que responsável consciente por todas essas palavras, 
sinto sono e uma imensa, e muito coerente, saudade.
**Sinto que escrevi insanamente. 
Não importando agora o que isso significa.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A tortura do tempo


Uma tortura causada por um tempo que parece não passar. Nada definido, nada parece sequer inclinado. No exato meio, no ponto central, em cima do muro, no fundo do poço. Em comum a falta de tendência, nenhuma indicação de onde ir, para onde andar, também porque, no fundo desse poço, subir não é uma escolha possível. Fosse jogada uma corda eu subiria mas, quem a jogará? O tempo trará, com o vento do Espírito que vem dos céus, alguém, uma alma viva que faça viver. Enquanto isso a espera. No poço, no muro, no meio. Fechar os olhos e dormir é plausível porém há de se ter consciência de que o tempo pode passar muito além do que deve e a estadia no centro, no meio do nada e do tudo, vira eternidade. Eterno é o que o tempo não afeta, não muda. O eterno pode durar segundos ou um tempo que foge das mãos humanas, dos relógios de pulso e das previsões do jornal. O eterno é aquilo que volta toda vez que a luz brilha, que o calor é recebido pelo corpo cansado, que a palavra é ouvida pelo ouvido da solidão. Ouvida, lida, apenas sentida por uma intuição que, caramba, pode não passar de simples vontade criada, expectativa gerada, fala inacabada... Tempo, no poço, em cima do muro, no ponto central, tanto faz, é cruel, ainda mais com a dúvida, com o receio, agrava o passado e muda um futuro que só existirá quando o arrependimento bater.

*um passo foi dado mas não sinto alívio algum. 
Continuo no centro, pensando e esperando. 
Sentindo cada raio de sol, 
cada partícula de ar em movimento, 
vento. 
Lembrando de cada brilho que o piscar de olhos emana.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Palavras claras para olhos fechados


O cansaço parece desaparecer. Um sono diário, consequência de várias situações, passa a não ser nada além de desculpa para uma piscada mais longa aqui e outra acolá. Há, claro, um envolto que afasta da realidade e aproxima da pureza, da ligação perfeita. Mas há, inegavelmente, um brilho diferente, intenso, real. Quando o sentido mais sincero é trazido à tona, a felicidade torna-se palpável. Como não perder a concentração naquilo que aproxima os olhos do chão e passar a movimentar em pró de uma luz que guia para um lugar tão sereno e sincero quanto a nuvem envolvente e racionalmente irreal. Pensar como humano, usando do livre-arbítrio, levaria a negar nuvem, sentimento, sonho e brilho. Em ambas situações. Pensar como humano tiraria a beleza, o prazer e o espontâneo. De parte em parte, pensar eliminaria o risco de insanidade, a incerteza sobre uma intensidade vibrante de pancadas vivazes e muito convenientes. Pensar apenas como um humano me tiraria o complemento de alegria de um dia que não foi feito por sorrisos, boas ações, descanso ou mesmo alegria. Não pensar como um simples ser humano, usando de uma razão indiferente ao que se vive de verdade, me impediria de escrever frases. Pensar apenas como humano me impediria de disfarçá-las nas entrelinhas, em um contexto em que por vezes eu acabo por esquecer a saída. Dúvidas que volta e meia aparecem, volta e meia podem ter sido respondidas. Não há certeza.

Pensando bem, não pensar me dá uma resposta que, se não toda verdadeira, pelo menos leva um sorriso ao final.

domingo, 21 de novembro de 2010

Histórias de uma vida não vivida(29)



*O que iria acontecer? Seus tiques nervosos estavam à flor da pele, dos nervos, das veias, dos ossos e das pontas duplas dos fios de cabelo, já cheio de caspa. Nada de imundícia, caspa acontece com qualquer um em qualquer momento da vida, é como chutar uma bola e arrebentar a vidraça da velha que odeia meninos. Não que a velha importasse para ele, maldizendo assim o dia em que perdeu o senso de normalidade e passou a ser mais um perturbado pelas manias incontroláveis do próprio corpo. Esses problemas de nervos que afetam toda uma vida são incríveis, não adianta remédio, autocontrole ou socos nas regiões que se movimentam desordenadamente. Aquilo havia uma razão de ser. Só faltava descobrir se era nervosismo por ansiedade, medo, angústia, felicidade ou, o mais provável, nervosismo por estar nervoso.

Nenhuma imaginação estava ali. Das milhares de possibilidades, nenhuma era sua. Sem cair no tédio, seguiu seu ritmo lento, com passos cuidadosos e cheios de receio. Quase parando, com medo de tudo e todos à volta. Que poderiam fazer, agarrá-lo? Bobagem. Era medroso por natureza. A natureza o fizera assim por colocá-lo diante de sua face mais imunda. Passado explicativo, nunca justificativo. Sem dúvida aqui. Nem lá, fez o certo, sem matar ou morrer. Caminhou querendo, apenas no fundo da vontade, chegar. Também por não saber onde, como e com quem chegaria, estaria, ficaria.

Sozinho às avessas, realidade invertida, boba mas muito significativa. Não era irreal, não era visível. Apenas era. E, mesmo andando lentamente nessa estrada sem volta, aproveitava. Deleitava-se com leite e mel próprios de uma natureza que, sonhando, um dia seria sua. Lento porém andante, jamais parado. No fim, fazendo valer o que tinha à disposição, ainda que, como essas frases, nada estivesse muito bem definido.

Olhou para o lado ao perceber que aquela solidão o incomodava. Solidão repetida às avessas que incitava uma imaginação. Um pensamento qualquer, bobo, simples, apenas pela companhia. Ali estava, ali queria ficar dando passos lentos à frente. Quem sabe alguém pudesse acompanhá-lo. Não que fosse realmente necessário, mas a diversão de uma imaginação por ser imaginação é ter o que não se precisa, sequer o que se deseja, em uma realidade que nem paralela acaba sendo. Movia-se passivamente, com um tom bruto, e futuramente estrondoso, de vivacidade.

Perdeu-se em ideias, querendo o que não queria. Confundindo a realidade lenta com uma imaginação fugaz, imprevisível. O que não era e, com improvável possibilidade seria, passou a ser por um momento, e toda ladainha banal veio à tona, desnecessariamente. Um sonho que, se bem sonhado, valeria à pena, mas não era o caso, não era o momento, não era a vontade, não era... coisa alguma. Não existe sentimento de culpa, não houve perda ou dano para qualquer um. Um nada insistente, uma imaginação persistente que só teve fim quando a solidão mudou de figura. Não por ter acabado, mas por estar no seu lugar habitual, diário, onde já fica fácil controlá-la, mais pelo costume do que pela sua aquietação.

Percebeu a tempo que aquela era uma estrada em que não importava a companhia, incerta, na duração, mas sim a certa na chegada. Sorriu. Feliz. Não pela imaginação ter sido apenas imaginação. Não por ter chegado a um lugar onde demorará, e muito, a chegar. Tampouco por estar com a solidão habitual novamente consigo. Sorriu por ter descoberto-se um pouco mais. Por ter-se conhecido um detalhe a mais, um pensamento a mais, uma solidão a mais. Bobamente sorria, como criança com sorvete ou mulher com sapato novo. Não havia motivo claro, mas sorria.

*mas a inquietação nervosa continuava

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Crônica de uma política do cão


O debate na televisão mostra que os políticos não querem mais mostrar alguma qualidade. Pelo contrário, querem mostrar o máximo de defeitos possível. Do rival na disputa, óbvio. A hipocrisia é tanta que trocam acusações de coisas que, sabem eles e todos que param para pensar, nenhum têm relação direta. Passados que não são seus, histórias, erros e fracassos que não são seus. É como se eles fossem uma senhora de idade, com cabelos cor de neve, que passeia com seu cachorro pela praça. Se ela recolher as porcarias que o seu cão fez no pátio público, terá feito o suficiente. Muito mais do que muitos fazem. Coisa que muitos não fazem. Recolher a sujeira do seu cachorro na praça é o mínimo que se pode fazer. Porém, pode até custar, mas não seria ruim se essa senhora recolhesse a sujeira do cachorro feio do gordo que se arrasta bebendo cerveja. Faria por si? Não, faria por todos que ali passam. Por que fazer? Ela já está recolhendo sujeira, uma a mais, uma a menos, tanto faz, certo? Então por que balde ou caixa d’água os políticos não fazem o mesmo? Ao invés de recolher a sujeira do outro, fazendo então um bem para toda, eu disse TODA a nação, resolvem acusar o oponente que apenas conhece o gordo dono do cachorro feio. Quem caminha na praça sabe quão difícil é que alguém recolha a sujeira que não é sua, assuma o erro que não é seu ou pelo menos tente compensar ou corrigir os erros dos outros. O pior é que só é tão difícil porque é muito mais fácil apontar para o outro e dizer que ele não fez nada. Que ele olhou e não criticou o gordo. Que ele não ajuntou a sujeira do outro. Ninguém quer ser a senhora boazinha de cabelos cor de neve. Ninguém. E tudo por que? Porque é mais fácil ser o idiota que aponta o dedo para outro idiota que não corrigiu o erro do gordo beberrão, pelo bem de todos.

Então imaginem quando o filho de um dos dois idiotas pisar na sujeira que nem o gordo, nem a velhinha(que a essa altura já deve estar sentada, lamentando a discussão boba dos dois idiotas) nem os dois idiotas recolheram. Imaginem!

Eu não quero estar por perto. Porque, do jeito que vai, eu é que vou ter que limpar o sapato da criança, já que seus pais, iludidos com uma discussão inútil, não terão tempo para fazê-lo.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O vazio de viver e só (18)


Cansado da espera, do ontem, extasiado do tédio que essa espera traz. Mais todas aquelas palavras comentadas que não levam a lugar nenhum, tampouco algum. Variação imediata de opinião que definição, com mais dois ou três ãos, não trará. Confus...ão de verbos e palavras e adjetivos, qualificativos ou desqualificativos que induz ao erro de achar que não há nada a ser dito. Nada a ser escrito. Nada há de sentir quem escreve, tampouco quem lê pelo que lê. Diferença que não faz sentir ou não, aqui, por aqui ou por lá. Quem entenderia essa miséria? Tampouco um cego, tendo tudo isso lido para si entenderia que não há muito o que dizer, além de que a culpa não é do cansaço, não é do tédio, não é da falta de vontade, do desgaste ou da longínqua lembrança que fora muito refrescada apenas pela visão. Até um cego veria que a culpa é da espera. Complexa, irritante, pavorosa e necessária?! Sem tempo definido, de começo ou fim. Sem tempo no meio de tudo, de nada, lá ou aqui. Tempo de espera. Olhos que esperam. Barriga que faz tremer de frio feito futuro morto à beira do precipício ou caroneiro em descida acentuada. Pensamento que voa. Feito pássaro bobo, sem saber para onde ou porquê vai. Feito comparação idiota. Feito essa. Ou esta. Talvez já aquela. Vida de esperas covardes, que nem sempre trazem o que intuem. Antes disso fazem o comodismo aparecer. A vontade desaparecer. Ilusões ou desilusões surgirem como barro em dia de chuva. Não quisto, mas esperado, perceptivelmente esperado. Mais uma vez, espera. Que vence pelo cansaço, pela tristeza, pelo comodismo e, algumas vezes, a subsequente vontade de mudar tudo de uma vez. Só. Toda a vida. Todo o olhar. Toda a espera. De um lado para outro. Impaciente. Irracional. Covarde e cômodo.

Como o pássaro bobo que voa para onde o vento leva.


*não há tristeza aqui, hoje, pelo contrário.
Esse texto não passa de uma constatação da situação presente e da clara, 
porém muito bem contida impaciência. 
De qualquer forma, 
não há mais como errar nesse mesmo ponto impaciente 
que já lateja em uma mente que já não se importa tanto assim em esperar. 
Sete que passou a ser três, ou dois.
Dias, meses ou anos.

domingo, 22 de agosto de 2010

Histórias do Bandiolo - Eu não estava lá


Caminhou pouco, algumas quadras de sua casa até um lugar popular da cidade. Foi até lá sem qualquer motivo, apenas por caminhar. Um cigarro e uma bebida com os amigos? Que amigos? Eram todos desconhecidos e, mesmo que fossem conhecidos, fingiria não os ver para não ser mais um. Mais um a fazer besteira, perder tempo e não acrescentar nada para si, além de histórias pornográficas, críticas banais, fumaça nos pulmões e álcool no fígado. Nunca quis isso. Foi para ir, para passar, para movimentar as pernas.

Até aí tudo bem, apenas mais um ser que caminha, passa por algum lugar sem razão alguma. Apenas mais um. Para os outros, tanto fez. Para ele, não.

Em cada grupo de amigos ele imaginou. Em cada lanchonete, restaurante, bar ou mesa onde pessoas estavam entorno, ele imaginou, literalmente sonhou acordado. Acreditou, sem fé ou confiança, que poderia de um desses grupos de pessoas sair quem ele sabia que não encontraria, com a desculpa pela rima. Ainda assim, olhava atentamente no rosto de cada um, volta e meia vendo-a lá. Sem distração, sem aprofundamento, caía em si e ria, vendo-se um tolo que imagina situações com os olhos abertos, contradizendo toda e qualquer palavra julgadora vinda de quaisquer dois ou três que olhavam e, talvez percebendo sua falta de sintonia com aquilo tudo, riam.

Em cada passo, um novo pensamento, uma nova imagem, uma nova ilusão. Sabia que nada veria, que ninguém surgiria do nada, que ninguém sentiria nada ali, naqueles breves momentos passageiros. Mesmo em um futuro próximo não lembraria daquele dia, daquele momento, daquela situação boba, sem profundidade, sem verdade. Ou quase sem verdade.

Porque ele não era um deles. Ele era alguém que estava ali apenas fisicamente. Alienado, lunático, desligado ou... ou.

Não importa, já passou.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O vazio de viver e só(10)


Ansiedade, angústia e termos conhecidos relacionados a esses dois sentimentos, como disse, são conhecidos. Você sabe quando é, ou pelo menos desconfia. O problema agora é concluir que nada do que sinto, penso vagamente e deixo de transformar por falta de quase tudo, ou por falta de um detalhe. Talvez os dois pontos, se esses estivessem próximos relacionados aos números, também esses do texto passado. Balançar do caminho, com a mão protegendo os olhos do sol forte e incessante, sentimento que, se não inexplicável, se aproxima um tanto disso. Muito mais próximo do que qualquer outra coisa do tipo frio na barriga, bater de pé no chão sem motivo ou as famosas orelhas vermelhas e quentes. Houve um entender, certa feita de dia passado. Certa não é um bom termo aqui, mas a expressão ajuda a desviar ainda mais um foco que é tão ruim quanto o de um míope contando estrelas às 3 horas da tarde. Entendimento citado, tentativa de assimilação e... nada. Nada certo, nada feito. Apenas tentativa. Uma daquelas suposições imaginárias, tão profunda quanto inalcançável. O tempo, como é de seu caráter, trata de me deixar longe demais das capitais, e do teste concreto desse muro gigante suposto então, dia passado. A minha capacidade de não ser entendido é tão boa que eu não consigo entender a qual gênero, raça ou espécie pertence essa sensação, que de fato acaba sendo um sentimento, tido hoje, ontem, há dias. Olhar ao longe não me faz sair daqui. Pensar, tampouco. Sentir pode até aproximar porém sem verdade e afirmação não faz nada além de manter tudo no lugar, colocando ainda alguns blocos na frente, impedindo uma passagem que talvez nunca fosse feita para o outro lado da risca, do horizonte, ou daquela ansiedade, inexplicável ansiedade, primeira palavra escrita hoje.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pouco ou nada. Muito.


Como o fogo precisa de poucas gotas de álcool para ter sua chama aumentada, como o inteligente precisa de poucas ferramentas para criar algo, o criativo precisa de poucos detalhes para obter inspiração e o deprimido precisa de pouco para chorar. Como alguém que precisa de pouco para sorrir, sejam palavras ou algo próximo disso. Como um pássaro que precisa de poucos motivos para levantar vôo. Como Deus precisa de motivo algum para amar a todos igualmente. Sinto-me assim, precisando de quase nada para acreditar em algo que talvez venha a ser possibilidade. Assim como todo inconformado precisa de pouca coisa que vá contra sua vontade, suas ideias ou convicções. Assim como um sonhador, como eu, precisa de poucos segundos para criar uma vida, ou alterar a que já se tem, dentro de um pensamento, de uma imaginação. Redundante, dentro de um sonho.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Histórias de uma vida não vivida(22)


*Odiava listas. Os melhores disso, os piores daquilo. Listas nostálgicas eram piores ainda. O melhor beijo, os maiores fiascos, as melhores noites de sábado. Odiava colocar em ordem qualquer coisa que fosse. Talvez porque sua mente era uma bagunça constantemente aumentada por coisas e coisas. Errado não estava, pois não perdia tempo algum no passado. Sem sonhos até que a lenda do cupido passou a ser um momento, o seu momento. Odiava listas mas não escondia que aquele era o dia mais feliz, e inesperado que já havia vivido. Um começo no fim, sem importar-se com o fim propriamente dito, se é que haveria um fim. Sem importar-se com a possibilidade de tudo não passar de um sonho de alguém que jamais havia sonhado.

Lendo um livro para um trabalho que precisava fazer, ouviu seu celular tocando. Tendo em mente que só recebia ligações quando, ou precisavam de sua ajuda ou alguma coisa ruim havia acontecido, temeu pelo pior. Não poderia parar de ler para ajudar alguém, mas dificilmente negaria se fosse o caso.

- Alô?!
- Ei, vai fazer o que hoje de noite?
- Estudar.
- Tá brincando? Hoje é sexta, dia de descansar, de ir para a festa ou ao menos ficar sem fazer nada.
- Não posso.
- Sem frescura, vem aqui em casa jantar.

Não poderia ser verdade, aquele era um de seus novos amigos da faculdade, não fazia sentido ele lhe convidar para jantar. Além disso, a sua... bom a sua companheira, para não dizer outra coisa, que não era nada além de companheira mesmo, poderia ligar para conversarem sobre os desentendimentos dos últimos dias.

- Deixa para outro dia, não posso hoje.
- Por que tá falando assim?
- Porque as pessoas só me ligam quando tem uma notícia ruim para contar ou quando precisam da minha ajuda.
- Eu não liguei por nenhum desses motivos. Liguei porque quero que você venha jantar comigo e com a minha família. Talvez a...

Aí a coisa mudou de figura. Aquele "a" indicava que ela poderia estar lá, uma vez que ele, seu colega, e ela, sua... enfim.
- Talvez?
- Sabia que isso ajudaria na tua decisão. Oito horas aqui em casa. Tão tá.

É, ele sabia mesmo que pesaria na decisão saber que a... bom, que ela estaria lá. Mesmo que fosse só uma possibilidade. Então é óbvio que, depois disso, não havia mais livro, não havia mais louça para lavar ou roupa para dobrar e guardar. Só pensava naquela janta e na possibilidade de ver a... de vê-la. Toda essa empolgação ia contra suas recaídas com pensamentos de "que bobagem, ela não estará lá".

Minutos passam, completam horas e já eram 20 passadas daquele dia. Chegou na casa do amigo e logo de cara viu que a... que... bem, que ela estava lá. Nem teve tempo de se apresentar e ela, para a surpresa de todos os presentes, pais, tios, avós, o colega e a vizinha fofoqueira, correu ao seu encontro e disse com boa entonação:
- Família, esse é o meu namorado.

Ãhn? Nem bem se conheciam, nem bem tinham passado algumas horas juntos, nem bem sabiam algo sobre o outro. E ainda por cima discutiram sem razões justificáveis nas últimas vezes em que se encontraram. Não se viam há seis dias, ela havia deixado claro que aquilo, fosse lá o que estivesse sendo, não iria longe. E agora isso, namorados? Era demais para uma só noite, para um só sujeito, para um só jantar.

Antes que pudesse falar ou balbuciar uma palavra, começou a rir. Mas ria como se fosse criança vendo uma outra criança escorregando em uma nasca de bacana, digo, em uma casca de banana. Ria incontrolavelmente como bobo, talvez porque fosse assim que sentira-se ao ouvir que, sem saber tinha agora uma namorada. Não que sua vontade fosse outra, mas poderia ter sido avisado antes.

Tentavam perguntar-lhe algumas coisas mas ele não conseguia fazer nada além de rir. Risadas que tentavam ser, em vão, engolidas, esquecidas. Ninguém entendia o porquê. Nem ele, nem seu colega, nem a sua... namorada. Bah, essa era realmente nova. Mas não, não... não o que mesmo? Ah sim, não fazia sentido. Hahaha, e ria como criança quando ganha chocolate, como adulto quando acha uma nota de dois reais no chão, como um senhor de idade quando vê seus netos sujando-se na lama.

Ria, sem compreender ao certo aquilo. Achando engraçado cada parte daquela comédia digna de Shakespeare, ou algo próximo e atualizado. A apresentação, o compromisso, o espanto seu e de todos, a ligação, o entusiasmo, o trabalho que precisava ser feito. Não sabia mais ordenar o passado e o momento presente.

E sorriu, feliz.

sábado, 26 de junho de 2010

Frase e pergunta do dia:



Em certos momentos só existem duas maneiras de entender uma frase: 
eu entendo o que eu quero entender 
ou entendo o que a pessoa quis dizer. 

A pergunta que surge é: 
a pessoa quis dizer o que eu quis escutar?

terça-feira, 15 de junho de 2010

Frase do dia



Não se perca no passado, 
a vida é o duplo presente.



*sem muita complicação, 
afinal, 
estou mais simples do que algum dia posso ter sido

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Histórias de uma vida não vivida(21)


*Como indescritível é aquilo que faz a língua enrolar, a garganta gaguejar e as frases subjetivar sem objetivo, hoje, algum ontem e por aí vai, estão sendo dias de não confuso, de sim incluso em alguma cláusula quase invisível e de descrição boba, infantil. Sem nada definido, sem imaginação, muito menos conclusão. Porque não há nada, provavelmente nunca haverá nada em um lugar que não existe, um sonho que ninguém sonhou, uma palavra que ninguém quer dizer, uma vontade que ninguém quer expressar. Felizmente isso não tira esse não mentiroso que tanta alegria tem me trazido.

Queria dizer muito mais do que te disse. Falando nisso, eu disse alguma coisa? Não lembro. Ah, sim, pedi desculpas por algo que não fiz, só para não deixá-la sozinha como culpada em uma situação da qual nem você e muito menos eu temos culpa. Quem aponta o dedo e com ele empurra críticas sobre alguma coisa não sabe de nada. Você não fez nada. Você é assim, diferente. Bem diferente. E isso lhe torna ainda mais especial.

Pouco importa se você me chama de coisas que as pessoas consideram ofensivas. Até eu considero, mas não vindas de você. Porque você me xinga, me chama de idiota, de grosso e até de monstro, mas sem maldade alguma. Você sente raiva de mim. Não, você diz sentir raiva de mim. Eu olho nos seus olhos e vejo que não há maldade, não há raiva, não há remorso ou qualquer outro sentimento ruim. Da boca para fora e até isso é exagero. Você diz porque... ainda não consigo entender ao certo a razão.

Deixei em aberto, após pouco falar, uma possível explicação. De alguma coisa que nem lembro mais o que poderia ter sido se eu tivesse dito. Curiosidade é razão para ansiedade e busca por um novo dia, no meio de um grande plural, por motivos, por vezes, invisíveis. Apenas uma vez no meio de tantas e tantas possibilidades, de tantos novos dias. No quase fim de um meio bem definido de sete em sete.

Perdi as palavras que poderia transcrever além das que escrevi dizendo sem conseguir dizer muita coisa. Sério, você me faz esquecer muita coisa. Disso você não sabe, talvez nunca saberá. Não importa. Se a grande escada para a felicidade passa pelo caminho que se escolhe e por tudo o que ele possui, você está no meu caminho. E não quero pensar em quanto tempo continuará, uma vez que não vivo o amanhã. Entretanto, admito que penso no próximo pós-sete. Penso muito. Até ensaiaria algo para explicar algumas coisas mas não, que seja como tem sido, espontâneo, impulsivo, momentâneo.

Momentaneamente prazeroso. Seja lá o que for, como for, por quanto tempo for ou puder ser. Sem sonho algum. Porque você me faz pensar na realidade. Um antes, no amanhã. Um depois, no ontem e no amanhã pós-seis. Tão confuso quanto específico. Queria poder entender você melhor, o que pensa, o que acontece na sua vida. Apenas queria, pois não tenho mais do que alguns poucos minutos para conversar com você. Ainda por cima você insiste em implicar comigo, por alguma coisa ou por nada. Critica-me paranoiando uma feiúra que não possui quando deveria ter visto o quanto esse olhar suave e digno de elogios acaba sendo observado por esses olhos humanos que possuo.

Por você, por mim, por alguma coisa a mais ou a  menos. Sim, posso dizer que você me confunde, também.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Como se fosse a primeira vez


Como se fosse a primeira vez. Ou da mesma maneira de uma vez ou duas, anteriores à primeira. Aquela sem conhecimento, sem saber quem ou o que é, o que faz, quais músicas gosta ou  quando perdeu os dentes de leite. Foi assim, simples, desse jeito único. Porque da primeira vez eu não lembro. Nem da vez antes da primeira. Eu só lembro depois, bem depois. Como se antes não existisse, pois diferença alguma fazia.

Ontem. Um dia que não pareceu ser o dia que acabou por ser, na beira do fim, próximo do seguinte. A noite de um dia que pode ser generalizada como o dia em um todo, sem uma noite em si. Não havia nada escuro, escondido, em fuga por motivo qualquer. Nada que voltasse tempos de dor, de sofrimento, embora esse tenha sido sentido no fim, sem razão aparente. Havia luz, muita luz.

Foi, pareceu, sem nada acontecer. De repente um grande lago se formou, a muito custo pela insistência da terra em pegar para si essa água. Vantagem nisso foi apenas não haver afogamento algum, nem sonho deixado de lado por alguma perda. Mas talvez fosse melhor jogar tudo para baixo das águas calmas e, contra a natureza, salgadas daquele lago irregular.

Nada mudou ou irá mudar. A perda é irreparável, erros em diferentes instâncias que não podem ser corrigidos, apenas colocados no papel para um dia virarem pó, como tantos outros casos já julgados, justa ou injustamente, por juízes honrados ou corruptos. Pó esse que ficará à espera de um vento, de preferência monstruoso, que espalhe por todos os cantos, de modo não haver chance alguma de lembrar o que estava escrito na terceira ou última linhas.

Um fim. Deprimente fim. Mas isso não impediu que ontem eu voltasse no tempo e lembrasse da primeira vez.

Ou como se fosse a primeira vez.

sábado, 15 de maio de 2010

Uma rua, várias pedras. Apenas uma rua. E várias pedras.


Bastaram algumas pedras soltas, buracos aqui e ali, fotos novas na vitrine e um silêncio louvável para que um sentimento nostalgicamente incrível despertasse e fizesse valer-se por si só, sem interferência humana, talvez Divina. E no meio desse silêncio, buscado por muito tempo, fez valer a máxima de que não há lugar como o lar, mesmo que nem no lar estivesse. As ruas, tão familiares e ao mesmo tempo tão distantes do presente e do passado, ah, as ruas. Retas e curvuolíneas, sem muita distinção, sem muita luz. Ah, as ruas. Nunca ficara tão feliz por poder dizer que estava caminhando em alguma rua. No meio de alguma rua.

Sem marcação de tinta, sem placa de pare. Apenas ruas. Apenas ruas de calçamento, sem asfalto. 

Apenas ruas.

Apenas sorrisos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Histórias do Billi J. - Eu era, eu sou e sei que serei


Dos tempos da faculdade, o Billi J. traz à tona sempre o dia em que passou a dar valor para tudo o que havia feito. Ou seja, essa história ocorre antes disso e depois disso(p1, p2, p3, p4).(clicando nos disso você vai para as respectivas histórias e blábláblá)

Recém entrara na faculdade, longe do amor, do seu amor, da sua Renata, separado dela por uma distância que ultrapassava o gigantesco, sozinho. É, sozinho, pois seu irmão não contava, uma vez que era pirralho bobo e nada sabia, nada entendia, a não ser sobre tortinhas de baunilha, circuitos elétricos, video-games e a vizinha da frente. Que porcaria. Sozinho, muito embora essa fosse uma constante da sua vida, antes de Renata, e durante o período que esteve perto dela(e, arrependimento maldito!, longe simultaneamente). Sozinho. Sozinho. Sozinho.

Não era a sua essa história de festas. Para ser sincero, o Billi J. admitiu que a primeira festa em que foi, por vontade própria, foi aquela em que ele deixou de ser um menino e passou a ser um homem(frase dita por Michael Jordan e adaptada pelo próprio Billi), entregando e explicitando todo seu amor por Renata... ah Renata. A imagem daquele paraíso em forma feminina, daquela, agora, mulher com o jeito angelical e puro de menina, ah Renata, Renata. E como seus cabelos balançavam enquanto ela caminhava, como seus olhos brilhavam quando estava feliz...

Mas a vida era outra. E o Billi J., como eu já disse, estava só. Sentindo-se só. Odiava aglomerações e só não era antissocial por completo porque frequentava faculdade, supermercado e banco. Bom, uma vez ou outra a padaria, já que os brigadeiros daquela portuguesa com sotaque russo eram fantásticos. Ãhn, onde estava? Ah sim. Solidão, Billi J., antissocial, é, por aí.

Sem vontade, quase desistindo do seu ainda não sonho profissional, o Billi J. queria dar um fim nessa situação. Era a última vez que passaria por aquela situação que, se não era péssima, beirava o insuportável apenas. Não que fizesse alguma diferença, uma vez que o Billi J. não queria mais aquilo. Sentia-se só, estava só. Só, só, só. Só solidão. Solidão do cão que vê os donos abandonarem a casa por não pagar o aluguel. Um pouco forçado, mas não deixa de ser.

Durante o caminho, começou a lembrar da sua infância. Crianças brincando. Uma mais afastada. Deveria ser ele. É, era ele, pois era uma criança franzina, usando óculos, longe da maioria, sentada em um banco comendo a merenda e olhando para o céu, imaginando quem sabe um dia ser astronauta. Sonho de criança que o Billi J. nunca realizou. E viu naquela criança a melhor lembrança. Sempre fora diferente, sentira-se diferente, distanciava-se da maioria. Distante da maioria. Sempre e sempre.

Essa tônica desde cedo havia desgastado o Billi J. como ser humano por si em sociedade. Não pensava em mudar, apenas em como seria se não fosse tão diferente, tão estranho, tão distante da maioria. Como seria se gostasse da maioria, de conviver com a maioria, com suas generalizações e banalizações, com falsas verdades, sonhos e sentimentos ilusórios. Não, deixa para lá. A lembrança daquele menino, de si mesmo quando criança, bastava para perceber que poderia ser e viver sendo assim, desse jeito estranho.

O menino se foi, ficou para trás como se fosse parte do passado. E não deixava, mesmo, de ser apenas passado, embora muito daquele menino continuasse no Billi J. do hoje. Depois do menino, veio a lembrança da quarta, quinta ou sexta série. Não soube ao certo qual daqueles anos viera à tona na sua mente, em uma vaga mas desejada lembrança. E a permanência da diferença, agora com as brincadeiras estúpidas por parte dos outros, o menosprezo de alguns por seus ideais e convições politicamente corretos, algo difícil de manter nessa idade. O... amor. Bom, isso se resume à Renata. Nessa época já havia descoberto seu amor por ela. Já sentia o coração quase explodir em pulsações sentimentalmente sinceras. Bom, era melhor nem lembrar dela agora.

Junto com o desejo de não lembrar mais do começo de seu amor pela Renata, foi-se embora a imagem do Billi J. pré-adolescente. Como se fosse um melhores momentos, veio então a temida, mas igualmente bem-vinda, lembrança do ensino médio. Tão mais próxima do presente. Tão mais intensa, tão mais vivida. Amor e ódio, a raiva e a felicidade, a espontânea risada e os incontáveis e indescritíveis sorrisos da Renata. Ah, só pensava nela. todas as suas lembranças traziam ela consigo. E mesmo nessa retrospectiva indireta e de certa forma incontrolável, ela estava onde devia estar, onde havia estado de fato no passado do Billi J..

E do passado para o presente, longe, distante. Da felicidade que surgiu daqueles poucos momentos de intensa vivência daquele amor para a tristeza e a dor da distância, da ausência, da perda. Renata. E por ela veio tudo o que de bom conseguira fazer. Tudo o que de melhor conseguia demonstrar. Por ela, e consequentemente por si mesmo. Louco, percebeu que o ônibus havia chegado na universidade. Não teve que abrir os olhos, pois não havia dormido.

Já não sabia se tivera mesmo as lembranças ou se apenas vira em uma escola para crianças, uma de ensino fundamental e a outra de ensino médio, alguém que representava a si em tempos passados. Dúvida indiferente, pois a lembrança ou a visão lhe trouxeram vontade.

Pois a partir delas, vistas ou pensadas, voltara a sentir orgulho de sua constância e da sua persistência com suas convicções e ideais. Estava só sim, longe dela, mas e daí? O amor era o mesmo. Ele era o mesmo.

E aquilo, certamente, era um ótimo motivo para continuar, pois ele era se não tudo, pelo menos uma boa parte, do que queria ser.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O que não foi em horas passadas


Momentos não aproveitados passam. E você não consegue reeditá-los, mesmo que eles não tenham saído de sua cabeça, ainda. Existe uma hora certa para quase tudo. Uma hora, minuto ou mesmo instante. Talvez até um dia, em uma especificação requeridamente menor. Existe o momento certo para escrever sobre os hábitos alimentares dos gafanhotos japoneses e, se você perder esse momento, nunca mais escreverá sobre isso, ou pelo menos não da mesma maneira que escreveria quando teve a ideia, a intenção e a vontade, mas foi contra isso, por motivos quase numa totalidade menores.

E passa. Como passa a hora certa de jogar o lixo fora, de comer aquela comida que está na geladeira, de ir à missa cuja homilia seria um grande tapa na sua cara, de estudar para a prova ou fazer o trabalho, de sair correndo e esbarrar em uma pessoa que acabará sendo especial apenas pelo fato de, mesmo sem razões, lhe perguntar 'você está bem?". Como passa o momento de uma despedida decente de um ente querido.

Passa. E passou. Passará. Ou não. Depende. De mim, de você, do dono da vida e do que há de ser feito. Não dá para saber tudo, quando as coisas vão acontecer ou quando é o momento certo de acontecerem. Como não dá para saber se são as coisas certas. Como não dá para voltar e acertar no tempo certo. Também não existe acertar sempre. Não dá para saber, às vezes, nem o próprio saber.

Entretanto, é muito pior ficar parado esperando que alguém faça por você. Fale por você. Sinta por você. Viva por você. Acerte no seu lugar, na sua escolha, na sua vontade, no seu tempo.

Talvez você tenha lido esse texto na hora certa. Talvez devesse estar fazendo algo certo na hora certa enquanto estava aqui, lendo essas humildes e quem sabe desconexas frases. Talvez, talvez.

Tanto quanto o se, o talvez é muito relativo. E esse não é, com certeza, o tempo certo para expandir essa ideia em frases que certamente seriam erradas no momento errado. Um erro completo. Erro que deve ser evitado. Fazer a coisa errada na hora certa ou o contrário desmotiva sim, mas é melhor do que deixar para depois da novela, da hora de estudo que ainda nem chegou, de você comprar um cacho de uva ou ir ao mercado apenas para comprar um bombom.

Só que o tempo que se perde achando e vivendo como se existe um talvez para tudo, um empecilho para você ser você no seu tempo, nas suas escolhas, na sua vida, esse tempo não é relativo.


*algumas palavras certas,
algumas palavras erradas no momento necessário,
certo ou não só as semanas dirão.