*Pensa-se viver o inferno quando não se está no céu. O meio termo desses dois imaginários possivelmente reais raramente vêm à mente de quem faz um raciocínio barato que alguns, mais arrogantes, dizem ser filosofia. Há dois passos do paraíso ou do inferno, vivemos esperando que o céu caia sobre a nossa cabeça, uma vez que insistimos em pensar que estamos no fundo do poço ou, quem sabe, a dois passos do inferno. Querem saber o que eu acho sobre céu e inferno? Sinceramente, não poder abrir os olhos e ver todas as criações do Amor seria quase como estar no inferno. O céu seria poder, além de ver, fazer de tudo que está ao alcance dos olhos uma maravilha na bênção que é essa história, a vida. Entre tudo isso, estou aqui. Sim, o meio termo entre céu e inferno é o mundo em que vivo. Quem sabe um dia...
Tentaria descrever o que está acontecendo porém, desculpem-me os curiosos, não sou filósofo. Tampouco poeta. Ainda estou tentando não ser apenas um idiota. Dito isso, os três tipos de descritores de tudo sem dizer nada, ou dizendo tudo errado, ao contrário ou fazendo de conta que dizem algo bonito, não se encaixam em mim, nessas fracas e, sim, impensadas palavras. Porque vejo que alguma parte de capítulo qualquer desse livro, que chamo de vida, foi descolorido quando comecei a parar para pensar. Que páginas ingratas aquelas que eram escritas no impulso da falta de pensar, deixando-se levar somente pelas batidas alucinadas de um coração ainda mais alucinado por intensidade. Onde estaria a ingratidão se não além de mim? A dois passos do inferno ficaram essas páginas, alguma coisa terrena as fez desbotar, descolorir, o que quer que tenha acontecido.
Escrevê-las, sem tinta ou ideia do que, foi tão automático quanto ficar parado, esperando o tempo passar, o relógio perder as pilhas e ligar para o dono do bar dizendo 'o cidê, cancela a gelada porque o relógio parou'. Um grande nada disfarçado de muita coisa que, pasmem, não diz nada, não serve para nada, não é nada. E nunca foi.
Queria ter alguma certeza em mente. Pensar faz bem, alimentar pensamentos não. Um maluco enlouquecendo não faz sentido. Ah sim, esqueci, o maluco muitas vezes parece ter ficado para trás, também no nome do blog. Hoje me sinto patético por ser, tantas e tantas vezes, tão racional quanto uma maçã no topo da árvore. Ela caiu na cabeça do Newton, que virou gênio reconhecido para sempre por isso. Ela não cai na minha cabeça, logo continuo de pé, pensando no que fazer sem ter a ajuda daquela maçã para identificar o blá blá blá mental. É patético, quero o meu irracional novamente.
Admitir que errei o julgamento do que mostrado a mim foi é uma boa opção. Está certo, fui enganado pela minha mente, melhor assim? Eu não vou gritar porque não quero acordar ninguém, está tarde, mas ouçam meus gritos por palavras minúsculas. Não sei quanto tempo consigo esperar. Por ver, por ouvir, por sentir. Sem razão alguma, por deixar sentir.
Eu sinto falta, mais do que da falta de razão, da possibilidade de visão, da capacidade de receber ondas sonoras suaves, do calor que um corpo figurativamente hipotérmico, existindo essa palavra ou não, tantas vezes fez derreter, trazendo novamente o sorriso de uma face que tanto pensou em nunca mais sorrir.
Espalhem-se, nas ondas do rádio ou nas letras tortas do jornal velho. Eu ordeno que vocês, palavras de razão, espalhem-se pelo mundo e só quando extremamente necessário, voltem até mim. Não quero que vocês me atrapalhem agora que decidi que, tantas palavras, erros e acertos depois, voltei a... tentar.
Tanto faz o que um par de olhos possa entender o que seja esse tentar. Talvez seja necessário perguntar antes coisa qualquer. Entretanto não vou tentar entender isso agora. Por que?
Estaria somente pensando.
*mesmo que responsável consciente por todas essas palavras,
sinto sono e uma imensa, e muito coerente, saudade.
**Sinto que escrevi insanamente.
Não importando agora o que isso significa.