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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O vazio de viver e só (24)

Em teoria, o que recebo é muito pouco. São eventuais, quase raras, as palavras trocadas. Poucos também são os momentos, praticamente pontuais em uma linha cronológica. Sequer recebo palavras específicas que poderiam mostrar-me alguma reciprocidade mas... mesmo que a teoria - sempre arrogante, assumindo-se (falsa) dona da verdade - diga que é pouco, quase nada, não consigo considerar pouco, quase nada, cada pequena frase, muitas vezes monossilábica. Mais uma vez teoricamente, a sensação - que vai e vem como ioiô - de abandono, aguçada por tudo o que tem me derrubado sem piedade, bem, essa sensação acaba sendo sim uma explicação para que pequenas palavras tenham grande efeito.

A teoria é mentirosa - como nesse caso - porque não é sensível às pequenas variáveis que interferem, e muito, em um resultado, gerando conclusões e, sem dúvida, preceitos nada concretos. Definir quantidade é sempre perigoso - quase sempre um erro de contagem e percepção - e então, mais uma vez, a teoria erra por não saber aceitar que uma mesma quantidade tem significados diferentes.

Infelizmente acho que não é o suficiente mas, não consigo mais esperar pelo que vem de vidas alheias - ou de uma vida alheia, como agora. Tanto faz se, no final das contas, qualquer possibilidade seja, como é costume na minha história, apenas um surto de esperança, e nada mais. Menos diferença ainda pode fazer o fato de não saber o que acontece, o que pode estar acontecendo, aquela dúvida sempre permanece.

Por tantas vezes achei que não aguentaria mais, inclusive agora, por diversos motivos. E onde estou? No chão, caído, entregue à tudo que me derruba?

Não.

A Graça Divina me possibilita sempre recomeçar. E crescer, aprendendo que, nesse caso, qualquer minúscula palavra é sim, motivo para um sorriso espontâneo.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ecos da sinceridade - Para com você e minha mente


O desejo é fazer estalar em você a mesma vontade que há em mim. Não o faço porque ainda sou incapaz de atingir o meio termo entre o subjetivo indireto e a sinceridade absoluta, a forma mais clara de palavras diretas. Também continuo responsável apenas pela parte que é, por direito, minha, porque, como acabei de escrever, é a única parte a qual tenho direito sobre as ações e, consequentemente, sobre as palavras. Entendo ser fruto de paranoia - e antes que seja levada adiante, não a esclarecerei - o que insiste em colocar negações atemporais, geralmente absolutas, em uma possibilidade que, em suma, nunca foi cogitada com seriedade - exceto no meu maior domínio: a minha mente.

Dizer a alguém o que fazer, estando de alguma forma ligado a situação, é um erro que a grande maioria comete. Torna-se falsa a intenção das ações e das palavras porque, no fundo, sabe-se que é para a realização da própria vontade - mesmo que não seja uma questão de vida ou morte, ou de futuro conjunto, em si - e então, por consequência, chegamos ao egoísmo. Entender que o que se sente, ou a mera vontade de buscar conhecimento mútuo, é uma verdade em potencial não justifica, em hipótese alguma, agir em benefício próprio com a desculpa de estar auxiliando ao outro.

O exemplo mais claro que vem à mente, e que pode muito bem tornar claro o que muito provavelmente ainda não está, é o seguinte:

"Um rapaz vive sua vida estando apaixonado por uma moça. Eles se conhecem desde pequenos porém, em algum ponto, ela apaixona-se e casa com outro rapaz. Anos depois o rapaz ainda a ama, porém respeita a decisão da amada, embora não se conforme com o fato de conhecê-la por anos e "perdê-la" para alguém que a conhece a muito menos tempo. Algum dia o esposo da moça sofre um acidente e morre. O primeiro rapaz da história então se aproxima ainda mais da moça, agora viúva, buscando consolá-la de todas as formas."

Esquecendo a dramaticidade, que faz esse trecho parecer de um filme hollywoodiano, e focando no que interessa, até que ponto a intenção dele por trazer conforto a ela faz parte da solidariedade e da essência de amor ao próximo? Naturalmente, em algum momento, irá usar de algum artifício para tentar fazê-la esquecer de vez o falecido esposo e então, conclui-se, começar uma vida nova ao lado de outra pessoa. Ele quer ser essa outra pessoa, sempre quis, e por mais que seja verdadeiro o seu amor, não justifica usá-lo como desculpa para tentar afastá-la rapidamente da dor e do sofrimento pelo falecimento.

Há um limite entre a sinceridade do gesto e o benefício próprio. Desconsiderando também, agora, qualquer outra regra moral implícita em nossas mentes, é óbvio que o melhor para quem perde uma pessoa é, o quanto antes, deixar de viver em função da perda. Entretanto isso também não justifica a possível - e quase sempre subsequente - intenção de começar um novo envolvimento. Tudo parece pesar a favor, eles se conheceram sempre, ele a ama e está claro, ao menos hipoteticamente, de que quer vê-la feliz só que...

Podem me chamar de chato, implicante e tudo mais porém não vejo razão para mudar de opinião. Não justifica. Como nenhuma ajuda é justificável quando feita, em primeiro lugar, para um benefício qualquer próprio. É como se você fosse a algum lugar sabendo que irá receber uma recompensa. Você, sabendo que não receberia recompensa alguma, iria mesmo assim a esse lugar? Esquecendo dos condicionais favoráveis - e contrários - duvido que iria, a não ser que a intenção de ir ao lugar fosse espontânea, desinteressada e, principalmente, incondicional.

Há muito não demonstro insatisfação indireta com alguém e, há mais tempo ainda, não justifico qualquer atitude minha por vontades, desejos e sentimentos próprios. Nada do que parte de mim justifica ou exige que algo deva partir de outra pessoa em minha direção. Além do egoísmo pela busca de algo a receber há a arrogância de colocar-se como centro de algo, sem justificativas coerentes e verdadeiras.

A verdade, quando vinda apenas de um lado, nunca justifica a verdade que parte, da mesma maneira, de, no mínimo, dois lugares diferentes.

Com o tempo se aprende isso. Embora nem todos tenham humildade para admitir.

*tenho consciência que seria muito criticado 
se alguma pessoa lesse os meus textos 
e nada do que escrevi tem a intenção de 
provocar qualquer atitude, em quem quer que seja.

sábado, 29 de outubro de 2011

Ecos da sinceridade - Com o Absoluto


Sentado na sacada, imploro que Deus faça ecoar na imensidão desse pôr do Sol algum solo musical de piano, como fundo para esse momento. A solidão absurda nesse metro quadrado de área ao ar livre entre tantos prédios me traz lamentações passadas - porém, de maneira alguma, insignificantes. Na mesma proporção em que busco, às lágrimas, sentir os raios de Sol que parecem atravessar meu corpo sem tocá-lo, tenho a impressão de que tudo foge do meu alcance em um simples piscar de olhos, ou em um pequeno desvio no caminho - ainda que não se tenha sido completado-o. Parece injusto - e a injustiça parece uma certeza quando um bando de pássaros cruza o céu sem destino aparente - porque tenho a impressão que somente eu sou cobrado por cada, pequeno ou grande, erro, desvio, limitação ou fraqueza. Entender o motivo dessa ideia não é fácil, sobretudo quando se leva em conta uma história aparentemente normal. A singularidade torna-se utopia e nada do que vem a ser dito é assimilado. Pior do que tentar entender é não querer compreender tudo o que envolve essas situações. Enquanto o tempo passa, o Sol se esconde e a luz artificial toma conta parcial da minha visão, sigo com incertezas, dúvidas quanto à existência e suas subsequências. Dizer para a própria Verdade que nenhuma verdade saída de mim teve qualquer importância entre um tempo é doloroso e isso torna-se pior quando ganha tons de reclamação. Irrito-me por nada acontecer, por momentos de insatisfação (nem tão lógicas) voltarem justamente quando o caminho convergia à Luz.

Tudo o que tenho vivido ganha tons estranhos, irônicos e até mesmo dramáticos e, por nada disso ter um fim aparente, o tom da cor, do som ou da intensidade desses momentos, sensações e sentimentos, acaba não sendo relativo, definitivo para uma conclusão. A Verdade está aí, é necessário apenas que se busque, com mais forças do que se tem, vivê-la.

Quem sabe assim, com a ajuda da sinceridade diária, a vivência absoluta da Verdade seja menos complexa, melhor percebida, e assim se possa ouvir um barulho vindo do Céu.

Barulho que poderá ser, muito bem, um solo de piano.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O vazio de viver e só (23)


Há algum tempo caminhava sobre uma linha de limite. Se passasse por ela, imaginava, estaria descendo ainda mais em um buraco de desilusões, tristezas, desamparo, desânimo e angústia. O temor de ir além de onde já estava, o que já é(era) muito, fazia com que cada detalhe que indicava a possibilidade da existência de um absoluto fim da esperança atordoasse cada escolha feita, cada palavra dita, cada desejo sonhado como se fosse o último. Entre tudo o que aconteceu - e não aconteceu - e tudo o que deixou de acontecer - e ainda assim aconteceu - havia alguns pontos de interrogação. Supus ter várias respostas porém, ironicamente, duvidava delas com intensa desilusão.

Durante esse tempo, respondi por outras pessoas a pergunta: "Você vê a mesma verdade que eu?" e, dificultando ainda mais a minha permanência na - já terrível - caminhada na linha de limite, o que obtive foram decepções. Não encontrar muitos 'sim' para uma pergunta que não saiu de minha cabeça poderia ser, então, o ponto limite nessa caminhada.

Há frases de desconhecidos que fizeram do hoje o ponto limite. Superei a linha que havia delimitado como limite de sanidade, possibilidade de sorriso e reconhecimento da vida como uma maravilha. Deveria, pelas suposições passadas, estar deitado no sofá pressionando uma almofada contra meu rosto - ou alguma atitude semelhante, igualmente idiota, desesperada e sem finalidade compensatória - na lamentação extrema proveniente da constatação de que, entre todos, estaria eu na pior das colocações - independentemente de qual lista estaríamos fazendo.

Escrevi em primeira pessoa para concluir, depois de pouca clareza, alguma subjetividade e nenhuma descrição clara, que, bom, mesmo ultrapassando um limite sob o qual acreditava estar caminhando - com um medo infantil de dar um passo adiante - não sinto a (ignorante) necessidade de tomar alguma atitude contra a minha mente, o meu corpo ou mesmo a minha alma. Também não me conformo com o popular 'a vida continua' pois, embora seja verdade, é conformista demais.

Paro e lamento, sofro com uma tristeza monumental entretanto, ironicamente ou não, agora sinto-me muito próximo de uma linha exponencial pela qual, provavelmente, caminharei para novidades. Não sou um vencedor por ter superado um limite (negativo) e ainda estar tranquilo. Se ainda conseguisse, talvez estivesse olhando para fora perguntando, para Céu e mundo, "por quê?".

Tudo isso é tão... estranho que não consigo direcionar as palavras para algum lugar. Elas estão aqui, comigo, apesar de tudo o que deveria levar-me a destruí-las na minha simples forma humana. Guardadas incondicionalmente aos pensamentos, aos limites e às novidades.

Guardadas pela eternidade limitada da minha vida humana.

domingo, 28 de agosto de 2011

Reflexões de um maluco (17)


Mantendo o ritmo egoísta de escrever que dá a impressão de que o centro do meu mundo é o meu umbigo, continuo naquela toada de analisar fatos do meu cotidiano de uma maneira, talvez, bem racional. O que não faz diferença alguma, antes de mais anda.

Se fosse atender aos meus instintos mais profundos, escreveria um texto todo em letras maiúsculas, direcionado a uma pessoa específica que, como quase todas as pessoas do mundo, não irá lê-lo. Não é só por isso que não escrevo com agressividade e impulsividade sensacionalista. Tampouco quero provar que a pessoa estava errada ou que não passa de, mais uma, que não possui nada além de vermes inúteis na cabeça.

Expondo sarcasticamente algumas opções, o ocorrido que me leva a escrever teve acontecimento ontem pela manhã. Cedo. Com sono por aquela, e tantas outras manhãs seguidas de períodos curtos de descanso, não avaliei bem as consequências da sinceridade que estou tentando colocar ao limite máximo da possibilidade dentro do meu dia a dia( que, segundo o corretor do google, não possui mais hifens entre si).

Não há arrependimento pelo resultado final em si, embora esse não seja satisfatório, o que mais incomodou nessa relação sinceridade x escolhas foram as palavras ditas por aquela pessoa. Geralmente, psicólogos sabem do que estão falando, avaliam em vias gerais determinados comportamentos e conseguem explicar, com um tanto de verdade, as razões para tudo aquilo.

Porém, não foi o que aconteceu ontem, comigo.

Aquela psicóloga malemal ouviu sobre mim, sobre a minha vida, o que penso, o que sinto e o que me leva a separar o joio do trigo dia pós dia. Uma frase sobre o meu passado e pronto, já fui considerado incapaz de lidar com algumas situações. Dizer que reprimo minha raiva e controlo meus impulsos foi transformado em um 'você tem um comportamento EXTREMAMENTE agressivo'. Esse extremamente foi bem frisado por ela, me levando a pensar, já sozinho minutos depois, se eu possuo mesmo um gênio extremamente agressivo.

Não interessou dizer, sinceramente, que nunca bati em ninguém, que nunca discuti em público por motivos importantes, que não uso drogas e que tento corrigir meus defeitos a cada dia. Tudo isso é verdade mas foi ignorado por uma pessoa que viu em mim um assassino em potencial, um psicopata reprimido por uma sociedade... peraí, se a tivesse mesmo influência no meu comportamento, seria para aumentar os meus níveis de stress, raiva, agressividade e intolerância aos diferentes, e não o contrário.

Tem mais. "Você é muito rígido para com as próprias atitudes e isso potencializa o seu gênio agressivo e impulsivo". Como alguém pode dar um diagnóstico desses ouvindo frases como 'para descansar, gosto de ler, de ver futebol e de escrever, ah, até tenho um blog'? Como alguém pode me dizer o que eu sou capaz de fazer se sequer sabe por quais valores prezo?

Sinceramente, fiquei irritado com isso, mas só depois que saí daquela conversa. Na hora tentei entender o que ela dizia e, agora, vejo que ela não disse nada com nada e fez uma avaliação precária e incorreta, baseada em riscos verticais do mesmo tamanho e pequenos adjetivos em frases curtas. Poderia ter mentido e dito coisas que encheriam aqueles ouvidos de ânimo. Talvez o diagnóstico fosse menos superficial.

Bom, paciência. Nem vou comentar o "você é incrivelmente emotivo e não sabe lidar com isso pois é muito inseguro e leviano em situações que exijam de você firmeza sentimental" logo após ter dito que eu me cobrava na faculdade muito mais do que os meus pais me cobram.
Essa é a grande prova de que a famosa frase dita por algum filósofo desocupado que diz que "Você é o que os outros vêem" não passa de algumas palavras que juntas dizem tanto nada quanto a frase "Ãhn, pode ser que sim, pode ser que não".

Ponto.

domingo, 31 de julho de 2011

Pedaços de um pensamento (21)


Não ter certeza de onde colocar as mãos, se na cabeça ou nos bolsos, não ajuda a entender. O que mesmo? Ah sim, aquilo. Poderia ser mais simples, algumas palavras e tudo resolvido: de volta ao que sempre foi. A possibilidade parece não existir. Isso dá motivos para colocar as mãos na cabeça, o que pode ser sinal de leve desespero. Se fosse pesado, os poucos cabelos seriam arrancados. No entanto, a falta aparente de possibilidade de resolução disso, ou melhor, daquilo, em pouco tempo, não deixa margem para uma atitude que não seja colocar as mãos nos bolsos afinal, querendo ou não, bicicleta para duas pessoas deve ser usada por duas pessoas para que a queda não seja inevitável.

Continua sem entender? Eu explico.

Dizem ser uma mania ou uma forma de chamar a atenção, aquela história de querer ser sincero. Sabe, eu só não falo mais coisas porque há um mundo de timidez e receio em mim. Bom, sinceramente, sou alguém que tem medo de algumas palavras negativas. Não condiz com a história da sinceridade, da franqueza e da tão desejada coragem. Talvez não seja medo, de verdade. Talvez seja insegurança, talvez o medo não seja de ouvir alguma coisa mas de não ter mais alguma coisa. É, medo de perder totalmente aquilo.

Como se a distância parece ter sido acrescentada por sabe-se lá quem, ou o que, esse medo de perder totalmente o contato, aquilo, induz mais uma vez a colocar as mãos na cabeça. De volta ao leve desespero. Tantas outras vezes isso aconteceu, em diferentes meios, mas em nenhuma delas houve preocupação, medo ou mesmo leve desespero como há hoje, e há algum tempo. Porque outras vezes não existia, de verdade e nem mesmo de mentira, o simples aquilo que me difere dos habitantes do mundo, frio e escuro, ao qual parecia pertencer tempos atrás.

Nada de entendimento, certo? Nenhuma compreensão, correto? Pois é.

Queria que alguém me dissesse, usando da sinceridade, o que pensa a respeito de tudo isso. Mesmo sem entender direito. O silêncio alheio me leva a colocar as mãos no bolso porque, no fim das palavras que não foram ditas, eu continuo imóvel e com algum comodismo por não ter sequer ideia do que fazer, ou dizer, para que aquilo seja, não só por mais algum tempo arrastado mas sim, sempre aquilo.

Algo que motiva, que dá razões para sorrir e sentir-me bem. O que me possibilita sonhar, sozinho ou não. E que me permite buscar algo maior não apenas por mim.

Pensando bem, preciso descobrir o que dizer, ou fazer, e isso não pode demorar muito.

Afinal de contas, é preciso ser corajoso para fugir dos medos e, não há medo maior para mim do que perder aquilo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Pedaços de um pensamento (17)


Alguma coisa ficou para trás e fez muita falta. Aquela história boba de maluquice e sinceridade andando juntas e complementando-se está sendo sentida há tempos. A monotonia e o marasmo da ponderabilidade desenvolvida e do excessivo cuidado para com os sentimentos ruins e o que a expressão dos mesmos poderia causar naqueles pelos quais passassem tais sentimentos através de palavras. Tudo muito bom, tudo muito bem, tudo um tanto errado. Ponderado, calmo, tolerante e imparcial sim, um poço profundo de mágoas que se revezam ao entrar no balde e puxar a corda para baixo não, isso não. Pelo menos não mais. É como se escrever duas frases e dizer algumas outras fizesse com que aquele adjetivo tão usado tempos atrás voltasse a ser predominante sobre tudo. Não que deixe de me importar, muito pelo contrário, se o fizesse poderia acabar mais só do que já estou. O ponto restabelecido é a atitude despreocupada com suas aparências. Agir sem pensar o que isso pode parecer ou o quanto podem ser mal interpretadas tais ações. Palavras que saíram e sairão com consciência do que podem causar porém, acima disso, por necessidade de dar mais um passo, e somente um de cada vez, rumo à parte da liberdade que tantas coisas ruins, palavras, imagens, sentimentos e lembranças, tiraram de mim.

O vento gelado que deixa pálido, e um tanto inflexível, meu rosto é o mesmo que tirou de mim o calor, a vontade e levou de mim um coração que nunca deixou de bater longe daqui. Não há tanta relação nisso, mas é sempre bonito escrever a palavra coração, com algum significado, em um texto que ninguém vai entender. Pelo menos assim vocês pensam que eu estou falando unicamente daquilo que me é estranho, que me causa estranheza e que, sem lógica alguma, motivou em partes essa pequena mudança de atitude.

domingo, 27 de março de 2011

Hoje atemporal


Cada segundo pensado jamais será perdido mesmo que venha a ser um nada o que hoje é sonho. Inconcebível ideia aos olhos alheios. Com exceção de um par, nenhum deles me é importante. Uma pequena fração de sonho, ou seja, de nada, é seguida e substituída por outra igualmente insignificante perante o todo imenso que no presente não passa de um livro imenso escondido nas últimas prateleiras da biblioteca. Ora, que função tem ele, mesmo grande e significativo, se está afastada e ninguém usufrui de sua existência? Mesmo que junte pó e fique lá por anos, algum dia alguém o encontrará e terá para si esse todo, um tudo muito particular, tão único e simples que descrição é singular e jamais plural.

Algum dia, alguém, quem sabe. O problema é que não é muito útil a um estudante de medicina ler livros para matemáticos, pois os livros foram escritos para matemáticos e não para futuros médicos. Nada impede que o leia, mas não foi escrito para si, não acrescentará muito em sua presença senão um ar de "tenho um conhecimento variado" porém inútil em minhas ações, em minhas razões.

Dessa analogia tem-se então que o livro, daquela analogia a um sonho procedido de um tudo unicamente pessoal, não é e certamente nunca será útil a outra pessoa se não àquela a quem foi criado, escrito, trazido à existência.

E escrever um novo livro não é viável então... ponto final.

"...one thing is always true..."

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Simples assim


*Palavras cujo significados somem frente ao som que emitem. A culpa é da boca que proclama um sentido ou do ouvido que seleciona o que lhe convém? Que culpa haveria de ter qualquer deles, boca ou ouvido? Diferença alguma faz quando o que importa é o que os olhos vem e o coração faz sentir. Detalhes tão pequenos, como significados e sons quaisquer, perdem sua quase insignificância para o que traz o frio da ansiedade e o calor de batidas fortes, porém inaudíveis. O sol brilha, reflete em dois pontos verdes. Que importância teria qualquer coisa que a razão viesse me dizer?  Nenhuma, pois deixei de ouvir no momento em que pude ver. Deixei de pensar quando voltei a sentir o que faz de mim alguém melhor.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Histórias de uma vida não vivida(31)


*Pensa-se viver o inferno quando não se está no céu. O meio termo desses dois imaginários possivelmente reais raramente vêm à mente de quem faz um raciocínio barato que alguns, mais arrogantes, dizem ser filosofia. Há dois passos do paraíso ou do inferno, vivemos esperando que o céu caia sobre a nossa cabeça, uma vez que insistimos em pensar que estamos no fundo do poço ou, quem sabe, a dois passos do inferno. Querem saber o que eu acho sobre céu e inferno? Sinceramente, não poder abrir os olhos e ver todas as criações do Amor seria quase como estar no inferno. O céu seria poder, além de ver, fazer de tudo que está ao alcance dos olhos uma maravilha na bênção que é essa história, a vida. Entre tudo isso, estou aqui. Sim, o meio termo entre céu e inferno é o mundo em que vivo. Quem sabe um dia...

Tentaria descrever o que está acontecendo porém, desculpem-me os curiosos, não sou filósofo. Tampouco poeta. Ainda estou tentando não ser apenas um idiota. Dito isso, os três tipos de descritores de tudo sem dizer nada, ou dizendo tudo errado, ao contrário ou fazendo de conta que dizem algo bonito, não se encaixam em mim, nessas fracas e, sim, impensadas palavras. Porque vejo que alguma parte de capítulo qualquer desse livro, que chamo de vida, foi descolorido quando comecei a parar para pensar. Que páginas ingratas aquelas que eram escritas no impulso da falta de pensar, deixando-se levar somente pelas batidas alucinadas de um coração ainda mais alucinado por intensidade. Onde estaria a ingratidão se não além de mim? A dois passos do inferno ficaram essas páginas, alguma coisa terrena as fez desbotar, descolorir, o que quer que tenha acontecido.

Escrevê-las, sem tinta ou ideia do que, foi tão automático quanto ficar parado, esperando o tempo passar, o relógio perder as pilhas e ligar para o dono do bar dizendo 'o cidê, cancela a gelada porque o relógio parou'. Um grande nada disfarçado de muita coisa que, pasmem, não diz nada, não serve para nada, não é nada. E nunca foi.

Queria ter alguma certeza em mente. Pensar faz bem, alimentar pensamentos não. Um maluco enlouquecendo não faz sentido. Ah sim, esqueci, o maluco muitas vezes parece ter ficado para trás, também no nome do blog. Hoje me sinto patético por ser, tantas e tantas vezes, tão racional quanto uma maçã no topo da árvore. Ela caiu na cabeça do Newton, que virou gênio reconhecido para sempre por isso. Ela não cai na minha cabeça, logo continuo de pé, pensando no que fazer sem ter a ajuda daquela maçã para identificar o blá blá blá mental. É patético, quero o meu irracional novamente.

Admitir que errei o julgamento do que mostrado a mim foi é uma boa opção. Está certo, fui enganado pela minha mente, melhor assim? Eu não vou gritar porque não quero acordar ninguém, está tarde, mas ouçam meus gritos por palavras minúsculas. Não sei quanto tempo consigo esperar. Por ver, por ouvir, por sentir. Sem razão alguma, por deixar sentir.

Eu sinto falta, mais do que da falta de razão, da possibilidade de visão, da capacidade de receber ondas sonoras suaves, do calor que um corpo figurativamente hipotérmico, existindo essa palavra ou não, tantas vezes fez derreter, trazendo novamente o sorriso de uma face que tanto pensou em nunca mais sorrir.

Espalhem-se, nas ondas do rádio ou nas letras tortas do jornal velho. Eu ordeno que vocês, palavras de razão, espalhem-se pelo mundo e só quando extremamente necessário, voltem até mim. Não quero que vocês me atrapalhem agora que decidi que, tantas palavras, erros e acertos depois, voltei a... tentar.

Tanto faz o que um par de olhos possa entender o que seja esse tentar. Talvez seja necessário perguntar antes coisa qualquer. Entretanto não vou tentar entender isso agora. Por que?

Estaria somente pensando.

*mesmo que responsável consciente por todas essas palavras, 
sinto sono e uma imensa, e muito coerente, saudade.
**Sinto que escrevi insanamente. 
Não importando agora o que isso significa.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A tortura do tempo


Uma tortura causada por um tempo que parece não passar. Nada definido, nada parece sequer inclinado. No exato meio, no ponto central, em cima do muro, no fundo do poço. Em comum a falta de tendência, nenhuma indicação de onde ir, para onde andar, também porque, no fundo desse poço, subir não é uma escolha possível. Fosse jogada uma corda eu subiria mas, quem a jogará? O tempo trará, com o vento do Espírito que vem dos céus, alguém, uma alma viva que faça viver. Enquanto isso a espera. No poço, no muro, no meio. Fechar os olhos e dormir é plausível porém há de se ter consciência de que o tempo pode passar muito além do que deve e a estadia no centro, no meio do nada e do tudo, vira eternidade. Eterno é o que o tempo não afeta, não muda. O eterno pode durar segundos ou um tempo que foge das mãos humanas, dos relógios de pulso e das previsões do jornal. O eterno é aquilo que volta toda vez que a luz brilha, que o calor é recebido pelo corpo cansado, que a palavra é ouvida pelo ouvido da solidão. Ouvida, lida, apenas sentida por uma intuição que, caramba, pode não passar de simples vontade criada, expectativa gerada, fala inacabada... Tempo, no poço, em cima do muro, no ponto central, tanto faz, é cruel, ainda mais com a dúvida, com o receio, agrava o passado e muda um futuro que só existirá quando o arrependimento bater.

*um passo foi dado mas não sinto alívio algum. 
Continuo no centro, pensando e esperando. 
Sentindo cada raio de sol, 
cada partícula de ar em movimento, 
vento. 
Lembrando de cada brilho que o piscar de olhos emana.

sábado, 27 de novembro de 2010

Um ponto em lugar qualquer


Por tanto tempo você disse. Escreveu. Tornou conhecidas tais palavras. Demonstrações claras e provas literais de um sentimento. Por tanto tempo recebi e guardei essas palavras. Com muitas dúvidas sim, mas tornava-as bobas e infundadas, pois você me convenceu sempre de que era sim, tudo verdade. Nem mesmo as fortes e concretas constatações de que tudo aquilo poderia ser mentira, que era muito duvidoso que tudo aquilo existisse em meio à essa perdida falta de fatos concretos e não apenas palavras. Fui levado por suas palavras, suas doces e agradáveis palavras. Sorri por muito tempo ao recebê-las. Hoje vejo quão mentirosas são. Verdades não existem em palavras que não são tornadas vida, realidade, verbos no infinitivo, gerúndio ou particípio. Nunca pedi uma prova clara, visível a esses rasos olhos humanos. Apenas pedi que fosse verdade. E você mentiu todas as vezes que confirmou ser verdade o que, hoje concluo não ser. Eu precisava das suas palavras e, admito, hoje continuo precisando, mas não posso mais conviver com elas sabendo quão mentirosas são. Mentiras em cima de falsas verdades, encobertas por um sorriso. Um grande e visível sorriso. Sua vontade era mentirosa. Suas palavras foram mentirosas. Seu sorriso... pelo que ainda há de verdade em você, que o seu sorriso não tenha sido mentira também.



*entristece, tira forças que não tenho por natureza.
Estranho, está sendo e será.
Eu cansei.
E, que se alguém tiver razão, 
que me perdoe por isso 
porém eu não correrei mais contra esse vento, 
tão distante.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Definitivo como tudo que não existe


Começo aqui. Com um resumo na desolação, mas que vai muito além de uma palavra que significa, dentre outras coisas, ruína. Quem sabe um dia virem ponto turístico, como tantas outras em diversos lugares do mundo. Só que ao invés de câmeras, os turistas trariam suas próprias desolações, traduzidas gramaticalmente para ruínas, e completariam todo esse vazio, essa ausência, essa minha falta de ser, de pensar, de sentir. Explicações no início são piores que justificativas no final. Elas tentam fazer com que sejam antevistas situações para, quem sabe, serem evitadas. É como dizer a uma criança 'não come doce antes do jantar'. Esqueçam. Também que vou explicar por que justificativas no final são ruins. Viaje sem sair do pensamento. E sem aditivos. Para onde você quer ir? Qualquer lugar é possível quando se pensa, quando se sonha. Você para de pensar, acorda e decide que já é hora de voltar a estudar, a ouvir música ou escrever. Onde você está mesmo? Ah sim, onde estava antes da viagem. Mais do que imagens, pré-vistas ou puramente imaginadas, você não tem. Mais do que um sonho você não tem. Não querendo desvalorizar sonhos, eles podem até ser motivacionais, porém eles não te tiram do lugar. Pensamentos não fazem você sair de onde está imediatamente. A ideia é fugir, é sumir, é viajar, se distanciar e começar algo novo, do seu jeito, a vida dos seus... sonhos. Acorda, o despertador tocou, você tem que lavar a louça, o cabelo, estudar e trabalhar. Parabéns, você não tem a vida que quer, mas tem sonhos incríveis, em lugares incríveis, com a pessoa dos seus... sonhos. Porém ela não está aí. Ela nunca estará aí. Não porque ela não exista, mas sim porque ela existe no seu sonho. Partindo de uma suposta existência dela na realidade, você sonha porque não a tem por perto. Porque a ama, ou quer amar, e mais nada. Porque quer  falar, transformar, criar, literalmente enlouquecer. Sonha e... sonha.

E termina. Começando para, no fim, acabar no aqui, no começo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

O vazio de viver e só


O vento lá fora faz barulhos semelhantes aos uivos dos lobos. Sei que a culpa não é dele, vento, pois não faz barulho, é discreto, solitário. Ah sim, aquela fresta da janela que não consigo fechar. Por sua causa ouço ruídos de alguém que não faz ruídos. As leis da Física podem explicar por que pequenas frestas geram tantos ruídos, não eu. Não vem ao caso. Decido parar de escutar essa barulheira do mudo vento e saio de casa. Caminho sozinho pelas ruas desertas da capital. Inacreditável mas real. Não por ser feriado, por alguma greve ou bobagem semelhante. Ninguém está presente na rua porque o vento, novamente ele, é forte, é consistente e, mesmo solitário, é decidido e voraz. Ninguém quer estragar o cabelo, a roupa, deixar que ciscos entrem em seus olhos, ninguém quer, exceto eu. Pouco importa a mim o que importa aos outros, meu corpo é apenas corpo. Pouco importa também que o vento leve o meu calor consigo, dissipando-o e esparramando-o até que não haja mais vestígio do calor que antes era meu. Insisto, pouco importa-me não ter mais o calor que meu próprio corpo, com o qual também pouco importo-me nesse momento, gerou. Quando percebi, havia levado além do meu calor, parte importante da minha felicidade, sem que eu pudesse vivê-la concretamente. Mas sei que o vento não tem culpa. Pouco importa a chuva iminente, o vento cada vez mais vigoroso, o cansaço cada vez maior. Pouco importa-me eu, no meu caminho inconstante, nos meus aprendizados inúteis, em mais uma tristeza velada e enterrada, em todas as lições reaprendidas seguidamente e sem necessidade. Sem importar-me com coisa alguma, luto contra o vento que nem sabe que existo, mas que levou parte de mim. Sem forças, luto contra mim, contra meu passado enterrado, contra mais uma dor que tira de mim o sorriso, a força, a vontade e, céus, a espontaneidade. Não sei por que o vento não leva, ao invés do meu calor, o meu coração, uma vez que não sei por que ainda o guardo.

domingo, 20 de junho de 2010

Uma enchente de loucura tomou conta de mim(mais uma vez)


Vivi horas dentro de minutos. Sim, pasmem, uma grande enchente de loucura* tomou conta de mim sem que eu percebesse. Não houve noção de tempo, de espaço, de direção ou sentido. Não haviam vetores estúpidos e inúteis. Havia apenas o que era preciso. O meu dia, um sábado nublado, quase chuvoso, tedioso e com cara de gripe. O meu sábado, triste, deprimente. O meu sábado, sem noção de qualquer coisa. O meu sábado, fantástico. Eu sei, não foi nada de mais. Sete quebrado antes que se somassem mais sete. O que também não importa, eu já nem sei mais contar. Lembrando do que não foi, paranoiando bobagens simples, coisas de criança. Fantasiando e identificando um eu que não era eu, que não estava em mim, que não fazia parte da minha vida. Preciso transpor a frase pós última vírgula para o presente, sem a negação. Porque faz sim, parte da minha vida, parte de mim. Incrivelmente, um grande enchente de loucura, insana, sincera e espontânea, tomou conta do ser humano impulsivo, verdadeiro e sentimental que existe em mim. Foi como se a vida fosse irreal, como se o céu caísse sobre a minha cabeça e eu não tirasse-o mais de lá, daqui. Insisto, foi tudo isso sem ser nada. Insignificância real que destoa dos acordes da bela e deleitosa canção que algo não canta, mas sim faz vibrar. Vibrações irreais que partem de uma realidade tão alternativa quanto supervalorizada. E é mais incrível porque no que seria o fim, um nunca surgiu do meio do nada. Quando pensei ter atravessado a ponte percebo que caí no desfiladeiro enorme e bati a cabeça no chão. Eu estava próximo do céu e voltei ao chão bruscamente. Quer saber, o céu caiu mesmo sobre a minha cabeça, ou estou morto, pois nem o nunca conseguiu tirar de mim esse... isso... enfim, o que sinto agora.

Ótimo, se alguém conhecer um psiquiatra, um padre ou um vivente disso que seja inteligente e que entenda plenamente o que sinto agora, me avise. Mas se não for padre, psiquiatra ou alguém que já passou por isso, não precisa nem chamar. Obrigado.


*O título e a frase surgiram aqui, sendo fundamentais hoje.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Incontáveis dias contados


Mais sete dias. Menos sete dias. Da ansiedade para o temor. O que teria acontecido? Nem uma palavra relacionada, nem um comentário perdido, dito sem dizer, ouvido sem intenção inicial. Nada. Em um imenso baú de dúvidas antigas, porém remodeladas e atualizadas para os dias de hoje. Mais sete dias e, literalmente, menos sete dias. De vida, vivida, ansiada e perdida. Eu não quero pensar que de sete em sete os dias passarão e eu continuarei aqui, esfregando poucas lembranças entre as mãos como se isso fosse transformar a minha ansiedade, o meu desejo, isto tudo em realidade, ou ao menos em visão. Um grande desânimo bate-me, fazendo-me sentir como se fosse um velho fraco que apanha de um jovem. Porém estou sozinho e nem ao menos sou velho. Do vento não apanho, com o corpo não movimento, com os olhos não vejo e com a mente apenas imagino. Dias e dias aqui, e perto daqui. Diretamente proporcional à distância em que tento encontrar o que me tira a concentração, o sorriso completo, a lembrança vivida e, claro, os sete dias a cada semana assim.

domingo, 13 de junho de 2010

Eu sei que você sabe. Eu sei que você lê.


Você sequer abre a boca e pronuncia as palavras. Você não fala comigo. Como pode então me propor um desafio? Quer que eu prove que aquilo que eu disse é verdade? Está bem, acabei de aceitar o desafio. Desafio positivo. Você não precisa dizer, consegui entender os gestos. Consegui assimilar a história. Você não precisa falar ou mostrar, eu ouço e vejo tudo o que preciso. Você é tão simples de se entender.

O cansaço me puxa para um repouso, quem sabe, tranquilo. A mente me puxa para... lugar algum. É sinal de que preciso dormir. O corpo, a mente, quem sabe até o coração. Eu, num todo, preciso de descanso, de algo que há tempos busco.

Não precisava propor. Não minto, sou sincero. E vou provar que é verdade. Ou ao menos tentarei, e muito. Porque eu quero isso. Quero esse desafio, essa nova proposta, esse vigor da luta e toda a conquista obtida como recompensa. Recompensa que não peço, mas sei que virá, de um jeito ou de outro.

Também não vou impor  condições. Sem regras, sem parágrafos únicos ou não. Você propôs, eu aceitei. Sim, está bem. Muito bem. Muito bom assim. E eu nem preciso saber tudo o que esse desafio envolve.

Quem sabe, no calor do momento, na espontaneidade do impulso eu tenha ou esteja precipitando alguma coisa. Quem sabe não deveria ser assim. Quem sabe? Você sabe. Isso é o suficiente para mim. Você sabe, e muito. Eu, nada. Nada sei e, se essa busca por saber, por conhecimento e vivência já me traz tanto, o que poderá vir quando, ao menos uma vírgula eu tiver de conhecimento?

Obrigado, de qualquer forma. Talvez eu não consiga, eu não vá longe. Mas não menti. Porque eu sinto a verdade, eu sinto essa verdade. Muito mais do que algum dia já senti outra verdade.

Entretanto preciso relembrar que eu também tenho vontades e desejos. Tenho sonhos e, quem sabe, algum sentimento todo diferente.

Está certo, você sabe do que eu estou falando. De quem estou falando.

Isso conforta meu cansaço, tira as dúvidas que estão sumidas e enterra de vez todo o passado que tanto me atrapalhava.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Estou onde não sei o que dizer


Tantos passaram e esse é que gerou o vazio mais lamentado. Entristece saber que passou o tempo que previ e continuo pensando longinquamente, distante demais dos olhos. E de algo mais. Lamúria, lamento, sei lá mais o que. Vento frio que entra e nada derruba, nada leva ao chão, nada traz ou leva. Ele apenas passa por mim, frio, seco, puramente passageiro. Em um corte desatento, a prova de que não está aqui o que aos quatro cantos desse lugar vazio grito estar. Um grande mentiroso, um completo idiota. Merecedor dessa vaga não preenchida, por quem quer que seja, pelo que quer que seja. As ameaças não surtem efeito, a sala continua vazia, com aquele vento irônico e frio que passa por mim e leva o meu calor, leva as minhas palavras, leva a minha vontade, leva o meu...

Não é o fim. Sempre digo, muitas vezes incoerente com a realidade que, passa o tempo, o vento e todo lamento, acaba sendo igual às minhas palavras, presente no todo que o sempre mente possuir, e real. Tanto quanto a razão de ser de frases escritas, jogadas para fora com raiva. De si, do muito possível e do nada concreto, do sempre mentiroso e nunca tão abrangente quanto parece e de pensamentos, planejados ou... sonhados.

Devo estar ficando maluco, louco, pirado, doido, insano. Há tempos não sentia tanto por isso.  E ainda penso estar acostumado. O problema é que, ao que isso e aquilo indicam, eu estou errado. O termo não é maluco. Nem doido. É...

É, por enquanto ele apenas é.

domingo, 6 de junho de 2010

Antes alguma coisa à você no chão


Escolha razões, motivos, lembranças e fatos. Faça isso enquanto bebe café com leite e bolachas de água e sal. Selecione o que eu já disse e comece a dar pesos diferentes para cada uma em cada ramo desse pensamento. Você define critérios, o que importa mais ou não importa, o que importa menos ou importa de verdade. Pensa, lembra, pede ajuda a alguém. E no fim, constata e...

Comete injustiça. Você fez um julgamento e jamais lembrará de tudo. O que há de injusto nisso? Você está bebendo café, então acorda de uma vez. Pensa bem, quais lembranças vêm primeiro à mente? Não são as lágrimas que contam mais? A raiva, o rancor e toda aquela porcaria que você insiste em guardar no seu seleto espaço de lembranças. Vai dizer que não lembrou das coisas ruins antes de lembrar das boas? Vai dizer que o mais pesado não foi colocado primeiro na balança? Vai lá, admite que eu estou certo ou se mostre um ou uma anormal.

Esperarei pelos anormais. Mas só porque aprendi a ser um.

Não por pesar primeiro as coisas boas, menos pesadas e depois as coisas ruins. Não. Anormal por deixar de lado julgamento de pessoas, ambientes com ou sem pessoas, e locais, com e sem pessoas. Anormal mesmo, daquelas coisas bizarras que você só vê em programas sensacionalistas de emissoras de televisão que são patrocinadas por sites de venda e novos produtos inúteis mas que vendem muito quando são lançados apenas por serem novidades inúteis.

Não é? Não, eu já disse, você está bebendo café, por que ainda não acordou? Eu não estava mais falando sobre os produtos de emissoras (ronc) que... ah sim, acordar para a vida. Vida? Vida não, café. Viu só o que você fez, boba. Você me faz perder o raciocínio. E tudo porque? Porque eu não tenho más lembranças de você. Nem de você nem de ninguém. E nada de 20 e poucos anos aqui, porque nenhum de nós os possui. Chega de carregar pesos em costas doloridas por cadeiras duras que escolas e universidades disponibilizam. Por si só é ruim, imagine quando você pensa e suas costas doem no pensamento. Imagine não, pense e sinta essa dor. Progressiva, silenciosa e que quando torna-se insustentável, você cai e chora arrependida por não ter pedido ajuda, por não ter sido ajudado(a) ou mesmo por não ter aceitado ajuda.

Deixa de lado essa rotina de achar que tudo pode-se em si, sendo que a origem da força é deixada de lado. Você não pode esquecer dessa força. Você não precisa carregar o peso dessas mágoas. Afinal, as mulheres não gostam que a balança indique muito peso, não é? E você também não precisa julgar ninguém, contar e medir pesos leves e pesados para então decidir que atitude tomar. Que tal fechar os olhos, já que o café não adiantou mesmo, e deixar que aquela força que você tanto deixa de lado te guie.

Essa força pode ser o amor. A amizade. A confiança. O reconhecimento pelo que já se recebeu. Pode ser Deus. No fim, é tudo farinha do mesmo saco. Ou café do mesmo bule.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Reflexões de um maluco(10)


A síndrome de perdedor é passado. Recente, próximo e por vezes presente através de lembranças ainda intensamente vivas. Porém é, sim, passado. Página virada de um livro que eu, olhando hoje para trás, não gostaria de ter escrito com as palavras que modelaram o talvez mais triste livro que eu, ou alguém, poderia escrever. Passado. Tão legal perceber que estou em uma constante indefinida, uma variável em módulo, ou seja, importa apenas o positivo, o para cima, o exponencial par. Ter recebido uma indireta desnecessária para facilitar a evolução demonstrada em frases curtas foi, no mínimo, interessante. Aconteceria de qualquer jeito, mas foi facilitado, e muito. Obrigado a você, pequena pessoa que tantos extremos racionais colocou na minha cabeça, indiretamente dando-me o direito de centralizar a responsabilidade por um jogo onde você era apenas reserva. Estranho, interessante, produtivo. Voltei e reescrevi uma página de um livro que foi fechado e guardado, sem publicação, embora esta fosse capaz de fazer sucesso. Quem sabe você venha a fazer parte da história continua, deixando de lado de uma vez por toda esses anexos que só servem para desviar a atenção do livro em si.

Com humildade digo que tive uma atitude grande, humilde de fato. Nunca duvidei ser capaz disso.Talvez tenha duvidado que você receberia aquelas minhas palavras. Um tanto quanto desconexas, provavelmente, mas sinceras. Legal, um nó a menos para desatar.

O bom é que a síndrome se foi. Hoje tive plena certeza disso.