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sexta-feira, 11 de março de 2016

Reflexões de um maluco (25)

Estávamos longe um do outro. Perto demais, contudo, para ter como impossível uma resposta afirmativa para aquela pergunta que, bem ou mal, toda relação - em algum momento - exige:

"E agora, o que seremos?"

Mesmo as amizades possuem momentos assim. Vejamos. Você conhece um sujeito, engraçado, começa a jogar futebol com ele, conversar sobre carros, sobre política, talvez até sobre religião mas, principalmente, sobre mulheres - quase todos os aspectos - e futebol (ou esportes em geral, se o sujeito for meio fresco ou torcedor do maior rival do seu time).

Chega, sempre, um momento em que a pergunta 'o que seremos, então?' fica implícita. Somente os idiotas não se dão conta disso. Você, se tiver o mínimo de bom senso, começa a refletir. Se o cara tem mentalidade comunista, se não gosta de futebol ou se tenta conquistar a mulher por quem você é apaixonado (vocês estavam esperando que eu dissesse algo do tipo 'se ele não gosta de mulher', né? Homofóbicos são vocês, caros indivíduos) é evidente que não se esforçará para responder à pergunta e, consequentemente, a estará respondendo com um singelo e sonoro (e, muitas vezes, inaudível) "nada". Não seremos nada porque somos incompatíveis.

Ou porque acho você um imbecil. Ou porque você, bem, você é um esquerdotonto fã do Sacomorto ou do Duviviê.

A questão, contudo, não são as amizades que dependem de gostos em comum, mas também de um reconhecimento de que 'vale à pena ser amigo deste homem'.

Eu, hoje, queria falar sobre as amizades entre homem e mulher. Ou melhor, entre mulher e homem (porque, convenhamos, se as mulheres falam mais numa relação é direito delas serem nomeadas primeiramente). Anos atrás saí de onde estava para passar alguns anos sabáticos em outro lugar. Os detalhes da minha vida não importam. Conheci uma menina, ou melhor, uma jovem - que hoje é uma mulher. Nos aproximamos de forma que começamos a nos encontrar com frequência regular. Frequência esta que era diária quando se tratava de conversa.

Pouco importa o meio, estávamos todos os dias sabendo o que acontecia um com o outro. Conhecíamos muito sobre a vida do outro e, evidentemente, chegou a hora em que foi inevitável - e, curiosamente, imperceptível - ter de responder ao 'e agora, o que seremos?'. Ambos solteiros, gostando um da companhia do outro, alimentando uma admiração recíproca e sincera... e nada.

Quando percebemos que era impossível sermos mais amigos do que já éramos e, ao mesmo tempo, que não havia certeza de que o certo a fazer era trocar o beijo na bochecha por beijo na boca, hesitamos. E aí foi o fim.

Começamos a ficar sem jeito um com o outro. A não conversar mais todos os dias. A não contar mais segredos, detalhes de nossas vidas. Tornamo-nos distantes porque fugimos da resposta que parecia ser a menos real - e que era a mais sensata: Hoje, não.

Respondendo desta forma, hoje, ainda estaríamos convivendo frequentemente, mantendo algo chamado amizade e podendo contar um com o outro para nossas dores, e para compartilhar nossas alegrias. Ignorando a necessária, e exigente, pergunta, acabamos por ignorar que não há como ultrapassar certo ponto em uma relação sem responder, ainda que não definitivamente, à pergunta. O 'hoje, não' nos possibilitaria manter a amizade até que chegasse um momento em que teríamos de nos fazer novamente esta pergunta ou um em que não precisaríamos mais fazê-lo. Poderíamos conhecer alguém que despertasse em nós paixão - coisa que nenhum dos dois foi capaz de despertar no outro, embora não esteja certo de que algum dia tentamos fazê-lo. Veríamos como reagiríamos a isto e... a amizade, ainda que diferente, estaria salva da hesitação covarde.

Não se pode fugir de perguntas definitivas. E o 'e agora, o que seremos?' é uma destas.

domingo, 10 de agosto de 2014

Reflexões de um maluco (24)



Tem sido tão raras as vezes que meus olhos conseguem ver que não sei mais quais reações, do tipo bola de neve jogada do alto de uma montanha coberta por... neve, ocorrem após isso. Isto. Aquilo. Enfim.

Não acho que seja triste. Também não posso dizer que é algo que traz felicidade, bom. A reação, a consequência da visão ainda é, e há muito tempo diga-se de passagem, bem entendida, compreendida, assimilada, definida. Definições faltam por não haver muitas certezas em meio a tantas dúvidas. A tragicômica mania de imaginar, com alguma relevância e nenhuma imprecisão ou impaciência, e, ao ver, perder qualquer definição, acaba sendo apenas mais uma lenha para um inverno caótico que tem sido os últimos milhões de segundos.

Também é preciso deixar claro que não existe. Como também é bom dizer que existe. Porque a dúvida do que há, ou não, torna tudo mais difícil. Do ver ao ouvir, do tocar ao sentir. Tudo é indefinição, tudo são dúvidas, tudo são lembranças. Felizes e tristes, não necessariamente nessa ordem.

Dia desses imaginei falar para algumas pessoas, de alguma forma, quão grandes haviam sido alguns dos erros e o que me tinham tirado, o que haviam destruído na vida daquele que os falava. Não sei quem eram as pessoas, não sei porque haveria de chegar ao ponto de lembrar algumas das minhas grandes falhas, e principalmente da maior. Não sei. Tudo são dúvidas, tudo é ausência de definição, tudo – ou quase tudo – é mera passagem de tempo.

Talvez, veja bem, talvez, essas dúvidas, sejam elas inúmeras ou apenas uma solitária dúvida que se apresenta de diversas formas por diversos motivos, só venham à tona com alguma frequência porque não há possibilidade de encontrar um ponto final para alguma parte.

É bem verdade que grandes erros geram pontos finais definitivos mas, ainda assim, e apesar de poder definir muito bem o que, por que e como ocorreram tais erros, não consigo encontrar a tal capacidade de lidar com isso como se fosse mero aprendizado.

Porque não acho que o seja. E talvez nunca ache.

Se a vida é outra, hoje, e se boa parte desses erros acarretou em coisas diferentes, tudo bem. Deus sabe o que faz, sabe como como conduzir, sabe que portas abrir e quais fechar. Entretanto, apesar de não pensar nos condicionais presentes – pois, caso o fizesse, necessitaria de um manicômio exclusivo – seria bom conseguir olhar para trás e ver um ponto definitivo.

Talvez, e mais uma vez talvez, com algo que não fosse o nada constante com um raríssimo e quase instantâneo tudo, houvesse muito mais tranquilidade para lidar com as lembranças que vem e, claro, com o presente que há. Dentre todas as diferenças entre o tudo, o nada, o se e o que de fato há, a maior está na própria existência em si. E a única coisa real é o que há.

Mas, se o que não se vê também é real, como acredito que seja, o conflito é bem mais complicado, as dúvidas são muito maiores.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Reflexões de um maluco (23)

A vida, por si só, é uma grande ironia.

Você sabe quando começou, mais ou menos. Sabe de onde veio. Sabe se foi ou não planejada a sua vinda - ou, ao menos, esperada. E sabe que tudo na vida tem um começo. O problema, então, passa a ser o final, e aí é que, antes dele, faz-se presente a ironia. Você não sabe quando é. Como será. Se verá ou não e, se tiver olhos ou tato para isso, como será. Talvez não seja tão claro mas você sabe do princípio com certeza, mesmo que não lembre de nada. E não sabe nada sobre quando tudo isso terminará. O meio do caminho, a vida em si - que é tudo entre a concepção e o último batimento cardíaco - é uma ironia por consequência de seu início e fim um tanto imaginativos.

E quase nada racionais.

Durante a existência há inúmeras possibilidades e elas só aumentam quando escolhas são feitas. São muitas palavras para pouco dizer, muita história para pouco personagem e, entretanto, algo continua aqui. Sem muita semelhança com o que chamamos de vida mas, ainda assim, cheio de ironias que para alguns são doces e para outros são amargas. Insisto em dizer sem dizer, em escrever sem significar porque não existem muitas coisas com ironias tão claras quanto textos que dizem muito sem dizer nada.

É como, bom, deixa pra lá. Os exemplos não deixam clara a ironia, apenas a confusão ou falta de qualquer coisa - ou melhor, de tudo.

Por fim, até que enfim, irônico, além da vida vivida - e daquela imaginada - há um balaio de situações que não fazem sentido. Como, por exemplo, tentar entender o que existe ou acontece e, e alguma forma, ver uma explicação vencendo uma loteria mas no cartão de apostas de outra pessoa. Ninguém mandou riscar os números e não apostar. Tampouco houve alguém que quis ganhar sem jogar. Das impossibilidades surgem certezas e essas são jogadas diante dos olhos como se significassem tudo, porque acabam significando mesmo tudo, ao passo que pareciam ser apenas um mero detalhe, casual, inútil e desconfortável.

Como sentar no concreto e ver alguém marcando o gol que você deveria marcar, comemorando uma vitória que deveria ser sua e, principalmente, dando a entender que a culpa de que tudo isso, que deveria ser seu, ocorra diante dos seus olhos mas na vida de outra pessoa.

Irônico como ver uma dondoca passeando com seu poodle cuidado com shampoo importado mas amarrado em um fio de luz.

Apaguem as luzes, o piloto está com enjoo.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Reflexões de um maluco (22)

Há tantos por aí que falam em mudar 'o sistema político', 'o sistema econômico', 'a Igreja' mas não tem bom senso, e principalmente humildade, para reconhecerem que eles mesmos precisam mudar, precisam crescer, precisam ver além das sua opiniões egoístas ou influenciadas por mídia, ideologias de séculos passados, movimentos radicais pró-nada ou filósofos de banheiro. O problema não está em falar, está no que se fala. Divulgar informações erradas por interesse de uma causa - cujas lideranças nunca aparecem - não é exprimir uma opinião, é ser apenas massa de modelar nas mãos de 'alguns'. O uso errado da 'liberdade' só reafirma a impressão de que poucos sabem o seu real sentido, que poucos a conhecem de fato. Que poucos entendem a sua importância.

Enquanto não aprenderem a pensar com a própria cabeça, partindo de estudo, reflexão e pensamentos com fundamento, lógica e senso moral, todos os gritos por mudança nisso ou naquilo perderão o valor. E, vejam bem, não estou citando movimento algum. Escrevi num dos primeiros dias das 'marchas' que era preciso ser justiça, ser verdade, ser amor, ser respeito e ser honestidade para exigir de alguém - inclusive de políticos e afins - o mesmo. Para poder ensinar, no futuro, as próximas gerações e provocar uma mudança social sem a necessidade de quebrar vidraças e queimar containeres.

Quantos reconhecem os próprios erros e toleram os erros alheios? Pensando a nível pessoal, sem extrapolar a fronteira do eu. Quantos tem humildade para reconhecer que falaram sem saber, julgaram sem conhecer, exigiram algo que não estava de acordo com suas atitudes, quantos? Você, reconhece?

Seria bom refletir um pouco sobre a própria vida, sobre quem se é e quem se quer ser, antes de engajar-se em um ideal que exige mudanças sem querer mudar. As transformações do 'eu' são muito importantes e podem levar a profundas mudanças em muitos "eu's". Mas mudar por nada é permanecer a mesma coisa, o mesmo eu, sempre. E mudança que não leva à Verdade, à justiça, ao Amor e à própria essência não é, de fato, importante. Não adianta mudar as palavras, propagando paz e igualdade se o coração insiste em alimentar ódio e intolerância. Gritar e exigir ser ouvido mas sem querer ouvir. Hipocrisia social que não tolera pensamentos diferentes. Gritos de 'estado laico' vindos de pessoas que não respeitam religiões. Não faz sentido.

Para terminar, você investiria 1 real se soubesse que, após 10 dias, ganharia 5 mil reais? Investiria, certo? Além disso, você investiria esse mesmo 1 real se, além de ganhar 5 mil reais de volta, proporcionasse o bem estar de pessoas de todo o mundo, melhorando a sua imagem lá fora? Claro que sim, não é? Então, se você consegue entender esse raciocínio e tem bom senso para fazer uma analogia, pare de reclamar da Jornada Mundial da Juventude sob o pretexto que 'o estado é laico e não deve dar um dinheiro para religião alguma'. Uma parte do dinheiro arrecadado pelos comerciantes com alimentação, transporte, serviços, lembrancinhas e afins, vai, através dos impostos, para o governo que está proporcionando condições adequadas para receber turistas de todos os cantos do Brasil e do mundo. Reclamar disso é ser hipócrita e dizer não para o 'investimento de 1 real que dá retorno de 5 mil reais'. E nesse caso, além de hipocrisia é ignorância.

Quer criticar, ok, você é livre para isso mas antes de criticar apenas porque as 'ideologias do século 17' mandam você fazer, pense bem. Tenha humildade para reconhecer todos os benefícios que o evento trará. Mesmo que você não esteja inserido no mesmo. O governo ganha, comerciantes ganham, a cidade ganha em reputação(porque turista bem tratado volta para casa e faz propaganda para os outros), a juventude que vai participar (e não a que vai fazer protestos desrespeitosos) vai ganhar de diversas formas.

E, acreditando ou não em Deus, se alguém próximo a você estiver lá, certamente rezará por você. Achando isso importante ou não, considere e agradeça. Nem que seja como forma de respeito pelo que esse alguém acredita, e vive.

Não quero comentários. Mas é um direito seu fazê-lo porém, por favor, se for para falar bobagem, não fale.

Obrigado pela atenção.

Desejo a todos coragem para viver a Verdade. Coragem para ser verdade.

Coragem para permitir que a Cruz seja nossa Luz.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Reflexões de um maluco (21) - Eu, eles, eu



Difícil dizer alguma coisa sobre.

Não sei, ao certo, o que é isso, mas não consigo deixar de pensar que é, no mínimo, estranho. E diferente. E espontâneo.

Depois de um longo tempo, há algo em mim que surge sem passar pelos filtros mentais – quando esses conseguem superar as limitações físicas e psicológicas e agir contra o que está por vir – e leva a palavras, escolhas, tempos e outros detalhes que tem feito alguma diferença, positiva, em um mundinho particular e não muito bonito.

Toda indiferença existente ainda faz-se presente, inegável. Inevitável, ainda, falar sobre o orgulho que tira a tranquilidade e permite que ações contrárias estejam tendo consequências com alguma facilidade. Não que alguém veja o que acontece mas, sem dúvida, não é e jamais será esse o problema. Enquanto estiver ciente de que a fraqueza é fruto de um orgulho enraizado, de uma arrogância estúpida e da falta de algo mais concreto por si para prender-me a uma distância segura dessa coisa toda, nada do que o mundo veja, ou possa ver, faz alguma diferença. E a indiferença está, então, para com tudo o que de bom pode ser visto, inevitavelmente ofuscado, intencionalmente – embora pareça inconsciente e de natureza presa à essência – pelo receio de que seja uma hipocrisia pública e não somente privada.

Egoísmo é, também, não colocar nada disso para longe de mim. No fim, o respeito que tenho por aqueles que fazem parte do mundo particular – externo – é maior e talvez justifique tais parcelas curtas e definitivas de egoísmo.

Como um todo, estão tentando lutar – sem razões, justificativas ou explicações – para derrubar tudo o que possa haver de contrário. Ditadura das minorias, dos preconceitos e imposição de egos inflados e nem um pouco justos e verdadeiros. É isso que acontece lá fora, com a maioria que se diz ‘diferente’ mas que, no fundo, não passa de cópias piratas de jogos que há tempos não vendem mais nada por não condizer com o dito gosto popular.

Enquanto querem acabar com o que está, em suas visões, errado do lado de fora, estou tentando desfazer-me de um orgulho seco e degradante, óbvio que presente do lado interno. Qual a diferença entre eu e eles? O senso crítico. O meu aponta para mim, o deles... bom, não existe.

Não quero tirar o foco das minhas limitações, a minha guerra particular. Só não quero parecer egocêntrico e não citar algo impessoal. E isso, no entanto, não ameniza nem faz sorrir.

A origem do espontâneo, citado muitas palavras atrás, entretanto faz. E dá motivos para continuar com essa guerra, por assim dizer.

Em nenhum outro tempo, nem nos de maior espontaneidade e impulsividade, acreditei que valesse tanto à pena. Não tinha consciência do quanto isso poderia transformar. Antes era mais fácil, havia inocência, insanidade pura, sinceridade crua e um tanto de loucura por querer sem saber o que fazer.

Agora, porém, há consciência quanto a tudo que isso pode vir a ser. Ainda mais quando o pouco que já existe consegue fazer tanto. Além disso, a dificuldade obriga um maior cuidado, uma sinceridade plena – mas honesta e carinhosa – e, por incrível que pareça, doses de insanidade leves, quase imperceptíveis, mas ainda assim, um tanto insanas.

E divertidas.

Por fim, é por isso que consigo ver um final para a indiferença. Distante mas, ainda assim, um final.

domingo, 11 de novembro de 2012

Reflexões de um maluco (20) - O cansaço das críticas


Talvez já tenha escrito isso porém, como não sou capaz de lembrar sequer do que estava vestindo hoje, tenho o direito, meramente, moral de reescrever. Com outras palavras.

Ou talvez sejam as mesmas.

Às vezes fico um tanto incomodado com algumas coisas que ouço. Sobre eu mesmo.

Parece, quase sempre, e é, geralmente, uma crítica indireta, disfarçada de 'construtiva' e que, por alguns momentos, parece mera hipocrisia. Vejamos.

Eu ouço sobre meus erros, meus defeitos, minhas limitações e blá blá blá. É visível grande parte desses erros, defeitos, limitações e blá blá. É muito visível porque, afinal de contas, a sinceridade também mostra aquilo que é ruim - em alguns casos, é apenas isso que se tem, logo, apenas isso é visto. Então, passa a ficar claro que grande parte das críticas não construtivas é, em si, mera banalidade pois o que é dito provavelmente já foi dito antes. E muitas vezes antes, aliás.

Logo, tornasse desnecessário uma vez que, antes mesmo de ouvir, aponto o que há de errado e problemático em mim. Não é desvalorizar opiniões ou desmerecer pessoas próximas que querem ajudar - algumas querem mesmo. É apenas questão de repetição desnecessária. Ou você gostava de ouvir sua mãe dizendo 'desliga esse computador' a cada cinco minutos? Uma hora aquilo ficava tão banal que nem irritação trazia mais.

Então, entenderam o que eu quis dizer? Né, fácil.

Fico, ultimamente tem sido constante, irritado por perceber que somente aquilo que é meu e, portanto, de mais ninguém, entra na mesa de debate. Eu tenho de reconhecer o que há de errado e ruim comigo e ainda ouvir dos outros o que pensam a respeito. Sobre meus erros e ruindades. Legal isso, não é? Então. Parece que sou a única pessoa com defeitos. Com limitações.

Não tento revidar, por assim dizer, apontando o que vejo naqueles que vem falar sobre mim. Não vejo muito sentido nisso, a não ser que isso seja um pedido. Jamais critiquei alguém ou pisei em um machucado propositalmente. E não o faria por qualquer motivo. Isso é covardia.

E fede à hipocrisia.

Porque é como se eu nada tivesse a melhorar e, portanto, pudesse 'tentar melhorar' outras pessoas. Infantil é pouco, essa atitude é pré-mirim. E cansa. E irrita. E tudo isso tem de ser contornado por uma tolerância que em dias de insônia não existe. Lá se vai o esforço para compreender as pessoas e tentar entender o porquê de dizerem isso ou aquilo.

Alguns são mesmo pessoas boas que querem ajudar. Outros, a maioria, não.

Continuo com meus defeitos entretanto, ao contrário do que querem fazer parecer, luto contra eles diariamente e não me conformo com qualquer um dos mesmos. É difícil entender por que sempre apontar para o que eu posso melhorar e nunca comentar sobre si. É difícil ter paciência para ouvir sempre o 'você é isso e aquilo' sem ouvir um 'mas entendo que faz isso por tal motivo uma vez que tenho tal problema que acarreta em tal blá blá blá'.

Entenderam, também, não é?

Talvez sejam pessoas ruins. Talvez sejam apenas hipócritas. Talvez sejam invejosos - haha, a possibilidade é quase nula, mas existe :P . Talvez queiram me ajudar. Talvez não conseguem falar algo sem criticar. Talvez eu seja uma grande porcaria, também.

Ou talvez seja, apenas, muito mais visível em mim esses defeitos, uma vez que vivo a sinceridade de maneira intensa.

Incerteza inútil.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ecos da sinceridade - Para com você e minha mente


O desejo é fazer estalar em você a mesma vontade que há em mim. Não o faço porque ainda sou incapaz de atingir o meio termo entre o subjetivo indireto e a sinceridade absoluta, a forma mais clara de palavras diretas. Também continuo responsável apenas pela parte que é, por direito, minha, porque, como acabei de escrever, é a única parte a qual tenho direito sobre as ações e, consequentemente, sobre as palavras. Entendo ser fruto de paranoia - e antes que seja levada adiante, não a esclarecerei - o que insiste em colocar negações atemporais, geralmente absolutas, em uma possibilidade que, em suma, nunca foi cogitada com seriedade - exceto no meu maior domínio: a minha mente.

Dizer a alguém o que fazer, estando de alguma forma ligado a situação, é um erro que a grande maioria comete. Torna-se falsa a intenção das ações e das palavras porque, no fundo, sabe-se que é para a realização da própria vontade - mesmo que não seja uma questão de vida ou morte, ou de futuro conjunto, em si - e então, por consequência, chegamos ao egoísmo. Entender que o que se sente, ou a mera vontade de buscar conhecimento mútuo, é uma verdade em potencial não justifica, em hipótese alguma, agir em benefício próprio com a desculpa de estar auxiliando ao outro.

O exemplo mais claro que vem à mente, e que pode muito bem tornar claro o que muito provavelmente ainda não está, é o seguinte:

"Um rapaz vive sua vida estando apaixonado por uma moça. Eles se conhecem desde pequenos porém, em algum ponto, ela apaixona-se e casa com outro rapaz. Anos depois o rapaz ainda a ama, porém respeita a decisão da amada, embora não se conforme com o fato de conhecê-la por anos e "perdê-la" para alguém que a conhece a muito menos tempo. Algum dia o esposo da moça sofre um acidente e morre. O primeiro rapaz da história então se aproxima ainda mais da moça, agora viúva, buscando consolá-la de todas as formas."

Esquecendo a dramaticidade, que faz esse trecho parecer de um filme hollywoodiano, e focando no que interessa, até que ponto a intenção dele por trazer conforto a ela faz parte da solidariedade e da essência de amor ao próximo? Naturalmente, em algum momento, irá usar de algum artifício para tentar fazê-la esquecer de vez o falecido esposo e então, conclui-se, começar uma vida nova ao lado de outra pessoa. Ele quer ser essa outra pessoa, sempre quis, e por mais que seja verdadeiro o seu amor, não justifica usá-lo como desculpa para tentar afastá-la rapidamente da dor e do sofrimento pelo falecimento.

Há um limite entre a sinceridade do gesto e o benefício próprio. Desconsiderando também, agora, qualquer outra regra moral implícita em nossas mentes, é óbvio que o melhor para quem perde uma pessoa é, o quanto antes, deixar de viver em função da perda. Entretanto isso também não justifica a possível - e quase sempre subsequente - intenção de começar um novo envolvimento. Tudo parece pesar a favor, eles se conheceram sempre, ele a ama e está claro, ao menos hipoteticamente, de que quer vê-la feliz só que...

Podem me chamar de chato, implicante e tudo mais porém não vejo razão para mudar de opinião. Não justifica. Como nenhuma ajuda é justificável quando feita, em primeiro lugar, para um benefício qualquer próprio. É como se você fosse a algum lugar sabendo que irá receber uma recompensa. Você, sabendo que não receberia recompensa alguma, iria mesmo assim a esse lugar? Esquecendo dos condicionais favoráveis - e contrários - duvido que iria, a não ser que a intenção de ir ao lugar fosse espontânea, desinteressada e, principalmente, incondicional.

Há muito não demonstro insatisfação indireta com alguém e, há mais tempo ainda, não justifico qualquer atitude minha por vontades, desejos e sentimentos próprios. Nada do que parte de mim justifica ou exige que algo deva partir de outra pessoa em minha direção. Além do egoísmo pela busca de algo a receber há a arrogância de colocar-se como centro de algo, sem justificativas coerentes e verdadeiras.

A verdade, quando vinda apenas de um lado, nunca justifica a verdade que parte, da mesma maneira, de, no mínimo, dois lugares diferentes.

Com o tempo se aprende isso. Embora nem todos tenham humildade para admitir.

*tenho consciência que seria muito criticado 
se alguma pessoa lesse os meus textos 
e nada do que escrevi tem a intenção de 
provocar qualquer atitude, em quem quer que seja.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Reflexões de um maluco (19)



A sensações, imagens de um passado sem dono e imaginações desviadas são mais do que suficientes para criar uma barreira quase intransponível que separa o ser humano de si próprio. O desvio de um foco - qualquer que seja ele - é o contra objetivo. Não há sequer uma razão emocional que justifique a não aceitação daquilo que é momento, de intensidade absurda e incontrolável - ou quase. Entre todo o pensar, a impressão de que a sensação, o momento e a vontade - quando desejada - acabam tornando-se uma verdade justificável por si só é plausível - e passa a ser aceitada por qualquer mente que não consegue aceitar que há muito mais tempo do que vida.

Assimilar, e nada sequer o mínimo distante disso, que as escolhas levam para um lugar muitas vezes sem volta, é admitir para si mesmo de que cada passo dado influencia muito mais do que no próprio momento de vivência iminente. Os grandes erros da história surgiram, possivelmente, em momentos em que o ego assumiu o controle, deixando à razão tudo aquilo que é habitual e jogando - com um grande teor de hipocrisia moralista - a culpa naquilo que é sentimento, que é emoção.

Justificar escolhas por desejos sentidos e, ironicamente, sinceros não convém àqueles que desejam muito mais do que o momento, a sensação, o agora. Quem puder reconhecer em seu passado momentos chave em que escolhas mal feitas foram, salvo raras exceções, ponto de partida para grandes e dolorosos sentimentos - mesmo que somente após muito tempo. A definição não serve apenas para apresentações ou conversas entre pessoas que possuem algum interesse, mútuo, em conhecer ao outro.

Saber, palavra por palavra, quem se é, o que se faz e aquilo que se tem por convicção e ideal torna-se justificativa verdadeira para escolhas que parecem erradas, para mentiras disfarçadas de verdades e sonhos fantasiados por desejo ou pela, não menos errada, escolha de momento.

Assim como sensações não justificam erros que vão contra a verdade própria da pessoa, sentimentos, por mais sinceros que possam ser, não justificam ações e opções que afastem a razão, ou a própria emoção, do corpo ou coloque entre as duas uma linha imaginária intransponível. Pelo que sinto, sensação ou sentimento, não posso justificar - e aqui alguém haverá de criticar e discordar - qualquer escolha que vá contra o que tenho como verdade, por mais sincero que seja.

Não sei dizer, agora, se existem meios erros porém, se existirem, algum alívio tomará conta de mim. De resto, a certeza de que continuo não fazendo parte de um mundinho o qual sempre critiquei - mundo que é maioria na sociedade e que não compreende que a verdade, em todos os seus valores, é a grande chave para a verdadeira felicidade.

A sinceridade, em mim, ganhou credibilidade pois lembrou-me, no momento crítico, quem sou. Nenhuma palavra saiu, nada mesmo foi dito. Para aqueles que pensam que sinceridade é apenas falar o que pensa, saber disso é um tanto confuso. Não importa.

Sei que fiz a escolha certa. O problema é, também, saber que, embora tenha acertado, também tenha errado.

sábado, 10 de setembro de 2011

Reflexões de um maluco (18)


Não quero que as situações sejam mais simples ou mais fáceis. Quero apenas que as situações sejam.

É bem fácil entender como acontece. Definir como montanha russa é precarizar, e até omitir, as consequências. Ao contrário da montanha russa - sobe, desce e, a menos que um idiota não tenha consertado uma parte estragada em potencial, nada acontece com a estrutura, nada acontece com os passageiros, exceto o medo, a adrenalina e a tola sensação de 'bah, é uma coisa indescritível', que não passa de bobagem - o efeito não estudado, sem nome ou definição, de um dia a dia com hifens obscuros pode trazer consigo efeitos catastróficos em algum ponto específico - ou na parte pelo todo, como gostam os poetas. 

Fácil é entristecer quem está alegre, derrubar quem está de pé e fazer cair quem nunca caiu. A semelhança dessas falsas diferenças com o efeito do dia a dia, seja ele 'culpa' do que chamam de 'a vida', 'o mundo', 'o tempo', 'a sociedade' ou - aquele que é mais patético - 'o universo', bem, essa semelhança é, como posso dizer sem parecer um anormal..., uma quase igualdade.

Aí você lê uma, duas ou três vezes e não entende o que está acontecendo, sobre o que estou escrevendo ou mesmo o que se sente quando se anda em uma montanha russa. Tudo bem, não precisa de nada disso agora.
Talvez agora sim.

A exaustão que uma rotina preenchida quase que por completo é um catalisador - ou seja, um agente que acelera algum efeito - para essa sensação de 'sobe e desce' do dia a dia. Esse 'bum' - como gostam de mencionar os psicólogos - psicológico(!) pelo qual passam 'os jovens' também acelera esses efeitos de alegria e tristeza quase misturadas, felicidade e decepção, lamentação e êxtase.

Mas o problema não é a 'fase', nem é 'coisa da idade' ou alguma coisa semelhante. O tal 'universo' que conspira contra todos aqueles que pensam na vida como um todo, e não apenas ao redor do próprio umbigo, bem esse 'universo' - para os que acreditam nele como causador da realidade - joga para baixo tudo o que está em cima, começa a subir e tem potencial para ser estrela, e não apenas faísca de bombril.

Se alguém tem um intelecto tão perturbado quanto o meu pode perguntar(mentalmente e nos comentários): Por que esse sujeito não é mais óbvio? Por que ele não tem capacidade?

Aí eu olho para você e respondo(mentalmente e quem sabe em um futuro "texto"): Capacidade de ser objetivo eu tenho, só não vejo moral em escrever duas frases quando posso escrever trinta e duas vezes treze.

É claro que eu poderia dizer que, seja 'a vida', 'o mundo' ou 'o universo' tem a incrível capacidade de trazer qualquer sensação ou sentimento ruim, como raiva, tristeza, decepção, mágoa ou afins, após - e não apenas após - momentos de espontâneos sorrisos e olhos fechados por lembranças boas. Se consegue(sempre) entristecer quem está feliz, por que não fazer o contrário e alegrar quem está deprimido?

Bife sem batata frita, um cônjuge amar pelos dois, segredo de duas pessoas guardado apenas por uma, e por aí vai. Falta uma metade, falta um pedaço, falta a outra parte, o complemento, o que junto faz ter sentido. Se derruba, como a lei da gravidade, que levante, como... um pai que joga o filho para cima dos ombros e o segura lá até que este tenha se cansado.

Cadê a outra metade do dia a dia? Será que isso acontece porque não coloco mais hifens? Ou é porque penso nessa 'existência'(?) que ela 'existe'(??) mesmo? Por que não existe uma 'gravidade' do 'universo' que empurre o que está no fundo, para cima, e faça com o que está caído levante?

Chega, antes que a criança canse dos ombros do pai e o texto perca todo o sentido.

*Eu não estou de mal com a vida, mau humorado ou quase no nível de 'espicaçar os rins'. Não estou sequer reclamando da 'vida', do 'mundo' ou do patético 'universo'. Apenas precisei escrever para demonstrar que tenho a leve impressão que os meus esporádicos, e isolados, momentos de felicidade estão sendo perseguidos, caçados, ameaçados e, sempre, arrebentados por alguma coisa, à qual a maioria dá o nome de 'a vida', 'o mundo' ou ainda 'o universo'.
Talvez seja só impressão. A sensação de esquecimento alheio e algo mais seja apenas uma semente para mais uma grande dose(quase inesgotável) de crescimento(improdutivo).

domingo, 28 de agosto de 2011

Reflexões de um maluco (17)


Mantendo o ritmo egoísta de escrever que dá a impressão de que o centro do meu mundo é o meu umbigo, continuo naquela toada de analisar fatos do meu cotidiano de uma maneira, talvez, bem racional. O que não faz diferença alguma, antes de mais anda.

Se fosse atender aos meus instintos mais profundos, escreveria um texto todo em letras maiúsculas, direcionado a uma pessoa específica que, como quase todas as pessoas do mundo, não irá lê-lo. Não é só por isso que não escrevo com agressividade e impulsividade sensacionalista. Tampouco quero provar que a pessoa estava errada ou que não passa de, mais uma, que não possui nada além de vermes inúteis na cabeça.

Expondo sarcasticamente algumas opções, o ocorrido que me leva a escrever teve acontecimento ontem pela manhã. Cedo. Com sono por aquela, e tantas outras manhãs seguidas de períodos curtos de descanso, não avaliei bem as consequências da sinceridade que estou tentando colocar ao limite máximo da possibilidade dentro do meu dia a dia( que, segundo o corretor do google, não possui mais hifens entre si).

Não há arrependimento pelo resultado final em si, embora esse não seja satisfatório, o que mais incomodou nessa relação sinceridade x escolhas foram as palavras ditas por aquela pessoa. Geralmente, psicólogos sabem do que estão falando, avaliam em vias gerais determinados comportamentos e conseguem explicar, com um tanto de verdade, as razões para tudo aquilo.

Porém, não foi o que aconteceu ontem, comigo.

Aquela psicóloga malemal ouviu sobre mim, sobre a minha vida, o que penso, o que sinto e o que me leva a separar o joio do trigo dia pós dia. Uma frase sobre o meu passado e pronto, já fui considerado incapaz de lidar com algumas situações. Dizer que reprimo minha raiva e controlo meus impulsos foi transformado em um 'você tem um comportamento EXTREMAMENTE agressivo'. Esse extremamente foi bem frisado por ela, me levando a pensar, já sozinho minutos depois, se eu possuo mesmo um gênio extremamente agressivo.

Não interessou dizer, sinceramente, que nunca bati em ninguém, que nunca discuti em público por motivos importantes, que não uso drogas e que tento corrigir meus defeitos a cada dia. Tudo isso é verdade mas foi ignorado por uma pessoa que viu em mim um assassino em potencial, um psicopata reprimido por uma sociedade... peraí, se a tivesse mesmo influência no meu comportamento, seria para aumentar os meus níveis de stress, raiva, agressividade e intolerância aos diferentes, e não o contrário.

Tem mais. "Você é muito rígido para com as próprias atitudes e isso potencializa o seu gênio agressivo e impulsivo". Como alguém pode dar um diagnóstico desses ouvindo frases como 'para descansar, gosto de ler, de ver futebol e de escrever, ah, até tenho um blog'? Como alguém pode me dizer o que eu sou capaz de fazer se sequer sabe por quais valores prezo?

Sinceramente, fiquei irritado com isso, mas só depois que saí daquela conversa. Na hora tentei entender o que ela dizia e, agora, vejo que ela não disse nada com nada e fez uma avaliação precária e incorreta, baseada em riscos verticais do mesmo tamanho e pequenos adjetivos em frases curtas. Poderia ter mentido e dito coisas que encheriam aqueles ouvidos de ânimo. Talvez o diagnóstico fosse menos superficial.

Bom, paciência. Nem vou comentar o "você é incrivelmente emotivo e não sabe lidar com isso pois é muito inseguro e leviano em situações que exijam de você firmeza sentimental" logo após ter dito que eu me cobrava na faculdade muito mais do que os meus pais me cobram.
Essa é a grande prova de que a famosa frase dita por algum filósofo desocupado que diz que "Você é o que os outros vêem" não passa de algumas palavras que juntas dizem tanto nada quanto a frase "Ãhn, pode ser que sim, pode ser que não".

Ponto.