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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Crônica de uma política do cão


O debate na televisão mostra que os políticos não querem mais mostrar alguma qualidade. Pelo contrário, querem mostrar o máximo de defeitos possível. Do rival na disputa, óbvio. A hipocrisia é tanta que trocam acusações de coisas que, sabem eles e todos que param para pensar, nenhum têm relação direta. Passados que não são seus, histórias, erros e fracassos que não são seus. É como se eles fossem uma senhora de idade, com cabelos cor de neve, que passeia com seu cachorro pela praça. Se ela recolher as porcarias que o seu cão fez no pátio público, terá feito o suficiente. Muito mais do que muitos fazem. Coisa que muitos não fazem. Recolher a sujeira do seu cachorro na praça é o mínimo que se pode fazer. Porém, pode até custar, mas não seria ruim se essa senhora recolhesse a sujeira do cachorro feio do gordo que se arrasta bebendo cerveja. Faria por si? Não, faria por todos que ali passam. Por que fazer? Ela já está recolhendo sujeira, uma a mais, uma a menos, tanto faz, certo? Então por que balde ou caixa d’água os políticos não fazem o mesmo? Ao invés de recolher a sujeira do outro, fazendo então um bem para toda, eu disse TODA a nação, resolvem acusar o oponente que apenas conhece o gordo dono do cachorro feio. Quem caminha na praça sabe quão difícil é que alguém recolha a sujeira que não é sua, assuma o erro que não é seu ou pelo menos tente compensar ou corrigir os erros dos outros. O pior é que só é tão difícil porque é muito mais fácil apontar para o outro e dizer que ele não fez nada. Que ele olhou e não criticou o gordo. Que ele não ajuntou a sujeira do outro. Ninguém quer ser a senhora boazinha de cabelos cor de neve. Ninguém. E tudo por que? Porque é mais fácil ser o idiota que aponta o dedo para outro idiota que não corrigiu o erro do gordo beberrão, pelo bem de todos.

Então imaginem quando o filho de um dos dois idiotas pisar na sujeira que nem o gordo, nem a velhinha(que a essa altura já deve estar sentada, lamentando a discussão boba dos dois idiotas) nem os dois idiotas recolheram. Imaginem!

Eu não quero estar por perto. Porque, do jeito que vai, eu é que vou ter que limpar o sapato da criança, já que seus pais, iludidos com uma discussão inútil, não terão tempo para fazê-lo.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Voltar ao lugar de onde nunca saiu. Caiu.


Quem consegue explicar um fogo que surge sem faísca, sem combustível e até sem oxigênio? 

Quem consegue explicar um vulcão em erupção cuja lava nada destrói?

Um atacante que gol algum marca?

E uma raiva que nada finaliza?

Torrar, tostar, fritar, queimar, jogar ao chão, destruir a matéria por si, só, e muito só.

A vontade é de pegar qualquer coisa e jogar na frente, ou para dentro, tanto faz. 

Destruir de uma vez. Entretanto, destruir o que, tudo está...estava remendado.

A vontade é dormir e acordar alguns meses, ou ao menos semanas depois.

Hibernar, como ursos polares. Polares? Bi, quem sabe. Polares, não sexuais, mentes poluídas.

Idiotas são os ursos se, vejam bem, SE acham que sua comida vai ficar pronta por conta, que os caçadores não estão mais atrás de si e que o aquecimento global faz parte de uma teoria da conspiração que irá destruir a raça humana em 2012. 

Acho que confundi as teorias conspiratórias.

Como idiotas são todos esses alienados estúpidos, viventes de mundos de puro sonho imaginário e desnecessário.

Tão desnecessário quanto a rima a cima. E essa agora, vinda por hora. Ridículo.

Como são ridículos aqueles... aqueles lá, alienados, alucinados, chapados ou não, doentes não, apenas alienados alucinados.

Preferem viver felizes em mundos pessoais, onde a felicidade reina.

Idiotas.

Isso não é viver. É imaginar. A vida, aquela que acontece, a realidade, os dias, horas e tudo mais, aquela vida, coisa de gente triste e sofredora, vai passando.

Não. Não. E não. Quer mais um? Então não.

Sem essa de aproveite a vida, cada momento como se blá blá blá. E mais blá blá para cá, para lá, aqui e acolá. 

Porque do lado de cá, aqui, ali ou lá, alguma coisa aconteceu para que algo como começo do texto trouxesse abaixo algo que eu já havia guardado.

Malditos fabricantes de guarda-roupas. Malditos marceneiros. Malditos infelizes que não sabem fazer um cadeado decente.

Só não é maldita a natureza. E apenas nela não irá respingar essa coisa que alguns chamam de ira, outros de fúria, outros mais idiotas chamarão de ciúme, a minoria talvez chame de transtorno mental ou coisa semelhante, mas eu chamo apenas de raiva.

Desses alienados, de mim, dos marceneiros, de vulcões que existem apenas em sonho e daquele maldito copo d'água que está quase sempre meio vazio. Por falta de água, ou de alguma coisa menos importante para a vida, porém mais importante para mim.

Espero um dia conseguir segurar nesse copo durante o acaso que impede o sempre da metade vazia.

Vazio, de certa forma oco. Comido por traças e cupins se fosse de madeira. Copo idiota.

Ei, guarda-roupas são feitos de madeira.

Abracadabra pé de cabrito, soco de Muhammad Ali... Culpa dos cupins!

Não importa. Porque hoje eu quero xingar os marceneiros.

Porque esses também são alienados.





*ninguém sabe o que tem acontecido comigo.
Prefiro que seja assim.
Só não venham com conselhos,
o texto não foi escrito para isso.  
Uma série de perdas sem equilíbrio com ganhos quase nulos. 
Mas eu já sei que aqueles que algum dia 
disseram que faria sentido 
não passam de bobos. 
Ou como está no texto, alienados.

sábado, 1 de maio de 2010

Retratos de uma sociedade patética(8)


Hoje será sobre a permanência em perspectivas fadadas ao fracasso. Perspectivas falidas de um sucesso inexistente, no passado, no presente e no futuro. Perspectivas bobas, motivadas por aparências tão passageiras quanto uma nota de cem reais na mão de um pobre. Suposições e desejos de hoje que jamais serão hoje.

E tudo isso pela objetividade que transforma um sistema interno de entendimento de mundo em um sistema mais falido do que o comunismo ou, como queiram, tão fracassado quanto. Objetividade que reduz tempo e pode até ajudar em algum momento, mas não resolve perspectiva alguma, muito menos quando se está por baixo achando que poderia estar por cima, tudo por uma condicional tolamente... objetiva.

Disso e daquilo vêm o que eu quero tanto dizer, mesmo que ninguém entenda vírgula alguma. Porque ao invés de jogar-se de uma ver em um poço, com ou sem água, fica-se sentado na beira, esperando que alguém empurre para baixo aquilo que já deveria estar lá, tendo em vista que quanto antes se chega ao fundo, quanto antes se cai, antes pode-se voltar, levantar, enfim, sair do tal do poço.

A perspectiva de estar na beira do poço e achar que está tudo bem é tão tola quanto um ateu que abre os olhos e ainda nega uma Existência inegável. Você está na beira do poço e acha bom, mas não percebe que, estando na beira dele, está pior do que se já estivesse no fundo do mesmo, pois do fundo não se cai, mas da beira sim. Comentar sobre a espera pelo empurrão para uma mudança é cair em um lugar comum de palavras já ditas, repetidas e cansativas em outros dias.

Se joguem de uma vez e acabem com essas perspectivas ilusórias. Vocês na beira do poço fingem que não estão, mesmo estando. Enganam-se e julgam-se inteligentes ainda. Pensem com menos objetividade e quem sabe vocês entendam que, na real, já estão lá no fundo, chorando no meio da própria água.

Quem sabe assim vocês, eles ou aquela menina lá, passem a dar valor ao que ouvem daqueles que desistiram do objetivo há tempos. Abram os olhos para a mente, e não para a beira do poço, achando que ela é o vosso trono.

Cansa vê-los assim, iludidos em suas próprias luzes que não brilham, nem aqui e muito menos em algum outro lugar do universo, nessa ou em outra dimensão.

domingo, 18 de abril de 2010

No fundo do poço. Ou do prato.


Hoje, durante o meu singelo almoço, senti pena do arroz. É, do arroz. Aquele grão branco que é comido aos montes em vários almoços, de várias pessoas, com vários acompanhamentos. E é visto de muitos que o arroz, com raras exceções, nunca é prato principal. Ou é a feijoada, ou é a carne, a massa, o purê e até a salada(!). Tudo isso fica à frente do arroz no prato. Não que você coma o arroz por último ou não goste de arroz. Mas a preferência no prato é da outra comida. O arroz é acompanhante, secundário. Entende?

Por isso tenho pena do arroz. Porque ele é apenas acompanhamento. É apenas complemento. É secundário. É deixado de lado nos restaurantes, perdendo de colherada para lasanhas, massas e afins. Insisto, até para as saladas o arroz perde. Até delas o arroz é coadjuvante. E você aí acha que o arroz gosta de ser assim? Gosta de ser deixado de lado até mesmo para saladas? Você acha que o arroz não gostaria de um lugar melhor para ver os noivos entrando nos carros após o casamento, um lugar que não fosse um chão sujo? Você não acha que o arroz é digno de pena? Se não, então acabe por aqui, insensível!

O arroz é assim como o cara que vende amendoim em estádio. Se é que existem ainda os vendedores de amendoim. O arroz e o vendedor de amendoim são dois coitados. Alguém está com fome. Ele passa e vai vender, mas a pessoa diz 'ah, deixa pra depois, o vendedor de cachorro quente vem aí'. Mundo injusto, mundo cruel. E o vendedor de amendoim continua carregando o peso totalitário de sua carga de amendoins, salgados e doces, pois nada vende. 

Ninguém quer amendoim. 

E assim o vendedor de amendoim sofre. Porque o povo prefere cachorro quente, com sua salsicha incrementada com maionese e ketchup. Prefere algodão doce, pipoca, picolé, enfim, qualquer coisa que não seja amendoim. O amendoim e seu triste e sofredor vendedor sempre são preteridos. E após o jogo ele ainda espera que alguém vá e ao menos compre um saquinho, para comemorar ou como prêmio de consolação pela derrota. Mas não. E o vendedor volta para casa, triste, desolado, e com um fardo pesado de amendoins nas costas.

E o que dizer então dos dias em que chove um pouco, sai o sol por pouco tempo, fica nublado, depois o sol reaparece e então chove mais um pouco. Não necessariamente nessa ordem. Esses dias também são dignos de pena. Porque as pessoas gostam de dias ensolarados. Ou até de dias chuvosos. Não de meio termo. Não dos dois dias em um mesmo dia. Dias assim recebem a frase 'esse é um dia para ser esquecido' de tantas e tantas pessoas. Coitado. Ele não tem culpa. O dia não tem culpa de ser assim. Porque não pode chover ou sair sol em todos os lugares. Mas ainda assim ele é colocado como dia ruim, péssimo, e daí para baixo. Sempre preterido, jamais preferido. Mais um coitado.

Não quero nem pensar no que acontecerá o dia em que, em um dia desses citados acima, nublado com sol e chuva alternando momentos, um vendedor de amendoim chegar em casa e comer um prato apenas com arroz.

Não, eu não quero pensar.

*um texto real e literal, com muita subjetividade implícita. 
Um desabafo tão distante de raiva que talvez nem chegue a ser um desabafo. 
Enfim, uma crítica social e muito mais 
em um texto que aos olhos normais é bobo, besta, ou até coisa pior.
Talvez uma crônica. E apenas talvez.

domingo, 4 de abril de 2010

Quem gritará primeiro?


Os fracos não possuem força alguma, por isso são chamados de fracos. Não há como fazer alguma coisa, sequer gritar. Suas vidas ficam apenas nos seus imaginários, de maneira que ninguém há de saber como acontecem essas vidas. Esqueçam, os fracos não irão gritar.

Os hipócritas não possuem personalidade, caráter, verdade. Não fazem nada por si, movem-se para que os outros não façam por eles, ou para que ninguém faça nada por nada, nem ao menos por si mesmos. Os hipócritas são miseráveis, adaptam-se às suas ambições. Mas eles, por conveniência ou simples arrogância, também não irão gritar.

Os fortes não possuem discernimento para entender que não são apenas eles que precisam de suas forças. Os fortes podem confundir superação com vanglória, vontade com comodidade, personalidade correta com alter ego. E muitas vezes guardam para si essa força, achando que apenas seus exemplos de resistência a situações adversas serve. Os fortes não vão gritar.

Os arrogantes e egocêntricos não possuem olhos, ouvidos e tato externos. E se os possuem, não usam, vivendo assim em uma bolha forrada por espelhos. Eles, arrogantes e egocêntricos, não fazem nada por ninguém, pois seus mundos são muito mais importantes. Cada um por si e Deus por cada um deles. Contradizem-se por também não fazer nada por si, deixando que suas frases sejam apenas da boca para fora. Eles também não irão gritar.

Aqueles que possuem fé, católicos, protestantes ou judeus, não devem possuir a devida raiva para um grito forte e estridente, uma vez que os ensinamentos de amor a Deus e ao próximo eliminam a raiva, um sentimento que pode ser sincero, mas não é puro. Orando para que Deus os ajude, esquecem-se de abrir os olhos e sentir essa força que tanto pedem, deixando de fazer, de buscar, de lutar. Aqueles que possuem fé também não irão gritar.

Os conservadores não gostam de mudanças. Logo, aceitam a situação e tudo que ela possui de maneira calma e racional. Abafam os esforços dos radicais ou mesmo daqueles que querem pequenas mudanças, apenas para manter seus status de conservadores no poder, na situação favorável ao comando, político, social, religioso ou simplesmente vivencial. Os conservadores, e tampouco os radicais - cheios de pressa e desorganizados, mesmo que com boas intenções - também não irão gritar.

Os racionais não possuem muitos sentimentos. E quando os possuem, são cheios de dúvidas, deixados em segundo plano, sempre atrás da razão, da 'sempre correta' razão. Os racionais pensam e concluem que não existem muitas possibilidades, sendo que essa minoria improvável está cheia de contras, enfraquecendo-se por si. Então concluo que os racionais também não irão gritar.

Os injustiçados não possuem mais vontade para reagir. Ouvem gritos, acusações, palavras cheias de raiva, mágoa e ódio. Muitas vezes não tentam ou não conseguem se defender. Mas quando tentam, é em vão, pois há muito sentimento ruim indo contra si, ou há ao menos a cegueira e a surdez de pessoas que normalmente não agiriam de má fé, prejudicando o entendimento. Os injustiçados perdem suas forças, por isso, também não irão gritar.

Os idiotas não sabem nem ao menos o que está acontecendo. 'Quem é gay?' ou 'O que aconteceu com o Faustão?' perguntariam eles. Alienados, burros, idiotas. Pessoas que acham que a vida é um pão e circo interminável, com prazeres a toda hora e em todo lugar. Pessoas que não prezam por nada, a não ser por um churrasco na lage, o pagode e a novela das 8 - que começa às 9, piorando ainda mais a situação. Nem precisava ter dito mais nada, pois todos sabem que os idiotas também não irão gritar.

Os inteligentes não querem errar. Não querem pensar no impossível, nem ao menos no improvável. Os inteligentes conhecem a situação, sabem que as mudanças nunca terão boas consequências, e não querem fazer parte de mais esse fracasso. Eles são inteligentes, com ar de superior e uma boa quantidade de racionalidade, sem mantém afastados do que é provável que não dê certo. Confundem o aprender com a moral para ensinar. Esquecem de aprender, perdendo essa possível moral. Então, os inteligentes não irão gritar.

Quem sabe 90% da população se encaixe aqui. Não pelos adjetivos em si, pois todos eles resumem-se em apenas um: cômodas. Pessoas cômodas, desleixadas, preguiçosas.

Esqueçam o geral. A sociedade, o mundo. Se as pessoas fossem um pouco mais inconformadas nas suas próprias vidas, dificilmente teríamos generalizações tão grandes.

E essa eterna necessidade de que alguém grite para que outra pessoa, quem sabe, acorde. De que alguém fale para que outra pessoa escute(para quem sabe assimilar). De que alguém machuque para que outra pessoa sinta dor. Ou mesmo de que alguém viva, para que outra pessoa queira viver também.

Tente gritar enquanto estiver só. 

Você poderá acordar a si mesmo.


*coloque a tag #escutebeatlesesejafeliz no twitter, 
e ajude o @tosco_tosco

segunda-feira, 22 de março de 2010

Sem frase alguma por uma vírgula. Ou nem isso


Cada vez mais as pessoas me mostram grandes contradições. Querem algo mas não fazem esforço para consegui-lo. Sonham com algo mas não tiram a mão do queixo nem quando ela fica dormente. Não dão risada com medo de serem chamados de bobos alegres.

E assim para-se no tempo. Contradiz-se a vontade pela falta dela. Estranho. Engraçado. À beira de coisa pior. Pois criticam tudo e todos mas, quando recebem uma vírgula de comentário, que não precisa ser algo além de um simples comentário, largam tudo, vontades, pretensões, intensões, mudam caminhos, rotas e sentem-se incapazes de realizar muita coisa, se não tudo, a maioria do que queriam.

Uma coisa é depender de algo para prosseguir. A outra é fazer-se dependente de algo para prosseguir. E fazer-se dependente é fazer-se fraco, mostrar-se inepto ante um simples fio branco no meio de um cabelo black-power bem preto. É um nada que vira o mundo inteiro, com poder de decisão superior à própria pessoa. Se algo externo tem maior poder de decisão que o próprio vivente, não há sentido em continuar, certo? É mais fácil começar a andar sobre quatro patas, comer ossos e... pensando bem, um cachorro tem um nível bom de decisão. Ele decide o que quer fazer, quando pode fazê-lo.

E há algum momento em que eu não posso decidir sobre a minha própria vida? Eu não sou escravo, não tenho dono algum, não há contrato que me obrigue a fazer o que eu não quero fazer.(sem piadas sobre trabalho, por favor).

É tão simples. É só continuar. Mas alguém disse que você leu mal e você não lê mais. Alguém fez alguma coisa errada no grupo então você não participa mais dele porque há um mau exemplo. Alguém erra e o mundo é o culpado, vai atrás de um mundo onde as pessoas não erram. 

Gosto de utopias, acho a impossibilidade delas um tanto quanto fascinante, mas essas utopias, de achar que você nunca vai receber uma crítica, uma sugestão, um comentário que vai contra o que você pensa ou mesmo alguém fazer algo que você julga ser errado, essas e tantas outras utopias são patéticas. Porque não existe possibilidade nesse caso, isso é busca por perfeição, em situações ou pessoas. Busca inútil por perfeição inexistente.

Deixam de lado caminhos corretos para seguir outros, muito diferentes, apenas porque alguém disse algo. Porque alguém deu um mau exemplo. Os elogios e os bons exemplos logo são esquecidos, são preteridos pelo ruim, que talvez nem tenha sido tão ruim. Ou nem precisam de alguém. Julgam-se incapazes, distantes demais de sonhos, vontades e desejos. E pela distância, pela dificuldade, ao invés de motivação, deixam-se levar pelo medo, o receio, a preguiça e provam assim, atando suas mãos para a sua própria vida, que não queriam aquilo de verdade. Da boca para fora, assim como políticos mentirosos.

Chega de olhar a escuridão. Quem sabe você abre os olhos e vai ver que uma luz fantástica brilha e ilumina teu caminho. Chega de lamúria e de lamento. O caminho é teu, ninguém tem o poder de mudar ele. As influências você escolhe, mas para onde você vai é escolha própria, a não ser que você seja um grande... vai qualquer termo... um grande banana. É irritante quando alguém pode mas hesita seguir em frente pelos mais diversos, e bobos, motivos.

Você não escreve o texto porque disseram que você usa muitas vírgulas. Você não canta porque alguém disse que outra pessoa canta melhor. Você não sai de casa porque disseram que você se vestiu mal no sábado. Você olha para o espelho e acha que seus dentes não estão tão brancos quanto os das suas amigas, então decide ficar em casa comendo pipoca e alisando os pêlos do gato. Você acha que todos estão errados e ainda assim deixa de lado o que você acha que é certo, ou diz achar certo, de verdade. E ainda julgam-se corretas, colocando mágoas e decepções passadas, dores, lágrimas e sofrimentos de tempos atrás como boas razões. E sofrem ainda mais, maltratando seus corações, seus bons sentimentos.

É engraçado, é estranho, mas é triste e decepcionante ver tantas pessoas com potencial de liderar, continuando bonitas e corretas histórias, deixando isso de lado por acharem que é difícil, por deixarem-se ir ao chão pelos tantos motivos ruins que existem. Pessoas que poderiam construir histórias grandiosas, mas que não conseguem sequer escrever a sua própria história, pois vivem com medo. Do mundo, das pessoas, da dificuldade.

Medo do que dizem, do que fazem, do que podem dizer e fazer. Medo de perdoar, de amar, de sonhar. Medo de lutar por esses amores e sonhos. Medo de fazer o diferente, o certo.

Essas pessoas têm medo de viver. Medo de si mesmas.

E isso é muito, muito triste.


*sem comentários do tipo 'a gente tem que fazer o que quer fazer' ou 'não dá pra dar bola para que os outros falam, cada um tem que viver a sua vida' ou 'as pessoas são diferentes' ou 'a gente tem que ir atrás dos nossos sonhos' ou algo motivacional do tipo 'tem que pensar positivo e achar que vai dar certo'. Sério, não quero comentários que qualquer pessoa poderia fazer, a intenção do texto não é trazer à tona essa rotina besta de frases feitas que para mim são tão patéticas quanto coisas citadas no texto

quinta-feira, 4 de março de 2010

Retratos de uma sociedade patética (7)


Engraçado como hoje em dia a maioria busca mostrar-se diferente. Mostrar, aparentar, fazer de conta, ser visto como diferente, mesmo sabendo que não passa de uma cópia de tantas outras pessoas, de tantos outros erros, de tantas popularidades e superficialidades pré-existentes. O importante é parecer ser, não ser de fato. Porque aí você pode dizer 'prefiro ser diferente do que ser igual a todo mundo', mesmo não sendo nada, muitas vezes nem alguém.

Não vem ao caso isso, essa do ser diferente. Mas tem relação.

Buscam mostrar-se diferentes, para provarem ser únicos, enfim. Só que cometem um grande erro: generalizam. Porque em tais situações isso, tais pessoas aquilo, pessoas importantes aparecem em momentos importantes, as dificuldades são superadas e devemos aprender. Generalizações que, sendo assim, deixam de ter valor, passam a ser meras frases sem verdade, sem sinceridade, mesmo que com muita aparência.

Generaliza-se para não cometer injustiças, esquecendo de alguém, de alguma coisa. Mas esquecem-se eles que, generalizando, cometem uma injustiça maior. Transformam coisas de pouco ou nenhum valor em valores importantes, em pessoas fundamentais, em lições aprendidas, em problemas resolvidos. Generalizam por ser mais fácil, por ser aparentemente mais bonito aos olhos alheios, já que você deixa como incógnita o número de situações, pessoas, seja lá o que for, mencionadas.

E de palavras falsas surgem as atitudes falsas. Você passa a ajudar alguém com quem não gostaria de manter contato para não precisar fazer mais aquilo, afinal de contas, devemos ajudar as pessoas que precisam de ajuda, ou seja, com qualquer idiota que eu tenha ajudado, terei cumprido essa meta.

Depois disso, a hipocrisia aumenta. Porque não se cumpre mais meta alguma. Apenas fala-se sobre isso, aquilo, aquele. E a hipocrisia volta às palavras maior do que havia delas saído. Pega-se uma parte pelo todo com mais frequência e iguala-se tudo, o bom e o ruim, o útil e o fútil, o prazeroso e o cansativo, o importante e o desnecessário.

Até que algum dia alguém pergunte, com suposta grande cara de pau 'me dá um exemplo específico disso'. E o alguém haverá de rir, quando perceber que não há nada além de frases, não há nada além do falso pano da verdade.

É medo, receio, preguiça ou hipocrisia mesmo a causa dessa generalização toda. Eu não gosto de ser colocado como apenas mais um, tido como apenas mais um, qualquer que seja o lugar, a situação. Porque eu sei que posso fazer a diferença. Do mesmo modo, não igualo ninguém, para bem ou mal. Porque pessoas, e situações, são únicos, quando importantes.

Entretanto, já que insistem em banalizar as utopias em formas de palavras, mentindo para si mesmos, para todos os outros e igualando o bem e o mal, a verdade e a mentira, é preciso dizer que devemos perdoar as ofensas, ajudar os pobres, falar sempre a verdade, tratar todas as pessoas bem, sorrir sem motivo, aproveitar a vida, dizer àqueles que se ama o quão são importantes...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Frase do dia(ou da série 'frases apenas subjetivamente significativas)


Não importa se a casquinha do sorvete é de baunilha ou de chocolate.
O que importa é que você tenha onde colocar o sorvete.



*não quero que pensem que sou um monstro, que odeio o ser humano nas suas mais diversas formas ou que odeio e acho desnecessários e estúpidos os comentários que recebo. Não. Não acho isso, não quero que pensem que sou um monstro que apenas posso parecer ser. O texto abaixo foi um desabafo motivado por motivos que nada a ver tinham com ele. Gosto de demonstrações voluntariosas de ajuda, mesmo que a única consequência seja um sorriso. Não há muito sentido em muitas coisas que escrevo. Mesmo assim, obrigado a todos por tentarem entender o que muitas vezes não há possibilidade de entender, tamanhas confusão, indefinição e subjetividade.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

É só mais um desabafo alternativo


Toda lista feita, por maior que seja a quantidade de boas intenções contida nela, é errada. Porque toda lista limita demais o que é listado. As 10 músicas, os 10 lugares, as 10 pessoas, os 10 fatos do ano, os 10 dias mais importantes da história, os 10 gols mais bonitos e os 10 melhores times, dentre tantas outras. Muita limitação para pouca coisa. Porque listar é tentar resumir em vão. Sempre algo que mereceria estar lá fica de fora.

As minhas 10 músicas agora são 12, quase 13 e deveriam ser 50, no mínimo. Como posso deixar fora tanta música boa, tanta banda boa, tanto bom e velho rock'n roll fora da minha lista? Transpondo isso para cá, não farei como fiz ano passado ao listar os 10 melhores textos meus, na minha opinião. Também porque uma coisa é eu ter gostado e outra é eles terem sido bons.

E estamos no fim de um ano. Listas não faltam. As melhores e piores coisas, as melhores e piores pessoas, os melhores e piores livros, músicas, bandas, momentos, viagens, enfim, qualquer coisa que tenha mais de uma... coisa, diferente.

Sinceramente acho uma grande bobagem todas as listas de fim de ano. Assim como as listas de começo de ano. Não é a primeira vez que critico isso, mas é porque acho uma grande bobagem mesmo. Vou fazer isso, emagrecer aquilo, comer tal coisa, ir para tal lugar. Que saco. Tão saco quanto aquelas bobagens de cor, roupa, lugar e até comida no momento do início do ano novo. Tudo balela, bobagem para quem quer acreditar na sorte, no azar e nas estrelas, constelações e qualquer outra coisa que possa fazer por você o que você deveria mas não tem a mínima capacidade de fazer.

Sou um grande oposicionista de deixar que a 'sorte', coisa que para mim não existe, leve as pessoas a fazerem as mais patéticas e bobas coisas para que o ano que virá seja melhor. Que saco, mais uma vez. É só um dia, com dois números diferentes na datação. Só isso. Por que não se comemora o primeiro dia de cada vez então já que o importante é a mudança?

É bem provável que o problema esteja comigo. Em não acreditar no que todo mundo acredita, só porque para mim não faz sentido algum. Mas tudo bem. Sou burro, idiota, bobo, chato, teimoso por tantos outros motivos, ser chamado de tudo isso só por não gostar de listas(as quais só faço para mostrar meu gosto musical no orkut) e não acreditar em sorte e azar, não vai me afetar negativamente.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Não é bem assim(7)

Mais uma daquelas que merecem ser criticadas. E vamos logo a ela porque eu não estou muito paciente desde ontem.
Tudo no final dá certo. Se não deu certo, é porque ainda não chegou ao fim.

A começar pelo fato de que tudo não é tudo. Nem sempre é tudo. Em alguns casos, até geralmente, o tudo não é tudo. É querer dizer que meio copo é copo cheio. Na verdade é falta de vontade de quem serviu, mas tudo bem. Olha aí, o tudo novamente. Então tudo nunca vai ser tudo seguido do verbo dar, em qualquer tempo, e do... (ajetivo?) certo. Não adianta. Se tudo desse certo chegaríamos a uma forma de perfeição. Então esquece.
Se não deu certo deixa pra lá. Tenta novamente ou vai fazer outra coisa, como jogar bolinha de gude ou comer um pastel de camarão. Se não deu certo não vai ficar se lamentando por aí, como se fosse o fim do mundo. Ou, se vai ficar se lamentando, fique se lamentando direito. Não que nem emo, chorando e escrevendo frases depressivas em cadernos ou na testa. Fique se lamentando de maneira decente e aceitável, com frases curtas, não-depressivas. Seja deprimente, não depressivo.
Pra terminar, não chegou ao fim. Bom, o que é o fim? Quando é o fim? Como é o fim? Ninguém sabe. Então, sem mais bobagens.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Retratos de uma sociedade patética - e engraçada - (3)

Essa não é a pergunta que não quer calar mas é o título desse post. O fato é que hoje eu decidi escrever uma coisa bem tosca dessas para tentar chegar a alguma conclusão.

Não, o grupo citado no título não teve importância alguma no cenário mundial. Como aquele outro... o N'sync(valeu google por me lembrar desse nome) e tantos outros, o grupo citado no título não mudou em nada a história, seja da música ou do mundo. Não direi que é lixo musical porque estaria rebaixando ao nível do funk, embora não veja grande coisa nisso.

A questão toda não está em lembrar ou não. Talvez você nunca tenha ouvido esse nome, nunca tenha lido aquele outro e sequer sabia que isso existia. Nem eu lembrava até ler a lista dos primeiros lugares das paradas dos EUA. Me deparei e lembrei que minha irmã e minha prima eram fãs desses caras.

Como as Spice Girls também foram. Como Britney Spearce foi. Como RBD foi. Como Harry Potter foi. Como Beckham e Luxemburgo no Real Madri foram. Como High School Musical, Crepúsculo e Cristiano Ronaldo são. É toda aquela onda. É toda a atenção em cima deles. Topo das vendas, das paradas de sucesso ou nomes certos nas seleções de melhor do mundo(mesmo que só tivessem fama e não jogassem nada.

Não posso me esquecer de dizer. Como todos os caras que participam do Big Brother acabam sendo. Como todos os novos atores que surgem em novelas e fazem o papel superando expectativas são. Como todos os que passaram por alguma dificuldade e vencem tem seus ovos babados. Como tudo o que é momentâneo é.

Quem consegue e sabe guardar dinheiro consegue viver o resto de suas vidas no, talvez, anonimato sem se preocupar em trabalhar duro, como 95% da população tem que fazer, para viver. Quem não consegue acaba tentando voltar a ser o que nunca foi. Famoso. Sim, porque a verdadeira fama não é ganhar um apelido de fruta, conseguir alcançar o topo das paradas ou ganhar o prêmio de melhor do mundo. Tudo isso é passageiro. Se manter no topo é ser famoso. E são poucos os que conseguem se manter no topo.

Por que? Olha, pessoas que não tem nada e acabam ganhando muito de uma vez só, geralmente, não conseguem se manter lá em cima. Ficam tão vislumbrados que esquecem de onde saíram e quem estava com eles naqueles duros momentos. Ingratidão? Também. Ignorância? Não só. Egoísmo? Também. Mas, talvez acima de tudo está a ambição. Quem ganha um real não para por aí. Quer ganhar mais um, mesmo que arrisque perder o que já tem.

E acabam perdendo mesmo.

Todos somos passageiros no mundo. Na fama, poucos são. E esses poucos são a maioria daqueles endeusados e elevados a postos de reis por reles pessoas que buscam neles sair um pouco da triste e dura rotina da vida. Buscam neles, na minha opinião de maneira errada, a luz no fim de um túnel que nem sempre é tão longo.

É muita babação de ovo. Toda aquela onda. Toda aquela vendagem. Toda aquela exaltação de algo que nem é tão bom assim. Depois a maioria acaba se rendendo e rindo de si mesmo, se julgando idiota por ter achado que o Backstreet Boys fosse a melhor banda do mundo e Harry Potter o melhor livro.

No final, se contentam com qualquer bandinha de quinta que toque uma música animada, com o perna de pau que faz um gol lá de vez em quando, com "O Alienista" como livro favorito e com as mulheres que estão por perto ao invés da fruteira da Playboy.


*Hoje o Blog do Maluco completa dois anos de muita bobagem, muita sinceridade, muitas críticas, desabafos e claro, muita história sem noção e talvez até sem sentido algum. Mas é divertido fazer isso aqui. Queria que o Blog fosse mais do que é, mas enquanto eu me sentir bem e gostar de fazer ele, é a conta. Isso é o que me faz continuar... Parabéns ao blog!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Retratos de uma sociedade patética(2)

As pessoas fazem o que fazem e acham que ninguém vai descobrir. Que ninguém vai criticar. Que ninguém vai cobrar explicações e mudanças. As pessoas fazem coisas e as outras pessoas acabam aceitando isso pois, algum dia, também as fazem. Sabem aquela história de "pregar moral de cueca"? Então, é mais ou menos por aí. E nem quero falar de políticos corruptos. De policiais que favorecem o tráfico. De professores coniventes e satisfeitos com o nível de ensino no Brasil. De pais e mães que se deixam dominar por filhos que precisam de limites.

Quero reclamar daqueles que se calam. Tornam-se omissos. Hipócritas por fingirem que tudo está bem. A educação é uma merda? Então por quê aceitar que os mesmos políticos votem sempre as mesmas leis que apenas dão comida e dinheiro para pessoas vagabundas e alunos sem vontade? Por que aceitar isso? Por que sempre votar nas mesmas pessoas? Um erro não justifica o outro mesmo porém um erro leva a outro sim.

Encontramos pessoas omissas e hipócritas em todos os lados. Até na sua própria casa você pode estar convivendo com alguém conivente com algum tipo de sujeira moral, algum tipo de lixo que você tanto odeia e quer se ver afastado. Você não sabe de nada, não é mesmo? E se soubesse, faria o que? Nada. Aceitaria, afinal, é um familiar seu. Ou é um amigo seu.

Laços de amor, amizade ou laços forçados por cobranças de dívidas ou aqueles ridículos favores de "amigos". Tanto faz. Cada pessoa tem os seus motivos para esquecer o que é certo e fechar os olhos, tampar os ouvidos e colocar uma rolha na boca pra que nenhuma palavra mais seja dita. E não esqueça nunca de amarrar as mãos ao pé da cama, é mais seguro, não é?

Sociedade hipócrita. Sempre os mesmos idiotas. Sempre os mesmos erros. Sempre as mesmas desculpas. Sempre as mesmas porcarias feitas, ou não feitas. Sempre a mesma reclamação de gente que fecha a boca, os olhos e tapa os ouvidos para tentar viver melhor. Mas será que fingir que o mundo é uma maravilha não estaremos apenas escondendo de nós mesmos o inferno onde vivemos?

Não há como mudar os sistema, a sociedade, o mundo. Provavelmente você não vai conseguir mudar a sua própria vida depois de ler esse texto(embora eu não creia que alguém tenha vontade de fazer isso após ler o que escrevo agora). Até porque, não há como se isolar desse maldito mundo. Dessas malditas pessoas que podem até visitar os doentes, mas com o propósito de esconder da sociedade, e do seu nariz, que não passam de traficantes de droga ou chefes de gangues que praticam assaltos à mão armada.

Filme, ficção? Nem um pouco. Achar que a máfia é coisa do passado é a mesma coisa que dizer que jogador de futebol não é formador de opinião. Por mais que sejam idiotas, por mais que sejam analfabetos funcionais, eles bebem e fumam, falam bobagens e provam que você pode ser rico, famoso e querido por todas as pessoas(diga-se aqui vagabundas chamadas de maria-chuteira, que só querem engravidar para ganhar dinheiro) mesmo sendo um simples idiota. Nem todos são assim? Não são mesmo. Porque são as exceções que ainda mantêm o mundo. Sim, a coisa pode ser pior.

Quanto mais as bocas se calam, os olhos se fecham e as mãos se atam, quanto mais ignoramos o nosso vizinho em troca de um pacote de bala e quanto mais pensamos que a vida é uma maravilha, mais estaremos sendo merecedores de um lugar sagrado na puta que pariu do inferno. Que talvez não seja aquele inferno que fica embaixo da terra, onde o diabo tem um tridente e espeta os malfeitores. Não. Nem precisa ser isso. Acho que o grande inferno pelo qual as pessoas passam é o inferno moral. Você saber que é apenas mais um na sociedade é horrível.Já passei por isso e sei como é.

É só um grito. Um inútil grito. Que o vento levará e transformará em pó com o tempo. É só um grito. Por mais sincero que seja, por mais necessário que seja ouvido, é só um grito. Ninguém ouvirá esse grito. Porque os ouvidos foram tapados. Ou seja, não adianta gritar. Mas podem ter tapado os ouvidos, cercado e tornado inaudível aquele grito. Nada o fará calar. Nunca.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Esse é o meu mundo

Acho que se não escrevi perdi tempo. Mas se escrevi, fiz bem.

A questão dessa frase acima são os blogs. A tal blogosfera de um modo geral. Que coisa mais louca. Que coisa mais diversificada. Enfim, que coisa mais legal.

É claro que sempre há os idiotas que passam nos blogs dos outros, não lêem o texto, comentam apenas por comentar, para receber uma visita em troca. Há sempre também os que não se sentem capazes(talvez porque, por fazer o que fazem, não sejam capazes mesmo) de escrever um texto, tirar uma foto e fazer algo diferente, enfim, inovar, criar, inventar, e acabam copiando coisas de outros lugares, textos de outros autores e trazendo para si a autoria.

Sim, concordo, há muita sujeira entre nós blogueiros. E digo nós porque acho difícil que alguém leia blogs sem ter um blog. Acho difícil ler, gostar e não criar um blog para si, para ser a sua cabeça perante um mundo novo(agora nem tão novo assim) e ainda não muito bem conceituado para a nossa preconceituosa e ridícula sociedade que só vê grandes valores em coisas lucrativas e fisicamente prazeirosas.

Entretanto, vejo muita coisa boa nos meus momentos de blogueiro. É legal demais ler um texto original, criativo ou simplesmente um desabafo sincero. É legal demais perceber que há sim, muita vida além da minha, há muita experiência pela qual talvez um dia passe. Há muita coisa acontecendo longe do meu cercado. Há muitas pessoas inteligentes, loucas, sinceras ou simplesmente criativas que fazem o mesmo que eu. Que se dedicam à mesma coisa que eu. Que constroem a sua personalidade e mostram-se ao mundo da maneira que desejam.

Cada um escrever o que quer. Posta o que quer. Mostra o que quer. Sendo pessoal ou impessoal, sendo poesia(também tem o seu valor apesar de eu não gostar) ou prosa, com ou sem rima, com ou sem criatividade, longo ou curto, todo blog acaba tendo o seu valor. Mesmo as já citadas exceções, embora eu não considere esse valor uma grande coisa.

São histórias, são fatos ou simplesmente frases ou fotos que constroem um mundo diferente. Um mundo muito complexo e ao mesmo tempo muito simples. A aparência não faz diferença porque cada um planta o que quiser na frente da sua casa. Seja uma rosa ou um pé de bergamota, cada um mostra-se do jeito que bem entender, do jeito que preferir. Afinal, a casa é sua. O blog é seu. Por mais que critiquem, duvido que alguém considere a aparência, o layout como peça chave de um blog.

O que importa é o conteúdo.

E não só o do blog, mas o da cabeça de quem o faz.

Agora que não sou mais estudante(espero que só até o final do ano) posso dizer, com orgulho ainda, que a minha profissão é ser blogueiro.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Viva la vida - uma maneira diferente de um jeito igual

Coldplay - Viva la vida

Embora minha vontade seja de comprar todos os bons cd's existentes nas lojas, não possuo dinheiro sequer para comprar um geladinho de 25 centavos. Então, só me resta colocar para baixar álbuns completos. E como um apreciador da boa música, há alguns dias foi concluído o download do Viva la vida, novo(ou nem tanto) álbum do Coldplay.

Não vou discutir música aqui, apenas deixar a minha opinião.

Não imagino que algum dia a intenção de Chris Martin e companhia tenha sido fazer músicas que animassem e alegrassem aqueles que as ouvem. Nem quero ter essa bizarra imaginação. Para mim o Coldplay sempre teve em seu repertório, salvo algumas exceções, músicas meio... deprimentes diria eu. Sim, uma coisa boa de se ouvir porém, não recomendada para aqueles que buscam um sorriso em uma música.

Muito embora as letras possam até ser bonitas, legais e reais, o ritmo, a sonoridade e o raio que o parta de termo que possa definir melodia sempre foram os mais calmos, os mais lentos porém, nesse Viva la vida, a coisa passou dos limites. Achei as músicas todas parecidas, lentas e deprimentes.

Tentei ouvi-las em volume baixo, como fundo para outras atividades, e em volume alto, como personagem principal das minhas ações. Mas não consegui gostar muito das músicas. Entretanto, devo admitir que gostei da letra da música que dá o nome ao álbum. Gostei da música em si, mas não é um gostei muito animado não.

Deprimente. Não por ser ruim, mas por ser meio melódico, meio lento demais, meio igualzinho a tudo o que o Coldplay já fez.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

5 coisas que você não deve fazer se quiser ser chamado de inteligente

1 - Não fale "nóis tamo", "nóis semo", "agente fomos" e semelhantes. Até para não machucar o ouvido alheio, não pense duas vezes em evitar essas populares expressões tão aclamadas e usadas. Termos distorcidos como "mortandela" também devem ser evitados. Furreca, caralho, pô bixo são outras expressões não aconselháveis. Também não use camisas com frases do tipo "É nóis na fita mano".

2 - Não assista novelas ou programas de auditório que debatem relacionamentos ou dão dinheiro para as pessoas de alguma maneira. Mas se assistir, negue aos olhos dos outros, diga que prefere ler um livro ou andar de bicileta e nunca diga que "aquela malvada deve ser presa mesmo". Nunca mesmo. Você pode até ser hipócrita ao negar o que faz, mas pelo menos, não será chamado de ignorante que assiste novela, mas sim de inteligente por não assistir programas como aqueles.

3 - Nunca decore frases de gênios, sejam da literatura ou da Física, mesmo que isso sempre impressione. Não fale de Bäch, Bethoven, Shakespeare, Darwin, Einstein e Kepler, já que, se você está tentando ser chamado de inteligente é porque não possui muito conhecimento, você só tenha ouvido esses nomes no ensino médio e tenha a impressão de que eles são nomes de jogadores de algum time da segunda divisão da França ou da Alemanha. Geralmente é bem perceptível quando alguém decora uma frase, e ainda anuncia o autor depois, para impressionar e ser chamado de inteligente. Não decore frases também porque você pode esquecer e ao invés de dizer "se quiser ser idiota, serei idiota com acorde próprio"*, você vai acabar dizendo "se eu quero ser idiota, serei idiota com corda própria". Nem preciso comentar mais.

4 - Não suba em mesas para chamar um amigo, não pule da janela do segundo andar para dizer oi para aquela amiga que passa na rua, não grite nem faça escândalos. Pessoas inteligentes não fazem esse tipo de loucura/bobagem. Ser chamado de idiota é o contrário de ser chamado de inteligente. Também evite discutir com alguém teimoso, mesmo que você esteja certo. Evite muito mais bater nessa pessoa por ela não calar a boca mesmo que a discussão tenha acabado. Evite qualquer coisa que vá contra os preceitos da sociedade e sempre diga, para quem lhe perguntar, que é preciso dar tempo aos governantes para que eles erradiquem a fome e a pobreza no país. Por mais que seja burrice dizer isso, lembre-se de que pessoas inteligentes são pessoas sensatas.

5 - Não fale sobre o que você não sabe, por mais que ache que sabe. Na dúvida, prefira o silêncio à asneira. A concordância à ignorância. A seriedade ao riso. Não fale sobre a crise de 1929 se você sequer sabe achar os EUA no mapa mundi. Não queira chamar Napoleão de burro por tentar invadir a Rússia no inverno se você nem sabe quem foi Napoleão ou o que foi a Revolução francesa. Não fale na busca incansável por utopias se você nunca ouviu falar em socialismo.

O fato é que esse é mais um daqueles textos para serem lidos e esquecidos. É mais uma forma de rir. Todas as palavras escritas, todas as idéias postadas não expressam necessariamente a opinião do autor. Jamais farei apologia à hipocrisia, como está escrito em um dos itens. Como disse, é mais uma forma de rir.

*J.S. Bäch

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Histórias de uma vida não vivida(4)

*Do esgoto mental que afeta meus pensamentos, minhas idéias e prejudica minha vida, surgem palavras que juntas formam histórias, vividas e ignoradas, ou não vividas e lembradas. Ninguém sabe, ninguém viu. Ou alguém sabe, viu, presenciou, viveu, sorriu ou sofreu, contou e falou a verdade ou mentiu. Não há provas de que seja verdade. Entretanto, ninguém poderá provar que é mentira...

Olhou para os lados, não viu ninguém por perto. Era agora. Era a sua hora. Não entraria para a história por causa disso, como o Getúlio e alguns outros entraram. Não. Nem para a sua história entraria. Porque ele não tinha história. E se tinha, queria mais era esquecer.

Sentiu-se o último dos homens. O pior dos idiotas. O mais coitado dos bobos. O mais horrível dos feios. O mais desprezado dos renegados. O último. O pior. O ruim em pessoa. Seu nome não entraria para o dicionário como sinônimo de ruindade, pois nem para isso servia. Na sua visão, é claro.

Então abandonou esse mundo. Abandonou tudo o que tinha. Tudo o que teve. Tudo o que poderia ter. Abandonou esse mundo fisicamente. Se matou. Não se sabe como. Nem ele sabia como iria se matar. Mas o fez. E o fez com tristeza.

Não era depressivo, não tinha problemas mentais. Era alegre até demais e mais inteligente que qualquer outro com quem conversava. Passara em primeiro lugar em um dos vestibulares mais concorridos de medicina. De medicina ainda. Mas havia desistido de tudo.

Não por um amor não correspondido, mas por mais um amor não correspondido. Nunca fora aceito pelo seu jeito diferente, porém muito admirado, de ser. Mas nada do que pudesse ter ouvido teria adiantado.

Deixou um bilhete colado na sua barriga, onde saberia que leriam. Dizia:

"Deixo estas últimas palavras à todos que amo e que me amam. Não tive depressão nem virei emo. Apenas desisti. Da vida. Por achar que não conseguiria mais ter forças para lutar pelo que eu queria e contra o que eu não queria. Desisti muito mais do mundo do que da minha própria vida, vida, que não consegui aproveitar. Peço perdão pelo sofrimento que terão, mas eu desisti de tentar viver em um mundo onde pessoas como eu são poucas, e acabam se entregando facilmente aos erros da maioria. Não agüentei mais ver as minhas verdades sendo superadas por mentiras, a minha sinceridade ser superada pela hipocrisia alheia, o meu amor ser superado pelo simples ego de outrém. Sou covarde por desistir agora, depois de tanto lutar. Mas não agüentei mais. Vocês não me perdoarão, infelizmente. Nem Deus me perdoará. Mas eu precisava. Alguém teria que fazer essa idiotice um dia. Que o mundo vá para o inferno junto comigo..."

Ao ver isso, sua mãe entendeu porque seu filho não comia bergamota há dois meses...


*a ordem dessas histórias é uma coisa tosca, uma engraçada e uma com apelo emocional. Ou não.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Será que faz diferença?

Primeira postagem do ano.

Sem champagne, caviar, carne de porco, peru, lentilha, arroz. Nada de roupa branca, taças novas ou muito valorizadas e sequer gritos e gritos, desejos de felicidade e toda aquela baboseira que qualquer data especial leva as pessoas a se expressarem desta maneira.

Meu 31 de dezembro foi o mais estranho possível. A missa demorou quase duas horas. Saí correndo para chegar a tempo de comer na casa da minha avó. Tive que caminhar lentamente por um bom trecho pois não havia, e não há, iluminação naquela parte do caminho. Chegando lá, a champagne já havia sido bebida, havia apenas lentilha, prato típico desta data que não me anima. Não comi. Carona para casa, antes da meia noite. Nesse momento tão aguardado por muitos, estava apenas com meu primo em casa, bebendo água e suco. Comendo bolacha caseira. Nada de cumprimentos. Afinal, nada de mais estava acontecendo.

Depois, casa do Fão e subseqüentemente casa do Miguel. Risos, conversas, tiração, bebida(moderada para mim), enfim, vida.

O fato é que hoje passei mal boa parte da tarde. Talvez tenha sido o iogurte de ontem. Talvez tenha sido qualquer outra coisa que não almocei ontem. Talvez tenha sido o refrigerante de hoje. Talvez tenha sido apenas um presságio de que eu deveria ter ficado em casa, dormindo.

Mas nada que me impedisse de, novamente, ir à missa(fazer o comentário).

O fato é que, para justificar o título*, tenho que escrever que, durante 18 minutos(se não me engano) foguetes pintaram os céus de Florianópolis. Sim, como em qualquer outra cidade. Porém, me pergunto se o dinheiro gasto nessa coisa SUPÉRFLUA não poderia ter sido revertido àqueles que tanto precisam de ajuda. Sim, aqueles desabrigados que perderam casas, famílias, trabalhos, enfim, perderam parte de suas vidas. O negócio do 1 minuto de silêncio para reflexão teria sido uma boa. Mas afinal de contas, não importa a vida deles. A minha vida é a mais importante. Não é?

Ironias à parte, espero que alguém, algum dia, consiga impor alguma ação dessas. Milhares de pessoas sofrendo e outras milhares comemorando como se nada tivesse acontecido. Não no outro lado do mundo, mas, quem sabe, no outro lado da rua.

Abraço!

*não há menção ao título antes do asterisco, porém, é implícito que o 31 de dezembro, assim como o dia do meu aniversário, não é um dia especial por si só.

domingo, 28 de dezembro de 2008

É a tecnologia a serviço do...

De todos os computadores usados pelas pessoas, não digo no mundo, mas pelo menos no brasil, o meu deve ser um dos mais estranhos. Sinceramente, não consigo pensar que outro computador consiga superar a ignorância do meu.

O fato em si é que ele funciona bem no inverno e mal no verão. Pelo calor, pelos raios de Sol que sequer chegam perto dele, pela vontade dele em estar à beira da praia, sendo visto(e vendo) belas garotas de biquíni desfilando na areia, seja por qualquer outro motivo pateticamente tosco, ele não funciona bem no verão.

Não chego à conclusão nenhuma com isso. Até porque, sempre começo a suar quando uso-o por mais de meia hora. É um absurdo o calor que essa porcaria emite ao ambiente. E não adianta colocar um ventilador nele, o calor continua sendo absurdo*.

E eu, dependente deste eletroeletrônico muito popular nos países que possuem recursos financeiros que lhe permitam importá-los, fico sem saber o que fazer para poder melhorar o desempenho desta porcaria.

Porque ele começa a travar, começa a ficar mais lento que corredor quando quer perder, começa a não responder aos meus comandos(o bocó quer ser independente... nanana), enfim, começa a ser um simples computador fabricado em algum país subdesenvolvido. Sem preconceito, claro.

Ainda procuro uma explicação para o fato de ele só não funcionar direito no verão. E digo, é o único que eu tenha usado que consegue ser mais lento no verão do que no inverno.

E tenho dito.

*não me perguntem por que uma pessoa colocaria um ventilador apontado para um computado ao invés de apotar para o próprio corpo... não me perguntem

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

25 de Dezembro, Natal

Esses dias, minha mãe perguntou o que eu gostaria de ganhar de presente de Natal. Eu disse que nada. Então ela perguntou o que eu precisava. Eu disse que nada mais uma vez. Ela então, como toda mãe, insistiu, argumentando que eu já não havia ganho presente em outra oportunidades(como no meu aniversário), portanto, deveria ganhar um presente de Natal. Me perguntou o que eu queria ganhar.

Então, até por ser minha mãe, disse a ela que não precisava de nada, que não gostaria de ganhar presente e que o que eu queria ela não poderia me dar. E aliás, nem correndo o mundo inteiro conseguiria o que hoje eu mais quero. Mais uma vez tenho que ficar no meio do caminho. "No meio do deserto de tudo e de nada"*

A questão toda não sou eu. E nem o que eu estou vivendo. Nem os motivos disso. A questão toda que eu escrevo hoje, mesmo sem estar em casa, é que, eu não gosto disso. Dessa necessidade de presente. Desse consumismo, esse capitalismo, essa babação de ovo em cima de um velho gordo que só se tornou importante em virtude de uma campanha publicitária.

Não gosto de ver a origem do Natal esquecida. De ver que as pessoas só vão na missa**, quando vão, para pedir por um bom Natal, pedir por felicidade, pedir por isso e por aquilo, pedir isso e aquilo, enfim. Não gosto de toda essa festa fútil, de todo esse apego material, de todos esses presentes.

Como a páscoa e seu maldito coelho branco, o Natal e seu papai noel tiveram seus sentidos completamente mudados, banalizados e quase extinguidos por uma sociedade fútil e hipócrita. Mais uma vez tenho que dizer que existem sim exceções, que não virão ao caso agora.

Um professor foi demitido por dizer a uma criança que o papai noel não existe. Que sacanagem. Ele disse a verdade. Por que ser demitido? Por acabar, corretamente, com uma ilusão besta que acaba fazendo a pessoa se arrepender no futuro de ter sido tola em acreditar que alguém que dá presentes para todo mundo no Natal existe mesmo.

O nascimento de Jesus é simplesmente ignorado. Ninguém mais sabe que ele nasceu nesta data. Que Ele é a origem do Natal. Festa familiar, festa de amor, de paz. Infelizmente isso é passado. E o mais engraçado é que só lembram das crianças, pobres ou não, só lembram das pessoas que passam dificuldades, em datas como essa.

Hoje eu queria poder dizer mesmo que desejo a todos um Feliz Natal. Mas não posso fazer isso. Estaria sendo mais um que, por um ou dois dias, se esquece do que acontece no resto do ano para viver(ou aparentar viver) um dia de paz completa. Estaria sendo mentiroso se dissesse que desejo à todos um Feliz Natal.

Espero um dia mudar. Poder fazê-lo, sinceramente, à todos. Espero mesmo.

Rezo para que aqueles que merecem, recebam Dele tudo o que precisam. De um jeito ou de outro, a recompensa para aqueles que lutam por um mundo mais justo, um mundo melhor, chegará. Provavelmente não hoje. Talvez não amanhã. Mas um dia. O importante é não ficar sentado esperando que o Natal do ano que vem chegue.

À todos que merecem, desejo paz, saúde e amor. E nada mais.

*está entre aspas pois copiei de outro texto meu, que pode ser visto clicando na própria frase.
**respeito todas as religiões, mas cito o exemplo do qual tenho conhecimento e vivo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

E a sociedade gosta do que é implícito...

Procurei em vários blogs um texto sobre isso e só achei em um. O fato é que talvez seja uma coisa tão curta que vou escrever aqui, que nem poderá ser considerada opinião sobre o fato.

O fato daquele jornalista ter atirado, e infelizmente não acertado, os sapatos no Bush.

Eu fico pensando se no Brasil alguém fizesse isso.

Ah, porque seria um desrespeito com uma autoridade, porque seria uma falta de profissionalismo do repórter, porque seria um péssimo exemplo para a sociedade, porque mancharia a imagem do Brasil perante os outros países do mundo.

Ridículo é pensar que isso é uma coisa ruim.

Atirar sapatos, ou qualquer outra coisa, é a prova de que alguma coisa precisa ser mudada. É a maior prova de indignação que alguém pode dar a uma população sedenta por mudanças, mas covarde na hora de buscá-las.

Todos baixam a cabeça para o maldito sistema. Ninguém sabe o que é, ninguém sabe direito sequer se ele existe mesmo. Mas todos sabem que o sistema acaba com aqueles que tentam mudá-lo. Covardia. Medo.

O povo teve um ato, mesmo que apenas simbólico, interessante quando vaiou o Lula no Pan-Americano do Rio, no ano passado. Seria um começo se a imprensa nacional não reprimisse tal atitude e, incansavelmente, rebaixasse aqueles que tomaram tal atitude contra a tão importante pessoa do presidente da república(dos babacas) a meros idiotas mal-educados.

Seria então a imprensa o sistema?

O fato é que, principalmente durante a ditadura no Brasil, quem falava mal do governo era caçado, torturado, linchado, humilhado, enfim, muitos foram mortos depois do já citado. O fato é que, quando falam mal do governo, ele reage de alguma forma(acreditem ou não, o aumento nos impostos deve ser uma forma de fazer calar uma raiva, que pode até aumentar, mas não traz conseqüência alguma para o governo) e as coisas continuam do mesmo jeito, só que mais silenciosas, mais indiretas.

Seria então o governo o sistema?

O fato é que eu não quero chegar a uma resposta sobre quem é o sistema. Fique tudo implícito. Aliás, continue tudo implícito.

Todos sabemos o que é o sistema, quem é o sistema, o que o sistema faz.

Ou pelo menos achamos que sabemos.

Mas que seria bem legal acertar uma sapatada(ou um tiro*) no pior presidente da história do país(pelo menos o mais analfabeto ele é) não seria algo tão ruim. Mas daí o sistema...


*sem apologias(oficiais e declaradas) à violência