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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Nostalgia e silêncio


O tom baixa, o som beira o silêncio e a serenidade faz-se presente. Em absoluto, sem vontade e motivação, permanecer aqui, isolado, acaba não sendo a pior das ideias. Parte do que era, deixou de ser e, sem qualquer ligação, outras grandes partes que eram o deixaram. Seja qual for a explicação, não há definitivo quando ao menos um dos pontos quer ser parte de reta. Se não é com um ponto específico, o será com outro porém, a matemática explica, a inclinação será diferente porque, no final das contas, é uma outra reta, é uma outra ligação, é uma outra direção.

Todas dentro de um mesmo caminho.

Alguém escreveu, com alguma sabedoria, que o importante não é saber ao certo para onde se vai, e sim acreditar que se está indo para o lugar certo. As ferramentas para isso, no entanto, incluem abdicação de desejos e compreensão com o que é externo. Ninguém, por mais que insista em dizer o contrário, quer chegar a lugar algum sozinho. Ninguém, também, pode ser egoísta o suficiente para, ao chegar em algum lugar, não querer que outros cheguem a esse mesmo lugar, ou a algum outro muito semelhante a aquele.

Transitório é tudo aquilo que passa. Passageiros são transitórios, em qualquer viagem.

O destino final acaba sendo somente um capítulo como qualquer outro. O final dos relatos, de qualquer história, é sempre decepcionante porque, querendo ou não, encerra, dá um fim a alguma coisa. Os jornais - e isso são poucas pessoas que reparam - se preocupam muito mais em descrever a situação, os elementos e tudo o que está envolvido como introdução do que como finalização. O final das reportagens é, em quase totalidade, sempre insignificante diante da introdução. Não há desenvolvimento nesse caso - o que confunde ainda mais a escrita dos vestibulandos.

Acaba sendo tudo muito vago porque não há como não sê-lo quando, por consequências externas, faltam motivos para escrever que os pontos que dão origem a retas optaram por manterem-se pontos, ao menos nesse caminho específico. A nostalgia surge quando sente-se falta do que eram, do que era. É difícil lidar com essa sensação.

A nostalgia é serena, é madura. E exige silêncio.

*não é só a frase. A música é, para mim, nostalgia.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Histórias de uma vida não vivida (34)


*Se escrevesse minha inútil autobiografia e colocasse-a em um roteiro de filme, seria uma comédia com tendências ao drama e com um amor no final das contas. Não cheguei ao fim, mas sonhar não custa nada. Agora, se fosse para escrever uma história e depois vivê-la, seria uma comédia mesmo o que escreveria, porque amor é uma coisa que, quando planejada, é superficial, tendenciosa e torna-se obrigação com o tempo. Amor é história escrita espontaneamente, ele deixando sua vida com felicidade ou tristeza, não importa, o importante é sentir. E ser sincero nisso.

- Vai lá, puxa conversa com ela.

- Mas e eu vou dizer o que?

Então eu tomei o teclado das mãos dele, e mandei um 'oi' bem simples via msn para ela. Ele a olhava com cara de bobo, sempre falava sobre ela, como era simpática, legal, divertida, como gostava de sair para dançar, tudo como ele. Era a versão feminina dele, só que bonita, muito mulher e sem timidez alguma. Sempre achei que os dois formariam um casal muito legal.

- Você é idiota, o que eu digo agora?

- Pergunta se ela tá bem. Seja você mesmo, não é tão difícil conversar por msn, você pode demorar bastante para responder e dizer, na cara dura, que estava na cozinha ou dizer a verdade que, no caso, não foge de um 'sou um bobalhão e estou com meu amigo tentando mostrar para você que sou muito além de um bobalhão com quem você ri ocasionalmente'.

- Desculpa, ela perguntou se eu estou bem então não ouvi o que você disse, repete.

- Não precisa. Não vai responder?

- 'Estou bem, e vc?' foi só o que eu consegui escrever.

Ele não era bom com português, nem com matemática, nem com história ou geografia. Mas era bom em outras coisas. Bom, eu sempre acho que as pessoas são boas em alguma coisa.

- Bom, tá evoluindo.

- E agora eu não sei mais o que dizer, ela vai pensar que eu sou um trouxa. Ou melhor, vai confirmar o que a minha cara diz ao mundo.

- Não se estresse, é só uma conversa.

- Ela é a louca mais legal que eu já conheci, não é só mais uma conversa e ah, que droga, queria ser que nem aqueles caras que levam as gurias na conversa sem pensar muito.

- Então não pensa, só escreve por impulso.

- Aí eu vou conseguir ser mais idiota do que eu sou.

- Tá, chega, o que ela perguntou agora?

- Tá cego?

- Tá escuro aqui, não consigo ler direito e não sou eu quem usa óculos.

- Ela disse que me viu esses dias contigo. Que merda, se eu estivesse sozinho poderia passar uma boa impressão.

- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.

Eu fui desaparecendo para ele. Aquela conversa realmente foi fluindo. Abri meu livro e comecei a ler. Ele falando com ela, eu tentando aprender alguma coisa sobre a teoria dos momentos fletores. Ele aproximava cada vez mais o rosto do monitor. Liguei a outra luz do quarto mas ele continuava aproximando a mente. Estava como um daqueles macacos primitivos de tão pendido para frente. Hahaha, ele sempre foi engraçado. Resolvi me intrometer e perguntei:

- A quantas anda?

- Pensei que tivesse morrido já que não tinha falado mais nada.

- Não queria atrapalhar. Tem um resto de churrasco na geladeira, tá com fome?

- É carne, estando com fome ou não, eu quero. Por que ainda não tá pronta?

Eu ri. Coloquei a carne no forno para esquentar e voltei à sala do computador. Estávamos sozinhos em casa e parecia que a minha presença, na minha casa, era indesejada. Parei e fiquei olhando, não o que ele digitava e sim o que gesticulava. Seguidamente ele escrevia uma frase, apagava, ajeitava os óculos com um dedo, escrevia outra frase, recostava-se na cadeira, apagava novamente a frase, ajeitava os óculos de novo, coçava a cabeça, escrevia uma frase e fazia um gesto com os ombros de quem diz 'ah, vai isso mesmo, tanto faz' e então batia com força na tecla para enviar a frase.

Certa hora virou-se para mim, com uma expressão muito séria.

- Vem aqui ler o que ela escreveu.

Me aproximei.

- '(tatata)... sempre achei você um cara legal mas também um pouco retraído quando estava por perto. Engraçado, quando ouço a sua irmã falando de você e mostrando vídeos de você e seus amigos, sempre vejo uma pessoa super descontraída. Por que quando eu estou com vocês, você fica quase como um morto vivo?'. Tá, qual o problema?

- Qual o problema? Se eu digo a verdade ela não vai mais falar comigo porque vai achar que eu só conversava com ela porque queria me aproximar. Se eu digo que é mentira, que só ela acha isso, pode se ofender e não falar mais comigo ou ficar estranha. Quer mesmo me perguntar qual o problema?

- Olha, diz para ela que é impressão dela, assim você fala a verdade e omite a verdade ao mesmo tempo.

- O que é omitir?

- Esconder.

- Ah, mas isso também é mentir.

- Em partes. Quer começar uma discussão semântica?

- Só se você me explicar o que é sem... seman... como é?

- Semântica.

- Isso, semântica.

- Então?

- Então deixa para lá a semântica, diga para ela o que você acha certo dizer. Só não vai se declarar via msn né?!

- Seria mais fácil, pelo menos não ficaria com cara de idiota e com uma vontade de cagar uma bigorna por ter de falar o que eu penso dela e o que acontece comigo quando ela está por perto com tudo aquilo que ela é.

- Isso é bonito. Você é um cara com sentimentos.

- Cadê o churrasco?

- Espera mais um pouco. Vai dizer o que então?

- Não sei. Espera. Ela tá dizendo que vai sair mas que vai me cobrar a resposta. É a solução para os meus problemas.

- Não!

- Não?

- Diz para ela esperar.

- Tá.

Ele escreveu e mandou. Como quem se arrepende, me olhou com cara de peixe morto e perguntou:

- Por que eu fiz isso seu idiota? Agora ela respondeu que vai esperar então eu dizer por que eu sou um idiota e...
- Chega de drama.

- Drama? Você vai ver o que é drama quando a porcaria de impossível chance que eu poderia ter de me aproximar dela vai ir para o fundo do poço junto com o coração que eu vou atar na outra ponta da corda.

- Dramático.

- O que eu digo, gênio e profundo conhecedor das mulheres?

- Hahaha.

- Esqueceu que você tá em situação pior do que a minha, galã?

- Se eu fosse galã talvez tudo estivesse resolvido. 

- Hahahahahaha.

Ele riu mesmo.
- No final das contas, convida ela para ir comer alguma coisa agora.

- Eu disse que estava aqui conversando com você.

- Me leva junto, eu arrumo uma desculpa e saio bem logo.

- Desculpa?

- Por que?

- Desculpa?

- Desculpo... mas por que?

- Você é gênio.

Ele escreveu e com uma felicidade imensa mandou. Sorriso de criança. Que bom vê-lo assim.

- Tá, só tem um problema.

- Qual?

- Se você vai ir jantar com ela...

- ... e você vai junto...

- Sim. ... o que faremos com o churrasco?

- Isso é o de menos, pegamos um garfo, um guardanapo e vamos comendo no caminho.

- E jantar depois?

- Eu digo que estou de dieta.

- Afeminado.

- Eu digo que já jantei.

- E para que convidá-la para ir jantar então?

- Eu sou uma topeira mesmo.

- Tá, pegamos o churrasco e vamos comendo. Depois dividimos alguma coisa.

- Ah, a amiga dela vai junto.

- Amiga?

- É, aquela amiga dela que você conhece bem, a...

- ...a ...?

-É, se ferrou.

- Espera, vou tomar um banho.

- Mas vai rápido seu idiota que eu não quero deixá-la esperando. Por falar nisso, já desligou o forno?


"...Because the life I think I'm trying to find is probably all in my mind..."

sábado, 8 de janeiro de 2011

Atestado de culpa


Canso de ficar com peso na consciência. Ora bolas, cones e paralelepípedos, como qualquer ser humano, erro. Diferente de grande parte, me arrependo de qualquer pequeno desentendimento que provoco. A culpa não é só minha, mas insisto em assumir todo o erro. Mandaria para o inferno qualquer um que não me dissesse nada, que fizesse de conta que nunca mais vai falar comigo. Mandaria se não conhecesse a pessoa, se não fosse amigo dela. Cada um com seus defeitos, com suas limitações. Eu assumo as minhas ao menos. Isso deveria compensar. O problema é que estou falando de pessoas. E pessoas não aceitam compensações. A não ser que elas busquem-nas. Um peso, duas medidas e a cabeça que chega tremer com tamanho tráfego de ideias. Tento melhorar mas, como qualquer pessoa limitada, enfrento dificuldades para lidar comigo mesmo, que dirá para lidar com outras pessoas. Eu posso ser insensível, irritante, um tanto arrogante e muito impulsivo porém tenho consciência disso e tento ser uma pessoa cuja companhia seja cada vez menos pior. Você não vai ler, mas peço desculpas por ter pedido (agressivamente) que você tivesse um pouco(muito) mais de vontade no jogo hoje, amigo.


sábado, 1 de janeiro de 2011

O de hoje é o de sempre


Seja por costume, porque todos fazem isso ou por qualquer outro motivo, as pessoas comemoram a troca de ano como se fosse algo realmente importante. Não vejo graça em fogos de artifício e afins que quase estouram nossos tímpanos. Não vejo graça em ficar olhando para pequenos riscos coloridos de pólvora queimada, imagine ficar olhando 20 minutos para isso então. Ficar no meio de milhares, quem sabe milhões, de desconhecidos, grande parte com a superstição boba da roupa branca e das roupas de baixo vermelhas, que coisa legal é essa que não vejo? Seja qual for o porquê, não interessa, eu não me interesso por isso, não acredito nas superstições, nas galinhas que ciscam para trás(????) e nos porcos que fuçam no chiqueiro imundo para frente(?). Que perda de tempo para arrumar, pensar no que pode ou não. E daí se as meias que eu usava às 00:00 de 2011 eram pretas, o tênis era preto, a camisa era verde com cinza e a bermuda era marrom. E daí? A minha vida será terrível ou o que? O verde, o preto, a taça quebrada, comer massa com maionese e beber vinho espumante chocho, qual o significado disso? Meu ano será terrível segundo os astrólogos, numerólogos, corólogos e estupidólogos? Se sim, uma resposta: obrigado, que meu ano seja exatamente assim como vocês dizem.

O único ponto em comum é o desejo de que todos aqueles por quem guardo um sentimento, muito ou nem tão intenso, mas sempre sincero, tenham em suas vidas as coisas boas que merecem e as coisas ruins pelas quais precisam passar. Que tenham saúde, coragem, discernimento e fé.

Porém, desejo-lhes todos os dias, com a mesma intensidade que desejei em mensagens ou em oração nessa troca de ano.

É só mais um dia. Ou melhor, dois.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Definitivo como tudo que é simples, como tudo que é verdadeiro


É definitivo que o país está perdido. E não é porque estamos em uma mesa de bar, bebendo uma cerveja bem gelada em uma tarde de verão, bem quente. O país está perdido pelas eleições, pelo que está sendo e será feito. Pela covardia de um povo que aceita tudo que lhe é colocado como opção indutiva. Pela influência que a mídia e tudo o que é visível têm sobre aqueles que não possuem capacidade de discernimento.

Definitivo é também que, além do país, nossas vidas estão perdidas. Porque o trabalho nos cansam. As namoradas ou quase esposas exigem-nos atenção e damo-lhes. Exigem carinho doamo-lhes. Exigem que sejamos fieis, autênticos e únicos. E assim o somos. Mas elas continuam desconfiando dessa nossa simplicidade, desse nosso jeito pacato. Estamos perdidos porque raramente sentamos nessa mesa de bar, na escada da praça ou nas cadeiras sujas da lanchonete com nossos amigos, para lhes contar sobre essa nossa vida, corrida, cansativa, mas um tanto divertida.

Definitivo como tudo aquilo que é simples apenas pelo fato de ser. Definitivo como olhar para o céu e dizer que vai chover. Minutos depois rir, vendo o palpite furado. É definitivo aquilo que não muda. Como a nossa cabeça. Quanto cabelo tínhamos, e hoje as entradas da calvície ameaçam a nós e aos nossos, quem sabe, futuros filhos. Definitivo é aquilo que não muda, ao contrário da nossa fome. De leões vorazes com fome insaciável, chegamos ao ponto de recusar o aperitivo porque o almoço de ontem não desceu bem. Estamos ficando fracos, envelhecendo, perdendo a capacidade até de jogar futebol, de resmungar com uma mulher, de sair por aí apenas para beber, uma ou duas cervejas, ou um litro de pepsi cada um. Eu disse sim, cada um.

E isso é um tanto definitivo.

Entretanto, toda essa porcaria que se encaminha para o definitivo, tudo o que a nossa juventude antiga, que vai passando a cada dia e tirando nossa vivacidade física, nossa sagacidade mental e nossa intolerância ao pouco, toda essa porcaria não consegue tirar de mim uma definição, um definitivo, muito mais importante do que todas essas reclamações. Muito mais confortante que o abraço da mãe quando ralávamos o joelho na infância. Muito mais forte do que o tapa do pai quando quebrávamos um vidro. Ainda mais, tudo que se encaminha para o definitivo não elimina um definitivo que tenho comigo e que terei, definitivamente, sempre.

Vocês. Sem promessa banal de eternidade, sem promessa fútil daqueles que dizem ser de verdade, sem promessa atemporal de todo o tempo. Definitivo que me conforta é o saber de que, estando onde estiver, estarão comigo.

Aos amigos, um brinde, alegre, sorridente, definitivo. Aos amigos, a amizade que é definitiva, que não se altera com o tempo, a distância, os rumos pessoais de cada um, trabalho, estudo ou companheiras. Aos amigos, da barriga cheia, da cabeça cheia, das palavras e dos sonhos cheios.

Aos amigos. Que são definitivos com a bênção de Deus.

Aos definitivos amigos.

*cabe a lembrança aos amigos,
companheiros de futebol,
de histórias, da vida,
que nos deixaram e que nesse
dia de finados merecem
 todas as nossas orações.

**É uma pena não ter uma foto para ajudar 
a representar o que me fez escrever hoje.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Histórias de uma vida não vivida (23)


*Não são apenas casais que se complementam. Amigos, pai e filho, colegas de aula. Qualquer complemento verbal de um para o outro é possível quando há uma relação amigável, pessoal e voluntariosa. Com eles era assim. Essa amizade era uma grande loucura. Cada um com um gosto, uma área de atuação e interesse. Cada um muito diferente do outro. E ainda assim, completam-se nessa amizade que rompe as barreiras da distância, das diferenças, do passado e do futuro. Em um estranho e antigo sonho a homenagem atrasada e humorada, bem ou mal, àqueles que fazem parte também de histórias jamais vividas. Insisto ao dizer que a realidade, a ficção e a pura imaginação se confundem nessas linhas tortas.

O nome dele era C... C.H., só isso o que posso dizer. Ele era um cara legal, embora muitas pessoas não soubessem disso pois ele não gostava de ser legal para com todos. Tanto que no velório do amigo de um idiota, que não era seu amigo também, ele jantou e comeu carne de porco sem qualquer receio. E por que deveria ter receio de comer carne de porco? Ninguém deve saber, mas ele achou que tinha feito uma grande coisa, uma grande ofensa e, no dia seguinte, foi falar com um grande homem: o instrutor de judô, um cara de dois metros de altura e 134,66 kg. Não mudou nada, os dois mais riram do que conversaram.

Voltando ao C.H., que não conhece o Billi J. para os que tentaram associar, ele era daqueles que cortava linguicinha com foice. Ainda no espeto. Sério, ele era muito louco. O que não vem ao caso hoje. Sua vida não era algo digno de filme e sequer de coluna no jornal ou texto em blog. Mas ele era um cara legal. Impulsivo, cortava o churrasco no espeto, contava piadas dentro durante um jogo de futebol e mandava que todos parassem de caminhar na rua só para tirar um cisco do olhos.

Pois é, esse mesmo. Ele era um trabalhador injustiçado. Sua família não era das mais ricas e ele não ganhava o suficiente para comprar uma Lamborghini, o sonho de consumo de qualquer homem que gostaria de ter um carro para fazer todos os outros babar. Isso por causa da teoria do macho dominante, o que não vem ao caso. Essa Lamborghini não era seu objetivo principal. Ele só não queria que os vagabundos da cidade, bem dotados financeiramente, tivessem uma. Ou algum carro do tipo.

Porque era injusto que ele trabalhasse tanto e não conseguisse comprar seu sonho de consumo e aqueles vagabundos, traficantes de drogas em sua maioria, conseguissem sem fazer esforço. Ele desdenhava e dizia 'eles são traficantes e nem pagaram todas as prestações, de que adianta ter um carro assim?' e nós que o ouvíamos, ríamos como se fosse uma grande bobagem, uma grande piada. Mas não era.

É incrível como aquela coisa de sorte não existe. Existe competência. E ele teve de sobra para conseguir um cliente europeu. Ninguém soube como. E como clientes europeus pagam em euro, ele conseguiu ali dinheiro suficiente para um carro novo. Nada de Lamborghini, na revenda automotiva ele comprou um conversível, com capota de lona, porque afinal de contas, ele queria que o vento balançasse seus cabelos estilo John Lennon no começo dos Beatles.

Ah, que sonho era aquele conversível. Certa noite nos reunimos para jantar. Ele foi com seu conversível e não parou de falar das vantagens. O fato de aquele carro beber gasolina mais do que o próprio C.H. bebia qualquer líquido não importava. E olha que C.H. bebia qualquer líquido que não fosse veneno. Sim, ele era maluco, não burro. Janta foi, comida aqui, risos e truco acolá e ele decidiu ir embora. Aí começou a história, longos e vários parágrafos depois.

Ele sentou, como estava frio, apertou o botão e a capota subiu. Porém, notou um pequeno buraco nela. Se chovesse, molharia dentro do carro, mesmo que alguns raros pingos. Eu voltei até a casa para pegar uma fita, para tapar o buraco provisoriamente. Enquanto isso ele achou que poderia tapar com o dedo, e o que era um buraco mínimo ficou do tamanho de um dedo. Não contente, ficou balançando seu dedo dentro do buraco, aumentando-o. E depois foram dois dedos e o mesmo procedimento. Três, quatro e cinco, até que ele começou a sua mão no buraco e começou a aumentá-lo sem qualquer motivo.

Ele ria, nós ríamos junto, perplexos com a cena. Joguei a fita e acertei no buraco. Isso prova o quão grande estava aquele buraco. E o C.H. não parava de mexer naquele buraco, agora com as duas mãos, compulsivamente. Estava estragando a capota do carro conversível mas estava rindo, levando-nos a risos incontroláveis. O Miguel batia a cabeça no poste de tanto rir. Ricardo chorava e segurava a barriga de tanta dor. Eu olhava aquilo e não conseguia acreditar, ria como nunca havia rido na vida. E ele, C.H. também ria. De felicidade. Aquilo era loucura.

Quando ele parou, após ter destroçado a capota, alargando o buraco e rasgando-a quase na sua totalidade, ele encostou as costas e disse:

- Vocês acham que eu faria isso se esse conversível fosse mesmo meu?

- Sim. - responderam todos aos risos.

Ele ficou sem jeito. Sabia que faria aquilo mesmo que fosse seu carro e que uma capota nova custasse uns cinquenta mil reais. Porém, disse:

- Tá, mas esse carro não é meu. Eu peguei ele emprestado daquele europeu para quem eu fiz o serviço. Ele não tinha dinheiro para pagar então me emprestou o carro por uma semana.

- E você não vai ter de pagar o prejuízo? - disse-lhe eu.

- Coloca na conta do Abreu! - gritou um Ricardo ainda cansado de rir.

- Aaaaaaaaaaahahahahahahahaha - voltou a rir incontrolavelmente o Miguel, seguido pelo não citado irmão de C.H. o C.J. e pelo carequinha Vanderlei.

- Capaz teu - voltou a falar o C.H. - eu não vou pagar nada porque vou dizer que foi aquele pela saco lá.

- Qual deles? - voltei a perguntar.

Todos riram. Essa amizade nossa era, e é, muito estranha. No fim, ele não pagou nada mesmo, o europeu se separou e deu o carro para a agora ex-mulher. Ela que ficou com o problema da capota rasgada à partir do dedinho do C.H. .

terça-feira, 20 de julho de 2010

Aos amigos


Vivendo longe da maioria de vocês pude dimensionar melhor a importância de vocês na minha vida. Vocês, momentaneamente perto, na maior parte do tempo longe. Vocês outros, que surgiram a menos tempo mas que também são muito importantes. Do CLJ, do C.Q.T.S.'06, do São Pedro. Amigos que não fazem parte dos já citados grupos. Amigos que são minha família. A família que escolhi ter. Amigos estranhos, diferentes, todos únicos ao seu jeito. Amigos que, assim como eu, têm defeitos e erram. Amigos que tentam fazer o melhor. Amigos que mesmo sem querer ajudam, trazem sorrisos, abraços, lembranças e lápis para que eu escreva páginas e páginas da minha. Amigos que Deus me permitiu ter. Amigos que amo, respeito e em quem confio. Amigos que fazem de mim alguém muito melhor do que seria sem eles. Sem mais palavras, feliz dia do amigo a vocês, meus amigos. =D

domingo, 7 de março de 2010

Frase do dia


 Se você precisa mudar o rumo da viagem, 
não espere o vento mudar de direção. 
Mude a posição das tuas velas 
e comece a nova viagem. 
Mas tenha certeza de que é isso 
o que você quer,
antes de fazê-lo.

*para um amigo, um irmão. 
Não posso dizer mais nada. 
Não tenho condições de fazê-lo hoje.
E quem sabe por um bom tempo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Saída sem despedida. Uma nova vida. Muita coisa ficou conosco.

A tempestade e o sol - Catedral 


Um dia esse nosso sofrimento de hoje será de outros. Quando partirmos, alguém sofrerá como hoje sofremos por quem já deixou o convívio com um buraco que não pode ser tapado. Só que não importa como será com alguém, algum dia. Importa é que hoje sofremos pela perda de um amigo, um companheiro, de futebol, de convivência, de conversas, de planos, de sonhos.

Alguém que merece os mais sinceros e belos elogios. Alguém que fazia muito mas não espalhava pelo mundo todos os seus feitos. Humildade sem hesitação. Um exemplo, de fidelidade, dedicação e doação. Um amigo.

Felizmente as lembranças das nossas histórias, e daquilo que vivemos, jamais serão apagados. Pois tudo o que é vivido com intensidade e sincero sentimento torna-se eterno, apenas pelo fato de fazer parte de um tempo que, até segunda ordem de Deus, será infinito.

Lembranças que, vivas dentro de nós, nos dão força para continuar, coragem para lutar e capacidade de sonhar com dias melhores, na luta por objetivos que talvez nem sejam mais nossos. A vida é uma grande luta e só aqueles que a vivem sem importar-se com o dia da sua despedida dela é que conseguem ser vencedores.

Você não esperava ir tão cedo. Entretanto é certo que fez todo o possível, e conseguiu concretizar grande parte dessas possibilidades, para que esse presente que Deus lhe deu fosse mais do que bem aproveitado.

Você viveu. Você fez parte da nossa vida. E do nosso viver.

Amor de amigo, de irmão. Saudade de quem sente não ter aproveitado mais a sua presença, as suas risadas, a sua conversa, o seu talento.

Que a tua alma, do mais alto céu, possa nos guiar para que um dia possamos nos reencontrar, assim que cumprirmos aquilo para o qual fomos designados aqui.

E quando tivermos alcançado o mesmo patamar de viver que você alcançou, poderemos então aproveitar a eternidade que o seguimento do caminho de Deus aqui nos proporcionará no dia em que começarmos esse novo caminho, essa nova vida.

Também por você, não iremos desistir. A luta continuará, mesmo que sem motivos racionais ou práticos, mesmo que não haja uma real possibilidade de vitória. Lutaremos por sonhos, causas improváveis e impossíveis, assim como você também fazia.

Inimaginável para olhos, ouvidos, boca e mente. Mas possível para quem tem fé.

Deus está contigo, Maiquel Donin Sponchiado.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Frases do dia:

Meu passado, meu presente, meu futuro...





...meus amigos, minha família...



...Minha vida...


domingo, 4 de outubro de 2009

Estranho. E real.

Para não dizerem que a minha vida mudou por completo desde que mudei de cidade, afirmo que, assim como nos últimos mais de três anos, tenho vivido experiências fantásticas. Certo, continuo sendo o mesmo, de um jeito diferente mas o mesmo. Mas algumas experiências têm sido mesmo interessantíssimas.

Depois do meu lado humano ter sido ratificado como característica e desse sentimento de proximidade com Deus, hoje, de madrugada, tive mais uma experiência, que não aconteceu fisicamente, mas que, estranho, aconteceu de fato.

Como tudo que é estranho, sentir o vento, frio ou não, é uma coisa estranha. Porque ninguém, ou quase ninguém sente o vento apenas. Eu faço. E o fiz hoje. E foi tão... estranho.

Aquela história de dois corações batendo ao mesmo tempo, de duas pessoas que imaginam-se num abraço carinhoso, com aquela trilha sonora que pode ser Love Hurts, Wrote a song for everyone, Time after time ou mesmo My girl. Não, não era cena de filme, não foi cena de filme, mas para facilitar o entendimento, foi. (E as trilhas sonoras seriam fantásticas.)

Um abraço desejado, um abraço enviado. Não fisicamente. Então? Pelo vento, por onde mais seria? Aí é que entra o estranho em sentir o vento. Aí que entra a experiência (quase) nova. Aí que entra o fantástico da vida.(pode até parecer exagero, mas pra mim, isso é uma coisa fantástica)

Estranho sim, fantástico sim, real. Muito real. Porque afinal de contas, todo sentimento sincero se propaga pelo meio que for desejado. Esqueça paredes, distâncias, oceanos, buracos ou montanhas. Esqueça até a falta de vento.(se preciso, sopraria até ficar sem ar)

Porque sentimentos são... sentimentos. Não são pacotes de bolachas que você distribui apenas para os seus amigos, esperando que eles dividam as bolachas deles com as suas. Sentimentos são coisas tão estranhas quanto inexplicáveis, porque ninguém sabe explicar ao certo o que é o amor, a amizade, que faz com que duas pessoas sejam totalmente diferentes e ainda assim, se preciso, morram uma pela outra. Ninguém explica isso.

Assim com eu não consigo explicar o que eu senti.

Outro inesperado presente de aniversário. Obrigado, Senhor, mais uma vez.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Palavras relativas de um coração não relativo

O tudo é relativo.
O nada também é relativo.
O sempre e o nunca também são relativos.
A minha tristeza é relativa.
A minha felicidade é relativa.
A minha vida é relativa.
Os meus problemas não deixam de ser relativos.
As minhas ideias não deixam de ser relativas.
E acho que só coisas como o egoísmo e a dor são coisas não-relativas.
Porque o egoísmo é o egoísmo e a dor, qualquer que seja ela, dói, machuca.
A minha vida, a minha família, os meus amigos, a minha fé, o meu amor, a minha sinceridade, as minhas ideias e convicções.
Tudo está relativo para mim.
Como eu disse lá no começo, o tudo é relativo, mas nesse caso, o relativo deixa de ser relativo para se tornar mais um adorno em uma mente fria e cansada de tanta relatividade em tudo, menos no egoísmo de outros e na dor do meu coração.

Cansei.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Um domingo...



Saímos do nada. Repentinamente. Vamos e pronto. Como quase tudo o que não é planejado, essa saída da rotina foi bagual. Pouco importou algumas coisas que por nosso caminho passaram. Pouco importou o caminho em si, com todos aqueles quilômetros de estrada de terra e consequente poeira, toda a falta de sinalização, o cara com a camisa do Vasco de mil novescentos e lá vai paulada, as tais pedras no caminho, que, nesse caso, não fizeram diferença alguma. Pouco importou o mini pastel de R$ 1,50 ou o cão da amiga do Ricardo que, na volta, apavorou os reles membros da foto, exceto o já citado.

Pouco importou as costas queimadas, a dor nos pés que pisavam nas pedras quentes. Pouco importou estarmos apenas em 5.

Pouco importou tudo isso e mais um pouco. Fomos pra puta que pariu de Taquaruçu do Sul, cidade que talvez nem no mapa esteja, e nos divertimos. Sem estragar a diversão de ninguém.

Bagual.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Sob o sono, a falta de palavras não faz falta

(texto escrito sob muito sono, e isso pesa e atrapalha. A falta de sentido, de idéias conexas e úteis está então explicada. No caso, eu escrevi algum dia aqui que não escreveria mais nada com sono, porém, como nada é muito certo aqui neste blog, então, aqui está um texto escrito por um autor caindo de sono... hahaha)

Não gosto muito de ouvir coisas que já sei. Sinceramente. Nada contra quem as fala, muito pelo contrário, sinto-me lisonjeado por ter alguém que se preocupa comigo mas, não sei, não é bem não gostar mas... ler o que já sei, ouvir o que já ouvi não é algo que me deixe feliz. É algo como um cansaço por repetição. Não muito mais do que isso.

Sei que é preciso algumas vezes ouvir algo, mesmo que já se saiba, para então acordar ou simplesmente se tocar de algo que está acontecendo. Algo que não é bom ou que trará conseqüências* não boas ou até muito ruins. Mas acaba sendo um pouco cansativo ouvir, ou ler, até porque, sei bem que essas palavras, por mais sinceras e confortantes que sejam, pouco me ajudam. Para se ter uma idéia, me sinto melhor muito mais com a intenção de ajuda do que com as palavras que recebo.

Eu não sei tudo. Nem tenho essa estúpida intenção de saber tudo, porém, o que acabou ouvindo muitas vezes não acrescenta nada a mim. Não é culpa de quem diz. É culpa de quem ouve. Minha culpa. Porque nunca confiei muito em outras pessoas. Aprendi a não confiar e, mesmo hoje sabendo que possuo amigos, irmãos em quem posso depositar confiança, minha mente ainda não assimila algumas coisas que ouço. Não consigo tirar lição de palavras. Sou um idiota por isso. Mesmo sabendo e tendo consciência da utilidade dessas palavras, não consigo aproveitá-las, o que seria o melhor a fazer.

Tenho uma maldita mente que acha que essas palavras são apenas palavras. Por mais que sejam, deveria conseguir assimilar algo. Usar em meu favor. Mas, acabo, de tanto pensar, dizendo para mim mesmo essas palavras.

O pior é que, mesmo sendo eu o proferidor dessas palavras, elas não fazem diferença.

Talvez seja por isso que eu não gosto de palestras e livros motivacionais. Talvez por isso eu tenha encerrado os "A cada dia um recomeço", por não achar mais sentido em escrever textos que já não tinham mais o mesmo sentido para mim.

Algum dia, palavras ajudaram. Mas, algum dia já passou.

E eu continuo à espera de algo que me faça rever muita coisa que, mesmo não estando propriamente dita errada, sei estar errada.

Não quero mudanças. Não quero recomeços. Não quero renascimentos.

Quero apenas...

Ainda não descobri o que quero nesse sentido.


*sou adepto da trema, não adianta me xingar, não vou abandonar a trema tão cedo.

domingo, 9 de novembro de 2008

Eu escolho o que me faz feliz



Se tem uma coisa cuja referência feita no blog sempre, mas sempre mesmo, foi positiva, é a tal da amizade. Porque é uma coisa tão inexplicável quanto o amor, até por ser uma forma de amor. No caso atual, do meu agora presente, mesmo que exausto e com dores nas pernas, quero simplesmente escrever. Porque gosto. Mesmo. E essa é outra coisa que não canso de escrever, mesmo sabendo que é um saco ler frases daquele, e também deste tipo.

Voltando à amizade, preciso dizer que hoje os meus amigos estavam diferentes. O motivo, e o contexto, para tal, não serão comentados aqui, até porque, não faz diferença, mesmo. Nunca fui tão ironizado e tão sacaneado quanto hoje. Nunca não, mas fazia tempo que não riam tanto da minha cara.

O pior da história é que isso me fez bem, mesmo que eu tenha desferido alguns poucos, e duros, golpes, que também não machucaram ninguém, felizmente. Me fez bem porque percebi o quanto algumas pessoas fazem a frase "o que importa é quem você tem na vida" ter algum sentido real.



Nem uma manada gigantesca de borrachudos(mosquitos menores, mais redondos e que chupam mais sangue), dentre as vítimas posso citar a minha orelha direita, nem um refrigerante de laranja sem gosto, nem as tentativas incansáveis de buscar a glória e a fama de alguns terceiros(que não serão citados pois seus nomes me fazem ter vontade de parar de escrever), nem a decisão inesperada, e ridícula, do antecipamento da volta, nem todas as risadas já citadas.

Nada me faz pensar que hoje foi um dia ruim. Nem o problema que tivemos com o carro do Fão, o que nos obrigou a ir de ônibus(ouvindo a famosa música da barata, dentre tantos "hits" de corno e de gente que só pede uma corda para se enforcar). Nada.

Porque afinal de contas, sou eu quem escolhe o que me faz feliz, o que me deixa feliz. Eu mesmo. Sem arrogância nem petulância, apenas com uma visão bem definida de algo que, hoje parece fazer muito mais sentido do que em qualquer outro dia que já tenha sido vivido, ou infelizmente apenas existido, por mim.


Um dia as pessoas crescem, dirão alguns. Discordo. As pessoas ganham oportunidades todos os dias, sejam elas de crescimento, evolução ou simples mudança. Aproveitar isso é que faz a diferença. É o que difere os normais dos malucos. É o que mostra quem é original e quem é cópia.

Hoje, ou melhor, ontem, foi um dia diferente. Um dia bem diferente. Um dia bem bagual. Muito bem aproveitado. Um dia que seria como qualquer outro, se a gurizada não tivesse se encontrado, se as conversas não fossem brincadeira, se as risadas fluíssem, se eu não visse aquele sorriso...

Tão longe e inexplicavelmente tão perto...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Histórias do Billi J. - quando uma conversa é só uma conversa mesmo

Conversando um dia com seus colegas de faculdade, o Billi J. começou a contar sobre o seu passado(bah, quem lê isso pensa que ele tem uns 250 anos), já que é o único do grupo de 5 que conversavam no bar, que não era da turma antes da faculdade. E o Billi J. começou a contar da sua paixão pela Renata, da vez em que ele saltou de um restaurante pela janela, quebrando um vidro e depois fora, pelo menos quase, atropelado pelo pai da Renata.

Contou de tudo o que correu por ela e da dificuldade em se declarar. Contou o que fez no dia em que começaram o namoro, e no que pensou quando descobriu que ela iria embora alguns dias depois. Contou o número de declarações que fez para ela em menos de um mês(na história da humanidade, ninguém chegou perto do número do Billi J.).

Enfim. Depois de ter contado tudo isso(e mais o que já foi escrito nas outras histórias do Billi J. - para quem quiser lê-las, clique no marcador "vida do Billi" no final desse texto), o Billi J. começou a beber o seu copo de suco de bergamota com amora(!!!).

Foi então que, pensando em tudo o que havia escutado, um amigo lhe disse(e o diálogo começou):
-Billi...

-Ãhn?

-Sabe...

-Depende do que.

-Deixa eu falar seu baúco(sinônimo de tonto, bocó, animal, idiota, "xingamentos" desse tipo).

-Ninguém está te impedindo.

-Mas sabe...

-O que?

-Se eu fosse mulher, namoraria contigo.

Espanto geral, uma declaração dessas geralmente é feita numa roda de amigos de anos e anos, todos já com uma idade avançada. Todos os outros, menos Billi J., que ficou com cara de espantado, riram daquilo. O cara que disse isso então se explicou:

-Vocês entenderam gurizada..

-Sim, você se sente atraído pelo Billi J. - disse outro, aumentando a raiva do primeiro.

-Não. Claro que não. Eu só disse isso porque nunca fiz por nenhuma das minhas ex-namoradas...

(não pode completar a frase pois fora interrompido)

-Claro que nunca fez por nenhuma delas, você nunca namorou...

(as gargalhadas aumentaram, aquela conversa virou típica roda de adolescente bebendo cerveja(menos o Billi J., que bebia suco de bergamota com amora))

-Vavá-te baúco arcaide. Já tive mais namoradas do que você.

(todos ficaram em silêncio, menos o Billi J., que já estava em silêncio, pois sabiam que aquilo que fora dito era verdade, não havia na cidade, e quem sabe, no país, um cara que tivesse tantas namoradas quanto aquele cara lá, que não ganha nome, por enquanto)

-O que eu queria dizer é que eu nunca fiz por nenhuma delas o que ele fez pela... como é mesmo o nome dela?

-Renata.

-Isso. O cara brigou com um ex-melhor amigo, comprou uns xebas, correu feito condenado, enfim, fez o escarcéu para poder se declarar pra ela. Por isso que eu disse aquilo.

E todos, mesmo entendendo desde o começo, continuavam dando risadinhas, mas agora seguidas por uns "sim sim" e outros "entendi".

-Mas e agora Billi, cadê ela?

-Na Inglaterra.

-Mas vocês têm algum compromisso?

-Sim. Digo, não, Digo, talvez. Porque é complicado falar por mim e por ela. Se eu pudesse, ia morar lá.

-Hum... E a Amanda, aquela loirinha?

-Sei lá.

-Como "sei lá"?

-Nem tudo tem um porquê meu jovem...(disse isso inspirado nas frases de um antigo professor)

Continuaram conversando. E bebendo. E rindo um da cara do outro. Como amigos. Porque afinal, amigos são para essas coisas. Rir. Conversar. Confessar. Relembrar...


Não que tenha algum fundamento todas as coisas escritas acima, mas enfim... é a vida do Billi J..

domingo, 20 de julho de 2008

Amigos...

Amigos são companheiros(Fão), são irmãos(Ricardo), são professores(Miguel). Dificilmente os teus amigos são muito diferentes de ti. Amigos não são nada além de humanos. Amigos podem muito bem parecer não lembrar de você(Cidi), mas do nada vêm falar contigo. Amigos podem muito bem esquecer que hoje é o dia do amigo. Amigos podem não dar a mínima ao receber um "feliz dia do amigo"(Tunder), ou podem ficar muito felizes(Aline).

Amigos são diferentes. Ninguém tem só um tipo de amigo. Pode ter dois do mesmo tipo, o palhaço maluco. A chance disso acontecer é pequena, mas se eles forem irmãos, essa chance aumenta(Cleiton e Cristiano). Amigos podem também não ser engraçados(Inácio), mas mesmo assim tu acabas rindo. Amigos são diferentes porque, insisto, são humanos, erram, acertam, te xingam(Duylho, mas pode ser o Miguel ou o Tunder também), ou pouco falam com você(Renato). Amigos não estão sempre presentes(Luiz Augusto), porque isso não é possível mesmo.

Amigos não te contam coisas(Sil) ou te contam tudo(???). Amigos te ajudam mesmo sem saber(todos). Amigos te ajudam só com a lembrança de momentos que, se não lembrados todos os dias, serão lembrados nos momentos mais importantes de nossas vidas.

Agora aos membros do CQTS e da Gurizada do PL, será difícil passar os sábados sem fazer PL... que saco.

Não que seja uma despedida agora, mas talvez seja daqui há alguns meses.

Mas as lembranças, das bobagens e das inúmeras noites de sábado, ficarão sempre gravadas como momentos fundamentais da minha vida.

À todos os meus amigos, um feliz dia do amigo...

domingo, 6 de julho de 2008

Do meu tempo de normal: O mundo em frases

Coisas estranhas, em uma frase, cada uma, para mostrar que viver é um ato muito estranho.

Um erro só e tudo o que fizestes de bom, é esquecido.

Mesmo que tu concertes o erro logo em seguida, te lembrarão sempre daquele erro.

Uma palavra fora de lugar basta para te dar uma moral negativa.

Com essa moral negativa, as pessoas se afastam de ti.

E por mais que use palavras certas sempre, daquele momento em diante, não conseguirás mudar a primeira impressão.

A primeira impressão não é a última que fica, mas é a que define quem conversa contigo porque gosta e quem nem olha na tua cara.

Tu não percebes e passa por algum conhecido, que te cumprimenta, mas tu não o cumprimentas.

Tu passas a ser mal educado, e a pessoa passa a fingir que não te vê toda vez que tu passas por ela.

Atitudes valem pouco se comparadas à aparência, portanto, se queres causar uma boa primeira impressão, aparente ser o que não és, depois que te conhecerem os teus defeitos serão apenas defeitos.

O mundo é muito diferente do que era.

Na verdade, acho que o mundo sempre foi assim.

A prova disso, é que vivemos em meio a ignorância.

Em meio a superficialidade.

E em meio ao dinheiro.

Quem tem, é legal.

Quem não tem, não é legal.

Quem tem é amigo.

Quem não tem, não é amigo.

Quem fala o que pensa é grosso.

Quem omite o que pensa é educado.

Quem é sincero é grosso.

Quem é falso é educado.

O mundo é uma coisa muito estranha.

O que torna o ato básico de um ser humano, o viver, uma coisa muito estranha.

Porque precisamos fazer o que os outros gostam.

Para que os mesmos gostem de nós.

Mas se mesmo assim eles não gostam de nós.

O que poderemos fazer?

Acho que viver contra tudo e contra todos.

O que não seria ruim, se fossemos seres autotróficos, como as bactérias.

Que não precisam das outras para viver.

Mas há controvérsias.

Só que isso não importa agora.

Acho que é só.


Esse texto foi escrito por mim há mais de 2 anos, no começo do momento mais complexo que já vivi. Acho que escrevi numa aula de biologia, só pelas bactérias. Mas sei lá.

Estranho... mas sei lá. Não custava nada escrever uma coisa antiga dessas nesse blog.

Mas concordo com o meu eu antigo quando ele escreveu que o mundo é muito estranho, viver é muito estranho mesmo. E pensar que hoje eu penso muito³° diferente do que pensava. Mas a essência é a mesma. O sentimento de ser diferente já se manifestava naquela época.

E era.

Agora é.


Tão tá!

domingo, 22 de junho de 2008

Certas coisas não mudam - ainda bem

Pois alguma coisa está diferente. Em mim, no blog, no mundo. Creio que o céu não esteja mais azul ou a grama aqui de casa esteja mais verde, tampouco o cactus do vizinho está mais espinhoso. Mas alguma coisa é diferente. Visão de ver o mundo? Bah, acho que não. É o fato de eu ter tirado de vez a lista de sites que raramente visito? Muito menos, estavam lá só para enxerto. Será que é porque alguma coisa mudou?

Se algo está diferente algo mudou, pensaria um matemático. Mas eu, mesmo tendo certa aptidão para matemática(que não pode ser considerada muito boa pois me falta vontade de estudar matemática), não confio nos matemáticos. Eles só pensam em números. E como pode viver alguém que só pensa em números? Não quero imaginar. Bom, para terminar essa contínua e incansável indecisão de minha parte, digo que há algum tempo já me perdi em meus raciocínios sobre um possível azulamento do céu ou escurecimento das folhas do coqueiro, se é que alguém entende alguma coisa que escrevo.

Bom, hoje, ou talvez ontem, tenha sido o(s) dia(s) para(antes de mais nada digo que não usarei mais parênteses para demonstrar plural, que fique tudo subentendido) ratificar(confirmar é uma palavra muito comum) (antes de mais nada vou tentar não escrever mais parênteses, agora, continuando o texto...) coisas que há algum tempo eram certas mas tinham se perdido, assim como uma bola de merengue no meio do sagu. Fica algo indefinido, que é fácil de ser comido, mas sabe, fica meio estranho né.*

Então eu converso e percebo que a distância e a diferença na atitude eram sim, existentes, mas nada que pudesse atrapalhar.** E tudo não passava de talvez um mal entendido. Porque é só querer que o mundo bota as coisas no lugar. A natureza, o mundo, o vendedor de bergamota da feira, enfim, todos botam as coisas no lugar, com exceção das bergamotas, se as coisas quiserem ser colocadas no lugar. Porque não há e nunca houve um motivo em especial para o rancor, bom, falar em rancor é a mesma coisa que dizer que todo homem que levanta o minguinho quando toma café em xícara é gay. É uma generalização fracamente infundada, pois mesmo tendo um sentido de existir, ela se contradiz e perante a argumentos, torna-se inepta e inútil***, se é que esses dois adjetivos não possuem algum significado em comum.

Enfim, hoje pude perceber que não são pequenas mudanças que farão com que um "oi" seja considerado hipócrita ou um "como estás?" seja considerado provocação. No fim das contas**** é preciso muita calma e certo grau de inteligência para identificar uma mudança que possa ter passado despercebida, pois pensar e tirar uma conclusão logo num caso desses*² é pedir para se arrepender de uma palavra mal colocada em uma frase desnecessária.

Tão tá!*³


*não como sagu;
**nesse momento do texto imaginei como seria ler uma coisa dessas, então ri e tentei continuar depois de certo grau de tosquice apelada;
***inepto=imbecil, não apto para algo; inútil=que não é útil; se é que isso mudou alguma coisa
****para não repetir o enfim do começo do parágrafo
*² -> ãhn? alguém entendeu de qual caso escrevi?
*³ -> ao final do texto, só posso rir por todas as bobagens e irritâncias(???) que esse texto possui, mesmo que para mim tenha algum sentido

sábado, 7 de junho de 2008

Histórias do Bandiolo - O Eu e o Nós - (enfim, voltei, bom, pelo menos por enquanto) - final

As pessoas lembravam do Nós porque ele era participativo. Ajudava. Trabalhava. Brigava por algo melhor. Mas as pessoas também lembravam do Eu, até porque, quem não lembrasse do Eu, era um tapado ignorante, um colono dos arredor de Castelinho(distrito de Frederico Westphalen, minha cidade). E por incrível que pareça, numa pesquisa para saber quem era mais lembrado, o Eu ganhou por quase unanimidade, só um voto não foi para ele. O seu próprio voto.

O Eu era tão idiota que decidiu votar no Nós, porque tinha a certeza que a sua persuasão e a sua ambição fariam as pessoas votarem nele e não no muito útil Nós. E o Nós, humilde que só, votou no Eu porque não conseguia pensar que alguém lembrasse dele, até porque, por vezes, imaginou que se não fosse quem era, não se lembraria de alguém com o nome de Nós. Que nome comprido. Quase todos na cidade se chamavam Eu. Era o Eu da Silva, o Eu de Souza, o Eu Goulart, o Eu Robertson, o Eu Joe, enfim, todos tinham um sobrenome, menos o Eu dessa história. Porque onde já se viu alguém como Eu ter mais do que um nome? Ridículo, coisa de perdedor.

E no ritmo do Eu, a cidade foi se destruindo. Porque todos copiavam o Eu e o Nós não agüentou, e um dia desistiu. Entregou os pontos e virou como o Eu também. O Nós passou a se chamar Eu de ex-Nós. A cidade não tinha mais alguém que trabalhasse. Alguém que se dedicasse. As velhinhas não atravessavam mais as ruas. Os carros não saíam mais no inverno por causa da neve. As ruas eram mais sujas do que aviário. E tudo só ia piorando.

Alguém um dia chegou para o grande Eu e perguntou: "Não havia alguém que limpava toda essa merda que hoje emporca a nossa, desculpa, a tua cidade?, Não consigo me lembrar quem era...". O Eu se deu por conta de que a sua arrogância, o seu mau exemplo e a sua superficialidade haviam acabado com o lugar. Mas agora era tarde. Lembrou-se então daquele idiota que havia votado nele na campanha da popularidade. Procurou-o e achou-o. Tentou convencê-lo a virar apenas Nós novamente, esquecer o seu mau exemplo e fazer a cidade voltar a ser o que era. Deixou todo o seu ego de lado, a sua arrogância, desceu do palanque feito de gilete(quem nunca ouviu que alguém que se acha tá discursando em cima de uma gilete, ou algo do tipo...?) e se humilhou para tentar recuperar a cidade que já não existia, pois tudo era lixo, entroncamento e desrespeito.

Só que o Nós, digo, o Eu de ex-Nós, fez o seu ego falar mais alto e respondeu: "Eu é que não vou mudar para melhorar a cidade". Eu então indagou: "Mas nós precisamos de você!". O Eu de ex-Nós então terminou a conversa com um: "O Nós, agora é Eu também...".


*qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência
**inspirado em auto-conversas e auto-discussões efetuadas durante os meus poucos momentos de descanso.
***não procurem porque não há asteriscos dentro do texto, pelo menos não que eu me lembre.