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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Histórias de bergamota (18)

"Somente hoje fiquei sabendo que alguns animais perdem parte de sua pele para que então nasça uma pele nova, ou alguma coisa próxima disso. Achei incrível! A natureza, acreditando vocês no Dedo que a criou ou não, é fantástica, são detalhes demais para pouca compreensão do porquê tudo isso poder, embora o homem faça o possível para impedir, conviver em harmonia e coletivamente. 

O esquecimento do individual, na natureza, deveria servir de exemplo para homens como vocês, que só pensam no próprio umbigo. E nem venham me dizer que vocês se importam com o umbigo dos outros porque é mentira, eu sei que é mentira! Nem com o umbigo de algumas laranjas, vistas por mim várias vezes na vida, desviam seus olhos e seu senso de preocupação para fora do eixo de rotação dos pensamentos individuais. Garanto que se vocês, humanos, assim como alguns animais, trocassem de pele, não andariam desfilando por aí cortando tudo e todos, vegetação e sonhos. 

Tenho a certeza que teriam mais respeito pelo conjunto, num todo, se precisassem que alguém os aceitasse durante a dita 'fase de transição' de uma pele para outra. Seriam a mesma pessoa, com uma pele semelhante, mas nunca a mesma. Por que não mudar os pensamentos, ser a mesma pessoa, mas de um jeito diferente. Ser, eu disse: ser, e não estar, fazer ou comer.

Ah sim, sei que vocês, admitindo ou não, não conseguem viver sozinhos mas... por que continuam então pensando, e agindo, como se fossem autossuficientes e não precisassem uns dos outros, para qualquer coisa que seja? Um 'derrr' para vocês, bobões, que parecem ser tão superiores mas que, deparados com algumas verdades, fogem das mesmas com argumentos falhos como 'não vou discutir sobre isso' ou 'não quero brigar com você' ou ainda o tão popular 'eu penso de maneira diferente'. Há coisas que deveriam ser senso comum.

O que? Não quer ler o que eu estou escrevendo? Claro, acho que o seu umbigo saiu do lugar, sim, vai lá ver e depois volta aqui para terminar de ler.

(...)

Voltou, que bom. Só quero dizer mais uma coisa: Vivam como parte da natureza, pegando de nós, seres irracionais, coisas boas como simplicidade, mudança sem perder a essência e reconhecimento das próprias limitações. O que, você acha que não pensamos, alguma vez em nossas curtas vidas, em ser uma coisa que não somos?

Confesso, sempre quis ser uma jaca. Cara, elas são enormes, monstruosas mesmo. Nunca chegarei àquele tamanho, por isso aceito-me como pequena, e ínfima, parte do todo da vida de uma árvore. Não, nem pense em cortá-la pois eu ou alguma semelhante a mim irá te dar uma dor de barriga daquelas.

Não nos provoque.

Ass. Uma bergamota"

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Histórias do Billi J. - Apenas um email


"E aí, amigo, como estão as coisas?

Bom, não tenho muito tempo, então serei o mais breve possível. Eu sei, tão bem quanto você, o que é ouvir algo que desperta sentimentos passados de... enfim, esse tipo de sentimento que tanto tentamos controlar quando queremos ser coerentes com um propósito de vida diferente. Optar por não mandar a pessoa para a p... para o raio que o parta, é uma decisão sábia, moldada na busca pela tolerância, que evita que sejamos preconceituosos e tudo mais mas... é difícil.

Entendo que a pessoa seja, tão somente, uma cabeça-oca. Não sei se o termo está bem escrito assim, com hífen, mas não importa. Ela ter vindo dizer algo que te trouxe um grande desânimo é, sem dúvida alguma, uma provação pela qual você, ao menos à princípio, passou. Cuide ainda mais nesses próximos dias, uma vez que quando se supera uma provação, atacam direto nos nossos pontos fracos. Quanto a ela, bom, ignore, desfaça-se desses pensamentos e o fato de ter de aguentar uma gozação 'engraçadinha' de alguém que, de fato, não está se importando com o que você pensa ou mesmo tem conhecimento do porque você tem dificuldades em levar essas coisas adiante. Também, e isso é fundamental, não tente justificar, explicar, dar razões para ela entender os teus motivos, as tuas razões - que são a verdade dessa situação - porque... afinal, a vida é de quem?

Sei que entendeu. Ah, antes que eu me esqueça. Ainda nessas provações entendo que ter evitado fazer alguns comentários, hoje, foi uma boa escolha. Se os outros quiserem, que digam, você acabará ouvindo mas não estará alimentando uma corrente que só tem um fim quando alguém decide calar-se. Boa escolha e, mais cuidado ainda - vide o alerta anterior.

De resto, é complicado sim ter a certeza de uma avaliação condizente com o esforço e com a dedicação, ainda mais quando há tantos poréns nesse contexto todo. Enquanto tiver chance, supere um pouco mais o limite da sua própria atenção e aceite que você não consegue assimilar e prestar atenção com a mesma intensidade que outras pessoas. Sei bem como é isso pois, se tivesse prestado mais atenção, a Renata e eu... bom, você sabe a história até melhor do que eu, tantas vezes foram as que escrevi sobre ela. A história e, também, a Renata.

E sobre a... como é mesmo o nome dela? Ah, que burro, você não disse o nome. Bom, deixa para lá.

Abraço, amigo.

B.Johansson"

domingo, 6 de março de 2011

Histórias de bergamota (15)


A relação entre o que acontece, sendo esse já passado e o que irá acontecer, que no caso está acontecendo agora e, caramba, logo vira passado, não é tão levada em conta quando falamos da vida alheia. As melhores aparências passam, o que fica são as sementes deixadas, que fazem surgir um novo pé. Esse pé servirá como sombra, sendo como lembranças que voltam e aliviam o calor, ajudam no descanso, permitem tranquilidade antes que novos passos sejam dados sobre o sol. Que analogia bem boba essa. Porém, pior seria se continuasse falando de tempo e espaço. Todos os dias surgem plantas que podem deixar sementes para as tais futuras árvores. Ou não. A escolha não é apenas de quem fica, não é apenas de quem vai. Francamente, não há uma escolha. Há alguma coisa que motive o tal fruto a deixar alguma semente para que o futuro-logo-presente-logo-passado possa ser de fato, deixando a simples e irritante possibilidade qualquer. Como frutos que surgem de uma maneira explicada pela biologia, como árvores que nascem através de cuidados da agronomia ou as que são cortadas por engenheiros florestais, assim são pessoas que dia pós dia (sem qualquer hífen entre esses dias) passam e deixam, ou não, uma futura lembrança. A culpa se novas lembranças, ou sementes no caso da bergamota, não são deixadas não é apenas de quem não deixa sementes, mas também de quem, por vezes, não faz a menor questão de deixar que essas sementes sejam futuro-logo-presente-logo-passado. Diriam os apegados à analogias piores do que esta que tudo passa, até a uva passa. Piadista sem graça quem começou com essa história.

No final das palavras, se uvas fossem importantes, escreveria 'histórias de uva' e não de bergamota.

*tão somente nada

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Do silêncio veio, para o silêncio vai


Dúvidas que, de tão grandes, fazem cessar os risos, calar as palavras e emudecer qualquer boca passível de fala. Dúvidas que afogam em qualquer oceano, mar ou mesmo riacho de lágrimas. Tristes, desnecessárias e um tanto incompreensíveis lágrimas. Como dizem, escolher o mais fácil faz sentido. Como se nada existisse, como um pássaro que apenas passa sem deixar nada além de um pequeno surto de ar em movimento.

Vento.

Seu sentido contraria o sentido da lógica, do próprio sentido. Direção e sentido exaustivos. Longínquos demais para se pensar, quanto mais entender, compreender. Ver.

Visão que impede negação de existência, presença, acontecimento obscuro mas não menos presente, existente. Chuva que molha. Enxurrada que apenas mais barro forma. Sem cobrir nada. O que se pensa ser não é. O que se pensa querer ser, também não é. Será para algum? Será para nenhum? Dúvidas sucessivas, que tonteiam, impedindo qualquer passo, qualquer lado que pudesse vir a ser.

Confusão incoerente. Sabe-se para onde quer ir, tenta-se saber para onde deve-se ir, não compreende algo além do que se sabe e do que talvez se saiba.

Calafrios, com outro frio, ruim, contínuo, duvidoso e suspeito. Críticas reflexivas que bombardeiam ainda mais todos os caminhos em torno. Independente do ponto central.

Menos de muito e muito de menos, de nada, de tudo.

Que insanidade intensa essa!

*sem comentários aqui

domingo, 26 de setembro de 2010

A vida do Jaimão(parte 5)


T-E-L-E-F-O-N-E, era isso. Mas antes deveria atender, seria algum vizinho que ouviu barulhos estranhos? Para aumentar ainda mais a raiva do Jaimão, era uma atendente de telemarketing tentando vender-lhe um conjunto de pentes para homens peludos, tipo Tony Ramos. Isso lá pelas 3 da madrugada. Xingou a pessoa, seja homem ou mulher e voltou ao seu plano, bem, à sua tentativa de ter um plano para assassinar aquela que ficaria sendo sua falecida esposa. Maldita, até mandaria um bando de pivetes urinarem na sua sepultura. Voltando, ele pensou que asfixiaria ela com o fio do telefone. Sim, com o fio do telefone. Um sorriso brotou de seus lábios. Ainda pulando, subiu mais uma vez as escadas da casa e, com boca, pé e braços ensanguentados ele foi até o quarto, não sem antes dar mais umas bordoadas nos afeminados filhos daquela... mulher. Chegando no quarto, mais uma decepção. O telefone era sem fio. Como era difícil essa vida de assassino...

Entretanto, sua raiva era maior, fazia-o engolir a dor, a sujeira da pedra e de tantos outros insetos que rondavam sua boca que mais parecia uma sopa de sangue de pato. Como nenhuma ideia surgia em sua mente, sentou-se na cama e tentou descansar. Acabou dormindo, cansado de tanto fracassar, com tantas dores que fica difícil imaginar.
Ao acordar, notou que havia dormido em cima da sua... esposa(?), que estava fria e imóvel. Tentou acordá-la, em vão. Havia matado-a sem intenção, ou pelo menos sem intenção no seu sono, no seu dormir, no seu descansar. Seu pé, furado, doía. Suas mãos doíam. Sua boca era uma poça seca de sangue. Seus dentes da frente estavam grudados naquela pedra. Mas pelo menos aquela vagab mulher, já estava morta. Como esconder o corpo dela sem que os pivetes soubessem? Tapou aquele corpo fedorento, e agora morto, com um lençol... transparente. Caramba, não havia outro na casa.

Seguiu seus passos em direção ao hospital. Passou alguns dias lá. Pensando no que fazer da vida, agora que era viúvo. Bom, não totalmente, já que ninguém sentiria falta daquela... coisa. Talvez aqueles caminhoneiros fedorentos. Tudo muito rápido, semanas depois voltou para casa, ainda com o pé machucado, com os dentes postiços e outros remendos em seu corpo sem nenhum ão de qualidade. Seus filhos sorriam ao vê-lo. Aqueles viados de uma figa. Eles o abraçaram e ele respondeu com uma bofetada na raiz do ouvido de cada um. Eles choraram e lhe entregaram o dinheiro.

Que dinheiro? Onde esses imbecis arrumaram tanto dinheiro. Devia haver uns 30 mil naquele maço todo. Mandaram-lhe ir até o quarto para ver de onde vinha o dinheiro. Com dificuldade, subiu as escadas, abriu a porta e, que nojo! Até ele ficou apavorado quando viu uma bola humana de pêlos em cima do corpo da sua ex-mulher, aquela v... . Ela, morta e eles em cima, fazendo coisas indevidas. Necrófilos! Que nojo. Não conseguia pensar em outra coisa. Ele era um gordo, obeso, fedorento, fumante. E estava ali, em cima daquele corpo morto. Que nojo.

Não sabia o que pensar. Então fechou a porta, desceu as escadas, sentou no sofá e começou a contar o dinheiro. Aqueles dias não haviam sido fáceis, mas o final valeu toda a dor.

Apesar de ter consciência de que ainda era um corno, uma vez que sua... mulher, ainda mantinha relações com outros homens, mesmo estando morta.

*o final de uma história é quase sempre ruim. 
Essa não conseguiu fugir à regra. 
Porém era preciso terminar essa história,
infeliz, de vida, de alguém que não existe.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Como uma volta


Dentre tantos gritos, um ecoa vaidosamente no meio de tantos outros. Ele toma para si proporção descomunal e inútil. Bom, e um tanto quanto superficial. Desgosto feroz que não é raiva, lamento tolo que não é tristeza. Distante do que precisa, necessita e é dito, com mais uma rara exceção hoje, aqui, nessas palavras costumeiramente tortas. Um grito que não sai da boca porque não precisa sair de lá. Ele ecoa, deixa sua marca derrubando uma coisinha aqui e outra ali com suas ondas sonoras, pasmem ou não, inexistentes porém, ainda assim, fortes. Não há o que dizer quando um nome passa a ser a razão das palavras ditas. Não há. Grito algum consegue compensar a vaidade superficial de um grito, qualquer que seja a proporção do seu eco, qualquer que seja a sua consequência. Tanto faz, palavras são ditas e não há como mudá-las. Quem sabe com a troca de nome, de cidade, de identidade, de autor ou idealizador do tal nome, das tais frases. Dizem que uma árvore não cai longe do pé, mas se um pássaro ou um menino pegar e carregar, ela terá caído em outro lugar. Pensem como quiserem, dizendo o que digo, não explico nada, não demonstro nada, não busco entreter ou ter alguma palavra bem recebida. Sim, tanto faz se a vida é entendida literalmente, por palavras, gestos ou pelo nome. Achei que não precisava mais dizer que cansei da literalidade daquilo que não tenho e prefiro voar sem asas, falar sem voz e fazer ecoar alguma coisa por algum lugar do incrível, distante, um tanto quanto irreal, mas muito interessante mundo obscuro da subjetividade.


*não que alguém fosse comentar, mas... 
sem comentários nessas frases.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Histórias do Bandiolo - Você não gritou, você não viveu. Você apenas existiu. E morreu.

Diferentemente do pobre que não tem nada mas quando uma enchente arrasa sua casa ele diz que perde tudo, este, aquele, seja lá quem ele era e onde estava, não perdera tudo. Pelo menos não ainda. Centrado e concentrado em seus afazeres, por um instante um asterisco caiu em sua cabeça. E o pensamento foi longe. Muito mais longe do que seus afazeres necessitavam que ele fosse.

E voou em pensamentos longínquos, distantes, até que um outro asterisco caiu sobre si. Então parou, olhou para os lados. Estava agora na sua infância. Procurou uma poça d'água e nela viu seu reflexo. Voltara a ser criança naquele momento. Tão jovem, cheio de vontade, de disposição, de pureza, de inocência. Quando aproximou-se de seus antigos colegas, começou a chover. E então sua viagem continou. Para longe dali.

Estava agora na faculdade. Aquela coisa louca e com pouco daquilo que tivera na infância. Agora o seu eu falava mais alto do que alguma coletividade. Os nervos e as células todas à flor da pele. Não sabia explicar aquela sensação, mas sentia-se poderoso, dono do mundo, do seu imenso mundo, o qual não possuía fronteiras. Era dono daquilo, de si. E ao avistar a antiga paixão, começou a nevar. E diferente da intensidade da chuva, a neve veio calma, e logo tudo ficou branco.

Em um piscar de olhos chegou novamente onde estava. Senhor de idade, viúvo, só. Solidão que nunca lhe acompanhara e que ao conhecê-lo nunca mais separou-se dele. Não fazia mais diferença alguma. Sem herdeiros ou pequenos guerreiros em sua vida, via-se cercado de trabalho, de seu trabalho. Mas não queria mais aquilo. Queria paz. A morte lhe traria paz, pensou.

E foi em busca disso. Sem janelas, sem cordas, sem armas ou venenos. Queria que o céu caísse sobre sua cabeça, tendo então, uma glória. Glória avessa, estúpida e vazia. Mas era a glória que queria, já que a única que conseguira em sua vida o mundo lhe tirou da pior maneira possível. Distante da morte, rente ao patético. Sua Glória lhe abandonara. Anos atrás. Pela mulher mais gorda que já pisou na face da terra. Talvez tenha sido dela, da sua antiga Glória, a glória de ter sido a primeira mulher a largar um marido para viver com outra mulher.

Glória avessa, glória devassa. Glória ingloriosa para este que, vendo sua vida sem sentido, já estava morto e não sabia. Existira por anos, até que decidiu glorificar-se pelo céu descer sobre si e arrasar com tudo o que havia existido em sua patética vida.

Estava morto e não sabia, por isso sua vontade de morrer com alguma glória fora apenas um sonho que não existiu, pois ele já não existia mais. E só depois que o asterisco caiu em sua cabeça percebeu que ele era, na verdade, um pedaço do telhado de sua casa. Asterisco maldito, que o levou para longe, o fez pensar numa falta de vida naquela existência imunda.

Morreu, perdendo naquele asterisco a última chance de ter uma glória antes da sua morte, ou durante a mesma.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Algo de um passado não tão distante



"Longa viagem, longa reflexão, longas e distantes ideias e nenhuma conclusão. Ou seja, nenhuma novidade. Um entendimento incompleto. Um sentido esquecido. Algo incontrolável, imutável, instável e sem qualquer perspectiva de melhora ou mudança. Medo do provável, do imaginável, daquilo que jamais deveria existir. Longe, de mim, da verdade, da sinceridade, da espontaneidade. Distante dos meus olhos, das minhas mãos. Distante de mim, do meu coração. Um sonho, um sentimento, uma verdade, distantes de tudo. Eu, distante de um tudo tão relativo quanto escolhas superficiais, com futuros patéticos. E eu aqui. Perdido, longe."


*escrito no dia 26/12/09, no meu celular. 
Dias complicados, sem muita fundamentação mental. 
Dias chatos, monótonos e cansativos pela falta do que fazer. 
Acabei publicando no Lar dos Escrivólatras antes. 
Nada mais a dizer.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Fim de ano, começo de ano. Tá, e daí?


No ano passado eu elegi os 10 textos que eu mais tinha gostado de escrever nele. Não vou fazer isso. Os marcadores estão aí ao lado, e também, eu nem escrevi tanto, embora considere os textos deste ano melhores dos que os do ano passado.O que posso relembrar desse ano? Muita coisa.

Muita coisa importante, boa, fantástica, sincera, verdadeira. Mas muita coisa ruim, pensamentos, agonias, tristezas, mágoas e decepções. Ano de contrastes, como qualquer outro. Não para mim.

Acho que num possível balanço nunca vivi um ano tão ruim. Com tantos momentos ruins. Entretanto a intensidade do que foi bom, do que é bom de ser lembrado(mesmo que no fundo acabe não sendo muito bom), acaba encobrindo o que não precisa ser lembrado.

O que aumenta consideravelmente a sensação de que sou um grande perdedor é muito mais em quantidade do que intensidade. Muita coisa, sem muita profundidade. Porém, preciso fechar os olhos toda vez que preciso deixar de lado isso para sentir o que realmente foi bom, para lembrar do que é necessário, importante e, mesmo que pareça contraditório por motivos que não serão escritos, fundamental.

Ano ruim? Não sei. Com muitas coisas ruins, como nenhum outro ano havia trazido. Mas intensamente produtivo, pela mente, pela intensidade de alguns sentimentos, pela comprovada sinceridade de outros, pela evolução e desabrochamento de alguns ideais, pelo aperfeiçoamento de sonhos, de realizações, de reflexões e vivências.

Cada um define o seu ano como quiser. Ou não defina, isso não muda absolutamente nada, porque o ano não vai agradecer por você elogiá-lo, não vai existir mais alguns dias além do que ele têm que durar por ter sido chamado de bom, disso ou daquilo.

Sem nostalgia. Até porque, nem todo mundo sabe o que é isso.

domingo, 29 de novembro de 2009

Histórias de bergamota (12)

Perguntei para minha mãe como eu nasci. Ela não sabia responder. Perguntei ao meu pai. Ele também não sabia. Então fui perguntar ao meu avô, a mais sábia alma que eu conhecia, mas ele também não sabia me explicar com eu nasci. Cegonha, couve-flor, nada disso é verdade, sabia eu. Como eu nasci? O que aconteceu quando nasci? Por que ninguém sabe me explicar?

Depois de algum tempo, percebi que meus pais não eram meus pais. Meus avós não eram meus. Todos eram meus irmãos. E aquele sábio não era nada meu, porque era uma laranja do céu.

Ninguém sabia me explicar como nascem as bergamotas. Por não achar uma resposta sensata para o 'de onde vim', decidi definir logo o 'para onde vou' e, sem fazer esforço, caí no chão, sendo ajuntado por um xeba, que me descascou e chupou todo o meu suco.

Eu sou uma bergamota, e essa pode ser a minha história.

*escrever coisas como essas me afasta um pouco daquele sentimento de vazio total

domingo, 22 de novembro de 2009

Não é bem assim (8) - voltando a estragar frases feitas

Se não for pra me fazer voar bem alto, não me faça tirar os pés do chão.


Começando essa análise bem simples e simplificadora, vamos levar em conta que essa frase deveria ser apenas dita para pilotos de avião, ou veículos que voem. Mas em todo o caso, levarei em conta o lado patéticamente figurativo dessa frase.

Vejamos, para quem assiste filme, sabe que durante cenas impróprias para menores de 18 anos os caras, ou mesmo as mulheres dizem 'vou te levar pro céu'. Então. No caso não é nesse sentido, mas poderia ser, o que desmoraliza a frase(e, o que não muda nada, o blog).

Hum...

Agora, com um abraço bem apertado pode-se tirar os pés de alguém do chão. Mas a pessoa não vai voar. Então quem diz isso não gosta de abraços bem apertados que as fazem levantar. Que bobagem. Que grande bobagem. Bom, não posso fazer nada. A frase é uma bobagem por completo.

Vamos ver. Voar, felicidade grande, alegria, êxtase(não confundir com aquelas drogas de plaiboizinhos e patricinhas alucinados e, óbvio, estúpidos). É, acho que há uma relação. Bom, se não é para fazer a pessoa feliz, nem chegue perto. Por aí né? Tá bom.

Se não é pra fazer a pessoa viver, de fato, alguma coisa indescritível, nem comece a dar indícios de que pode ou quer isso.

É isso?

Talvez seja, mas não fica claro. Muita gente burra há no mundo. Muita gente burra fala português. Muita gente burra usa orkut e/ou procura essas frasesinhas feitas sem razão alguma. É patético esse tipo de frase que todo mundo usa. Por isso ironizo(na falta de outro verbo) elas. Mesmo que a ironia seja tão ruim quanto a frase.

Mas que não fica nada muito claro na frase, não fica. E que gente burra não entende essa  frase direito(seja lá qual for o direito dela)(talvez seja a última tentativa de explicação que eu escrevi).

Eu precisava escrever uma grande bobagem sem fundamento ou sentimento algum. Era isso. Foi isso.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Histórias do Bandiolo - Para não ficar só no tchau

Olhou-a e despediu-se. Sem beijo, abraço, nada. Nem aperto de mão, olhar nos seus olhos ou qualquer outro tipo de afago. Nada. Estava atrasado e, acima disso, magoado. Não importava mais o que ela lhe fizera, as coisas ridículas que ouviu daquela boca que quando sorri ilumina cavernas profundas e escuras. Não importava mais o que lhe fizera pensar, sentir. Passado.

Mas ainda estava magoado.

Sentiu-se a pior pessoa do mundo por aquilo. Sentiu-se pior do que a pior pessoa do mundo sentiria-se. Senti-se como se fosse... de fato, a pior pessoa do mundo. Como se tivesse cometido o pecado mais grave, a falta mais dura, dito a maior blasfêmia e provocado a pior das dores. Sentiu-se como se fora culpado de algo que nem ao menos sabia o que era. De algo que, de fato, percebeu não existir.

Fora acusado, incriminado, culpado, criticado, ofendido, destroçado e destruído. Sentiu-se tão mal que não sabia como em tão pouco tempo voltou a estar com ela. Sabia, mas não queria saber. Não queria entender. Era injusto. Não merecia ter passado pelo que passou, sentido o que sentiu. Sensações estranhas. Sentimentos profundos. Tristeza. Mágoa, mágoa, mágoa.

Despediu-se como se ela não fosse mais do que uma empregada de seus pais e, por consequência, uma empregada sua. Despediu-se como o dono se despede do cão.

"Tchau."

Virou as costas. Precisava fazer aquilo. Deixar aquela impressão de que ele poderia fazer o mesmo, embora ela não fosse sentir um centésimo do que ele sentiu. Era uma forma de vingança, para ele era. Indiferença. Sentimento terrível. Tantas vezes sentia como se estivesse há anos-luz dela mesmo estando abraçados. Agora era a sua vez de retribuir. Tchau e nada mais. Isso mesmo, sentia-se agora bem.

A mágoa passou. Rápido demais. Parou, pensou bem, refletiu e sentiu-se mal. Parecia que algo estava lhe chamando, embora ela estivesse quieta. Será que ela se arrependeu? Será que falará alguma coisa, que pedirá desculpas? Não. Ele não vai fazer nada disso, sabia ele. Deixou de lado o orgulho que era próprio dela e sentiu-se aliviado por ter desistido de tentar fazer o que, de fato, nunca quis fazer.

Voltou e beijou-a. Para não ficar só no tchau. E para não se arrepender e sentir-se mal por ter dito apenas uma palavra na última vez em que a veria naquele dia.

Voltou e nem foi mais, sabe-se lá o porquê...



*O autor acha textos como esse, 
escritos em dias como esses, 
patéticos, 
e não esconde sua preferência 
por textos postados com verdadeiros sentimentos 
e um algo a mais de explosão, 
que nesse caso não passa de uma espontaneidade sincera,

e cheia de... enfim.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Histórias de bergamota(10)

Sou grande. Enorme. Talvez a maior fruta. Ninguém consegue me comer sozinho. E se consegue, fica um bom tempo com a sensação de que nunca mais vai comer coisa alguma. Quando madura, sou pesadinha. Meu cheiro? Acho que é bom. Porque nunca ouvi alguém reclamar dele. Bom, um bando de japoneses tentou me enquadrar, mas não deu muito certo. A minha natureza é ser redonda, oval, que seja. Quadrada jamais. Malditos. Estragaram minhas semelhantes. Fiquei mais famosa do que nunca nos últimos tempos quando surgiu uma mulher com meu nome. Ridículo. Não sou tão grande assim.

Sou uma bergamota, e essa não é a minha história.



*por favor, não tente entender por que eu escrevi isso.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Não é bem assim (6)

Revivendo uma das séries, sagas, ou sequência (sem sequência) da história(original, mas não muito honrosa) do blog, aí vai mais uma daquelas frases que você, se tiver o mesmo senso crítico que eu, não aguenta mais ler, em perfis, páginas de recados, depoimentos ou afins.

"Ninguém pode voltar e criar um novo início,
mas todo mundo pode começar hoje
e criar um novo final"


Como de costume, ninguém sabe o autor, mas a maioria já deve ter lido. Ou ouvido. Enfim. Como todas as outras frases criticadas nessa sequência de texto(chamar de série ou saga cansou...), essa é uma frase criada por alguém(que ninguém sabe ao certo quem é, o que foi ou mesmo quando escreveu) em algum momento de 'inspiração motivacional', ou seja, momentos em que as pessoas decidem escrever algo que motive outro alguém, outrém ou, indo além(e rimando infamemente) , pessoas necessitadas desse tipo de motivação.

E, discordado da frase, eu posso voltar e criar um novo início. Posso dar um passo atrás, zerar o cronômetro e começar o caminho novamente. Posso apagar todo o texto, ou mesmo jogar a folha fora(o que não é ecologicamente correto, mas enfim) e começar a escrever novamente. Eu posso apagar todos os meus registros e começar novos registros. Ou mesmo eu posso começar a viver uma outra vida, que, no caso, é voltar ao início e sempre poderá ser feito quando o hoje não for satisfatório. Não posso voltar no tempo e ser criança, não errar e fazer tudo o que eu queria mas posso fazer tudo o que eu quero agora, começando assim uma nova vida, uma nova história. Começando um novo começo(que a minha professora de português não me xingue pela redundância (des)necessária).

E quanto ao fim, depende do ponto de vista. Se está escrito nas estrelas, todo mundo tem uma tampa para a sua panela(que no caso pode ser você*) ou o futuro a Deus pertence, mesmo se eu começar uma nova história hoje, o fim será o mesmo. Alguém sabe se tudo está definido, ou não, em nossas vidas? Ninguém. E também não interessa. Nunca saberemos. Por isso, querer mudar o fim não adianta. Querer um novo começo não adianta.

O importante é você pensar algum dia que, com qualquer começo que você possa ter tido ou com qualquer fim que possa vir, você gostaria de ter o que tem, aprender o que aprendeu, sentir o que sentiu e viver o que viveu.

*vai entender o que o ser humano é capaz de dizer

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Histórias de uma vida não vivida(10)

*Nunca pensei que viveria isso. Um mundo que não era o meu, dentro da minha própria casa. Uma vida que não era a minha, dentro de mim. Um sonho que era o meu, distante de tudo aquilo que é propriamente meu. O que é e o que não é meu confundem-se num emaranhado de repostas, sendo que o sim e o não desaparecem misteriosamente neste instante.

Aquele som, aquele ruído, parecia familiar. Mas vinha de tão longe que eu não consegui identificar de onde, ou mesmo o que, era. Era apenas um ruído. Familiar e estranho. Tosco. Sempre consegui identificar o que era cada ruído que eu ouvía. Mas o sempre não existe mais para mim.

Maldito som que vem. De longe. Ou mesmo de perto. Porque seu som aumenta. Parece que ele se aproxima, até porque, eu continuo parado. Olhando ao meu redor. Tentando decifrar de onde vem para depois descobrir o que é aquele ruído.

Sim, ele é um ruído, mas o que o emite é o motivo da minha curiosidade. Parece que ele vem de todos os lugares, pois viro meus ouvidos para um lado e para outro mas nada de identificar a origem do mesmo.

Que droga. O tempo passou e eu continuei parado. Ou melhor, girando. Tentando decifrar aquele ruído. Aquele maldito, irritante, triste e deprimente ruído. Mas nada. Não conseguia ter ideia de onde ele vinha, por que vinha, quem o gerava. Nada. Nada. Nada.

Comecei a ficar irritado. Nunca gostei de jogos de adivinhação. De charadas. Dessas coisas onde você ouve um começo, ou ganha uma dica, ou algo do tipo, e tem que adivinhar o que é no fim. E aquele ruído não parava. Não era sequencial. Eu o ouvia. E ele parava um tempo. Alguns instantes depois, voltava a ouvi-lo. Mais alguns instantes não.

E era estranho.

Parecia um bip, um alarme ou um telefone.

CARAMBA!

Acordei desesperado porque estava 1 hora atrasado para um compromisso. E aquele ruído era o novo despertador que eu havia comprado.

CARAMBA.

Caramba.

Legião Urbana - Quando o sol bater na janela do teu quarto

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Frases e mais frases. Palavras e mais palavras. Sentido? Nem implícito...

Nasi - Onde os anjos não ousam pisar


Olhando alguns textos através dos marcadores(na coluna ao lado, bem embaixo), percebi que ultimamente eu gostei muito de escrever apenas frases. No caso, textos são feitos de frases. Então especifico dizendo que ultimamente tenho gostado de escrever frases soltas. Interligadas por algo bem mental. Ou não, óbvio. A questão toda entre escrever frases ligadas apenas mentalmente ou escrever frases interligadas literal e coerentemente, não fica bem esclarecida, mesmo que eu tentasse ser muito mais racional, esclarecido, e tentasse não escrever como eu ultimamente tenho escrito.

Acho que é muito mente adverbial ou substantivado(que a minha ex-professora de português não leve em conta isso na hora de me 'criticar' via e-mail) para pouca mente literal e... tá, eu sei que não vou explicar muita coisa, então vou escrever e pronto.

O tudo nunca é tudo e o nada nunca é nada.

Assim como o sempre nunca será sempre.

E o nunca, nunca será nunca.

Confuso?

Não, simples.

Como dizer que laranjas apodrecem.

E bergamotas têm sementes.

Ou não.

Tudo é relativo.

Mas se o tudo nunca é tudo.

O tudo pode ser nada.

Então nem tudo é relativo.

E nem nada é relativo.

Confuso? Ainda não.

Eu sei que seria mais fácil dizer:
"Para toda regra há uma exceção".

Mas teria também que dizer que essa mesma, estúpida, regra, também possui uma exceção.

Com cedilha e não dois esses.

Bem explicado.

Simples então?

Nem tanto.

Porque a vida pode ser cheia de regras.

De tudo's.

E de nada's, claro.

Mas é óbvio, que sempre...

...digo...

...quase sempre, haverá uma exceção.

Um asterisco.

Ou mesmo uma contradição.

Até porque, provar que uma coisa não é sempre, nem nunca, uma outra coisa, é mais fácil que provar que textos assim, com frases desconexas, são textos inúteis.

Para todos.

Mas  se o tudo nunca é tudo, todos nunca serão todos.

Talvez alguém entenda o que eu quis dizer.

Se é que todas essas palavras, ou frases, possam dizer algo.

Mesmo que sempre, ou nunca, ou melhor, quase para os dois, haja alguma lição a ser tirada de uma situação*.

O que prova que a vida não deve ser feita de regras.

Porque a vida, ou melhor, a mente daqueles que julgam-se possuidores de uma, não pode ter uma lista a mais de coisas.

Já chega o português, a matemática e a física com listas, fórmulas e regras.

E asteriscos de exceções.

A vida precisa ser apenas a vida, isso quando o ser que a possui, ou diz possuí-la, sabe que a vida em si não é vida, mas que a vida só é vida quando existe o viver.

Eu já escrevi sobre vida e viver em algum lugar. Acho que não foi aqui.

Bom.

Sem regras? Também não.

Mas é melhor deixá-las para textos como esse.

Ou não.

Porque...

terça-feira, 30 de junho de 2009

Histórias do Bandiolo - Pessoas vulneráveis...

- Ei, vai quando pra Porto Alegre?

- Sexta-feira que vem, por quê?

- Para saber.

- Quer que eu leve alguma coisa pra tua irmã?

- Sim.

- O quê?

- Eu mesmo.

- Mas vai de ônibus...

- Não tenho dinheiro.

- Mas eu vou te cobrar do mesmo jeito.

- Sim, eu te pago um pastel.

- Acha que eu vou andar 300 km, te aguentando, só por um pastel?

- Tá bom, um pastel e uma cerveja.

- Mas eu não posso beber.

- Depois, quando chegarmos lá.

- Tá bom, aceito.

- Feitoooo!

domingo, 28 de junho de 2009

Frase do dia(ou, dá série:"frases saídas do twitter para o blog do maluco"):

Bidê ou balde - Mesmo que mude


O legal é que, 

quanto mais eu digo coisas deprimentes,
mais me sinto deprimido. 
Lei da atração? 
Não. 
Burrice mesmo.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Frases e mais frases e mais frases de pura, tosca e insana loucura de uma mente que... bom, já devo ter escrito algo assim no título, então chega

Os meus dias já não são mais dias.

As minhas horas já não são mais horas.

Os meus momentos já não o são mais.

As minhas lembranças sumiram.

Não sei onde estão meus amigos.

Sequer minha família.

A minha alegria já não está mais onde estava.

Não sei mais o que é sonhar.

E nem mesmo há tristeza.

Ou desilusão.

Ou desespero.

Tudo branco.

Ou preto, para não dizerem que sou racista.

No fim das contas, não há esperança.

Não há sonho.

Não há alegria.

Amigos.

Família.

Vida.

Não há mais nada.

Bato com a minha cabeça nessa parede.

Dura.

Mas muito aconchegante.

Confortável.

E macia.

Estou internado.

Minha cabeça já não funciona do jeito que a sociedade julga ser o correto.

Estou internado.

Num hospício. Ou manicômio, que seja.

Maluco.

Doido.

Débil mental.

Louco varrido.

Insano.



E essa não é a minha história.



Mas poderia ser. 


E talvez um dia acabe sendo mesmo...





Engenheiros do Hawaii - Números



*cheguei à conclusão que não tenho mais salvação.
Só não concluí se isso é bom ou ruim.
hahaha

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Mais uma dentre tantas bobagens

Como hoje eu não achei algo idiota no fundo da minha cabeça, vou transferir para cá um excerto escrito na minha agenda durante uma das (muitas) noites de insônia. Mas faz tempo, foi no dia 03 de julho do ano passado, ou seja, completará 1 ano em menos de um mês. Como todos sabem, (quase) tudo que sai da minha cabeça é bobagem. Tentativas de poesia*(sendo que odeio poesia*) então, são piores(puts!) ainda do que os textos (nada) normais. E tentativas de poesia* em dias de insônia e de cabeça desordenada(mais do que o habitual) então, tornam-se a réstia da podridão de uma mente que continua sem saber coisa alguma a não ser que ainda existe um coração que bate(embora pouco) um pouco abaixo de si.

Enfim, (infelizmente) vamos àquele lixo, digo, àquela poesia*.

(já é difícil escrever alguma coisa em forma de poesia*, imagine um título, ou seja, não existe título)

Saio de casa e nada vejo,
rosas, margaridas ou violetas.
Nada.
Sequer vejo o pé de laranja-lima que vovó plantou.
Nada vejo.
Talvez esteja cego.
Mas se consigo olhar para o céu,
ver nuvens brancas e enormes,
é porque não estou cego**.
E o mais incrível é que,
para o céu,
para as nuvens
ou mesmo para o Sol,
só consigo vislumbrar a luz que sai daqueles olhos.
Olhos que não tive,
infelizmente,
a oportunidade de contemplar
pelo tempo necessário.
Necessário para dizer que rosas,
céu
e nuvens
não me fariam falta,
tanta falta quanto faria
o teu olhar faria
se, um dia realmente ficasse cego.

(P.S. Odeio poesia)


*eu sei, isso não é poesia. Mas é que eu preciso rir disso e não vejo jeito melhor de fazê-lo senão chamando essa bobagem toda, esse lixo (não-) literário, de poesia.
**a conclusão de uma frase tosca veio com uma frase óbvia, daquelas respondias com uma ironia do tipo "é sério? bah, não sabia..."