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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Sobre a dor de hoje.

As minhas lágrimas, de domingo até hoje, e por alguns dias mais, não tem nome ou sobrenome específico, idade, altura ou curso de graduação diferenciado. São as mesmas para cada vida que foi destruída.

Enquanto muitos insistem em ações ideológicas insensíveis e insensatas, rezo por cada alma que partiu, e por cada coração que, mesmo vivo, parou de bater em virtude de uma perda. Se quiser continuar com ideologias, vá em frente, não responderei a quem quer, insistentemente, provar que uma mentira é uma verdade através de fatos que são explicados simplesmente por sucessivas falhas humanas.

Frutos de ambição, ganância, desrespeito, descuidado e busca incessante pelos prazeres do ego.

Culpar, prender, fazer justiça humana não tira a dor, não ameniza o sofrimento. Vingança, muito menos. Essa cria uma dor ainda maior, um peso maior a ser carregado. Isso, porém, não quer dizer que pessoas não devam ser responsabilizadas, presas e outros locais, investigados e fechados se não estiverem de acordo com os requisitos mínimos de segurança e conforto. Devem, sim, mas isso deve ser feito em paralelo ao mais importante, que é cuidar de quem aqui fica.

Esses sofrerão pelo resto da vida. As lembranças não se apagam e, por costume bem humano, muito será feito para que elas mantenham-se vivas nas histórias de quem envolvido está. O silêncio, respeitoso, ficará tão forte que deverá ser quebrado. Não com estrondo e arruaça, mas com palavras, voz, enfim, que mostrem respeito, saudade mas tragam conforto.

Que Deus derrame seu amor e que os corações que hoje sofrem o acolham, para que consigam encontrar paz, tranquilidade, e conforto.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Pedaços de um pensamento (36)


Coisas estranhas costumam acontecer comigo, principalmente quando envolvem pessoas. Na mesma medida que algumas não valorizam parte de passado meu dedicado a elas, outras decidem não querer mais que eu faça parte de suas histórias e outras, bom, outras não estão muito interessadas em fazer parte da minha, há também pessoas que ressurgem depois de anos e, indo contra a lógica racional, vem ao meu encontro, para um cumprimento educado, simpático e de muito bom gosto. Bem ou mal, não sei, não passa disso e... isso não me preocupa nem um pouco porque, afinal, não é de ocasionais que quero viver. O legal desses acasos, ilógicos, é que consigo rever pessoas bem legais, que há tempos não via e que duvidava que fossem lembrar da minha existência. Tempos passam, pessoas vão e vem e ainda assim algumas pessoas lembram-se de mim como se fosse um grande amigo há tempos distante. Talvez um dia venha a sê-lo porém, antes disso, há uma certa satisfação por ter, mesmo que de forma ínfima, significado em lembranças dessas pessoas. Várias vezes isso aconteceu e hoje, ou melhor, ontem, foi mais uma delas. Sem segundas intenções, sem qualquer fantasia boba e imatura e, muito menos, sem o desejo de que aquilo seja muito mais do que foi. O que é bom em reencontrar pessoas há tempo não vistas é que, querendo ou não, há sempre o que dizer, o que perguntar, mesmo que, de uma maneira ou outra, já se conheça todas as respostas. Incrível também acaba sendo cada pequeno fragmento que passa a existir pois, depois disso, tenho mais uma pequena soma às histórias de reencontros inesperados.

Que não são nada além de reencontros inesperados, divertidos e muito satisfatórios.

Saindo desse pensamento e mudando, rapidamente, para outro, creio eu que mais importante, e significativo.

Estranho também acaba sendo que, em todos os momentos do dia, uma lembrança diferente, uma saudade um tanto inexplicável, acaba se fazendo presente. Quanto mais tento entender o que é, mais tenho receio da resposta, por toda impossibilidade aparente. Não que esteja reclamando da possibilidade de loucura que isso poderia gerar na minha vida e sim porque, afinal de contas, hoje, é loucura por ser improvabilíssimo.

Ainda mais complexo é sentir que, no fundo, essa sensação inexplicável é boa. Muito boa. Tão boa quanto as lembranças.

*Kinks é muito, muito clássico.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ecos da sinceridade - Com o desabafo


Enquanto ouço um desabafo espontâneo e um tanto contraditório - na medida em que não fica claro o sentimento atual para com tudo o que passou - viajo bem longe, em pensamento, para uma vida que nunca existiu, de verdade. Cada palavra parecia alterar de uma forma bem conhecida parte de uma vida que nunca foi minha, de uma história que nunca escrevi e que, exceto reviravolta absurda e imprevisível na existência humana, nunca poderá ser contada como verdadeira.

Deixando de lado, ao menos por um parágrafo, o que passou pela minha cabeça, fui percebendo uma grande mudança na origem desse desabafo, daquelas palavras convictas, seguras, que retrataram tão bem fatos vistos pelos mais diversos olhos. A lembrança de tempos distantes, de ausência, de certo abandono é compensada cada vez que o erro é reconhecido, e volta a existir toda vez que a contradição no discurso faz com que o arrependimento pareça, no mínimo, irônico - tendo em vista todos os fatores negativos que foram fatos, e não imaginação.

"... ou pelo amor ou pela dor..." disse bem e, chegando aos dias atuais, a dor parece ser a consequência de alguns erros de escolha. A impaciência para com a demorada superação do momento de, ainda, alimentação de tristeza é compreensível porém inaceitável quando há claras lembranças de tempos passados em que erros, semelhantes, foram cometidos por medo da solidão.

Chegando à solidão voltei aos meus pensamentos. Tantas vezes ouço, e leio, vagando por aí coisas como 'não dê valor a quem não dá valor a você' e, sinceramente, acho uma bobagem sem tamanho. A solidão torna essa pequena demonstração de orgulho uma grande bobagem, porque a solidão age não só em pensamento, como no emocional e, em alguns casos, no físico. A desmotivação oriunda de uma ausência de convivência social - porém, principalmente, íntima, como amizades e relacionamentos afetivos - supera qualquer 'ele nunca vem falar comigo'. Claro, na maioria dos casos.

Tudo isso, solidão, desabafo e orgulho, em meus pensamentos, somados com a imaginação de toda uma história boba e impossível, trouxeram uma sensação de que falta muito para que haja constância e, por consequência lógica, superação do complexo que persegue meus dias há anos. Não há como simplesmente virar as costas e deixar tudo para trás porque há coisas enraizadas na razão.

Ao ver, e ouvir, alguém remoendo lembranças - ainda com alguma amargura, embora confiante no presente - traz, analogamente, tranquilidade por ser, em qualquer situação, aceitável uma demora - mesmo que excessiva - no começo de uma nova série de histórias escritas com vida, na vida. Enquanto o meu repouso é leve, a minha paz inexiste e a sede não me faz buscar água, continuo pensando - cada vez menos, é verdade - em tudo e tanto que existe e que está longe do meu controle, na minha mente.

Talvez só falte uma nova razão. Talvez.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Histórias de uma vida não vivida (38)


*Quando opta-se por escrever sem inspiração acaba-se correndo o risco de transformar uma ideia em banalidade. Um propósito em perda de tempo. Uma vontade em fracasso. A opção é de risco porque, ainda que anos-luz de distância do ponto inicial da principal inspiração, tende-se a imaginar sem nada concreto para transformar algum pouco de ar invisível em um vento, ainda invisível mas, perceptível. Como tudo o que não se vê, dificilmente é definido, e quando, passado o estágio de sensação, torna-se sentimento, não há nada mais a fazer a não ser deixá-lo como fonte de inspiração, de criação e de todo e qualquer sorriso bobo diário. Nada disso, ou daquilo, me pertence, a vida deixa mais claro a cada dia. Entretanto há uma benção, que me é dada todos os dias e que me leva a acreditar que, mesmo não tendo comigo quase tudo, posso sentir felicidade.

Abrir os olhos parecia impossível. Era muita luz em cada milésimo de segundo transcorrido. Minha cabeça voltava-se ao chão sempre que meus olhos insistiam em mostrar que não conseguiriam ficar abertos naquele momento, com toda aquela luz forte que brilhava sem pensar no amanhã.

Porém alguma coisa fazia com que minha cabeça voltasse a ficar em sua posição normal, olhando para frente em busca de uma simples possibilidade de ver o que estava acontecendo. Nada mudava, a luz parecia cada vez mais forte e, com a provável ajuda de todos os elementos da face da Terra, tomava um espaço que não poderia ser calculado, tampouco imaginado.
Enquanto minha mente e meus olhos lutavam para ver quem decidia para onde minha cabeça ficaria voltada, se para o chão ou para frente, tentei entender porque ainda estava ali, permitindo que uma briga intensa entre o óbvio desejo de recuar e voltar às sombras era  combatido pela insana vontade de receber cada vez mais daquela luz, embora isso levasse a uma dor pontual em cada olho.

Os segundos tornaram-se minutos e por muitos deles fiquei ali, ora tentando olhar para frente ora olhando para o chão, tentando amenizar a dor que a luz forte forçava aos olhos. Sem qualquer lágrima derramada, sem qualquer arrependimento por alguns instantes de dor e alguma fraqueza. Incrível como um ser humano pode ser teimoso quando quer descobrir alguma coisa.

Por que eu ainda estava ali? O ambiente frio e sombrio longe daquela luz, que agora também era calor, parecia implorar-me, como o mal implora pela volta do pecador que busca conversão. 

Alguns minutos mais e nenhuma dor era mais sentida. Meus olhos agora olhavam para frente sem receio e podiam ver que um céu azul com nuvens brancas e um ponto amarelo irradiante eram a razão daquela persistência em não voltar à escuridão.

Dói, é difícil e a vontade de voltar ao comodismo da escuridão, da exclusão e de alguma outra forma de sombra,  pesam bastante e muitos desistem logo em seguida.

No final, vale à pena qualquer esforço, por teimosia ou com alguma dificuldade, quando há um dia bonito lá fora, mesmo que o Sol nem sempre brilhe.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pedaços de um pensamento (22)


A chuva que começou tão fina e escassa aos poucos foi ganhando intensidade e chegou ao ponto de tornar-se marca no dia. Nesse dia tão disperso e sem sentido. A escolha de não esperá-la passar e evitar que as roupas, a carteira e o celular, já desligado, ficassem molhados mostrou-se um grande acerto, uma escolha boa, realmente boa. Optar por não fugir de um destino indiferente à própria e singela existência demostra tanto nada quanto muito. Contraditório por relatar, antes do lado bom, que alguma coisa ruim deveria acontecer para que uma boa pudesse acontecer. Talvez nada tenha acontecido em si porém a lamentação pelos poucos pensamentos lembrados demonstra que, mesmo que insignificante, alguma coisa teve sentido nessa chuva.

Os olhos não viam muita coisa, os carros passavam e nem tentavam evitar as poças que jorravam ainda mais água por cima de alguém que não estava mais preocupado consigo, humanamente falando. Gripe posterior ou alguma outra consequência negativa da escolha simples de dizer 'então vou com chuva' tornam-se nada, como esse tanto disfarçado de nada por palavras. Ah sim, importante dizer que são apenas palavras.

Queria poder dar um sentido ao que senti. Nada mudou, ainda assim vejo essa chuva como algo significativo. Poderia escrever uma lamentação rimada em prosa curta e figurativa entretanto não consigo. A verdade e tudo o que há continuam e nenhuma chuva poderá levá-los consigo. Também não há salvação para a sensação de que muita coisa está ruindo.

Para aqueles que parecem estar mais longe, para a singular destacada em meio àquele plural e em tudo o que torna-se cada dia mais difícil, prometo tentar e fazer o possível para não ser apenas como alguém na chuva, que se molha mas logo está seco novamente. As marcas importantes são aquelas que ficam para sempre e lutar pela eternidade particular não é egoísmo, não é arrogância, tampouco vontade de perturbar.

É, antes de qualquer coisa, demonstração de coerência para com tudo aquilo que hoje é lembrança.

Ao tempo, o tempo. Às palavras, tudo, menos entendimento.

domingo, 17 de abril de 2011

As nuvens vão abrindo espaço e a lua vai aparecendo


Sinto que Deus tem tentado com grande intensidade facilitar a melhora de defeitos meus. A paciência e o consequente dom da espera, a atenção às palavras ouvidas e aos sentimentos demonstrados e o amor ao próximo. Não uma ou duas, mas em mais de uma dezena de situação, todas bem específicas e de fácil lembrança, esses e outros defeitos e limitações foram colocados à prova frente à pessoas que não tinham, e continuam não tendo, a mínima ideia de quem sou.

Um artista incompreendido, estrangeiro, vivendo em um albergue e pedindo pouco ou nada. Conversei por meia hora com alguém que não conhecia, que não cheirava bem, que não era bem vestido e tudo isso na frente de um mercado muito movimentado, onde pessoas dispendiam grandes quantias com ovos de chocolate. O assunto variou da arte, da falta de interesse do povo brasileiro nela, da má educação de um povo que sequer olha para uma pessoa que pede atenção, da fé em um Deus que lhe deu, e continua dando, apenas o necessário para que consiga viver. Ou sobreviver, se visto de longe.

Então a questão das palavras é essa. Conversando com alguém que carregava uma cruz no peito, e muitas cruzes na vida, é que pude entender a frase que tanto me fortaleceu nos dias de fraqueza e me fez voltar ao devido lugar nos dias de soberba. Além disso, por ter deixado meu tempo correr olhando um jornal sujo e um papel amassado com aquele homem, consegui superar um pouco mais minhas limitações individualistas e, ao olhar diretamente nos seus olhos enquanto falava, ver que havia muito mais sentimento do que aquele sotaque espanhol poderia expressar. Nas suas palavras, muito mais simples e sinceras do que a de um homem de sucesso(?), recebi um grande exemplo também de conhecimento de vida, de humanidade, de amor. Me senti pequeno perto dele. Perto de toda sua fé, de todo aquele amor pela arte e por Cristo. Perto de toda aquela simplicidade.

Hoje, representando o Mestre em uma apresentação, tudo o que ouvi daquele homem, ontem, veio à mente. Me fortaleci e me senti ainda mais capacitado para estar onde estava. E agora estou duplamente grato por esses dois momentos, por essas duas bênçãos. Por mais que ainda me sinta muito incapaz, e limitado, sei que esperando e aceitando oportunidades assim, conseguirei chegar onde preciso e serei capaz de lutar com todas as forças pelos meus sonhos.

Sendo esses possíveis ou não.

*não gosto de títulos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Algumas frases


"...Mas existe um método ainda melhor para explorar os momentos de baixa, que é através dos próprios pensamentos do paciente sobre eles. Como sempre, o primeiro passo é afastá-lo do conhecimento. Não o deixe sequer suspeitar da existência da lei da ondulação. Deixe-o pensar que seria natural que o estado inicial de sua conversão durasse e que deveria ter durado para sempre, e que o seu atual estado de aridez é um estado permanente.(...) Distraia a atenção dele da simples antítese entre o Verdadeiro e o Falso. Ponha em sua mente algumas expressões bem vagas - "foi só uma fase"(...). " - Cartas de um diabo para seu aprendiz(C.S.Lewis)


*Por mais que seja difícil, complexo, estranho 
e que não consiga encontrar explicação,
ficar sem palavras e parecer ver que 
o que se espera em um todo não existe, 
isso é passageiro e, significativamente, irreal. 

domingo, 30 de janeiro de 2011

Escolha da verdade


Dúvidas pertinentes e discussões intermináveis impedem a conclusão do que é a verdade, em qualquer situação, posição. Argumentos de todos os lados tentam convencer a verdade de que eles são seus donos, quaisquer seja o lado. Perdida entre tantos puxões, palavras cada vez mais belas e com argumentos a cada dia mais convincentes, a verdade continua procurando seu lugar no mundo, nas palavras, nos sentimentos. Consciência do que é certo não deixa de ser apenas uma ideia do que pode ser o lado correto onde a verdade está. Infelizmente, esqueceram de perguntar a ela onde ela quer estar. Por vontade própria, qualquer que seja o ponto inicial dessa, a verdade deveria posicionar-se antes de qualquer dúvida. Porém, além de não ser consultada antes da guerra que passam a ser as discussões, ela não consegue dizer um não contundente para nenhum dos lados. Até mesmo o lado absurdo fica tão longe, ou perto, da verdade quanto os outros lados, como o coerente, o racional, o emocional e cada um dos pessoais que os envolvem. Inúmeros direitos de resposta, contra-argumentos, sustentados por hifens ou não, tornam cada vez menos imaginável uma solução para o impasse: onde a verdade estaria se não houvessem tantos argumentos em lados contrários? Nem racionais, emotivos, filosóficos ou pacificadores, tampouco radicais ou egocêntricos. Nem um deles consegue provar, indiscutivelmente, que o seu lado está com a verdade clara, imutável, definitiva. Que cada um escolha um lado e lute por ele porém que seja ao menos coerente com o que pensa ser verdade. No fim do texto, do projeto de pensamento e desse nada que acabou se estendendo, toda essa confusão sobre lugar, existência e definitividade da verdade, qualquer que seja o contexto, tem apenas um culpado: o livre-arbítrio. 

Não que eu esteja me importando com o fato de escolher uma verdade que me traga saudade. De qualquer maneira, é provável que o lado onde está essa saudade tenha uma grande parte, senão toda, da verdade. Qualquer verdade que possa vir a ser.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Histórias de uma vida não vivida(30)


*O que fazer quando quem tem o poder e a verdade pede para esperar? O natural seria esperar, mas um par de pontos verdes, a luz de pontos brancos que são quase retas e a simples presença que remete a um passado vivo, intenso, sincero, quase indescritível, tornam o esperar uma dificuldade imensa. Não há como explicar a quem não viu e ouviu sobre a espera, sobre a paciência, sobre o tempo. Não esperar e acertar em cheio a resposta que vem de cima pode acontecer, mas não é simples assim. Para um lado ou para o outro, pouca coisa pode ser feita além de tentar explicar por que se está parado, por que se estaria em movimento ou o porquê de tanta confusão. É confuso ter o pedido de espera feita por quem sabe das coisas e não esperar. Felizmente não passa pelo conformismo. A questão passa por uma confusão, pelo medo de ir em frente e não acertar, de perder, quem sabe por todo o tempo futuro, os dois pontos verdes do campo de visão, que tanta verdade fez ser descoberta, que tanta ansiedade trouxe, que tanta sinceridade fez sentir e que, com toda a certeza que pode existir em meio à dúvida, é vontade Daquele que tem o poder, a verdade, Daquele que é o amor.




O significado é grande demais. Você, se não sabe, já deveria saber. É incrível como a novidade do nada desce por água abaixo com a já conhecida rotina da interrogação. Continuo me perguntando, como posso ainda, depois do tempo e do espaço, sentir o talvez mais constrangedor dos sentimentos em relação à você? Você me conhece, sabe que sou estranho, sabe que tenho grandes dificuldades em demonstrar, mas minhas palavras explicando minha fuga, mostram que sim, a interrogação existe ainda, aqui.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Nenhuma necessidade, nenhum sentido


Essa história de vida poderia ser resumida. Sério, você não precisar passar tantas vezes pelas mesmas coisas seria uma boa maneira de ter mais tempo para passar uma única vez por coisas que nunca imagino passar. Passar, estar, viver ou apenas olhar. Imagine escolher um momento como o almoço e fazer com que um substituísse no seu tempo, e no seu corpo, vários outros, quem sabe por uma semana. Assim, durante seis dias, você teria o tempo que gastaria almoçando para, sei lá, ir ver os pássaros na árvore da praça, comendo pipoca que os velhinhos que só vão lá ao meio dia jogam.

Ilusório, é claro, mas é suposição. Resumir atividades seria uma boa para uma história mais longa. Porém, depara-se aqui com a física, antiga, moderna, tradicional e quântica, e nada disso será possível, certamente nunca.

Então o que fazer quando você vê, pela milésima vez, algo que não gosta de ver, que traz sentimentos ruins ao seu coração já cansado de sentir aquilo, mas não pode sair dali? Sabe, pular essa parte seria interessante. Não com um controle remoto, mas com, quem sabe, um piloto automático. Você não estaria mais ali em mente, mas estaria em corpo, passando por aquilo sem saber.

A química e a astronomia nos mostram que isso, nem em filme, será possível.

Então, quem sabe, arrancar o coração do peito, as lembranças ruins do cérebro e jogar tudo isso na lata do lixo. Que maravilha! O problema seria se algum ambientalista viesse com a ideia de reciclar o lixo. Aí você estaria na sarjeta pelo seu próprio lixo. Ou não. Poderia você mesmo reciclar suas lembranças, seu coração, vivendo então em paz consigo mesmo.

Bom, a psicologia nos ensina que, se não temos algo que nos faça evitar alguma coisa, jamais evitaremo-na-la. Então não ter lembranças ruins e dores no coração sentimental acarretaria em diárias e constantes novas decepções, tristezas, lágrimas.

Incrível, nada do que poderia facilitar pode existir.

Se alguém pergunta 'por quê?' alguém acabaria respondendo 'porque a vida não é fácil' e então não chegaríamos a lugar algum.
É mais fácil dizer que nenhuma história faz sucesso se não tem um drama. Nenhuma árvore cresce como deve se a terra onde está não é bem adubada, também pelas suas folhas e frutos velhos, já podres, que caem ao chão. Ninguém é autodidata nessa história de vida, nessa história da vida. Ninguém faz um sonho ser vida se não tiver certeza, com lágrimas ao seu redor, de que aquilo sim é um sonho.

No fim das frases, é só um texto bobo escrito às 4 e meia da manhã. Viram só, a vida é tão fácil que nem nesse horário os mosquitos me deixam escrever em paz, e silêncio.

*bom, dia 25 é Natal, 
que o nascimento do Menino Deus seja revivido no coração, 
e na mente, de cada um que busca vida, e vida de verdade.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Entender, sem resposta


O que está acontecendo? É tanta movimentação que ultrapassa o tato e passa a ser visão constante, irritante, para quem vê e para quem mostra. Seja ansiedade, angústia ou nervosismo, seja pelo motivo que for. É desconhecida a razão, o motivo e também o sentimento. O que está acontecendo aqui, comigo? É como se o mundo fosse desabar sobre as minhas costas e meus ombros já estivessem se preparando. Movimentos contínuos, impulsos nervosos inacabáveis. Quem poderá amenizar ou mesmo acabar com isso? Alguém poderá? O que poderá? Possibilidade? É desconhecida qualquer resposta, como de costume. Perguntas nunca faltam. Respostas nunca existem. Nunca, nada, todas negações. Sempre com essa constatação. Como o sempre também, mentiroso. Exceções de uma regra que não importa, sobre palavras que não importam com respostas que não existem para perguntas que não fazem diferença concreta.

Mas eu queria mesmo saber por quê.*


*com ou sem acento, separado ou junto.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pouco ou nada. Muito.


Como o fogo precisa de poucas gotas de álcool para ter sua chama aumentada, como o inteligente precisa de poucas ferramentas para criar algo, o criativo precisa de poucos detalhes para obter inspiração e o deprimido precisa de pouco para chorar. Como alguém que precisa de pouco para sorrir, sejam palavras ou algo próximo disso. Como um pássaro que precisa de poucos motivos para levantar vôo. Como Deus precisa de motivo algum para amar a todos igualmente. Sinto-me assim, precisando de quase nada para acreditar em algo que talvez venha a ser possibilidade. Assim como todo inconformado precisa de pouca coisa que vá contra sua vontade, suas ideias ou convicções. Assim como um sonhador, como eu, precisa de poucos segundos para criar uma vida, ou alterar a que já se tem, dentro de um pensamento, de uma imaginação. Redundante, dentro de um sonho.

sábado, 3 de julho de 2010

O vazio de viver e só(2)


As portas não são deixadas abertas quando o dono não se encontra, ou pelo menos alguém de sua confiança. Baseado em experiências próprias, concluí algum dia que é necessário um tempo consideravelmente longo, muitos meses ou mesmo alguns anos, para que uma relação de confiança, em alguém para cuidar a casa ou mesmo ouvir uma história, e um sentimento de necessidade pudessem surgir. Necessidade de ver, de ouvir, de estar perto, de contar o que aconteceu com os ovos de ouro da galinha, por aí. É óbvio que hoje, vendo horas agindo como se fossem intermináveis, minutos que não passam e segundos tão lentos quanto um raciocínio em estado de fome, vejo que estava errado. O que algumas pessoas levaram anos, alguém levou semanas. Menos até, pois foram semanas contadas de sete em sete, resumidas e plenas apenas no meio de cada um desses sete, partindo do meio. Chega a ser preocupante tamanha ocupação territorial em tão pouco tempo. Não por não conhecer quem ganha espaço, mas por algum motivo bem terceirizado. Pensamentos que cansam assim como o tempo cansa o relógio até que esse não aguente mais e pare, exausto, sem forças para retomar sua vida cíclica, restrita e conformada. Qual rei mandava abrir sua porta sem conhecer bem quem entrava, ao menos vigiá-lo muito bem para que não ocorresse surpresa, qual rei? Ilógico por não ser eu um rei, por não vigiar bem ou mesmo conhecer quem entra, ganha a minha confiança, o meu respeito e a minha preocupação. Em pouco tempo conseguiu o que muitos em anos ao meu lado não conseguiram. Com um agravante: não havia intenção. Se fosse rei, seria um maldito e estúpido rei, entrando em um colapso nervoso por querer cada vez mais perto esta alma camponesa que, ironicamente, é cercada pela imagem de uma membra da mais importante corte, dentre todos os lugares que algum dia já tiveram um rei. Não tenho pressa em descobrir pois duvido conseguir fazê-lo em um todo tão misterioso quanto a origem e a consequência dessa pessoa que entra sem dizer oi e talvez saia sem sequer se despedir, levando consigo parte do meu tesouro, aquele que daria-lhe hoje, sem hesitar,  se me pedisse.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Incontáveis dias contados


Mais sete dias. Menos sete dias. Da ansiedade para o temor. O que teria acontecido? Nem uma palavra relacionada, nem um comentário perdido, dito sem dizer, ouvido sem intenção inicial. Nada. Em um imenso baú de dúvidas antigas, porém remodeladas e atualizadas para os dias de hoje. Mais sete dias e, literalmente, menos sete dias. De vida, vivida, ansiada e perdida. Eu não quero pensar que de sete em sete os dias passarão e eu continuarei aqui, esfregando poucas lembranças entre as mãos como se isso fosse transformar a minha ansiedade, o meu desejo, isto tudo em realidade, ou ao menos em visão. Um grande desânimo bate-me, fazendo-me sentir como se fosse um velho fraco que apanha de um jovem. Porém estou sozinho e nem ao menos sou velho. Do vento não apanho, com o corpo não movimento, com os olhos não vejo e com a mente apenas imagino. Dias e dias aqui, e perto daqui. Diretamente proporcional à distância em que tento encontrar o que me tira a concentração, o sorriso completo, a lembrança vivida e, claro, os sete dias a cada semana assim.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Estou onde não sei o que dizer


Tantos passaram e esse é que gerou o vazio mais lamentado. Entristece saber que passou o tempo que previ e continuo pensando longinquamente, distante demais dos olhos. E de algo mais. Lamúria, lamento, sei lá mais o que. Vento frio que entra e nada derruba, nada leva ao chão, nada traz ou leva. Ele apenas passa por mim, frio, seco, puramente passageiro. Em um corte desatento, a prova de que não está aqui o que aos quatro cantos desse lugar vazio grito estar. Um grande mentiroso, um completo idiota. Merecedor dessa vaga não preenchida, por quem quer que seja, pelo que quer que seja. As ameaças não surtem efeito, a sala continua vazia, com aquele vento irônico e frio que passa por mim e leva o meu calor, leva as minhas palavras, leva a minha vontade, leva o meu...

Não é o fim. Sempre digo, muitas vezes incoerente com a realidade que, passa o tempo, o vento e todo lamento, acaba sendo igual às minhas palavras, presente no todo que o sempre mente possuir, e real. Tanto quanto a razão de ser de frases escritas, jogadas para fora com raiva. De si, do muito possível e do nada concreto, do sempre mentiroso e nunca tão abrangente quanto parece e de pensamentos, planejados ou... sonhados.

Devo estar ficando maluco, louco, pirado, doido, insano. Há tempos não sentia tanto por isso.  E ainda penso estar acostumado. O problema é que, ao que isso e aquilo indicam, eu estou errado. O termo não é maluco. Nem doido. É...

É, por enquanto ele apenas é.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Histórias de uma vida não vivida(21)


*Como indescritível é aquilo que faz a língua enrolar, a garganta gaguejar e as frases subjetivar sem objetivo, hoje, algum ontem e por aí vai, estão sendo dias de não confuso, de sim incluso em alguma cláusula quase invisível e de descrição boba, infantil. Sem nada definido, sem imaginação, muito menos conclusão. Porque não há nada, provavelmente nunca haverá nada em um lugar que não existe, um sonho que ninguém sonhou, uma palavra que ninguém quer dizer, uma vontade que ninguém quer expressar. Felizmente isso não tira esse não mentiroso que tanta alegria tem me trazido.

Queria dizer muito mais do que te disse. Falando nisso, eu disse alguma coisa? Não lembro. Ah, sim, pedi desculpas por algo que não fiz, só para não deixá-la sozinha como culpada em uma situação da qual nem você e muito menos eu temos culpa. Quem aponta o dedo e com ele empurra críticas sobre alguma coisa não sabe de nada. Você não fez nada. Você é assim, diferente. Bem diferente. E isso lhe torna ainda mais especial.

Pouco importa se você me chama de coisas que as pessoas consideram ofensivas. Até eu considero, mas não vindas de você. Porque você me xinga, me chama de idiota, de grosso e até de monstro, mas sem maldade alguma. Você sente raiva de mim. Não, você diz sentir raiva de mim. Eu olho nos seus olhos e vejo que não há maldade, não há raiva, não há remorso ou qualquer outro sentimento ruim. Da boca para fora e até isso é exagero. Você diz porque... ainda não consigo entender ao certo a razão.

Deixei em aberto, após pouco falar, uma possível explicação. De alguma coisa que nem lembro mais o que poderia ter sido se eu tivesse dito. Curiosidade é razão para ansiedade e busca por um novo dia, no meio de um grande plural, por motivos, por vezes, invisíveis. Apenas uma vez no meio de tantas e tantas possibilidades, de tantos novos dias. No quase fim de um meio bem definido de sete em sete.

Perdi as palavras que poderia transcrever além das que escrevi dizendo sem conseguir dizer muita coisa. Sério, você me faz esquecer muita coisa. Disso você não sabe, talvez nunca saberá. Não importa. Se a grande escada para a felicidade passa pelo caminho que se escolhe e por tudo o que ele possui, você está no meu caminho. E não quero pensar em quanto tempo continuará, uma vez que não vivo o amanhã. Entretanto, admito que penso no próximo pós-sete. Penso muito. Até ensaiaria algo para explicar algumas coisas mas não, que seja como tem sido, espontâneo, impulsivo, momentâneo.

Momentaneamente prazeroso. Seja lá o que for, como for, por quanto tempo for ou puder ser. Sem sonho algum. Porque você me faz pensar na realidade. Um antes, no amanhã. Um depois, no ontem e no amanhã pós-seis. Tão confuso quanto específico. Queria poder entender você melhor, o que pensa, o que acontece na sua vida. Apenas queria, pois não tenho mais do que alguns poucos minutos para conversar com você. Ainda por cima você insiste em implicar comigo, por alguma coisa ou por nada. Critica-me paranoiando uma feiúra que não possui quando deveria ter visto o quanto esse olhar suave e digno de elogios acaba sendo observado por esses olhos humanos que possuo.

Por você, por mim, por alguma coisa a mais ou a  menos. Sim, posso dizer que você me confunde, também.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

De passagem sem passar


Quero ir para longe daqui. Embora. Sumir. E nem precisa ser ao vento, ao longe, em busca do pote de ouro no fim do arco-íris, como tantos já pensaram em buscar. Eu não quero ouro. Só quero sair daqui, desse lugar cheio de paradas, hipocrisias e galhos secos. Deixar esse ambiente deprimente e injusto. Não por não aguentar, mas por não querer mais permanecer. Sobe à garganta a repulsa pelo que meus olhos veem e meus ouvidos ouvem. Adjetivos faltam, vontade de ficar também. Permaneço, com tanta vontade de sair, tendo como única motivação uma foto, de momento algum, de coisa alguma. Apenas uma foto, que me traz alguma réstia miserável de consolo. Possibilidade, mas sem racionalidade de mudança. Não quero nem sonhar com outro lugar, nem mesmo à partir da foto. Porque fugir daqui permanecendo aqui é dar um tiro no próprio pé e acusar alguém, hipocritamente.


*a razão de existir desse fragmento pode ser real ou não.
Faz sentido pensar que apenas pensamentos o fizeram.
Como também faz sentido que não foram apenas pensamentos.

domingo, 18 de abril de 2010

No fundo do poço. Ou do prato.


Hoje, durante o meu singelo almoço, senti pena do arroz. É, do arroz. Aquele grão branco que é comido aos montes em vários almoços, de várias pessoas, com vários acompanhamentos. E é visto de muitos que o arroz, com raras exceções, nunca é prato principal. Ou é a feijoada, ou é a carne, a massa, o purê e até a salada(!). Tudo isso fica à frente do arroz no prato. Não que você coma o arroz por último ou não goste de arroz. Mas a preferência no prato é da outra comida. O arroz é acompanhante, secundário. Entende?

Por isso tenho pena do arroz. Porque ele é apenas acompanhamento. É apenas complemento. É secundário. É deixado de lado nos restaurantes, perdendo de colherada para lasanhas, massas e afins. Insisto, até para as saladas o arroz perde. Até delas o arroz é coadjuvante. E você aí acha que o arroz gosta de ser assim? Gosta de ser deixado de lado até mesmo para saladas? Você acha que o arroz não gostaria de um lugar melhor para ver os noivos entrando nos carros após o casamento, um lugar que não fosse um chão sujo? Você não acha que o arroz é digno de pena? Se não, então acabe por aqui, insensível!

O arroz é assim como o cara que vende amendoim em estádio. Se é que existem ainda os vendedores de amendoim. O arroz e o vendedor de amendoim são dois coitados. Alguém está com fome. Ele passa e vai vender, mas a pessoa diz 'ah, deixa pra depois, o vendedor de cachorro quente vem aí'. Mundo injusto, mundo cruel. E o vendedor de amendoim continua carregando o peso totalitário de sua carga de amendoins, salgados e doces, pois nada vende. 

Ninguém quer amendoim. 

E assim o vendedor de amendoim sofre. Porque o povo prefere cachorro quente, com sua salsicha incrementada com maionese e ketchup. Prefere algodão doce, pipoca, picolé, enfim, qualquer coisa que não seja amendoim. O amendoim e seu triste e sofredor vendedor sempre são preteridos. E após o jogo ele ainda espera que alguém vá e ao menos compre um saquinho, para comemorar ou como prêmio de consolação pela derrota. Mas não. E o vendedor volta para casa, triste, desolado, e com um fardo pesado de amendoins nas costas.

E o que dizer então dos dias em que chove um pouco, sai o sol por pouco tempo, fica nublado, depois o sol reaparece e então chove mais um pouco. Não necessariamente nessa ordem. Esses dias também são dignos de pena. Porque as pessoas gostam de dias ensolarados. Ou até de dias chuvosos. Não de meio termo. Não dos dois dias em um mesmo dia. Dias assim recebem a frase 'esse é um dia para ser esquecido' de tantas e tantas pessoas. Coitado. Ele não tem culpa. O dia não tem culpa de ser assim. Porque não pode chover ou sair sol em todos os lugares. Mas ainda assim ele é colocado como dia ruim, péssimo, e daí para baixo. Sempre preterido, jamais preferido. Mais um coitado.

Não quero nem pensar no que acontecerá o dia em que, em um dia desses citados acima, nublado com sol e chuva alternando momentos, um vendedor de amendoim chegar em casa e comer um prato apenas com arroz.

Não, eu não quero pensar.

*um texto real e literal, com muita subjetividade implícita. 
Um desabafo tão distante de raiva que talvez nem chegue a ser um desabafo. 
Enfim, uma crítica social e muito mais 
em um texto que aos olhos normais é bobo, besta, ou até coisa pior.
Talvez uma crônica. E apenas talvez.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Só de passagem, por uma passagem


Alguém já parou para pensar, hoje e não algum dia, em coisas feitas antigamente que hoje são grandes bobagens, por serem erros, ou que são razões para momentos de orgulho próprio, por acertos?

Sem banalidades, coisas de criança. Bobagens mesmo, atitudes que pareciam ser indispensáveis e que hoje são motivos de riso, de lamentação, de algum sentimento diferenciado, com ou sem nostalgia.
Coisas com as quais você se importava. Pessoas com as quais você importava-se, sem motivo aparente(embora com motivos que você achava serem suficientes). Atitudes tomadas em determinados momentos e que hoje são vomitadas só com a lembrança.

Ficar triste porque alguém riu de você ou rir junto quando estão querendo te humilhar. Chorar pela equipe ter ficado em segundo lugar na gincana da escola ou de emoção, pela sua paixãozinha da escola ter lhe dado bom dia. Exaltar-se com um oi ou rebaixar-se pela falta do mesmo. Subir pelas paredes de ansiedade e cair na valeta de decepção.

Situações que remetam esse tipo de coisa. Acertos que hoje são erros. Risos que hoje não são mais entendidos, lágrimas que hoje não seriam derramadas. Pensar em si, alguns anos ou mesmo meses atrás e imaginar qual seria a reação se aquilo acontecesse hoje e não naquele tempo, naquele dia, em um passado controlável apenas pelo tempo, insano e incansável.

Acho que essa é a prova de que estou ficando velho. Mais mental do que fisicamente. Mais por pensamentos e até atitudes do que por números no documento. Mais por situações vividas do que por qualquer outra coisa.

Porque velho é assim, gosta de relembrar, imaginar e pensar sempre no passado, querendo fazer relações do ontem com o hoje. Entender e concluir. Rir e chorar com passados estranhos, próximos ou longínquos. Tentar imaginar se o Pelé jogaria hoje o que jogou na época, se os Beatles fariam o mesmo sucesso hoje e se 'E o vento levou' levaria tantas pessoas ao cinema.

E pensei nisso, nessas palavras, ao lembrar de um momento, com o rádio na mochila, em que sem razão alguma, em uma conversa particular mas sem muito sentido existencial, falei algo que, tão diretamente, nunca mais senti vontade de falar.

E o pior de tudo é que eu deveria ter ficado quieto mesmo, porque sei que só falei porque era impulsivo demais.

Era. Talvez ainda seja, mas bem menos do que... era.

Estou ficando velho. Mesmo sendo novo.

Só que isso não vem ao caso.

*Eu não gostei disso. 
Não gostei desse texto. 
Faltou... um pouco.... muito mais de inspiração. 
Mas queria escrever.

**E hoje não é o texto em si, 
mas sim o conteúdo que deve ser levado em conta
na hora de colocar um comentário.

sexta-feira, 26 de março de 2010


Uma folha que cai, um minuto que passa, um chute inconsciente, uma batida inevitável, um piscar de olhos, o cair dos cabelos, um sonho estranho. Qualquer uma dessas, e de qualquer outra pequena coisa, pode ter algum significado futuro? Um aviso, um lembrete, um 'não vá' implícito. Qualquer mensagem subliminar enviada por algum espírito, ou quem sabe o próprio Deus. Acredita nesses pequenos indícios, nessas palavras não ditas, nessas mensagens implícitas aqueles que sabem entender. E a certeza é que são poucos que diferenciam algo subliminar, invisível ou não muito claro de algo que não é nada.

Não vou ficar ensinando coisa alguma aqui, até porque não tenho muita verdade de um todo comigo. Mas para mim, muita coisa faz sentido, ou seja, é a verdade para mim. Mesmo com muita desatenção, ainda, percebo várias e várias coisas que são indícios de futuro, ações que querem ser impedidas e verbos que não devem ser ditos. A imaginação é espontânea, parece que alguém começou a passar um filme jamais visto na sua cabeça. E você tenta entender por que. Muitos não tentam. Esses, incrivelmente, preferem ver sempre os mesmos filmes já vistos, por si ou mesmo por alguém.

Tantas palavras para muito pensamento mas não muita leitura.

Nada me fez pensar não dever fazer algo. Nada me fez pensar algo que não estivesse querendo. Nada. Nenhum detalhe, nenhuma pequena coisa.

Só não entendi o sentido das ervilhas. Só isso. E era só isso que eu precisava entender. Entretanto um dia entenderei, porque, como adepto do subjetivo, sei que é assim que isso veio. Subjetivo. Muito distante do que alguém com muito sono, pouca força e zero de autocontrole pudesse entender. Imediatamente ou depois de passar isso, aquilo e daqui para lá. O que foi e poderia ser realidade, o que é ou poderia ser imaginação. Barreira quebrada, bolha estourada, dimensão ultrapassada. E distância que diminuiu. De um lado para outro, sem vice-versa.

Com tempo cada um, daqueles que querem, consegue entender como aparecem essas coisas para si, para sua vida, para seu eu. Sinais, detalhes, indícios, coisas, até premonição. Cada um chama de um jeito. Cada um tem um jeito. Para cada um tem um jeito, ou até dois.

No caso do meu sonho, o fato de o despertador ter me acordado em determinado momento pós ervilhas é sim, dadas alternativas experiências, um fator para guardar na lembrança essa coisa - ou sonho, detalhe, indício, seja lá o que for - estranha que certamente colocou um sorriso em alguém dado por morto.

Aparente, não realmente.

*pense bem se for comentar sobre 
o sonho com as ervilhas 
ou a loucura do autor