quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Nos fundo dos olhos, a prova de que algo ainda bate

*a música é boa mesmo

Não tive muito tempo. Não quis ter muito tempo. A maioria do que eu poderia ter dito eu não disse. Por opção. Não queria perder aquele momento com explicações, por mais sentido que elas façam. Não queria e não perdi aquele momento. As palavras, por mais espontâneas e sinceras que fossem, foram ditas com dificuldade. Sem escolha, termos corretos ou prezando por alguma coerência. Apenas falei o que precisava falar. O que queria falar.

É muito provável que elas não fizeram sentido algum. Menos sentido faria todo o resto que poderia ser dito. Dessa vez não errei, finalmente não errei. Mesmo que o coração para o qual destinei aquelas poucas palavras não quisesse ouvi-las, acho que ele ouviu. Aqueles olhos, que mais de uma vez já haviam tirado-me a concentração e as palavras, aqueles olhos... pareciam atentos ao que os meus olhos queriam destinar.

Acredito sim que a maior sinceridade está no olhar diretamente nos olhos enquanto se fala. Parece que através desse olhar os dois corações entram em sintonia e tudo que é dito faz mais sentido, isso quando o sentimento transmitido, mesmo que apenas por um lado, não ofusca tudo e aqueles olhos se perdem uns nos outros, os olhares são trocados como se nada mais fosse necessário. Difícil um tímido fazer isso, até porque é quase certo que quando falo algo a alguém eu olhe para o chão ou para os lados. Mas decidi fazer diferente, e consegui.

Eu falei. Disse. Demonstrei. Mergulhei naqueles olhos e quase afoguei-me. Queria ter afogado-me mesmo, estaria muito mais vivo do que estou hoje. Não foi possível. Talvez nunca venha a ser. Não há sentimento, por menos humano e mais divino que seja, que consiga compensar tudo o que o lado humano pode empurrar contra.

É incrível que quando deveria sumir, desaparecer ou ao menos ser esquecido, isso, esse sentimento que eu não preciso nomear, só aumentou, tomou dimensões que eu não esperava. Por mais que seja estranho, mesmo que não o viva de fato, fico feliz por tê-lo comigo.

Porque o amor vem de Deus. Amando, mesmo que não vivendo ele num todo, me aproximo de Deus.

Quando todos me dizem para esquecer, eu rio. Porque sei que, fazendo o que eu possa fazer, não conseguirei apagar o que não pode ser apagado por uma mente, por mais forte e preparada que ela seja.

É grande, é sincero. E ao transmitir isso diretamente aos olhos, fiquei mais seguro ainda da grandeza e da sinceridade desse... amor.

Talvez seja impossível qualquer coisa que venha disso. Pois é. Mas eu já escrevi que 'acreditar na possibilidade é racional, acreditar no quase impossível é esperança'.

Já não me sinto mal por isso. Pelo contrário. Quero viver o que puder, mesmo que não seja tudo.


*eis a grande prova de quão grande é a insanidade na qual tenho vivido. 
É loucura tudo isso, não faz sentido. 
Quase todos me criticam, tentam me fazer cair numa real humana, racional e simples. 
Tentei fazer algo humano,
 ignorando e tentando me afastar disso, 
mas NÃO SOU ASSIM. 
Ajo de um jeito diferente, 
cada vez menos humano, 
mais espontâneo... 
e mais sincero.

É só mais um desabafo alternativo


Toda lista feita, por maior que seja a quantidade de boas intenções contida nela, é errada. Porque toda lista limita demais o que é listado. As 10 músicas, os 10 lugares, as 10 pessoas, os 10 fatos do ano, os 10 dias mais importantes da história, os 10 gols mais bonitos e os 10 melhores times, dentre tantas outras. Muita limitação para pouca coisa. Porque listar é tentar resumir em vão. Sempre algo que mereceria estar lá fica de fora.

As minhas 10 músicas agora são 12, quase 13 e deveriam ser 50, no mínimo. Como posso deixar fora tanta música boa, tanta banda boa, tanto bom e velho rock'n roll fora da minha lista? Transpondo isso para cá, não farei como fiz ano passado ao listar os 10 melhores textos meus, na minha opinião. Também porque uma coisa é eu ter gostado e outra é eles terem sido bons.

E estamos no fim de um ano. Listas não faltam. As melhores e piores coisas, as melhores e piores pessoas, os melhores e piores livros, músicas, bandas, momentos, viagens, enfim, qualquer coisa que tenha mais de uma... coisa, diferente.

Sinceramente acho uma grande bobagem todas as listas de fim de ano. Assim como as listas de começo de ano. Não é a primeira vez que critico isso, mas é porque acho uma grande bobagem mesmo. Vou fazer isso, emagrecer aquilo, comer tal coisa, ir para tal lugar. Que saco. Tão saco quanto aquelas bobagens de cor, roupa, lugar e até comida no momento do início do ano novo. Tudo balela, bobagem para quem quer acreditar na sorte, no azar e nas estrelas, constelações e qualquer outra coisa que possa fazer por você o que você deveria mas não tem a mínima capacidade de fazer.

Sou um grande oposicionista de deixar que a 'sorte', coisa que para mim não existe, leve as pessoas a fazerem as mais patéticas e bobas coisas para que o ano que virá seja melhor. Que saco, mais uma vez. É só um dia, com dois números diferentes na datação. Só isso. Por que não se comemora o primeiro dia de cada vez então já que o importante é a mudança?

É bem provável que o problema esteja comigo. Em não acreditar no que todo mundo acredita, só porque para mim não faz sentido algum. Mas tudo bem. Sou burro, idiota, bobo, chato, teimoso por tantos outros motivos, ser chamado de tudo isso só por não gostar de listas(as quais só faço para mostrar meu gosto musical no orkut) e não acreditar em sorte e azar, não vai me afetar negativamente.

Frase do dia






Uma espontânea 
e sincera 
enchente de loucura 
tomou conta de mim.





*há muito mais coisas que eu poderia escrever e é provável que essa frase não esteja completa, pois não foi apenas a loucura que tomou conta de mim. Embora o cansaço, a dor, a tristeza, mágoas e decepções pesem contra, encontrei em algum lugar o que acho que estava procurando. Não sei ao certo o que é, mas sinto como se faltasse muito pouco para que eu pudesse voar, embora tenha a consicência de que estou tão longe de tudo que esse voar também não passa de um sonho. Mais um sonho, sincero, espontâneo e, provavelmente, impossível. Não importa. Uma vez eu escrevi que 'enquanto houver um sonho, ainda haverá esperança' e tenho de dizer, sem qualquer arrogância, que eu estava certo sim.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Histórias do Billi J. - Desisto de tudo, mas não de você





A vida não poderia ter sido melhor, Renata estava de volta(clique no marcador 'histórias do Billi J.' no fim do texto e você entenderá), por ela, e também por si mesmo, havia mudado de emprego, seu irmão já não incomodava-o de maneira insistente e tola, seus pais já não pareciam ser empecilhos na sua tentativa de mostrar ao mundo que era possível viver de um jeito diferente e não havia sequer um pensamento ruim na cabeça do Billi J. .

Tudo ótimo, sim, até que...

Bom, nem mesmo o Billi J. sabe como isso começou, o que originou, porém aconteceu e é isso o que vem ao caso agora. Ele e sua amada Renata desentenderam-se. Normal para namorados, principalmente para quem se conhece tão bem quanto eles. Pequenas diferenças fazem grandes estragos nesse caso. E foi mais ou menos isso o que aconteceu. Entretanto esse desentendimento não era normal para Billi J. e a Renata. Porque afinal de contas, depois de toda a distância e do tempo, o simples fato de estarem juntos já era a prova de que nada poderia separá-los(e entramos no auge do famoso 'acreditar no amor').

Houve o dia, o momento, a visão.

Renata estava chegando em casa quando foi abordada por um sujeito. Segundo o Billi J. era o cara mais parecido com um ator de Hollywood que já havia visto. Ela conversou com ele. O Billi J. olhou tudo de longe. Ciúmes sim, e muito, já que conhecia os amigos de Renata e aquele sujeito não era um deles, definitivamente. Como era sensato, embora impulsivo, Billi J. apenas olhava de longe. E apertava forte as mãos, piscava como se tivesse um grande peso nos olhos, enfim, olhava com raiva.

Eles riam. O Billi J. não entendia por que a Renata estaria rindo com alguém que não conhecia. Antes de pensar coisas ruins, precipitando-se em um julgamento errôneo, decidiu sentar ali perto e esperar a conversa acabar. Depois disso, chegou na casa de Renata e indiretamente lembrou o fato de poucos instantes antes.

Respostas evasivas, como se algo estivesse sido escondido. E aquele medo cresceu, transformou-se em angústia e o Billi J. já não controlava mais. O tom da voz subiu como há muito tempo não subira. A velocidade nas palavras era incrível. Um desabafo que saiu sabe-se lá de onde, sabe-se lá por qual motivo.

Renata não entendia, mas parecia não querer entender, não tentar explicar o que talvez não precisasse de explicação, talvez não devesse ou quisesse ser explicado. Estava decepcionada com Billi, pela desconfiança, mas não deu motivo algum para que ela não existisse no Billi J., falava alto como Billi J. nunca havia ouvido e ele fez o mesmo, como se fosse algo necessário.

Ouvidos atentos sem resposta. Saiu e, sem saber para onde ir, ficou sentado na esquina da praça, triste, atordoado, sem saber o que ou por que aquilo acontecera. Sua amada Renata... não, não podia ser. Mas ela não fez a menor questão de negar. Verdade?

Ficaram dias sem se falar, sem buscar explicações. Até que, ao acaso, encontraram-se em uma esquina.
- Pensei que nunca mais fosse falar com você.
- Por que?
- Eu não sei.

Ambos afirmaram, perguntaram e mostraram-se distantes de uma resposta. Diálogo com começo e fim em ambos os lados, da mesma maneira. Perplexos e sem saber ao certo por que havia acontecido, o que havia acontecido. Não tentaram dizer o que poderiam dizer, coisas do tipo 'eu não conseguiria ficar sem nunca mais falar com você'. Não, nada desse tipo foi dito, nada além de um recíproco 'eu não sei' foi dito.

Então de mãos dadas, seguiram o mesmo caminho, sem destino, juntos. O que aconteceu ao certo ninguém sabe. O porquê desse desentendimento. Motivos, razões, explicações. Nada. Não fingiram que nada aconteceu, apenas continuaram de onde pararam, deixando de lado o que eles não precisavam lembrar. Não tentaram explicar-se, pedir desculpas, nada.

Continuaram de onde pararam. Por que explicar esse desentendimento todo se não conseguiam explicar tudo o que acontecera no tempo em que estavam longe? Algo muito maior havia entre eles e não podia ser explicado. Havia motivos para tentarem explicar algo tão insignificante?

Não. E seguiram o mesmo caminho. Juntos, porque algo verdadeiro os unia.



*Não se pode apagar o passado. 
E mesmo sem um presente ou mesmo uma perspectiva de futuro, 
o passado continuará existindo, pois ele foi vivido. 
E tudo que for indescritível, 
de tamanho imensurável, de sinceridade inegável, 
jamais será apenas passado. 
Mesmo que não seja um presente vivo, 
jamais será apenas passado 
e jamais será apagado.

Fim de ano, começo de ano. Tá, e daí?


No ano passado eu elegi os 10 textos que eu mais tinha gostado de escrever nele. Não vou fazer isso. Os marcadores estão aí ao lado, e também, eu nem escrevi tanto, embora considere os textos deste ano melhores dos que os do ano passado.O que posso relembrar desse ano? Muita coisa.

Muita coisa importante, boa, fantástica, sincera, verdadeira. Mas muita coisa ruim, pensamentos, agonias, tristezas, mágoas e decepções. Ano de contrastes, como qualquer outro. Não para mim.

Acho que num possível balanço nunca vivi um ano tão ruim. Com tantos momentos ruins. Entretanto a intensidade do que foi bom, do que é bom de ser lembrado(mesmo que no fundo acabe não sendo muito bom), acaba encobrindo o que não precisa ser lembrado.

O que aumenta consideravelmente a sensação de que sou um grande perdedor é muito mais em quantidade do que intensidade. Muita coisa, sem muita profundidade. Porém, preciso fechar os olhos toda vez que preciso deixar de lado isso para sentir o que realmente foi bom, para lembrar do que é necessário, importante e, mesmo que pareça contraditório por motivos que não serão escritos, fundamental.

Ano ruim? Não sei. Com muitas coisas ruins, como nenhum outro ano havia trazido. Mas intensamente produtivo, pela mente, pela intensidade de alguns sentimentos, pela comprovada sinceridade de outros, pela evolução e desabrochamento de alguns ideais, pelo aperfeiçoamento de sonhos, de realizações, de reflexões e vivências.

Cada um define o seu ano como quiser. Ou não defina, isso não muda absolutamente nada, porque o ano não vai agradecer por você elogiá-lo, não vai existir mais alguns dias além do que ele têm que durar por ter sido chamado de bom, disso ou daquilo.

Sem nostalgia. Até porque, nem todo mundo sabe o que é isso.