segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Histórias do Bandiolo - alguém já viu esse filme?

- Mãe, e a Ana?
- Querida demais, um doce de pessoa. Gostaria muito de tê-la como nora.
- Hum... e a Marina?
- Simpática que só, um sorriso imenso.Gostaria muito de tê-la como nora.
- Fabiana?
- Muito inteligente, conversa sobre qualquer assunto. Gostaria muito de tê-la como nora.
- Júlia?
- Linda ela, olhos azuis que encantam qualquer pessoa, voz suave e gestos amáveis. Gostaria muito de tê-la como nora.
- E quem você não gostaria de ter como nora.
- A Sabrina.
- Por que?
- Não sei, ela me parece muito arrogante. E com aquele ar de superioridade, fala tudo o que vem na cabeça. É uma inconsequente, não tem noção do que as palavras dela podem causar. Aquele cabelo dela também não me agrada, parece que ela não se cuida. E ela fala e fala e fala e fala. Como se fosse uma tagarela. E reclama demais viu. De todas as gurias que já vieram aqui em casa, fosse por amizade ou com segundas intenções, ela é a que eu não gostaria que entrasse pra família. Ouviu bem?
- Mas vocês nem conversaram direito, como pode criticar tanto ela?
- Eu achei e pronto. Você sabe que a primeira impressão é a que fica para mim, então. Escolha uma das quatro primeiras, a Sabrina não, ela não é mulher para você.
- Mas ela tá terminando o doutorado, tem um emprego fixo, é dedicada, sempre me fez companhia, não comete excessos nas festas, sabe fazer o trabalho de casa e disse que você parece ser legal.
- Ela disse? Tá querendo puxar o saco.
- Mas m...
- Não, você não tá querendo me dizer que...
- Sim mãe, estou namorando com ela.

domingo, 29 de novembro de 2009

Histórias de bergamota (12)

Perguntei para minha mãe como eu nasci. Ela não sabia responder. Perguntei ao meu pai. Ele também não sabia. Então fui perguntar ao meu avô, a mais sábia alma que eu conhecia, mas ele também não sabia me explicar com eu nasci. Cegonha, couve-flor, nada disso é verdade, sabia eu. Como eu nasci? O que aconteceu quando nasci? Por que ninguém sabe me explicar?

Depois de algum tempo, percebi que meus pais não eram meus pais. Meus avós não eram meus. Todos eram meus irmãos. E aquele sábio não era nada meu, porque era uma laranja do céu.

Ninguém sabia me explicar como nascem as bergamotas. Por não achar uma resposta sensata para o 'de onde vim', decidi definir logo o 'para onde vou' e, sem fazer esforço, caí no chão, sendo ajuntado por um xeba, que me descascou e chupou todo o meu suco.

Eu sou uma bergamota, e essa pode ser a minha história.

*escrever coisas como essas me afasta um pouco daquele sentimento de vazio total

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uma grande quantidade de nada

(O amanhã colorido - Cidadão Quem - trilha sonora do texto e da(com boa vontade) reflexão de hoje. Ótima música e ótima letra)

*Para sonhar é preciso apenas viver. Mesmo que o sonho não se possa viver. E mesmo que o viver não passe de um sonho.

Muita coisa já escrevi, já apaguei, já lembrei e já pensei.

Tanta coisa que não sei de mais nada. Como nunca soube de tudo. E nunca saberei.

Nunca precedido de verbos no futuro é algo perigoso e, no mínimo, impreciso. Seja qual for a pessoa. O verbo. O nunca.

Porque o nunca nem sempre é nunca. Assim como o sempre também não o é por completo.

Exceções, malditas e benditas exceções.

Tempo que não será assunto hoje. Não intencionalmente.

Porque acho que todos já sabem que eu tenho uma raiva imensa do tempo. E pena daqueles que nele, ou seja, no tempo confiam.

E não é só por esperar e não viver. É por achar que o tempo vai fazer aquilo que a própria pessoa precisa fazer.

Comodismo? Não. Sinceramente, é falta de vergonha na cara. Falta de coragem, de sinceridade, de vontade.

Eu disse, o tempo não deveria estar aqui.

Porque ele não é o culpado pela volta de alguns problemas que eu tinha, e agora voltei a ter.

Olhar para o chão enquanto falo com alguém ou alguém fala comigo. Falta de educação? Não. Problemas relacionados à timidez.

Tique nervoso no pescoço cada vez mais intenso, cujas dores musculares(óbvio, no pescoço) são cada vez maiores. Engraçado? Não. Irritante e inexplicável.

Um aumento progressivo na ansiedade, sem motivo algum, e na preocupação, que não é com a necessidade de notas ótimas em provas tiradas do inferno.

Voltaram. Ou começaram. Piores do que eram, do que outra haviam sido.

Frases. Voltas, mudanças.

Continuo na mesma. No nada. Num deserto de tudo e nada. Só não consigo achar o tudo.

No meio de um oceano. De desilusão? Talvez. Talvez seja um oceano de desmotivação. Tudo tão parado, a água, o sol, o vento.

Sem rumo, sem destino, sem saber onde estou. Perdido.

Em mim.

O que era ruim piora.

E o que alguém pensa que mudou continua a mesma coisa. E, sabe-se lá o mente que deveria colocar aqui, acaba aumentando.

Talvez esse aumento, sem percepção, sem valorização, sem retribuição seja o pior.

Talvez.

Porque se eu não sei nada, ou quase nada, não posso, ou não é provável, saber.

Lamentação. Mais do que tristeza.

Desmotivação, mais do que pareça.

Frases. Recurso muito utilizado no passado e só re-utilizado agora porque o texto escrito antes havia ficado terrível.

Enfim.

Deve haver um propósito nisso tudo. Escolheria sempre o mesmo caminho, quantas fossem as vezes repetidas.

Sempre o mesmo caminho porque algo maior existe sim.

E só um cego, ou alguém que se faz de cego, não vê, e não... entende(ou qualquer coisa do tipo "cai na real") o que é isso.

Depois não entende por que tanta coisa ruim vinda de mim.

Não esperem nada de mim. Nem um texto bom consigo escrever. Nem um pensamento bom consigo.. pensar. Nem um sonho bom consigo imaginar, que dirá realizar.

Se bastasse a inconformidade, a vontade e a sinceridade, eu não estaria aqui. Se bastasse qualquer razão, qualquer motivo, qualquer prova, eu não estaria aqui.

Por mim, e também não por mim.

domingo, 22 de novembro de 2009

Não é bem assim (8) - voltando a estragar frases feitas

Se não for pra me fazer voar bem alto, não me faça tirar os pés do chão.


Começando essa análise bem simples e simplificadora, vamos levar em conta que essa frase deveria ser apenas dita para pilotos de avião, ou veículos que voem. Mas em todo o caso, levarei em conta o lado patéticamente figurativo dessa frase.

Vejamos, para quem assiste filme, sabe que durante cenas impróprias para menores de 18 anos os caras, ou mesmo as mulheres dizem 'vou te levar pro céu'. Então. No caso não é nesse sentido, mas poderia ser, o que desmoraliza a frase(e, o que não muda nada, o blog).

Hum...

Agora, com um abraço bem apertado pode-se tirar os pés de alguém do chão. Mas a pessoa não vai voar. Então quem diz isso não gosta de abraços bem apertados que as fazem levantar. Que bobagem. Que grande bobagem. Bom, não posso fazer nada. A frase é uma bobagem por completo.

Vamos ver. Voar, felicidade grande, alegria, êxtase(não confundir com aquelas drogas de plaiboizinhos e patricinhas alucinados e, óbvio, estúpidos). É, acho que há uma relação. Bom, se não é para fazer a pessoa feliz, nem chegue perto. Por aí né? Tá bom.

Se não é pra fazer a pessoa viver, de fato, alguma coisa indescritível, nem comece a dar indícios de que pode ou quer isso.

É isso?

Talvez seja, mas não fica claro. Muita gente burra há no mundo. Muita gente burra fala português. Muita gente burra usa orkut e/ou procura essas frasesinhas feitas sem razão alguma. É patético esse tipo de frase que todo mundo usa. Por isso ironizo(na falta de outro verbo) elas. Mesmo que a ironia seja tão ruim quanto a frase.

Mas que não fica nada muito claro na frase, não fica. E que gente burra não entende essa  frase direito(seja lá qual for o direito dela)(talvez seja a última tentativa de explicação que eu escrevi).

Eu precisava escrever uma grande bobagem sem fundamento ou sentimento algum. Era isso. Foi isso.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Histórias do Bandiolo - Para não ficar só no tchau

Olhou-a e despediu-se. Sem beijo, abraço, nada. Nem aperto de mão, olhar nos seus olhos ou qualquer outro tipo de afago. Nada. Estava atrasado e, acima disso, magoado. Não importava mais o que ela lhe fizera, as coisas ridículas que ouviu daquela boca que quando sorri ilumina cavernas profundas e escuras. Não importava mais o que lhe fizera pensar, sentir. Passado.

Mas ainda estava magoado.

Sentiu-se a pior pessoa do mundo por aquilo. Sentiu-se pior do que a pior pessoa do mundo sentiria-se. Senti-se como se fosse... de fato, a pior pessoa do mundo. Como se tivesse cometido o pecado mais grave, a falta mais dura, dito a maior blasfêmia e provocado a pior das dores. Sentiu-se como se fora culpado de algo que nem ao menos sabia o que era. De algo que, de fato, percebeu não existir.

Fora acusado, incriminado, culpado, criticado, ofendido, destroçado e destruído. Sentiu-se tão mal que não sabia como em tão pouco tempo voltou a estar com ela. Sabia, mas não queria saber. Não queria entender. Era injusto. Não merecia ter passado pelo que passou, sentido o que sentiu. Sensações estranhas. Sentimentos profundos. Tristeza. Mágoa, mágoa, mágoa.

Despediu-se como se ela não fosse mais do que uma empregada de seus pais e, por consequência, uma empregada sua. Despediu-se como o dono se despede do cão.

"Tchau."

Virou as costas. Precisava fazer aquilo. Deixar aquela impressão de que ele poderia fazer o mesmo, embora ela não fosse sentir um centésimo do que ele sentiu. Era uma forma de vingança, para ele era. Indiferença. Sentimento terrível. Tantas vezes sentia como se estivesse há anos-luz dela mesmo estando abraçados. Agora era a sua vez de retribuir. Tchau e nada mais. Isso mesmo, sentia-se agora bem.

A mágoa passou. Rápido demais. Parou, pensou bem, refletiu e sentiu-se mal. Parecia que algo estava lhe chamando, embora ela estivesse quieta. Será que ela se arrependeu? Será que falará alguma coisa, que pedirá desculpas? Não. Ele não vai fazer nada disso, sabia ele. Deixou de lado o orgulho que era próprio dela e sentiu-se aliviado por ter desistido de tentar fazer o que, de fato, nunca quis fazer.

Voltou e beijou-a. Para não ficar só no tchau. E para não se arrepender e sentir-se mal por ter dito apenas uma palavra na última vez em que a veria naquele dia.

Voltou e nem foi mais, sabe-se lá o porquê...



*O autor acha textos como esse, 
escritos em dias como esses, 
patéticos, 
e não esconde sua preferência 
por textos postados com verdadeiros sentimentos 
e um algo a mais de explosão, 
que nesse caso não passa de uma espontaneidade sincera,

e cheia de... enfim.