segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Histórias do Bandiolo - A visão do saber

- Eu sei que ele sabe.

- Ele sabe?

- Sim!

- O que?

- Que eu sei?

- E o que você sabe?

- Que ele sabe.

- Não, o que você sabe que ele sabe que você sabe?

- Ãhn, repete.

- Você disse que ele sabe que você sabe alguma coisa, o que você sabe?

- Além de que eu sei que ele sabe?

- Sim.

- Eu sei.

- Como?

- Porque ele me olhou, e isso confirmou. Tentou disfarçar mas sabe que eu sei.

- O que?

- Que ele sabe que eu sei.

- Por que você sabe?

- Porque eu sei.

- Como?

- Eu vi.

- Viu?

- Sim, eu vi.

- Então você sabe mesmo.

- Sim, eu sei.

- O que?

- Que ele sabe que eu sei.

- O que?

- Eu vi. Ele viu. Só você não viu. Você e o tiozinho do espetinho.

- Então eu não sei mesmo?

- Se você não viu, você não sabe.

- Então não sei o que você sabe.

- Não sabe mesmo o que eu sei.

- Então conta, o que você sabe?

- Que aquele carinha tentou disfarçar o chute que deu no meio-fio quando tentou subir a calçada.

- SÓ isso?

- E precisava mais? Ele sabia que eu sabia. Tentou disfarçar, fingir que nada tinha acontecido mas... ele me viu. Ele sabia que eu sabia.

- E que você tinha visto.

- Exato.

- Pois é.

- Simples assim.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O vazio de viver e só (34)


Até quando será assim? Pode me dizer? Dia sim e outro também, essa coisa que vem e vai. Mais vem do que vai. Diariamente. Sabe quando isso termina? Ou pelo menos quando se transforma em algo que permite-me fazer coisa qualquer sem qualquer hesitação por falta de tudo?

Não sabe quando vou conseguir ser capaz o suficiente para sequer pensar no que isso, de fato, é?

Todas as respostas são negativas quando, por qualquer motivo, não existem respostas. O consentimento, nesse caso, deixa tudo comodamente inerte, sem qualquer perspectiva de tornar-se algo diferente do que é. E, pelo fato de não ser, declaradamente, coisa qualquer, o nada não pode transformar-se. Porque, em si, ele não existe, é ausência completa de, enfim, você não está no jardim de infância.

Sinto como se estivesse a ponto de, sei lá, mudar tudo isso que está acontecendo. Aí lembro daquela história do nada, da inércia e, comodamente, volto para o meu transtorno diário.

Opa, uma palavra que ajuda a definir: transtorno.

O dicionário diga o que quiser sobre, porque isso é, sem dúvida, um transtorno que tira a paciência, impede que a tranquilidade exista naquele negócio chamado mente, que o sorriso se manifeste e que o coração - coitado desse - pulse em paz.

É pesado, é cansativo, é desgastante, é irritante, perturbador. E muito mais.

Qualquer tristeza, aqui, não é coincidência, redundância ou novidade. A diferença é que nunca, nunca mesmo, fez tanta diferença estar parado, cansado, triste e sei lá mais o que.

Todo o resto desaba junto. A reconstrução que estava sendo feita voltou à estaca zero.

E ninguém sabe como, quando, onde, por que.

Ninguém sabe qualquer resposta.

*e isso tudo é deprimente

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Pedaços de um pensamento (63)


Há um limite, sempre há um limite. Para o que quer que você faça, queira, sonhe, para tudo o que possa vir de encontro. Há limite para uma amizade, para uma dor, para a paciência - sendo que esse limite poucos consideram, uma vez que vivem como se o superassem a cada instante -, tolerância, entendimento. O infinito é muito bonito - e inútil - na matemática, talvez na física. Infinitas vezes você mistura água com um tang e infinitas vezes terá um suco, doce, artificial. A falta de limites, aqui, existe por ser impossível contrariar a lógica, sensata ou não, da existência como um todo. O tempo, por si só, pode fazer com que limites que fogem desse contexto meramente palpável e visível sejam superados, aumentados ou, na pior das hipóteses, reduzidos. Quanto mais se tem, menos se tem, já diria um filósofo sobre queijo suíço. A questão é que, para algumas coisas, o limite inexiste quando há, por trás de pontos específicos, algo que, quando limitado, perde o valor. O amor, por si só, é limitado e traz consigo complicações inúmeras. Porém, somente quando é limitado. O amor, e o ato de amar, devem sempre superar qualquer limite. Porque, afinal de contas, em algum lugar da história, o Filho superou todos - em absoluto - os limites. E só o fez para que não houvesse mais limitação alguma entre nós e o Amor. Se não há limite para o amor que desce sobre mim, por que haveria limite para o amor que eu sinto?

domingo, 2 de dezembro de 2012

São só palavras estúpidas.

Tanto faz se algum dos envolvidos na história chegar - por algum acaso do inacreditável e inconstante "ser", criado por homens, chamado destino - a ler isso aqui. Estou tão preocupado com isso quanto uma criança está preocupada com a saúde financeira dos pais nos dias que antecedem o seu aniversário.

O engraçado acaba sendo que as noites mal dormidas pouco poder tem de influenciar quaisquer palavras. Não é por estar bêbado, drogado ou com MUITO sono que estou aqui, escrevendo. Não preciso de nada disso e daquilo para ser sincero. E também não faz diferença citar nomes. Afinal de contas, ninguém está mesmo preocupado em ter feito parte disso ou não. A curiosidade, aqui, fica como brinde pela perda de tempo que... deixa pra lá.

Lembro-me de, anos atrás, ter ouvido quatro pessoas dizerem a seguinte frase, dois pontos, espaço, abre aspas

Ah, eu não tenho dúvidas de que quero fazer faculdade de medicina (ponto, espaço, etc)

Naquele tempo a revolta era grande e a raiva maior ainda. É provável que qualquer ambição futura fosse levar minha mente a pensar "malditos fracassados, vão apodrecer...". O final da frase é um tanto quanto preconceituoso, então deixa pra lá, haverá sempre um politicamente correto moralista e hipócrita para tecer alguma crítica, ponto.

O que acontece é que essas quatro pessoas, além de medíocres e miseráveis rascunhos ilegíveis, eram pseudo estudantes, sem hífen por vontade própria. Sabe aquele tipo de gente que passa anos com você no mesmo lugar e, quando você percebe que nunca mais verá, pensa algo como "hum, e?".

Indiferença, era isso que existia - por motivos diversos - e não existe mais por falta de necessidade e crescimento pessoal, propriamente dito. Tanto faz, ainda, porém agora sem indiferença.

Duvido que alguém tenha levado esse projeto em frente. Eram fracassados e serão sempre fracassados - exceto por uma mudança drástica de... TUDO. Veja bem, não estou, sobre hipótese alguma, querendo dizer que sou um vencedor e tal. Pode ser até que venham a receber salários maiores e obtenham, com alguma surpresa ABSURDA desse troço chamado 'vida', um grande sucesso profissional mas... nunca, quer saber, deixa pra lá.

Eles queriam o que não tinham capacidade de ter. Tenho certeza de que você conhece pessoas iguais, que não sabem fazer multiplicação de dois dígitos mentalmente mas querem acertar 85% de uma prova de vestibular em alguma grande universidade bem conceituada.

É obra do acaso que algum consiga. Geralmente não conseguem, voltam para o conforto de seus lares, casas luxuosas sustentadas por pais trabalhadores que não tem consciência dos pequenos, na verdade gigantes, pesos inúteis para a sociedade que carregam.

Há rancor em todas essas palavras. Há raiva. Mas não há mais mágoa. E a história do crescimento pessoal, do perdão e da caridade existe sim, de fato. O que não impede, de modo algum, que tenha uma recaída e use de uma sinceridade escrota para dizer que, onde quer que estejam, não são nada do que um dia sonharam ser.

Por falta de capacidade, de vontade, não sei.

O que não faltou - e por isso agradeço - foi justiça.

Essa não falha.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Retratos de uma sociedade patética (11)

Em primeiro lugar, que não apareça algum falso moralista por aqui porque não há motivos para moralismo. A ironia é uma forma de expressar algum tipo de indignação e não de preconceito. Logo, se quer encontrar algo para incomodar-se, vá até um gramado e coce as costas com um pedaço de urtiga. Dito isso, segue.

Depois de muito ouvir, ler e, claro, vomitar sobre a tal da 'não orientação' infantil, resolvi manifestar minha opinião do meu jeito. Sincero e irônico, uma vez que não devo satisfações a nenhum ser meramente mundano. Não sou, de forma alguma, um preconceituoso de qualquer tipo, racista, homofóbico ou social. Minto, sou um preconceituoso contra a modinha estúpida do politicamente correto, que é uma afronta ao respeito e ao bom senso. De qualquer forma, os elementos desse grupo são desprezíveis por todas as infantilidades egocêntricas e sensacionalistas. Quem já foi alvo de seus tiros infundados certamente detesta, como eu, esse tipo. Entretanto, não é um grupo consolidado, que faz passeatas, tem cotas em universidades, etc. Logo, é um grupo desprezível nesse caso. E você que está lendo, provavelmente, não faz parte dele. Você é mais inteligente do que isso.

Voltando ao assunto da não orientação, fui além da minha capacidade imaginativa e pensei anos a frente. Com meus filhos em idades diferentes.

Atestam alguns, membros desse grupo sensacionalista autoritário que parece - e exclusivamente parece - defensor dos direitos de alguma coisa, e diz que 'é preciso deixar a criança livre para ser o que quiser.

Esquecendo detalhes que, aqui, não fazem qualquer diferença, vou chegar para meus filhos e dizer algo como:

"Vocês não precisam ser menino ou menina." - Poderia ter, claro, um "Não precisam ser descendentes de descendentes de italianos(como eu) e, se quiserem, não precisam ser nem meus filhos ou pensar, ou comer ou, sei lá, abrir os olhos", mas isso é o de menos.

A linha de raciocínio que a tal liberdade desse povinho prega é por aí, embora pareça - e mais uma vez apenas pareça - estar concentrada apenas na orientação sexual.

Essa gente não pensou - e se pensou não admite que o fez - na possibilidade dos seus filhos ouvirem isso. E, se pensaram, não se deram conta que não há liberdade alguma em dizer 'NÃO precisa ser tá tá tá'. Indução maior do que essa só se encontra naquele terrorismo psicológico do 'então coloca a mão na água fervendo para ver o que acontece'. Se a criança não sabe que algo fervendo queima, independentemente da forma que possa ter aprendido, ela enfia a mão ali por curiosidade e porque - isso aquele povinho não quer admitir ou não é capaz de concluir - foi induzida, diretamente, a isso. Criança alguma conhece ironia, sarcasmo ou hipérbole.

Você diz que é o Homem Aranha e ela vai vigiar-lhe o dia inteiro para vê-lo em ação.

Por que, então, coloca a negação antes da sua natureza não seria uma indução? A psicologia não quer admitir, mas é um atentado indireto dizer 'NÃO precisa ser isso'. Nesse caso, é a mesma coisa que dizer 'não SEJA isso'. E você sabe bem que crianças entendem o mundo literalmente - e por isso são criaturas adoráveis e irritantes simultaneamente.

Grite para uma porta 'seja uma janela' e nada acontecerá. Diga para uma criança 'você não deve comer com as mãos sujas' e ela nada fará enquanto não passar muito mal e lhe explicarem que foi por aquilo que isso aconteceu. Embora ela vá repetir o processo algumas vezes até assimilar bem, mas isso não vem ao caso.

"Filho, você não precisa ser menino como todos os meninos que parecem com você são(mais uma contradição). Você pode ser o que quiser, eu lhe dou liberdade para isso".

Pense bem, você acha mesmo que a criança não é capaz de dizer: "Então quero ser um peixinho colorido!"

Será que não?

O que essa gente fará quando ouvir essa frase de um filho? Irá jogar ele no aquário e alimentar ele com pedacinhos de pão?

Ah, façam-me um favor e acertem suas cabeças em uma porta, porém com força. Quem sabe assim as ideias voltem para o lugar. 

Ou tenhamos uma cabeça oca a menos no mundo.