quinta-feira, 15 de março de 2012

Pedaços de um pensamento (39)

Que pernas estão conduzindo meus passos? Parece ser inevitável pisar torto, assim, bem assim como estou pisando em um terreno tão familiar e ao mesmo tempo tão desconhecido. Tento me equilibrar porém não consigo por estar caminhando sem saber onde, para onde e por que. Eu não sei o que está movendo minhas pernas, embalando meus passos. É algo que parece novo mas com uma nostalgia enorme por trás. Como se fosse um déjà vu sem frescuras ou ataques psicodélicos e todas aquelas viagens oriundas de cogumelos, pós ou ervas. Não que seja a mesma sensação, os mesmos pensamentos e tal, são parecidas, sensações, pensamentos e até mesmo sentimentos porém... de uma maneira bem diferente. Rapidamente, ganha forma, tempo na mente e atenção aos detalhes que muitas coisas, em muito mais tempo, não conseguiram ganhar. Sem ser milagre, pois não é nada espetacular, tampouco absoluto, traz-me o que há tempos não tinha:

Inspiração.

*não são somente através de palavras que podemos
expressar inspiração. Mesmo que não compreendam,
e não aceitem, esse é um texto inspirado. Não pelas palavras, óbvio.
Mas pela maneira com que ele foi escrito. As palavras não foram pensadas.
 Apenas foram escritas. Isso, em mim, é inspiração.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Ecos da sinceridade - Com a preocupação

Tempos atrás levaria o dia de ontem, e muitos subsequentes, com arrependimento pesado e desgastante. Ficaria me lastimando por saber que, de fato, o erro não deveria ter sido cometido. Tenho estado tão inerte a certas coisas que, mesmo um erro grande não tem afetado ou prejudicado o que já não é bom - e que, aliás, é péssimo. Minha mente anda tão ocupada, há tanto tempo, com um parcela significativa de nada que, nem mesmo o arrependimento é capaz de mudar a sua rotina. O que nem eu e muito menos a minha mente - consciente e, principalmente, inconsciente - esperávamos é que, de uma hora para outra, um pequeno detalhe ganhasse tanta importância.

Você se preocupa com quem conhece, com quem faz parte da sua vida, com as pessoas por quem você carrega algum sentimento ou por algum motivo semelhante, nunca distante da sua própria existência. Preocupar-se está ligado, quase sempre, ao importar-se e isso diminui as chances do que está acontecendo - que por sinal, ao certo, eu não sei - passar a me preocupar porém, contra a lógica da minha própria mente inquieta, eu me preocupo, com inquietação nas mãos e vontade quase cega de ajudar.

Sem sentido porque, para importar-se é preciso, antes de mais nada, conhecer um pouco alguém. Nessa vivência de sinceridade, me perguntei muito se o que passava pela minha mente era preocupação ou havia algo mais. Não obtive resposta em palavras entretanto, com uma sinceridade singela, senti que não há motivo, explicação ou razão. Estou preocupado porque alguém não está bem. Até parece algumas vezes que não está nada bem. E tenho certeza de que não está nada bem. O sentimento de impotência, de não ser capaz de ajudar, é o que mais incomoda.

Sempre incomodou. De um jeito diferente, hoje, por não ter razão, motivo, nada. Talvez tenha incomodado, por estar preocupado, somente pelo fato de ter aprendido, enfim, o que é amar outra pessoa sem ter nesse momento por ela, especificamente, qualquer sentimento. Com qualquer outra pessoa seria assim.

É disso que falo quando coloco em pauta o crescimento pessoal. É da água desse aprendizado que quero beber. Obrigado, Senhor. E permita-me, segundo a Vossa Vontade, ajudar.

*o sono tira um pouco da percepção de conexão entre as frases. 
E do sentido literal que as mesmas podem ter.

domingo, 11 de março de 2012

Pedaços de um pensamento (38)


Encontrar um lembrete, qualquer que seja, em um momento onde as coisas se encaminham, mais uma vez para o mesmo lugar, é motivo suficiente para agradecer a paciência que a Vida num todo tem para conosco. A simples recordação, da maneira que for, de que seguir esse caminho é voltar ao mesmo erro - em lugar e momento diferentes - acaba dando um novo ânimo. Por mais que inconscientemente acabe indo para o mesmo lugar sempre, dar-se conta de que isso não é o melhor - e nunca o foi de fato - é uma esperança de que, algum dia, conseguir-se-á ir para o lugar correto. Erro e tentativa até o acerto não é, em absoluto, a melhor maneira de agir quando não se sabe ao certo o que se quer. Em verdade, é a maneira mais cômoda e covarde que existe para, após a percepção do erro, tirar de si a responsabilidade pelas próprias escolhas.

Obrigado por me lembrar das tantas vezes que o meu pensamento foi muito além de qualquer possibilidade real. É estranho que, apesar de não parecer, esse lembrete condiz muito com a vivência de sinceridade. Não é somente o espontâneo que pode pegar para si o adjetivo sincero. A vontade pelo certo e a consciência, quando verdadeiras, condizem muito mais com a sinceridade do que o espontâneo por si só.

Aceitar e seguir somente o espontâneo é, além de um erro, assumir o banal como fim de qualquer caminho.

E, haverá de concordar que... ele não é.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Intencionar e o agir

Quando alguém decide, ou diz decidir, mudar a própria vida, a primeira coisa a fazer é tomar uma decisão e seguir, à partir dela, com convicção. Pelo menos é isso que se espera quando de uma pessoa que faz todo um drama para, em algum momento, estufar o peito e dizer 'preciso tomar uma decisão e mudar a minha vida' - desconsiderando as maneiras alternativas de dizer isso. O que acontece, na maioria das vezes, é uma falta de consideração com aquilo que se diz - e que, consequentemente, imagina-se que a pessoa tomou como propósito, objetivo.

Na prática, quase sempre isso não passa das palavras para as atitudes. A mudança, em si, é um objetivo falho, geralmente porque a pessoa não está preparada para mudar. Não que você precise fazer terapia, rever seus conceitos e libertar-se de todo o seu passado. O problema que impede mesmo a maioria das mudanças, que enfraquece as decisões proclamadas aos amigos confidentes é que, quase sempre, a pessoa não está disposta a abrir mão de coisas que lhe fazem mal e, principalmente, ela não sabe onde quer chegar.

Disse alguém, algum dia, em um momento de incomparável estupidez, que 'para quem não sabe onde vai, qualquer lugar está bom'. Minha aula às 7 e meia de amanhã me impede de tecer longos comentários sobre, apenas comento - levando em conta a minha pequenez - que essa frase demonstra falta de vontade, de desejo por mudança e uma comodidade sem igual. Deixar-se levar somente pelo vento, fisicamente falando, não faz você sair do lugar. Subjetivamente falando, aquele que deixa-se levar pelo vento nunca chega a lugar algum porque, assim como o vento físico, esse vento que chamei de subjetivo também não acaba. Ele sopra para outro lugar, em outro momento, mas é contínuo, não acaba. Ele passa, e pronto.

As pessoas contentam-se em ser passageiros em suas escolhas. Não definem, não são coerentes, não ratificam suas palavras de decisão com entrega e atitudes. Não querem esperar pelo melhor pois preferem ir para qualquer lugar agora.

Impacientes. Não é ironia nenhuma concluir que todas essas pessoas que não tem convicção em suas escolhas, ou que sequer escolhem, nunca saem do lugar, porque mesmo deixando-se levar pelas escolhas alheias, pelo tal vento subjetivo, nunca conseguirão dar um passo para fora de si. E um dia nem mesmo os outros conseguirão carregar o peso de todo esse comodismo - e porque não, descaso - para com a própria vida.

Escolher errado acontece. Principalmente quando você se deixa levar pelo agora, e não pelo que o aprendizado e o crescimento, com o tempo, lhe farão escolher.

terça-feira, 6 de março de 2012

Ecos da sinceridade - Pressão e desespero


Parecia que o desespero teria um bom motivo para surgir e tomar conta. A impressão que fica é que, agora, mesmo com o suposto motivo para alívio, o desespero pode sim assumir uma posição importante. Bom, pode porque a possibilidade existe sempre mas, tenho certeza de que isso não irá acontecer. Motivos surgem, eventualmente e, muitas vezes, muito próximos uns dos outros, para que a perda da paciência, da tranquilidade e da segurança seja inevitável. Porém, o que acontece depois que a primeira impressão passa é que... nada saiu do lugar. Acho que, se preciso, conseguiria desarmar uma bomba - desde que recebesse instruções de como fazê-lo - sem tremer. Não quero dizer que não sinto medo ou que não tenho receio de algumas coisas. Temo pelos meus erros sim, mas isso não me afeta diretamente e nem indiretamente. Aprendi a lidar com a pressão reduzindo o valor das críticas que me são feitas. Quando a razão define o que é crítica importante, significativa e com bons motivos de existência, consinto e tento trabalhar em cima disso. O que é crítica por vício, pelo hábito ou por motivos pessoais, geralmente egoístas ou invejosos, deixo de lado como se nada tivesse entrado em meu ouvido além de ruídos. Não que essas últimas críticas sejam constantes hoje - um dia foram uma constante quase diária - entretanto, não querendo ir muito além, lidar com críticas e, como dito antes, com a pressão por bons resultados, por acertos ou objetivos concretizados não é problema para mim. Estou inerte a quase tudo isso, sendo uma vantagem para evitar momentos de desespero infantil, e uma desvantagem quando preciso apanhar um pouco para reagir de maneira diferente.

Ainda assim, prefiro evitar o desespero.