quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Pedaços de um pensamento


Se a vida fosse futebol, seria muito fácil descrevê-la. Há dias em que você é craque, acerta tudo, até o que ninguém, nem mesmo você, imaginava que pudesse. Assim como em alguns jogos a bola não entra, você tenta e não consegue nem acertar o mais simples dos passes. Brigas com o técnico, o presidente do clube, a torcida e com os companheiros. Tudo errado. Ou tudo certo, dependendo das razões, do ponto de vista, do objetivo. Mercenários, empresários interesseiros, e outros sinônimos presentes no dia da vida futebolística que também poderiam descrever a vida por si. Treinar com sol de rachar para, no dia do jogo, a chuva levar você a uma gripe como nenhuma outra que já tivera. Mundo injusto, dentro e fora de campo. Fazer gol para aquele espetáculo em forma de mulher também entraria como boa analogia descritiva. Quem se importa com o que você faz fora de campo se dentro dele você joga bem e resolve? Ah, isso não poderia faltar. A coerência entre palavras, discursos de amor à camisa e à torcida também passariam a ser exigência do relatório da vida através da visão futebolística dos fatos. Quem quer que possa fazer isso, com um pouco de bom senso, amor ou tempo livre, faria um bem a muitos, um mal a tantos outros e um nada na história.

E por que? Ninguém se importa com descrição da vida, muito menos em uma visão futebolística. Ou vai dizer que você colocaria uma estátua da pessoa que fizesse isso na frente do seu estádio?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Algumas frases


"...Mas existe um método ainda melhor para explorar os momentos de baixa, que é através dos próprios pensamentos do paciente sobre eles. Como sempre, o primeiro passo é afastá-lo do conhecimento. Não o deixe sequer suspeitar da existência da lei da ondulação. Deixe-o pensar que seria natural que o estado inicial de sua conversão durasse e que deveria ter durado para sempre, e que o seu atual estado de aridez é um estado permanente.(...) Distraia a atenção dele da simples antítese entre o Verdadeiro e o Falso. Ponha em sua mente algumas expressões bem vagas - "foi só uma fase"(...). " - Cartas de um diabo para seu aprendiz(C.S.Lewis)


*Por mais que seja difícil, complexo, estranho 
e que não consiga encontrar explicação,
ficar sem palavras e parecer ver que 
o que se espera em um todo não existe, 
isso é passageiro e, significativamente, irreal. 

Reflexões de um maluco(14)


Há momentos esporádicos em que fico convencido de que preciso de um tratamento. Os olhos, o sistema nervoso, o coração ou a mente. Talvez mais de um precisem de um tratamento, mesmo. Porém, em certos momentos, parece que é apenas um, o que não tira a necessidade de tentar resolver problemas que não deixam de ser casuais. Estar louco, ou beirando essa loucura insana que pode levar a um lugar como um manicômio, não é nada demais para quem nasceu louco mas cresceu preso por regras que fizeram com que essa loucura não parecesse nada além de uma fase passageira. As pessoas gostam de dizer que problemas, características incomuns ou atitudes estranhas, muitas vezes espontâneas, são fase passageira. Porque afinal, a vida de todos está ligada, indiscutivelmente, ao tempo. Ele passa, a vida passa. A loucura com suas atitudes já citadas, então, também passam. Reles objetividade. Um pensamento, um sentimento e uma característica só passam quando não há mais sentido em sua existência. Ou quando seu dono deixa-se convencer de que não é isso o melhor para si. Ou não. Tornar isso objetivo com uma analogia boba é querer impor mudança. É como se estivessem tentando convencer alguém que tem o sonho de ser piloto de avião que aviões são perigosos, eles podem cair, tudo mais e menos. Usar o tempo como crítica nada construtiva para conseguir realizar uma mudança alheia pode ser tudo, menos prova de preocupação, de sentimento, enfim.

Não sei onde as minhas ocasionais conclusões sobre a necessidade de um, ou vários, tratamentos físicos e psicológicos possa estar associada ao que escrevi. Entretanto, é claro que há coisas em que encontro uma resistência de pessoas próximas quanto às minhas atitudes com relação a elas, mas não encontro nenhuma resistência em mim. E enquanto acreditar, em pensamento, sentimento ou movimento, continuarei.

Independentemente de o tempo passar, de perder a razão ou ir mesmo que todos, ou quase, queiram que volte.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Histórias de bergamota (14)


Como uma nuvem que cruza o céu em busca do lugar certo, das condições ideais, do momento propício para precipitar e fazer-se chuva, busca-se estar no lugar certo, em contexto ideal para, quem sabe, viver. Da alimentação à proteção, das vantagens e benefícios ao puro e simples bem estar. Todos os detalhes contam na hora de manter-se vivo, saudável, em paz. O mundo exterior e aquele cuja mente é o seu todo são semelhantes nas ofertas, positivas e negativas. São tantas opções, são tantas cores, sabores, tantos desejos e tanto chove e não molha que a árvore chega a ficar confusa. Por isso é sempre bom escolher bem onde plantar o seu pé de bergamota, pois você não vai querer, nunca, perder de vista as folhas verdes da árvore. Ah sim, e as bergamotas alaranjadas.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Dias vão, foram


Os dias, marca determinística de tempo, passam e levam consigo acontecimentos, sentimentos e emoções que serão lembrados sempre, ocasionalmente ou cairão no esquecimento, não deixando de existir, necessariamente, por isso. Aconteceu, é fato, faz parte da história, mesmo que seja a gigantesca que descreve tudo e todos de um mundo onde não há número determinístico de páginas de história contada, vivida, presenciada ou não. Pessoas passam por você na rua, passam pela sua história. E são muitas, a maioria. Algumas, poucas, conseguem deixar algum registro, alguma lembrança, ou ficam por tempo, determinado ou não, na sua história. Porém, passa tempo, definido por dias ou contagem maior, e o espaço, sendo esse aumentado ou diminuído, e uma, tão somente, pessoa consegue fazer algo mais do que passar ou permanecer. Sem presença, apenas palavras escritas que fazem o que dias nublados, quase que completamente, impediam. Um sorriso sem motivo, sob a chuva que caía, para ninguém ver.

Não importa a possibilidade de presença, não importa a quantidade e nem o que pode acontecer. Saber que está por perto faz com que coisas estranhas, como o sol brilhar em um dia de chuva torrencial, tornem-se menos impossíveis.

*Uma grande enchente, 
de loucura ou simples alegria por um pequeno motivo de uma grande verdade, 
tomou conta de mim. 
Novamente.