quarta-feira, 9 de junho de 2010

Estou onde não sei o que dizer


Tantos passaram e esse é que gerou o vazio mais lamentado. Entristece saber que passou o tempo que previ e continuo pensando longinquamente, distante demais dos olhos. E de algo mais. Lamúria, lamento, sei lá mais o que. Vento frio que entra e nada derruba, nada leva ao chão, nada traz ou leva. Ele apenas passa por mim, frio, seco, puramente passageiro. Em um corte desatento, a prova de que não está aqui o que aos quatro cantos desse lugar vazio grito estar. Um grande mentiroso, um completo idiota. Merecedor dessa vaga não preenchida, por quem quer que seja, pelo que quer que seja. As ameaças não surtem efeito, a sala continua vazia, com aquele vento irônico e frio que passa por mim e leva o meu calor, leva as minhas palavras, leva a minha vontade, leva o meu...

Não é o fim. Sempre digo, muitas vezes incoerente com a realidade que, passa o tempo, o vento e todo lamento, acaba sendo igual às minhas palavras, presente no todo que o sempre mente possuir, e real. Tanto quanto a razão de ser de frases escritas, jogadas para fora com raiva. De si, do muito possível e do nada concreto, do sempre mentiroso e nunca tão abrangente quanto parece e de pensamentos, planejados ou... sonhados.

Devo estar ficando maluco, louco, pirado, doido, insano. Há tempos não sentia tanto por isso.  E ainda penso estar acostumado. O problema é que, ao que isso e aquilo indicam, eu estou errado. O termo não é maluco. Nem doido. É...

É, por enquanto ele apenas é.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Histórias de bergamota(13)


Olhou para um lado, olhou para o outro. De um lado um carro, do outro um touro. Olhou para um lado, olhou para o outro. Pensando bem alto, feito um bobão. Olhou para um lado e depois para o outro. Primeiro a esquerda, segundo a direita. Primeiro um lado, depois o outro. Do lado esquerdo o touro não saía. Do lado direito o carro tremia. De um lado pro outro, do outro pra um, esquerda direita, cima baixo... tá tá tá, parou por aqui.

Parou com aquela frescura, colheu algumas bergamotas e voltou para seu carro. E seguiu seu caminho, comendo bergamota enquanto dirigia, quase arrancando a cabeça do touro que pastava com a dita cuja fora da cerca.

Ah, como é difícil essa vida de comedor de bergamota!



*esse texto surgiu enquanto a música citada tocava

domingo, 6 de junho de 2010

Antes alguma coisa à você no chão


Escolha razões, motivos, lembranças e fatos. Faça isso enquanto bebe café com leite e bolachas de água e sal. Selecione o que eu já disse e comece a dar pesos diferentes para cada uma em cada ramo desse pensamento. Você define critérios, o que importa mais ou não importa, o que importa menos ou importa de verdade. Pensa, lembra, pede ajuda a alguém. E no fim, constata e...

Comete injustiça. Você fez um julgamento e jamais lembrará de tudo. O que há de injusto nisso? Você está bebendo café, então acorda de uma vez. Pensa bem, quais lembranças vêm primeiro à mente? Não são as lágrimas que contam mais? A raiva, o rancor e toda aquela porcaria que você insiste em guardar no seu seleto espaço de lembranças. Vai dizer que não lembrou das coisas ruins antes de lembrar das boas? Vai dizer que o mais pesado não foi colocado primeiro na balança? Vai lá, admite que eu estou certo ou se mostre um ou uma anormal.

Esperarei pelos anormais. Mas só porque aprendi a ser um.

Não por pesar primeiro as coisas boas, menos pesadas e depois as coisas ruins. Não. Anormal por deixar de lado julgamento de pessoas, ambientes com ou sem pessoas, e locais, com e sem pessoas. Anormal mesmo, daquelas coisas bizarras que você só vê em programas sensacionalistas de emissoras de televisão que são patrocinadas por sites de venda e novos produtos inúteis mas que vendem muito quando são lançados apenas por serem novidades inúteis.

Não é? Não, eu já disse, você está bebendo café, por que ainda não acordou? Eu não estava mais falando sobre os produtos de emissoras (ronc) que... ah sim, acordar para a vida. Vida? Vida não, café. Viu só o que você fez, boba. Você me faz perder o raciocínio. E tudo porque? Porque eu não tenho más lembranças de você. Nem de você nem de ninguém. E nada de 20 e poucos anos aqui, porque nenhum de nós os possui. Chega de carregar pesos em costas doloridas por cadeiras duras que escolas e universidades disponibilizam. Por si só é ruim, imagine quando você pensa e suas costas doem no pensamento. Imagine não, pense e sinta essa dor. Progressiva, silenciosa e que quando torna-se insustentável, você cai e chora arrependida por não ter pedido ajuda, por não ter sido ajudado(a) ou mesmo por não ter aceitado ajuda.

Deixa de lado essa rotina de achar que tudo pode-se em si, sendo que a origem da força é deixada de lado. Você não pode esquecer dessa força. Você não precisa carregar o peso dessas mágoas. Afinal, as mulheres não gostam que a balança indique muito peso, não é? E você também não precisa julgar ninguém, contar e medir pesos leves e pesados para então decidir que atitude tomar. Que tal fechar os olhos, já que o café não adiantou mesmo, e deixar que aquela força que você tanto deixa de lado te guie.

Essa força pode ser o amor. A amizade. A confiança. O reconhecimento pelo que já se recebeu. Pode ser Deus. No fim, é tudo farinha do mesmo saco. Ou café do mesmo bule.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Reflexões de um maluco(10)


A síndrome de perdedor é passado. Recente, próximo e por vezes presente através de lembranças ainda intensamente vivas. Porém é, sim, passado. Página virada de um livro que eu, olhando hoje para trás, não gostaria de ter escrito com as palavras que modelaram o talvez mais triste livro que eu, ou alguém, poderia escrever. Passado. Tão legal perceber que estou em uma constante indefinida, uma variável em módulo, ou seja, importa apenas o positivo, o para cima, o exponencial par. Ter recebido uma indireta desnecessária para facilitar a evolução demonstrada em frases curtas foi, no mínimo, interessante. Aconteceria de qualquer jeito, mas foi facilitado, e muito. Obrigado a você, pequena pessoa que tantos extremos racionais colocou na minha cabeça, indiretamente dando-me o direito de centralizar a responsabilidade por um jogo onde você era apenas reserva. Estranho, interessante, produtivo. Voltei e reescrevi uma página de um livro que foi fechado e guardado, sem publicação, embora esta fosse capaz de fazer sucesso. Quem sabe você venha a fazer parte da história continua, deixando de lado de uma vez por toda esses anexos que só servem para desviar a atenção do livro em si.

Com humildade digo que tive uma atitude grande, humilde de fato. Nunca duvidei ser capaz disso.Talvez tenha duvidado que você receberia aquelas minhas palavras. Um tanto quanto desconexas, provavelmente, mas sinceras. Legal, um nó a menos para desatar.

O bom é que a síndrome se foi. Hoje tive plena certeza disso.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Histórias de uma vida não vivida(21)


*Como indescritível é aquilo que faz a língua enrolar, a garganta gaguejar e as frases subjetivar sem objetivo, hoje, algum ontem e por aí vai, estão sendo dias de não confuso, de sim incluso em alguma cláusula quase invisível e de descrição boba, infantil. Sem nada definido, sem imaginação, muito menos conclusão. Porque não há nada, provavelmente nunca haverá nada em um lugar que não existe, um sonho que ninguém sonhou, uma palavra que ninguém quer dizer, uma vontade que ninguém quer expressar. Felizmente isso não tira esse não mentiroso que tanta alegria tem me trazido.

Queria dizer muito mais do que te disse. Falando nisso, eu disse alguma coisa? Não lembro. Ah, sim, pedi desculpas por algo que não fiz, só para não deixá-la sozinha como culpada em uma situação da qual nem você e muito menos eu temos culpa. Quem aponta o dedo e com ele empurra críticas sobre alguma coisa não sabe de nada. Você não fez nada. Você é assim, diferente. Bem diferente. E isso lhe torna ainda mais especial.

Pouco importa se você me chama de coisas que as pessoas consideram ofensivas. Até eu considero, mas não vindas de você. Porque você me xinga, me chama de idiota, de grosso e até de monstro, mas sem maldade alguma. Você sente raiva de mim. Não, você diz sentir raiva de mim. Eu olho nos seus olhos e vejo que não há maldade, não há raiva, não há remorso ou qualquer outro sentimento ruim. Da boca para fora e até isso é exagero. Você diz porque... ainda não consigo entender ao certo a razão.

Deixei em aberto, após pouco falar, uma possível explicação. De alguma coisa que nem lembro mais o que poderia ter sido se eu tivesse dito. Curiosidade é razão para ansiedade e busca por um novo dia, no meio de um grande plural, por motivos, por vezes, invisíveis. Apenas uma vez no meio de tantas e tantas possibilidades, de tantos novos dias. No quase fim de um meio bem definido de sete em sete.

Perdi as palavras que poderia transcrever além das que escrevi dizendo sem conseguir dizer muita coisa. Sério, você me faz esquecer muita coisa. Disso você não sabe, talvez nunca saberá. Não importa. Se a grande escada para a felicidade passa pelo caminho que se escolhe e por tudo o que ele possui, você está no meu caminho. E não quero pensar em quanto tempo continuará, uma vez que não vivo o amanhã. Entretanto, admito que penso no próximo pós-sete. Penso muito. Até ensaiaria algo para explicar algumas coisas mas não, que seja como tem sido, espontâneo, impulsivo, momentâneo.

Momentaneamente prazeroso. Seja lá o que for, como for, por quanto tempo for ou puder ser. Sem sonho algum. Porque você me faz pensar na realidade. Um antes, no amanhã. Um depois, no ontem e no amanhã pós-seis. Tão confuso quanto específico. Queria poder entender você melhor, o que pensa, o que acontece na sua vida. Apenas queria, pois não tenho mais do que alguns poucos minutos para conversar com você. Ainda por cima você insiste em implicar comigo, por alguma coisa ou por nada. Critica-me paranoiando uma feiúra que não possui quando deveria ter visto o quanto esse olhar suave e digno de elogios acaba sendo observado por esses olhos humanos que possuo.

Por você, por mim, por alguma coisa a mais ou a  menos. Sim, posso dizer que você me confunde, também.