Momentos não aproveitados passam. E você não consegue reeditá-los, mesmo que eles não tenham saído de sua cabeça, ainda. Existe uma hora certa para quase tudo. Uma hora, minuto ou mesmo instante. Talvez até um dia, em uma especificação requeridamente menor. Existe o momento certo para escrever sobre os hábitos alimentares dos gafanhotos japoneses e, se você perder esse momento, nunca mais escreverá sobre isso, ou pelo menos não da mesma maneira que escreveria quando teve a ideia, a intenção e a vontade, mas foi contra isso, por motivos quase numa totalidade menores.
E passa. Como passa a hora certa de jogar o lixo fora, de comer aquela comida que está na geladeira, de ir à missa cuja homilia seria um grande tapa na sua cara, de estudar para a prova ou fazer o trabalho, de sair correndo e esbarrar em uma pessoa que acabará sendo especial apenas pelo fato de, mesmo sem razões, lhe perguntar 'você está bem?". Como passa o momento de uma despedida decente de um ente querido.
Passa. E passou. Passará. Ou não. Depende. De mim, de você, do dono da vida e do que há de ser feito. Não dá para saber tudo, quando as coisas vão acontecer ou quando é o momento certo de acontecerem. Como não dá para saber se são as coisas certas. Como não dá para voltar e acertar no tempo certo. Também não existe acertar sempre. Não dá para saber, às vezes, nem o próprio saber.
Entretanto, é muito pior ficar parado esperando que alguém faça por você. Fale por você. Sinta por você. Viva por você. Acerte no seu lugar, na sua escolha, na sua vontade, no seu tempo.
Talvez você tenha lido esse texto na hora certa. Talvez devesse estar fazendo algo certo na hora certa enquanto estava aqui, lendo essas humildes e quem sabe desconexas frases. Talvez, talvez.
Tanto quanto o se, o talvez é muito relativo. E esse não é, com certeza, o tempo certo para expandir essa ideia em frases que certamente seriam erradas no momento errado. Um erro completo. Erro que deve ser evitado. Fazer a coisa errada na hora certa ou o contrário desmotiva sim, mas é melhor do que deixar para depois da novela, da hora de estudo que ainda nem chegou, de você comprar um cacho de uva ou ir ao mercado apenas para comprar um bombom.
Só que o tempo que se perde achando e vivendo como se existe um talvez para tudo, um empecilho para você ser você no seu tempo, nas suas escolhas, na sua vida, esse tempo não é relativo.
*algumas palavras certas,
algumas palavras erradas no momento necessário,
certo ou não só as semanas dirão.