domingo, 7 de março de 2010

Frase do dia


 Se você precisa mudar o rumo da viagem, 
não espere o vento mudar de direção. 
Mude a posição das tuas velas 
e comece a nova viagem. 
Mas tenha certeza de que é isso 
o que você quer,
antes de fazê-lo.

*para um amigo, um irmão. 
Não posso dizer mais nada. 
Não tenho condições de fazê-lo hoje.
E quem sabe por um bom tempo.

sábado, 6 de março de 2010

Frase do dia:


Não espero que aqueles que amo façam coisas fantásticas. 
Espero apenas que sejam únicos em minha vida.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Retratos de uma sociedade patética (7)


Engraçado como hoje em dia a maioria busca mostrar-se diferente. Mostrar, aparentar, fazer de conta, ser visto como diferente, mesmo sabendo que não passa de uma cópia de tantas outras pessoas, de tantos outros erros, de tantas popularidades e superficialidades pré-existentes. O importante é parecer ser, não ser de fato. Porque aí você pode dizer 'prefiro ser diferente do que ser igual a todo mundo', mesmo não sendo nada, muitas vezes nem alguém.

Não vem ao caso isso, essa do ser diferente. Mas tem relação.

Buscam mostrar-se diferentes, para provarem ser únicos, enfim. Só que cometem um grande erro: generalizam. Porque em tais situações isso, tais pessoas aquilo, pessoas importantes aparecem em momentos importantes, as dificuldades são superadas e devemos aprender. Generalizações que, sendo assim, deixam de ter valor, passam a ser meras frases sem verdade, sem sinceridade, mesmo que com muita aparência.

Generaliza-se para não cometer injustiças, esquecendo de alguém, de alguma coisa. Mas esquecem-se eles que, generalizando, cometem uma injustiça maior. Transformam coisas de pouco ou nenhum valor em valores importantes, em pessoas fundamentais, em lições aprendidas, em problemas resolvidos. Generalizam por ser mais fácil, por ser aparentemente mais bonito aos olhos alheios, já que você deixa como incógnita o número de situações, pessoas, seja lá o que for, mencionadas.

E de palavras falsas surgem as atitudes falsas. Você passa a ajudar alguém com quem não gostaria de manter contato para não precisar fazer mais aquilo, afinal de contas, devemos ajudar as pessoas que precisam de ajuda, ou seja, com qualquer idiota que eu tenha ajudado, terei cumprido essa meta.

Depois disso, a hipocrisia aumenta. Porque não se cumpre mais meta alguma. Apenas fala-se sobre isso, aquilo, aquele. E a hipocrisia volta às palavras maior do que havia delas saído. Pega-se uma parte pelo todo com mais frequência e iguala-se tudo, o bom e o ruim, o útil e o fútil, o prazeroso e o cansativo, o importante e o desnecessário.

Até que algum dia alguém pergunte, com suposta grande cara de pau 'me dá um exemplo específico disso'. E o alguém haverá de rir, quando perceber que não há nada além de frases, não há nada além do falso pano da verdade.

É medo, receio, preguiça ou hipocrisia mesmo a causa dessa generalização toda. Eu não gosto de ser colocado como apenas mais um, tido como apenas mais um, qualquer que seja o lugar, a situação. Porque eu sei que posso fazer a diferença. Do mesmo modo, não igualo ninguém, para bem ou mal. Porque pessoas, e situações, são únicos, quando importantes.

Entretanto, já que insistem em banalizar as utopias em formas de palavras, mentindo para si mesmos, para todos os outros e igualando o bem e o mal, a verdade e a mentira, é preciso dizer que devemos perdoar as ofensas, ajudar os pobres, falar sempre a verdade, tratar todas as pessoas bem, sorrir sem motivo, aproveitar a vida, dizer àqueles que se ama o quão são importantes...

terça-feira, 2 de março de 2010

Histórias do Bandiolo - Hei, você aí, pega esse dinheiro, aqui?


Como a grande maioria dos seres humanos, mais especificamente dos brasileiros, ele achou aquela carteira, abriu-a e viu grande quantidade de dinheiro. Caramba, nem se somasse tudo o que havia ganho nos seus 33 anos,8 meses, 12 dias, 10 horas e 2 minutos de trabalho conseguiria juntar o dinheiro que havia naquela carteira.

O cara era podre de rico. Só pode. Mas podre. Porque afinal de contas, todo rico é podre. Rico que é rico ou é traficante de drogas, ou é chefe de jogo do bixo, ou ganhador de loteria ou ainda dono de empresa que acabou com as rivais para poder crescer e ganhar muito dinheiro. Rico só é honesto depois que morre, já que todos os mortos perdem os defeitos, têm os erros perdoados e nada do que fizeram foi com má intenção.

'O cara deve ter um Toyota, uma BMW, um Audi modelo novo. Só pode. Com esse dinheiro na carteira, só pode ter um carrão. Ou um carro de pobre, um Fiat 147 ou um Fusca, pra disfarçar. Tem idiota pra tudo nessa vida. Ah se esse dinheiro fosse meu...'

E com aquela carteira na mão, pensou na família, nas dificuldades em conseguir pagar todas as contas, em dar comida para seus 3 filhos diabéticos e para sua mulher obesa. Em contrapartida ele era subnutrido, já que não sobrava comida com aquela gorda em casa.

Tinha um número de telefone na carteira. Em cima do número estava escrito 'meu número'. Ele ia ligar como? Então pegou uma nota e comprou um cartão telefônico. Bom, já que estava na frente da padaria, e com fome, pegou mais uma nota e comprou três pastéis, daqueles que têm até a carne da bunda da cozinheira gostosa dentro, e uma garrafa do vinho mais caro, aqueles vinhos de rico. Sim, em uma padaria, algo contra?

Ele devolveria aquilo, algum dia. Quem sabe o dono da carteira nem cobrasse por aquilo, já que ele devolveria o dinheiro, quase que em sua totalidade, para o dono. Ligou e o cara atendeu aos berros 'quem é o filho de uma égua que resolve me ligar enquanto estou no motel com a minha secretária?'. Apavorado, apenas resmungou 'achei sua carteira.

O tom da voz do dono da carteira mudou. 'Que carteira?'. 'Tem o seu número aqui em um papel, em cima está escrito meu número, que é o seu número, no caso'. 'Ah, carteira de dinheiro. Tá.'

Marcaram de encontrar-se na praça. Mas como chegaria até lá? Caminhar 3 km em 10 minutos estava fora de cogitação. Táxi era caro. Paciência, o dinheiro não era seu. E era por uma boa causa. De táxi chegou ao local combinado, um minuto antes. Estaria fazendo o certo? Sua família precisava, ele precisava mais do que eles. Mas era honesto, nada no mundo o faria ficar com o dinheiro.

O podre de rico dono da carteira chegou e perguntou se o homem havia gasto alguma parte do dinheiro. O homem subnutrido disse que teve algumas despesas, como telefone e táxi para poder localizá-lo. O podre de rico gritou 'prendam-no, ele confessou que roubou meu dinheiro'.

Foi para a cadeia, 6 meses. Nesse tempo seus filhos morreram pela diabetes e sua mulher teve um infarto pelo excesso de gordura no corpo. Sabe que nem sentia falta deles. Mesmo honesto foi para a cadeia.

Bom, ele mereceu. Era um desgraçado. Precaviu-se e pegou dois terços do dinheiro da carteira antes de encontrar com o podre de rico, que nem sentiu falta daquele dinheiro, já que subentendeu que o dinheiro que havia sumido o pobre(não podre) confessara ter gastado.

Com dinheiro, sozinho e desempregado, resolveu arrumar um jeito de ganhar dinheiro. Apostou todo seu dinheiro, das mais diversas formas, na loteria.

E virou mais um podre de rico. Podre, hipócrita e ladrão. Com seu Citroën novo, atropelou o podre de rico que o jogou na cadeia e subornou alguns guardas para não ser preso. Fez o que podia fazer com o dinheiro.

Não passava de um pobre coitado. Pobre podre rico.

Anos depois morreu por complicações que a AIDS, que pegou na transfusão de sangue com um homossexual feita sem necessidade, acarretou.

E morreu sendo mais um pobre coitado. Mesmo que por algum tempo tenha vivido como um podre rico.

*não há moral , mensagem, objetivo ou subjetivo nessa história.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Reflexões de um maluco(9) - Retrospectiva reflexiva


Quando achei que havia me tornado uma boa pessoa, veio a primeira decepção. Com o mundo, com as pessoas, com tudo. Nada parecia certo. Era injusto que alguém que nunca fizeram mal algum passasse por tantas situações difíceis com pouca idade. Ao tentar ajudar a todos, ser uma boa pessoa com todos e tratar bem todos, descobri muitos motivos para manter-me afastado das pessoas. Deixei de sorrir por achar desnecessário e então passei a esconder quem era atrás de uma cara feia, de mau.

Então aprendi a observar as pessoas e o que elas faziam. Aprendi que há indícios de pessoas que querem brincar ou maltratar você. Indícios. Desconfiei de todos, mantendo sempre um pé atrás. Afastei quase todos que tentavam chegar perto, uns acertadamente e outros de maneira errada.

Precisei reaprender a confiar nas pessoas. Reaprender a sorrir e não ser tão radical, com tanta raiva das pessoas, da sociedade, do mundo, afinal de contas, a falta de amigos me prejudicava. Não que tenha conseguido isso totalmente, mas muita coisa mudou.

Percebi que tinha me tornado mais humano. E então achei que já tinha evoluído o suficiente. Era maduro com pouca idade, muito mais do que qualquer outro que perto de mim estava. Suficiente. Sabia distinguir pessoas boas de más sem afastar ninguém de cara.

Outra decepção veio. Outras decepções vieram. Precisei aprender a escrever para achar solução, para entender as coisas que aconteciam. Aprender a refletir. A desabafar. A expandir minha raiva de outras maneiras. Aprender a controlar a raiva, a decepção, as palavras. Aprimorei a sinceridade, transformando-a em uma grande virtude. Fortaleci e complementei personalidade e caráter. Força e coragem viraram adjetivos meus. Incrementei valores, morais e emocionais.

Além de mais humano, havia me tornado mais inteligente. Aprendi a lidar com várias situações, boas e ruins, com as quais havia tido problemas. Então percebi ter crescido mais. Evoluído mais. Era uma boa pessoa, com caráter e que havia aprendido muito. Havia me tornado espontâneo e sincero ao mesmo tempo. O suficiente.

Não.

O emocional veio então abaixo. Coração que doeu muito. Paixão de verdade. E o que faltava passou a não faltar mais. Tristeza pela ausência, pela decepção, pela falta, pelo querer e não ter. Dor que não se controla.

Então aprendi a aceitar o que não poderia ter. A entender o que me era dado e como era dado. A aprender nesses momentos. Refletir não só sobre a sociedade, mas principalmente sobre eu mesmo. Pensar e entender o que sentia. Sentimentos. Passei não só a entendê-los, como a valorizá-los. Valorizar sentimentos de fato. A dor passou, superei-a e fortaleci-me com ela. Passei a valorizar ainda mais minha família e meus amigos.

O que faltava não faltava mais. Emocional, racional, social. Eu já evoluíra o bastante. Uma boa pessoa, capaz de sentimentos bons, puros.

Não foi o bastante.

Descobri-me novamente apaixonado. Dessa vez muito mais do que isso. Amor. E mais uma vez não havia a retribuição, a entrega mútua, embora houvesse algo parecido. E amor de verdade. Tanto que meses depois, com erros cometidos que me afastaram mais ainda dela e me fizeram entender o que eu realmente sentia, a certeza de não haver apenas um amor verdadeiro havia sumido. Agora existe a certeza contrária. Mas não há nada que eu podia fazer, que eu possa fazer.

Então tive que aprender a entender as escolhas de Deus, os caminhos e as palavras Dele. Percebi que precisava me aproximar de Deus e ter com ele uma relação mais próxima. Encontrei paz, encontrei verdade, encontrei pureza. Cada vez mais facilmente elimino mágoas, tristezas e decepções. Aprendi a estar feliz apenas por amar, sincera e puramente, mesmo que não existam muitos motivos para sorrisos. Aprendi a confiar em Deus a minha vida, e não só o meu futuro.

Ainda falta muito. Aprendi a não achar suficiente aquele que sou hoje. Aquilo que sou hoje.

Mas não posso negar que estou muito satisfeito com esse sentimento de luta, de inconformismo, de busca pelo que os meus sentimentos querem e precisam. Hoje vejo que estou muito mais preparado do que em qualquer outro momento para enfrentar qualquer coisa que possa vir.

Aceitar o plano mestre foi difícil, porém importante. Entender-me e ao mundo também.

Mais importante que isso foi ter aprendido a sonhar e a lutar por isso. Claro, mesmo que os sonhos estejam muito próximos da linha do impossível.

Sinceridade, espontaneidade. Em gestos, sentimentos e pensamentos. Em vontades, ideais e convições. No caráter e na personalidade. Na crença e na busca pelo crescimento.

Orgulhoso de quem sou hoje. Do que penso, do que falo, de como vivo. Orgulhoso do que sinto, do que sonho.