domingo, 13 de dezembro de 2009

Frase do dia e alguma coisa dos últimos meses

(ao som de Magic bus - The Who)

É como ganhar uma bala como prêmio de consolação por não ter conseguido o bombom. (escrita originalmente no meu twitter)

Não tentem entender. Não me peçam por quê, como, onde, para que. Não me peçam de onde veio, com que intenção foi escrito, qual sentimento foi colocado nele. Não me peçam nem como ou onde estou e nem para onde vou. Não me peçam nada. Eu não sei de nada. Nada do mundo, nada de mim. Distante de quase tudo. Sem perspectiva. Sem reclamações também. Eu já nem sei mais, o que, para que, por que, como, onde, ou qualquer outro motivo, razão, ideia, origem ou entendimento.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Histórias do Billi J. - Frase do dia




" Em momentos como esse eu acredito ser verdade a frase 'tudo na vida é uma questão de logística' " 


- Billi J., 
após ter seu pedido, 
de que todos os itens que havia comprado no mercado fossem colocados em uma única sacola, 
atendido.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Histórias de uma vida não vivida(13)

(ao som Yesterday - The Beatles, composição de Paul McCartney)

*Que credibilidade pode ter um louco que parece viver em outro mundo, que sonha acordado e fala alto e que não consegue, de maneira alguma, livrar-se de um sentimento, o mais sincero possível, mas que, por muitos motivos(desconhecidos), apenas sensações e sentimentos estranhos tem trazido para sua vida? Que credibilidade pode ser dada às palavras desse louco, desse insano, desse idiota? E ele ainda fala que acredita em um mundo melhor, mais justo. Ele sonha com isso. Ele acha que pode dar algum bom exemplo, mostrando como as coisas podem ser feitas para que a humanidade seja uma palavra que represente muito mais do que um grupo (quase) incontável de humanos. Ele é louco. Ele é insano. Ele, ou eu?

O supermercado estava lotado. Muito barulho, muitos ruídos, pessoas conversando, outras tantas reclamando do preço, da vida, de outras pessoas. Música de fundo terrível, som que faz doer qualquer ouvido e latejar a mente de qualquer um que aprecia uma boa música. E ele ali no meio dessas pessoas, desse barulho, de todas aquelas mercadorias mas, ao mesmo tempo, distante disso tudo. Não procurou nada, pois já sabia onde estavam os três itens que precisava. Não fez pesquisa de preço nem nada, queria mais era sair dali.

Fila no caixa e ele continava alienado a tudo aquilo. Até porque, Yesterday tocava no seu MP3 a todo volume, mesmo que a guria que estava atrás dele na fila lhe oferecesse tudo, ele não ouviria. Não tinha medo de ignorar alguém sem querer por não ouvir nada do que pudessem lhe falar já que, ninguém o conhecia, ele não era popular, rico, bonito, não era nada. Era apenas alguém que fora no mercado comprar algo que precisava. Só.

As pessoas o olhavam de um jeito estranho. Talvez fosse pelo excessivo suor, talvez fosse pela enorme caixa de sucrilhos que havia comprado ou talvez fosse porque ele cantava em voz alta. Parecia estar falando com alguém, já que, sem medo, olhava para as pessoas nos olhos. Era direto, simples, talvez até aterrorizante e amedrontador. Não que sua intenção fosse essa, mas o que pudesse parecer, não mudava. Ele não se importava com o que alguém pudesse pensar. Seria só mais um no meio de uma multidão de gente normal que acha que todos os que fazem o que lhes faz bem são loucos, idiotas, estúpidos. Sociedade patética...

Duas moedas a mais no pagamento, saiu dali normalmente. Até que alguém lhe olhou no olhos e lhe falou alguma coisa. Sua fortaleza intransponível de música, ouvida e cantada, e de isolamento no meio da multidão havia acabado. Não conhecia o sujeito, mas resolveu tirar os fones e ouvi-lo. Uma moeda. Aquele sujeito mal vestido lhe pediu uma moeda. Olhou-o nos olhos apenas por uma moeda. E ele tinha aquela moeda, de 1 real na mão. Na mesma mão e que segurava a sacola. Mas não queria dar. Aquele dinheiro era para as fotocópias(xerox) do dia seguinte. E aquele homem que fosse trabalhar.

O dia não tinha sido bom. Apesar de toda imensidão da obra de Deus saltando às vistas de todos aqueles que tinham dois olhos em funcionamento, dentre os quais ele, o dia não tinha lhe trazido boas sensações, muito menos boas lembranças. Estava cada vez mais distante do passado. Mais distante do presente. Mais distante do futuro. Quase um morto vivo, literalmente. E aquele sujeito lhe pedia uma moeda ainda! Era o fim. 'Será que Deus está brincando comigo agora?'.

Disse ao homem que não tinha mais moedas. Nem uma moeda. O homem lhe agradeceu, sentou novamente no meio fio e ele seguiu caminhando. Dobrou a esquina e, na metade da quadra parou. Não entendeu por que, mas parou. A cabeça pesou. O coração parou de pulsar. Seria tudo isso, toda essa sensação de se estar carregando uma bigorna apenas fruto de não ter dado aquela moeda àquele mendigo? Não entendeu. Sentiu-se sujo, normal, apenas mais um ser humano. Sentiu como se aquilo fosse o fim do mundo, da sua vida, dos seus sonhos. Tudo sumiu, e ele parado, pensando.

Olhou para cima e voltou. Caminhou um trecho considerável e entregou a moeda ao homem. Virou as costas sem ouvir resposta alguma, os fones estavam novamente nos seus ouvidos e, mais uma vez, o que lhe dissessem não seria ouvido. Não importava. O peso que perdeu quando se livrou daquela moeda era inacreditável. Mais um pouco e poderia voar de tão leve.

Por uma moeda. Para alguém que talvez nem precisasse tanto. Apenas por um olhar no olho, por uma palavra ouvida em um momento de surdez. Pela derrubada de uma barreira mental, criada sem sentido algum por todos aqueles que lhe cercavam. Indiretamente ou não, deixara-se afastar do mundo por ter aceitado o que faziam com ele.

Voltou para casa e continuou pensando naquilo. Não fazia sentido.

E concluiu: "a minha vida perderia todo o resto de sentido que pode ter se eu tivesse deixado de ajudar alguém que me ajudou apenas porque ninguém mais faria o que fiz. Não mudei o mundo, mas pelo menos agora me sinto orgulhoso por poder dizer que não preciso me afastar de tudo para poder provar que é possível sim fazer a diferença. Por mais que ninguém veja."


E, sozinho, sorriu.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Não há nada a ser dito além disto.

No olho do furacão, no centro do universo. 
Um simples grão de areia numa dimensão inimaginável. 
Por mais que esse grão queira, 
e com muita boa vontade tenha a remota possibilidade, 
não será nada além de um miserável grão de areia em uma praia, 
que dirá na dimensão do universo. 
Não há um centro do universo, porque não se sabe até onde ele vai. 
Então como um grão de areia pode querer sê-lo?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Beirando a insanidade(2) (ou mergulhando nela)

Uma raiva incontrolável, uma decepção indescritível e um cansaço físico que quase me fez parar.

Uma palavra quase final, como se fosse um atestado de desistência. Várias e várias palavras que tanta verdade continham mas que, no fundo, eram indesejadas.

A distância do coração e a ausência nova, agora de um cérebro.

De certa forma, uma redenção, um alívio. Uma música, cantada, uma foto vista com os olhos fechados, uma lembrança pensada, um sentimento humano.

Vida.

E nem interessa se há viver nisso. Tantos detalhes, tantos motivos para dizer 'chega, desisto', a tal da maré jogando para baixo. Pedras sendo atiradas e eu sem meus escudos, sem minhas espadas, sem a minha força. Indefeso, sozinho.

E ainda assim, vivo.

A cada dia caminho mais tempo junto com a insanidade. Aquela coisa que no fundo ninguém explica porque ninguém sabe o que é, mas quem sabe o que é só o sabe porque acaba vivendo um pouco dessa insanidade, ou com um pouco dela, ou em parte dela. Difícil explicar o que é, como é. Viva isso, um dia você me entende. Se é que já não está entendendo.

A distância entre o real e o irreal, entre a fraqueza e a força, a solidão e a companhia. Tudo isso é mínimo, se é que existe distância. Os olhos não vêem aquilo que deveriam ver, mas sim aquilo que alguma coisa os manda ver. Alguma coisa maior, também sem explicação. Dizem que isso é fé, que isso é amor, que isso é saudade, que isso é apenas um sentimento, qualquer que seja ele.

Dizem e digo. É alguma coisa. Alguma coisa espontânea, alguma coisa sincera, que transforma uma possibilidade de pior dos dias em um dia de vida, um dia de percepção, de fortalecimento daquilo que nunca enfraqueceu.

O esquecido que foi lembrado sem intenção. A espontaneidade mental que prova que ainda há um cérebro, ainda existem neurônios, mesmo que eles não sejam muitos  não façam grandes coisas. Um sentimento, dois sentimentos, vários sentimentos. Com o adjetivo da sinceridade por perto. Sinceridade que prova serem reais.

Real e imaginário, o que se vê e o que se imagina, sentir plenamente ou apenas da boca para fora. Insanidade.

Cantar, lembrar, pensar, sonhar, sentir. Sem sair da mesma cadeira onde antes tudo parecia tão difícil, onde antes o dia parecia ter sido terrível. Onde antes o cansaço prendia, fixava, como se houvessem colado-a em ti.

Insanidade.

Talvez não haja ainda viver da maneira que havia, e que um dia haverá. Mas há vida. Há um coração, um cérebro, há uma alma.

Há a sinceridade, as lembranças, o amor.

E as palavras.